domingo, 2 de agosto de 2026

Recorde Mundial

Mais da metade da eletricidade da Califórnia em maio, segundo o Los Angeles Times, foi a partir da energia solar, recorde mundial, em marco que acreditam ser novidade global, conforme análise de dados federais, com o analista da Grid Status, grupo que monitora oferta e demanda de eletricidade nos EUA e mercados de energia, Abby Lestina, dizendo que “a Califórnia teve grande crescimento solar nos últimos 5 anos”, concluindo, “faz sentido que alcancem esse objetivo.” Pela primeira vez que se sabe, um sistema de energia em larga escala ultrapassa 50% de energia solar em 1 mês inteiro, valendo dizer que é o 2º recorde de poder estabelecido pelo estado recentemente, quer dizer, nos primeiros 5 meses de 2026, produziu mais eletricidade a partir da energia solar que o gás natural, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, e que, a queima de gás natural tem sido a principal fonte de eletricidade no estado há muito tempo podendo ser o 1º ano que solar supera o gás na matriz energética da Califórnia, com o detalhe que, superou o recorde em maio, mês  não muito quente nem muito frio, significando que há menos demanda permitindo que a energia solar atenda a parcela maior da necessidade energética. O crescimento do armazenamento de novas baterias no estado permite economizar solar quando está superabundante e usá-la quando o sol se põe, conforme Nicolas Fulghum, da Ember, dizendo que, “o armazenamento de baterias transformou o sistema de energia da Califórnia”, escreveu, “as baterias transferem grandes quantidades de energia solar do meio-dia ao pico da noite, permitindo nível de penetração solar no sistema.” A energia fornecida pelo armazenamento de baterias na Califórnia cresceu de 500 megawatts à 16 mil desde 2020, ao passo que a quantidade de solar produzida mais do que duplicou à medida que o estado construiu parques solares nos desertos e em outros locais incentivando proprietários instalar nos telhados e, como resultado, em 2026, tinha 23.400 megawatts de capacidade solar em larga escala ficando atrás do Texas, segundo a EIA, quer dizer, quando se adiciona telhados e outros painéis de pequena escala a Califórnia tinha mais que qualquer outro estado, ou, 43.500 MW. Jayme Ackemann, porta-voz da operadora de rede da Califórnia, esclarece que, “como aumentou a participação de energia solar/renovável na rede a cada ano, ao mesmo tempo que aumentamos o armazenamento de baterias, continuaremos ver recordes a cada primavera à medida que o fornecimento aumenta”. Vale salientar que a Califórnia não está nem perto do desenvolvimento renovável da China, considerando que os chineses construíram 7 vezes mais energia solar em 2025 que o total instalado pelo estado,no entanto, a diferença é que emissões de eletricidade da Califórnia estão diminuindo e, as da China, ainda não, já que o estado prosseguiu com a transição apesar dos esforços do governo federal em desacelerá-la. Sediada no Reino Unido e promotora de  energias renováveis, a Ember obteve dados dos relatórios mensais de energia da EIA, Administração de Informação Energética dos EUA, com o rastreador de eletricidade incluindo apenas energia produzida no estado, não inclui, por exemplo, importações  do Arizona e que a geração de energia solar abrange usinas solares de grande escala e sistemas fotovoltaicos em telhados. Por fim, o projeto eólico SunZia, Novo México, começou enviar em abril eletricidade à Califórnia, reduzindo necessidade de queimar gás natural para gerar eletricidade à noite, enquanto importações aumentaram a participação de solar na matriz, sendo que no verão há mais consumo de gás natural, comum, quando temperaturas atingem o pico. Em suma, a Califórnia produz eletricidade mais limpa e a quantidade produzida pelo gás natural que gera poluição e aquece o clima, diminuiu nos últimos anos e, segundo a legislação assinada em 2018, toda eletricidade da Califórnia deverá provir de fontes limpas até 2045.

