sábado, 7 de março de 2026

Abaporu

Referindo-se à obra modernista de Tarsila do Amaral, reinterpretado como o “devorador de dados”, a Unicamp inaugura supercomputador IA para pesquisas de petróleo no pré-sal financiado pela Shell, reunindo 28 placas gráficas NVIDIA H200 e L40s, as mais rápidas do mercado para aplicações IA, investimento inicial em torno de US$ 1 milhão, usado para acelerar pesquisas voltadas ao pré-sal brasileiro. O anúncio da Universidade do cluster do laboratório IA do Instituto de Computação,IC, da inauguração do supercomputador à projetos de pesquisa combina IA e engenharia de petróleo otimizando decisões em campos do pré-sal adquirido com recursos da Shell advindos da cláusula de PD&I da ANP, no Centro de Estudos de Energia e Petróleo. Instalado no data center do Instituto de Computação atenderá projetos desenvolvidos em parceria com a Shell, podendo também ser utilizado em pesquisas do Recod.ai e Instituto de Computação quando disponível, com o coordenador do Recod.ai e líder do projeto, professor Anderson Rocha avaliando que “o Abaporu deve ser hoje o maior cluster IA da Unicamp e um dos mais robustos dedicados à pesquisa universitária no país”. O diretor-geral de Tecnologia da Shell, Olivier Wambersie, avalia como objetivos da área P&D da Shell acelerar utilização de tecnologia de ponta em projetos que ampliam capacidade de impulsionar digitalização, aplicar IA a desafios da indústria de energia integrando ciência, dados e inovação com impacto nos negócios. O Recod.ai e a Shell Brasil mantêm colaboração voltada ao uso IA e aprendizado de máquina em desafios da indústria de energia e, na fase atual, avança em pesquisa que se estenderá até 2028 dedicado ao desenvolvimento de modelos de linguagem generativa aplicados à simulação e gerenciamento de reservatórios de petróleo. Os modelos, segundo a universidade, permitem engenheiros e geocientistas interagirem com simulação via linguagem natural transformando comandos técnicos em instruções conversacionais buscando  criar interface em que operador conversa com o reservatório e, simuladores de petróleo e, segundo o coordenador, “à realizar simulação de produção necessita dominar parâmetros e escrever scripts extensos”, com IA generativa, a interação torna-se mais intuitiva e rápida trata-se de conceito de inteligência aumentada que diminui fricção entre operador  e problema que se quer solucionar. Na prática, significa que o profissional solicitará algo como “simule os próximos 12 anos de produção do campo X considerando os poços Y e Z e variação de injeção de água” e o sistema traduzirá esse pedido aos formatos técnicos necessários acionando simuladores clássicos de reservatórios, em caso de falta de dados, a IA questionará o usuário “qual regime deve ser adotado?” por exemplo, tornando o processo interativo, dinâmico e guiado por diálogo. Por fim, a Unicamp destaca que, além da interface conversacional, algoritmos têm potencial para integrar e analisar dados sísmicos, geológicos e de produção em larga escala, identificando padrões complexos e anomalias que escapam à observação humana, cujo objetivo é apoiar tomada de decisão em tempo quase real, na otimização de estratégias de injeção e extração e previsão de desempenho de poços, aplicação direta ao contexto dos campos do pré-sal brasileiro.

