sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Transição Verde

Relatório "Perspectivas dos Diretores de Sustentabilidade" do Fórum Econômico Mundial, Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Econômico Mundial, explica que "a transição não é mais questão de ambição, mas, de execução", afirma que a economia verde valerá US$ 7 trilhões até 2030 e a transição verde continua com impulso 'por razões econômicas'em ritmo acelerado, apesar das tensões geopolíticas, com 63% dos diretores de sustentabilidade, CSOs, entrevistados, esperam que o progresso em sustentabilidade permaneça estável ou acelere nos 12 meses vindouros, enquanto 73% acreditam que IA pode acelerar a transição, no entanto, 77% relatam que a alta intensidade energética e de recursos IA é o impacto negativo mais significativo. Destaca que 85% das OSCs esperam que adaptação climática se torne prioridade global nos próximos 3 anos, embora 62% citem incerteza nos cálculos custo-benefício como  principal obstáculo ao investimento, salientando "divergência verde", ou, alguns setores e regiões avançam rapidamente, enquanto outros ficam para trás devido à incerteza regulatória ou resistência interna, daí, economia verde global, avaliada em US$ 5 trilhões/ano, cresce e deve ultrapassar US$ 7 trilhões até 2030. 

Nesta trilha, vale salientar que a localização dos parques eólicos é questão crítica em que grandes turbinas, se instaladas em rotas migratórias, representam ameaça às aves e morcegos, poderosos polinizadores, daí, a expansão de parques eólicos, a morte de aves por colisão, pode chegar a 5 milhões nos EUA até 2030, com soluções simples a serem implementadas como paralisação temporária das usinas com base nas condições climáticas na temporada de migração. Outras soluções sobre a mesa como pintar uma das pás da turbina com faixa vermelha poderia reduzir colisões em 80% e, na próxima década, serão construídos trilhões de dólares em infraestrutura à apoiar  e criar empregos no mundo com planejadores devendo fazer mais para mitigar danos desnecessários à biodiversidade. Formuladores de políticas, nos ministérios da fazenda e tesouro, devem buscar estimar o valor real da natureza e custos de destruição, território desconhecido, embora custos não possam ser calculados com precisão, mas, tratar o valor econômico da natureza como zero equivale considerá-la um "bem gratuito" perpetuando falha no sistema financeiro global. Em 1 mês, governos gastam mais em subsídios prejudiciais à natureza que em 1 ano dedicado à proteção da biodiversidade e, reestruturar subsídios agrícolas à fazendas, silvicultura e pesca, incentiva produção e mitiga danos à biodiversidade, essencial para deter perda de biodiversidade, no entanto, políticas energéticas devem ser reformuladas à reduzir intensidade de carbono e promover práticas ambientalmente sustentáveis ​​na extração de fósseis ou mineração, incluindo terras raras. A degradação ambiental ameaça cadeias de abastecimento, sistemas alimentares, saúde e segurança pública, bem como segurança e estabilidade ambiental, acelera risco de fome, resulta em aumentos na migração e agitação social impondo dificuldades à humanidade, sendo que líderes políticos devem reconhecer que proteção do ecossistema é investimento estratégico na estabilidade global e soluções na natureza servem como multiplicadores econômicos, impulsionando crescimento em países onde biodiversidade é trunfo. Investir na natureza protege ecossistemas vitais, gera empregos, fortalece economias locais e promove desenvolvimento sustentável, considerando mundo em superaquecimento e longe da meta de 1,5°C, trazendo choques climáticos intensos, custos significativos no planeta e soluções na natureza oferecem modo economicamente viável de fortalecer  resiliência, ao mesmo tempo que, proporcionam benefícios ambientais e econômicos. Preservar zonas úmidas naturais oferece proteção contra tempestades e inundações, enquanto manguezais restaurados não só absorvem água das cheias, como ajudam a filtrá-la e transformá-la em água potável, em terra, programas de prevenção de incêndios florestais reduzem risco de incêndios, protegem habitats e salvaguardam  espécies que deles dependem e, ao preservar vegetação nativa e controlar espécies invasoras, permite que ecossistemas se recuperem e prosperem criando paisagens saudáveis ​​e biodiversas resilientes a futuras ameaças de incêndio. Vale a nota que fazendas que integram habitats naturais apresentam rendimentos 30% maiores nos períodos de seca reduzindo custos com pesticidas em 40%, vantagem à setor sob forte pressão, com pesquisas apontando que o valor das florestas, apenas pelo papel como sumidouros de carbono, ultrapassa US$ 100 trilhões, quer dizer, formuladores de políticas culpam restrições orçamentárias por incapacidade na abordagem destas questões, quer dizer, em muitos casos, problemas não são orçamentários, são erros de política e, quando reconhecemos o valor da natureza, criamos políticas melhores. Por fim, proteção da biodiversidade particularmente em economias tropicais e emergentes, só pode ser feita de modo eficaz pela criação de empregos e renda aos habitantes locais e aos que vivem em zonas de amortecimento, muitas vezes, povos indígenas, concluindo, a lacuna de financiamento da biodiversidade estimada pelo relatório Financing Nature de 2020 do Instituto Paulson, está em US$ 711 bilhões/ano e projetada em US$ 942 bilhões/ano, equivalente ao PIB da Suíça.

