sábado, 18 de julho de 2026

Performance

O Índice de Desempenho Ambiental, EPI, 2026, Environmental Performance Index, é avaliação bienal produzida pelo Centro de Direito e Política Ambiental de Yale e Centro de Informações Integradas do Sistema Terrestre, CIESIN, da Escola Climática de Columbia, mostra que mais da metade dos indicadores EPI usam ferramentas habilitadas por IA incluindo análise de dados de satélite para rastrear condições ambientais difíceis de medir. A nova avaliação conclui que poucos países estão no caminho correto para atingir a meta global de emissões líquidas zero de gases efeito estufa até 2050, o progresso desacelerou em desafios de controle da poluição e gestão de recursos naturais, além do fato que países europeus continuam liderando o desempenho ambiental global, com Estônia em 1º lugar, 2026, os EUA ocupam o 27o lugar geral com bom desempenho em saúde ambiental, atrasados em biodiversidade e métricas climáticas, sendo que o índice 2026 avaliou 177 países com 47 indicadores em 12 categorias de questões que abrangem saúde ambiental, vitalidade do ecossistema e mudanças climáticas. O relatório mostrou como avanços na IA dá aos pesquisadores imagem mais clara das mudanças ambientais no mundo sendo as pontuações em 2026 são correlacionadas com a riqueza nacional, dentro de qualquer nível de renda, com alguns países superando seus pares enquanto outros mostram desempenho inferior. O quadro de 2026 organiza 47 indicadores em 12 categorias de questões em 3 objetivos políticos, dependentes de ferramentas habilitadas por IA, incluindo técnicas que analisam dados de satélite para fornecer novas informações sobre ecossistemas e  condições ambientais que antes eram difíceis de medir, com peso de cada objetivo  mostrado como porcentagem e, apesar do forte desempenho global, os europeus com melhor classificação enfrentam desafios significativos de sustentabilidade agrícola ponto fraco à muitos deles pesando na classificação. Vale dizer que, entre os conjuntos de dados habilitados à IA incorporados ao EPI 2026 está um novo indicador global que monitora a conservação de pastagens, tarefa que cientistas consideravam quase impossível nessa escala e, desenvolvido pelo consórcio de pesquisa Global Pasture Watch, o conjunto de dados mostra que metade das pastagens do mundo estão degradadas enquanto as restantes estão ameaçadas pela invasão humana e mudanças climáticas. O diretor do CIESIN, Alex de Sherbinin, coautor do índice, avalia que “os EUA corre o risco de ficar ainda mais para trás nos próximos anos, à medida que retrocede nos compromissos ambientais”, insiste que, “o forte desempenho europeu é parcialmente atribuível a regulamentações ambientais fortes e compromisso com descarbonização”, com Zach Wendling, principal autor de 2026, dizendo que, “se os países pretendem manter trajetória em direção às emissões líquidas zero até 2050, precisarão alcançar continuamente grandes reduções de emissões que exigem políticas adicionais no futuro”. Dan Esty, professor Hillhouse de Direito e Política Ambiental e diretor do Centro de Direito e Política Ambiental de Yale, avalia que, “IA e outras tecnologias dão compreensão cada vez mais precisa do estado do progresso ambiental mundial, mas o quadro que pintam deve nos fazer refletir” e, conclui, “mesmo países com melhor desempenho não estão conseguindo enfrentar totalmente alguns dos desafios de sustentabilidade mais críticos do planeta”. O relatório aponta Botswana e Costa Rica como exemplos de países que combinaram crescimento econômico com resultados de sustentabilidade, sugerindo que o desenvolvimento não exige custo ambiental, o Japão é o único país não europeu entre os 20 primeiros ocupando o 139º lugar em sustentabilidade agrícola, a Estônia ocupa o 1º lugar em 2026 impulsionada em parte pela redução nas emissões de gases efeito estufa oriundas da geração de energia na última década, quer dizer, eletricidade renovável aumentou reduzindo a produção de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que se classificou entre os melhores desempenhos do mundo em biodiversidade e proteção de ecossistemas. Os dados apontam à países europeus que ocupam todas as 20 primeiras posições no ranking 2026, refletindo forte desempenho em saúde ambiental e mitigação das mudanças climáticas, depois da Estônia, os 5 primeiros são, Luxemburgo, Reino Unido, Finlândia e Holanda com os norte americanos ocupando o 27º lugar geral, pelo bom desempenho em medidas de saúde ambiental com pontuações mais baixas na proteção da biodiversidade e métricas das alterações climáticas, embora as emissões de gases efeito estufa caíram 9,6% entre 2014 e 2024, com o relatório projetando que as emissões permanecerão acima do nível necessário para atingir o zero líquido até 2050. Por fim, no outro extremo do ranking, Laos e Índia estão entre os com pior desempenho e a pontuação baixa indiana reflete poluição atmosférica grave, dependência contínua de energia a carvão e proteção limitada à biodiversidade, enquanto os chineses ocupam o 129º lugar geral, refletindo fraco desempenho nas métricas de alterações climáticas, apesar de melhorias na poluição do ar, no saneamento da água e gestão de resíduos sólidos, embora tenha investido em energia limpa, veículos elétricos e tecnologias avançadas de baterias, a dependência contínua de energia a carvão é obstáculo para atingir emissões líquidas zero.

