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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Nuvens de fogo

Ocorreram na Austrália e Califórnia, mas não é a primeira vez que foram registradas na França, mais de 300 mil pessoas na Espanha e França receberam ordens de evacuação depois que incêndios florestais devastarem as nações nos últimos dias e a Espanha declarou emergência nacional, ao passo que, autoridades de Bordeaux alertaram que o incêndio florestal pode continuar arder por vários meses. À medida que continuam as evacuações especialistas alertam que ‘as nuvens de fogo’ tornam os incêndios mais intensos, essencialmente, pirocumulonimbus, ou, nuvens de fogo, ou, tempestade de fogo gigantescas criadas por incêndio florestal, apelidadas pela NASA de ‘dragões cuspidores de fogo’, nuvens criadas pela 1ª vez quando incêndios geram calor fazendo com que o ar suba acima do incêndio, enquanto fumaça, cinzas e vapor d'água entram na atmosfera e, quando o ar se eleva, esfria e o vapor condensa em nuvens. Já foram raras, mas agora aumentaram em frequência por conta de incêndios intensos que criam nuvens de fogo podendo atingir altitudes de 10–15 kms, mais prováveis quando há condições perigosas como altas temperaturas, pouca umidade e ventos fortes, podendo tornar incêndios florestais mais imprevisíveis e perigosos gerando seus próprios raios e provocando mais fogo longe da zona de impacto inicial, além de fazer com que ventos fortes espalhem os incêndios mais rápido. A coordenadora de previsão de incêndio do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, ECMWF, Dra. Francesca Di Giuseppe, disse que pirocumulonimbus podem injetar fumaça na troposfera superior ou mesmo estratosfera inferior, em altitudes comparáveis as associadas a erupção vulcânica moderada’, por vezes, nuvens de fogo podem produzir chuva para ajudar extinguir um incêndio. No Verão Negro de 2019 e 2020 na Austrália criaram ‘tempestades de fogo’ extremas ou, seu próprio clima, relatadas na Califórnia no verão de 2021 elevando-se 1,6 kms acima do estado, tornando-se comuns graças às alterações climáticas que criam condições à ocorrência de incêndios florestais e, conforme a Royal Meteorological Society, provavelmente serão mais frequentes à medida que condições mais quentes e secas aumentam risco de incêndios florestais. No entanto, esta é a 1ª vez que nuvens de fogo são vistas na França. Rick McRae, professor adjunto do grupo de pesquisa sobre incêndios florestais da Universidade de Nova Gales do Sul, diz que, ‘é a 1ª vez que a França considera explicitamente o conceito de um piroCb’ e, conclui, ‘se tiveram ou não em alguns dias atrás não é realmente a questão,’ disse, ‘a questão é se haverá um ou vários daqui para frente. 

Ainda no quesito mudanças climáticas, surge a notícia que a Louisiana enfrenta surto de infecções por Vibrio vulnificus, conhecida como bactéria comedora de carne, que normalmente vive em águas costeiras quentes como as encontradas na Grand Isle, na Louisiana. O Departamento de Saúde da Louisiana forneceu notícias sobre o Vibrio vulnificus, ou seja, que houve surto de infecções por Vibrio vulnificus em 2026 e já houveram 9 casos de infecções resultando em intercorrências, hospitalizações e 5 mortes. Representa aumento significativo em relação à média de 7 casos e 1 morte na última década e, pelo aumento do número de casos em relação a década passada foi designado 'surto', sendo que o Vibrio vulnificus é conhecido como bactéria comedora de carne porque é uma das espécies de bactérias que causam fasciíte necrosante, ou, apodrece o tecido que fica abaixo da pele sendo o agente bacteriano mais comum o Streptococcus do Grupo A. Vale a nota que a palavra “fáscia” se refere a fina e extensa camada de tecido que se localiza abaixo da pele e do sufixo “ite”, que significa inflamação e o termo necrosante se refere a palavra morte, daí, o Vibrio Vulnificus pode causar fascite necrosante que se refere a infecção bacteriana grave que causa morte da fáscia e do tecido acima dela, daí o apelido “comedor de carne”.  Tal  evento pode ocorrer quando bactérias “que comem carne” penetram no  organismo através de fissura na pele como arranhão ou picada de inseto, o detalhe é que, são tóxicas, liberam toxinas que impedem o sangue fluir na área danificada levando a morte do tecido ou necrose. A toxicidade pode se espalhar à outras partes do corpo como órgãos importantes, causando danos e a interferência do sangue nos tecidos do corpo é análoga ao corte das principais vias à determinado local, em consequência, cirurgia de emergência se impõe como tratamento para impedir propagação da infecção levando eventualmente à sepse, ou, disseminação da bactéria no organismo, choque, ou, queda de pressão, falência múltipla de órgãos e morte. A fasciíte necrosante não é condição muito comum podendo aumentar a incidência quando da presença de bactérias carnívoras como o Vibrio vulnificus, aumenta em água salgada ou salobra costeira quente entre os meses de maio e outubro e como resultado, pode ser encontrada em mariscos que habitam essas águas. Por fim, sintomas da fasceíte necrosante como febre, calafrios, dores no corpo, náuseas, diarreia ou dor na área infectada, começam em 24 horas pós o Vibrio vulnificus entrar no corpo além de pele descolorida e quente, inchaço, piora da dor e bolhas com líquido sanguinolento ou amarelado. Por fim, mudanças climáticas podem estar levando a cada vez mais casos de Vibrio Vulnificus e, a Louisiana não é o único estado com casos em 2026, a Flórida já teve 2 mortes pela bactéria e o Departamento de Saúde de Maryland teve 29 casos confirmados e 114 prováveis de Vibrio vulnificus até agora e, à medida que a água esquenta, patógenos potenciais crescem e se tornam mais concentrados, podendo causar mais doenças e possivelmente a morte, quer dizer, a continuação das alterações climáticas pode levar a cada vez mais a novos casos  nos próximos anos. Um detalhe, publicação de 2024 no periódico científico PLOS Pathogens chamada Vibrio vulnificus a “organismo sensível ao clima por excelência”, descreveu que alterações climáticas estão tornando a água dos oceanos mais quente aumentando locais onde o Vibrio vulnificus pode crescer e, portanto, onde pode ocorrer infecções.

Moral da Nota: o geógrafo árabe Al-Sharif al-Idrisi na Sicília do século XII desenvolveu uma das obras científicas mais importantes da Idade Média, ou, Nuzhat al-Mushtaq fi Ikhtiraq al-Afaq, ou, o deleite de quem anseia por viajar pelos horizontes, enciclopédia geográfica reunindo mapas e descrições do mundo conhecido. Obra encomendada pelo rei normando Rogério II e desenvolvida ao longo de 15 anos, entre 1138 e 1154 e, para realizá-lo, Al-Idrisi baseou-se em suas viagens, consultou obras de geógrafos anteriores e coletou depoimentos de mercadores, marinheiros e viajantes, comparando informações e descartando relatos contraditórios. Dividiu o mundo em 7 regiões climáticas, cada uma subdividida em 10 seções, resultando em 70 mapas interconectados em que cada um acompanhava informações sobre cidades, rios montanhas, mares, rotas comerciais, condições econômicas e sociais e, cada obra incluía cálculos da circunferência da Terra estando ligada a um globo de prata com um mapa-múndi gravado. O trabalho combinou geografia física, humana e econômica, tornou-se registro da vida, arquitetura e relações comerciais e políticas do século XII, sendo que o Nuzhat al-Mushtaq teve ampla circulação sendo traduzido ao latim e demais línguas europeias utilizadas nos séculos por geógrafos e viajantes, inclusive no Renascimento. Atualmente os manuscritos estão em instituições como a Biblioteca Nacional da França, Biblioteca Bodleiana em Oxford e coleções em Istambul com historiadores como Hussein Mounis, Samuel Parsons Scott e Michele Amari destacando a importância de Al-Idrisi e considerando sua obra como uma conquista da geografia medieval e civilização árabe-islâmica. Nasceu em Celta por volta de 1100 sendo seu nome completo Abu Abdullah Muhammad ibn Muhammad al-Idrisi, viajou por Al-Andalus, Marrocos e Levante antes de estabelecer na corte de Rogério II na Sicília e, além da geografia, cultivou a botânica, medicina, astronomia e literatura e 9 séculos depois, Nuzhat al-Mushtaq continua sendo obra na história da geografia e cartografia e testemunho dos estudiosos árabes no desenvolvimento do conhecimento científico global.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Rios, Mares e Clima

Mudanças climáticas, segundo a ciência, reduzem o oxigênio dos rios no mundo, ou, o aquecimento global faz com que os rios percam oxigênio ameaçando peixes e demais formas de vida aquática, com pesquisadores chineses utilizando satélites e IA buscando rastrear e analisar níveis de oxigênio em 21 mil rios desde 1985. Notaram que os níveis de oxigênio caíram em média, 2,1% desde 1985, conforme estudo publicado na Science Advances, cujo impacto é cumulativo e, caso continue ou se intensifique, rios do leste norte americano, Índia e região tropical deverão perder oxigênio suficiente até fins do século sufocando peixes e criando zonas mortas. O estudo utiliza princípios básicos de química e física dizendo que a água mais quente retém menos oxigênio e, devido mudanças climáticas causadas pelo homem, libera mais oxigênio na atmosfera e, se a taxa de perda de oxigênio continuar no atual ritmo, os rios perderão, em média, 4% de oxigênio até fins do século e, em alguns casos, perto de 5%. A desoxigenação fluvial é problemática aos peixes e humanos que dependem dos rios, conforme o autor principal do estudo, Qi Guan, cientista ambiental da Academia Chinesa de Ciências em Nanjing, temendo que níveis fluviais de oxigênio caiam a ponto de criar zonas mortas como no Golfo do México, Baía de Chesapeake e Lago Erie. Por fim, Karl Flessa, geocientista da Universidade do Arizona, que não participou do estudo, diz que a perda de oxigênio nos rios significa "futuro com mais zonas mortas malcheirosas,hipóxia, especialmente nas ondas de calor", com o estudo afirmando que  no início deste século, o Ganges na Índia perdia oxigênio 20 vezes mais rápido que a média global, prevendo que rios no leste dos EUA, Ártico, Índia e grande parte da América do Sul percam 10% do oxigênio até fins do século. Vale notar que estudo realizado em 2025 por Marc Bierkens, da Universidade de Utrecht, Holanda, alerta que rios tropicais como o Amazonas, Brasil, desde 1980, o número de dias com zonas mortas aumentou em 16 dias/década e, que, o estresse de oxigênio fluvial no mundo aumentou em 13 dias a cada década e a ocorrência de zonas mortas aumentou em 3 dias/década desde 1980. 

Relatório de monitoramento nacional dos Ministérios de Israel, denota quadro marítimo ameaçado por mudanças climáticas com espécies invasora assumindo controle ao coletaram amostras como parte do programa nacional de monitoramento de 2024, ou, Pesquisa Oceanográfica e Limnológica de Israel. Mudanças climáticas globais e atividade humana, segundo cientistas israelenses, aquecem o Mar Mediterrâneo Oriental tornando-o mais salgado e mais ácido, mais rapidamente que a média global, alterando a ecologia regional, conforme o último relatório nacional anual de monitoramento realizado em nome dos ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel. O relatório avalia que a camada superior do mar aquece anualmente 0,05°C, alinhando-se as projeções do IPCC da ONU e, de 1992 a 2024, o mar subiu 15 cm a taxa de 4,7 mms/ano, aumento, mais rápido que a média global de 3,4 mms/ano, elevando risco de inundações costeiras nas tempestades. Já, a acidificação da água do mar impede espécies como amêijoas e corais de construírem esqueletos que utilizam carbonato de cálcio transformando o mar de um reservatório de carbono em fonte de carbono, alimentando a crise climática e riscos de eventos climáticos extremos, entretanto, a identidade nativa do Mediterrâneo está sendo apagada pela invasão tropical, ou, espécies exóticas do Mar Vermelho representando 68% da fauna a 40 metros de profundidade e 55% a 80 metros ou mais, com Peixes-leão venenosos e ouriços-do-mar de espinhos longos, proliferando, antes exclusivos de Eilat, enquanto algas tóxicas proliferam nas praias do norte. Por fim, pelo 2º ano consecutivo, espécies locais populares como o salmonete e o sargo-listrado estiveram ausentes das redes de monitoramento por não conseguirem sobreviver ao aquecimento das águas.