A Teoria do Caos, ciência descoberta pelo meteorologista norte-americano Edward Lorenz em 1961, quando trabalhava em modelo matemático que pudesse fazer previsão do tempo e, durante os cálculos, notou que arredondar casas decimais, aparentemente insignificantes, ao longo do tempo, ocasionariam alterações gigantes no cálculo final. Em consequência, traduzindo à vida real, acontecimentos inexplicáveis no cotidiano e a inspiração à criação do Mundo Invertido de coisas estranhas podem ser influenciados pela teoria do caos, aplicado à vida real como decisão sutil, ou, pensamento recorrente, ou, detalhe ignorado, poderia desencadear transformações na vida, negócios e modo como percebemos a realidade. Em torno destas ideias teóricas giram a Teoria do Caos, conhecida quando Lorenz em uma apresentação resumiu seus impactos com a frase que “com a teoria do caos, um bater de asas no Brasil poderia ocasionar um tornado no Texas”, daí, o caos tornou-se fonte à roteiristas incitarem questões ou o que seria desencadeado por atitude isolada. Na tese do chamado Mundo Invertido, ou, realidade paralela, sombria e caótica urbana,   aberta de modo acidental, pairam atitudes que desencadeiam situações caóticas impactando o mundo real, como no 'Efeito Borboleta' protagonizado por Ashton Kutcher, o estudante universitário que enfrenta dores de cabeça que provocam desmaios e, inconsciente, pode viajar no tempo à momentos de dificuldades na infância, seus e dos amigos e, ao retornar à realidade, mudanças que fez no passado começam alterar o presente criando pesadelo de realidades alternativas. Daí, considerado sucesso de ficção-científica, a Teoria do Caos aparece na criação da realidade paralela ao explorar padrões que regem o aparente caos, como a questão em que abre possibilidade à tramas na vida real que podem significar oportunidades, tese, que abre perspectivas à interpretar fenômenos naturais como furacões, ecossistemas, padrões climáticos e prever decisões em grupo, flutuações econômicas ou surgimento de ideias em empresas, quer dizer, o que eram situações isoladas fora de controle e geravam instabilidade, com o estudo do tema vira previsibilidade e possibilidade de antecipar passos na vida pessoal e profissional, concluindo, o caos ao invés da busca pelo controle nos leva à consciência que a instabilidade é espaço à criação e inovação.

Moral da Nota: são comuns entre médicos e, aumentaram nos 2 primeiros anos da pandemia, consultas sobre saúde mental e uso de substâncias, SMSU, conforme carta de pesquisa publicada online nos Anais de Medicina Interna, com Maya A. Gibb, MPH, do Instituto de Pesquisa do Hospital de Ottawa, Ontário, Canadá, e colegas, examinando padrões temporais de consultas médicas relacionadas a saúde mental e uso de substâncias, SMUS, entre 29.662 médicos, calculou proporção anual padronizada por idade e sexo de médicos com uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS entre 1º de julho de 2003 e 30 de junho de 2022. observam que 11% dos médicos tiveram uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS, proporção padronizada de médicos com consultas relacionadas a SMUS/ano estável no período pré-pandemia, 12,5% em 2003-2004 à 12,1% em 2018-2019, na pandemia houve aumento na proporção padronizada de médicos que receberam atendimento em saúde mental e uso de substâncias, MHSU, com aumentos observados nos 2 primeiros anos comparados com o 3º ano. Em suma, o atendimento em saúde mental e uso de substâncias variava por especialidade antes da pandemia, com 28,0%, 14,2% e 9,7% dos psiquiatras, médicos de família e médicos das outras especialidades, respectivamente, recebendo atendimento em saúde mental e uso de substâncias entre 2018 e 2019, sendo que o atendimento em saúde mental aumentou entre médicos das especialidades na pandemia, exceto à psiquiatria, que permaneceu estável, com autores escrevendo que, "preocupações atuais com crise na saúde mental de médicos podem não refletir nova crise, destacando padrão longa data de problemas de saúde mental entre médicos exacerbado na pandemia".

Detalhe: o Departamento de Saúde do Estado de Washington detectou o vírus da influenza aviária identificando exposição às aves domésticas, ao seu entorno ou às aves silvestres como fonte mais provável de infecção, com o Laboratório de Virologia Clínica da UW Medicine identificando o vírus como H5N5 e confirmado pelos CDC, Centros de Controle e Prevenção de Doenças. O paciente, idoso com problemas de saúde preexistentes, estava internado no Condado de King desde o início de novembro, pós desenvolver febre alta, confusão e dificuldades respiratórias e, mantenedor nos fundos da residência, de aves domésticas mistas expostas a aves silvestres, tratando-se da 1ª infecção humana registrada no mundo com essa variante e a 2ª morte por gripe aviária nos EUA desde o início do atual surto. O CDC informa que o risco ao público em geral permanece baixo e  nenhuma outra pessoa envolvida testou positivo à gripe aviária, com "autoridades de saúde monitorando pessoas em contato com o paciente em busca de sintomas garantindo que não houve transmissão pessoa à pessoa", acrescentando que não há evidências de transmissão do vírus entre humanos.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Emergência em Saúde

