domingo, 11 de outubro de 2026

Cidades

Centros urbanos precisam enfrentar emissões de gases efeito estufa, sendo importante  alcançar esse objetivo pela redução do número e duração dos deslocamentos, daí, o planejamento urbano necessita combater emissões de gases efeito estufa, podendo ser obtido garantindo que residências se localizem próximo aos centros urbanos e locais de trabalho, de modo que a densificação imobiliária planejada torne-se alavanca. Densidade populacional e conexões de transporte urbano têm importância secundária, estas, são as conclusões de estudo publicado na Environmental Research Letters, liderado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, PIK, parceria   com a Universidade da Califórnia, Berkeley e Universidade de Sussex, utilizando 10 milhões de pontos de dados de mobilidade de Berlim, Boston, Los Angeles, região da Baía de São Francisco, Rio de Janeiro e Bogotá, revelando ligações entre a estrutura urbana e deslocamento automotivo com nível de detalhe sem precedentes, além de meras correlações. A abordagem demonstra como planejadores usam dados de GPS, padrões de deslocamento e IA à determinar, onde em região metropolitana determinada, medida terá maior impacto, com Felix Wagner, doutor pelo PIK em 2025 que liderou o estudo como parte da pesquisa de doutorado, dizendo que, “o modelo revela interdependências entre fatores urbanos, mesmo antes de determinarmos seus efeitos específicos” e, conclui, “isso muda recomendações dadas de modo responsável a planejadores, as distâncias até os centros urbanos e locais de trabalho são essenciais. Por fim, a densificação urbana não pode ser vista isoladamente, necessita entender como a densidade urbana se relaciona com fatores secundários como conectividade, escolha   da localização residencial e acessibilidade.

Áreas urbanas representam parcela das emissões globais de carbono e o papel da forma urbana na configuração das emissões não é bem compreendido, embora estudos tenham se concentrado em taxas de urbanização e densidade populacional, menos atenção foi dedicada à configuração geométrica urbana e a relação com emissões específicas de cada setor ao longo do tempo. Ao combinar definições harmonizadas de áreas urbanas com dados de alta resolução sobre emissões residenciais de transporte rodoviário e múltiplos indicadores geométricos da forma urbana, constata-se que configurações urbanas mais compactas se associam a menores emissões per capita em ambos os setores, no entanto, a força da relação varia entre regiões, sendo mais forte e robusta em países de baixa e média renda e mais fraca ou não estatisticamente significativa em regiões de alta renda. Os resultados são robustos em diferentes especificações mas devem ser interpretados como associações condicionais e não como efeitos causais, de modo geral, destacam a relevância da forma urbana como dimensão do desempenho ambiental ao mesmo tempo que sublinham a importância do contexto econômico e institucional, em consequência a análise estatística das características urbanas no mundo e associação com emissões de CO2 requer definição consistente e internacionalmente comparável de “centro urbano”, visto que, a caracterização de uma “cidade” pode variar entre países. A comparabilidade internacional das informações sobre centros urbanos foi trazida à tona pela Comissão Estatística da ONU que endossou nova definição global de centros urbanos buscando superar falta de consistência na identificação entre países, quer dizer, a definição foi elaborada em parceria com outras organizações internacionais, incluindo UE, OCDE, Banco Mundial, ONU-Habitat, FAO e OIT. Por fim, a nova definição desconsidera influência de fatores sociais, econômicos ou geográficos que variam em nível nacional e define cidades em termos de população e densidade totais, caracteriza uma “cidade” como assentamento humano com população acima de 50 mil habitantes e densidade populacional média acima de 1.500 habitantes por km², em consonância com desenvolvimentos nas estatísticas oficiais. As cidades são atribuídas a seus respectivos países, continentes e grupos de renda do Banco Mundial, utilizando informações sobre limites administrativos do conjunto de dados Global Administrative Boundaries, GADM, ao passo que dados são polígonos espaciais que representam limites de entidades administrativas no mundo em diferentes níveis, ou, municípios, províncias, regiões, países e continentes. O impacto da forma urbana nas emissões de CO2 são estimadas regressões com efeitos fixos específicos à cada cidade, permitindo controlar fatores invariáveis ​​no tempo como características geográficas ou institucionais que podem influenciar níveis de emissão urbana ao longo do tempo. 