Moral da Nota: 75% dos peixes analisados ​​em 2024, ano abrangido pelo relatório israelense, excederam o padrão europeu de mercúrio para consumo, entre eles, o sargo-branco e o peixe-soldado, embora em andamento a limpeza do antigo complexo da Electrochemical Industries em Acre, enquanto a recuperação das águas subterrâneas não começou significando que a contaminação persistirá por anos, considerando ainda que, riachos costeiros contêm concentrações altas de fertilizantes e esgoto e sofrem com mortandade de peixes quando escoamento de fertilizantes desencadeia proliferação de algas microscópicas que consomem o oxigênio disponível. Na marina de Tel Aviv, porto de HaYovel, sul de Ashdod, e riacho Lachish, que deságua no mar em Ashdod, por razões que os pesquisadores não conseguem explicar, os níveis de arsênio aumentaram drasticamente além da poluição simultânea por prata no porto de Haifa e marinas da região central de Hadera e Herzliya. Para concluir, o plástico continua nas praias como principal poluente, com 9 das 10 tartarugas marinhas examinadas apresentando plástico no organismo e mais de 100 itens individuais recuperados nos seus tratos digestivos e, ao contrário do Mediterrâneo onde resíduos são compostos por 90% de sacolas e embalagens plásticas, os resíduos do fundo do mar em Eilat, Mar Vermelho, sul de Israel, consistem de equipamentos de pesca e navegação, como estruturas metálicas, cordas e pesos de concreto, com CEO do Instituto Israelense de Pesquisa Oceanográfica e Limnológica, que realizou o levantamento para os Ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel, concluindo que, “em era de mudanças climáticas e pressões humanas, o investimento em monitoramento científico contínuo é necessário para manter resiliência do ambiente marinho.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Justiça Climática

No Reino Unido, montadoras venceram a 1ª rodada de ações judiciais sobre emissões de diesel, considerando que os requerentes alegaram uso de "dispositivos de fraude" nos testes em que 1,6 milhão de pessoas processaram as montadoras sobre alegações que seus veículos a diesel estavam equipados com "dispositivos de manipulação" ilegais que levavam a emissões mais altas. No resumo da sentença, a juíza Sara Cockerill afirmou "rejeitar a maioria das apresentadas contra os fabricantes cujos veículos foram examinados no julgamento", afirmando que um dispositivo de manipulação de emissões, conforme normas de emissões, abrange apenas "dispositivos que operam com o propósito intencional e/ou, não permitido, de fazer com que o sistema de controle de emissões funcione diferente quando detecta o ciclo de teste". A questão no Tribunal Superior de Londres girou em torno de 20 veículos de amostra da Mercedes-Benz, com a Juiza constatando contra montadoras inclusive sobre dispositivo de temperatura do líquido de arrefecimento usado em carros da Mercedes, removido em atualização de dezembro de 2015 e, que, segundo ela, não reduzia a eficácia do sistema de controle de emissões, além de emitir parecer desfavorável em relação ao modo de combustão utilizado em alguns veículos Peugeot-Citroen. A Mercedes saudou a decisão dizendo que o tribunal se pronunciou "em grande parte a favor" da empresa, disse, discordar da decisão desfavorável e que avalia opções, incluindo possível apelação, enquanto a Stellantis afirmou que uma das acusações contra ela foi confirmada e considera a possibilidade de solicitar autorização para recorrer dizendo em comunicado que, "mantém a posição que seus veículos cumprem normas de emissões  aplicáveis." Advogados dos demandantes disseram que consideram possível apelação, que, segundo eles, "adotou interpretação da lei significativamente mais restritiva que a aplicada em outras partes da Europa", sendo que a juíza afirmou que era "quase certeza que seriam feitas tentativas determinadas de recurso" e, dada a dimensão do litígio, parece provável que a permissão para recorrer seja concedida, considerando ainda que o julgamento iniciado em outubro foi a audiência mais importante até o momento em 13 grupos de ações judiciais movidas por 1,6 milhão de requerentes. A decisão diz respeito a casos-teste contra 5 fabricantes e, se aplicará a 800 mil reclamações similares envolvendo outras montadoras e novo julgamento está previsto para começar em outubro de 2026 para determinar consequências de eventuais violações das normas de emissões e se algum dos demandantes tem direito a indenização. Para concluir, o escândalo "Dieselgate" que custou bilhões de euros à Volkswagen, veio à tona em 2015 e resultou em anos de litígios, sendo que fabricantes concorrentes afirmaram que os processos contra eles são fundamentalmente diferentes.

O "plano climático chinês impulsiona renováveis em fábricas e data centers sendo o país asiático maior fonte de gases efeito estufa que aquece o clima, planeja integrar a frota de energia renovável em fábricas, centros de dados e transportes em plano que apresenta detalhes sobre estratégia de redução de emissões até 2030. Com data de validade de 5 anos, publicado pós orientação geral ser confirmada na reunião política anual chinesa em março, sinaliza que o país se afasta de era de apenas construção de capacidade de energia limpa e se concentra mais em garantir que seja usada através de armazenamento, transmissão, eletrificação, hidrogênio verde, parques industriais e data centers de baixo carbono. Referem-se à abordagem chinesa de estabelecer metas frouxas e planejar crescimento de tecnologias limpas para impulsionar declínio nas emissões, sendo provável que decepcione defensores de ação climática mais rápida, já que, metas climáticas são as mesmas publicadas pela China no plano quinquenal mais amplo de março, quer dizer, promoverá fontes renováveis, como solar e eólica, impulsionando electrificação da exploração convencional de petróleo e gás, conforme plano de trabalho separado ao setor energético, o plano, abrange período de 2026 a 2028, promove inclusão da energia nuclear em programas de comércio de energia verde e certificação de eletricidade verde da China, elementos-chave da estratégia de descarbonização nacional. Emissões de CO2 que constituem a maior parte da pegada climática chinesa, diminuíram em 2025 impulsionadas por avanços nas implantações de renováveis e EVs incluindo caminhões de longa distância, com o presidente chinês se comprometendo alcançar neutralidade de carbono até 2060 e fazer com que emissões atinjam pico antes de 2030 permitindo retomada do aumento de emissões de carbono nos próximos anos. Vale a nota que o país enfrenta desaceleração econômica e preocupações com segurança energética decorrentes conflitos bélicos, complicadores da agenda climática no curto prazo, sendo que o plano quinquenal ao setor energético enfatiza papel do carvão como base de sustentação do sistema energético nacional e não restringe a indústria de transformação de carvão em produtos químicos, setor que cresce rapidamente, propondo modernização de instalações para reduzir pegada de carbono, queda no consumo de carvão por unidade de produção e substituição gradual de matérias-primas e insumos energéticos de origem fóssil por renovável e hidrogênio verde. Por fim, os próximos 5 anos serão cruciais para determinar se a China cumprirá o prazo de emissões de carbono e estará no caminho para atingir zero líquido até 2060, considerando que a agressividade com que começa reduzir a pegada climática são essenciais às perspectivas mundiais de limitar impactos do aquecimento global, já que o país respondeu por 29% da poluição por gases efeito estufa em 2024, comparada com os 11% dos norte americanos, ou, 2ª nação classificada e, desde então, os EUA revogaram políticas climáticas e viu emissões aumentarem em 2025.  

Moral da Nota: especialistas indicam que a solução relativa a mobilidade não está apenas na expansão da infraestrutura rodoviária ou construção de mais rodovias urbanas, sendo que Costa Rica, Peru, Colômbia, Argentina, México e Brasil são países que lideram a lista latino americana onde pessoas perdem mais tempo no trânsito  conforme o relatório do Índice de Trânsito por país da base de dados colaborativa Numbeo referente a 2026. O mapa mostra Costa Rica como país onde se perde mais tempo com índice de 300,95 pontos e 59,99 minutos desperdiçados, resultados, que colocam o país centro-americano em 2º lugar no ranking global, atrás da Nigéria que registra 320,27 pontos e 63,75 minutos perdidos, ao passo que o Peru aparece em 2º lugar na lista com maior tráfego registrando 225,65 pontos negativos e 49,98 minutos perdidos e a Colômbia  em 3º lugar com 195,95 pontos e 46,34 minutos, seguida por argentinos com 177,78 pontos e 43,93 minutos. O México está na 5ª posição no índice de tráfego negativo, com 174,55 pontos, seguido por Brasil, com 169,78, no entanto, em termos de minutos perdidos, o Brasil ocupa a 5ª posição na América Latina com 40,30 minutos, seguido por México com 39,20 minutos, mais abaixo o Panamá com 156,35 pontos, o Equador com 156,07, o Uruguai com 149,09, a Venezuela com 140,12 e o Chile com 128,36, enquanto no índice de tempo, a lista continua com Uruguai, 39,18 minutos, Equador, 37,48, Chile, 35,67, Panamá, 35,24 e Venezuela, 32,44. Vale dizer, que o Índice de Tráfego é métrica multidimensional, popularizada por plataformas como o Numbeo que avalia qualidade do transporte combinando tempo total de viagem, insatisfação e estresse que aumentam exponencialmente pós 25 minutos de viagem enquanto emissões de carbono com perdas de produtividade e dinheiro na economia. Por fim, especialistas avaliando impacto do congestionamento de trânsito na qualidade de vida, competitividade e custos empresariais na América Latina, dizem que, a situação é pior nos "mais atrasados" por conta de "décadas de atrasos em infraestrutura, planejamento urbano, transporte público e arcabouço institucional".

