Artigo refletindo sobre estratégias de descoberta e intervenção na pesquisa sobre envelhecimento, destaca limitações e sugere meios de desenvolver abordagens mais abrangentes buscando aprimorar compreensão do envelhecimento, com estudo sobre biogerontologia levantando questão sobre a "ciência da idade", conceito, que pessoas morrem de "velhice" ao argumentar que a morte ocorre em decorrência a doenças específicas e reconhecíveis, com Maryam Keshavarz e Dan Ehninger, do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, apontando que mesmo os centenários provavelmente saudáveis sucumbem a patologias e não a processo difuso como o envelhecimento. Alertam que essa percepção desviou por decadas a pesquisa sobre a morte gerando suposições frágeis sobre como medir e manipular a idade, quer dizer, nessa idade, atingimos ponto crítico de fragilidade, conforme a ciência, sendo que a pesquisa foi em análise sistemática de 2.410 autópsias em que foram examinadas causas de morte em idosos incluindo estudo de indivíduos com mais de 85 anos que morreram súbtamente fora de hospitais bem como autópsias de centenários. A análise revelou que doenças cardiovasculares são a maioria das causas mortis, ou, infarto miocárdio, 39%, insuficiência cardiopulmonar, 38%, e lesões cerebrais,17,9% e, dentre os centenários saudáveis, 68% de causas cardiovasculares, 25% de insuficiência respiratória e nenhuma de "velhice" e, conforme o estudo, o padrão de morte por doenças específicas é observado no reino animal embora cada espécie tenha sua "fragilidade" primária, em cães por exemplo, neoplasias causam quase metade das mortes na velhice, em moscas-de-frutas a degradação intestinal leva a infecções e, em nematóides, problemas na garganta ou musculares são decisivos. Em consequência, cientistas alertam que tal conceito representa desafio à nascente "ciência do envelhecimento", que, embora proponha tratamentos para retardar o processo de envelhecimento não se concentra nas causas específicas que levam à morte, em muitos casos, produtos dessa disciplina geram melhorias gerais nas funções corporais mas não prolongam a vida como prometem.
Considerando o envelhecimento frequentemente avaliado pela extensão da expectativa de vida e biomarcadores indiretos, abordagens que podem não capturar completamente a complexidade do envelhecimento biológico, propõe refinamentos às estratégias de descoberta e avaliação na pesquisa sobre o tema com base em dados de diferentes espécies, quer dizer, de humanos a invertebrados, em amostragem que a mortalidade é impulsionada por conjunto restrito de patologias que limitam a vida em vez de um declínio sistêmico uniforme. Sugere que a extensão da expectativa de vida pode ser resultante do atraso no início da doença sem retardar o envelhecimento, embora relógios de metilação do DNA e índices de fragilidade ofereçam valor à previsão cuja natureza limita a compreensão mecanística, sendo que em revisão sistemática há limitação na estrutura citada de "características do envelhecimento", por exemplo, estudos confundem alterações fisiológicas com mudanças na taxa de envelhecimento. Daí, estudos permitem diferenciar efeitos das alterações na mudança relacionada à idade em direção a compreensão mais mecanística e matizada do envelhecimento que apoie identificação de reguladores causais e desenvolvimento de intervenções que modifiquem as trajetórias do envelhecimento. Por fim, o envelhecimento é enigma profundo e complexo da ciência, cativando pesquisadores, incluindo filosofia, ciências sociais, biologia evolutiva, genética e pesquisa médica,juntas, contribuem com perspectivas únicas abordando questões sobre mecanismos, causas e consequências do envelhecimento, ao mesmo tempo que oferecem informações sobre como mitigar seus efeitos na saúde e longevidade. Alguns conceitos de envelhecimento se concentram no acúmulo de danos biológicos que comprometem os sistemas do corpo, enquanto outros destacam declínio progressivo da função e fertilidade com o avanço da idade, ou, o comprometimento gradual dos mecanismos de reparo que perturba o equilíbrio entre dano e resiliência, visões, não mutuamente exclusivas, sendo que a maioria dos conceitos integra elementos de acúmulo de danos e declínio funcional, retratando envelhecimento como erosão gradual da capacidade do corpo de manter a homeostase ou equilíbrio com o meio externo. O aumento do risco de mortalidade com o avanço da idade frequentemente tratado como característica universal do envelhecimento em que análises demográficas comparativas mostram que esse padrão não é universal, com diversas espécies, especialmente invertebrados, répteis e plantas, exibindo mortalidade específica por idade insignificante ou mesmo decrescente, indicando que, embora a aceleração da mortalidade seja comum não é propriedade necessária do envelhecimento.
Moral da Nota: o envelhecimento é reconhecido como mudanças fenotípicas dependentes do tempo em populações ao longo de vida média, mudanças que aumentam a probabilidade de doenças e mortalidade relacionadas à idade com padrões aparecendo universalmente entre espécies e outros moldados por contextos genéticos ou biológicos específicos. Há consenso que o envelhecimento representa a alteração dos fenótipos ao longo do tempo contribuindo à morte do indivíduo e compreender essa progressão fornece base à pesquisa que visa identificar fatores subjacentes as mudanças em diverso níveis biológicos, de mecanismos moleculares a processos do organismo, conhecimentos essenciais ao desenvolvimento de intervenções que visem causas com o objetivo de reduzir o impacto das doenças relacionadas à idade e melhorar a saúde geral na 3ª idade. A mortalidade relacionada à idade é determinada por patologias que limitam a vida e não por processo de envelhecimento generalizado e sistêmico, como resultado, o prolongamento da expectativa de vida reflete início tardio de doenças específicas em vez de desaceleração do envelhecimento em si. Quando a expectativa de vida é usada como indicador dos “efeitos do envelhecimento” através de intervenções genéticas, dietéticas ou farmacológicas, os ganhos vistos podem refletir o atraso de uma ou algumas patologias em vez de desaceleração ampla do envelhecimento em si. O envelhecimento altera múltiplos sistemas simultaneamente reduzindo a resiliência fisiológica, aumentando a probabilidade que determinada patologia se torne incapacitante, no entanto, as alterações sistêmicas são permissivas e não causais, quer dizer, cada doença relacionada à idade segue trajetória mecanística discreta, por exemplo, aterosclerose através da deposição de lipídios e inflamação, câncer pela mutação somática e seleção clonal, neurodegeneração por dobramento incorreto de proteínas e ativação glial em que molda o cenário de vulnerabilidade no qual tais eventos ocorrem e a mortalidade surge de falhas mecanísticas específicas e não de processo generalizado e uniforme de declínio.