segunda-feira, 26 de outubro de 2026

O Sexto Canal

O Projeto do Sexto Canal do Paquistão, iniciativa de agricultura corporativa em larga escala inserida no Paquistão Verde, solução à segurança alimentar e crescimento econômico. Pesquisadores avaliam que o projeto amplifica degradação ecológica, aprofunda dependência econômica e reforça subordinação geopolítica às monarquias do Golfo, elites domésticas e interesses militares. Representa, segundo especiliastas, não um caminho à resiliência, mas continuação do desenvolvimento extrativista que mina sustentabilidade e equidade nacional a longo prazo, considera que o setor agrícola paquistanês é pilar da economia, emprega 40% da força de trabalho e alimenta mais de 200 milhões de pessoas, no entanto, o sistema enfrenta pressão devido escassez de água, degradação do solo, endividamento e acesso desigual. Em resposta, o governo, sob a liderança do SIFC,Conselho Especial de Facilitação de Investimentos, lançou intervenções do programa "Paquistão Verde", incluindo criação de 6 novos canais destinados irrigar terras desérticas, em Cholistan à agricultura comercial. Defensores insistem que os canais transformarão terrenos áridos em zonas produtivas, apoiarão atividade econômica e fortalecerão segurança alimentar, como o módulo do Canal de Cholistan abrangendo 1,2 milhão de acres para cultivo em escala comercial com tecnologia moderna incluindo sistemas inteligentes de irrigação e monitoramento agrícola. No entanto, agricultores, advogados, sociedade civil e governo provincial de Sindh, alegam que ameaças ao fluxo de água a jusante, danos ecológicos e violações de acordos interprovinciais decorrem do projeto que amplifica degradação ecológica, aprofunda dependência econômica e reforça subordinação geopolítica. Considera que sob o domínio britânico os sistemas de água e a infraestrutura ferroviária foram projetados, não ao sustento dos povos indígenas, mas, para exportar alimentos à Inglaterra, dinâmica que levou à fome generalizada e desapossamento no subcontinente. Daí, hoje, o Paquistão gasta metade de orçamento federal com pagamento de empréstimos externos, condicionados por instituições que priorizam  austeridade, privatização e investimento estrangeiro em detrimento da resiliência local incentivando dependência contínua de megaprojetos como o Sexto Canal. Isto é falado porque o Paquistão está entre os países com maior estresse hídrico do mundo, enfrentando derretimento glacial, monções incertas e queda na vazão dos rios e, segundo especialistas, o Sexto Canal redirecionaria água do Indo à terras desérticas diminuindo fluxo rio abaixo em direção à região do delta de Sindh, com especialistas ambientais esclarecendo que, a água doce no delta é essencial à deposição de sedimentos que mitiga intrusão marinha e preserva terras costeiras férteis. Por fim, concluem que o Paquistão gasta 50% do orçamento com o serviço da dívida, subsidiando interesses corporativos pelo canal drenando recursos financeiros que seriam destinados à educação, saúde ou infraestrutura comunitária, se comparados a China que buscou desenvolvimento através do controle interno, reforma agrária e investimento em transferência de tecnologia tirando milhões da pobreza.