No Peru, o Tribunal Constitucional ordenou suspensão de 5 pesticidas usados em alimentos, pós detectar falhas de controle e altos níveis de contaminação química, em decisão favorável à saúde pública e segurança alimentar nacional a 2ª Câmara do Tribunal Constitucional ordenou ao Serviço Nacional de Saúde Agrária, Senasa, suspensão temporária da venda, distribuição e utilização de produtos fitossanitários contendo clorpirifós, metomil, glifosato, imidaclopride e clotianidina, destinados à produção de alimentos à consumo doméstico. No Processo nº 03269-2023-PA/TC, o mais alto intérprete da Constituição declarou procedente a ação de amparo impetrada pela AACU, Associação de Consumidores e Usuários de Apurímac, e outras organizações da sociedade civil, reconhece que a supervisão e monitoramento insuficientes pelo Estado sobre uso dos agrotóxicos violam direitos fundamentais à saúde, vida, integridade, ao gozo de ambiente equilibrado e proteção do consumidor. Declarou existência de "estado de coisas inconstitucional", concluindo que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é insuficiente, detalha descobertas baseadas no monitoramento oficial do Senasa e em relatos de cidadãos mostrando tendência crescente na contaminação química de vegetais, de 10,38% de amostras não conformes em 2017 à 38,83% em 2024. Alimentos como páprica, pimentão, pimenta amarela, tomate e aipo, tinham níveis de contaminação que excedem os LMRs, Limites Máximos de Resíduos, chegando em alguns casos a mais de 90% das amostras impróprias ao consumo humano, já, o monitoramento por cidadãos revelou que metade dos alimentos testados em mercados e supermercados não estava em conformidade com padrões de segurança alimentar e que a presença de substâncias químicas proibidas como o carbofurano e o metamidofós foi detectada em plantações destinadas ao consumo em massa. O Tribunal Constitucional conclui que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é estruturalmente insuficiente, em voto divergente, o juiz Gustavo Gutiérrez Ticse destacou "duplo padrão inaceitável" no país, enquanto produtos agrícolas destinados à exportação cumprem rigorosos padrões internacionais de segurança, alimentos cultivados à consumo pelos peruanos apresentam altos níveis de toxicidade. Por fim, o Tribunal fundamentou a decisão no princípio da precaução, argumentando que o Estado tem dever especial de proteger a saúde pública e o ambiente, nesse sentido, determinou que é irrazoável transferir ao cidadão o ônus de demonstrar por meio de estudos dispendiosos riscos à saúde cuja fiscalização é de responsabilidade exclusiva das autoridades, enfatiza que o risco relatado não é mera conjectura, mas, probabilidade plausível apoiada por evidências científicas a respeito do perigo das 5 substâncias ativas suspensas que possuem efeitos neurotóxicos, potenciais impactos no desenvolvimento e alto risco à biodiversidade como toxicidade às abelhas. Em consequência, emitiu decretos obrigatórios de reavaliação técnica, o Senasa, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação, Midagri, e o Ministério da Saúde, Minsa, dispõe de 90 dias úteis para realizar reavaliação técnica, científica e abrangente sobre permanência, restrição ou cancelamento definitivo de autorizações dessas substâncias, além de Plano interinstitucional, em que o Senasa, Midagri, Minsa, a Presidência do Conselho de Ministros, PCM, e governos locais devem implementar plano para garantir segurança alimentar no prazo de 180 dias úteis, a Rastreabilidade e laboratórios, deve incluir reforço da supervisão, acesso especializado, mecanismos de rastreabilidade na detecção de infratores e protocolos à recolha de alimentos contaminados e apoio aos agricultores para desenvolver programas de assistência técnica à promoção de práticas de manejo de pragas menos arriscadas incentivando pesquisa de alternativas ecológicas. A suspensão do uso dos pesticidas permanece em vigor até que o Estado conclua a reavaliação determinada e implemente mecanismos de controle eficaz que garanta que os alimentos nas mesas peruanas não representem mais um perigo à vida.

