quinta-feira, 30 de abril de 2026

Envelhecimento Imunológico

A função do sistema imunológico diminui no envelhecimento sendo que as populações de células da imunidade tornam-se menores e não reagem a patógenos rapidamente, o que torna o indivíduo suscetível a infecções. Pesquisadores do MIT e do Broad Institute descobriram modo de programar células no fígado para melhorar a função das células imunes T, chamada imunidade celular, podendo compensar declínio relacionado à idade do timo onde normalmente ocorre a maturação das células T, ou, imunidade celular, ao utilizar mRNA, mensageiro, para fornecer fatores que promovem sobrevivência célular T, daí, rejuvenesceram o sistema imunológico de camundongos que mostraram populações de células T aumentadas e diversificadas em resposta à vacinação e a tratamentos de imunoterapia contra o câncer. Feng Zhang,professor de Neurociências no MIT diz que, “se conseguirmos restaurar algo essencial como o sistema imunológico, esperamos poder ajudar pessoas permanecerem livres de doenças por período mais longo de suas vidas”, considerando que o timo,  órgão localizado na frente o coração, desempenha papel crucial no desenvolvimento das células T imaturas que passam por processo de controle que garante repertório diversificado, além de secretar citocinas e fatores de crescimento que ajudam as células T sobreviverem. A partir do início da idade adulta começa o processo conhecido como involução tímica, que leva a queda na produção de novas células T e, por volta dos 75 anos está bastante reduzido, com estudos de rejuvenescimento imunológico que focam fatores de crescimento de células T no sangue mostrando efeitos colaterais prejudiciais, no entanto, pesquisadores exploram possibilidade de usar células-tronco transplantadas para regenerar o timo. Por fim, descobriram que o tratamento com mRNA, mensageiro, impulsiona resposta do sistema imunológico à imunoterapia contra o câncer e, ao administrarem tratamento com mRNA a camundongos de 18 meses, que foram então implantados tumores e tratados com medicamento inibidor com alvo na proteína desenvolvida para liberar o sistema imunológico e estimular células T atacarem células tumorais.

Ainda na inovação, cientistas trabalham para avaliar o problema da poluição por microplásticos e prováveis ​​impactos sanitários, com estudo que identifica riscos à saúde decorrente fragmentos plásticos que se espalham pelo ambiente, com pesquisas sugerindo que microplásticos, por si só, podem prejudicar a biologia conhecidos por absorver outros poluentes tóxicos. Descobertas de cientistas da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho de Plymouth, Reino Unido, sugerem que micróbios desenvolvem biofilmes ou 'plastisferas' decorrentes de microplásticos, que podem abrigar bactérias e auxiliar no seu crescimento e sobrevivência, demonstrando que, microplásticos podem potencialmente disseminar patógenos e RAM, resistência antimicrobiana. Em consequência, acarretam riscos à saúde, da entrada de bactérias causadoras de doenças na cadeia alimentar ao aumento da disseminação bacteriana resistente a medicamentos, tornando infecções mais difíceis de tratar e atos médicos  arriscados, com a cientista do Laboratório Marinho de Plymouth, Pennie Lindeque, dizendo que "a pesquisa demonstra que microplásticos podem atuar como vetores à patógenos e bactérias resistentes a antimicrobianos, aumentando sobrevivência e disseminação" e, conclui, trata-se de "interação que representa risco crescente ao ambiente e a saúde pública exigindo atenção." Constatada a proliferação bacteriana resistente a antimicrobianos nas partículas de plástico em que os biofilmes que se formaram em microplásticos tinham mais genes de bactérias resistentes a medicamentos que os formados em madeira ou vidro, daí, patógenos nocivos incluindo Flavobacteriia e Sphingobacteriia eram mais comuns em microplásticos a jusante do hospital e da estação de tratamento de águas residuais onde bactérias não eram particularmente abundantes na água. Em suma, a microbiologista Aimee Murray, da Universidade de Exeter, esclarece que "a pesquisa demonstra que os microplásticos não são apenas questão ambiental, podem ter papel na disseminação da resistência antimicrobiana" e, conclui, "é por isso que precisamos de estratégias integradas e intersetoriais que combatam poluição por microplásticos e protejam tanto o ambiente quanto a saúde humana."

