sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Maio Chinês

O Diário do Povo informa que observando 144 estações de monitoramento houve quebra recordes históricos em precipitações extremas que provocaram inundações repentinas em muitas províncias do sul da China, incluindo Hubei, Hunan, Guizhou e Guangdong, com vítimas. No nordeste do país, houve rara tempestade de areia de 13 a 31 de maio com temperaturas de 35 °C colidindo com o ar frio e rajadas que trouxeram areia da Mongólia Interior e da província vizinha de Jilin, criando ocorrência incomum,com Wu Yan, meteorologista, dizendo que “clima convectivo severo” é fenômeno localizado e ligado a trovões, ventos fortes e mudanças repentinas de temperatura não incomum na  primavera, no entanto, os eventos deste ano foram muito mais intensos. Na província de Hunan, centro-sul, chuvas entre 17 a 19 de maio mataram 7 pessoas e afetaram quase 120 mil no condado de Shimen, destruindo 29 casas, currais e campos de chá, além das chuvas, maio veio com temperaturas recordes sendo que a média nacional foi de 16,9 °C, ou, 0,6 °C a mais que em anos anteriores e, segundo a CMA, de 28 de maio a 1º de junho, as temperaturas nas províncias do sul superaram 35ºC conforme a CCTV e, nas províncias de Liaoning e Heilongjiang, nordeste, 10 estações meteorológicas nacionais quebraram recordes de temperatura máxima à maio. Outro recorde quebrado foi a carga de energia da China Southern Power Grid, que atende 5 províncias do sul, atingindo novo máximo de 259 gigawatts em 25 de maio, pico, quase um mês antes dos anos anteriores devido aumento na procura de ar condicionado com o verão mais cedo que o normal no sul da China. 

Anjal Prakash, professor de Políticas Públicas na Universidade FLAME em Pu e colaborador dos relatórios do IPCC, avalia que a Índia enfrenta impacto climático onde o calor evidencia geleiras em extinção, predominando 5 realidades climáticas com as quais o país lida neste momento e o que a natureza pode fazer em relação a cada uma delas. Em 2026, o PNUMA escolheu Baku, Azerbaijão, como sede global e o tema "Inspirado pela natureza", ao clima e ao futuro", com peso particular a país como a Índia, porque não observa mudanças climáticas à distância, vive em seu interior com geleiras do Himalaia recuando mais rápido que os glaciologistas previram, vilas de pescadores costeiras em Tamil Nador literalmente encolhendo no mar, emergência climática indiana, não é aviso futuro e, sim, emergência no tempo presente. O tema do WED 2026 foca em soluções baseadas na natureza e a hashtag NowForClimate, não poderia ser mais adequada, ou, urgente, ao subcontinente ao focar maio de 2026, com o Rajastão registrando temperaturas próximas a 50°C, Nova Delhi 46°C enquanto o Departamento Meteorológico indiano confirma que 2026 estava prestes a se tornar um dos anos mais quentes já registrados no país desde que a coleta de dados começou em 1901. Mortes pelo calor são subnotificadas no país com a contagem regressiva da Lancet sobre saúde e alterações climáticas estimando que a Índia perdeu 167 bilhões de horas de trabalho potenciais devido exposição ao calor, só em 2021, número que piorou desde então, sendo que o calor urbano extremo é,em grande parte, decorrente a retirada da cobertura de árvores para construir viadutos em Bengaluru, por exemplo, foram  pavimentados lagos, em Nova Delhi, planícies aluviais do Yamuna foram secadas e, na Caxemira, florestas destruídas.