sábado, 18 de julho de 2026

Performance

O Índice de Desempenho Ambiental, EPI, 2026, Environmental Performance Index, é avaliação bienal produzida pelo Centro de Direito e Política Ambiental de Yale e Centro de Informações Integradas do Sistema Terrestre, CIESIN, da Escola Climática de Columbia, mostra que mais da metade dos indicadores EPI usam ferramentas habilitadas por IA incluindo análise de dados de satélite para rastrear condições ambientais difíceis de medir. A nova avaliação conclui que poucos países estão no caminho correto para atingir a meta global de emissões líquidas zero de gases efeito estufa até 2050, o progresso desacelerou em desafios de controle da poluição e gestão de recursos naturais, além do fato que países europeus continuam liderando o desempenho ambiental global, com Estônia em 1º lugar, 2026, os EUA ocupam o 27o lugar geral com bom desempenho em saúde ambiental, atrasados em biodiversidade e métricas climáticas, sendo que o índice 2026 avaliou 177 países com 47 indicadores em 12 categorias de questões que abrangem saúde ambiental, vitalidade do ecossistema e mudanças climáticas. O relatório mostrou como avanços na IA dá aos pesquisadores imagem mais clara das mudanças ambientais no mundo sendo as pontuações em 2026 são correlacionadas com a riqueza nacional, dentro de qualquer nível de renda, com alguns países superando seus pares enquanto outros mostram desempenho inferior. O quadro de 2026 organiza 47 indicadores em 12 categorias de questões em 3 objetivos políticos, dependentes de ferramentas habilitadas por IA, incluindo técnicas que analisam dados de satélite para fornecer novas informações sobre ecossistemas e  condições ambientais que antes eram difíceis de medir, com peso de cada objetivo  mostrado como porcentagem e, apesar do forte desempenho global, os europeus com melhor classificação enfrentam desafios significativos de sustentabilidade agrícola ponto fraco à muitos deles pesando na classificação. Vale dizer que, entre os conjuntos de dados habilitados à IA incorporados ao EPI 2026 está um novo indicador global que monitora a conservação de pastagens, tarefa que cientistas consideravam quase impossível nessa escala e, desenvolvido pelo consórcio de pesquisa Global Pasture Watch, o conjunto de dados mostra que metade das pastagens do mundo estão degradadas enquanto as restantes estão ameaçadas pela invasão humana e mudanças climáticas. O diretor do CIESIN, Alex de Sherbinin, coautor do índice, avalia que “os EUA corre o risco de ficar ainda mais para trás nos próximos anos, à medida que retrocede nos compromissos ambientais”, insiste que, “o forte desempenho europeu é parcialmente atribuível a regulamentações ambientais fortes e compromisso com descarbonização”, com Zach Wendling, principal autor de 2026, dizendo que, “se os países pretendem manter trajetória em direção às emissões líquidas zero até 2050, precisarão alcançar continuamente grandes reduções de emissões que exigem políticas adicionais no futuro”. Dan Esty, professor Hillhouse de Direito e Política Ambiental e diretor do Centro de Direito e Política Ambiental de Yale, avalia que, “IA e outras tecnologias dão compreensão cada vez mais precisa do estado do progresso ambiental mundial, mas o quadro que pintam deve nos fazer refletir” e, conclui, “mesmo países com melhor desempenho não estão conseguindo enfrentar totalmente alguns dos desafios de sustentabilidade mais críticos do planeta”. O relatório aponta Botswana e Costa Rica como exemplos de países que combinaram crescimento econômico com resultados de sustentabilidade, sugerindo que o desenvolvimento não exige custo ambiental, o Japão é o único país não europeu entre os 20 primeiros ocupando o 139º lugar em sustentabilidade agrícola, a Estônia ocupa o 1º lugar em 2026 impulsionada em parte pela redução nas emissões de gases efeito estufa oriundas da geração de energia na última década, quer dizer, eletricidade renovável aumentou reduzindo a produção de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que se classificou entre os melhores desempenhos do mundo em biodiversidade e proteção de ecossistemas. Os dados apontam à países europeus que ocupam todas as 20 primeiras posições no ranking 2026, refletindo forte desempenho em saúde ambiental e mitigação das mudanças climáticas, depois da Estônia, os 5 primeiros são, Luxemburgo, Reino Unido, Finlândia e Holanda com os norte americanos ocupando o 27º lugar geral, pelo bom desempenho em medidas de saúde ambiental com pontuações mais baixas na proteção da biodiversidade e métricas das alterações climáticas, embora as emissões de gases efeito estufa caíram 9,6% entre 2014 e 2024, com o relatório projetando que as emissões permanecerão acima do nível necessário para atingir o zero líquido até 2050. Por fim, no outro extremo do ranking, Laos e Índia estão entre os com pior desempenho e a pontuação baixa indiana reflete poluição atmosférica grave, dependência contínua de energia a carvão e proteção limitada à biodiversidade, enquanto os chineses ocupam o 129º lugar geral, refletindo fraco desempenho nas métricas de alterações climáticas, apesar de melhorias na poluição do ar, no saneamento da água e gestão de resíduos sólidos, embora tenha investido em energia limpa, veículos elétricos e tecnologias avançadas de baterias, a dependência contínua de energia a carvão é obstáculo para atingir emissões líquidas zero.

O Centro-Oeste e Nordeste dos EUA apontam à fumaça perigosa de "temporada de incêndios florestais expondo milhões de pessoas", avaliação do Los Angeles Times, esperando-se que a fumaça de grandes incêndios florestais no Canadá e Minnesota envolvem grandes áreas do Centro-Oeste e Nordeste dos EUA. No Canadá mais de 100 incêndios florestais ocorrem atualmente e os ventos levam fumaça à sudeste, quer dizer, avisos sobre ar perigoso e insalubre se estenderam de Minnesota passando por Toronto e chegando a Nova York, considerando temperaturas de verão excepcionalmente altas e esperadas. Tyler Hasenstein, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional em Chanhassen, Minnesota, disse que, “as 2 coisas coincidindo não são boas do ponto de vista de saúde”, considerando que, no extremo nordeste de Minnesota, guardas florestais alertam que o Boundary Waters Canoe Area Wilderness estava fechado porque 17 incêndios causados por raios queimavam ao redor do vasto deserto acessível principalmente por canoa, estimando que entre 6 mil e 10 mil pessoas ainda estavam na área selvagem de 1,1 milhão de acres, quase do tamanho de Delaware. Dan Westervelt, professor da Escola de Clima da Universidade de Columbia, disse que as condições severas de seca combinadas com calor no Canadá e EUA criaram “a tempestade perfeita às condições realmente secas, fornecendo combustível aos incêndios florestais”, sendo que pesquisas mostram que o aumento das temperaturas causado pela queima de carvão, petróleo e gás tornam incêndios mais frequentes e intensos, considerando que o alto nível de partículas finas no ar oriundas da fumaça dos incêndios florestais, podem prejudicar saúde de grupos sensíveis como crianças e pessoas com problemas cardíacos ou pulmonares, podendo causar falta de ar, tosse, tontura ou fadiga, agravar doenças cardíacas e pulmonares e demais problemas crônicos de saúde. Por fim, trata-se de temporada de incêndios particularmente movimentada e mortal nos EUA, com 4 dúzias de grandes incêndios ocorrendo em 15 estados e, segundo o National Interagency Fire Center, de Minnesota e Carolina do Norte ao Colorado, Utah, Idaho, Oregon e Califórnia, considerando que a seca prolongada e níveis recordes de neve acumulada criaram condições propícias ao rápido crescimento de incêndios, com 16.800 pessoas designadas à combatê-los que já  queimaram mais de 5.678 milhas quadradas, área maior que dos parques nacionais de Yellowstone e Grand Canyon juntos. Concluindo, em Minnesota, autoridades alertaram que grandes incêndios podem durar meses já que a máxima esperada era de 38º C, com Patty Thielen, diretora do Departamento de Recursos Naturais do estado, dizendo que, “pode ser que tenhamos incêndios significativos durante todo o verão até termos neve e, neve, seria coisa boa”.

Moral da Nota: o Condado de Maricopa, Arizona, um dos mais quentes e populosos do país,  viu sua 1ª queda nas fatalidades em 2024 e novamente em 2025, pós quase uma década de crescentes mortes relacionadas ao calor e, em 2026, será um teste crucial porque é o último ano de milhões de dólares em fundos federais destinados à expansão de programas de alívio do calor. Nicholas Staab, diretor médico do Condado de Maricopa, disse que a “duração e gravidade do calor extremo são previsíveis”,  concluindo, “é algo que podemos planejar e é isso que realmente incentivamos na comunidade”, com as autoridades buscando garantir fundos alternativos para manter proteções contra o calor, já que mudanças climáticas complicam a tarefa de manter o público seguro, com dados preliminares registrando 18 mortes relacionadas ao calor em 2026 e mais 215 sob investigação, números que superam as mortes relacionadas ao calor de 2025 nessa época. A cúpula de calor trouxe vários dias de clima quente na Costa Leste seguida por temperaturas mais frias, o mesmo não acontecendo com Maricopa, onde a estação de calor vai oficialmente de maio a setembro e, ao longo dos anos, implementou programas que abordam o calor extremo de diferentes ângulos, de evitar doenças causadas pelo calor a salvar pessoas prestes a morrer e, à medida que autoridades reforçavam defesas, o problema piorava, em 2023, temperaturas recordes e recorde de 645 mortes relacionadas ao calor, a resposta focou na recolha de dados sobre mortes diretas por calor, casos de insolação e mortes indiretas, como alguém que morreu de ataque cardíaco pós exposição ao calor. Por fim, vale concluir que as populações negra e indígena norte americana são desproporcionalmente afetadas pelas altas temperaturas e, em meio à crise, centros de resfriamento surgiram como divisor de águas, em parte porque têm co-localizado serviços sociais nos locais de alívio de calor, quer dizer, centros precisam permanecer abertos além do horário comercial e as autoridades trabalharem para oferecer mais locais e mantê-los abertos por mais tempo.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Uma Questão

O calor na Europa corrói salários, ou, 3% do rendimento médio anual foi dilapidado por alterações climáticas, com 5,6 milhões de europeus empurrados à pobreza, um número que assusta, sendo que alguns consideram apenas questão de temperatura, no entanto, repercute na classe trabalhadora como questão de saúde e finanças, quer dizer, menos renda, preços altos e maior vulnerabilidade. Jessie Ruth Schleypen, economista climática da Climate Analytics, esclareceu à Bloomberg que a “onda de calor na Europa ameaça a saúde das pessoas, seus meios de subsistência e sua capacidade de trabalhar”, parecendo emergência atual, na verdade, tendência que vem ocorrendo há anos. Estudo publicado no 'Internacional Global Environmental Change', mostra que entre 2004 e 2022, secas e ondas de calor corroeram 3% da renda média anual das famílias europeias e levaram outros 5,6 milhões de cidadãos à pobreza e, olhando ao futuro, caso o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris não seja atingido, a renda familiar deverá despencar em mais de 21 % até fins do século. O maior grupo de risco se estabelece entre os 20% mais pobres da população, com trabalhadores da construção civil e logística, rurais e manuais que sofrem o impacto do clima, quer dizer, os que trabalham em escritórios com ar condicionado estão sob proteção, até certo ponto e, os que trabalham ao ar livre não, com Madrid por exemplo, segundo o estudo, registrou declínio do rendimento de 10% nos últimos anos devido ao efeito do calor na produtividade. França e Espanha, pagam preço alto pelas temperaturas recordes, escassez de água e aumento nos custos de produção, sendo que a situação francesa é mais crítica se consideramos que os 72 departamentos estão em alerta vermelho e milhares de animais nas fazendas, particularmente aves, morreram devido condições extremas, no entanto, Espanha e Reino Unido, reduziram a produtividade na pecuária, na produção de frutas e produtos hortícolas pressionam o abastecimento, sendo que dentre as mais atingidas está o milho que sofre com redução de água e incerteza sobre rendimentos. Nos mercados, segundo a Euronext, as consequências são visíveis com os futuros do milho subindo 9% alimentando questões de instabilidade nos preços agrícolas globais, com especuladores agindo de modo semelhante ao lobby  fóssil nas Cops, enquanto isso, a demanda por eletricidade urbana dispara, o dia 23 de junho de 2026 mostrou que os preços da energia na Europa atingiram recordes, considerando o funcionamento de ar condicionado em todos os lugares pressionando  rede elétrica pelo fornecimento insuficiente. A Bélgica viu preços atingiram 1.038 euros por megawatt-hora, daí, alimentos e energia mais caros significam inflação alta, colocando mais pressão nas famílias de baixos rendimentos que atribuem a maior parte do orçamento aos alimentos e serviços públicos, sem condições de reduzir outras despesas já que o impacto desproporcional é imediato, com economistas dizendo que mudanças climáticas adicionarão entre 0,3 % e 1,2% ao ano à inflação global a partir de 2035. A Allianz, desenvolve cenário de estresse entre 2026 e 2030 aos italianos que correm risco de perda acumulada no PIB de 150 bilhões de euros afetando investimento que cairia 12,8% devido redução das margens de lucro corporativas, abrindo porta a estagflação, ou, aumento dos preços, queda da produtividade e aumento do desemprego com déficit fiscal em 1,9 % do PIB. Maximilian Kotz, pesquisador do Centro de Supercomputação de Barcelona, diz que, "vivemos uma situação em que um novo choque ocorre a cada ano”, choques, que não afetam apenas produtos específicos, impactam cadeias inteiras de suprimentos, da energia ao transporte, seguros, água e alimento. Por fim, surge um paradoxo, quer dizer, o calor extremo reduz rendimentos dos trabalhadores, aumenta o custo de vida e torna mais vulneráveis os com menos recursos, no entanto, segmento do setor financeiro transforma o mesmo fenômeno em oportunidade de lucro, já que o mercado desenvolve instrumentos financeiros para especular sobre a frequência e intensidade dos fenômenos ligados ao El Niño e anomalias climáticas assumindo significado comparável ao das crises geopolíticas. Valendo a nota que, Les Finemore, diretor de investimentos da Moreton Capital Partners, anunciou fundo dedicado à negociação sobre riscos climáticos, quer dizer, “estamos focados na guerra no Irã, o próximo evento será El Niño”. Em suma, imposto social, ou, quem têm menos contas de públicas altas, alimentos e financiamentos caros, perda de dias de trabalho e riscos na saúde, as temperaturas sobem e o custo do calor é distribuído de modo desigual.

