segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Danos Reprodutivos

Produto químico eterno tóxico associado a danos reprodutivos foi encontrado em quase todos os rios e águas subterrâneas testados na Inglaterra, de acordo com dados da Agência Ambiental obtidos pela Unearthed and Watershed através da Liberdade de Informação, sendo que a EA, Agência Ambiental, testou o TFA, ácido trifluoroacético,  em águas subterrâneas encontrando o produto químico em 43 das 49 amostras coletadas com o TFA presente nas 50 amostras de águas superficiais testadas pela EA, em linha com estudo da Universidade de York e Fidra em 2025, daí, testes sobre efeitos do TFA em animais indicaram que pode prejudicar fertilidade e bebês no útero. Não existem limites ao TFA em águas superficiais ou subterrâneas na UE ou no Reino Unido, no entanto, impõe limite de 100 ng/L de água subterrânea à produtos de decomposição de pesticidas, podendo ser considerado TFA, das 49 amostras de águas subterrâneas testadas, 42 estavam acima do nível estabelecido pela UE e 28 acima de 1.000 ng/L, com a concentração mais elevada de 10.202 ng/L nas águas subterrâneas perto de Finchingfield, Essex, comparável a níveis descritos como “excepcionalmente elevados” pelas autoridades. Nas águas superficiais a mais alta foi de 6.412 ng/L no Rio Ancholme, Lincolnshire, embora locais de teste tenham sido limitados e não representativos nacionalmente ao passo que a leitura do Rio Ancholme é 3 vezes o nível, 2.200 ng/L, que violaria o novo limite da UE à PFAS em rios e lagos se os TFA fossem únicos PFAS presentes e, atualmente, o TFA está incluído em grupo de 25 PFAS aos quais a UE estabeleceu norma às águas superficiais. TFA consiste em família de produtos químicos persistentes produzidos pelo homem, produzido, quando outros produtos químicos fluorados se decompõem, inclui, pesticidas, refrigerantes e produtos químicos industriais, com Estudos em animais levando a agência química da UE recomendar que o TFA fosse classificado como tóxico à reprodução, enquanto a Autoridade Europeia à Segurança dos Alimentos reduziu seus limites de ingestão diária tolerável na saúde, sendo que a persistência do TFA significa que permanece em rios, solos e plantas por centenas de anos, criando carga crescente de poluição à vida selvagem e ecossistemas dos quais depende. Nas águas superficiais testadas estavam 50 rios designados como Sítios de Interesse Científico, incluiu o Rio Idle Washlands em Nottinghamshire com níveis de TFA de 3.301 ng/L e o Rio Wensum em Norfolk que abriga mais de 100 espécies de plantas e vida selvagem onde os níveis foram registrados em 1.800 ng/L. Por fim, Hans Peter Arp, químico ambiental da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, especialista em TFA, disse que resultados da Agência Ambiental se colocavam entre os piores conjuntos de dados que viu, “o TFA que está na Terra hoje e pelos próximos mil anos, as concentrações que vemos agora são as mais baixas que veremos em sua vida. Nina Schrank, ativista do Greenpeace Reino Unido, avalia que “os resultados são, no mínimo, alarmantes, produto tóxico ligado a danos reprodutivos, persistente, poluição que permanece no ambiente por gerações, disseminada nos rios e águas subterrâneas da Inglaterra". O TFA não pode ser removido de modo eficaz por processos de tratamento de água  aplicados e cientistas alertam que concentrações aumentarão a menos que as emissões sejam combatidas na fonte, considerando que o produto é formado a partir de pesticidas PFAS, herbicida flufenacet, amplamente utilizado em culturas como o trigo e cevada na Grã-Bretanha apesar de já não ser aprovado na UE, em parte devido a  preocupações que possa contaminar águas subterrâneas com TFA.