Médicos e pesquisadores se concentram em soluções baratas e de baixa tecnologia para se adequar ao contexto do Paquistão em meio ao calor crescente e preencher lacunas do conhecimento, daí, conjunto de pesquisas apontam às mulheres grávidas como entre as mais fisiologicamente vulneráveis a aquecer. Considerando que temperaturas no Paquistão ultrapassam 40º C na primavera e verão e milhões vivem sem acesso a eletricidade ou cuidados de saúde, daí, o aumento dos níveis de calor é estressor adicional em país que tem uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo, ou, 186 por 100 mil nascidos vivos em 2019, enquanto a taxa de mortalidade neonatal foi de 38 por mil nascidos vivos em 2023 comparados a 17 e 18 por mil na Índia e Bangladesh, respectivamente, dados da OMS. Vale dizer que no Paquistão e, em países de baixa e média renda, existem poucos dados sobre como o calor prejudica mães e bebês, ao passo que o país está quase totalmente ausente da literatura sobre mortalidade neonatal e materna, por exemplo,a autoridade de gestão de desastres da província paquistanesa de Sindh tem procedimentos padrão às ondas de calor, no entanto, sem disposições dedicadas às mulheres grávidas e, em vez disso, os planos dependem de infra-estruturas que falham, ou, abrigos temporários de refrigeração em áreas propensas ao calor, Alertas por SMS e redes sociais à transmissão de avisos e precauções sobre ondas de calor onde mulheres muitas vezes não têm acesso a celular. No entanto, isto não é específico do Paquistão, considerando estudo publicado em 2025, investigadores avisaram que um terço dos planos de ação estatal ao calor na Índia não têm quaisquer recomendações às mulheres grávidas ou lactantes, já que,  estudo sobre Atribuição Meteorológica Mundial avalia que uma onda de calor em 2022 no Paquistão e Índia tornou-se 30 vezes mais provável devido às mudanças climáticas, e tais eventos serão mais frequentes com o passar do tempo. O professor associado de pesquisa em pediatria na Universidade Aga Khan, co-autor em 2026 de estudo que descobriu entre 9-13% dos casos de baixo peso ao nascer no Paquistão eram atribuíveis à exposição ao calor e trabalha em estudo inédito que avalia impactos do calor extremo na saúde materna, fetal e neonatal em Karachi e província mais ampla de Sindh. Inscreveu 1.200 mulheres no estudo e pretende inscrever 6 mil até fins 2026, para cada mulher, medem biomarcadores historicamente associados ao estresse térmico na gravidez que auxiliarão compreender o panorama geral. Gregory Wellenius, diretor do Centro de Clima e Saúde da Universidade de Boston, diz que, mulheres grávidas em países de baixa renda enfrentam riscos de saúde maiores devido ao calor que aquelas em lugares mais ricos e tendem ter maior exposição, com menos acesso a cuidados de saúde e meios de reduzir temperaturas, com revisão publicada em novembro de 2025 reveando que mães em países de baixa renda enfrentam risco maior de parto prematuro devido ao calor.

Moral da Nota: armas anti-smog para combater poluição do ar na capital cultural do Paquistão, cidade oriental de Lahore, pela 1ª vez no inverno em tentativa de combater poluição do ar, em que dispositivos montados em caminhões pulverizam névoas finas de água para ajudar assentar poeira e partículas transportadas. Sajid Bashir, porta-voz da Agência de Proteção Ambiental do Punjab, disse que 15 armas anti-smog foram implantadas em várias partes da cidade, no entanto, atribuiu ao agravamento da poluição às emissões de veículos, fumaça industrial, poeira da construção e queima de resíduos agrícolas pelos agricultores. Ao alertar que os ventos oriundos do outro lado da fronteira, Índia, podem piorar mais as condições, concluiu, "esperamos que o uso de armas anti-smog ajude reduzir a poluição do ar", já que, a cada inverno, espessa camada de smog se instala sobre Lahore forçando fechamento de escolas e mantendo milhões em ambientes fechados e, em 2025, autoridades experimentaram chuvas artificiais para dispersar a névoa, mas o esforço teve pouco impacto. Por fim, antes conhecida como a "Cidade dos Jardins" pelas paisagens exuberantes da era Mughal, Lahore perdeu grande parte de sua vegetação devido à rápida urbanização e ao crescimento populacional e, agora, luta a cada inverno sob um céu cinza tóxico. Para concluir, estudo publicado no 'Meio Ambiente Internacional', analisou 36,6 milhões de nascimentos ocorridos no verão em 250 vilas e cidades em 13 países, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Equador, Estônia, Israel, Itália, Japão, Paraguai, Espanha, Suíça e EUA entre 1979 e 2019. Concluiu que o risco de parto prematuro aumenta linearmente à medida que as temperaturas aumentam, quer dizer, em dias de calor moderado, este risco aumenta 2,8%, em dias de calor extremo o aumento chega a 3,8%, estimando que 1,41% dos nascimentos prematuros no verão são atribuíveis ao calor, em termos absolutos equivale a 855 nascimentos prematuros adicionais por milhão de nascimentos. Por exemplo, excede a contribuição do tabagismo materno em países de baixa e média renda estando no mesmo nível da malária, sendo que o Paraguai tem a taxa mais alta com 1.347 nascimentos prematuros por milhão, enquanto a Suíça a mais baixa com 628 e Espanha na faixa média-alta com 1.080 por milhão. Por fim, o estudo sugere que o calor pode não afetar todas as mulheres igualmente, ou, jovens mães solteiras com níveis de escolaridade mais baixos que se encontram em situação socioeconómica vulnerável podem correr maior risco de parto prematuro induzido pelo calor e, nas próximas décadas, as ondas de calor se tornarão mais frequentes, mais intensas e durarão mais, sendo que o calor extremo não é apenas mais uma questão de conforto, é questão de saúde pública, equidade social e justiça climática. 

