domingo, 22 de fevereiro de 2026

IA e Saúde

IA na saúde em clínicas norte americanas mostram ferramentas à transcrição de conversas, sugerindo diagnósticos ou fornecendo códigos de faturamento, sistemas integrados em tempo real nas consultas funcionando como assistentes digitais que capturam narrativa do paciente transformando em resumo clínico organizado e preciso. Tais modelos não detectam inflexão na voz quando o paciente demonstra medo, nem pausa antes de mencionar lembrança dolorosa ou olhar que evita contato por constrangimento quando médicos dependem da tecnologia para "ouvir" por eles, o risco de desconexão emocional é real, quer dizer, o não dito, gestos e o implícito ficam fora do registro, implicando perda de informações clínicas e humanas. A medicina adotou por décadas a chamada "medicina em evidências", movimento que, embora buscasse eliminar práticas obsoletas e promover estudos rigorosos, restringiu o atendimento em que, números, algoritmos e protocolos foram priorizados em detrimento da escuta ativa, intuição e empatia. IA ​​amplifica essa tendência, quer dizer, se antes, médicos baseavam em escalas e pontuações, agora a máquina oferece solução estatisticamente mais provável em segundos, no entanto, o problema é que transforma o paciente em coleção de dados e não em história única, levando ao risco não apenas no que  IA deixa de ver mas no que torna invisível ou dimensões afetivas, sociais e contextuais do sofrimento. Ao recorrerem a chatbots para descrever sintomas antes da consulta, em vez de descreverem espontaneamente como se sentem, pacientes são treinados pela IA para usar linguagem clínica correta refinando narrativa como se estivessem se preparando para entrevista ou exame, que pode facilitar diagnósticos, mas acaba por introduzir modo de autoedição emocional, ou, medo, dúvida e circunstâncias de vida que influenciam a doença são apagados em favor da narrativa médica objetiva, livre de interferências subjetivas, quer dizer, o que IA lhes retorna como "correto" pode levar a diagnósticos mais rápidos, porém, mais impessoais. Por fim, estudos revelam perda de habilidades clínicas em profissionais que delegam tarefas à IA e, ao sugerirem diagnósticos, o questionamento estanca, a reflexão enfraquece, o raciocínio criativo falha e o que antes era trabalho analítico se transforma em validação passiva e, em mercado que busca produtividade, tais ferramentas são integradas não como apoio mas como substitutos e, em vez de liberar o médico para olhar o paciente nos olhos a tecnologia reforça o modelo de atendimento rápido onde cada minuto ganho se traduz em mais uma consulta faturada. O detalhe nesta questão é que muitos dos conjuntos de dados usados ​​para treinar esses modelos contêm desigualdades históricas, ou, menor representatividade feminina, de pessoas negras ou com deficiência, significando que, mesmo que um sistema pareça "objetivo" reproduz exclusões e erros do passado e, o que está em questão é o modelo da relação profissional e paciente enquanto a medicina entendida como prática de acompanhamento, exige escuta, tempo, presença e reconhecimento do outro como ser único e quando o foco se desloca aos dados essa dimensão humana enfraquece. Daí, em sistema público focado no bem-estar, IA poderia ser usada para detectar desigualdades, apoiar profissionais sobrecarregados ou identificar pacientes que necessitam de assistência social urgente em ambiente político e econômico de diversidade humana em detrimento da padronização que priorize crescimento  coletivo em vez de ganho privado.