O Centro-Oeste e Nordeste dos EUA apontam à fumaça perigosa de "temporada de incêndios florestais expondo milhões de pessoas", avaliação do Los Angeles Times, esperando-se que a fumaça de grandes incêndios florestais no Canadá e Minnesota envolvem grandes áreas do Centro-Oeste e Nordeste dos EUA. No Canadá mais de 100 incêndios florestais ocorrem atualmente e os ventos levam fumaça à sudeste, quer dizer, avisos sobre ar perigoso e insalubre se estenderam de Minnesota passando por Toronto e chegando a Nova York, considerando temperaturas de verão excepcionalmente altas e esperadas. Tyler Hasenstein, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional em Chanhassen, Minnesota, disse que, “as 2 coisas coincidindo não são boas do ponto de vista de saúde”, considerando que, no extremo nordeste de Minnesota, guardas florestais alertam que o Boundary Waters Canoe Area Wilderness estava fechado porque 17 incêndios causados por raios queimavam ao redor do vasto deserto acessível principalmente por canoa, estimando que entre 6 mil e 10 mil pessoas ainda estavam na área selvagem de 1,1 milhão de acres, quase do tamanho de Delaware. Dan Westervelt, professor da Escola de Clima da Universidade de Columbia, disse que as condições severas de seca combinadas com calor no Canadá e EUA criaram “a tempestade perfeita às condições realmente secas, fornecendo combustível aos incêndios florestais”, sendo que pesquisas mostram que o aumento das temperaturas causado pela queima de carvão, petróleo e gás tornam incêndios mais frequentes e intensos, considerando que o alto nível de partículas finas no ar oriundas da fumaça dos incêndios florestais, podem prejudicar saúde de grupos sensíveis como crianças e pessoas com problemas cardíacos ou pulmonares, podendo causar falta de ar, tosse, tontura ou fadiga, agravar doenças cardíacas e pulmonares e demais problemas crônicos de saúde. Por fim, trata-se de temporada de incêndios particularmente movimentada e mortal nos EUA, com 4 dúzias de grandes incêndios ocorrendo em 15 estados e, segundo o National Interagency Fire Center, de Minnesota e Carolina do Norte ao Colorado, Utah, Idaho, Oregon e Califórnia, considerando que a seca prolongada e níveis recordes de neve acumulada criaram condições propícias ao rápido crescimento de incêndios, com 16.800 pessoas designadas à combatê-los que já  queimaram mais de 5.678 milhas quadradas, área maior que dos parques nacionais de Yellowstone e Grand Canyon juntos. Concluindo, em Minnesota, autoridades alertaram que grandes incêndios podem durar meses já que a máxima esperada era de 38º C, com Patty Thielen, diretora do Departamento de Recursos Naturais do estado, dizendo que, “pode ser que tenhamos incêndios significativos durante todo o verão até termos neve e, neve, seria coisa boa”.

