Centrais elétricas, transporte de carga e navios de passageiros sentem efeitos da queda do nível das águas do rio Danúbio, cujas obras de engenharia de emergência em andamento, na Hungria, por exemplo, buscam evitar que níveis criticamente baixos dos afluentes fechem usina nuclear que fornece mais de um terço da eletricidade do país. Por conta do calor extremo, o Danúbio atingiu mínimo histórico caindo 8 cm em relação ao seu mínimo histórico anterior impactando produção de energia na central nuclear de Paks, normalmente, usinas nucleares são construídas próximo a rios e litorais para usarem água com meio de resfriamento dos reatores, autoridades húngaras afundarão 2 barcaças para elevar os níveis de água para que Paks continue operar com apenas 25% da capacidade. Como meio de compreensão, a água do Danúbio é tão baixa que 20 naufrágios alemães da 2ª Guerra Mundial, com munições ativas, afundados há 80 anos surgiram no seu leito, com Riverwatch Ulrich Eichelmann, conservacionista, dizendo que ‘os rios europeus já estão doentes e esta onda de calor torna os danos mais visíveis’ e, conforme o governo húngaro, planos para restaurar o nível da água do Danúbio, 2º maior da Europa, incluem construção de estrutura submersa semelhante a represa no leito do rio conhecida como soleira do leito do rio, processo que levará semanas. A vizinha Romênia também desligou seu último reator nuclear em operação devido baixos níveis de água no Danúbio, que representam desafios ao sistema de navegação interior europeu potencialmente impedindo embarcações comerciais transportarem cargas, em que navios de carga na Bulgária esperam ou navegam com cargas reduzidas, além disso, o Danúbio é rota vital à Romênia de exportações agrícolas, entrada alternativa a cereais ucranianos através do porto romeno de Constanta. Foram afetados serviços de ferry e navios comerciais especialmente no baixo Danúbio, obrigando passageiros serem transportados por terra quando os navios não podiam continuar ao longo das rotas planejadas, considerando ainda que em partes da Europa os baixos níveis de água no Reno também afetam o transporte de mercadorias, em Kaub, por exemplo, um ponto de navegação vital entre Koblenza e Mainz, a água navegável caiu para 12 cm sendo que o recorde anterior foi de 25 cm na seca de 2018, considerando que a Alemanha depende do Reno à transportar produtos petrolíferos, carvão, minérios e produtos químicos.
Vale a nota que o Danúbio, uma das vias navegáveis mais importantes da Europa, sofreu todo o impacto do calor extremo neste verão, hidrovia navegável com papel vital no transporte de mercadorias, atividade agrícola e desenvolvimento industrial, suas águas são essenciais ao resfriamento das usinas nucleares e garantem projetos hidrelétricos, no entanto, a seca causou queda considerável no seu nível de água colocando em risco setores econômicos europeus. O ressecamento do Danúbio teve impacto devastador na agricultura da União, meio ambiente e transportes, navios e balsas impossibilitados de operar em rotas habituais, empresas de transporte de carga interrompendo transporte e alterando trajetos, a queda do fluxo tornou-se problema recorrente e a UE não desenvolveu política coordenada para lidar com as consequências e sofrendo impactos severos em setores-chave da economia, quer dizer, isso ocorreu por lá porque não desenvolveram política comum sobre gestão da seca que atualmente continua sendo responsabilidade dos governos nacionais. Loic Charpentier, chefe de relações públicas do Water Europe, grupo de defesa ambiental, esclarece que a UE fornece apenas estrutura comum, ou, "governos nacionais podem ter um plano mas a maior parte da gestão é feita na bacia hidrográfica ou a nível local", concluindo que isso cria impressão que "as ações não são coordenadas", no entanto, autoridades nacionais tomam medidas unilaterais que prejudicam ecossistemas de países vizinhos, enquanto, Dimiter Koumanov, Balkanka, ONG búlgara de proteção ambiental, expressou preocupação com impacto das medidas de emergência tomadas pelos países do Danúbio no abastecimento de água potável da Bulgária afirmando que governos vizinhos "fazem o que querem" e a Bulgária "paga o preço". Sara Johansson, especialista em políticas hídricas da Agência Europeia do Ambiente, fala que "o verão foi mais um lembrete que a Europa está despreparada para enfrentar mudanças climáticas", conclui, "solos secos, zonas úmidas degradadas e ecossistemas destruídos transformam paisagens em barris de pólvora prestes a explodir, enquanto o esgotamento dos rios evidencia