sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Shahdagh

O Parque Nacional de Shahdagh, Azerbaijão, sob picos nevados das montanhas do Cáucaso, animais peludos, desajeitados, não vistos nessas florestas há mais de um século, são agora vistos, muitos deles, híbridos das variedades das terras baixas e do Cáucaso, retirados de zoológicos europeus e transplantados ao parque nos últimos 7 anos, atualmente, 90 desses animais vivem em Shahdagh, incluindo fêmeas prenhes.  Bisões ajudam revitalizar planícies por onde vagam, estabilizam pastos de montanha dos quais comunidades locais dependem para se alimentar, água potável e renda do turismo, considerando que foram extintos pela caça, os bisões-do-cáucaso em 1927 desapareceram da natureza, hoje, o híbrido de bisão-das-planícies e bisão-do-cáucaso foi reintroduzido no Parque Nacional de Shahdagh, Azerbaijão, através de iniciativas  de amplo esforço nacional para restaurar ecossistemas do Azerbaijão por reintrodução de espécies incluindo as que foram extintas na natureza, iniciativa, que busca, em parte, atenuar efeitos das mudanças climáticas que elevaram temperaturas, alterando padrões de precipitação e aumentado risco de incêndios florestais e deslizamentos de terra no país. Mirey Atallah, chefe do departamento de Adaptação e Resiliência do Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA, fala que a “longo prazo, proporcionamos benefícios às pessoas em termos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas e resiliência social”, concluindo, “sempre que ajudamos a natureza ser saudável, ela retribui em mais de uma frente”. No Shahdagh guardas florestais supervisionam reintrodução dos bisões, auxiliam alimentá-los e monitorar no processo gradual de reintegração à vida selvagem, ao passo que restaurar ecossistemas atenua efeitos das mudanças climáticas de modos diversificados, por exemplo, replantio de manguezais protege comunidades costeiras contra tempestades cada vez mais severas e a elevação do nível do mar, enquanto revitalização de áreas úmidas recarrega aquíferos, crucial em períodos de seca, o plantio de vegetação em encostas previne deslizamentos de terra ​​por chuvas mais intensas que o normal, conhecida como rewilding, reintrodução de espécies nativas é uma das técnicas de restauração das mais eficazes.  Elshad Askerov, chefe do WWF, Fundo Mundial à Natureza do Azerbaijão, explica que, no período soviético, muitas espécies foram levadas à beira da extinção, com o último bisão selvagem morto em 1927 com "solos e florestas sobreutilizados e muitos animais perderam habitats", esclarece que, “há oportunidade histórica à restauração da espécie”. A reintrodução do bisão na natureza é fruto de esforço conjunto envolvendo parceiros da Europa, WWF, Ministério da Ecologia e Recursos Naturais do Azerbaijão, Diálogo Internacional à Ação Ambiental, organização azerbaijana sem fins lucrativos, Tierpark Berlin e programa internacional de reprodução da Associação Europeia de Zoológicos e Aquários, cofinanciado pela Rewilding Europe. O bisão atua como “engenheiro do ecossistema”, distribuindo sementes através dos excrementos e altera a composição do solo, seus movimentos e hábitos de pastoreio limpam a vegetação rasteira densa, criam padrões em mosaico que permitem recuperação dos campos e atraem herbívoros menores em que “campos atraem diferentes insetos e insetos atraem diferentes espécies de aves”, concluindo, “é assim que um ecossistema se recupera e ecossistema mais rico é mais resiliente às mudanças climáticas.” Bisões de Shahdagh foram trazidos ao Azerbaijão de zoológicos europeus, onde programa de reprodução cruzaram bisões europeus das planícies com o último macho caucasiano remanescente, desde a soltura dos bisões na natureza, mais de 25 filhotes nasceram no parque nacional e, nos próximos 25 anos, o programa buscará aumentar o rebanho à 500 indivíduos, número mínimo necessário à população sustentável. Por fim, vale a nota que o programa de repovoamento da vida selvagem do Azerbaijão abrange espécies ameaçadas incluindo a gazela-persa, que pastava nas planícies e sopés do Cáucaso aos milhares, em 1960, zoólogos contabilizaram menos de 200 no país com população dizimada pela caça furtiva e perda de habitat, no entanto, graças à criação de reservas de vida selvagem e reintrodução de mais de mil animais existem 7 mil gazelas selvagens no Parque Nacional de Shirvan, Azerbaijão, região semiárida, como os bisões, gazelas impactam a terra através de padrões de pastoreio e desempenham papel importante no ecossistema, ou, servem de presa à carnívoros ameaçados de extinção, como o lince-europeu, hiena-listrada e lobo-cinzento. 