A agência de Notícias Fas Company, nos informa que decorrente manifestações da Geração Z mundo afora questionando estabilidade no mercado, migra à setores menos suscetíveis à automação em contexto receoso relativo aos impactos IA no mercado de trabalho, quer dizer, a geração Z ou os nascidos entre 1995 e 2010, mostra resposta de adaptabilidade menos visível e mais ativa. Dados da agência nos informam que 70% dos membros da geração questionaram segurança de seus empregos diante tecnologias IA e, uma das razões à essa mudança, é a perda de confiança no ensino superior, apontando que 65% da geração atual não vê ensino superior como garantia de emprego e, buscando estabilidade, muitos optam por áreas de construção, saúde, educação ou profissões consideradas mais estáveis. A pesquisa aponta que 57% dos jovens têm atividades secundárias que envolvem trabalhos manuais, citadas atividades de venda e restauração de móveis como exemplo enquanto  levantamento da IBM, apontou que avanços IA progrediram em ritmo lento até a explosão do ChatGPT, serviço criado pela OpenAI, rapidamente seguido por outras empresas lançando Gemini, DeepSeek, Grok e afins. Tal progresso gerou interesse entre empresários que reportaram utilizar ferramentas IA de forma ativa,88%, segundo levantamento da McKinsey & Company, ao passo que analistas do mercado de trabalho manifestam preocupação sobre  risco que a adoção dessas ferramentas comprometa oportunidades de emprego às gerações entrantes, questão levantada por pesquisa do departamento de economia de Harvard alertando que estão em evidência contratações de qualificação média. Até o momento, não há tendência de demissões e, a demanda por trabalho humano, segue presente nas atividades especializadas e de baixa qualificação, impulsionadas, pela expertise técnica e menor custo, no entanto, empresas buscam especialistas em integração IA que trabalham para automatizar operações diárias através dessa tecnologia fechando janelas aos que prestam serviços mais repetitivos e burocráticos. Estudo do MIT revelou que 95% das organizações que investiram em tecnologias IA não receberam retorno financeiro, enquanto a plataforma de análise Visier identifica que empregadores que demitiram trabalhadores diante promessa IA estão recontratando, apontando à tendência de "demissão bumerangue", embora o aumento de recontratações não estejam totalmente claros com sugestões que os empresários podem ter demitido de forma precipitada sem avaliar se havia funções que poderiam ser substituídas. Por fim, a preocupação com bolha IA que provocou quedas nos mercados acionários com analistas bancários prevendo correções diante supervalorização de empresas, como aponta o investidor James Anderson no Financial Times ao dizer que, "aumentos repentinos que as pessoas estavam dispostas atribuir à OpenAI, Anthropic e etc foram desconcertantes", concluindo, "a magnitude desse salto e a velocidade com que aconteceu me incomodaram."

Moral da Nota: estudo brasileiro publicado na Nature Neuroscience, analisou interação entre proteínas ligadas à Alzheimer, tau e beta-amiloide e células cerebrais revelando que que inflamação cerebral é chave na progressão da doença, em pesquisa liderada pelo neurocientista Eduardo Zimmer, UFRGS, sugerindo que o cérebro necessita estar inflamado para que a doença de Alzheimer se estabeleça e avance. Esclarece que essas proteínas formam "grumos insolúveis como pequenas pedras" capazes de ativar astrócitos e microglia, células que coordenam resposta imune do cérebro e, quando entram em modo reativo criam ambiente inflamatório que contribui à progressão da doença. O pesquisador avalia que já havia evidências desse processo em animais e em análises pós-morte, mas é a primeira vez que a comunicação entre essas células é observada em pacientes vivos, possível, graças a exames de imagem de última geração e biomarcadores sensíveis.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Tokenização

O Projeto de Lei 4438/2025 buscando definir regras para tokens poderá revolucionar o mercado imobiliário do Brasil, no entanto, especialistas alertam sobre limites jurídicos da tecnologia em que tokenização imobiliária surge como inovação capaz de transformar o mercado imobiliário, baseada em blockchain, permite converter imóveis em tokens digitais negociáveis em plataformas seguras, ampliando investimento em frações, maior liquidez e transparência nas transações. O tema ganha força com a tramitação do Projeto que propõe estabelecer regime jurídico aos chamados tokens imobiliários criando parâmetros para emissão, negociação e custódia de ativos digitais vinculados a imóveis abrindo caminho à integração entre plataformas blockchain e SNRI, Sistema Nacional de Registro de Imóveis. Apontam que a discussão implica segurança jurídica dos registros e escrituração pública dos bens, pilares que sustentam confiança nas transações imobiliárias e, conforme Andrey Guimarães Duarte, especialista em direito imobiliário e registral, compreender limites atuais da tecnologia frente à legislação vigente é fundamental, esclarecendo que, “o registro de imóvel é indispensável ao direito de propriedade, sendo que os efeitos jurídicos de suportes como blockchain não geram efeitos de direito real oponível contra todos, mas, efeitos obrigacionais, válidos apenas entre partes do negócio”. A prática é que a empresa responsável pela gestão blockchain figure no cartório como proprietária do imóvel, enquanto o token é negociado contratualmente com outra pessoa, esclarecendo que, “a empresa atua como custodiante e se obriga seguir determinações do titular do token, inclusive transferindo titularidade em caso de negociação, o token, por sua vez, gera direitos e obrigações contratuais entre partes”. Por fim, esclarece que o projeto pode representar avanço abrindo debate sobre regulamentação específica do tema, no entanto, há caminho a percorrer considerando que a discussão envolve papel dos cartórios na era digital, integração entre registros imobiliários e plataformas blockchain, riscos de insegurança jurídica e possibilidade de convergência com soluções consolidadas como o e-Notariado, destacando impacto que o Drex, o real digital, poderá ter na liquidação de operações tokenizadas.