Moral da Nota: o Condado de Maricopa, Arizona, um dos mais quentes e populosos do país,  viu sua 1ª queda nas fatalidades em 2024 e novamente em 2025, pós quase uma década de crescentes mortes relacionadas ao calor e, em 2026, será um teste crucial porque é o último ano de milhões de dólares em fundos federais destinados à expansão de programas de alívio do calor. Nicholas Staab, diretor médico do Condado de Maricopa, disse que a “duração e gravidade do calor extremo são previsíveis”,  concluindo, “é algo que podemos planejar e é isso que realmente incentivamos na comunidade”, com as autoridades buscando garantir fundos alternativos para manter proteções contra o calor, já que mudanças climáticas complicam a tarefa de manter o público seguro, com dados preliminares registrando 18 mortes relacionadas ao calor em 2026 e mais 215 sob investigação, números que superam as mortes relacionadas ao calor de 2025 nessa época. A cúpula de calor trouxe vários dias de clima quente na Costa Leste seguida por temperaturas mais frias, o mesmo não acontecendo com Maricopa, onde a estação de calor vai oficialmente de maio a setembro e, ao longo dos anos, implementou programas que abordam o calor extremo de diferentes ângulos, de evitar doenças causadas pelo calor a salvar pessoas prestes a morrer e, à medida que autoridades reforçavam defesas, o problema piorava, em 2023, temperaturas recordes e recorde de 645 mortes relacionadas ao calor, a resposta focou na recolha de dados sobre mortes diretas por calor, casos de insolação e mortes indiretas, como alguém que morreu de ataque cardíaco pós exposição ao calor. Por fim, vale concluir que as populações negra e indígena norte americana são desproporcionalmente afetadas pelas altas temperaturas e, em meio à crise, centros de resfriamento surgiram como divisor de águas, em parte porque têm co-localizado serviços sociais nos locais de alívio de calor, quer dizer, centros precisam permanecer abertos além do horário comercial e as autoridades trabalharem para oferecer mais locais e mantê-los abertos por mais tempo.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Grécia

Um dos pontos mais quentes do mundo em termos de crise climática é a Grécia, dito, no relatório Lancet ao alertar que mortes relacionadas ao calor podem chegar a 2 mil por verão até 2040, já que o país enfrenta aumento de temperaturas, seca e doenças, considerando que verões no sudeste europeu tornam-se mais longos e opressivos a cada ano, nas cidades, zonas costeiras, regiões rurais e florestas, com calor persistente remodelando ritmos da vida quotidiana. Modelos climáticos à região indicam tendência à temperaturas acima do normal, impulsionadas por aquecimento oceânico e mecanismos climáticos globais como o El Nino que podem amplificar a anomalia térmica mundial, daí, o aumento constante nas temperaturas anuais observado nos últimos anos, com Christos Zerefos, chefe do Centro de Pesquisa em Física Atmosférica e Climatologia da Academia de Atenas, informando que, “o Mediterrâneo é lugar onde o sol não apenas brilha, mas, molda o clima, a vida e a cultura, luz, que começou queimar de modo que não conseguimos mais controlar, desde o verão de 2023, o planeta ultrapassou limite de 1,5 ºC  acima dos níveis pré-industriais, meta do Acordo de Paris”. Enfatiza que a Grécia não é apenas espectador da mudança, mas, “um dos pontos mais expostos do planeta, um dos mais críticos onde o aquecimento atinge duramente e sempre atinge primeiro os mais vulneráveis, ou, idosos, crianças, doentes crônicos e os que não podem se dar ao luxo de refugiar em um quarto fresco”, com pesquisadores da Academia de Atenas e professores da Universidade de Economia e Negócios trabalhando no Comitê de Estudo de Impactos das Mudanças Climáticas do Banco da Grécia, ao analisar dados de mortalidade das 13 regiões do país ao longo de 23 anos, 1999-2021, descobriram que “cada