Moral da Nota: florestas urbanas, corredores verdes e bolsões de verde não são adornos estéticos, são infraestrutura de resfriamento, com pesquisa do World Resources Institute mostrando que estradas ladeadas por árvores permanecem 4 ºC a 8°C mais frias que as ruas de concreto, considerando que o efeito ilha de calor urbano que as cidades enfrentam é consequência da perda de biodiversidade e utilização indevida da terra e, a cura, começa plantando árvores onde necessárias e onde não são necessárias. A Índia tem 18% da população mundial e 4% dos recursos globais de água doce sendo sombrio o quadro das águas subterrâneas, com o Conselho Central de Águas Subterrâneas, CGWB, no relatório de 2022 dizendo que mais de mil unidades de avaliação estão "sobreexploradas" onde a extração de águas subterrâneas excede a recarga anual, no entanto, a Crise hídrica indiana se liga à destruição dos ecossistemas em que zonas húmidas são esponjas naturais, recarregam aquíferos, filtram água e moderam inundações. Por fim, relatório WWF, Living Planet Index de 2024 do Fundo Mundial à Natureza, informa que, entre 1970 e 2014, a Índia perdeu 30% da área úmida, o Parque Nacional Keoladeo, Rajastão, alimentado por inundações sazonais, quase morreu quando desvios cortaram seu abastecimento de água, daí, restaurar zonas húmidas, revitalizar poços tradicionais e reabilitar planícies aluviais fluviais se faz urgente. Para concluir, o Himalaia possui a maior concentração de geleiras fora das calotas polares com mais de 54 mil geleiras alimentando rios que sustentam 240 milhões de pessoas no sul da Ásia, com estudo de 2021 publicado na Nature descobrindo que as geleiras do Himalaia derreteram 65% mais rápido na década de 2010 comparado a década anterior,traduzindo pais em contradição, ou,inundações por explosão de lagos glaciais, ou, GLOFs, ou, demasiada água a curto prazo e muito pouca água a longo prazo à medida que os glaciares diminuem.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Plásticos e clima

Microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem contribuir às mudanças climáticas através da absorção de calor, interações com nuvens e aquecimento atmosférico, sendo que a poluição plástica não é mais apenas problema oceânico ou de aterro sanitário. Cientistas encontram evidências que microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem influenciar o clima, via partículas plásticas flutuando na atmosfera que absorvem luz, interagem com nuvens e contribuem ao aquecimento atmosférico, área de investigação emergente que está mudando como especialistas compreendem poluição e aquecimento global, considerando microplásticos como fragmentos plásticos menores que 5 mm enquanto nanoplásticos são partículas microscópicas medidas em nanômetros, ou, partículas que se formam quando plásticos maiores se degradam devido à luz solar, fricção ou calor. Estudo publicado na Nature Climate Change avalia como pesquisadores descobriram que partículas de plástico em suspensão no ar podem reter mais calor que se imaginava e, combinados com outros estudos sobre aerossóis e química atmosférica as descobertas sugerem que aquecimento atmosférico causado por microplásticos pode se tornar problema climático no futuro, identificando fontes de microplásticos em suspensão no ar por desgaste dos pneus dos veículos, fibras sintéticas à vestuário, emissões industriais, poeira de construção e degradação de resíduos plásticos. Ao contrário dos resíduos plásticos maiores, as partículas em suspensão no ar viajam longas distâncias através de correntes de vento, com pesquisadores detectando plásticos em suspensão na neve das montanhas, água da chuva, florestas remotas e regiões polares, sendo que nanoplásticos recebem cada vez mais atenção porque seu tamanho pequeno permite que ficam suspensos na atmosfera por períodos mais longos. Estudam científicos mostram que nanoplásticos e mudanças climáticas podem comportar de modo similar a aerossóis, influenciando a química atmosférica e transferência de calor e, conforme pesquisa publicada Science Advances, o transporte atmosférico pode desempenhar papel importante na distribuição de microplásticos pelos continentes e oceanos, com destaque de como ventos levam  partículas plásticas à ecossistemas remotos, distantes de fontes de poluição urbana. Por fim, a descoberta importante de estudos climáticos recentes leva a partículas de plástico em suspensão no ar podendo absorver e dispersar radiação solar, sendo que  alguns plásticos agem de modo similar aos aerossóis que contribuem ao clima retendo calor na atmosfera.

