O PNUMA e a Prefeitura de Paris promovem iniciativa de contribuição ao esforço de implementação do Mutirão contra o Calor Extremo, emergiu na COP30 em Belém visando acelerar ações no combate ao calor extremo e resfriamento sustentável. Lançada no Heat Action Day, antes do Dia Mundial do Meio Ambiente, a iniciativa 50&50 reúne cidades para fortalecer preparação ao calor, testar sistemas, além de compartilhar soluções acelerando ações de proteção das comunidades quanto reduzir emissões que impulsionam aumento das temperaturas. No Dia Mundial do Meio Ambiente de 2026 e nos anos seguintes, a iniciativa 50&50 reuniu comunidades urbanas comprometidas com resiliência ao calor passando da adaptação à transformação através da aprendizagem entre pares à garantir bem-estar antes do enfrentamento de emergências relativas ao calor. Estão inseridas na ação climática 50 cidades e ao mesmo tempo adaptando-se a mundo com 50°C para enfrentar um dos riscos climáticos mais crescentes e mortais, ou, o calor extremo, com cidades como Antalya, Lagos, Melbourne, Mendoza, Paris e Yangzhou unindo forças através da iniciativa 50&50 para aprender com experiências umas das outras e compartilhar abordagens comprovadas à adaptação e preparação ao calor extremo. A iniciativa promove soluções práticas e centradas no cidadão, incluindo “ilhas de resfriamento” em espaços públicos, expansão de áreas verdes, instalação de espelhos d'água, desenvolvimento de centros de resfriamento, criação de sistemas de alerta precoce, melhoria da infraestrutura cicloviária, aumento de áreas sombreadas e uso de materiais refletivos para reduzir absorção de calor incentivando planejamento urbano mais resiliente. Inger Andersen, Diretora do PNUMA, informa que, “calor extremo transforma o cotidiano em cidades do mundo, enfrentando níveis perigosos em todos os cenários climáticos, representando risco particular à pequenos agricultores e membros mais vulneráveis da comunidade” e, conclui, “auxilia líderes agirem mais rapidamente compartilhando soluções práticas que protegem as pessoas, reduzem desigualdade e fortalecem resiliência urbana.” A cidades ao redor do mundo estão vivenciando ondas de calor mais longas à medida que as temperaturas se elevam, tornando-as intensas e frequentes contribuindo para quase meio milhão de mortes/ano, tornando sistemas de transporte, residências, espaços públicos e escolas inseguros nas horas mais quentes, além de aumentar a demanda por energia e exacerbar desigualdades exercendo pressão crescente sobre sistemas de saúde, especialmente quando combinados a poluição do ar, infraestrutura energética e economias urbanas. “O calor extremo está se tornando desafio crucial às cidades no mundo e, com base no próprio exercício de simulação de 50°C realizado em Paris, a iniciativa reflete uma forte convicção, as cidades devem agir em conjunto para antecipar calor extremo e proteger seus habitantes. Emmanuel Grégoire, prefeito de Paris, diz que, "cooperação é a ferramenta mais poderosa” e, ao longo de 2026, várias cidades realizarão seus próprios testes de resiliência ao calor extremo com apoio do PNUMA, do C40 Cities, do Climate Leadership Group e da cidade de Paris, que realizou exercício simmilar. Por fim, o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado anualmente em 5 de junho, é dia de defesa e ação ambiental no mundo, liderado pelo PNUMA e realizado desde 1973, tornou-se a maior plataforma mundial de conscientização ambiental com milhões no planeta participando para proteger o ambiente, enquanto o Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA, é a principal voz em questões ambientais, oferecendo liderança e promovendo parcerias à gestão ambiental responsável, alem de informar e capacitar nações e povos melhorarem qualidade de vida sem comprometer gerações futuras.
Relatório do PNUMA mostra que a Terra está em espiral ambiental descendente que ameaça o futuro de bilhões de pessoas e, para se salvar, a 7ª edição do Global Environment Outlook afirma que a humanidade precisa mudar no modo como administra economias, utiliza matérias-primas, gerencia resíduos, gera energia, produz e consome alimentos além de tratar o ambiente. Os autores do relatório, grupo de 300 cientistas multidisciplinares e comunidades no mundo começaram reformular sistemas e, os primeiros resultados mostram que é possível proteger o ambiente e criar oportunidades, com Maarten Kappelle, chefe de Escritório de Ciência do PNUMA, dizendo que “com frequência, as pessoas encaram como escolha binária, ou, o meio ambiente ou a economia” e, conclui, “é possível construir economia que beneficie pessoas e o planeta, aliás, isso já acontece em todos os lugares, de Burkina Faso à Índia, neste exato momento.” Povos indígenas Adivasi da Índia que vivem dentro e ao redor da famosa Reserva de Tigres de Periyar lutaram contra o desemprego e pobreza, no final da década de 1990 o governo e grupos doadores lançaram projeto que uniu desenvolvimento e conservação e, muitos dos 200 mil membros da comunidade Adivasi, foram treinados para se tornar guias de vida selvagem e guardas florestais, auxiliando proteger grandes felinos ameaçados e impulsionando ecoturismo, que proporcionou estabilidade e empregos às famílias locais. A China na década de 1990 era depósito de lixo eletrônico, grande parte importado ilegalmente do exterior, de computadores antigos a geladeiras inundavam aterros e lixões, contaminando solo e água e, nas últimas 2 décadas, incentivou criação de empresas licenciadas para reciclagem de lixo eletrônico, hoje, processam componentes eletrônicos incluindo placas de circuito impresso, cartuchos e telas de cristal líquido, impedindo que substâncias tóxicas como mercúrio escapem ao ambiente além de gerar empregos e, em 2020, 50% do lixo eletrônico chinês era reciclado. Por fim, o Nature Conservancy, grupo ambientalista americano, comprou US$ 13 milhões em dívidas das Seychelles em troca da promessa que o país criaria áreas marinhas protegidas ao longo da costa, chamada de troca de dívida por natureza permitindo que protegessem 30% das águas marítimas nacionais, aumento em relação aos menos de 1% registrados em 2015. A agricultura na região do Sahel, África, durante décadas exibia faixa de terra semiárida fronteiriça com a parte sul do Saara, secas e chuvas irregulares ligadas às mudanças climáticas levaram à perda de colheitas e, em passado não distante, à fome e, nos últimos anos, agricultores de Burkina Faso ao Quênia adotaram técnica agrícola tradicional conhecida como zai que auxilia mudar esse cenário, método que não agride o ambiente em que agricultores cavam buracos em solos degradados e os preenchem com composto ou fertilizante natural concentrando a pouca água disponível e criando solo fértil às sementes, alguns agricultores chegam usar cupins à quebrar o solo duro e seco resultando no aumento da produtividade em até 500%.
Moral da Nota: uma em cada dez empresas da Europa com valor de mercado superior a US$ 1 bilhão citou calor extremo, seca e incêndios florestais em teleconferências de resultados do 2º trimestre, percentual recorde, de acordo com dados divulgados pelo Financial Times da plataforma de inteligência de mercado AlphaSense. O impacto de condições climáticas extremas nos negócios aumentou devido ondas de calor extremo que atingiram a Europa no verão, quer dizer, continente que aquece mais rapidamente no mundo forçando executivos abordar impactos climáticos com investidores. O calor impulsiona demanda por produtos como piscinas, ar-condicionado, protetor solar, bombas de água subterrânea e geradores de eletricidade, no outro lado, interrompe atividades, caso de empresas de serviços públicos, setor agrícola e prestadores de serviços de infraestrutura que enfrentam maiores riscos operacionais e redução na produtividade da mão de obra. O diretor do Groupe SEB,fabricante francesa de eletrodomésticos, disse que a empresa vendeu 30% mais ventiladores na Europa em junho, comparado a 2025, a multinacional alemã Beiersdorf teve em junho o mês com o maior volume de vendas de protetores solares na história, a Beijer Ref, empresa sueca que fornece equipamentos de refrigeração e ar-condicionado observou o maior aumento na demanda de mercados mais recentes na Europa Central, Reino Unido e França. Empresas afirmaram ter implementado ou previsto mudanças para adaptarem negócios aos verões mais quentes com desenvolvimento de produtos ou práticas de trabalho, o grupo de engenharia holandês Koninklijke Heijmans estuda possibilidade de licença por frio aos trabalhadores ser substituída por política de licença por calor, considerando que temperaturas de 35°C obrigam equipes interromperem trabalho. No campo, ondas de calor obrigam agricultores modificar o modo e horário de trabalho em países europeus com colheitas noturnas, cobertura com redes de sombreamento, resfriamento de estábulos e mudanças no cronograma de plantio, sendo que grandes extensões da zona rural britânica parecem deserto de poeira pós ondas de calor. Por fim, a EEA, Agência Europeia do Ambiente, esclarece que eventos climáticos extremos geraram perdas de R$ 1,18 trilhão na UE entre 2021 e 2024, com dados históricos não mais fornecendo base adequada para calcular probabilidades de perdas e, por isso, o mercado financeiro e de capitais depende cada vez mais de análises de cenários prospectivos, com seguradoras se preparando à era de risco de catástrofes na Europa, não considerando recentes ondas de calor extremo como choque temporário, mas, como tendência de longo prazo. A Autoridade Bancária Europeia, EBA, desenvolve meios de medir impacto financeiro do calor extremo devendo incluir o calor como categoria separada nos testes de estresse que avaliam capacidade das instituições financeiras suportarem perdas e, segundo a EBA, ondas de calor aparecem em indicadores como produtividade do trabalho, desempenho de setores econômicos, demanda por energia, produção agrícola e atividade econômica, quer dizer, o Financial Times estima que a perda supera a previsão anual da UE, ou, calor extremo afeta seguros, indústria, transporte e geração de energia.