Moral da Nota: a Califórnia promete apoio adicional aos serviços de emergência e, devido o impacto previsto do El Niño, declarou estado de emergência, com governador afirmando que a medida fornece às comunidades e equipes de emergência apoio no desempenho das funções. Meteorologistas esperam tempestades severas, chuvas intensas e inundações na costa oeste dos EUA devido ao El Niño, causando condições climáticas extremas no mundo embora o pico seja esperado no outono e inverno, na Califórnia, o El Niño já provocou ventos fortes e erosão costeira, quer dizer, declarar estado de emergência é medida formal que facilita acesso de autoridades a recursos com antecedência, além disso, a Guarda Nacional pode ser acionada, se necessário. Vale dizer que o El Niño causa aquecimento da água superficial do Pacífico, com efeitos globais sobre o vento, pressão atmosférica e precipitação, por sua vez, aumenta risco de eventos climáticos extremos, considerando que mudanças climáticas induzidas pelo homem amplificam os efeitos do fenômeno, sendo provável que temperaturas subam pelo menos 3 ºC acima das estimativas mais altas anteriores até 2050, considerando por exemplo que a Alemanha não deve atingir neutralidade climática antes de 2045 e outros países não planejam chegar a esse ponto antes de 2070. Daí, até 2070, cada vez mais CO2 será liberado na atmosfera anualmente e, mesmo após a neutralidade climática, a poluição atmosférica não diminuirá, permanecerá constante até que a natureza tenha capacidade de decompô-la novamente, capacidade essa que esgotaremos com nossas emissões pós alcançarmos a neutralidade climática, daí, é provável que as temperaturas continuem subir, mesmo depois do ano em que a neutralidade climática for alcançada. Devemos considerar que intensidade do El Niño depende da temperatura da água no Pacífico, em El Niño "normal", as temperaturas ficam cerca de 1ºC acima da média e durante eventos particularmente fortes como os de 1982, 1997 e 2015 podem chegar a 2ºC ou até mais, no atual El Nino estamos com 3,05 ºC acima da média e, para novembro de 2026, os modelos preveem temperatura máxima de 4 ºC acima da média enquanto a maioria dos cálculos varia entre 3,7ºC e 4,2 ºC, comparando o evento anterior, em 2015/16, apresentou desvio de 2,7 ºC, sendo digno de nota, cálculos da Exxon, pelo índice de precisão no passado quanto ao aquecimento global, ao calcular que as temperaturas atingirão 3°C até 2050. Por fim, cientistas climáticos prevêem aumento de temperatura de 1,6°C em 2026, aumento adicional de 1,7°C previsto para 2027, ou, o próximo ano devendo ser rigoroso. 