Outro estudo publicado na Nature Climate Change em 2026 descobriu que microplásticos coloridos absorvem luz solar com mais eficiência que plásticos transparentes e, partículas mais escuras, incluindo plásticos pretos, vermelhos, azuis e amarelos, apresentaram absorção de calor particularmente forte, através de processo conhecido como forçamento radiativo direto que ocorre quando partículas alteram equilíbrio entre luz solar incidente e energia térmica emitida, sendo conhecido que fuligem e carbono negro contribuem ao aquecimento global através desse mecanismo, sendo que plásticos em suspensão podem pertencer à mesma categoria de partículas relevantes ao clima. Fatores diversos influenciam quanto os plásticos em suspensão no ar aquecem o ambiente, daí, cor das partículas, tipo de polímero, textura, concentração na atmosférica, desgaste e envelhecimento, sendo que plásticos mais antigos absorvem mais radiação decorrente desgaste que altera propriedades superficiais, enquanto partículas mais ásperas dispersam e retêm luz solar de modo diferente dos plásticos recém-fabricados, com cientistas descobrindo que aquecimento atmosférico por microplásticos pode ser intenso em ambientes urbanos, poluídos, em que concentrações de partículas em suspensão no ar são maiores. A relação entre nanoplásticos e clima  vai além da absorção de calor, podendo influenciar múltiplos processos atmosféricos, devido o tamanho reduzido,  nanoplásticos possuem relação superfície/volume alta que permite interação mais eficiente com vapor d'água, poluentes e luz solar, daí,  desenvolvimento de pesquisas envolvendo nanoplásticos em como afetam formação de nuvens, padrões de precipitação, brilho das nuvens, circulação do ar e aquecimento atmosférico. Por fim, pesquisadores argumentam que o controle de microplásticos em suspensão no ar pode eventualmente se tornar parte de estratégias de mitigação das mudanças climáticas, com negociações internacionais de tratados globais sobre plásticos considerando cada vez mais a conexão entre plásticos e sistemas climáticos, ao passo que, pesquisa sobre o aquecimento atmosférico causado por microplásticos é recente, mas as descobertas continuam mostrar que a poluição plástica vai além dos oceanos e aterros sanitários em que microplásticos e nanoplásticos no ar surgem como contribuintes ao aquecimento atmosférico, alterações nas nuvens e processos climáticos globais e, à medida que cientistas reúnem fatos,  essas partículas podem se tornar foco tanto na ciência climática quanto em políticas ambientais.

Moral da Nota: a dra Priyata Dutta, médica, esclarece que partículas microscópicas de plástico deixam de ser apenas problema ambiental e, cada vez mais, microplásticos e nanoplásticos denominados MNPs em conjunto são detectados no ambiente e em tecidos humanos, especialmente gastroenterologistas, importando porque a ingestão é uma das  vias de exposição e evidências sugerem que as partículas podem influenciar a função intestinal e ter efeitos sistêmicos. Daí, conceituar microplásticos nos remete à partículas de plástico com dimensões de 1 µm a 5 mm, embora definições estendam o limite inferior à 0,1 µm, enquanto nanoplásticos são descritos como partículas com tamanho inferior a 1 µm, ou 1000 nm, com algumas definições analíticas abrangendo a faixa de 1 nm a 1000 nm, em conjunto, as partículas podem interagir com sistemas biológicos de 2 modos, ou, através de efeitos físicos e via contaminantes químicos que podem transportar, ou, liberar. A principal via de exposição humana é ingestão por meio de alimentos e bebidas contaminados, enquanto as embalagens plásticas continuam sendo fonte persistente de contaminação e a inalação contribui pela exposição dérmica em menor escala, com estudo no Reino Unido estimando que uma única instalação poderia liberar dezenas a mais de mil toneladas de microplásticos/ano, embora sistemas de filtragem possam remover partículas maiores que 5 µm enquanto partículas menores ainda podem passar pelas tecnologias atuais. Evidências recentes sugerem que podem romper barreiras do sangue que ajudam preservar o equilíbrio dos órgãos, translocar-se à locais distantes e desencadear respostas inflamatórias e imunológicas locais, embora relações causais definitivas em humanos ainda sejam limitadas, dados preliminares associaram partículas a distúrbios gastrointestinais, respiratórios e neurológicos através de vias que envolvem desregulação imunológica e inflamação sistêmica no trato gastrointestinal, as MNPs podem contribuir à disbiose, comprometimento da função de barreira sanguínea e ativação de vias inflamatórias, efeitos que podem, por sua vez, ter consequências mais amplas inclusive através do eixo intestino-cérebro. Apesar do crescente interesse, ainda persiste incerteza, com as principais lacunas de conhecimento incluindo métodos padronizados à detecção e caracterização de MNPs em tecidos biológicos, dados epidemiológicos de longo prazo que relacionam exposição aos resultados clínicos, perfis toxicocinéticos que descrevem absorção, translocação, acumulação e excreção em humanos, sendo necessário colaboração entre áreas da toxicologia, ciências ambientais, química analítica, microbiologia e medicina clínica.