O conceito de poluição do ar como emergência de saúde pública busca envolver países mais ou menos afetados pela questão, como a Índia, que se mobiliza para lidar com crises de saúde, de ondas de calor resultando em alertas do governo e centros de resfriamento urbano de emergência a doenças como dengue transmitidas por vetores, desencadeando campanhas públicas, vigilância em campo e maior preparação hospitalar. No seminário no AIIMS sobre o combate à poluição do ar, o chefe de pneumologia e distúrbios do sono do AIIMS afirma que “não se trata apenas de problemas respiratórios, outros órgãos são afetados e estamos vendo mais casos com risco de vida, consultas ambulatoriais e internações de emergência e pacientes necessitando de suporte ventilatório que deveria ser tratado como emergência de saúde pública”, valendo observar que o impacto da poluição na saúde pública, na sociedade e economia, não é tratada como emergência médica e a resposta permanece limitada a soluções paliativas e reativas. Relatório do Estudo da Carga Global de Doenças e relatórios da OMS, Organização Mundial da Saúde, mostram que a Índia tem maior incidência no mundo de problemas de saúde relacionados à poluição e, milhões morrem prematuramente a cada ano devido poluição do ar, por doenças do sistema respiratório e cardiovascular, como asma, DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ataques cardíacos e derrames, enquanto  jovens, respirar ar poluído prejudica desenvolvimento pulmonar, afetando capacidade cognitiva, desencadeia diabetes e aumenta ao longo da vida risco de problemas de saúde física e mental. Mulheres grávidas correm risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer quando expostas a altos níveis de poluição, problemas de saúde com implicações duradouras pois levam a ciclo de pobreza e questões sociais com aumento dos custos médicos e perda de renda dos familiares. Relatório publicado na The Lancet constata que a poluição do ar oriunda apenas das emissões de combustíveis fósseis causou 1,72 milhão de mortes na Índia em 2022 e, apesar das evidências, o país continua lidar com poluição do ar de modo reativo, problema por problema, em vez de ações proativas e sustentadas. A poluição do ar ainda é tratada como problema ambiental ou de planejamento urbano e não como emergência de saúde pública normalizando crise recorrente, já que, a cada inverno respondem à poluição com soluções paliativas como canhões de fumaça, recomendações à ficar em casa e distribuição de máscaras, medidas que pouco fazem além de oferecer alívio momentâneo, enquanto o aumento de casos de doenças respiratórias é descartado como "sazonal" em vez de claro alerta à crise de saúde pública cada vez mais grave.

Anjal Prakash, Professor Associado Clínico no Instituto Bharti de Políticas Públicas da Indian School of Business contribuindo aos relatórios do IPCC, avalia que 2025 foi o ano mais quente em 125 anos com alertas de onda de calor emitidos em partes do território indiano, sendo que na última década, governos de cidades e estados implementaram Planos de Ação contra o calor à lidar com a ameaça, com o 1º em 2013, com o relatório publicado pela Sustainable Futures Collaborative, SFC, organização de pesquisa focada em mudanças climáticas, energia e meio ambiente, constatando que cidades indianas mais vulneráveis ​​ao calor extremo não estão preparadas ao agravamento das ondas de calor, dependendo de medidas emergenciais em vez de planejamento de resiliência a longo prazo. Avaliou 9 cidades indianas com alto risco de vítimas ao calor no futuro, ou, Bengaluru, Nova Delhi, Faridabad, Gwalior, Kota, Ludhiana, Meerut, Mumbai e Surat, que representam 11% da população urbana, entrevistando 88 autoridades municipais, distritais e estaduais responsáveis ​​pela implementação de medidas de combate ao calor, com o conceito que os efeitos da poluição na saúde são naturalizados como inevitáveis ​​ou algo que só pode ser combatido de forma limitada. Além disso, debates sobre controle de emissões são restritos ao âmbito político com líderes empresariais e industriais priorizando desenvolvimento econômico e membros da comunidade aceitando a má qualidade do ar como parte do cotidiano, enquanto meios de comunicação noticiam incidentes de poluição e raramente apresentam como emergências que exige resposta imediata com escala e alcance que o desastre justifica. Tais ressalvas se originam em variedade de causas incluindo o fato de muitos poluentes serem invisíveis e imperceptíveis, cujos efeitos nocivos da exposição prolongada à poluição crônica serem insidiosos e prioridades conflitantes prevalecendo sobre a saúde ambiental e pública, daí, ser aceitável politicamente urbanizar e aceitar poluição do ar como subproduto que mudar mentalidades e práticas estabelecidas de desenvolvimento industrial e de infraestrutura. Daí, informar o sistema de saúde, alertar populações vulneráveis ​​e emitir diretrizes à implementação de medidas de controle da poluição, estabelece linha de responsabilidade do governo central às autoridades urbanas locais, como o caso de Pequim conhecida por ter um dos piores índices do mundo de poluição urbana conseguir melhorar a qualidade do ar em uma década, por meio da combinação de vontade política, fiscalização rigorosa e investimentos em infraestrutura mais limpa, como o caso de Paris em que  a poluição foi declarada crise de saúde resultando em proibições de veículos, redução do tráfego e promoção do transporte público e ciclismo, exemplos que mostram que cidades densamente povoadas  podem reverter crises de qualidade do ar quando a poluição é tratada como prioridade de saúde pública em vez de custo inevitável do desenvolvimento. Por fim, o relatório avalia que soluções rápidas de curto prazo como o acesso à água potável e expansão da capacidade hospitalar, apresentaram melhorias em que estratégias de longo prazo como melhorias na infraestrutura e reformas no planejamento urbano, continuam insuficientes, além de Planos de Ação contra o calor carecendo de robustez e financiamento com lacunas institucionais na implementação, alerta que o foco continua sendo gerenciamento de doenças relacionadas ao calor em vez de prevenção com acesso limitado a dados sobre o verdadeiro impacto do calor extremo nas cidades que dificulta o planejamento eficaz e, conclui que, embora o número de ações de curto, longo prazo incidentais e longo prazo intencionais tomadas varie entre diferentes cidades, há um padrão claro, ou, a maioria das cidades prioriza medidas de curto prazo.