A cena é profética e atual de "A 1ª Noite de um Homem", 1967, entre Walter Brooke e Dustin Hoffman em que o Sr. McGuire, amigo da família, diz a Benjamin Braddock na festa de formatura da faculdade, "Só quero te dizer uma palavra, apenas uma palavra, 'Plásticos', há um grande futuro nos plásticos, pense nisso." Hoje no topo das busca por respostas por que tão intensos e o que realmente fazem em nossas vidas, com a  Comissão Europeia no informando que microplásticos são resíduos da decomposição dos plásticos que usamos diariamente, bastante simples e emblemático. Cientistas se preocupam cada vez mais com o modo como plásticos, ou, seus produtos de decomposição chamados microplásticos e nanoplásticos, MNPs, podem interagir com o organismo humano e, se, prejudicam a saúde, com estudo no New England Journal of Medicine publicado em 2024, mostrando que centenas de participantes assintomáticos com aterosclerose, ou, endurecimento das artérias, foram acompanhados por 3 anos, daí,  placas ateroscleróticas obtidas de artérias carótidas e dos que apresentavam níveis elevados de MNPs comparados com os que não apresentavam, tiveram incidência 4 vezes maior de ataques cardíacos, AVC e morte por qualquer causa, além de associação entre  microplásticos e câncer de cólon de início precoce, porém, não são conclusões finais necessitando mais discussões e pesquisas. Artigo de revisão do NIH de 2025 analisou ​​mecanismos pelos quais os microplásticos podem induzir o câncer de cólon, mecanismos que incluem alteração do microbioma, ou, micróbios no intestino, danos à barreira mucosa do cólon e inflamação, sendo que o estudo menciona que, “na próxima década, 1 em cada 4 casos de câncer retal ocorrerá em indivíduos com menos de 50 anos”, vale  dizer que, a Sociedade Americana do Câncer reconheceu essa tendência, e, em 2018, alterou a recomendação para iniciar o rastreamento de rotina do câncer de cólon aos 45 anos, em vez de 50, aqui, trata-se de tendência. Estudo da Universidade do Novo México publicado em 2025 na Nature Medicine em que foram examinados tecido cerebral de autópsias diagnosticadas com demência, mostraram número de MNPs,nanopartículas microplásticas, 10 vezes superior aos comparados com os saudáveis, quer dizer, microplásticos também podem estar prejudicando os cérebros, mas, necessita mais estudos à conformação, além disso, pesquisadores descobriram que a quantidade de MNPs em amostras cerebrais aumentou mais de 50% entre 2016 e 2024 e, conforme NIH, Instituto Nacional de Saúde dos EUA, os nanoplásticos podem ser fator de risco ao desenvolvimento da doença de Parkinson, também não confirmado, mas, em fase de pesquisa. Por fim, cientistas não encontraram modo de eliminar plásticos do organismo humano, a única opção é limitar exposição e consumo, considerando que nanopartículas de plástico, MNPs, são onipresentes, podem ser encontradas em partículas têxteis suspensas no ar, água contaminada e alimentos processados ​​embalados em plástico havendo produtos químicos adicionados aos plásticos como ftalatos ​​para amaciar o plástico, bisfenol A, BPA, e retardantes de chama, fatores complicadores que podem causar desequilíbrios hormonais, infertilidade, problemas de tireóide, obesidade e diabetes, sendo importante reconhecer o calor como agravante da toxicidade dos plásticos já que altas temperaturas aceleram degradação plástica, razão pela qual se já sabe que não se deve reaquecer alimentos em recipientes plásticos pois contêm poliestireno que se degrada em nanopartículas microbianas, MNPs, ao entrar em contato com alimentos quentes. Enfim, artigo de 2024 do NIH menciona que microplásticos podem ser encontrados em géis de banho, cosméticos, sabonetes faciais, desinfetantes às mãos, sabonetes em barra, pastas de dente, protetores solares e xampus.

Moral da Nota: a subsidiária brasileira da Shell está sendo processada por procuradores federais independentes e uma ONG por suposta responsabilidade pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, Brasil, em comum, tufão nas Filipinas e inundações no Brasil e novamente a britânica petrolífera foi alvo de novo processo judicial que busca fazer com que poluidores paguem parte do custo de eventos climáticos extremos específicos. O advogado da ONG brasileira Instituto Preservar, Thales Miola, diz, "escolhemos a Shell porque é empresa emblemática,atende a todos os critérios", buscam na justiça brasileira reparação equivalente a US$ 108 milhões em indenização pelos danos das enchentes no sul do Brasil em 2024, desastre que matou quase 200 pessoas, desalojou 500 mil e causou destruição generalizada. O advogado do Instituto Preservar avalia que a Shell opera entre nós há décadas e sua contribuição ao aquecimento global está bem documentada e "enorme para uma única empresa", com estimativas do think tank Carbon Majors, vista no processo, que responde por 2,02% das emissões globais de CO2 da queima de fósseis e produção de cimento, quer dizer, grande parte das emissões da queima dos hidrocarbonetos que a empresa produz e vende enquanto a participação da Shell é 3 vezes superior à da Petrobras. Estudo de atribuição publicado no grupo Nature, consistindo parte do argumento jurídico, estima que mudanças climáticas intensificaram chuvas extremas de 2024 em 12%, com os demandantes querendo que a Shell pague pela intensidade adicional proporcionalmente à sua contribuição às emissões globais, ou, 2% do aumento de 12 %, com o advogado dos demandantes dizendo que, "no Brasil, é a 1ª vez que usamos a ciência da atribuição contra uma grande empresa emissora de carbono", concluindo, "a escolha da Shell não isenta outras empresas de serem processadas em futuro próximo." Por fim, nas Filipinas, demandantes querem que a Shell pague por sua história e tamanho, considerando que em dezembro de 2021, o tufão Rai, conhecido como Odette, devastou várias ilhas, mais de 400 pessoas morreram e milhares perderam casas sendo um dos piores desastres da história do país, detalhe, 4 anos depois, 2025, 100 sobreviventes apoiados por ONGs entraram com processo contra a Shell no Reino Unido, onde a empresa tem sede, quer dizer, os advogados baseiam o caso nas "emissões históricas de carbono" da empresa e ligação entre emissões e aquecimento global, que, segundo estudos de cientistas climáticos, intensifica ciclones. Greg Lascelles, advogado da Hausfeld, escritório responsável pelo processo filipino em Londres, disse que os demandantes citam agravante de "histórico de desinformação da Shell sobre causas e impactos das mudanças climáticas", com Madeleine Lynch,  ativista, dizendo que, "há evidências que a Shell sabia na década de 1960" que os combustíveis fósseis contribuíam ao aquecimento global, além de relatório interno da empresa de 1986 que reconhecia o papel dos combustíveis fósseis no aumento das emissões de gases efeito estufa e no aquecimento global, citado no processo brasileiro, valendo dizer que, após o processo filipino a empresa afirmou que "a sugestão que a Shell possuía conhecimento exclusivo sobre mudanças climáticas simplesmente não é verdadeira".


domingo, 18 de outubro de 2026

Ecoconsumo

O Departamento de Comércio da China e 8 agências, publicaram em janeiro de 2026 plano de ação ao consumo verde, consistindo de 20 medidas incluindo eletrodomésticos com baixo consumo de energia, produtos agrícolas mais ecológicos e mobilidade compatível com o clima além de hotéis e restaurantes mais ecológicos, planos de cadeias de suprimentos que economizem recursos, avaliação de produtos conforme a pegada de carbono e promoção do aluguel e compartilhamento móvel. A estratégia envolve dupla política econômica, ou, caso as famílias comprem eletrodomésticos eficientes ou carros elétricos, conservará recursos e, ao mesmo tempo, estimulará demanda, já que conforme planos atuais, espera-se que emissões chinesas de CO2 atinjam o pico antes de 2030 com neutralidade de carbono alcançada antes de 2060 e, para 2035, anunciou redução geral nas emissões líquidas de gases efeito estufa de 7 a 10 % comparada ao pico e idealmente ainda maior. Centrais eólica e solar deverão alcançar capacidade instalada combinada de 3,6 milhões de megawatts, esperando-se que fontes não fósseis forneçam mais de 30% da energia, daí, se insere a previsão que carros elétricos e veículos com sistemas de propulsão alternativos se tornem comuns nas vendas de novos. No entanto, o Climate Action Tracker avalia como insuficiente à trajetória de 1,5 ºC a meta de gases efeito estufa para 2035, enquanto redução de emissões seria alcançável com medidas implementadas e, ao mesmo tempo, a China superou metas de expansão anteriores e, de acordo com  o Climate Action Tracker, os 1,2 milhão de megawatts de capacidade eólica e solar planejados à 2030 foram alcançados em 2024. Portanto, poderia mais uma vez, entregar mais que o prometido enviando sinal à proteção climática internacional, visto que o país é, de longe, o maior emissor de CO2 do mundo.

A lógica do empreendimento se insere na proteção dos recursos e do clima sem sacrificar conforto, ao mesmo tempo que apoia a economia, quer dizer, se milhões de famílias chinesas ou do mundo, substituírem eletrodomésticos ou veículos por versões mais eficientes a demanda total de energia diminui enquanto a produção é estimulada. O plano ecoconsumo anunciado pelo governo chinês como nova estratégia econômica e de recursos, avalia que o crescimento futuro caminhará lado a lado com maior eficiência energética e de recursos, por exemplo, pequenos carros elétricos estacionados em  estação de compartilhamento automotiva sendo carregados, daí, o compartilhamento de carros como em Hangzhou, leste da China, dá espaço à expansão chinesa e o governo quer promovê-lo. São 1,4 bilhão de habitantes e se o país se tornar líder global em sustentabilidade ambiental, a liderança chinesa lança o plano de ação nacional à promover "consumo verde" e, segundo a agência Xinhua, o plano, publicado em conjunto pelo Ministério do Comércio e outras 8 autoridades, lista 20 medidas em 7 áreas de atuação, entre outras coisas, maior oferta de produtos agrícolas ecologicamente corretos, introdução de eletrodomésticos que economizam energia e mais incentivos à mobilidade sustentável. Entre outras coisas, foca acelerar mais forte a tendência chinesa de substituição de motores de combustão por elétricos, tornar serviços em setores alimentício e hotelaria, bem como, serviços domésticos, mais sustentáveis, daí, a iniciativa "fortaleceria a disseminação de consumo ecologicamente consciente e aceleraria transição à produção e estilos de vida com baixa emissão de carbono", segundo Xinhua, ao citar comunicado do Ministério do Comércio incluindo tornar as cadeias de suprimentos mais eficientes em termos de recursos e avaliar os produtos com base na pegada de carbono. Exemplos de desenvolvimento de serviços de locação e compartilhamento ecologicamente corretos buscando promover uso eficiente dos recursos, já existentes no mundo como o compartilhamento de carros, espaços de escritório compartilhados ou aluguel de equipamentos, embora serviços que tendam ser de nicho ou informais. Por fim, caso o plano de ação implemente reparabilidade, recolhimento e compensação de CO2 tornar-se-á mais que um programa de consumo, alicerce combinando crescimento, conservação de recursos e proteção climática, vale observar que o governo chinês pretende melhorar condições de consumo ambientalmente sustentáveis através de medidas concretas de apoio financeiro e de outras naturezas, além disso, IA seria utilizada para desenvolver produtos e cenários de aplicação adequados. O novo conceito de consumo em termos de política climática, alinha-se com metas de "carbono duplo" da China que preveem pico de emissões antes de 2030 seguido por declínio até a neutralidade de carbono antes de 2060, sendo que especialistas creem ser possível que a China já tenha atingido seu pico de CO2, no entanto, não é certo, em parte porque usinas termelétricas a carvão em paralelo estão sendo adicionadas, além da expansão eólica e solar em ritmo histórico e, de acordo com  a administração nacional de energia, a capacidade combinada eólica e solar ultrapassou termelétricas a combustíveis fósseis pela 1ª vez em março de 2025.

Moral da Nota: a agenda verde provavelmente se insere na crise ecológica cada vez mais evidenciada no país asiático ocupante do 1º lugar global em emissões/ano de CO2, entre outras coisas, devido o aumento das secas e inundações relativas ao clima, poluição do ar e esgotamento das águas subterrâneas, daí, a proteção climática e de recursos naturais definitivamente se insere entre os objetivos políticos, por exemplo, o 14º Plano Quinquenal chinês incluiu plano para aumentar eficiência no uso de recursos e a reciclagem até 2025 e, desde 2024, existem programas de apoio a substituição de eletrodomésticos e veículos antigos.