Outra questão é a crise fluvial que se desenvolve no oeste americano levando Brad Udall, cientista pesquisador de água e clima da Universidade do Colorado, nos informar que "o derretimento da neve em março não se compara ao de 2002", "é pior, perdemos 60% da camada de neve 4 semanas antes do normal", significando que, as comunidades são forçadas reduzir o consumo de água e as espécies de peixes podem ser levadas à beira da extinção". Agricultores do oeste do Colorado que cultivam pêssegos, uvas para vinho, cerejas e feno de alfafa utilizam a maior parte da água do rio no Vale do Grand e, há décadas, tentam manter o trecho úmido para evitar regulamentações caras sobre espécies ameaçadas de extinção, cientes que o destino está ligado à saúde dos peixes nativos que nadam nas águas turvas e, quando a água é escassa, as relações entre usuários no vale árido são postas à prova. Em abril, que antes via no fim do mês a neve começar a derreter e os niveis subir, presenciou cena perturbadora e inédita, o Rio Colorado que abastece 40 milhões de pessoas, além de 2 milhões de hectares de terras agrícolas e vida selvagem do sudoeste americano, tinha níveis tão baixos que proliferavam algas necessitando aciomanento de alarmes de baixo nível d'água nas estações de tratamento. À medida que as temperaturas aumentam no sudoeste dos EUA, o Colorado enfrenta dificuldades há mais de 2 décadas, com a queda da camada de neve e o uso constante ampliaram a diferença existente entre oferta e demanda de água, com 2026 colocando o rio em território desconhecido, já que a neve que acumula nas montanhas rochosas e derrete para formar o Colorado e afluentes, totalizou metade do normal no último inverno e as vazões subsequentes estão entre as mais baixas registradas e, pior, a escassa camada de neve derreteu rapido e meses antes do previsto na onda de calor em março que elevou temperaturas à mais de 27°C no oeste do Colorado. Em consequência agricultores ligaram sistemas de irrigação semanas antes do previsto, com reservatórios das altas montanhas não conseguindo encher, sendo que os 2 maiores do país, Mead e Powell, se aproximam de nívei inimagináveis ​​há 1 geração, quer dizer, não há água para atender necessidades dos 7 estados americanos e 2 mexicanos que dependem do rio. Um detalhe, o trecho do Rio Colorado no Vale do Grand é microcosmo de questões que persistem dominando debates sobre água no oeste americano, conhecido como o Trecho de 15 Milhas é um local onde convergem o uso agrícola, a demanda municipal e as necessidades de recreação e preservação da vida selvagem. Lá o rio serpenteia penhascos de arenito e encostas onduladas com pomares de pêssegos, em Palisade, Colorado, grande parte da água deixa o leito do rio e entra em complexa rede de canais que abastece vinhedos e campos de feno pelo Vale do Grand 15 milhas rio abaixo, terminando onde o Rio Gunnison se junta ao Colorado na cidade de Grand Junction transformando cânions de rocha vermelha na fronteira entre Utah e Colorado. Na continuação da fluidez embora com vazão reduzida pela demanda ao cultivo de plantações e manter gramados dos subúrbios verdes, em tempos secos quase toda a água disponível pode ser desviada rio acima ao extenso sistema de drenagem, este ano a vazão do trecho caiu para cerca de 55 pés cúbicos/segundo, quer dizer, menos água do que pequenos riachos de montanha transportam em verão típico. Enfim, o termo aridificação é comum entre especialistas em recursos hídricos do Ocidente, refere algo mais permanente que a seca, tendência de longo prazo de ressecamento impulsionada pelo aumento das temperaturas que altera a quantidade de água que chega aos rios, 2026 oferece uma prévia desse futuro, por enquanto, as mudanças estão concentradas em locais como o trecho de 15 milhas ou 24 kms, onde demandas concorrentes colidem em um leito de rio cada vez menor.

Moral da Nota: estudo relaciona contaminante de pneus a 92 genes associados ao Alzheimer e a possíveis danos cerebrais, quando cientistas identificaram 23 genes-chave que podem ligar poluição dos pneus ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.São 92 alvos moleculares compartilhados com processos associados à doença de Alzheimer, 23 genes-chave concentrados em regiões cerebrais vulneráveis, sendo que a  toxicidade foi demonstrada em salmões coho expostos ao escoamento urbano e com a presença do contaminante em amostras de água, solo, poeira de estrada e amostras humanas, em que evidências obtidas através de modelos computacionais denota relação causal que ainda precisa ser demonstrada, no entanto, abre nova frente de pesquisa sobre poluição do trânsito, saúde cerebral e envelhecimento. Quando um veículo se move, freia ou faz uma curva, seus pneus perdem pequenas quantidades de material, parte, acaba depositado no asfalto enquanto outra fração permanece temporariamente suspensa no ar, ou, é levada pela chuva à esgotos, rios e áreas costeiras e, dentre os compostos que acompanham as partículas está a 6PPD-quinona, conhecida como 6PPD-Q, substância que, em poucos anos, passou de desconhecida fora dos laboratórios se tornando um dos contaminantes emergentes que mais atraem atenção. Daí, pesquisas em dados genéticos humanos e modelos computacionais levantam a possibilidade que a exposição a esse composto interfere nos mecanismos moleculares relativos à inflamação cerebral, estresse oxidativo e funcionamento das conexões neuronais, no entanto, é importante considerar que o estudo não comprova que morar perto de estradas ou inalar partículas do tráfego, cause Alzheimer, tampouco permite calcular risco individual associado a determinada exposição. A questão crucial é que cientistas identificaram vias biológicas específicas que podem ser estudadas diretamente em células, animais e tecidos humanos, quer dizer, de protetor de pneus a poluente ambiental, sendo que a origem do problema reside no 6PPD, aditivo utilizado pela indústria de pneus para evitar degradação prematura da borracha devido ação do Ozônio, O3, e outros agentes oxidantes.

sábado, 20 de junho de 2026

Tendências

Relatório mostra que o seguro deixou de ser requisito transacional para se tornar facilitador estratégico da bancabilidade, confiança do credor e mobilização de capital diante riscos, com a corretora Willis publicando Revisão do Mercado de Energia Renovável e descobrindo que o setor de energia renovável entra em fase de crescimento acelerado moldado pela inovação tecnológica, intensificando competição global e pressão geopolítica sobre segurança energética. Avalia que oportunidades se expandem com as complexidades por trás de projetos bem-sucedidos e, ao mercado de seguros, promove ambiente de subscrição exigente em contexto de forte desempenho em que seguradoras diversificam carteira alargando livro de energias renováveis. O hidrogênio verde, energia geotérmica de última geração e energia solar espacial, ou tecnologias inovadoras, estão mudando a narrativa sobre o possível cujo sucesso nas áreas renováveis depende cada vez mais da execução, ou, gerenciar complexidade, antecipação de riscos sistêmicos e alinhamento de estratégias de engenharia, finanças e seguros. Nos alerta que, a capacidade e forte concorrência impulsionam  abrandamento sustentado ao mercado das energias renováveis, sendo os riscos com bom desempenho e ricos em dados os que mais se beneficiam e, à 2026, tendências de preços indicam reduções entre 20-30% à riscos Nível 1, ou, contas de renda de prêmio grandes, limpas e bem projetadas e reduções de 10-15% para Nível 2, ou, renda de prêmio limpa, menor, e, para programas afetados por perdas a renovação depende do montante da perda. A urgência e valor estratégico da segurança energética via fontes de combustível diversificadas e renováveis tornam-se mais importantes às empresas e seus perfis de risco, no entanto, volatilidade geopolítica e eletrificação comprimem os cronogramas  na implantação de renováveis, valorizando escala, velocidade e certeza da entrega, em forças que aumentam dependência de fornecedores chineses que dominam a fabricação de equipamentos originais, particularmente tecnologias solares e baterias. A integração precoce da engenharia de risco, alocação clara de passivos e dados de desempenho confiáveis serão essenciais para desbloquear investimento e dimensionar a implantação, considerando que o risco passa de falhas isoladas de componentes à riscos de dependência sistêmica, com clara necessidade das empresas mapearem e gerirem prazos de recuperação, planeamento de contingência, bem como alinhamento entre aquisições, contratos e estruturas de seguros. Por fim, a Ásia define ritmo da transição energética global, respondendo por 74,2% das adições de capacidade renovável em 2025 e aumentando capacidade renovável instalada em 513,3 GW à 2.891 GW, ou, 56,1% da capacidade renovável global, no entanto, a rápida expansão asiática em energia solar, eólica, hidrelétrica, sistemas de armazenamento de energia em bateria, BESS, instalações híbridas e energia solar flutuante, aumenta a complexidade dos riscos, quer dizer, os projetos que alcançarão resultados mais fortes em 2026 serão os que puderem demonstrar dados transparentes, design técnico robusto, premissas de atraso confiáveis e alinhamento entre aquisições, contratos e transferência de riscos.

A reunião em Bonn preparativa à cúpula de novembro em Antalya, COP31, lança metas traçando caminho para reduzir emissões oriundas de energia, edifícios e resíduos,  evitando combustíveis fósseis e disputas financeiras que afundaram as últimas COPs, com isto, emergem clarezas sobre o que a presidência espera que a próxima cúpula climática da ONU realize, daí, eletrificação, redução de resíduos e eficiência energética em edifícios e construções. As metas visam que a eletricidade atenda 35% da demanda final de energia até 2035, aumento relativo 20% atuais, chamada de “35 por 35”, sseguida da redução pela metade do crescimento do lixo global até a mesma data, enquanto busca reduzir a intensidade energética dos edifícios em pelo menos um quarto, juntos, traça rumo em torno de setores entre as maiores fontes de emissões globais de gases efeito estufa, ou, construção civil que representa 37% do total global. Além dos objetivos principais, a Agenda de Ação da presidência da COP31, lança mais temas abrangendo segurança alimentar, oceanos, industrialização verde, juventude e educação e, de particular interesse à comunidade da saúde, os sistemas de saúde resilientes. As metas principais e o restante da Agenda de Ação, são definidas pela presidência e são objetivos políticos, não são resultados garantidos cujos países devem optar por adotá-las por iniciativa própria em Antalya e nas negociações formais para que as metas se tornem realidade. A cúpula de 2025 na Amazônia, COP30, cenário que deveria colocar o papel crucial das florestas tropicais no equilíbrio do clima global no centro das negociações, o Brasil apoiou com mais de 90 países, plano para deter e reverter o desmatamento, porém, nunca chegou à versão final com mais de 100 nações recusando-se a apoiá-lo. Em momento que o planeta se aproxima do limite de 1,5°C e que as negociações climáticas da ONU visam defender, vem à tona discussão de novas metas para Antalya com pesquisas científicas mostrando que o planeta caminha ultrapassar o 1,5ªC de Paris por volta de 2030. A meta de eletrificação foi concebida para manter o mundo em trajetória de 1,5°C, com base na modelagem da IRENA, Agência Internacional de Energia Renovável,no entanto, com os combustíveis fósseis respondendo ​​por 70% das emissões globais ausentes da agenda, a estratégia da presidência parece mais de controle de danos que correção de rumo.

