sábado, 7 de novembro de 2026

Efeito Estufa

O artigo “Manage derailment risks to avoid Hothouse Earth”, ou, “Gerenciar riscos de desvio para evitar efeito estufa”, publicado na Environmental Research Letters, avalia alerta de cientistas que as sociedades humanas podem perder a capacidade de responder ao agravamento das mudanças climáticas, considera que com o aquecimento global prestes a ultrapassar 1,5°C e, previsões do El Niño recorde, afirmam que um cenário catastrófico de "Efeito Estufa" pode estar mais próximo que imaginamos. Argumentam que mudanças ambientais são metade da história considerando capacidade de  "prejudicar", reduzir emissões e adaptar, com cientistas da Universidade de Exeter e da Strategic Climate Risk Initiative, SCRI, dizendo que o "risco de descarrilar" se inclui em políticas climáticas para garantir que a humanidade mantenha a capacidade de agir. James Dyke, Universidade de Exeter, nos informa que “modelos climáticos não preveem cenário 'estufa', ou, pontos de inflexão no sistema terrestre como o derretimento das calotas polares e morte da floresta amazônica, criando cascata de mudanças aceleradas” e, conclui, “o agravamento dos impactos climáticos deveria levar a ações climáticas mais robustas, em vez disso, pode enfraquecer capacidade social, política e econômica de resposta” alertando que confiança e instituições são mais fáceis de destruir que reconstruir, portanto, o limiar do efeito estufa pode estar mais próximo que indicadores físicos sugerem. Laurie Laybourn, Universidade de Exeter e SCRI, avalia que “ameaças sociais têm estado ausentes das avaliações e políticas de risco climático", concluindo que, “a resiliência social, política e econômica deve estar no centro das abordagens às realidades em transformação que enfrentamos” e “resiliência climática geralmente nos remete a coisas como redes de energia e redes de transporte, mas, dependemos das instituições sociais que sustentam sociedades complexas.” Daí, "Efeito Estufa" refere-se ao aquecimento global acima de 5°C comparado aos níveis pré-industriais, impactando de modo extremo como secas e ondas de calor prolongadas, quebras de safra e elevação drástica do nível do mar, identifica riscos impulsionados por mudanças climáticas, aí, "ciclos viciosos" de dívida, fragmentação política, aumento dos gastos militares e redução da ajuda externa como fatores que podem enfraquecer a gestão ambiental, defendendo políticas capazes de lidar com a "pressão" causada por clima mais caótico, que devem proteger populações e, ao mesmo tempo, reduzir emissões, de modo que ações tomadas por sociedades para se protegerem dos sintomas das mudanças climáticas acelerem ação sobre causas. Por fim, Jesse Abrams, Green Futures Solutions de Exeter, acrescenta que “estamos vendo como o agravamento das mudanças climáticas pode prejudicar economias e polarizar sociedades e, conclui, “precisamos identificar e limitar riscos de 'descarrilamento' e rejeitar o conceito que chegará o dia que o que fazemos não terá mais importância”.

A discussão do tema evolui ao conceito que o risco de trajetória de "Efeito Estufa"  torna-se proeminente em debates sobre estabilidade do sistema terrestre e a ultrapassagem de limites climáticos, considerando que, análises se concentram em retroalimentações biofísicas que amplificam o aquecimento argumentando que não incorporou a desestabilização social, reduzindo limiar efetivo da dinâmica de inflexão biofísica se tornando autossustentável minando a capacidade de gestão planetária. O artigo, desenvolve o conceito de "risco de descarrilamento" como possibilidade que a escalada da perturbação do sistema terrestre enfraqueça condições políticas, sociais e econômicas para sustentar mitigação, adaptação e restauração ecológica, riscos, que emergem quando impactos climáticos contribuem à desafios, aí, crises da dívida, erosão institucional, fragmentação política, instabilidade da cadeia de suprimentos e declínio do apoio público à ação ambiental. Avalia que tais eventos são retroalimentações de reforço podendo reduzir capacidade da humanidade responder, mesmo antes que os limiares de inflexão biofísicos sejam ultrapassados, portanto, amplia estrutura do 'Efeito Estufa' incorporar a dinâmica social ao cenário de estabilidade do sistema terrestre propondo estrutura em etapas para avaliar e gerenciar riscos de descarrilamento, ou, mapeamento conceitual de retroalimentações sócio biofísicas, intervenções antecipatórias ao desenvolvimento da resiliência e estratégias de governança responsivas à períodos de instabilidade e,  conclui dizendo que, a gestão planetária deve priorizar manutenção e expansão da capacidade de ação coletiva diante o agravamento do estresse do sistema terrestre.