Moral da Nota: o Ministério Público entrou entrou com ação judicial contra a subsidiária da Shell no Brasil, exigindo reparação de US$ 108 milhões decorrente enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, nos meses de abril e maio de 2024, deixando quase 200 mortos, 500 mil deslocados e danos materiais. O processo responsabiliza a petrolífera por conta da contribuição ao aquecimento global, estima em 2% das emissões globais de gases efeito estufa, sendo que documentos judiciais mostram que "a ação civil responsabiliza a empresa ré, em termos de responsabilidades ambientais e climáticas, por danos materiais e morais coletivos decorrentes o evento climático extremo que atingiu o estado do Rio Grande do Sul" e, segundo promotores, a empresa  deveria ser responsabilizada por emissões passadas e atuais de gases efeito estufa associadas à exploração, produção e venda de combustíveis fósseis. A ação brasileira relativa ao clima em parceria com o Instituto Preservar, ONG brasileira, marca fase na batalha global nos tribunais contra petroleiras, com a diretora de litígios climáticos globais do Centro Sabin de Direito das Mudanças Climáticas, dizendo que, "é a 1ª vez que o Ministério Público nacional processa uma empresa petrolífera por desastre climático", disse, ao passo que o advogado do Instituto Preservar, avalia que, os "custos dos danos climáticos não devem recair apenas sobre a sociedade e os que perderam tudo na tragédia", concluindo que, "os principais poluidores, que contribuem significativamente às emissões de gases efeito estufa e às alterações climáticas, devem responder pelas perdas que ajudam causar", comunicado de imprensa. No mundo, ações judiciais tentam através de reparação exigir que o poluidor indenize os danificados ou ameaçados por mudanças climáticas, proporcionalmente às emissões de gases efeito estufa da empresa, com tribunais alemães adotando esse princípio em 2025 decorrente caso movido pelo peruano Saul Luciano Lliuya contra a empresa de energia RWE, embora rejeitado pedido de indenização, os tribunais deixaram a porta aberta para responsabilizar emissores de gases efeito estufa de pagamentos relativos  ao clima. Em vários países, processos incluindo casos de filipinos danificados pelo tufão Odette contra a Shell no Reino Unido, na ilha de Pari, Indonésia, contra a fabricante de cimento Holcim na Suíça e paquistaneses afetados pelas enchentes de 2022 contra a RWE e a Heidelberg Materials na Alemanha. Por fim, vale dizer, que ambientalistas perderam ações judiciais contra petrolíferas nos EUA e, na Nova Zelândia, a lei foi mudada buscando bloquear ação movida por Mike Smith contra 6 empresas nacionais, no entanto, promete continuar lutando.

sábado, 10 de outubro de 2026

Lagos

Existem mais de 100 milhões de lagos no planeta conforme estudo histórico em que  mudanças climáticas, poluição e superexploração, alteram tais corpos d'água, com Dianna Kopansky, da Unidade de Ecossistemas de Água Doce e Zonas Úmidas do Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA, dizendo que “hoje, alguns dos lagos mais conhecidos e importantes do mundo são sombra do que eram há algumas décadas”. Painel global de especialistas em clima constatou que mudanças climáticas desestabilizam o ciclo hidrológico, sistema ajustado que distribui água pelo mundo, sendo que o aumento das temperaturas intensifica evaporação e altera padrões de chuva, em alguns lugares, aumenta chances de secas que reduzem o nível dos lagos como na Cidade do Cabo, lar de 4,7 milhões de pessoas sem água. O PNUMA constatou que a bacia do Lago Turkuna, Quênia, sofrerá com o aumento das inundações nas próximas décadas, ameaçando os 15 milhões de pessoas que vivem nas margens, no entanto, em áreas montanhosas, o rápido aumento das temperaturas eleva riscos do que se conhece como inundações repentinas de lagos glaciais, potencialmente catastróficas, podendo ocorrer quando a camada de gelo que represa um lago de montanha, derrete, liberando cascatas de água encosta abaixo. Na Bolívia, o 2º maior lago, Poopó, foi reduzido a planície de sal árida pela combinação devastadora de desvios de água e mudanças climáticas e, apesar dos danos causados ​​pelas mudanças climáticas, humanos desviam suas águas mais do que podem responder em processo conhecido como superexploração, sendo o Mar de Aral, na Ásia Central, exemplo de declínio impulsionado pela irrigação, outrora o 4º maior lago do mundo que encolheu desde que os afluentes foram desviados na década de 1960. Relatório do PNUMA, 2024, e da ONU-Água, constatou que corpos d'água superficiais, incluindo lagos, diminuíram ou desapareceram em 364 bacias hidrográficas no mundo, quase 3% das bacias, estimando-se que 93,1 milhões de pessoas vivam nessas regiões.  No entanto, a subida das águas do Lago Kariba traz esperança às comunidades da Zâmbia e Zimbabuwe em que o aumento dos níveis dos reservatórios reaviva energia, meios de subsistência e vida selvagem ao longo do grande lago artificial pós uma década de chuvas irregulares e ondas de calor que devastaram os níveis do Kariba, em que novos fluxos do alto Zambeze elevam o reservatório. Construído na década de 1950 para gerar eletricidade, o Lago Kariba, na Zâmbia e Zimbábue apoia atividades como turismo, pesca e conservação, com  40 km de largura e 223 km de extensão, sendo o  maior lago criado pelo homem em volume e, na década de 2010, secas e ondas de calor fizeram com que os níveis de água se elevassem raramente e, em 2024, os níveis de água era 13 % do armazenamento utilizável à geração de eletricidade, medida usada no  Kariba porque a barragem é fonte de energia hidrelétrica ao Zimbábue e Zâmbia. Por fim, a Autoridade do Rio Zambeze, avalia que em 2026 houve aumento das águas do Lago Kariba devido fluxos da bacia hidrográfica superior do Zambeze chegando aos atuais  42,40 % do armazenamento utilizável à geração de eletricidade pela 1ª vez desde 2019.