domingo, 25 de outubro de 2026

Inovação Digital

Inovação digital é lembrada na proteção da Amazônia em que ferramentas digitais fortalecem esforços de conservação e desenvolvimento sustentável do ecossistema, sendo que a floresta amazônica não é apenas a maior floresta tropical do mundo, mas  pilar fundamental à estabilidade ambiental e biodiversidade em que a vasta extensão regula chuvas, armazena carbono, sustenta biodiversidade e serve como território à 420 povos indígenas, no entanto, enfrenta ameaças, mudanças ambientais, desmatamento  e pressões socioeconômicas levando o ecossistema à ponto de inflexão. Tecnologias digitais oferecem potencial à conservação e desenvolvimento sustentável, mas só poderá ser concretizada se elementos fundamentais, tecnologia, conectividade à internet e governança de dados estiverem estabelecidos, com o relatório do Banco Mundial "Avançando a Conservação da Amazônia por meio de Tecnologias Digitais", destaca como ferramentas digitais fortalecem esforços de desenvolvimento sustentável e conservação na Amazônia fornecendo recomendações à garantir que tecnologias sejam utilizadas na proteção do ecossistema. Ferramentas digitais apoiam a conservação na Amazônia há décadas e o relatório prioriza o que funciona, integrando tecnologias de modo criterioso, com abordagens comprovadas como imagens de satélite e armadilhas fotográficas em monitoramento confiável e econômico do desmatamento, vida selvagem e mudanças ambientais. Existem barreiras, pelos altos custos impulsionados por tarifas de importação sobre tecnologias de conservação,limitada expertise técnica e desafios socioculturais, em interfaces complexas e falta de reconhecimento legal à dados coletados dificultando adoção mais ampla, daí, surge prioridade política em reduzir taxas de importação de ferramentas à conservação buscando diminuir custos e acelerar implementação, bem como investir capacidades de fabricação e manutenção, envolvendo indígenas e comunidades no desenvolvimento de aplicativos e ferramentas, capacitando através de treinamentos garantindo que tecnologias sejam acessíveis, apropriadas e relevantes. Análises IA e DNA ambiental, eDNA, integram o monitoramento quase em tempo real do desmatamento, da perda de biodiversidade, dos incêndios florestais e dos impactos climáticos, dados de armadilhas fotográficas e aplicativos móveis combinados com IA, detectam atividades ilegais e preveem riscos, preparação à desastres, aplicação da lei mais eficaz e empoderamento de comunidades indígenas e locais por meio do monitoramento participativo. Por fim, ferramentas digitais de conservação como armadilhas fotográficas, drones e sensores IoT, dependem de conectividade de internet confiável para atingirem pleno potencial, no entanto, análises do Banco Mundial mostram que 3,5% do Bioma Amazônico possui cobertura de banda larga fixa ou móvel, lacuna significativa em Territórios Indígenas abrangendo 0,69% da extensão. Soluções como iniciativas regionais do Programa Norte Conectado, Brasil e, Conecta Selva, Peru, expandem corredores de fibra óptica interligando usuários, enquanto a banda larga via satélite é implantada para alcançar comunidades remotas, Redes de Longo Alcance de Baixa Potência, LPWAN, usadas para comunicação dispositivo a dispositivo aproveitadas em áreas com baixa demanda de usuários onde já existem dispositivos de monitoramento ambiental. Enfim, a promoção de redes comunitárias e treinamento em habilidades digitais, capacita populações locais a manter e operar infraestrutura de telecomunicações considerando cenário de dados na Amazônia, fragmentado, padrões inconsistentes e coordenação limitada, impondo restrições à soberania e à proteção de dados indígenas complicando a situação.  