Moral da Nota: explorando patógenos e resistência antimicrobiana em microplásticos, de águas residuais hospitalares a ambientes marinhos, cientistas avaliaram que partículas microplásticas são poluentes ambientais prevalentes que sustentam biofilmes microbianos conhecidos como "plastisfera" e que RAM, bactérias resistentes a antimicrobianos e patogênicas, foram detectadas nas comunidades não se sabendo se os microplásticos representam risco específico em termos de RAM ou enriquecimento de patógenos. Microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de tamanho, poluentes com até 125 trilhões de partículas estimadas acumuladas nas superfícies oceânicas globais e detectadas em solos, rios, lagos e corpo humano, com preocupação recente associada as comunidades microbianas que rapidamente formam biofilmes na superfície das partículas conhecidos como plastisfera, levando a preocupações pela descoberta nessas comunidades de bactérias resistentes a antimicrobianos, RAM. A poluição antropogênica, humana, é apontada como fator que impulsiona seleção de resistência antimicrobiana, RAM, em compartimentos ambientais, tipicamente, em áreas com maior concentração de poluentes antropogênicos como estações de tratamento de esgoto, ETEs, ou, aterros sanitários, cujos genes de RAM, ARGs, tornam-se abundantes nas comunidades ambientais, fundamentalmente, antimicrobianos, metais pesados, patógenos humanos ou animais, plásticos e microplásticos, também existentes nos ambientes cujas interações entre contaminantes concomitantes  inexplorados. Por fim, um dos principais riscos de resistência antimicrobiana, RAM, associados aos microplásticos pode ser o fornecimento de substrato à formação de biofilme e transferência horizontal de genes de resistência a antibióticos, ARGs, no entanto, microplásticos podem impor riscos como incorporação ou adsorção de compostos na matriz plástica que poderia selecionar à RAM, com evidências sugerindo que há variação entre tipos de microplásticos em termos de comunidades que podem suportar, além disso, os plásticos são amplamente reconhecidos como poluentes persistentes e prevalentes que podem ser transportados por distâncias e apresentar resistência à degradação, representando risco em termos de disseminação e persistência de patógenos resistentes a antimicrobianos do que materiais naturais que se degradam em períodos de tempo mais curtos.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Medo

Estudos demonstram que a ocitocina reduz tanto a sensação subjetiva de medo quanto a assinatura neural em contextos sociais, não, em contextos não sociais, quer dizer, cientistas desenvolveram modelo cerebral IA que rastreia o medo, de modo que se desenrola em situações do mundo real oferecendo mudança em relação às abordagens de laboratório em que estudos sobre medo se baseiam em imagens estáticas que não refletem como o cérebro o processa em contextos dinâmicos, sendo que o modelo captura com precisão respostas em experiências naturais revelando que a ocitocina reduz o medo em situações sociais. Segundo a Universidade de Hong kong, HKU, as descobertas apontam à mecanismo direcionado à ansiedade e fobia social além de condições relacionadas, oferecendo ferramenta ao desenvolvimento que reflita o processamento emocional na vida real, enquanto o mapeamento do medo no Mundo Real, utiliza modelo cerebral IA capturando respostas nas experiências naturalistas melhor que paradigmas de laboratório, ao passo que a redução do Medo Social reflete que a ocitocina reduziu o medo subjetivo e sua assinatura neural em contextos sociais, daí, a via de tratamento em que as descobertas apoiam abordagem direcionada à condições caracterizadas por medo social excessivo incluindo ansiedade e desafios relacionados ao autismo. Coloca em causa a validade de estudos laboratoriais que  podem não descrever com precisão como o cérebro processa o medo, fornecendo dados convincentes à nova abordagem de tratamento orientada à transtornos  caracterizados por medo social excessivo como autismo, ansiedade e fobia social, além de ciar ferramenta IA para preencher lacuna entre pesquisa laboratorial e experiências emocionais da vida real abrindo caminho à intervenções clínicas mais eficazes. Por fim, ao considerar o medo como instinto natural de sobrevivência, para muitos, pode tornar condição debilitante como ansiedade social, daí, desafio no tratamento de transtorno em que estudos laboratoriais sobre o medo não conseguem capturar como a emoção é vivenciada em situações do mundo real. Em suma, estudos desenvolvidos pela equipe de pesquisa de Benjamin Becker, do  HKU, Departamento de Psicologia, revelou que modelos cerebrais de medo existentes, baseados em imagens estáticas de laboratórios não rastreiam o medo de forma confiável enquanto respostas em experiências da vida real como assistir filme de terror,daí, desenvolveram modelo cerebral inspirado em IA que rastreia a experiência consciente do medo nas situações dinâmicas e naturalistas, cujos resultados mostraram que a ocitocina reduz tanto a sensação subjetiva de medo quanto a assinatura neural em contextos sociais, não, em contextos não sociais, o que sugere mecanismo direcionado ao alivio do medo social.