Moral da Nota: cientistas e especialistas em saúde pública examinando grupos de contaminantes comuns no ambiente, ou, PFAS e microplásticos, que podem se encontrar no ar, água, solo e alimentos, levantam questões sobre o que são, como nos expomos, e, o que podem significar à saúde humana. A ciência evolui, pesquisadores aprenderam o suficiente para identificar possíveis problemas e recomendar modos práticos de reduzir sua exposição, da água potável e embalagens de alimentos a panelas antiaderentes e roupas, comodidades modernas contendo materiais projetados para facilitar a vida, daí, PFAS, substâncias per e polifluoroalquiladas, família de produtos químicos sintéticos chamados de "químicos eternos", usados ​​por mais de 80 anos em produtos para resistir à água, gordura, manchas e calor, incluindo panelas antiaderentes, embalagens de alimentos, carpetes, móveis, cosméticos e outros itens de consumo. Vale a nota que ao contrário de outros produtos químicos, PFAS não se decompõem facilmente no ambiente, podem se infiltrar em águas subterrâneas, rios, oceanos e chuvas, acumulando-se no solo, plantações, abastecimento de água potável, vida selvagem e pessoas. Nestes conceitos, microplásticos são minúsculos pedaços de plástico que se formam quando plásticos maiores se degradam e, a exposição à luz solar, intempéries e desgaste físico, faz com que se fragmentem em partículas cada vez menores, alguns fabricados intencionalmente à uso em produtos de consumo e aplicações industriais, encontrados em cursos d'água, solos agrícolas, frutos do mar, água potável e, no ar que respiramos, sua presença generalizada significa que a maioria dos seres vivos está exposta a eles. A questão que se insere como principal preocupação, não é a presença de PFAS e microplásticos no ambiente, mas, o fato que podem afetar a saúde humana, com pesquisas associando exposição PFAS a distúrbios da tireoide, efeitos no desenvolvimento, comprometimento do sistema imunológico, inflamação crônica e aumento do risco de certos tipos de câncer, incluindo, câncer de rim e testicular, crença que compostos PFAS podem interferir na função hormonal pois sua estrutura química pode se assemelhar à de hormônios naturais do corpo. Outra questão sobre a mesa é que plásticos contêm variedade de aditivos químicos que lhes conferem flexibilidade, durabilidade e demais características desejáveis conforme o produto a se obter, com estudos sugerindo que exposição a microplásticos e substâncias químicas associadas poderia contribuir à inflamações, alterações metabólicas, problemas reprodutivos, impactos na saúde intestinal e efeitos na saúde ainda a serem relatados, com pesquisadores investigando extensão dos riscos e suas consequências a longo prazo. Dito isto, a questão que não cala, ou, produtos sem BPA, bisfenol A, são sempre mais seguros? Até agora a resposta que está prevalente é, não necessariamente, já que, consumidores reconhecem o bisfenol A, BPA, como substância química usada em produtos plásticos e, procuram, mais comumente nos EUA, itens com rótulo “livre de BPA”, que podem conter substâncias químicas alternativas com propriedades semelhantes. Cientistas avaliam tais compostos substitutos e se podem afetar a função hormonal e saúde reprodutiva, daí, eliminar completamente a exposição a esses produtos na sociedade moderna parece, até o momento, irrealista, tanto PFAS quanto microplásticos se disseminaram de tal modo que agora estão presentes em todo o ambiente, no entanto, reduzir exposição sempre que possível auxiliaria diminuir risco geral. Esta, parece ser a questão central do momento, pois dentre as estratégias inclui uso de filtros de água certificados para reduzir PFAS, limitar uso de plásticos descartáveis, substituir panelas antiaderentes danificadas, limitar contato entre alimentos quentes e recipientes plásticos e seguir recomendações de agências de saúde pública e ambiente de boa reputação. Por fim, PFAS e microplásticos estão no debate ambiental e de saúde pública, cada vez mais difícil de evitar podendo se associar a problemas de saúde, embora cientistas aprendem mais sobre os efeitos, especialistas enfatizam que o foco não é gerar alarme, mas, incentivar decisões informadas.


quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Desertificação

Estudo da Arctic Frontiers utilizando ML, aprendizado de máquina, buscando prever como biomas norte americanos mudariam no futuro, resultado das mudanças climáticas e seu impacto na vegetação com inclusão no modelo de considerações sobre uso futuro da terra, cenários populacionais humanos, crescimento dos ecossistemas e emissões futuras. Os resultados sugerem que áreas que atualmente são florestas temperadas e boreais poderão fazer transição à desertos até 2080, além disso, cidades da Califórnia ao Colorado provavelmente afetadas se transformariam em desertos devendo observar que os pesquisadores afirmam que o modelo tem 67% de precisão e utilização de projeções ao modelo pode ter introduzido tendência de previsão à desertificação futura. No caso dos EUA, emergem cidades que, segundo o modelo de ML, aprendizado de maquina, evoluiriam à desertos em 2080, considerando fatos como o derretimento das calotas polares, condições meteorológicas extremas e subida do nível do mar que afeta as costas, ou, beira mar, no entanto, modos pelos quais diferenças podem mudar completamente um ecossistema são grande impacto a considerar, por exemplo, Chicago, conhecida pelo clima frio, começa a ter invernos mais amenos com exceção de rajadas do vento ártico e tempestades de neve, enquanto cidades em locais já temperados começam experienciar temperaturas mais altas e solo mais seco, que deve mudar a classificação até serem consideradas desertos. Bakersfield, Califórnia, 52ª cidade mais populosa dos EUA, com mais de 420 mil habitantes, situada na parte sul do Vale de São Joaquim conhecida por estar em área de grande produção agrícola, solo fértil e irrigação ótima tornando o ecosistema favorável à plantações, sendo que o clima atualmente consiste em invernos amenos e verões quentes, devendo ser considerado pelo ML a pequena quantidade de precipitação e o calor do verão tornando Bakersfield semelhante a deserto e a mudança climática prevista que a tornará mais quente e seca provavelmente a transformará eventualmente em bioma desértico. Daí, classificações de biomas consideram Bakersfield deserto, mas com base em mapas de vegetação reais, não existe por enquanto classificações na vegetação menos subjetivas e não dependem do clima, nessas métricas, a área urbana de Bakersfield mais próxima de pastagens e florestas ribeirinhas perenes e não de deserto, enquanto no modelo preditivo do estudo, a vegetação na área refletirá bioma desértico até 2080, com clima mais quente e seco, podendo se tornar lugar menos desejável para se viver, concluindo Bakersfield, a ML avalia que temperaturas do verão subirão e o solo tornar-se-á menos fértil causando grande mudança na economia da região, valendo lembrar que é atualmente considerada importante centro agrícola e os impactos dessa mudança na área seriam sentidos no estado e no país, não apenas na economia local. Em Nevada surge a cidade de Reno com população d 640 mil pessoas e maior cidade do norte do estado, na encosta das montanhas de Sierra Nevada cuja localização e clima ameno traduzem local à todos os tipos de recreação ao ar livre, classificada atualmente como floresta aberta temperada de folhas agulhadas por modelos de biomas baseados em vegetação, no entanto, até 2080, o estudo ML, aprendizado de máquina, prevê que a área de Reno passará ser deserto. Assim como Bakersfield, sistemas de classificação já consideram Reno vale desértico, principalmente devido à Grande Bacia e Deserto de Mojave, importando notar que mudanças no crescimento vegetativo natural impactariam o ambiente, já que abriga espécies ameaçadas, em perigo de extinção de plantas e animais que dependem da vegetação existente como parte da alimentação à sobreviver. A consequência do bioma desértico previsto para 2080 seria a perda de espécies vegetais e animais únicas que não sobreviveriam a ecossistema em mudança, mesmo que cidade e cultura de recreação ao ar livre pelas quais a área de Reno é conhecida permaneçam por décadas, o ecossistema ao ar livre será diferente. Voltando a Califórnia encontramos Lancaster com espaços verdes e montanhas distantes, mas, segundo a ML, aprendizado de máquina, deverá se transformar em deserto até 2080, localizada uma hora ao norte de Los Angeles que abriga mais de 170 mil residentes, com verões áridos e quentes enquanto os invernos tendem a ser frios e nublados, atualmente, a paisagem é classificada como bioma de estepe, com arbustos de sálvia, árvores de Josué e campos de papoulas, no entanto, já é considerada cidade desértica por algumas medidas, por conta de conjuntos de montanhas, ou, fronteiras norte e sul, porta de entrada ao Deserto de Mojave que abriga um musgo excepcionalmente resistente. Considerando que estepes são planícies gramadas em regiões temperadas, mais úmidas que desertos, não úmidas o suficiente para sustentar o crescimento de florestas, portanto, prevê-se que nos