A Amazônia se insere na maior biodiversidade do planeta abrigando 10% das espécies  vegetais e animais do mundo, além de ser regulador climático, considerando que  mudanças climáticas tem efeitos profundos e potencialmente irreversíveis na  floresta em que padrões de chuva são alterados causando secas intensas, períodos de seca extrema e inundações, combinadas com altas temperaturas, aumentam a incidência e risco de incêndios florestais e, fenômenos climáticos como o El Niño intensificam efeitos das mudanças climáticas na Amazônia. Desmatamento e degradação do solo ​​por atividades humanas, pastoreio de gado, agricultura, extração de madeira e mineração, realizadas ilegalmente exacerbam efeitos climáticos e, devido à variação na vazão fluvial, áreas da bacia enfrentam riscos de inundação enquanto outras se isolam e, devido à variação da vazão dos rios, áreas da bacia podem enfrentar maiores riscos de inundação enquanto outras ficam completamente isoladas. Aumento das temperaturas, redução da evapotranspiração tropical e mudanças nos padrões de precipitação alterariam ciclos da água e disponibilidade hídrica regional, por exemplo, se as tendências continuarem, os Andes tropicais perderão de 50% a 100% da energia convectiva, processo que gera nuvens de chuva, até 2070, e, cidades como Bogotá e Quito, já sofrem com secas como resultado dessas mudanças, devido flutuação no fluxo dos rios em que áreas da bacia enfrentam maiores riscos de inundação enquanto outras  ficam isoladas, uma vez que o transporte fluvial fica mais difícil. Estações secas com desmatamento e degradação do solo levam ao aumento na incidência e risco de incêndios florestais, que alimentam mais o ciclo destrutivo liberando carbono na atmosfera, perturbações que podem causar redução de 50% nas áreas à mamíferos florestais, impactando biodiversidade, além de emergirem danos socioeconômicos aos ribeirinhos, afetando produtividade agrícola, pesca e energia com impactos na  subsistência, segurança alimentar e estabilidade afetando desproporcionalmente indígenas e comunidades rurais. Vale a nota que fumaça de incêndios florestais e calor extremo impactam saúde pública, ameaçam a vida de milhões, efeitos, com consequências de longo alcance ao desenvolvimento sustentável regional e global, desde perturbação hidrológica e energética na América do Sul a alteração das cadeias de abastecimento alimentar e aumento das emissões de gases efeito estufa atmosférico agravando crise climática. Enfim, alterações climáticas na Amazônia trarão graves consequências socioeconômicas na subsistência, segurança alimentar e estabilidade. 

Moral da Nota: análise de 43 anos de dados mostra que a Amazônia é atingida por condições climáticas mais extremas, enquanto isso, o El Niño mais extremo ameaça colocar a área sob mais pressão, considerando abrangência regional com paisagens diversas, rica diversidade cultural e grande biodiversidade, globalmente, desempenha papel fundamental na gestão da água, no abastecimento alimentar e economia. Pesquisa mostra que, embora a temperatura média da Amazônia esteja alinhada com o aquecimento global, condições extremas ocorrem com frequência, particularmente no norte da região, inesperado, visto que há pouco desmatamento e agricultura nessa região amazônica, fator, frequentemente citado como razão às mudanças, parecendo estar ligado às mudanças climáticas com o número de dias com temperaturas altas na estação seca aumentando nas últimas décadas, além disso, desde 1981, a temperatura dos dias quentes subiu pelo menos 3,22 ºC, portanto, dias quentes são mais quentes e ocorrem com mais frequência. Cientistas dividiram em seções de 11 km² para medir padrões climáticos locais por 43 anos e documentaram mudanças de temperatura e escassez de água durante o período seco ou na combinação das estações seca e chuvosa, daí, determinou-se a variação média de temperatura e déficit hídrico ao longo dos anos, posteriormente analisou-se variação nos anos extremos, sendo obtida indicação da mudança climática nos períodos mais quentes e secos quando a área é mais vulnerável a danos por altas temperaturas, dado, que não havia sido registrado antes à parte localizada ao norte do Equador. Embora o maior aumento na temperatura média ocorra ao sul, o maior aumento em condições climáticas extremas se observa ao norte, além disso, mudança nas condições climáticas extremas é maior que aumento na temperatura, com consequências das mudanças climáticas à Amazônia, portanto, parecem ser maiores que se pensava antes. Extremos climáticos amazônicos causam incêndios florestais, mortalidade entre animais e árvores e problemas de saúde devido poluição do ar e calor, preguiças e outros mamíferos, por exemplo, foram encontrados mortos em massa na floresta e as populações de aves diminuem mudando comportamento, aparência e expectativa de vida, sendo que a população local sente as consequências, quer dizer, fontes de alimento e meios de subsistência entram em colapso com a Amazônia.