Moral da Nota: o relatório anual Indicadores de Mudanças Climáticas diz que o aquecimento global causado pela ação humana atingiu 1,37°C em 2025 e emissões  alcançaram recorde de 56,8 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2024, enquanto análise separada divulgada em Bonn pela Climate Analytics, concluiu que o uso de combustíveis fósseis precisa ser reduzido pela metade até 2035 para que o limite de 1,5°C permaneça alcançável, observando que o crescimento das emissões de CO2 começou a desacelerar, mas, as emissões ainda estão aumentando. O ponto crucial das COP desde Paris, o dinheiro, não é abordado na agenda da presidência da COP31, sendo que estrutura conceitual divulgada em Bonn apresentou um “Acelerador de Implementação Global” e uma “Ponte de Implementação Climática” para acelerar a implementação de soluções climáticas, de coordenação, nenhuma delas é fundo, com a presidência especificando que nenhum dinheiro novo está sendo alocado. A meta de eletrificação conclui que a eletricidade deve aumentar 23% do consumo final de energia atualmente para 35% até 2035 e para mais de 50% até 2050, para se manter trajetória compatível com o limite de 1,5°C, considerando o fato que, por ser a mais barata e produzida localmente, protege famílias, bancos centrais e economias da volatilidade de mercados globais e choques geopolíticos. Precisamos saber que o mundo gera 2,1 bilhões de toneladas de resíduos sólidos/ano, número, que o PNUMA projeta subirá à 3,8 bilhões de toneladas até 2050, em cenário de manutenção do status quo, sendo que o acúmulo em aterros representa problema climático crescente e o lixo orgânico em decomposição, fonte humana de metano, um dos principais aceleradores do aquecimento global. Não custa relembrar que, o metano responde por quase 30% do aumento das temperaturas globais desde a Revolução Industrial, o desperdício alimentar responde por 10% das emissões globais, grande parte na forma de metano, gás 80 vezes mais potente que o CO2 em curto prazo, no entanto, o metano se decompõe na atmosfera em 12 anos, enquanto o CO2 leva séculos, reduzi-lo é considerado "freio de emergência" vital no aquecimento a curto prazo.

terça-feira, 24 de março de 2026

Preservação Ambiental

Blockchain e preservação ambiental impulsionam iniciativas sustentáveis ​​através da tecnologia, de livros transparentes à negociação de créditos de carbono, transforma o modo como protegemos o planeta, com poluição, mudanças climáticas, desmatamento e perda de biodiversidade como desafios mais prementes que enfrentamos. Blockchain é tecnologia que permite criação de redes descentralizadas, transparentes e seguras, onde as transações e trocas de valores podem ser registrados e verificados, com potencial de transformar setores e atividades relacionadas ao ambiente, desde monitoramento e rastreabilidade de cadeias de suprimentos a criação de instrumentos financeiros inovadores, negociação peer-to-peer de títulos tokenizados, habilitação de sistemas descentralizados de energia e gerenciamento de recursos comuns, bem como rastreabilidade da pegada de carbono de indivíduos e empresas.

Uma das aplicações blockchain ao ambiente é o monitoramento e rastreabilidade da cadeia de suprimentos que permite criação de registros digitais imutáveis ​​e verificáveis ​​dos produtos e matérias-primas que circulam, da origem ao destino final, facilitando controle e auditoria das condições ambientais e sociais que as mercadorias são produzidas e transportadas, bem como cumprimento de padrões de sustentabilidade, qualidade, segurança, além disso, melhora eficiência reduzindo desperdícios na cadeia de suprimento. O IBM Food Trust é rede blockchain que conecta participantes da cadeia alimentar, agricultores e varejistas, melhorarando segurança e qualidade dos alimentos, reduzindo fraudes e desperdícios e, possibilitando em tempo real, compartilhamento de dados e informações sobre origem, estado e movimentação de alimentos. Plastic Bank é iniciativa que usa blockchain à incentivar coleta e reciclagem de plásticos em áreas vulneráveis ​​via colecionadores remunerados com tokens digitais em troca do plástico que coletam, trocados por bens ou serviços, cujo plástico recolhido, é transformado em material reciclado e vendido às empresas. Aplicação relevante blockchain ao ambiente é a criação de instrumentos financeiros que facilitam acesso ao capital e investimento em projetos verdes, permitindo emissão e gestão de ativos digitais que representam valores ou direitos sobre bens ou serviços ambientais, como créditos ou títulos de carbono, certificados verdes ou direitos sobre a água. O fato de ativos digitais serem negociados em plataformas descentralizadas, sem intermediários ou atritos, reduz custos, aumenta liquidez e transparência do mercado, além disso, permite criação de contratos inteligentes que automatizam o cumprimento das condições e pagamentos associados aos instrumentos financeiros. Neste conceito insere a Poseidon, plataforma que usa blockchain à conectar consumidores em projetos de conservação florestal, permitindo que consumidores compensem pegada de carbono das compras adquirindo créditos de carbono usados ​​para financiar projetos de proteção e restauração florestal em diferentes partes do mundo. A ClimateTrade é plataforma que utiliza blockchain para facilitar compra e venda de créditos de carbono entre empresas e organizações, permitindo que empresas compensem emissões de gases efeito estufa investindo em projetos de mitigação das mudanças climáticas, sendo que a plataforma garante rastreabilidade, segurança e transparência das transações. Outra aplicação relacionada é a negociação ponto a ponto de valores mobiliários tokenizados, ou, ativos digitais que representam direitos ou participações em bens ou serviços reais, sendo que blockchain permite criação e transferência de tokens sem intermediários ou barreiras geográficas, abrindo possibilidades de troca de valor entre pessoas e organizações. Em consequência, impacta de modo positivo no ambiente, permite acesso a recursos compartilhados, fomenta economia circular, democratiza propriedade e financia projetos sustentáveis, além disso, facilita medição e relatório do impacto ambiental e social desses tokens. Dentre os projetos que usam blockchain para negociação ponto a ponto de títulos tokenizados emerge a WePower, plataforma que utiliza blockchain para conectar produtores e consumidores de energia renovável permitindo que produtores emitam tokens representando unidades de energia produzida ou futura e vendam diretamente aos consumidores ou investidores com os tokens podendo ser usados ​​para consumir energia ou acessar o mercado atacadista de eletricidade. A Everledger é plataforma que usa blockchain para rastrear o ciclo de vida de produtos de luxo, como diamantes, vinhos ou arte, permitindo criação de registo digital único e inalterável à cada produto incluindo informação sobre característica, origem, história e propriedade, melhorando confiança, segurança e transparência no mercado. A BanQu é plataforma que usa blockchain para criar identidades econômicas digitais à pessoas e organizações sem acesso ao sistema financeiro tradicional, permitindo que usuários registrem e verifiquem transações e interações com outras partes como fornecedores, clientes ou parceiros, facilitando acesso a serviços financeiros, oportunidades de negócios e programas sociais.

Moral da Nota: o desenvolvimento de soluções de comercialização de energia renovável ganha força no setor, com alguns exemplos como a Power Ledger, plataforma que usa blockchain para permitir negociação peer-to-peer de energia renovável entre usuários, compra e venda do excedente ou déficit de energia à outros usuários próximos ou distantes, dependendo das preferências e necessidades, oferece soluções ao financiamento de projetos de energia renovável, gestão de ativos energéticos e verificação de emissões evitadas. A LO3 Energy, empresa que usa blockchain à criar redes locais conectando produtores e consumidores de energia renovável, com Brooklyn Microgrid como projeto mais conhecido, rede comunitária que permite vizinhos trocarem energia solar entre si, além de fornecer desenvolvimento de redes inteligentes e serviços de consultoria aos clientes. A Grid Singularity é empresa blockchain de plataforma aberta e descentralizada no mercado global de energia visando facilitar acesso e participação de atores do setor de energia, de geradores e distribuidores a consumidores e prestadores de serviços permitindo troca de dados, gerenciamento de demanda e otimização de recursos energéticos. A gestão de recursos comuns, ou, bens e serviços compartilhados por comunidade que possuem valor social ou ambiental, podem ser naturais como a água, ar ou biodiversidade, ou, artificiais, como o conhecimento, cultura ou o espaço público e, a blockchain, auxilia melhorar a gestão desses recursos comuns, permitindo criação e manutenção de sistemas colaborativos que regulam uso e conservação, facilitam identificação, registro e monitoramento desses recursos, bem como definição e cumprimento de regras e incentivos ao uso sustentável. Um exemplo de iniciativa blockchain é a organização autônoma descentralizada, DAO, que  gerencia sistema integrado de contabilidade e compensação ambiental, o DAO IPCI, que facilita cooperação entre diferentes atores à mitigação e adaptação de alterações climáticas, permitindo registro, verificação e comercialização de diferentes tipos de ativos ambientais como créditos ou obrigações de carbono, certificados verdes ou direitos de água. A habilitação de sistemas descentralizados de energia, onde usuários geram, armazenam, consomem e compartilham energia renovável sem intermediários, através da blockchain, permite criação de redes inteligentes que gerenciam fluxo e distribuição de energia entre usuários, conforme oferta e demanda, com benefícios ambientais, sociais e econômicos ao reduzir emissões de gases efeito estufa, aumentando resiliência e segurança energética, reduzindo custos e perdas de transporte e distribuição, além de capacitar comunidades facilitando integração e interoperabilidade de fontes e dispositivos de energia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Economia Climática

Estudo sobre economia climática superestimou a queda projetada na renda global devido mudanças climáticas, com pesquisadores reconhecendo erros de dados econômicos falhos do Uzbequistão e levando a revista Nature retirar o artigo pós meses de escrutínio sobre os enganos discutidos, quer dizer, pesquisadores do Instituto Potsdam de Pesquisa em seu estudo de abril de 2024 sobre Impacto Climático da Alemanha originalmente projetaram que as mudanças climáticas reduziriam a renda global em 19 % até 2050, ao passo que, análise revisada coloca esse número em 17 %. No entanto, vale dizer que, apesar dos erros, o autor principal Maximilian Kotz avalia que a mensagem fundamental do estudo permanece intacta, ao dizer que, "a mudança climática será enormemente prejudicial à economia mundial se não for controlada e o impacto atingirá com mais força áreas de menor renda que contribuem com menores emissões". Leonie Wenz, coautora, observa que as estimativas revisadas mostram danos globais de US$ 32 trilhões em termos ajustados pelo poder de compra, abaixo dos US$ 38 trilhões originais, enquanto Gernot Wagner, economista climático da Columbia Business School que não participou da pesquisa, avalia que as conclusões principais permanecem significativas independente do valor específico, literalmente diz, "a mudança climática já atinge os lares, cujos prêmios de seguro residencial nos EUA já registraram, em parte, duplicação apenas na última década". Os dados do estudo haviam sido incorporados aos cenários climáticos usados pela Rede ao Esverdeamento do Sistema Financeiro, com bancos centrais do mundo confiando à testes de estresse climático, daí, os autores buscaram revisar e reenviar o artigo. A retratação decorre após economistas da Universidade de Stanford liderados por Solomon Hsiang, descobrirem anomalias nos dados subjacentes do estudo, em que, o conjunto de dados do Uzbequistão mostrava PIB nacional despencando 90% em 2000, em seguida, se recuperando em mais de 90% em regiões até 2010, no entanto, tais números são inconsistentes com dados do Banco Mundial que mostravam crescimento anual real entre -0,2% e 7,7% nesse período, daí, Hsiang dizer, "quando removemos Uzbequistão, tudo mudou". Para finalizar, ao remover um único país da análise reduziu o impacto estimado pelo estudo das mudanças climáticas no PIB mundial de 62% à 23% até 2100 e, de 19% à 6% até 2050, com pesquisadores de Potsdam revisando estimativa que custos dos danos excederiam custos de construção de resiliência reduzindo a probabilidade de 99% à 91%.

Considerando melhores instrumentos visando estimativas e impactos futuros, John Martinis, Prêmio Nobel de Física de 2025 que alcançou supremacia quântica no Google em 2019, falando à Bloomberg News em Tel Aviv, nos alerta que a China fechou o que antes era lacuna de 3 anos na tecnologia da computação quântica estando atrás dos EUA por meros "nanossegundos", quer dizer, "é definitivamente muito competitiva nisso," concluiu. Alerta ainda que "as pessoas devem estar preocupadas que há uma corrida real" e o agora professor na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, enquanto ambas as nações competem para construir computadores quânticos com aplicações práticas, marco que, especialistas dizem ainda estar entre 5 e 10 anos de distância, sendo que seus comentários ecoam preocupações similares levantadas pelo CEO da Nvidia, Jensen Huang, ao alertar que a China está "nanossegundos atrás dos EUA em IA". Vale a nota que, Martinis, liderou a equipe de desenvolvimento de computação quântica do Google, esclarecendo que cientistas chineses replicam rapidamente avanços ocidentais e, diz, "eu leio seus artigos, eles entendem o que estão fazendo muito claramente" e, conclui, "quando pessoas no Ocidente publicam artigos sobre avanços recentes, frequentemente em alguns meses publicam artigo com capacidades similares" e o progresso da China é evidente em desenvolvimentos de hardware. Para finalizar, em março de 2025, cientistas chineses revelaram o Zuchongzhi 3.0, processador quântico supercondutor de 105 qubits que supostamente opera 10^15 vezes mais rápido que os principais supercomputadores clássicos à tarefas específicas, daí, as métricas de desempenho do sistema incluindo 99,90% de fidelidade rivalizam de perto com as do chip Willow do Google, anunciado em dezembro de 2024. Quer dizer, a China mobilizou investimento em escala estatal para dominar tecnologias quânticas e, com apoio governamental, totalizou US$ 15,3 bilhões em 2023, mais que o dobro do apoio combinado dos setores público e privado norte americano e já lidera globalmente em comunicações quânticas com rede quântica se estendendo por mais de 10 km através de 17 províncias e 80 cidades.