aumento de 1 ºC na temperatura máxima corresponde a aumento de 2% no excesso de mortalidade por causas naturais e 1,9% por doenças cardiovasculares, quer dizer, a morte está 2 dias atrasada como se a onda de calor contabilizasse suas vítimas ao seu próprio ritmo”, disse, o também Secretário-Geral da Academia de Atenas, observando que, a região da Ática apresenta maior sensibilidade. Emitiu alerta que “se a trajetória não mudar até 2040, espera-se que cada verão custe entre 1.400 e 2 mil vidas humanas adicionais, perda estimada em 5 a 8 bilhões de euros com base no valor estatístico europeu de uma vida, quer dizer, a natureza fala em números, somos obrigados a ouvir”, valendo dizer que, são alarmantes as conclusões da 3ª edição do relatório Lancet Countdown que documenta mudanças na saúde pública, coesão social e economia, ligadas à crise climática em 55 países da região europeia. Coloca quase toda a Grécia entre as zonas europeias com maior aumento na mortalidade relacionada ao calor na maior parte do país, quando são registadas mais de 120 mortes adicionais por milhão de habitantes/ano no período 2015-2024, comparados com a década 1991-2000, sendo que, Ática é particularmente atingida, em que, na maior parte da região, o número é de 100 a 109 mortes adicionais formando arco geográfico  envolvendo parte central da prefeitura e estendendo-se das fronteiras sudoeste com Coríntia em direção ao norte, passando pelos subúrbios e continuando até a Ática Oriental e Sudeste e se enquadrando na categoria mais alta com mais de 120 mortes. O relatório mostra que na Europa, 62.775 mortes foram atribuídas ao calor em 2024 com projeções indicando aumento até 2050 com a mortalidade relacionada ao calor aumentando em quase todas regiões estudadas e evidenciando os maiores aumentos no sul e sudeste europeu, não é por acaso, que os avisos de calor quadruplicaram nos últimos anos. Por fim, documenta o agravamento na Grécia das condições de seca,  experimentando até 2,5 meses de seca extrema/ano enquanto outras partes de Creta registram períodos de até 2 meses em Heraklion e Rethymno e um mês em Chania, sendo que no geral, na década de 2015-2024, 936 das 1.435 regiões europeias sofreram secas de verão de intensidade extrema ou excepcional enquanto 983 registraram durações mais longas comparadas à linha de base de 1981-2010. Acrescente-se consequências ao local de trabalho com horas perdidas devido ao estresse térmico reduzindo oferta de mão-de-obra em 24 horas por trabalhador e, por ano na Europa no período 2000-2023 comparados a 1965-1994, sendo vistos declínios acentuados na atividade laborativa registrados em Atenas, Ilhas Canárias e Chipre e no restante do continente o número de horas de exposição ao calor tornou insegura atividade física ligeira ou moderada. Enfim, aceleraram a propagação de doenças infecciosas transmitidas por mosquitos com a dengue aumentando 297% no período 2015-2024 comparados a 1981-2010, e 74% no Sul da Europa, além do vírus do Nilo Ocidental com 1.112 casos em 2025, acima da média da década anterior com tendência observada à chikungunya e Zika, também transmitidos por mosquitos. O relatório demonstra que os impactos se distribuem de forma desigual com famílias de baixa renda enfrentando maior risco de insegurança alimentar devido ondas de calor e seca, trabalhadores ao ar livre mais expostos ao estresse térmico,  maior exposição a incêndios florestais e menos acesso a espaços verdes, encerrando pela necessidade de transição à economia neutra em carbono, observando paradoxo em que ao mesmo tempo que o uso de renovável cresce, os subsídios aos fósseis aumentam em 2023 e 2024 respondendo à crise energética desencadeada pelas guerras, quer dizer, só em 2023, subsídios líquidos aos combustíveis fósseis ultrapassaram 10% dos gastos nacionais com saúde em 12 países europeus e ultrapassando orçamentos inteiros à saúde em 4 deles.