Moral da Nota: a enciclopédia Al-Hawi fi al-Tibb promoveu a medicina baseada na observação, Al-Hawi de Al-Razi, tradução latina, O Livro Completo da Medicina, do médico Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi, latinizado como Razes, está entre as grandes obras científicas da civilização islâmica, reune o conhecimento médico da  época enriquecendo com observações clínicas, experiências terapêuticas e análises críticas. Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi nasceu por volta do ano 865 na cidade de Rayy e mudou-se para Bagdá onde dirigiu um dos principais hospitais da era abássida,tinha como atividade científica medicina, filosofia, química e farmácia, é autor de mais de 200 obras, incluindo Al-Hawi, Al-Mansuri fi al-Tibb, Varíola e Sarampo e Para aqueles que não têm médico, faleceu em 925 deixando legado que influenciou o desenvolvimento da medicina. Sua tradução ao latim e subsequente disseminação na Europa contribuíram por séculos à formação médica e desenvolvimento de prática baseada na observação, experimentação e análise crítica, permanecendo testemunho do florescimento do pensamento científico na civilização árabe-islâmica e uma das obras fundamentais na história da medicina experimental. Uma das referências médicas no Oriente e Ocidente auxiliando consolidar Al-Razi como um dos mais influentes na história da medicina, em “Obras Mestras” dedica a análise de trabalho cuja metodologia baseada na observação, comparação e experimentação, marca etapa decisiva no desenvolvimento do pensamento médico, sendo Al-Hawi considerada a obra mais extensa e célebre de Al-Razi, enquanto trabalhava em hospitais em Rayy e Bagdá onde reuniu conhecimento das tradições médicas grega, indiana e árabe, acrescentando  observações clínicas e experiência no diagnóstico e tratamento de doenças. Observam os historiadores da medicina que a obra não atingiu sua forma final durante a vida de Al-Razi, pois faleceu antes de revisá-la e organizá-la completamente e, seus alunos, posteriormente compilaram e organizaram suas anotações transformando-as em uma das maiores enciclopédias médicas da história, sendo que a singularidade de Al-Hawi reside no fato de ter ido além da mera transmissão de conhecimento e adotado abordagem na observação direta e experimentação, não se limitou reproduzir opiniões dos médicos que o precederam, as examinou, comparou-as com suas experiências e documentou a evolução diária de casos clínicos, registrando resultados favoráveis ​​ou negativos dos tratamentos aplicados. A obra contém observações sobre doenças do sistema respiratório, digestivo e nervoso, descrições de feridas, fraturas e abscessos, aborda medicamentos, suas propriedades e métodos de administração, utiliza metodologia semelhante à que hoje conhecemos como documentação clínica, dentre as contribuições científicas mais notáveis ​​de Al-Razi, destaca-se a diferenciação entre varíola e sarampo, avanço que mudou a compreensão das doenças epidêmicas do qual médicos europeus se beneficiaram posteriormente. Por fim, a obra foi impressa pela 1ª vez em Brescia, Itália, em 1486, tornando-se um dos primeiros livros de medicina publicados na Europa pós disseminação da imprensa no século XVI e  reimpressa diversas vezes em Veneza, com universidades europeias utilizando-a como referência ao ensino da medicina até o século XVII, além de fazer parte do currículo da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris por anos, refletindo influência no desenvolvimento da medicina europeia. Reem Al-Kamali, escritora, descreveu Al-Hawi, em artigo publicado Al-Bayan como projeto científico que ocupou grande parte da vida da autora, sendo que o registro de observações clínicas e análises fez da obra testemunho do desenvolvimento da medicina experimental na civilização árabe-islâmica e referência por séculos. Nenhum manuscrito original completo escrito por Al-Razi foi preservado, embora cópias de Al-Hawi ultrapassem 10 mil páginas, sendo que o exemplar mais antigo conhecido data de 1094, guardado na Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, além de exemplares na Biblioteca Bodleiana da Universidade de Oxford e outras instituições internacionais.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Subsídios