A Unicef, agência da ONU, afirmou que 205 unidades de saúde e nutrição foram fechadas na Somália, reduzindo acesso a serviços essenciais e contribuindo à queda de 30% na cobertura de serviços, uma vez que cortes no financiamento humanitário  perturbam serviços essenciais de saúde, nutrição, água, educação e proteção infantil no país. Alerta que a situação pode se deteriorar mais se escassez de financiamento persistir, com até 618 unidades de saúde em risco de fechamento em cenários de financiamento severo, sendo que o impacto reflete o número de crianças que necessitam de tratamento à desnutrição aguda grave, cujas internações e complicações aumentaram 32% no 1º semestre de 2026 comparada ao mesmo período de 2025. A crise de financiamento afeta acesso a água potável e serviços de saneamento, com mais de 1,6 milhão de pessoas necessitando de acesso à água potável e mais de 800 mil pessoas correndo risco de perder itens essenciais de higiene, considerando que preços da água dispararam nas áreas rurais e pastoris exercendo pressão adicional sobre comunidades vulneráveis, quando um barril de água de 200 litros que antes custava cerca de US$ 2 agora custa US$ 8, segundo a ONU. A educação foi afetada ao perder US$ 30 milhões em financiamento em 2025, contribuindo à 78 mil alunos abandonassem a escola, enquanto outras 660 mil crianças correm o risco de deixar os estudos devido agravamento financeiro, além de serviços de proteção à criança enfrentando desafios semelhantes com pelo menos 65 pontos de atendimento e instalações obrigados a fechar devido cortes financeiros, programas essenciais, incluindo gestão de casos, apoio psicossocial, localização de familiares e serviços de reintegração, estão em risco. A agencia da ONU afirmou ter apoiado mais de 2,25 milhões de internações de crianças com desnutrição aguda grave entre 2021 e 2025, com programas de tratamento à taxa de cura de 97,6% em 2025, apelou a doadores para que mantenham apoio aos programas que fornecem cuidados de saúde, nutrição, água potável, educação e proteção infantil, alertando que cortes no financiamento deixam número crescente de famílias somalis sem serviços essenciais, à medida que necessidades humanitárias aumentam.

Moral da Nota: a CNN, EUA, reportou proliferação de microalgas com kms de extensão no Mar Mediterrâneo apontada como causa da paralisação temporária das principais usinas de dessalinização de Israel, ameaçando a principal fonte de água potável, sendo que 5 das 6 usinas de dessalinização costeiras do país que convertem água do mar em água potável foram fechadas, segundo a Mekorot, companhia nacional de água de Israel, daí que, algumas dessas instalações que são de propriedade e operadas por empresas privadas retomaram parcialmente operações mas apenas uma estava funcionando a plena capacidade. Lior Gutman, porta-voz da Mekorot, esclarece que “evento deste tipo nunca ocorreu antes em Israel, foi evento raro,” embora ressalte que em 99% dos casos não houve escassez de água potável, mesmo assim, é situação alarmante, dada forte dependência nacinal da dessalinização no abastecimento de água potável, considerando que Israel é um país árido sem grandes rios ou chuvas abundantes, mas o domínio da tecnologia o transformou em superpotência hídrica e a dessalinização fornece pelo menos 65% da água potável nacional com a maioria das usinas no litoral do Mediterrâneo. No fim de semana, segundo relatos Edo Bar-Zeev, professor associado de pesquisa hídrica na Universidade Ben-Gurion,Israel, disse que, "evento esporádico de grande escala de contaminação ocorreu ao longo da costa israelense" quando cientistas analisaram mais de perto, descobriram que se tratava de microalgas, minúsculos organismos que se alimentam de luz solar, CO2 e nutrientes presentes na água e que se proliferam rapidamente. Bar-Zeev esclarece que microalgas estenderam por pelo menos 20 kms e acredita-se tenham se originado no Delta do Nilo e viajado ao norte com correntes marítimas ao longo da costa de Israel, esta é, “a 1ª vez de algo nesta magnitude”, segundo o analisata da água costeira há 20 anos. Instalações de dessalinização de Israel utilizam a tecnologia chamada "osmose reversa", onde a água é pré-tratada para remover contaminantes maiores antes de ser forçada através de membranas que filtram o sal, bactérias e demais moléculas, dando como resultado água potável limpa, as algas e substâncias que produzem podem obstruir e danificar as membranas. Michael Christopher Low, diretor do Centro do Oriente Médio da Universidade de Utah, esclarece que se houver muito material em