próximos 60 anos ficará quente e seca o suficiente para não suportar mais a grama que cresce hoje, mudança, que não parece drástica se considerarmos Lancaster como parte do deserto embora a mudança na vegetação impactaria a área de modo significativo, em que, papoulas, árvores de Josué, a vinícola local e os animais selvagens são atrações às pessoas, afetados por clima mais quente e seco ao longo do tempo. Por fim, no Colorado surge Pueblo, com população de 110 mil habitantes, menor que Lancaster, mas, local significativo cujo clima tende ficar entre 33,4ºC no verão e -7,2ºC no inverno, classificada como floresta temperada de folhas finas como Reno, localizada ao longo do Rio Arkansas com 300 dias de sol/ano, sem ser extremamente quente o ano todo, além de solo rico para cultivar plantas incluindo pimentas verdes, pelas quais a área é famosa, no entanto, em 2080, cultivar plantas fortes e variadas, mudará, considerando que poderá ser reclassificada como deserto. Enfim, a desertificação em áreas atualmente florestas parece mais dramática que as atualmente estepes, ou, passar de vegetação e árvores faz diferença visual e ambiental, nos próximos 60 anos deverão se tornar área mais quente e seca causando preocupações com secas e incêndios, daí, desvios climáticos que afetarão pessoas que lá vivem bem como plantas e animais nativos, fato é que, 2025, foi um dos anos mais quentes vividos, a preocupação é razoável, concluindo que talvez mudanças climáticas nem sigam os piores cenários previstos, mas, se acontecer, Pueblo será deserto. 

Estudo publicado por Unnayan Onneshan, think tank de Bangladesh, mostra 40 milhões de pessoas deslocadas devido enchentes e erosão das margens dos rios e conforme a Climate Action Network South Asia, CANSA, esses deslocados internos consideram migrar às áreas urbanas apenas como última opção. A avaliação se insere à medida que emergências climáticas mais reais à países vulneráveis ao clima, Bangladesh, a atenção raramente se concentra no impacto educacional infantil, com Jamia Rahman Khan Tisa discutindo desafios daqueles que vivem nas ilhas fluviais de Bangladesh que são mais vulneráveis que os outros. Situando, Bangladesh é um dos maiores deltas do mundo localizado na confluência dos rios Ganges, Brahmaputra e Meghna, na lista dos países mais vulneráveis ao clima, com vasta rede ribeirinha, tábua de salvação, aos que ali vivem, representa ameaças de erosão fluvial, inundações devastadoras e repentinas. Conhecidas localmente como ‘ilhas char’, as Ilhas Fluviais, correm risco elevado, intensificado pela emergência climática cujo impacto destrutivo dos desastres naturais vai além dos danos às propriedades rurais, às terras agrícolas,  gado e ao status socioeconômico geral, afeta necessidade social fundamental, ou, educação das crianças que vivem nas ilhas. O Programa de Subsistência Chars, CLP, prestou apoio a 133 mil famílias, segundo eles, os habitantes de char dependem do trabalho mal remunerado e imprevisível para ganharem a vida considerando que as  ilhas Char sofrem inundações várias vezes por ano, em 2024, 40 mil pessoas se deslocaram devido enchentes, levando ao fechamento de escolas na parte norte de Bangladesh. Catástrofes climáticas e deslocamento perturbam a educação escolar, na maioria dos casos, no período de dificuldades e última opção a considerar no esforço de recuperação, crianças, cujo deslocamento significa perder acesso à educação, pois as famílias se mudam à lugares onde a disponibilidade de escola não é certa, sendo que a incerteza obriga crianças a fazer pausa nos estudos e, embora tais pausas parecem temporárias, na verdade, nunca mais regressam à escola. Enfim, pessoas que habitam as ilhas char deslocam-se ao continente para acessar comodidades como saúde e educação levando horas para serem alcançadas de barco e caso a família envie os filhos à escolas no continente, deve considerar o custo do transporte e segurança pessoal cuja maior delas são as adolescentes que muitas vezes anulam as outras considerações, levando ao casamento precoce em muitos casos. A existência frágil de escolas construídas em ilhas char enfrentam ameaças de erosão fluvial, não se sabe quanto tempo a infraestrutura dura, ou, se a erosão fluvial destruirá um prédio escolar da noite para o dia. Quando se fala em resiliência, parece coisa abstrata, construir edifícios escolares resilientes ao clima com materiais adequados pode ser solução sustentável neste ambiente, adaptar calendário conforme interrupções causadas por condições climáticas reduzindo perda de educação, currículo acadêmico que capacite alunos em competências e conhecimentos sobre alterações climáticas, estratégias de adaptação, preparação para catástrofes melhoram sua capacidade de resiliência, a pesquisa conclui sugerindo prioridade na estrutura política nacional com financiamento, cooperação e recursos adequados para garantir continuidade da educação durante e após períodos de crise.    