Vale registrar que a proposta de utilização de soluções DeFi no combate a pobreza global, com o DeFi Education Fund, organização de defesa focada em DeFi, finanças descentralizadas, estima que DeFi, tecnologia DeFi poderia potencialmente economizar até US$ 30 bilhões/ano às pessoas reduzindo custos de remessas e propondo uso da tecnologia para reduzir custos visando combater pobreza nos EUA e globalmente. O grupo afirmou que a infraestrutura DeFi economizaria às pessoas sem conta bancária ou com acesso limitado a serviços bancários, reduzindo custos de remessas, cita exemplos de trabalhadores que enviam dinheiro para casa e pagam taxas que poderiam ser reduzidas "em até 80%" com o DeFi. Avalia que, “o prêmio da pobreza e despesas incorridas por famílias de baixa renda que os mais ricos acessam a custo menor persiste porque a infraestrutura financeira atual, estratificada e desatualizada, inflaciona lucrativamente o custo de atendimento a clientes de baixa renda”, acrescentando que, "nada é de graça, e o DeFi não elimina custos, mas, remover intermediários e utilizar software em vez de sistemas financeiros antiquados pode reduzir o custo dos serviços financeiros às pessoas comuns e dar-lhes maior controle sobre suas finanças”. Propõe uso de aplicações blockchain para abordar fatores que contribuem à pobreza como redução do tempo de transação, eliminação ou redução de taxas e aumento do acesso a serviços financeiros, citando aumento dos custos nos EUA associados ao saque de cheques sem conta bancária, uso de ordens de pagamento e à aquisição de imóveis, afirma que, “embora 3% dos norte americanos estejam atualmente familiarizados com o DeFi, há abertura à proposta central”. Adultos norte americanos consideram recursos DeFi atraentes com 56% valorizando ter controle pessoal sobre seu dinheiro o tempo todo, 54% desejam controle pessoal completo sobre segurança dos dados pessoais e financeiros e 53% querem ver histórico financeiro completo todo o tempo, considerando que nos EUA legisladores estão próximos de analisar projeto de lei sobre estrutura de mercado de ativos digitais. Para concluir, o projeto de lei sobre estrutura de mercado no Congresso dos EUA, já atrasado por paralisação do governo, avança, com o presidente da Comissão Bancária do Senado dizendo esperar que seja aprovado até início de 2026.

Moral da Nota: outra nota relevante são tesourarias de criptomoedas e blockchain abrirem caminho à ciência descentralizada via alternativas para financiar pesquisas científicas e médicas em fase inicial, com empresas biomédicas e científicas buscando estratégias de tesouraria blockchain e cripto para financiar pesquisas, reformulando estruturas de formação de capital e financiamento de pesquisas. A Portage Biotech, empresa de tecnologia biomédica, obteve receita operacional com staking para proteger a rede e investindo em projetos no ecossistema Telegram incluindo jogos e miniaplicativos destinando parte da receita gerada pelas operações comerciais e valorização do TON para financiar pesquisas sobre câncer. Brittany Kaiser, CEO da AlphaTON, afirma que a empresa explora tokenização de ativos do mundo real, RWA, como mecanismo de financiamento à descentralizar desenvolvimento científico e eliminar barreiras financeiras e de acesso à financiamento da pesquisa inerentes a sistema tradicional, esclarecendo que, “investiga   estudos de caso o que funciona e não funciona, de tokenização da propriedade intelectual a tokenização do capital da empresa proprietária da pesquisa ou dos lucros futuros da pesquisa”. Os consultores estratégicos da AlphaTON, Kaiser e Anthony Scaramucci,dizem que a pesquisa biomédica como vertical operacional distingue empresa de tesourarias de ativos digitais que carecem de negócios operacionais, concluindo que, “a maioria das empresas de tesouraria cripto assumem estrutura e removem aspectos essenciais do negócio original, caso novo porque existem ativos valiosos na estrutura”. Por fim, a startup de ciência descentralizada, Ideosphere, explora financiamento de pesquisas científicas em estágio inicial via mercados de previsão com plataformas de mercado de previsão atuando como mecanismos de inteligência coletiva e votação, considerando que a Bio Protocol, plataforma científica descentralizada que combina IA, blockchain e participação da comunidade à pesquisa de descoberta de medicamentos, garantiu US$ 6,9 milhões em financiamento da empresa Web3 Animoca Brands e fundo Maelstrom, com Arthur Hayes, fundador da Maelstrom afirmando que a plataforma tem potencial de tornar-se “mercado de pesquisa nativo IA” completo e capaz de mudar o modo como a pesquisa científica é conduzida.