A maioria dos países não cumpriu a meta de 2025 em identificar subsídios que seriam “prejudiciais” à biodiversidade, quer dizer, 84% perderam o prazo dos subsídios ‘prejudiciais à natureza’ e, 32 países, gastam US$ 270 bilhões/ano em subsídios e incentivos prejudiciais a biodiversidade. Em 2022, quase todos os países concordaram com “objetivos” e “metas” em deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030, uma delas, que identificassem até 2025 os subsídios que prejudicam a biodiversidade, antes de eliminar ou reformar pelo menos US$ 500 bilhões desses incentivos até 2030. Podem ser encontrados em setores incluindo combustíveis fósseis, agricultura, silvicultura, mineração e pesca e 21 países parecem ter atingido a meta de 2025, segundo o Carbon Brief, com base na análise de 134 relatórios nacionais submetidos à CDB, Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, até 1º de julho de 2026, enquanto  5 dos 17 países megadiversos estavam entre os que cumpriram o prazo. Análise mostra o número de países que atingiram a meta de 2025 para identificar uso de subsídios prejudiciais à natureza, entretanto, métricas para determinar quais “atingiram” a meta não são explicitamente definidas considerando qualquer país que afirmasse ter concluído o processo de identificação dos subsídios e, em quase todos os casos, incluíram valor total ao valor dos subsídios. Conclui que 21 países identificaram subsídios prejudiciais, equivalendo a 16% dos que apresentaram relatórios nacionais até agora, outros 11 países, mais a UE, forneceram números para alguns dos subsídios como apenas os de um setor específico e, dos 134 relatórios nacionais submetidos à CDB, 66 se referem ao início do processo, enquanto 68 restantes não, os últimos 62  signatários da CDB não apresentaram relatório nacional. Eva Zabey, da Business for Nature, nos informa que os que identificaram alguns ou todos os subsídios, 32 países, gastam quase US$ 270 bilhões/ano em incentivos prejudiciais à natureza, baseado em contagem de valores ano disponível mais recentemente listados nos relatórios nacionais dos países, em dólares americanos, utilizando taxas de conversão no fim de um determinado ano e ajustadas pela inflação, daí, os US$ 270 bilhões relatados nas submissões nacionais até o momento são “a ponta do iceberg” e que o valor global pode chegar a US$ 1,8 trilhão, estimativa de 2022 do B Team, ONG sem fins lucrativos. Avalia que os números identificados são “aviso” que o “mundo não está se movendo rápido o suficiente” para lidar com subsídios prejudiciais, acrescentando que, “a notícia positiva é que alguns países mostraram que isso pode ser feito e deve encorajar outros a seguir o exemplo e que a reforma dos subsídios deve ser tratada como econômica, não como lista de verificação ambiental."

O objetivo de identificar subsídios decorre da meta 18 do GBF, Quadro Global de Biodiversidade, de Kunming-Montreal, ou, o acordo global que contém objetivos e metas à natureza exigindo dos países até 2025 identificarem subsídios e incentivos  prejudiciais à biodiversidade, afirma que, as nações devem “eliminar  gradualmente ou reformar” estes subsídios de forma “proporcional” reduzindo-os em pelo menos US$ 500 bilhões/ano até 2030, afirma ainda que, os países devem focar incentivos “mais prejudiciais” e, ao mesmo tempo, aumentar incentivos positivos à natureza. A questão se traduz que os relatórios nacionais dos países’ não “fornecem base suficiente para determinar” se o marco 2025 foi atingido, mas, evidências disponíveis “sugerem” que não, considerando não haver conceito universalmente aceito de “subsídio prejudicial à biodiversidade”, ou, como difere de um subsídio prejudicial ao meio ambiente, daí, subsídios ambientais “prejudiciais” impactam no ambiente humano’, ao passo que, os prejudiciais à biodiversidade afetam diretamente espécies e ecossistemas. Documento de  de 2022 sobre identificação de subsídios prejudiciais à biodiversidade publicado pela OCDE, Organização à Cooperação e Desenvolvimento Econômico, descreve  biodiversidade como subconjunto do ambiente, com clima e ar fora do âmbito da “biodiversidade”, no entanto, o relatório observa que mudanças climáticas são dos 5  impulsionadores da perda de biodiversidade e, acrescenta que, “como tal, subsídios que conduzem a maiores emissões de gases efeito estufa, por exemplo, terão impacto indireto na biodiversidade.” Jessica Dempsey, da Universidade Colúmbia Britânica, avalia que “com certeza” consideraria subsídios aos combustíveis fósseis como prejudiciais à biodiversidade, não apenas como fator determinante das mudanças climáticas, mas, porque sua extração pode causar danos à biodiversidade, acrescenta, “provavelmente é verdade que os subsídios prejudiciais não estão necessariamente relacionados a biodiversidade, algum cuidado nisso é importante, mas, subsídios aos setores conhecidos como motores da perda de biodiversidade parecem óbvios.” Por fim,  subsídios que prejudicam a biodiversidade podem ser diretos ou indiretos, com os diretos referindo-se a despesas governamentais destinadas a projetos que prejudicam a natureza como construção de usina elétrica a gás, enquanto os subsídios indiretos, incluiriam isenções fiscais que incentivam determinado comportamento, como taxas de imposto mais baixas sobre combustíveis à máquinas agrícolas. Concluindo, subsídios na agricultura, pesca e energia são considerados mais “prejudiciais”, mas, os danos também podem ser causados pelo apoio à silvicultura, infra-estrutura, transporte, construção, água, daí, estimativa do total global de subsídios que prejudicam a biodiversidade focar entre US$ 1,7-3,2 trilhões/ano e a estimativa de subsídios prejudiciais ao ambiente estimar valor em US$ 2,6 trilhões.