Moral da Nota: a União Europeia acordou adiar a lei de desmatamento do bloco por um ano, estendendo o prazo à grandes empresas cumprirem até 30 de dezembro de 2026 e, o acordo, entre a Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho da UE, marca o 2º adiamento da regulamentação pela pressão da indústria e estados membros em encargos burocráticos e impactos comerciais. Duplica a proposta original da Comissão de um período de carência de 6 meses e elimina necessidade de fase de transição adicional, com pequenas e microempresas tendo até 30 de junho de 2027 para atender requisitos que proíbem venda de produtos vinculados a desmatamento pós dezembro de 2020 com especialistas avaliando que, proteger florestas, deveria ser do interesse de todos, mas as regras da UE sobre desmatamento colocam Estados-membros, ambientalistas e grupos de interesse uns contra os outros e, por enquanto, aqueles que são a favor da simplificação e de regras mais brandas levam vantagem. Para ambientalistas europeus, este é mais um revés pós término da COP30 que não apresentou plano de ação à conter desmatamento, enquanto o Parlamento Europeu votava pela simplificação do regulamento da UE sobre produtos livres de desmatamento, EUDR, apoiado no Partido Popular, PPE, e grupos de extrema-direita, desenvolvimento que repercutirá políticas duradouras. Além do adiamento da lei, requisitos de reporte às empresas serão flexibilizados,  incluindo obrigações em relação à apresentação de declaração de due diligence ao colocar produto no mercado da UE. A Diretiva de Desenvolvimento da UE, EUDR, adotada em 2023, foi saudada por ambientalistas como avanço na luta à proteger a natureza e combater mudanças climáticas, sendo que a lei proíbe produção de bens em áreas desmatadas pós dezembro de 2020 incluindo itens como café, cacau, soja, madeira, óleo de palma, papel de impressão e borracha, além de gado. Por fim, a indecisão em relação às regras irritou defensores do meio ambiente e empresas que já investiram para se adequarem, com a Ferrero e a Nestlé entre as que alertaram que o novo adiamento “prolonga incerteza jurídica e de mercado, penaliza pioneiros e recompensa inação”, com Pierre-Jean Sol Brasier, do grupo ambientalista Fern, dizer que a medida envia “sinal desastroso em todos os níveis”, com as idas e vindas sobre a lei como “caricatura da incompetência política da UE”, alertando que, “estamos criando instabilidade às empresas que investiram milhões” na adequação às normas e acrescentou que agora a porta está aberta “à que legisladores esvaziem” o texto.

domingo, 30 de novembro de 2025

O Nosso Tempo

Na França, o rio Loire atinge níveis mínimos com a seca envolvendo afluentes em região famosa por castelos, Patrimônio Mundial da UNESCO, sofre com níveis de água baixos sem precedentes colocando em risco a ecologia do rio, com bancos de areia se estendendo por kms, barcos encalhados, além de 4 usinas nucleares dependentes do fluxo de água à resfriamento, um rio com características rasas mesmo em seus melhores momentos que  deságua no Atlântico permitindo caminhar de uma margem a outra. Eric Sauquet,chefe de hidrologia do Instituto Nacional de Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da França, INRAE, avalia que o vale do Loire, Patrimônio Mundial da UNESCO, famoso por castelos como Chambord, Chenonceau e Azay-le-Rideau já sofreu níveis de água baixos antes, mas a seca deste ano deve ser sinal de alerta, concluindo, "os afluentes do Loire estão completamente secos, sem precedentes" e, sob o olhar dos peixes do rio, os baixos níveis de água são desastrosos, considerando que a água rasa perde oxigênio à medida que esquenta, tornando-os presas fáceis às garças e outros predadores, nos esclarecendo que "os peixes precisam de água para viver, água fria e quando seus níveis ficam baixos, o ambiente encolhe e ficam presos em poças". A vazão está em 40 m³/segundo menos de um vigésimo dos níveis médios anuais e seria menor se as autoridades não liberassem água das barragens de Naussac e Villerest, da década de 1980, para garantir abastecimento de água de resfriamento à 4 usinas nucleares construídas ao longo do rio, Belleville, Chinon, Dampierre e Saint-Laurent, têm capacidade combinada de 11,6 gigawatts respondendo por um quinto da produção de eletricidade francesa, com o detalhe que, várias usinas da EDF fora de operação por motivos técnicos e outras com capacidade reduzida devido à baixa vazão do rio, o fechamento de uma ou mais usinas pode elevar os preços da energia na Europa.  Grandes incêndios florestais, chuvas torrenciais no metrô de Paris e tempestades no sul da França, com vilas no sul tendo água trazida por caminhões pois as fontes naturais secaram, daí, "mudança climática em andamento".

Em paralelo,os rios Danúbio, Reno, Yangtze e Colorado se reduzem, com o problema que não apenas os rios estão com níveis baixos, mas seus reservatórios levam à escassez de água em partes do mundo, incluindo o Reino Unido, no entanto, inundações causaram estragos em muitos desses rios na última década, em alguns casos meses antes da recente seca. O sistema terrestre é interdependente, quando algo muda, repercute, quando temperaturas atmosféricas aumentam os padrões climáticos afetam onde, quando e quanta chuva cairá, em consequência, a distribuição da água muda entre regiões e os rios se adaptam o que afeta a quantidade de água doce disponível à consumo humano, considerando ser pequena fração da água do planeta e grande parte retida no gelo, embora seja verdade desde que a humanidade existe, as mudanças climáticas alteram locais onde a água doce é encontrada, de modo que, em geral, lugares com abundância recebem mais, enquanto lugares com pouca água, menos. A intensidade do rio reflete a quantidade de água disponível, que depende do clima embora possa ter vazões maiores ou menores por períodos mais longos ainda pode transportar o mesmo volume de água ao longo de um ano, daí, estratégias de gestão são elaboradas conforme o comportamento do rio no passado, havendo necessidade de levar em conta as possibilidades de fluxo dos rios porque a aparência atual não é como sempre foi, nem sempre será. Dois terços dos rios do mundo estão em condições precárias, secando ou sobrecarregados com águas de enchentes, conforme relatório sobre a emergente crise global da água pela OMM, Organização Meteorológica Mundial, órgão que soou o alerta oficial sobre mudanças climáticas, em 1979, agora é a voz anunciando catástrofe iminente no suprimento de água doce do mundo em que metade da população mundial enfrenta escassez de água pelo menos um mês do ano, de acordo com a ONU Água e, até 2050, três quartos da humanidade enfrentarão seca e escassez no abastecimento de água. O planeta possui 2,5% de água doce, 2% na forma de gelo ou neve e 0,5% é líquida, disponível à uso, sendo que os seres humanos usam 4 trilhões de toneladas de água anuais, taxa pródiga de consumo, má gestão e desperdício que quadruplicou desde meados do século XXI com a produção de alimentos respondendo por 72% dessa água, aí, se inserem demandas conflitantes de megacidades, mineração, agricultura, manufatura e energia se combinando com perturbações climáticas para desencadear escassez de água em regiões semiáridas e áridas, enquanto inundações explodem em regiões tropicais e temperadas, junte a isso, a população global devendo aumentar 21%, dos atuais 8 bilhões à 9,7 bilhões em 2050, em demanda global por água podendo aumentar de 20% a 30% no mesmo período. Por fim, a OMM nos alerta que "ao longo do ciclo da água, os extremos são evidentes", rios, lagos, reservatórios, águas subterrâneas e geleiras apresentam desvios do normal, partes da África, Europa e Ásia inundadas por enchentes, América do Sul e sul da África sofrendo secas severas, enquanto geleiras continuam perder gelo recorde, contribuindo à elevação do nível do mar, eventos que trouxeram custos humanos e econômicos generalizados.”

Moral da Nota: o Paquistão está entre os mais vulneráveis ​​ao clima do mundo e luta contra condições climáticas extremas mais frequentes e intensas, embora produza menos de 1% das emissões globais de gases efeito estufa, enfrenta ondas de calor recorrentes, chuvas fortes, inundações de lagos glaciais e aguaceiros repentinos que devastam comunidades em horas, em que inundações repentinas e deslizamentos de terra são característica regular das monções, especialmente no noroeste do país onde aldeias ficam em encostas e margens de rios. Em 2022, o país sofreu sua pior temporada de monções registrada, matou mais de 1.700 pessoas e causou US$ 40 bilhões em danos, 12 anos antes, inundações semelhantes afetaram pelo menos 20 milhões de pessoas, dados oficiais, com a maioria das vítimas na província montanhosa de Khyber Pakhtunkhwa, noroeste, onde vilas inteiras foram varridas pela enchente, deslizamentos de terra e casas desabando deixando famílias soterradas pelos escombros. Em Buner, distrito em Khyber Pakhtunkhwa, 100 km a noroeste da capital, Islamabad, pelo menos 207 pessoas morreram em 2 dias com inundações e deslizamentos varrendo vilas e destruindo casas, com autoridades relatando que Buner foi atingida por uma tempestade, fenômeno raro em que mais de 100 mm de chuva caem em 1 hora em uma área, em Buner, houve mais de 150 mm de chuva em 1 hora, valendo a ressalva que, tempestades ocorrem em regiões montanhosas na estação das monções quando condições climáticas podem produzir chuvas repentinas e localizadas, levando a deslizamentos de terra e tendem ocorrer em pequena área de 20 a 30 km² e geralmente são acompanhadas por trovões, relâmpagos e, às vezes, granizo. Por fim, no Paquistão, a temporada de monções normalmente vai de julho a setembro com pico de chuvas em agosto e, desde o final de junho, chuvas torrenciais de monções atingem o país, provocando deslizamentos de terra e enchentes repentinas que mataram mais de 650 pessoas e feriram quase mil, dados oficiais, com o presidente da Autoridade Nacional de Gestão de Desastres, afirmando que o Paquistão estava passando por mudanças em padrões climáticos por mudanças climáticas, concluindo que, "a intensidade das monções de 2025 é 50 % a 60% maior que 2024", com a província mais atingida, Khyber Pakhtunkhwa, registrando 425 mortes, seguida por 164 em Punjab, sendo inundações repentinas e deslizamentos de terra, característica regular da temporada de monções.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Clima Global

A OMM prevê que a temperatura média global deverá permanecer em níveis recordes ou próximo nos 5 anos seguintes, podendo subir 2ºC acima dos níveis pré-industriais, 1850-1900, com o relatório prevendo que a temperatura média anual global à cada ano entre 2025 e 2029 deverá ser entre 1,2 ºC e 1,9 ºC superior aos níveis de 1850-1900, com 80% de chance que pelo menos um ano entre 2025 e 2029 seja mais quente que o ano mais quente já registrado, atualmente 2024. O relatório afirma que embora o aumento de temperatura esperado de 1,5°C e 2°C esteja próximo ao limite do Acordo de Paris, não equivale a violação do limite, visto que é normalmente medido ao longo de um período mais longo de pelo menos duas décadas, com o secretário-geral adjunto da OMM, Ko Barrett, prevendo riscos crescentes nas sociedades, economias e desenvolvimento sustentável decorrente ao aquecimento global constante. No Acordo de Paris países concordaram manter o aumento na temperatura média global da superfície a longo prazo abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais, com esforços para limitar o aumento a 1,5 ºC considerando que a comunidade científica alertou que um aquecimento de mais de 1,5 ºC pode levar a impactos severos nas mudanças climáticas e a condições meteorológicas extremas, importando cada fração de grau de aquecimento. Sobre o estado do clima global 2024, o relatório confirmou que 2024 foi o primeiro ano civil a ficar mais de 1,5 ºC acima da média de 1850-1900, com temperatura média global próxima à superfície de 1,55 ºC ± 0,13 ºC acima do nível pré-industrial, quer dizer, o ano mais quente nos 175 anos de registro observacional.