vulnerabilidade do sistema energético". Tamás Gruber, do programa Rios Vivos, WWF Hungria, descreve a iniciativa húngara de fechar eclusas da região e proibir extração de água devido a seca e construir corredeiras para elevar o nível da água na área da usina de Paks, como "intervenção potencialmente útil a curto prazo", no entanto, observou, "informações disponíveis são insuficientes avaliar completamente as consequências ecológicas ou eficácia em futuras condições de vazão extremamente baixa". Por fim, a seca afetou outro dos rios mais importantes da Europa, o Reno, o nível da água em uma das principais vias navegáveis do mundo, onde passam milhões de toneladas de mercadorias anualmente, caiu à níveis não vistos em décadas, ameaçando causar grande impacto econômico na Alemanha e demais países no coração europeu, em julho, o nível do Reno, segundo o The Telegraph, caiu à 53 cm na travessia de Kaub, próximo de Frankfurt, nível mais baixo em décadas, quer dizer, quando o nível da água cai abaixo de 80 cm, as barcaças são obrigadas reduzir carga para navegar, aumentando custos de transporte. Só para lembrar, o Reno, é uma das vias navegáveis mais movimentadas do planeta, diariamente, são 6.900 embarcações percorrendo seus 1.233 kms, com matérias-primas, combustíveis e produtos industriais, considerando ainda que, já havia vivenciado episódios semelhantes em 1947, 1959, 1964 e 1976, embora, em 2018, seca histórica forçou fechamento de diversas fábricas em suas margens reduzindo o crescimento econômico alemão.
Moral da Nota: no norte da Sérvia onde a água do Danúbio recuou à lagoas cada vez menores sob pressão da seca e calor extremos, peixes circulam nas águas rasas e pequenos barcos ficam ociosos em terreno rachado no canal lateral ressecado do rio Danúbio, com o pescador Dusan Jovanovic dizendo que “é o que temos, 2 pequenos lagos cheios de peixes jovens”, ao afirmar que os peixes correm perigo porque há pouca água e a temperatura está acima de 30 ºC, diz que, “se começarem a morrer, morrerão todos de uma vez”. A seca européia e o calor do verão devastaram ecossistemas e empresas em na região, de um lago na Eslovênia, um braço do Danúbio na Sérvia a fazendas de peixes na Bósnia, República Tcheca, Romênia e Hungria, afetando a indústria da pesca, com prejuízos estimados em milhões de dólares somados aos já elevados prejuízos no fornecimento de energia e água, plantações devastadas, perdas no tráfego fluvial e comércio, conforme a AP. Países e empresas ponderam meios de minimizar efeitos de futuros eventos climáticos extremos que cientistas associam às alterações climáticas provocadas pela ação humana, sendo que o serviço meteorológico nacional húngaro diz que 99% do território nacional atualmente está sob condições de seca severa ou extrema, com grande parte da Grande Planície Húngara sob pressão de desertificação, ou, processo caracterizado pelo recuo da vegetação devido calor intenso e escassez de chuvas, além de 27 mil hectares de viveiros de peixes da Hungria com ressecamento pelo calor extremo de 1.588 hectares causando morte de quase 280 toneladas de peixes em 20 fazendas, perdas estimadas em US$ 4,2 milhões. Piscicultores romenos, particularmente os que cultivam carpas, conforme nos diz Catalin Platon, presidente da Associação Nacional de Produtores de Peixe RomFish, a onda de calor sucedeu as secas de 2023 e 2024, cujos efeitos ainda são sentidos e, na produção de carpas, o ciclo de produção é de 3 ou 4 anos além do fato que as políticas de uso da água priorizaram irrigação à agricultura nas secas anteriores “nos deixaram sem água para os peixes”, disse, Platon. Piscicultores da República Tcheca adotaram medidas de emergência como reduzir ou suspender alimentação para diminuir consumo de oxigênio, aerar tanques ou drená-los quando necessário, pedindo medidas de longo prazo para reter mais água no solo, com Jan Sokolik, da fazenda de pesca Rybarstvi Trebon, dizendo que "alguns tanques que estavam com níveis de água baixos já foram explorados para pesca, mas todos eram tanques marginais" e, conclui, “estamos começando planejar o que fazer com os grandes lagos”. Para concluir, eslovenos bombeiam água para o Lago Pristava, leste da Eslovênia, local frequentado por pescadores na tentativa de evitar asfixia em massa de peixes devido falta de oxigênio e crescimento excessivo de castanhas-d'água que cobrem a superfície do lago, enquanto pescadores sérvios afirmam que a única solução aos peixes ameaçados de extinção no canal lateral do Danúbio, em Novi Sad, é transferi-los à outro local.