Pesquisa do World Weather Attribution confirma que mudanças climáticas tornam mais frequentes ciclones como Ditwah e Senyar e mais intensas as chuvas associadas que se desenvolvem sobre o Oceano Índico Norte, 0,2°C mais quentes que a média histórica de 1991-2020 e teriam sido 1°C mais frias sem mudanças climáticas. A superfície do oceano aquece, o ar acima dela aquece, faz com que a água seja transportada à grandes altitudes formando nuvens, deixa zona de baixa pressão abaixo e permite entrada de mais ar e, quanto mais quente, mais água retém e, para cada grau Celsius extra de aquecimento o ar pode reter 7% mais umidade. O Instituto Meteorológico Real da Holanda, principal autor do estudo, avalia que "a combinação de fortes chuvas de monção e mudanças climáticas é mortal" e, conclui, “chuvas de monção são normais nesta parte do mundo, a anormalidade consiste na intensidade das tempestades de modo crescente e como afetam milhões de pessoas”, no entanto, confirmam que urbanização e desmatamento generalizado na região exacerbaram a escala do evento, ponto levantado por especialistas e grupos ambientalistas. O fundador do Projeto Orangotango, Leif Cocks, primatologista, avalia que o desmatamento altera a paisagem tornando-a mais propensa a inundações destrutivas, esclarecendo que, "a destruição da floresta tropical e a conversão à monoculturas insustentáveis como celulose e óleo de palma, eliminam o 'efeito esponja' da floresta tropical natural que mitiga a seca e inundações fornecendo à comunidade fluxos de água sustentáveis e seguros” e, conclui, “a água escoa rapidamente causando secas e inundações que vivenciamos”. Relatório Estado do Clima na Ásia, esforço da OMM, organizações regionais e internacionais, destaca mudanças em indicadores climáticos como temperaturas da terra e mar, massa glacial e níveis do mar, com a Secretária-Geral da OMM afirmando que as mudanças repercutirão nas sociedades, economias e ecossistemas, acrescentando que, eventos climáticos extremos já causam número inaceitavelmente alto de vítimas na região. A Ásia aquece a taxa quase 2 vezes maior que a média global, tendendo a aquecimento nos últimos 23 anos quase o dobro da observada de 1961 a 1990, em 2024, ondas de calor prolongadas afetaram a maior parte do continente com temperaturas 1,04°C acima da média de 1991 a 2020, com a Arábia Saudita sofrendo onda de calor extrema em junho de 2025 coincidindo com a peregrinação do Hajj em Meca e resultando na morte de pelo menos 1.301 peregrinos. Vale a nota que as temperaturas subiram entre abril e maio no sudeste asiático, atingindo Camboja, Laos, Vietnã e Filipinas, com a Tailândia onde recordes diários de temperatura para essa época do ano foram quebrados diversas vezes e 38 mortes relacionadas ao calor. Na Índia, 112 pessoas morreram devido ao calor extremo em intensa onda de calor em maio com temperaturas ultrapassando 50°C, o Japão registrou verão e outono mais quentes da história, China e Coreia do Sul registraram múltiplos recordes diários de temperatura no último verão. No mundo, ondas de calor matam quase meio milhão de pessoas/ano, tornando o evento climático extremo mais mortal e, como outros eventos climáticos extremos como inundações e secas, as ondas de calor tornaram-se mais frequentes e intensas devido mudanças climáticas, consequência da queima de combustíveis fósseis. Por fim, a OMM alerta que as temperaturas da superfície do mar na Ásia atingiram em 2025 níveis mais altos já registrados, a maior parte da área oceânica afetada por ondas de calor marinhas de forte intensidade, severa ou extrema, a maior extensão desde o início dos registros em 1993, lembrando que, o aquecimento dos oceanos eleva o nível do mar, coloca comunidades costeiras em risco e, no Pacífico e Índico, o nível do mar ultrapassou a média global em 2025, ameaçando áreas costeiras baixas.
Neste tema, o evento mais significativo de 2025 foi o tufão Yagi que devastou Filipinas, China, Vietnã, Laos, Tailândia e Mianmar no início de setembro, com mais de mil mortos e milhares de edificações destruídos. O Paquistão teve o abril mais chuvoso já registrado, o Cazaquistão teve rápido derretimento de neve inundando cidades, os Emirados Árabes Unidos registraram o maior volume de chuvas desde o início dos registros em 1949, assim como Bahrein, Omã, Irã, Nepal e Índia. O mundo aqueceu 1,3°C comparado com tempos pré-industriais, dados sugerem que 20 a 40% da população mundial vive em regiões que, na década de 2006 a 2015, experienciaram aquecimento de mais de 1,5°C em pelo menos uma estação e, conforme o IPCC, cada 0,5°C de aquecimento global causa aumentos perceptíveis na frequência e intensidade de ondas de calor além de chuvas intensas e secas regionais. Os 10 desastres climáticos mais caros incluem, incêndios florestais, ciclones, chuvas e inundações extremas e secas nos 4 continentes, juntos resultaram perdas de US$ 120 bilhões, com relatório da Christian Aid dizendo que ondas de calor recordes, ciclones tropicais e chuvas torrenciais fizeram de 2025 um dos anos mais caros aos desastres climáticos. A Seguradora Aon analisou desastres climáticos no mundo com base em estimativas de perdas, mostrando no topo do ranking incêndios florestais de Los Angeles em janeiro de 2025, 31 mortes diretas, embora, estudo de agosto constatou que outras 400 pessoas morreram devido fatores relativos aos incêndios incluindo má qualidade do ar e demora no acesso a serviços de saúde. Os incêndios causaram prejuízos superiores a US$ 60 bilhões, tempestades e inundações mataram mais de 1.800 pessoas em países do Sul e Sudeste Asiático em fins de novembro, em Sumatra, Indonésia e Malásia, chuvas seguidas de inundações causaram prejuízos de US$ 25 bilhões, o 2º desastre climático mais caro da lista da Christian Aid. Inundações na China, Índia, Paquistão e Texas figuram na lista, 4 ciclones tropicais sendo o mais caro o furacão Melissa no Caribe, ou, 3º furacão mais intenso já registrado no Atlântico e o mais intenso a atingir a costa na bacia do Atlântico, com perdas econômicas estimadas de US$ 8 bilhões, desconsiderando na análise danos aos meios de subsistência, perda de renda, danos ambientais a longo prazo e deslocamento permanente de moradores.
Moral da Nota: no Canadá, cientistas demonstram que, à medida que as mudanças climáticas impulsionam o degelo do permafrost, pode levar à formação de água ácida com níveis catastróficos de metais tóxicos das rochas à riachos cristalinos, tendo como resultado imediato o declínio da vegetação ao longo de décadas. O permafrost, segundo os canadenses, decorrente escassez de oxigênio, foram acumulando sulfetos e, com o derretimento, o oxigênio ou água podem oxidá-los em sulfatos levando ao escoamento contendo ácido sulfúrico com íons metálicos das rochas. O geoquímico ambiental Eliott Skierszkanna da Universidade Carleton, Canadá, e, col. estudaram os efeitos nas bacias dos rios Yukon e Mackenzie na América do Norte cujos resultado mostraram aumento na acidificação devido ao degelo do permafrost a nível que seria doloroso à pele. Com pH 2–3 dos rejeitos de mina ricos em sulfetos em ambiente “natural”, sua reatividade química é amplificada por transição às condições descongeladas e, neste pH, notaram que quase nenhum organismo pode viver e concentrações de metais como cádmio, níquel e zinco são maiores que os limites de segurança à maioria dos organismos vivos. Por fim, publicações recentes mostram que esse é um problema que acontece no Alasca, Alpes, Andes, no mundo, onde há geleiras derretendo ou permafrost descongelando e onde a geologia contém esses minerais de sulfeto.