Estudo realizado nos EUA examina o uso generalizado IA em áreas diversas incluindo educação e, de acordo com as conclusões, a utilização IA ​​impacta a função cognitiva humana observando queda na atividade das áreas do córtex responsáveis ​​pela análise de informações. Quer dizer, alguém acostumado receber dados através de sistemas IA perde simultaneamente a capacidade de resolver problemas relacionados à análise e síntese de informações, em consequência, perde a capacidade de decidir, ao passo que o sistema IA essencialmente se torna "cérebro reserva" enquanto o "principal" se reduz ao ponto de ativar o "reserva" em determinado momento e, sem esforço, quer dizer, a IA treina o cérebro humano para trabalhar menos e seguir suas instruções com mais frequência, em consequência, o cérebro reserva torna-se principal. Daí, a crença científica que, caso a IA continue se desenvolver seguindo princípios atuais, a humanidade enfrentará "estagnação informacional" nos 5 anos a seguir, cenário, em que grande número de pessoas será forçado abandonar o pensamento crítico e perceber o mundo com base em seu próprio julgamento, tornando-se consumidores passivos de conteúdo gerado por IA com visões unificadas sobre aspectos do cotidiano incluindo, política, economia e valores, daí, IA descobre, IA decide, representando mudança de paradigma e passando de simples assistente executiva à nível qualitativo diverso. Tal cenário, trilha caminho de degradação educacional e social onde IA não apenas oferece opção, mas, decide, forçando a crença que foi o indivíduo e não a máquina quem o fez, no entanto, buscando a prática política global contemporânea, tal fato, pode se revelar cenário perfeitamente aceitável, afinal, pensador crítico não é um ativo desejável em sistemas de governo.

Moral da Nota: anúncio da municipalidade de Los Angeles nos avisa que não usa mais carvão no fornecimento de energia urbana, marco importante na transição acelerada da cidade à energia 100% limpa até 2035 e passo fundamental na liderança climática. Quer dizer, o Departamento de Água e Energia de Los Angeles, LADWP, e a Incubadora de Tecnologias Limpas, LACI, anunciam o desinvestimento em carvão no fornecimento de energia, sendo que o LADWP não recebe mais energia de carvão da usina Intermountain Power Project, IPP, em Utah, utilizando energia de unidades geradoras com capacidade à hidrogênio construídas na usina IPP, parte da modernização chamada IPP Renewed. Existe plano à transição futura ao hidrogênio verde como fonte de combustível, já que a expectativa é que o hidrogênio verde seja adicionado à matriz energética em 2026, com a prefeita de Los Angeles declarando que, “o desinvestimento em carvão em Los Angeles não se trata apenas de interromper o seu uso para abastecer a cidade, trata-se de construir economia de energia limpa que beneficie os angelinos, somos capazes de desferir esse golpe contra mudanças climáticas pois não dependemos de concessionária corporativa à nossa eletricidade, somos donos da nossa energia.” A LADWP utiliza energia de unidades com capacidade à hidrogênio construídas na usina IPP, parte de modernização conhecida como IPP Renewed, sendo que as unidades operam com gás natural capazes de funcionar com mistura de gás natural e 30% de hidrogênio verde, com plano para fazer no futuro transição à 100% de hidrogênio verde como fonte de combustível, com expectativa que o hidrogênio verde se adicione à matriz energética em 2026. Por fim, Los Angeles investiu em armazenamento em baterias e energia solar e eólica trabalhando na expansão de iniciativas locais de solar, eficiência energética e demanda para apoiar a transição com marcos históricos em energia limpa em 2025 como a conclusão do Eland Solar-plus-Storage Centre, um dos maiores projetos de energia solar e armazenamento em baterias do país que fornece energia suficiente à mais de 260 mil residências em Los Angeles ultrapassando a meta de 60% de energia limpa em 2025.

Rapidinha: estudo publicado na Nature Reviews Earth & Environment revela que o El Nino–Oscilação Sul, ENOS, está afetando o Oceano Atlântico e a pesca no Brasil ao alterar padrões de chuva, temperatura da água e fluxo de rios, mudando oferta de nutrientes e oxigênio marítimo. No Norte do Brasil, reduz chuvas e enfraquece o rio Amazonas prejudicando cadeia alimentar marinha, no Sul, aumenta chuvas, beneficiando a albacora e a pesca do camarão marrom decorrente água mais clara e maior radiação solar, daí, cientistas de instituições brasileiras, africanas e europeias pedirem estratégias locais de manejo e defenderam sistema internacional de monitoramento oceânico.