O aquecimento climático afeta ecossistemas lacustres que alteram a temperatura da água e estratificação sazonal, com consequências à qualidade e funcionamento do ecossistema, considerando que o oxigênio em águas profundas é essencial à vida aquática e ciclagem de nutrientes podendo diminuir à medida que o aquecimento intensifica estratificação e reduz a mistura vertical enquanto atividade biológica consume oxigênio. O estudo aplica modelo de depleção de oxigênio, impulsionado pela dinâmica térmica de 3 modelos lacustres e 5 modelos climáticos projetando mudanças no oxigênio em águas profundas em 73 lagos distribuídos globalmente, de 2015 a 2099 e, sob cenário de mudanças climáticas extremas, a depleção de oxigênio será mais frequente e prolongada particularmente em lagos ricos em nutrientes onde muitos  experimentarão condições prolongadas de ausência de oxigênio. Vale a nota que lagos menos ricos em nutrientes apresentam reduções de oxigênio menores, porém, crescentes sugerindo que a redução de nutrientes pode ajudar manter as condições de oxigênio, embora o aquecimento contínuo aumente o estresse ecológico. Foram utilizados dados de 5 modelos climáticos gerais, MCGs, à simular regimes térmicos futuros e padrões de estratificação em lagos integrando modelo de depleção de Oxigênio em lagos e incorporando duração da estratificação e processos metabólicos impulsionados pela temperatura através de estrutura generalizada e validada, sendo essa estrutura de modelagem validada que permite projeções da dinâmica do Oxigênio em cada lago até fins do século XXI. Por exemplo, pesquisa da Agência Ambiental do Reino Unido mostra que existem meios de proteção do Lago Windermere à medida que o clima muda, analisando nutrientes como fósforo e nitrogênio que entram a partir de águas residuais e da terra e, em pequenas quantidades, é parte natural da vida do lago e, em concentrações altas, causam problemas. Usando modelagem computacional à entender como mudanças climáticas alteram quantidade e momento que os nutrientes chegam a Windermere e Esthwaite Water, pequeno lago que deságua no Windermere, nas próximas décadas e que diferentes tipos de ação podem ser feitos. A Agência avalia melhorias no modo como águas residuais são tratadas e o impacto positivo que gestores de terras e agricultores tem na redução do escoamento de nutrientes, na erosão dos solos e armazenamento seguro de estrume. 

Moral da Nota: a poluição, segundo especialistas, é ameaça crescente aos lagos e comunidades ao redor, sendo que o esgoto não tratado e escoamento agrícola, são particularmente problemáticos às pessoas e animais que vivem nos lagos, já que, além de introduzir patógenos e pesticidas, costumam conter fósforo e nitrogênio em níveis altos que podem matar peixes, alimentar proliferação de algas tóxicas e esgotar o oxigênio criando as chamadas zonas mortas, hostis à vida aquática. Por exemplo, no Lago Vitória, maior da África, um aumento repentino de bactérias deixou as águas verdes, ao mesmo tempo, aumento da evaporação, superexploração, aumento das chuvas e aquecimento das temperaturas, pioram a qualidade da água. O PNUMA monitora qualidade da água de 4 mil lagos no mundo, em que mais de um quarto está se tornando mais turvo, ou seja, água opaca e quase 15% apresentando aumento na matéria orgânica, sinais de poluição oriunda de cidades, fazendas e fábricas. Por fim, os lagos fornecem 90% da água doce superficial do planeta e com os rios que os alimentam, sustentam o modo de vida de milhões de pessoas, com especialistas sugerindo que promover a gestão integrada de recursos hídricos é processo de planejamento que equilibra o uso da água em diversos setores como indústria e agricultura, de modo melhorar a qualidade de vida sem comprometer a saúde dos ecossistemas a longo prazo. Pedem adoção de abordagem de gestão hídrica e controle da poluição em nível de bacia hidrográfica, envolvendo grupos locais e indígenas, setor privado, agricultores e  partes interessadas no enfrentamento dos desafios que enfrentam e investir no seu monitoramento e implementação de dados coletados, para que problemas como poluição possam ser detectados antes de atingirem níveis críticos. Vale lembrar que proteção dos lagos do mundo é parte da Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, acordo internacional para salvaguardar o mundo natural, exigindo que países conservem e restaurem 30% das águas interiores, incluindo lagos, até 2030, sendo que o Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA,ajuda países proteger, gerenciar e restaurar corpos de água doce, incluindo lagos.