As mudanças climáticas estão levando fungos aprenderem se adaptar representando ameaça à saúde humana, considerando que infecções fúngicas variam de condições menores, pé de atleta, a doenças respiratórias fatais e infecções da corrente sanguínea com os fungos conhecidos pela capacidade de se ajustar e prosperar em ambientes mutantes. Considerando o aumento das temperaturas, mudanças nos padrões de precipitação e eventos climáticos extremos caracterizando planeta em aquecimento, aumenta sua capacidade de colonizar e causar doenças, no entanto, há falta de diagnósticos, tratamentos e vacinas disponíveis à infecções fúngicas aumentando resistência aos medicamentos existentes. Na agricultura há aumento nas infecções fúngicas causado pelas mudanças climáticas em plantações e ameaçando segurança alimentar, considerando que são um dos 5 "reinos" da vida na Terra colocados em categoria distinta separada de animais ou plantas e, históricamente, a maioria não causa doenças, significando que não são "patogênicos" por conta do fato que ao contrário de vírus e bactérias a maioria dos fungos sobrevive ou se espalha em temperaturas corporais de 37 °C, aí, por conta do aumento das temperaturas globais, alguns fungos estão se adaptando para sobreviver em ambientes mais quentes, incluindo o corpo humano. A Candida auris, por exemplo, surgiu simultaneamente em 3 continentes em fins de 2000, infecta pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos tornando-se preocupação real, podendo invadir a corrente sanguínea e tornando-se resistente a medicamentos, com estudo em Omã, por exemplo, registrando taxa de mortalidade acima de 50%. Por conta de deficiências sanitárias, vigilância e monitoramento de rotina, não se conhecem quantas pessoas são afetadas por infecções por Candida auris, daí, o OMS-GLass, Sistema Global de Vigilância da Resistência e Uso de Antimicrobianos da Organização Mundial da Saúde,OMM, programa que fornece abordagem padronizada para coletar e analisar dados à vigilância da resistência antimicrobiana, incluiu protocolo à Candida auris, com pesquisadores apontando à probabilidade que o surgimento seja impulsionado pelo aumento das temperaturas causado pelo clima. Estudo de 2022 observou que temperaturas mais altas podem ter adicionado "pressão seletiva" sobre a Candida auris levando à disseminação de cepas "adaptadas à salinidade e temperaturas mais altas semelhantes às condições encontradas no organismo humano" e estudo em revisão por pares sugere que sem estratégias eficazes para combater mudanças climáticas, a família Aspergillus, outro tipo de fungo, poderia expandir alcance à áreas mais ao norte da Europa, Ásia e Américas expondo pessoas a infecções respiratórias fatais à medida que aumentam as temperaturas.  Mudança nos padrões de precipitação, aumento da umidade e agravamento dos eventos  extremos estão levando patógenos fúngicos à novas áreas, por conta do aumento do crescimento de mofo interno,considerando que abrange um grupo diverso de espécies de fungos podendo causar impactos na saúde quando inalado por pacientes com condições de saúde subjacentes,como asma. Incêndios florestais e inundações, transportam patógenos fúngicos à novas regiões, espalhando esporos além de onde seriam encontrados aumentando a ameaça que representam à saúde humana e à agricultura, por exemplo, o coccidioides, fungo encontrado em solos no sudoeste dos EUA e partes da América Central e do Sul, causa a febre do vale ou infecção pulmonar que pode ser fatal à humanos e animais, estimando-se que causem de 206 mil a 360 mil casos por ano nos EUA. Por fim, estudo de 2019 utilizando modelos climáticos para projetar que o alcance da febre do vale poderia se expandir à estados mais ao norte dos EUA, como Idaho, Wyoming e Nebraska, estima que, até 2100, os casos nos EUA podem aumentar em 50% à medida que mais regiões desenvolvem climas adequados à transmissão.

Moral da Nota: estudo publicado na Nature Communications de pesquisa do Brasil e do Instituto Max Planck de Química, na Alemanha, quantifica, impactos do desmatamento local e alterações climáticas no clima da amazônia, como principal causa da redução das chuvas na estação seca que diminuiu quase 8% desde 1985. A floresta Amazônica desempenha papel fundamental no sistema climático global, no entanto, são observadas alterações nos ciclos hídrico, do carbono e da energia na região, influenciando, por exemplo, os níveis de precipitação, com estudos anteriores não conseguindo diferenciar quantitativamente a contribuição dos principais fatores, o aumento da temperatura global provocado pelas emissões de gases efeito estufa e o aumento da desmatamento local. O investigador climático da Universidade de São Paulo e autor do novo estudo, Luiz Machado, explica na Nature Climate Change que “o desmatamento explica quase 75% da redução da precipitação na estação seca”, concluindo que, “mesmo pequenas alterações na precipitação na estação seca pode ter impacto desproporcional na saúde da vegetação”, considerando que na estação seca ocorre 26% da precipitação média, 281 mm, comparados com 1.097 mm na estação chuvosa. Por fim,o estudo analisa o clima futuro da Amazônia em 2035 com Christopher Pohlker, do Instituto Max Planck de Química, alertando que “se o desmatamento persistir os dados indicam que pode ocorrer aumento adicional da temperatura de 0,6ºC e redução da precipitação de 7 mm na estação seca, comparada com a atual”.

Tempo real: relatório sobre a Lacuna de Produção de 2025 afirma que planos de produção dos governos ao carvão, petróleo e gás estão 120% acima dos níveis alinhados com 1,5 ºC e 77% acima dos consistentes com aumento de 2 ºC, planejam produzir mais que o dobro da quantidade de combustíveis fósseis em 2030 compatível com a limitação do aquecimento global. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

O Relatório

Aquecimento Global pode chegar a 2,5°C ainda neste século em prevalecendo as atuais políticas, é o que nos alerta o Relatório Climático da ONU podendo fazer diferença iniciativas de reflorestamento mais que cerimoniais, integradas a meios locais de subsistência além de criação de grupos comunitários de proteção florestal, empoderamento de jovens via programas de emprego verde e vinculação de incentivos ao plantio de árvores à proteção de bacias hidrográficas. Instituições de ensino devem, segundo o relatório, tornarem-se centros de aprendizagem ambiental através de campanhas na mídia, currículos escolares e estruturas de governança local promovendo responsabilidade ecológica, deste modo, a proteção ambiental fará parte da consciência social em vez de diretriz governamental. A meta de 1,5 º C será ultrapassada significando mais inundações mais secas e assim por diante, além de ameaça à pontos de inflexão com consequências irreversíveis, com o secretário geral enfatizando "triste verdade que não conseguimos manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ºC", com as emissões globais continuando aumentar em 2024, a OMM avisa que aumentaram ainda mais que em qualquer outro momento desde o início das medições em 1957. No que diz respeito ao Brasil, o diretor alemão do Greenpeace, Martin Kaiser, alerta que, se o desmatamento aumentar pontos percentuais, a floresta tropical se transformará em savana e "o clima global entrará em colapso e, sem proteger a Amazônia não há proteção climática, verdade científica quanto inconveniente" considerando que áreas florestais como da Amazônia são reservatórios naturais de gases efeito estufa e, o que está lá contido, não polui o clima.

Guerras e outras crises cresceram como prioridades de muitos governos e quase em todos os lugares os cofres estão apertados, além do lobby petrolero e gás buscando desacelerar transição energética, com o presidente norte americano como aliado e, com a saída dos EUA, há falta de dinheiro tanto às conferências da ONU quanto ao apoio à proteção climática e adaptação ao aumento das temperaturas e suas consequências, importante aos países mais pobres. Muitos não fizeram sua parte contrariando compromissos assumidos, apenas parte apresentou novos planos de proteção climática até 2035 insuficientes para conter a crise, com Simon Stiell, dizendom "precisamos agir, rápido". Laura Schafer, chefe do departamento de Política Climática Internacional da organização Germanwatch, avalia que a adaptação é o principal item da agenda oficial necessitando indicadores que tornem o progresso mensurável e, "para isso, países pobres e vulneráveis ​​precisam de clareza e confiabilidade sobre como receberão apoio financeiro às medidas de proteção climática para lidar com as consequências." A UE por muito tempo vista como defensora de maior ambição, só concordou com a meta climática para 2035 prevista no último minuto, agora quer atingir suas metas de redução de emissões de até 5 % até 2031 através de certificados climáticos emitidos no exterior, com Niklas Hohne, do Instituto NewClimate, descrevendo como retrocesso que torna menos provável que consigamos atingir neutralidade climática até 2050, agora a UE permite certificados que havia excluído da meta à 2030 devido dúvidas sobre confiabilidade. Por fim, especialistas concordam que, sem o acordo, o mundo estaria em situação pior, ou, seja, aquecimento global de 4º C a 5 º C, como previsto antes, com Hohne referindo-se à rápida expansão das energias renováveis dizendo que o mundo mudou e continuará mudando "o Acordo de Paris sobre o Clima colocou algo em movimento e não pode ser interrompido".

Moral da Nota: o aquecimento global impulsionado pela geração de energia a carvão nas principais economias industrializadas aqueceu o planeta além dos limites de segurança, com EUA, China e Índia entre os maiores emissores de carbono acelerando o derretimento das geleiras no Himalaia e adicionando umidade à atmosfera, excesso, que retorna na forma de tempestades, aumentando frequência e intensidade das inundações no sul da Ásia. No entanto, o Sul da Ásia oferece modelos de ação ambiental liderada pela comunidade como no Rajastão, Índia, a vila de Piplantri, planta 111 árvores à cada menina que nasce, transformando a paisagem árida em floresta viva e, ao mesmo tempo, empodera as mulheres, iniciativa que une proteção ambiental e responsabilidade social, levou ao plantio de mais de 350 mil árvores revitalizando águas subterrâneas e biodiversidade. O modelo de “Vila Inteligente ao Clima” do Nepal oferece exemplo de resiliência e, via reflorestamento, captação de água da chuva e agricultura sustentável, as comunidades nepalesas se adaptaram às mudanças climáticas melhorando meios de subsistência, que poderiam orientar o Paquistão no desenvolvimento de zonas rurais resilientes ao clima particularmente em regiões como Swat, onde a degradação ambiental ameaça subsistência e cultura. Embora contribua minimamente às emissões globais, o Paquistão está entre os mais vulneráveis ​as mudanças climáticas, com o Vale do Swat no noroeste do país, antigo reduto do Talibã, conhecido como Suíça do Paquistão devido montanhas cobertas de neve, fica a 247 km da capital Islamabad. Swat é cidade natal da Prêmio Nobel, Malala Yousafzai, que sobreviveu a tiro disparado pelo Talibã em 2012 por ousar defender educação às meninas e, nos últimos anos, o rio se tornou fonte de destruição inundando vilarejos e levando solo fértil que antes sustentava famílias, decorrente desmatamento descontrolado despojou Swat de proteção natural com redução das florestas amplificando enchentes deslizamentos de terra e carregando lodo e detritos rio abaixo, com registro entre 249 e 306 incêndios florestais danificando 1.918 hectares de floresta. Por fim, Swat precisa de planejamento resiliente às mudanças climáticas com sistemas de alerta precoce, leis de zoneamento ecológico e projetos de restauração de bacias hidrográficas  para salvaguardar a população e seu patrimônio natural, embora os desafios enfrentados por Swat não sejam isolados refletindo padrão mundial.  