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Califórnia

Estudo revelou que após os incêndios de Eaton e Palisades no sul da Califórnia permanceu no ar níveis elevados de cromo hexavalente, metal tóxico que provavelmente viajou mais longe que o esperado, detectado por pesquisadores da UCLA e UC Davis e, segundo artigo publicado na Nature Communications Earth & Environment o cromo estava em partículas ultrafinas, mais de mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano, significando que pode deslocar mais facilmente aos pulmões, corrente sanguínea ou atravessar membranas celulares. A modelagem computacional sugere que partículas de cromo hexavalente viajaram de 6 a 9 milhas a favor do vento das comunidades devastadas pelo fogo, expondo 3,4 milhões de pessoas, de Santa Monica a Pasadena, ao composto tóxico por vários meses aumentando preocupações sobre resíduos tóxicos deixados por incêndios florestais mais destrutivos da história recente do sul da Califórnia. O cromo hexavalente, conhecido como cromo-6, é 500 vezes mais cancerígeno que a fumaça dos motores a diesel e, sua inalação, mesmo em quantidades mínimas por longos períodos pode aumentar o risco de câncer e em altas concentrações se dissiparam após 8 meses e não representam mais ameaça, no entanto, pesquisadores dizem que necessita investigação mais detalhada à identificar fonte da contaminação e proteger o público no futuro. Pesquisadores da UC Davis utilizando artefato elétrico equipado com material especializado à amostragem do ar, buscando examinar tamanho e composição das partículas em suspensão nas áreas afetadas pelos incêndios de Eaton e Palisades detectaram 16 metais presentes no ar, incluindo chumbo, zinco, níquel e arsênio, no entanto, surpreende as partículas de cromo hexavalente em concentração média de 13,7 nanogramas/m³, ou, 137 vezes maior que o nível de exposição a longo prazo às comunidades residenciais, no entanto, abaixo do limite federal de 8 horas à trabalhadores. Vale a nota que forma benigna de cromo trivalente é vista naturalmente nos solos, com estudos mostrando que pode ser convertida em cromo hexavalente, tóxico, por altas temperaturas, não sendo conhecido se as comunidades mais afetadas pelos incêndios apresentem alta concentração de cromo no solo, daí, sugestão que os 2 milhões de litros de retardante de fogo lançados sobre os incêndios de Eaton e Palisades podem ser uma das fontes. Por fim, cientistas afirmam que o cromo tóxico provavelmente veio de itens domésticos incinerados nos incêndios com tintas, eletrônicos e peças de automóveis, sendo que empreiteiras federais e privadas quando removeram os destroços dos locais das casas destruídas podem ter espalhados.

Sem passar em branco, algumas notas, as principais montadoras dos EUA pressionam a EPA, Agência de Proteção Ambiental para adiar por 2 anos normas mais rigorosas de emissão de poluentes veiculares sob o argumento que a queda nas vendas de VE torna o cronograma atual inviável, no entanto, ambientalistas argumentam que a medida leva ao aumento da poluição atmosférica e piora na saúde pública. Questionam alegações da indústria que incineradores de lixo eliminam virtualmente os PFAS, substâncias químicas tóxicas eternos, argumentando que estudos que sustentam tais alegações se baseiam em testes incompletos e suposições sem fundamento, afirmam que instalações ainda podem liberar PFAS e outros poluentes nocivos nas comunidades próximas, enquanto a indústria de resíduos mantém que as emissões permanecem em níveis seguros. Laura Millan, repórter de clima da Bloomberg, diz que a guerra no Oriente Médio deixou os céus de Irã repletos de gases tóxicos e ataques israelenses à infraestrutura petrolífera iraniana desencadearam incêndios que duraram dias, liberando nuvem de dióxido de enxofre, SO2, nocivo, sobre área do tamanho da Itália. Ian James, repórter de assuntos hídricos do LA Times, avisa que engenheiros experimentam na Costa de Malibu, Califórnia, método de dessalinização em alto-mar, em que uma startup espera converter água oceânica em água potável a custo menor que as usinas de dessalinização costeiras. Hayley Smith, do LA Times, informa que órgãos reguladores da qualidade do ar da Califórnia aprovaram mudanças no programa estadual de emissões controladas e investimentos, tornando os limites de emissão mais rigorosos, ao mesmo tempo cria incentivos e licenças gratuitas visando impedir que refinarias e fábricas deixem o estado, no entanto, ambientalistas alertam que as mudanças podem enfraquecer a redução da poluição e cortar US$ 2 bilhões/ano do financiamento no transporte público, moradia popular, água potável e outros programas climáticos.

