quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ciência da Idade

Artigo refletindo sobre estratégias de descoberta e intervenção na pesquisa sobre envelhecimento, destaca limitações e sugere meios de desenvolver abordagens mais abrangentes buscando aprimorar compreensão do envelhecimento, com estudo sobre biogerontologia levantando questão sobre a "ciência da idade", conceito, que pessoas morrem de "velhice" ao argumentar que a morte ocorre em decorrência a doenças específicas e reconhecíveis, com Maryam Keshavarz e Dan Ehninger, do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, apontando que mesmo os centenários provavelmente saudáveis ​​sucumbem a patologias e não a processo difuso como o envelhecimento. Alertam que essa percepção desviou por decadas a pesquisa sobre a morte gerando suposições frágeis sobre como medir e manipular a idade, quer dizer, nessa idade, atingimos ponto crítico de fragilidade, conforme a ciência, sendo que a pesquisa foi  em análise sistemática de 2.410 autópsias em que foram examinadas causas de morte em idosos incluindo estudo de indivíduos com mais de 85 anos que morreram súbtamente fora de hospitais bem como autópsias de centenários. A análise revelou que doenças cardiovasculares são a maioria das causas mortis, ou, infarto miocárdio, 39%, insuficiência cardiopulmonar, 38%, e lesões cerebrais,17,9% e, dentre os centenários saudáveis, 68% de causas cardiovasculares, 25% de insuficiência respiratória e nenhuma de "velhice" e, conforme o estudo, o padrão de morte por doenças específicas é observado no reino animal embora cada espécie tenha sua "fragilidade" primária, em cães por exemplo, neoplasias causam quase metade das mortes na velhice, em moscas-de-frutas a degradação intestinal leva a infecções e, em nematóides, problemas na garganta ou musculares são decisivos. Em consequência, cientistas alertam que tal conceito representa desafio à nascente "ciência do envelhecimento", que, embora proponha tratamentos para retardar o processo de envelhecimento não se concentra nas causas específicas que levam à morte, em muitos casos, produtos dessa disciplina geram melhorias gerais nas funções corporais mas não prolongam a vida como prometem.

Considerando o envelhecimento frequentemente avaliado pela extensão da expectativa de vida e biomarcadores indiretos, abordagens que podem não capturar completamente a complexidade do envelhecimento biológico, propõe refinamentos às estratégias de descoberta e avaliação na pesquisa sobre o tema com base em dados de diferentes espécies, quer dizer, de humanos a invertebrados, em amostragem que a mortalidade é impulsionada por conjunto restrito de patologias que limitam a vida em vez de um declínio sistêmico uniforme. Sugere que a extensão da expectativa de vida pode ser resultante do atraso no início da doença sem retardar o envelhecimento, embora relógios de metilação do DNA e índices de fragilidade ofereçam valor à previsão cuja natureza limita a compreensão mecanística, sendo que em revisão sistemática há limitação na estrutura citada de "características do envelhecimento", por exemplo, estudos confundem alterações fisiológicas com mudanças na taxa de envelhecimento. Daí, estudos permitem diferenciar efeitos das alterações na mudança relacionada à idade em direção a compreensão mais mecanística e matizada do envelhecimento que apoie identificação de reguladores causais e desenvolvimento de intervenções que  modifiquem as trajetórias do envelhecimento. Por fim, o envelhecimento é enigma profundo e complexo da ciência, cativando pesquisadores, incluindo filosofia, ciências sociais, biologia evolutiva, genética e pesquisa médica,juntas, contribuem com perspectivas únicas abordando questões sobre mecanismos, causas e consequências do envelhecimento, ao mesmo tempo que oferecem informações sobre como mitigar seus efeitos na saúde e longevidade. Alguns conceitos de envelhecimento se concentram no acúmulo de danos biológicos que comprometem os sistemas do corpo, enquanto outros destacam declínio progressivo da função e fertilidade com o avanço da idade, ou, o comprometimento gradual dos mecanismos de reparo que perturba o equilíbrio entre dano e resiliência, visões, não mutuamente exclusivas, sendo que a maioria dos conceitos integra elementos de acúmulo de danos e declínio funcional, retratando envelhecimento como erosão gradual da capacidade do corpo de manter a homeostase ou equilíbrio com o meio externo. O aumento do risco de mortalidade com o avanço da idade frequentemente tratado como característica universal do envelhecimento em que análises demográficas comparativas mostram que esse padrão não é universal, com diversas espécies, especialmente invertebrados, répteis e plantas, exibindo mortalidade específica por idade insignificante ou mesmo decrescente, indicando que, embora a aceleração da mortalidade seja comum não é propriedade necessária do envelhecimento.

Moral da Nota: o envelhecimento é reconhecido como mudanças fenotípicas dependentes do tempo ​​em populações ao longo de vida média, mudanças que aumentam a probabilidade de doenças e mortalidade relacionadas à idade com padrões aparecendo universalmente entre espécies e outros moldados por contextos genéticos ou biológicos específicos. Há consenso que o envelhecimento representa a alteração dos fenótipos ao longo do tempo contribuindo à morte do indivíduo e compreender essa progressão fornece base à pesquisa que visa identificar fatores subjacentes as mudanças em diverso níveis biológicos, de mecanismos moleculares a processos do organismo, conhecimentos essenciais ao desenvolvimento de intervenções que visem causas com o objetivo de reduzir o impacto das doenças relacionadas à idade e melhorar a saúde geral na 3ª idade. A mortalidade relacionada à idade é determinada por patologias que limitam a vida e não por processo de envelhecimento generalizado e sistêmico, como resultado, o prolongamento da expectativa de vida reflete início tardio de doenças específicas em vez de desaceleração do envelhecimento em si. Quando a expectativa de vida é usada como indicador dos “efeitos do envelhecimento” através de intervenções genéticas, dietéticas ou farmacológicas, os ganhos vistos podem refletir o atraso de uma ou algumas patologias em vez de desaceleração ampla do envelhecimento em si. O envelhecimento altera múltiplos sistemas simultaneamente reduzindo a resiliência fisiológica, aumentando a probabilidade que determinada patologia se torne incapacitante, no entanto, as alterações sistêmicas são permissivas e não causais, quer dizer, cada doença relacionada à idade segue trajetória mecanística discreta, por exemplo, aterosclerose através da deposição de lipídios e inflamação, câncer pela mutação somática e seleção clonal, neurodegeneração por dobramento incorreto de proteínas e ativação glial em que molda o cenário de vulnerabilidade no qual tais eventos ocorrem e a mortalidade surge de falhas mecanísticas específicas e não de processo generalizado e uniforme de declínio.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Envelhecimento Imunológico

A função do sistema imunológico diminui no envelhecimento sendo que as populações de células da imunidade tornam-se menores e não reagem a patógenos rapidamente, o que torna o indivíduo suscetível a infecções. Pesquisadores do MIT e do Broad Institute descobriram modo de programar células no fígado para melhorar a função das células imunes T, chamada imunidade celular, podendo compensar declínio relacionado à idade do timo onde normalmente ocorre a maturação das células T, ou, imunidade celular, ao utilizar mRNA, mensageiro, para fornecer fatores que promovem sobrevivência célular T, daí, rejuvenesceram o sistema imunológico de camundongos que mostraram populações de células T aumentadas e diversificadas em resposta à vacinação e a tratamentos de imunoterapia contra o câncer. Feng Zhang,professor de Neurociências no MIT diz que, “se conseguirmos restaurar algo essencial como o sistema imunológico, esperamos poder ajudar pessoas permanecerem livres de doenças por período mais longo de suas vidas”, considerando que o timo,  órgão localizado na frente o coração, desempenha papel crucial no desenvolvimento das células T imaturas que passam por processo de controle que garante repertório diversificado, além de secretar citocinas e fatores de crescimento que ajudam as células T sobreviverem. A partir do início da idade adulta começa o processo conhecido como involução tímica, que leva a queda na produção de novas células T e, por volta dos 75 anos está bastante reduzido, com estudos de rejuvenescimento imunológico que focam fatores de crescimento de células T no sangue mostrando efeitos colaterais prejudiciais, no entanto, pesquisadores exploram possibilidade de usar células-tronco transplantadas para regenerar o timo. Por fim, descobriram que o tratamento com mRNA, mensageiro, impulsiona resposta do sistema imunológico à imunoterapia contra o câncer e, ao administrarem tratamento com mRNA a camundongos de 18 meses, que foram então implantados tumores e tratados com medicamento inibidor com alvo na proteína desenvolvida para liberar o sistema imunológico e estimular células T atacarem células tumorais.

Ainda na inovação, cientistas trabalham para avaliar o problema da poluição por microplásticos e prováveis ​​impactos sanitários, com estudo que identifica riscos à saúde decorrente fragmentos plásticos que se espalham pelo ambiente, com pesquisas sugerindo que microplásticos, por si só, podem prejudicar a biologia conhecidos por absorver outros poluentes tóxicos. Descobertas de cientistas da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho de Plymouth, Reino Unido, sugerem que micróbios desenvolvem biofilmes ou 'plastisferas' decorrentes de microplásticos, que podem abrigar bactérias e auxiliar no seu crescimento e sobrevivência, demonstrando que, microplásticos podem potencialmente disseminar patógenos e RAM, resistência antimicrobiana. Em consequência, acarretam riscos à saúde, da entrada de bactérias causadoras de doenças na cadeia alimentar ao aumento da disseminação bacteriana resistente a medicamentos, tornando infecções mais difíceis de tratar e atos médicos  arriscados, com a cientista do Laboratório Marinho de Plymouth, Pennie Lindeque, dizendo que "a pesquisa demonstra que microplásticos podem atuar como vetores à patógenos e bactérias resistentes a antimicrobianos, aumentando sobrevivência e disseminação" e, conclui, trata-se de "interação que representa risco crescente ao ambiente e a saúde pública exigindo atenção." Constatada a proliferação bacteriana resistente a antimicrobianos nas partículas de plástico em que os biofilmes que se formaram em microplásticos tinham mais genes de bactérias resistentes a medicamentos que os formados em madeira ou vidro, daí, patógenos nocivos incluindo Flavobacteriia e Sphingobacteriia eram mais comuns em microplásticos a jusante do hospital e da estação de tratamento de águas residuais onde bactérias não eram particularmente abundantes na água. Em suma, a microbiologista Aimee Murray, da Universidade de Exeter, esclarece que "a pesquisa demonstra que os microplásticos não são apenas questão ambiental, podem ter papel na disseminação da resistência antimicrobiana" e, conclui, "é por isso que precisamos de estratégias integradas e intersetoriais que combatam poluição por microplásticos e protejam tanto o ambiente quanto a saúde humana."

Moral da Nota: explorando patógenos e resistência antimicrobiana em microplásticos, de águas residuais hospitalares a ambientes marinhos, cientistas avaliaram que partículas microplásticas são poluentes ambientais prevalentes que sustentam biofilmes microbianos conhecidos como "plastisfera" e que RAM, bactérias resistentes a antimicrobianos e patogênicas, foram detectadas nas comunidades não se sabendo se os microplásticos representam risco específico em termos de RAM ou enriquecimento de patógenos. Microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de tamanho, poluentes com até 125 trilhões de partículas estimadas acumuladas nas superfícies oceânicas globais e detectadas em solos, rios, lagos e corpo humano, com preocupação recente associada as comunidades microbianas que rapidamente formam biofilmes na superfície das partículas conhecidos como plastisfera, levando a preocupações pela descoberta nessas comunidades de bactérias resistentes a antimicrobianos, RAM. A poluição antropogênica, humana, é apontada como fator que impulsiona seleção de resistência antimicrobiana, RAM, em compartimentos ambientais, tipicamente, em áreas com maior concentração de poluentes antropogênicos como estações de tratamento de esgoto, ETEs, ou, aterros sanitários, cujos genes de RAM, ARGs, tornam-se abundantes nas comunidades ambientais, fundamentalmente, antimicrobianos, metais pesados, patógenos humanos ou animais, plásticos e microplásticos, também existentes nos ambientes cujas interações entre contaminantes concomitantes  inexplorados. Por fim, um dos principais riscos de resistência antimicrobiana, RAM, associados aos microplásticos pode ser o fornecimento de substrato à formação de biofilme e transferência horizontal de genes de resistência a antibióticos, ARGs, no entanto, microplásticos podem impor riscos como incorporação ou adsorção de compostos na matriz plástica que poderia selecionar à RAM, com evidências sugerindo que há variação entre tipos de microplásticos em termos de comunidades que podem suportar, além disso, os plásticos são amplamente reconhecidos como poluentes persistentes e prevalentes que podem ser transportados por distâncias e apresentar resistência à degradação, representando risco em termos de disseminação e persistência de patógenos resistentes a antimicrobianos do que materiais naturais que se degradam em períodos de tempo mais curtos.