O conceito de poluição do ar como emergência de saúde pública busca envolver países mais ou menos afetados pela questão, como a Índia, que se mobiliza para lidar com crises de saúde, de ondas de calor resultando em alertas do governo e centros de resfriamento urbano de emergência a doenças como dengue transmitidas por vetores, desencadeando campanhas públicas, vigilância em campo e maior preparação hospitalar. No seminário no AIIMS sobre o combate à poluição do ar, o chefe de pneumologia e distúrbios do sono do AIIMS afirma que “não se trata apenas de problemas respiratórios, outros órgãos são afetados e estamos vendo mais casos com risco de vida, consultas ambulatoriais e internações de emergência e pacientes necessitando de suporte ventilatório que deveria ser tratado como emergência de saúde pública”, valendo observar que o impacto da poluição na saúde pública, na sociedade e economia, não é tratada como emergência médica e a resposta permanece limitada a soluções paliativas e reativas. Relatório do Estudo da Carga Global de Doenças e relatórios da OMS, Organização Mundial da Saúde, mostram que a Índia tem maior incidência no mundo de problemas de saúde relacionados à poluição e, milhões morrem prematuramente a cada ano devido poluição do ar, por doenças do sistema respiratório e cardiovascular, como asma, DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ataques cardíacos e derrames, enquanto jovens, respirar ar poluído prejudica desenvolvimento pulmonar, afetando capacidade cognitiva, desencadeia diabetes e aumenta ao longo da vida risco de problemas de saúde física e mental. Mulheres grávidas correm risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer quando expostas a altos níveis de poluição, problemas de saúde com implicações duradouras pois levam a ciclo de pobreza e questões sociais com aumento dos custos médicos e perda de renda dos familiares. Relatório publicado na The Lancet constata que a poluição do ar oriunda apenas das emissões de combustíveis fósseis causou 1,72 milhão de mortes na Índia em 2022 e, apesar das evidências, o país continua lidar com poluição do ar de modo reativo, problema por problema, em vez de ações proativas e sustentadas. A poluição do ar ainda é tratada como problema ambiental ou de planejamento urbano e não como emergência de saúde pública normalizando crise recorrente, já que, a cada inverno respondem à poluição com soluções paliativas como canhões de fumaça, recomendações à ficar em casa e distribuição de máscaras, medidas que pouco fazem além de oferecer alívio momentâneo, enquanto o aumento de casos de doenças respiratórias é descartado como "sazonal" em vez de claro alerta à crise de saúde pública cada vez mais grave.
Anjal Prakash, Professor Associado Clínico no Instituto Bharti de Políticas Públicas da Indian School of Business contribuindo aos relatórios do IPCC, avalia que 2025 foi o ano mais quente em 125 anos com alertas de onda de calor emitidos em partes do território indiano, sendo que na última década, governos de cidades e estados implementaram Planos de Ação contra o calor à lidar com a ameaça, com o 1º em 2013, com o relatório publicado pela Sustainable Futures Collaborative, SFC, organização de pesquisa focada em mudanças climáticas, energia e meio ambiente, constatando que cidades indianas mais vulneráveis ao calor extremo não estão preparadas ao agravamento das ondas de calor, dependendo de medidas emergenciais em vez de planejamento de resiliência a longo prazo. Avaliou 9 cidades indianas com alto risco de vítimas ao calor no futuro, ou, Bengaluru, Nova Delhi, Faridabad, Gwalior, Kota, Ludhiana, Meerut, Mumbai e Surat, que representam 11% da população urbana, entrevistando 88 autoridades municipais, distritais e estaduais responsáveis pela implementação de medidas de combate ao calor, com o conceito que os efeitos da poluição na saúde são naturalizados como inevitáveis ou algo que só pode ser combatido de forma limitada. Além disso, debates sobre controle de emissões são restritos ao âmbito político com líderes empresariais e industriais priorizando desenvolvimento econômico e membros da comunidade aceitando a má qualidade do ar como parte do cotidiano, enquanto meios de comunicação noticiam incidentes de poluição e raramente apresentam como emergências que exige resposta imediata com escala e alcance que o desastre justifica. Tais ressalvas se originam em variedade de causas incluindo o fato de muitos poluentes serem invisíveis e imperceptíveis, cujos efeitos nocivos da exposição prolongada à poluição crônica serem insidiosos e prioridades conflitantes prevalecendo sobre a saúde ambiental e pública, daí, ser aceitável politicamente urbanizar e aceitar poluição do ar como subproduto que mudar mentalidades e práticas estabelecidas de desenvolvimento industrial e de infraestrutura. Daí, informar o sistema de saúde, alertar populações vulneráveis e emitir diretrizes à implementação de medidas de controle da poluição, estabelece linha de responsabilidade do governo central às autoridades urbanas locais, como o caso de Pequim conhecida por ter um dos piores índices do mundo de poluição urbana conseguir melhorar a qualidade do ar em uma década, por meio da combinação de vontade política, fiscalização rigorosa e investimentos em infraestrutura mais limpa, como o caso de Paris em que a poluição foi declarada crise de saúde resultando em proibições de veículos, redução do tráfego e promoção do transporte público e ciclismo, exemplos que mostram que cidades densamente povoadas podem reverter crises de qualidade do ar quando a poluição é tratada como prioridade de saúde pública em vez de custo inevitável do desenvolvimento. Por fim, o relatório avalia que soluções rápidas de curto prazo como o acesso à água potável e expansão da capacidade hospitalar, apresentaram melhorias em que estratégias de longo prazo como melhorias na infraestrutura e reformas no planejamento urbano, continuam insuficientes, além de Planos de Ação contra o calor carecendo de robustez e financiamento com lacunas institucionais na implementação, alerta que o foco continua sendo gerenciamento de doenças relacionadas ao calor em vez de prevenção com acesso limitado a dados sobre o verdadeiro impacto do calor extremo nas cidades que dificulta o planejamento eficaz e, conclui que, embora o número de ações de curto, longo prazo incidentais e longo prazo intencionais tomadas varie entre diferentes cidades, há um padrão claro, ou, a maioria das cidades prioriza medidas de curto prazo.
Moral da Nota: estudo avalia que em Nova Jersey se acelera a elevação do nível do mar aumentando risco de inundações costeiras, prevendo aumento dos níveis da água e temperatura evitando recomendações políticas. O Centro de Recursos de Mudanças Climáticas de Nova Jersey na Universidade Rutgers disse que provavelmente verá elevação do nível do mar entre 2,2 e 3,8 pés até 2100 se prevalecer o nível atual de emissões globais de carbono, enquanto os mares podem subir até 4,5 pés se o derretimento da camada de gelo acelerar. O Painel Consultivo Científico e Técnico do centro, cientistas da Rutgers e de outras instituições que publicam relatórios desde 2016 afirmam que mudanças climáticas causadas pelo homem estão acelerando elevação do nível do mar em Nova Jersey e que os riscos de inundação “aumentam rapidamente” ao longo da costa do estado, comunidades próximas a rios de maré, pântanos e áreas úmidas. Encomendado pelo Departamento de Proteção Ambiental contou com participação de 144 cientistas, busca identificar, avaliar e resumir evidências sobre elevação do nível do mar e mudanças nas tempestades costeiras. Nova Jersey devastada quando o furacão Sandy atingiu o litoral em 2012 destruindo prédios, inundando cidades e forçando pessoas deixarem suas casas por anos com a tempestade tornando-se marco à vulnerabilidade na elevação do nível do mar, com o governador reconhecendo a ameaça embora tenha cedido à pressão de construtoras para revogar regulamentações criadas à dificultar construção em áreas vulneráveis. O relatório inclui previsões sobre extensão da elevação do nível do mar em Atlantic City mas as previsões dependem do aumento das emissões globais, sendo que o último relatório do Painel Consultivo Científico e Técnico, de 2019, previu que emissões intermediárias levariam a elevação do nível do mar de 60 cm até 2100,ou, 6 cm a menos que o novo relatório, além de atualizações incluindo novos cenários de emissões, previsões detalhadas de taxas de elevação do nível do mar, frequência de inundações em várias localidades e resumo dos impactos da elevação do nível do mar e tempestades costeiras. Avalia que até 2050 a cidade provavelmente terá entre 29 e 148 dias com inundações por ano, número que pode chegar a 178 se o derretimento das calotas polares se acelerar e, até o final do século, é “extremamente provável” que o número de dias com inundações costeiras ultrapasse 131/ano. Por fim, o relatório soa alarme de "inundações compostas" em que a elevação do nível do mar se combina com tempestades, chuvas intensas e rios transbordando, agravando inundações e, com a elevação do nível do mar, o aumento da frequência de inundações costeiras e a erosão se intensificam cujos esforços em combatê-la, que até agora obtiveram sucesso em alguns locais, podem ser sobrecarregados, alertam que os pântanos que protegem o litoral e a vida selvagem, podem ter chegado a ponto em que não conseguem mais acumular sedimentos para se protegerem da elevação do nível do mar.