Moral da Nota: órgãos reguladores de pesticidas da Califórnia dizem estarem comprometidos com novas regras visando proteção das comunidades em relação ao aumento da aplicação de um fumigante perigoso, mas, permitem que produtores usem um produto químico mortal proibido em 40 países. A questão é que em janeiro de 2024, órgãos reguladores da Califórnia aprovaram norma que, segundo eles, protegeria as comunidades de um dos pesticidas mais populares e perigosos do estado, pois sabiam que o 1,3-dicloropropano, ou 1,3-D, causa tumores em múltiplos órgãos de animais de laboratório, levando o estado a classificá-lo como cancerígeno em 1989, no entanto, órgãos reguladores permitiram que os produtores rurais fumigassem os campos com grandes volumes de 1,3-D para matar qualquer organismo vivo no solo antes do plantio de morangos, amêndoas, uvas e outras culturas. Um ano após reguladores implementarem regra que, segundo eles, reduziria o risco de câncer ao diminuir a quantidade de 1,3-D no ar, as aplicações do composto aumentaram, conforme os registros estaduais, enquanto os produtores aplicaram um milhão de libras a mais de 1,3-D em 2024 que em 2023, antes dos reguladores promulgarem a regra do "espectador residencial", ou, em 2024 depois de a terem implementado. Vale dizer que, o DPR, Departamento de Regulamentação de Pesticidas, promulgou novas regras em 2024 para restringir o uso de 1,3-D, buscando proteger moradores na área afetada, com Anne Katten, diretora de projetos de pesticidas,saúde e segurança no trabalho da, California Rural Legal Assistance Foundation, ao analisar as emissões em um monitor constatou aumento de 30% nos níveis médios de 1,3-D no ar durante os 3 primeiros trimestres de 2025 comparados ao mesmo período de 2024. Políticas de saúde pública norte americanas partem do pressuposto que não existe nível seguro de exposição a agente cancerígeno, leva em consideração disparidades na exposição e variabilidade entre diferentes populações e que fumigantes como o 1,3-D podem causar sintomas graves a curto prazo, incluindo dificuldade respiratória, dores no peito, irritação ocular e tontura. Cientistas chineses relataram em 2023 a 1ª morte por inalação de 1,3-D, substância que comumente causa náuseas, tonturas e dores de cabeça em trabalhadores agrícolas expostos da Califórnia, ou, um trabalhador de estufa chinês de 50 anos morto por insuficiência renal e edema cerebral uma semana pós breve exposição ao 1,3-D em ambiente de trabalho mal ventilado. Por fim, conforme a Pesticide Action Network International, o 1,3- está proibido em 40 países, o detalhe é que, o objetivo das regulamentações nos EUA não era reduzir o uso de 1,3-D, mas reduzir as emissões, conforme Caroline Cox, cientista de pesticidas aposentada e ex-diretora de pesquisa do Centro à Saúde Ambiental, uma organização sem fins lucrativos. Em suma, a DPR possui 2 níveis de segurança distintos ao mesmo produto químico, ou, norma para residentes próximos, de 2024, e outra para trabalhadores próximos, em vigor no no início de 2026, não considerando o fato que as comunidades de trabalhadores rurais onde vivem e trabalham próximos aos campos tratados enfrentam riscos de exposição  maiores, da infância à velhice.