suspensão na água, processos de tratamento não conseguem dar conta, já aconteceu antes quando grave "maré vermelha" ou proliferação de algas nocivas no Golfo de Omã, 2008 e 2009, afetou muitas usinas de dessalinização naquela região, em Israel, o sistema governamental de abastecimento de água “interveio para suprir a lacuna” causada pelo fechamento das estações de tratamento incluindo o bombeamento de água do Mar da Galileia, ativação de poços de água subterrânea e uso de reservas hídricas. No entanto, cidades enfrentaram restrições locais de curto prazo, incluindo irrigação de jardins e enchimento de piscinas, mas, as limitações afetaram agricultores que usam água com qualidade de água potável à irrigação em oposição aos que usam água reciclada. Por fim, o Mekorot disse que a proliferação foi parte de "combinação de fatores", incluindo tempestade marítima que aumentou a turvidez, a quantidade de matéria em suspensão na água e elevou a temperatura do mar à 30 ºC ou mais e a dimensão da perturbação foi impressionante, com instalações de dessalinização obrigadas a fechar antes devido algas ou águas-vivas, "mas várias instalações paralisadas em grande parte da costa é algo definitivamente anormal" concluiu. A dessalinização está se tornando cada vez mais popular, especialmente porque a crise climática provoca ondas de calor e secas mais severa comprometendo segurança hídrica e crescente dependência de solução técnica centralizada acarreta riscos considerando que pode resultar de eventos ou de mudanças climáticas, existe a possibilidade de ameaças militares e cibernéticas em que usinas de dessalinização no Golfo Pérsico alvo de ataques e danificadas na guerra EUA e Irã, que gerou preocupação em região que depende da tecnologia, hackers atacaram instalações de tratamento de água, nos EUA, além de derramamentos de petróleo como outra preocupação, sendo que muitas das instalações são localizadas em países com escassez hídrica e grandes produtores de petróleo, como países do Golfo, vazamentos poderiam deixar usinas fora de operação por período mais longo que a proliferação de microalgas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Regulamentação

Independente do resultado da Conferência sobre plásticos ainda inconclusa, a Prefeitura de São Paulo não regulamentou projeto de lei referente a uso de plásticos descartáveis, considerando que há 6 anos, a lei que proíbe plásticos de utilização  única aguardando regras de fiscalização para ser implementada na cidade, quer dizer, passaram 6 anos da aprovação da Lei Municipal nº 17.261/2020, daí, a ONG Oceana, o IDEC, Instituto de Defesa de Consumidores e o IDC, Instituto de Direito Coletivo, impetraram no TJSP, Tribunal de Justiça do Estado, Mandado de Injunção contra a Prefeitura da cidade de São Paulo exigindo publicação do decreto viabilizando a aplicação da norma. Sancionada em 2020, a lei proíbe fornecimento de plásticos descartáveis de uso único, ou, copos, talheres, pratos, mexedores de bebida e varas para balões, em, hotéis, bares, restaurantes e eventos na capital paulista, no entanto, há necessidade de regulamentação, na prática, torna a lei ineficaz pela falta de regras complementares que dispõem sobre fiscalização e medidas de sanção. O Mandado de Injunção sustenta que a Prefeitura da cidade de São Paulo foi omissa ao não publicar a regulamentação da lei, em 2023, criou um GT, Grupo de Trabalho, para   elaborar o decreto com critérios de aplicação e mecanismos de fiscalização, quer dizer, o GT ocorreu pós pressão de organizações socioambientais que, em 2022, escreveram ao prefeito da cidade de São Paulo cobrando providências à aplicação da Lei 17.261/2020. A cidade de São Paulo gera 18 mil toneladas de resíduos/dia e 15% desse volume é composto por plásticos, ou, 2,7 mil toneladas de lixo plástico/dia, quase 1 milhão de toneladas/ano, sendo que a ação se fundamenta sob o argumento que, ao deixar de regulamentar a Lei nº 17.261/2020, a Prefeitura da cidade de São Paulo compromete efetividade e viola direitos relacionados à proteção ambiental, saúde e consumidor. A não definição de critérios técnicos e mecanismos visando colocar a lei em prática, expõe a população urbana a impactos ambientais, sanitários, econômicos e potencial greenwashing, daí, transformar a norma em proteção, critérios claros, fiscalização e responsabilização no descumprimento e, regulamentada, a lei reduzirá poluição por plástico gerada na cidade de São Paulo evitando descarte anual provável de 7 bilhões de itens descartáveis, copos, talheres, pratos, mexedores de bebida, varas à balões, etc.