Estudo climático classifica os gregos entre os países mais vulneráveis ao calor da Europa, prevendo ondas de calor mais longas e frequentes à medida que o aquecimento global acelera no continente, esperando-se que o país tenha experiências cada vez mais frequentes e ondas de calor prolongadas até  fins do século e, o estudo  da Reinders Corporation classifica a Grécia em 7º lugar na Europa em termos de vulnerabilidade às ondas de calor, sublinhando impacto das alterações climáticas no sul da Europa. Estima que o país enfrentará média de 2 grandes ondas de calor/ano até 2100, cada uma levando cerca de 20 dias com temperaturas médias de 36,92°C, embora esteja no topo da lista, a pontuação geral é moderada por intensidade de temperatura menor comparada às ondas de calor projetadas à Europa Oriental e Rússia, sendo que a Reinders Corporation analisou dados de modelagem climática à todas nações europeias, avaliando frequência de ondas de calor, duração cumulativa e temperaturas médias, fatores, combinados em pontuação única de vulnerabilidade identificando 10 países europeus que serão mais duramente atingidos por calor extremo nas próximas décadas. Daí, a observação que a França lidera a lista com pontuação de vulnerabilidade mais elevada, seguida por Rússia, Romênia, Moldávia, Bulgária e Turquia, ao passo que a pontuação grega de 58,38 coloca-a à frente de países como Ucrânia, Geórgia e Itália, enquanto na Europa Oriental surgem Romênia, Moldávia e Bulgária classificadas entre as 5 primeiras, destacando que, embora a Grécia tenha uma das maiores durações de ondas de calor, projetadas temperaturas médias mais baixas a mantêm na faixa intermediária entre nações mais vulneráveis da Europa, aparecendo em 7º no ranking com, Gerrit Jan Reinders, CEO e especialista em dados climáticos da Reinders Corporation, esclarecendo que, “apesar de ter a 2ª maior duração de onda de calor a intensidade da Grécia é menor que a esperada na Europa Oriental e Rússia.” Vale a nota que sinais de alerta da aceleração das alterações climáticas são visíveis no mundo, por exemplo, atrasos sazonais incomuns e mudanças ecológicas, na última nevasca no Monte Fuji, Japão, e o aparecimento sem precedentes de mosquitos na Islândia, com o estudo concluindo que, a gravidade da onda de calor resulta do efeito combinado de frequência, duração e intensidade da temperatura, não de um único fator e, à medida que a Grécia aquece, investigadores alertam que o país deve se preparar para desafios ambientais, econômicos e de saúde pública ao longo do século XXI.

Moral da Nota: o ano de 1987 é considerado por onda de calor implacável que ceifou mais de 1.300 vidas na Grécia, daí, o país como grande parte do mundo, enfrenta consequências das alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite. A Grécia traz de volta memórias de um desastre que marcou a nação há quase 4 décadas, ou, a onda de calor mortal de julho de 1987 que por 9 dias, de 20 a 28 de julho, as temperaturas ultrapassaram 40°C transformando cidades gregas em fornos e casas em armadilhas, um período com um dos desastres naturais mais mortais da história moderna nacional, 1.300 mortes, em sua maioria idosos, pobres ou vulneráveis, que morreram silenciosamente, muitas vezes só, em apartamentos sufocantes, sem ar condicionado ou acesso a cuidados básicos de saúde, naquela época, o ar condicionado doméstico era luxo, não norma, infraestrutura pública despreparada e, a conscientização climática, nos primórdios. Relatório da TA NEA em 22 de julho de 1987 informava que o serviço meteorológico não previu nenhum alívio imediato, dizendo que, “a onda de calor contribuiu à morte de 4 pessoas, 2 em Atenas e 2 em Volos, todas sofrendo problemas cardíacos, outros, na maioria idosos, foram hospitalizados com problemas cardiorrespiratórios”. Os necrotérios atingiram capacidade máxima em poucos dias, funerárias não conseguiram acompanhar, com o relatório esclarecendo que, “um problema surgiu e espera-se que cresça nos próximos dias”, concluindo que, “necrotérios dos hospitais estão lotados e questões similares são relatadas em necrotérios por todo o país.” Avalia que “o único tema de conversa hoje em dia é o calor insuportável e implacável, as outras questões foram deixadas de lado, mais uma vez, a Grécia ganha medalha de ouro, não no atletismo, mas, na desorganização, o país revela-se  despreparado à qualquer tipo de desastre natural, em muitas áreas, nem mesmo água encanada estava disponível.” Enfim, na década de 1980, os gregos estavam começando entender o custo ambiental da rápida urbanização, da disseminação descontrolada do concreto, poluição sufocante, ausência de espaços verdes, no entanto, nos anos que se seguiram, pouca coisa mudou, os avisos não foram ouvidos, sendo que hoje, a Grécia como grande parte do mundo enfrenta alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, épocas de incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite.