quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Svalbard

No Oceano Ártico a 640 km do Polo Norte, emerge Svalbard, ilha batizada com nome viking à "borda fria", permaneceu quase intocada antes de ser utilizada como base de caça as baleias nos séculos XVII e XVIII e, posteriormente transformada em centro de mineração de carvão no século XX, a capital, Longyearbyen, tem vocação turística e, ao norte, a estação de pesquisa climática instalada na antiga cidade mineira de Ny-Alesund abriga institutos científicos da China, França, Alemanha, Índia, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido. Perto da costa se localizam edifícios cercados por vasta área selvagem abrigando ursos polares, raposas-do-ártico e renas, do lado oposto, avançam geleiras e fiordes que deságuam no Oceano Ártico, ambiente, que oferece aos cientistas porta de entrada à estudo de como mudanças climáticas afetam gelo, oceano, atmosfera e ecossistemas do Ártico. Aqui, o detalhe, Svalbard é local que aquece mais rapidamente na Terra, temperaturas subiram 7 vezes mais rápido que a média global, em 2024, no fim do verão polar, cientistas conversaram sobre impactos climáticos que assistiram onde a temperatura se eleva mais rapidamente. A primeira questão a ser abordada é o conhecimento que no Ártico é onde vivem ursos polares e Antártida onde vivem os pinguins, com a cientista norueguesa pesquisando sobre permafrost buscando modelar mudanças na paisagem sob alterações climáticas, além de estudos da biogeoquímica na Noruega continental, desenvolvendo conhecimento sobre emissões de gases efeito estufa em área de turfeira vulnerável às mudanças do clima. Avalia geleiras derretendo, ouvindo-as se desprender e cair no oceano durante o verão, processo natural intensificado pela ação humana, Svalbard é local que está aquecendo mais rapidamente, em Yamal, Rússia, existem crateras que emitem gases efeito estufa com aparência assustadora, como um grande buraco, trata-se de ambiente difícil de trabalhar, as coisas são priorizadas de modo diferente, pois no Ártico, tudo depende de você e um pequeno grupo de pessoas, ser cuidadoso e educado com as pessoas e a natureza e, ver um urso polar, precisa ser ainda mais educado. No Ártico vivem povos indígenas necessitando melhor conhecimento de suas vidas e cultura, principalmente na Rússia com zona ártica imensa, em que todos deveriam conhecer as condições que os povos indígenas vivem e como as mudanças climáticas afetam suas vidas. Por fim, alguns dos pesquisadores conheceram pessoas que trabalharam no Ártico no início dos anos 90, há 30 anos, disseram que fazia muito frio no verão e quase sempre nevava, agora, quase sempre chove e, supostamente, Svalbard é um semi-deserto do Alto Ártico, mas, chove bastante, em 2015, uma avalanche em Longyearbyen matou 3 pessoas, hoje, quem visita Longyearbyen pode ver cercas construídas para impedir que avalanches desçam a encosta da montanha.

Cientistas do instituto de pesquisa Ceitec Universidade Tecnológica de Brno, testam método de purificação de água que utiliza luz para ativar material feito de ureia, com experimentos em laboratório relatando eficiência de até 97%. Utilizaram água contaminada com azul de metileno, corante, com pesquisadores investigando se a mesma abordagem ajudaria remover microplásticos, embora o trabalho esteja em fase inicial. A luz ativa o material de limpeza, a ureia é substância orgânica disponível e que ocorre naturalmente, ao processá-la, pesquisadores produziram nitreto de carbono grafítico, composto de carbono e nitrogênio que pode ser usado à fotocatálise, ou, processo no qual a luz ativa um catalisador. Daina Arenas Buelvasová, cientista colombiana radicada na República Tcheca, em comunicado do Ceitec à imprensa, informa que “o composto funciona como catalisador ativado pela luz incidente”, explicou, a ativação libera substâncias que decompõem contaminantes na água, descreve vantagem em relação aos métodos de filtração que capturam poluentes e os deixamcoletados e descartados, o material desenvolvido captura contaminantes e os decompõe quando exposto à luz em experimentos de laboratório com azul de metileno a equipe relata eficiência de 97%. O resultado se refere ao corante, não estabelece desempenho  contra outros poluentes ou condições cotidianas de tratamento de água, a pesquisa sobre microplásticos está nos primórdios e a próxima questão é se o nitreto de carbono grafítico poderia ser útil contra microplásticos, com a dra Arenas dizendo que “descobrir se a fotocatálise usando nitreto de carbono grafítico pode ser usada para remover microplásticos é o foco, mas estamos apenas no começo”, disse Arenas. Por fim, a distinção importa, a equipe relatou resultados promissores em água contaminada com corantes enquanto a remoção de microplásticos continua sendo foco   da pesquisa, por ora, as conclusões se referem a método de tratamento experimental, cujos testes adicionais determinarão abrangência da aplicação e se os resultados de laboratório podem ser traduzidos em tecnologia prática de purificação de água.

Moral da Nota: fevereiro de 1979, 1ª Conferência Mundial do Clima realizada em Genebra patrocinada pela OMM, Organização Meteorológica Mundial, com cientistas levantando preocupações sobre alterações climáticas e potenciais danos à humanidade, pediram aos governos que antecipassem e prevenissem mudanças climáticas consideradas potencialmente prejudiciais e causadas pelo homem. A conferência auxiliou transferir investigação sobre alterações climáticas à agenda política internacional, com as conferências em 1985 e 1988 dando impulso à ação internacional, daí, a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas estabeleceu a COP como órgão dirigente, adotada em Nova York em 9 de maio de 1992 e aberta à assinatura na Cúpula da Terra do Rio de Janeiro, Brasil, em junho de 1992, embora a pedra fundamental tenha sido lançada em 1992, a convenção deu início ao funcionamento em Berlim, Alemanha, a partir de 7 de março de 1995, em 1992, participaram 154 países, hoje, são 198 membros, 197 países e UE. A UNFCCC, Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, no contexto da COP, as partes referem-se aos estados e à UE que aderiram à convenção climática da ONU, convenção, é o tratado-mãe do Acordo de Paris de 2015, tratado climático juridicamente vinculativo adotado pela UNFCCC na COP21 em dezembro de 2015, cujo principal objetivo é prevenir alterações climáticas perigosas induzidas pelo homem, quer dizer, a COP reúne países a negociar, cumprir compromissos, analisar progresso e apoiar implementação e responsabilização no âmbito dos acordos sobre alterações climáticas, enquanto a cúpula anual do clima, comumente chamada de COP, inclui reuniões de 3 órgãos governamentais, ou, COP à UNFCCC, CMP ao Protocolo de Kyoto de 1997 e CMA ao Acordo de Paris 2015. Buscando reduzir emissões de gases efeito estufa que impulsionam o aquecimento global, a COP implementa o Acordo de Paris à manter aumento da temperatura média global abaixo de 2°C acima dos níveis pré-industriais e prosseguir em limitá-la a 1,5°C, apoiando países tornarem-se resilientes a impactos climáticos, providenciar financiamento climático à ação climática, às economias em desenvolvimento em partciular e abordar perdas e danos causados às economias vulneráveis que sofrem por eventos climáticos revendo níveis de emissões.Trabalha na melhoria das competências e apoia tecnologias relacionadas ao clima e coletivamente promove realização de compromissos em matéria de ação climática, fator importante, influenciado no progresso da COP pela tomada de decisões que utiliza modelo de consenso em vez de votação majoritária, até agora, nenhum país chegou a acordo sobre mecanismo alternativo à tomada de decisões se não for alcançado consenso, fator que explica acordos mais lentos que nem sempre agradam países. Por fim, o propósito da COP se estabelece além do controle da poluição com  oportunidade aos países sustentarem proteção climática, segurança alimentar e  ecossistemas sustentáveis, sendo que esforços da COP continuam com a COP31 agendada de 9 a 20 de novembro de 2026 em Antalya, Turquia, tendo como presidente designado o Ministério do Meio Ambiente da Turquia. A COP31 enfatiza a tradução de compromissos climáticos em reduções mensuráveis de emissões, tornando financiamento acessível e fornecendo apoio às comunidades vulneráveis, prioridades e expectativas e, não resultados acordados, a COP31 propõe diálogo coletivo e plano de reforço à ação de manter o aquecimento global em 1,5 °C, sendo discutidas medidas à transição dos combustíveis fósseis à energias limpas, no futuro, espera-se que a COP31 se concentre mais na implementação dos compromissos que negociação de novo tratado abrangente.

domingo, 11 de outubro de 2026

Cidades

Centros urbanos precisam enfrentar emissões de gases efeito estufa, sendo importante  alcançar esse objetivo pela redução do número e duração dos deslocamentos, daí, o planejamento urbano necessita combater emissões de gases efeito estufa, podendo ser obtido garantindo que residências se localizem próximo aos centros urbanos e locais de trabalho, de modo que a densificação imobiliária planejada torne-se alavanca. Densidade populacional e conexões de transporte urbano têm importância secundária, estas, são as conclusões de estudo publicado na Environmental Research Letters, liderado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, PIK, parceria   com a Universidade da Califórnia, Berkeley e Universidade de Sussex, utilizando 10 milhões de pontos de dados de mobilidade de Berlim, Boston, Los Angeles, região da Baía de São Francisco, Rio de Janeiro e Bogotá, revelando ligações entre a estrutura urbana e deslocamento automotivo com nível de detalhe sem precedentes, além de meras correlações. A abordagem demonstra como planejadores usam dados de GPS, padrões de deslocamento e IA à determinar, onde em região metropolitana determinada, medida terá maior impacto, com Felix Wagner, doutor pelo PIK em 2025 que liderou o estudo como parte da pesquisa de doutorado, dizendo que, “o modelo revela interdependências entre fatores urbanos, mesmo antes de determinarmos seus efeitos específicos” e, conclui, “isso muda recomendações dadas de modo responsável a planejadores, as distâncias até os centros urbanos e locais de trabalho são essenciais. Por fim, a densificação urbana não pode ser vista isoladamente, necessita entender como a densidade urbana se relaciona com fatores secundários como conectividade, escolha   da localização residencial e acessibilidade.

Áreas urbanas representam parcela das emissões globais de carbono e o papel da forma urbana na configuração das emissões não é bem compreendido, embora estudos tenham se concentrado em taxas de urbanização e densidade populacional, menos atenção foi dedicada à configuração geométrica urbana e a relação com emissões específicas de cada setor ao longo do tempo. Ao combinar definições harmonizadas de áreas urbanas com dados de alta resolução sobre emissões residenciais de transporte rodoviário e múltiplos indicadores geométricos da forma urbana, constata-se que configurações urbanas mais compactas se associam a menores emissões per capita em ambos os setores, no entanto, a força da relação varia entre regiões, sendo mais forte e robusta em países de baixa e média renda e mais fraca ou não estatisticamente significativa em regiões de alta renda. Os resultados são robustos em diferentes especificações mas devem ser interpretados como associações condicionais e não como efeitos causais, de modo geral, destacam a relevância da forma urbana como dimensão do desempenho ambiental ao mesmo tempo que sublinham a importância do contexto econômico e institucional, em consequência a análise estatística das características urbanas no mundo e associação com emissões de CO2 requer definição consistente e internacionalmente comparável de “centro urbano”, visto que, a caracterização de uma “cidade” pode variar entre países. A comparabilidade internacional das informações sobre centros urbanos foi trazida à tona pela Comissão Estatística da ONU que endossou nova definição global de centros urbanos buscando superar falta de consistência na identificação entre países, quer dizer, a definição foi elaborada em parceria com outras organizações internacionais, incluindo UE, OCDE, Banco Mundial, ONU-Habitat, FAO e OIT. Por fim, a nova definição desconsidera influência de fatores sociais, econômicos ou geográficos que variam em nível nacional e define cidades em termos de população e densidade totais, caracteriza uma “cidade” como assentamento humano com população acima de 50 mil habitantes e densidade populacional média acima de 1.500 habitantes por km², em consonância com desenvolvimentos nas estatísticas oficiais. As cidades são atribuídas a seus respectivos países, continentes e grupos de renda do Banco Mundial, utilizando informações sobre limites administrativos do conjunto de dados Global Administrative Boundaries, GADM, ao passo que dados são polígonos espaciais que representam limites de entidades administrativas no mundo em diferentes níveis, ou, municípios, províncias, regiões, países e continentes. O impacto da forma urbana nas emissões de CO2 são estimadas regressões com efeitos fixos específicos à cada cidade, permitindo controlar fatores invariáveis ​​no tempo como características geográficas ou institucionais que podem influenciar níveis de emissão urbana ao longo do tempo. 

Moral da Nota: o Ministério Público entrou entrou com ação judicial contra a subsidiária da Shell no Brasil, exigindo reparação de US$ 108 milhões decorrente enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, nos meses de abril e maio de 2024, deixando quase 200 mortos, 500 mil deslocados e danos materiais. O processo responsabiliza a petrolífera por conta da contribuição ao aquecimento global, estima em 2% das emissões globais de gases efeito estufa, sendo que documentos judiciais mostram que "a ação civil responsabiliza a empresa ré, em termos de responsabilidades ambientais e climáticas, por danos materiais e morais coletivos decorrentes o evento climático extremo que atingiu o estado do Rio Grande do Sul" e, segundo promotores, a empresa  deveria ser responsabilizada por emissões passadas e atuais de gases efeito estufa associadas à exploração, produção e venda de combustíveis fósseis. A ação brasileira relativa ao clima em parceria com o Instituto Preservar, ONG brasileira, marca fase na batalha global nos tribunais contra petroleiras, com a diretora de litígios climáticos globais do Centro Sabin de Direito das Mudanças Climáticas, dizendo que, "é a 1ª vez que o Ministério Público nacional processa uma empresa petrolífera por desastre climático", disse, ao passo que o advogado do Instituto Preservar, avalia que, os "custos dos danos climáticos não devem recair apenas sobre a sociedade e os que perderam tudo na tragédia", concluindo que, "os principais poluidores, que contribuem significativamente às emissões de gases efeito estufa e às alterações climáticas, devem responder pelas perdas que ajudam causar", comunicado de imprensa. No mundo, ações judiciais tentam através de reparação exigir que o poluidor indenize os danificados ou ameaçados por mudanças climáticas, proporcionalmente às emissões de gases efeito estufa da empresa, com tribunais alemães adotando esse princípio em 2025 decorrente caso movido pelo peruano Saul Luciano Lliuya contra a empresa de energia RWE, embora rejeitado pedido de indenização, os tribunais deixaram a porta aberta para responsabilizar emissores de gases efeito estufa de pagamentos relativos  ao clima. Em vários países, processos incluindo casos de filipinos danificados pelo tufão Odette contra a Shell no Reino Unido, na ilha de Pari, Indonésia, contra a fabricante de cimento Holcim na Suíça e paquistaneses afetados pelas enchentes de 2022 contra a RWE e a Heidelberg Materials na Alemanha. Por fim, vale dizer, que ambientalistas perderam ações judiciais contra petrolíferas nos EUA e, na Nova Zelândia, a lei foi mudada buscando bloquear ação movida por Mike Smith contra 6 empresas nacionais, no entanto, promete continuar lutando.