A Questão dos plásticos tem sido dífícil e não é a 1ª vez que a Lei Municipal 17.261/2020 é objeto de ação judicial, em 2020, após promulgação, o Sindiplast, Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo, entrou com ação contra a Prefeitura da cidade de São Paulo, ADIN, Ação Direta de Inconstitucionalidade, pedindo suspensão dos efeitos da lei, sob alegação da falta de competência municipal legislar sobre matéria ambiental de interesse nacional e, não local, apontando ausência de estudos sobre impacto ambiental. Julgada improcedente pelo TJSP foi declarada constitucionalidade da Lei 17.261/2020, reconhecendo como instrumento de proteção ambiental e saúde pública, sendo que a Prefeitura da cidade de São Paulo, nessa ação, defendeu a lei como constitucional garantindo proteção de direitos fundamentais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto no art. 225 da Constituição Federal e, à saúde, estabelecido no art. 196 CF. Por fim, a ONU esclarece que poluição por plástico é a 2ª maior ameaça ambiental ao planeta atrás da emergência climática, 15 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos anualmente equivalente a 2 caminhões de lixo/minuto, nós brasileiros despejamos 1,3 milhão de toneladas de lixo plástico no oceano/ano, 8º maior poluidor plástico do mundo, maior produtor de plástico da América Latina, fabricamos 6,67 milhões de toneladas de plástico/ano. Metade da produção plástica, 44%, corresponde a plásticos de uso único, cerca de 500 bilhões de itens descartáveis/ano, ou, mais de 15 mil produtos/segundo e, por não possuírem viabilidade econômica para reutilização ou reciclagem, se transforma em poluição, enquanto custos de gestão recaem sobre municípios e cooperativas de catadores. Enfim, microplásticos foram encontrados na água potável, alimentos e órgãos humanos, como cérebro, pulmões e coração, com estudos científicos apontando evidências de impactos toxicológicos, inflamatórios e endócrinos associados à exposição contínua de partículas e compostos químicos que carregam.

Moral da Nota: uma xícara, saquinhos de chá, liberam partículas de microplásticos, embalagens de alimentos contendo microplásticos que infiltram no organismo humano aumentando preocupações sanitárias considerando que oferecem versatilidade, durabilidade e custo-benefício incomparáveis. Embalagens ou aplicações médicas, os plásticos revolucionam indústrias, aprimoram conservação de alimentos, segurança no transporte e saúde pública, no entanto, vantagens, acompanham desvantagens em que, micro e nanoplásticos, MNPLs, liberados no uso e degradação do plástico representam riscos ambientais e a saúde, alarmando cientistas e formuladores de políticas. Embalagens de alimentos, talvez o principal contribuinte à contaminação por MNPLs, introduzem partículas no organismo humano via ingestão, daí, itens como garrafas, sachês e filmes, feitos de polímeros como polipropileno, PP, tereftalato de polietileno, PET, e náilon, liberam MNPLs sob estresse ambiental, como calor e umidade. Partículas microscópicas detectadas em água engarrafada, chá em saquinhos plásticos e alimentos cozidos em panelas antiaderentes, ressaltam necessidade de avaliar o potencial impacto à saúde humana. Pesquisa, publicada na Chemosphere, mostra presença de MNPLs em tecidos e fluidos corporais, incluindo sangue, pulmões, urina e fezes e, estudo, mostra que MNPLs foram encontrados em amostras de fezes de indivíduos saudáveis sendo o polipropileno e o PET tipos mais comuns, investigação detectou níveis mais elevados de MNPLs em indivíduos com doença inflamatória intestinal, DII, sugerindo ligação entre exposição MNPLs e saúde gastrointestinal, descobertas que, destacam necessidade de mais pesquisas para desvendar efeitos a longo prazo da ingestão de MNPLs. Avanços analíticos, como microscopia eletrônica de varredura e transmissão, permitem caracterizar MNPLs, microplásticos de nanopartículas, em nível sem precedentes, ao corarem MNPLs tingiram células intestinais humanas em laboratório obtendo resultados preocupantes, sendo que as células intestinais produtoras de muco demonstraram alta absorção de MNPLs com partículas penetrando no núcleo que abriga o material genético, sugerindo que, o muco intestinal desempenha papel significativo na absorção de MNPLs e ressalta necessidade de estudos de longo prazo para avaliar consequências dessas interações à saúde. Alba Garcia, cientista envolvida em estudos com MNPLs, nos esclarece que, “caracterizar esses poluentes de modo inovador com conjunto de técnicas de ponta, é  ferramenta importante para avançar pesquisa sobre possíveis impactos na saúde humana”, destacando necessidade de avaliar exposição crônica a MNPLs e papel do muco intestinal na absorção.