Moral da Nota: estudo avalia que em Nova Jersey se acelera a elevação do nível do mar aumentando risco de inundações costeiras, prevendo aumento dos níveis da água e temperatura evitando recomendações políticas. O Centro de Recursos de Mudanças Climáticas de Nova Jersey na Universidade Rutgers disse que provavelmente verá elevação do nível do mar entre 2,2 e 3,8 pés até 2100 se prevalecer o nível atual de emissões globais de carbono, enquanto os mares podem subir até 4,5 pés se o derretimento da camada de gelo acelerar. O Painel Consultivo Científico e Técnico do centro, cientistas da Rutgers e de outras instituições que publicam relatórios desde 2016 afirmam que mudanças climáticas causadas pelo homem estão acelerando elevação do nível do mar em Nova Jersey e que os riscos de inundação “aumentam rapidamente” ao longo da costa do estado, comunidades próximas a rios de maré, pântanos e áreas úmidas. Encomendado pelo Departamento de Proteção Ambiental contou com participação de 144 cientistas, busca identificar, avaliar e resumir evidências sobre elevação do nível do mar e mudanças nas tempestades costeiras. Nova Jersey devastada quando o furacão Sandy atingiu o litoral em 2012 destruindo prédios, inundando cidades e forçando pessoas deixarem suas casas por anos com a tempestade tornando-se marco à vulnerabilidade na elevação do nível do mar, com o governador reconhecendo a ameaça embora tenha cedido à pressão de construtoras  para revogar regulamentações criadas à dificultar construção em áreas vulneráveis. O relatório inclui previsões sobre extensão da elevação do nível do mar em Atlantic City mas as previsões dependem do aumento das emissões globais, sendo que o último relatório do Painel Consultivo Científico e Técnico, de 2019, previu que emissões intermediárias  levariam a elevação do nível do mar de 60 cm até 2100,ou, 6 cm a menos que o novo relatório, além de atualizações incluindo novos cenários de emissões, previsões detalhadas de taxas de elevação do nível do mar, frequência de inundações em várias localidades e resumo dos impactos da elevação do nível do mar e tempestades costeiras. Avalia que até 2050 a cidade provavelmente terá entre 29 e 148 dias com inundações por ano, número que pode chegar a 178 se o derretimento das calotas polares se acelerar e, até o final do século, é “extremamente provável” que o número de dias com inundações costeiras ultrapasse 131/ano. Por fim, o relatório soa alarme de "inundações compostas" em que a elevação do nível do mar se combina com tempestades, chuvas intensas e rios transbordando, agravando inundações e, com a elevação do nível do mar, o aumento da frequência de inundações costeiras e a erosão se intensificam cujos esforços em combatê-la, que até agora obtiveram sucesso em alguns locais, podem ser sobrecarregados, alertam que os pântanos que protegem o litoral e a vida selvagem, podem ter chegado a ponto em que não conseguem mais acumular sedimentos para se protegerem da elevação do nível do mar.