Moral da Nota: estudo, intitulado "Retenção e Exportação de Plástico nos Rios da Europa", publicado na Environmental Science & Technology, informa que rios europeus retêm mais plástico que transportam ao mar, conclusão de pesquisa realizada pela Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen, WUR, e, colaboradores, que abrange mais de 8.600 bacias hidrográficas europeias. Entre os rios mais poluídos por plástico na Europa, depois do Kurbagali Dere, na Turquia e do Vístula na Polônia, aparece em 3º lugar o Reno, frequentemente vistos como vias de transporte de resíduos plásticos ao mar, no entanto, mais plástico fica retido ao longo do percurso que os modelos anteriores avaliam, por exemplo, plástico pode ficar preso nas margens fluviais, na vegetação ou atrás de barragens, grande parte sequer chega ao rio, permanecendo em terra. O destino do plástico, segundo os pesquisadores, estudado através do desenvolvimento de modelo IA que calcula não apenas a quantidade que chega às desembocaduras fluviais, mas, a quantidade que permanece na terra e nos sistemas. Diferenciaram entre microplásticos menores que 5 mm e pedaços maiores de plástico e, das 3,55 milhões de toneladas de plástico que entraram no ambiente europeu em 2015, ano de referência usado no modelo, mais de 93% encontrado em terra nunca chegou aos rios, outros 6% foram retidos ao longo das margens ou sedimentos e 0,6%, 20 mil toneladas, chegaram às desembocaduras dos rios. O estudo apresenta ranking de rios europeus com base na quantidade de plástico retido nos sistemas fluviais, cálculos que levam o Reno ao 3º lugar, na verdade, o Reno ocupa o 1º lugar entre rios treinados em termos de retenção de microplásticos, daí, é válido considerar que a poluição por plástico não se limita a grandes rios, dos 8.671 sistemas fluviais treinados, 141 foram responsáveis ​​por 80% da poluição total por microplásticos, ou, 1–5 mil μm, ou, menores que 5 mm. No caso dos pedaços maiores de plástico, ou, macroplásticos de 5 mm ou mais, 239 sistemas fluviais tiveram a mesma proporção, com pesquisadores descobrindo que pequenas bacias hidrográficas próximas à costa continham quantidades grandes de plástico, particularmente evidente onde fontes de poluição plástica se localizavam perto da foz dos rios e, segundo pesquisadores, destaca importância de modelos detalhados que incluam rios menores. Por fim, Miranda Stibora, autora principal, avalia que, "os rios são mais que simples vias de transporte de plástico ao mar, é hora de mudarmos o foco ao plástico que permanece preso nos sistemas fluviais". O modelo oferece informações sobre como combater a poluição plástica de modo mais eficaz, ao fornecer panorama completo de onde o plástico acaba, auxilia identificar onde medidas de prevenção ou remoção da poluição plástica podem ter maior impacto, enfatizando que os cálculos são baseados em dados de 2015, sendo que o modelo não considera o acúmulo de plástico ao longo de vários anos nem os efeitos de inundações e movimentos das marés.