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Vulnerabilidade

Relatório do Banco Mundial apresenta quadro da economia paquistanesa examinando redução da pobreza, desigualdade, resiliência, proteção social e governança, identificando a reversão dos ganhos na redução da pobreza e  aumento da desigualdade como desafios, abrangendo domínios desde mercados de trabalho a transferências sociais, no entanto, o argumento climático exige atenção já que as soluções propostas demonstram aparência de soluções que carecem conhecimento aprofundado das vulnerabilidades climáticas do país. Classifica mudanças climáticas como potente multiplicador de ameaças, projeta que perdas induzidas pelo clima no país atingirão entre 4% e 8% do PIB até 2050, destaca que os impactos climáticos são suportados de modo desproporcional por pessoas que não possuem reservas financeiras, poupança ou acesso a redes de proteção social, reconhecendo que as mudanças climáticas exacerbam desigualdades existentes corroendo resiliência e forçando famílias mais pobres viverem em áreas de alto risco. Recomenda adaptação através da agricultura inteligente e sistema de proteção social adaptável ao clima, utilizando o Programa de Apoio à Renda Benazir à transferências rápidas de dinheiro em desastres, recomendações valiosas, mas, inseridas em perspectiva que reduz vulnerabilidade climática a choque econômico exigindo melhorias na eficiência, em consequência, a economia política que gera vulnerabilidade em 1º lugar permanece em parte inexplorada. Mercado agrícola e imobiliário operam de modo expulsar os pobres de terras resilientes e de alto valor, forçando-os viver em áreas vulneráveis, além disso, clientelismo leva a que suprimentos de socorro às vítimas das cheias sejam direcionados a grupos com ligações políticas, sendo que a apropriação do financiamento climático pelas elites desvia fundos de adaptação à projetos de fachada que trazem poucos benefícios às comunidades vulneráveis. A construção ou destruição de diques de proteção contra cheias, em muitos casos, é motivada por interesses de famílias com influência econômica ou política sendo que o relatório não demonstra que estes não são meras ineficiências administrativas, mas, resultados deliberados de estruturas enraizadas de poder.

Ameer Abdullah Baloch, doutorando na Universidade Nacional de Defesa, em Islamabad, em pesquisa que explora a relação entre mudanças climáticas, governança e segurança no Paquistão, avalia que compreensão localizada das crises climáticas do país revelam que, para famílias marginalizadas, a questão não é porcentagem da produção nacional mas sobrevivência, no entanto, o relatório do Banco Mundial, segundo o pesquisador paquistanês, enquadra custos climáticos em termos de perdas do PIB, negligenciando  aspecto crucial, mudança climática é, antes de tudo, questão de justiça que ameaça segurança alimentar, saúde, dignidade e direito a ambiente habitável, daí, o relatório coloca experiências vividas em estatísticas agregadas diluindo a urgência do problema. O relatório do Banco Mundial segundo o pesquisador paquistanês, enfatiza transferências de renda como principal ferramenta de adaptação e proteção social, afirmação que merece análise, já que, sem dúvida, pagamentos rápidos nas crises ajudam prevenir a fome, no entanto, fatores estruturais da vulnerabilidade permanecem em grande parte intocados, daí, o pesquisador sugere que reformas urgentes devem se concentrar no uso da terra, na gestão da água e no planejamento urbano e, considerando o ritmo decepcionante dos esforços globais de mitigação das mudanças climáticas, é provável que o Paquistão continue sofrer ciclos de inundações, secas e poluição atmosférica e, cada novo choque, empurraria milhões à pobreza, portanto, as redes de proteção social devem ser vistas como amortecedores para mitigar a queda mas não como escada para sair da situação. O País, segundo o pesquisador, precisa de modelo de governança climática baseado no conhecimento local, deve incorporar equidade e garantir que o financiamento à adaptação seja transparente e protegido da apropriação por elites, ao passo que o governo deve integrar avaliações de risco climático ao planejamento do desenvolvimento para que a conveniência política não se sobreponha aos imperativos climáticos. Resiliência em nível comunitário, reflorestamento, gestão de bacias hidrográficas e programas de moradia segura, exigem comunidades locais robustas e empoderadas, já que, dimensão internacional não pode ser ignorada pois a vulnerabilidade nacional está ligada a fluxos de água transfronteiriços e à dinâmica climática regional, considerando complexas relações de segurança do Paquistão com Afeganistão e Índia, ignorar essa dimensão pode transformar a escassez de água no próximo ponto crítico enquanto extremos climáticos se intensificam.

Moral da Nota: o relatório do Banco Mundial, conforme o pesquisador paquistanês, serve como lembrete que mudanças climáticas podem corroer avanços conquistados na redução da pobreza, no entanto, caso a resiliência climática seja reduzida a meras transferências de dinheiro e programas agrícolas fragmentados, o país oscilará de um desastre à outro e, para adquirir prosperidade, o estado deve confrontar interesses que lucram com a vulnerabilidade impedindo distribuição equitativa de recursos e, a menos que governança seja reestruturada para servir aos cidadãos, cada desastre climático arrastará milhões à miséria, daí, o alerta, recuperar a prosperidade por meio da justiça e equidade, ou arriscar recaída permanente na vulnerabilidade climática.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

O delta do Níger

Na Assembleia Geral Anual, AGA, da Oilwatch International, em Port Harcourt, Kentebe Ebiaridor lamentou impacto da poluição no ecossistema da região do Delta do Níger e, em sua população, pedindo ação para solucionar a crise destacando a dura realidade da vida onde a expectativa de vida é de 45 a 47 anos, apesar da contribuição da região à riqueza nigeriana. Esclarece que, “estamos insatisfeitos com o estado do meio ambiente nigeriano, deve haver transparência e responsabilidade no setor de petróleo e gás, exigimos limpeza do Delta do Níger”, ao citar riscos à saúde causados ​​pela queima de gás e poluição por petróleo, além de roubo da commodity com prisão de 62 suspeitos e confisco de 350 mil litros de produtos em julho de 2025, diz que, grupos da sociedade civil apoiam ação judicial contra a Shell em junho de 2025 e que “a queima de gás é uma das fontes de poluição do ar afetando milhões de pessoas na região”, insta o governo e empresas petrolíferas assumirem responsabilidade por suas ações. A Assembleia Geral Anual da Oilwatch International com o tema “Avançando Justiça Climática na Nigéria, do Combustível Fóssil à Liberdade Fóssil”, reflete compromisso em promover justiça climática, restauração ambiental e soluções de energia sustentável, observando que, pressionam por transição à fontes renováveis ​​e fim da exploração de combustíveis fósseis que devasta o Delta do Níger. A Diretora Executiva do Centro de Desenvolvimento e Recursos às Mulheres de Kebetkatche, Dra. Emem Okon, discursou enfatizando papel feminino na promoção da justiça climática, com as “mulheres tornando-se mais proativas no combate às mudanças climáticas e, por meio da Assembleia Climática das Mulheres,  capacitando em energias renováveis ​​para empoderá-las como empreendedoras verdes”. Acrescentou que as mulheres em áreas propensas a inundações no Delta do Níger são as que mais sofrem com impactos climáticos pedindo financiamento direcionado às mulheres e comunidades locais, com o encontro concluído com compromisso de defender energia sustentável, restauração ambiental e justiça às comunidades afetadas no Delta do Níger e demais regiões.

Previsões de cientistas da Exxon na década de 1980 mostram-se precisas, em que danos causados ​​por um mundo mais quente e caótico estão piorando e tornando-se mais caros, mesmo assim, países não conseguem cumprir metas de emissões, deixando lacunas entre compromissos e ações para limitar o aquecimento global a 1,5°C, expondo a Terra à trajetória perigosa. O Monitoramento anual dos sinais vitais do planeta mostrou em 2024 que 22 indicadores estavam em níveis recordes, ano mais quente em 125 mil anos, cujos níveis de CO2 na atmosfera e o calor dos oceanos atingiram recordes, assim como perda de árvores devido incêndios, ao passo que, o consumo de carne e combustíveis fósseis atingem níveis exponenciais. A inação climática é clara, em 2024, o branqueamento dos recifes de coral é mais generalizado afetando 84% da área de recifes do planeta entre janeiro de 2023 e maio de 2025, enquanto a massa de gelo da Groenlândia e Antártida caí à níveis recordes além de aumento dos desastres mortais e dispendiosos, incluindo inundações no Texas que mataram 135 pessoas, incêndios florestais em Los Angeles que custaram mais de US$ 380 bilhões e, desde 2000, os desastres globais ligados ao clima causaram mais de USD $ 27 trilhões de dólares em danos. Vale notar que o consumo combinado de energia solar e eólica atingiu recorde em 2024, mas, 31 vezes menor que o consumo de energia proveniente de combustíveis fósseis, ou, petróleo, carvão, gás, considerando energias renováveis​ a opção mais barata enfrentam subsídios contínuos aos combustíveis fósseis, sendo que até 2050, energia solar e eólica suprirão quase 70% da eletricidade global. No entanto, a transição exige restrição da influência da indústria  fóssil e controle da produção e consumo e, não a expansão observada globalmente, quer dizer, o aumento do consumo de combustíveis fósseis e as emissões relacionadas à energia cresceram 1,3% em 2024,recorde de 40,8 gigatoneladas de CO2 equivalente. Para concluir, em 2024, os maiores emissores de gases efeito estufa provenientes de combustíveis fósseis foram China, 30,7% do total, EUA,12,5%, a Índia, 8,0%, a UE, 6,1% e Rússia, 5,5%, juntos, responderam ​​por 62,8% das emissões globais, lembrando que parte do aumento na geração de eletricidade a partir de combustíveis fósseis pode ser atribuída às temperaturas mais altas e ondas de calor.

Moral da Nota: o Iraque vivencia o ano mais seco desde 1933, com o Tigre e Eufrates que desaguam no Golfo Pérsico vindos do oeste da Ásia mostrando níveis 27% menor decorrente escassez de chuvas e restrições de água a montante, com o sul do país exibindo crise humanitária causada pela seca e escassez de água se desenrolando em Basra, porto e centro petrolífero. Lar de 3,5 milhões de pessoas, Basra é a região do Iraque com maior escassez de água e mais vulnerável às mudanças climáticas afetada pela gestão inadequada de recursos hídricos, obrigando depender de entregas diárias para garantir sobrevivência e saúde, onde moradores são forçados viajar kms para garantir sua parte de água potável, dizendo que “em muitos casos, restringir mais o uso da água ao gado é a solução, já que, a água do mar perto das casas está poluída e causa doenças de pele.” A água salgada do  Golfo, através do Shatt Al-Arab que recebe os rios Tigre e Eufrates invade o rio aumentando níveis de salinidade na região de Basra, enquanto o fluxo de água doce diminui devido barragens a montante considerando que a qualidade da água do mar, já imprópria ao consumo humano, foi mais degradada por derrame de petróleo, escoamento agrícola e despejo de esgoto. A estação de dessalinização de Mihayla, no distrito de Abul Khaseeb, opera há mais de um ano para aliviar a crise hídrica de Basra utilizando método especial para tratar a água com alto teor de sal proveniente do rio Shatt Al-Arab, com Sa'dun Abbud, engenheiro sênior da Estação de dessalinização de água de Mihayla, dizendo que, “produzimos quase 72 mil m³ ou 19 milhões de galões de água tratada diariamente, que atende 50% do distrito de Abul Khaseeb”, esclarece que, “a salinidade no rio Shatt Al-Arab atingiu quase 40 mil sólidos totais dissolvidos e, após dessalinização, resíduos são devolvidos ao rio”. Alaa Al-Badrani, especialista em recursos hídricos, informa que “Basra perdeu de 26 a 30 espécies marinhas devido intrusão de água salgada”, continua, “isso criou ambiente híbrido, inadequado às espécies de água doce e de água salgada, com o aumento dos níveis de salinidade a água  está imprópria à agricultura.” Hayder Al-Shakeri, pesquisador do programa ao Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, em artigo informa que,“embora a redução das chuvas e o aumento da temperatura sejam desafios, a crise hídrica iraquiana resulta de restrições impostas a montante e negligência interna”, concluindo que, “a corrupção e  interesse próprio entre elite política iraquiana enfraquece a capacidade institucional”, cria oportunidades aos vizinhos, Turquia e Irã, que pressionam por acordos que não necessariamente beneficiam o Iraque.