Moral da Nota: a equipe do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Brasil, reconstruiu a distribuição da vegetação tropical nos últimos 3,3 milhões de anos e projetou como poderá sofrer mudanças devido ao clima até 2050, estudo que foi publicado no Journal of Biogeography. Combinou dados de satélite, registros paleoclimáticos e algoritmos de aprendizado de máquina para mapear como, florestas, savanas e desertos se redistribuíram nos trópicos ao longo de 11 períodos de tempo, ou, do fim do Plioceno ao presente, mostrou que as mudanças climáticas atuais podem dentro de décadas impactar a vegetação tropical semelhantes aos 3 milhões de anos de história do planeta. Quer dizer, a cerca de 3,2 milhões de anos atrás, quando a Terra era quase 4º C mais quente que hoje, florestas tropicais atingiram sua menor extensão no período analisado, Floresta Amazônica, por exemplo, cobria menos da metade da área que conhecemos, a Mata Atlântica foi reduzida a menos de 5% da extensão potencial, enqaunto savanas dominavam paisagens hoje cobertas por florestas. Na África, continente tropical que mais mudou ao longo do período de estudo, as florestas foram escassas e as savanas dominaram quase inteiramente, o Saara, hoje, maior deserto quente do mundo, nem sempre foi assim, no Plioceno, abrigou mosaicos de arbustos e vegetação esparsa e, conforme ciclos glaciais dos últimos 2 milhões de anos, as florestas flutuaram, avançaram durante os períodos mais quentes e recuaram nos mais frios. O estudo relata que nos 21 mil anos atrás, auge da última era glacial, a Amazônia perdeu quase um terço da área, mantendo um núcleo contínuo e nunca se fragmentou completamente, enquanto a Mata Atlântica, dividiu-se em 2 blocos separados por centenas de kms de vegetação aberta. Algo diferente aconteceu no Sudeste Asiático, segundo a pesquisa da UFMG, em que quase um terço do Arquipélago Malaio manteve florestas intactas por mais de 3 milhões de anos tornando a região área tropical mais estável do planeta, ou, 22% dos trópicos permaneceram estáveis no período analisado, áreas que funcionaram como refúgios acumulando biodiversidade ao longo de milhões de anos.  As transformações foram lentas ocorrendo ao longo de centenas de milhares de anos, tempo suficiente às espécies migrarem, se adaptarem, ou, em alguns casos, evoluírem, enquanto a megafauna sul-americana como preguiças gigantes, tatus do tamanho de carros e mastodontes não sobreviveu as mudanças juntamente com outros fatores como a chegada dos humanos. Por fim, as projeções para 2050 no cenário de maiores emissões, indicam que as temperaturas nos trópicos podem aumentar entre 2ºC e 4ºC, na Amazônia o aumento pode chegar a 4º enquanto a combinação de calor e seca pode transformar florestas densas em vegetação aberta, podendo fazer com que a Amazônia perca mais de um terço de suas florestas, já o Arquipélago Malaio, Indonésia, Malásia, Filipinas, Brunei, Timor Leste e Papua Nova Guiné, que permaneceu estável por 3,3 milhões de anos pode ter as florestas reduzidas em mais de 40%, sendo que a magnitude destas mudanças é comparável à que ocorreu ao longo de milhões de anos. Para concluir, o ar se move suavemente ao longo de minutos, sentimos uma brisa, quando a mesma massa de ar percorre a mesma distância em uma fração de segundo, temos um tornado, quer dizer, a mudança comprimida ao longo do tempo torna-se destrutiva e o que está acontecendo com o clima dos trópicos é parecido com isso, ou,transformações que levaram milhões de anos podem agora ocorrer em décadas, quer dizer, a estabilidade que protegia pode tornar-se vulnerabilidade.