Mais da metade da eletricidade da Califórnia em maio, segundo o Los Angeles Times, foi a partir da energia solar, recorde mundial, em marco que acreditam ser novidade global, conforme análise de dados federais, com o analista da Grid Status, grupo que monitora oferta e demanda de eletricidade nos EUA e mercados de energia, Abby Lestina, dizendo que “a Califórnia teve grande crescimento solar nos últimos 5 anos”, concluindo, “faz sentido que alcancem esse objetivo.” Pela primeira vez que se sabe, um sistema de energia em larga escala ultrapassa 50% de energia solar em 1 mês inteiro, valendo dizer que é o 2º recorde de poder estabelecido pelo estado recentemente, quer dizer, nos primeiros 5 meses de 2026, produziu mais eletricidade a partir da energia solar que o gás natural, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, e que, a queima de gás natural tem sido a principal fonte de eletricidade no estado há muito tempo podendo ser o 1º ano que solar supera o gás na matriz energética da Califórnia, com o detalhe que, superou o recorde em maio, mês não muito quente nem muito frio, significando que há menos demanda permitindo que a energia solar atenda a parcela maior da necessidade energética. O crescimento do armazenamento de novas baterias no estado permite economizar solar quando está superabundante e usá-la quando o sol se põe, conforme Nicolas Fulghum, da Ember, dizendo que, “o armazenamento de baterias transformou o sistema de energia da Califórnia”, escreveu, “as baterias transferem grandes quantidades de energia solar do meio-dia ao pico da noite, permitindo nível de penetração solar no sistema.” A energia fornecida pelo armazenamento de baterias na Califórnia cresceu de 500 megawatts à 16 mil desde 2020, ao passo que a quantidade de solar produzida mais do que duplicou à medida que o estado construiu parques solares nos desertos e em outros locais incentivando proprietários instalar nos telhados e, como resultado, em 2026, tinha 23.400 megawatts de capacidade solar em larga escala ficando atrás do Texas, segundo a EIA, quer dizer, quando se adiciona telhados e outros painéis de pequena escala a Califórnia tinha mais que qualquer outro estado, ou, 43.500 MW. Jayme Ackemann, porta-voz da operadora de rede da Califórnia, esclarece que, “como aumentou a participação de energia solar/renovável na rede a cada ano, ao mesmo tempo que aumentamos o armazenamento de baterias, continuaremos ver recordes a cada primavera à medida que o fornecimento aumenta”. Vale salientar que a Califórnia não está nem perto do desenvolvimento renovável da China, considerando que os chineses construíram 7 vezes mais energia solar em 2025 que o total instalado pelo estado,no entanto, a diferença é que emissões de eletricidade da Califórnia estão diminuindo e, as da China, ainda não, já que o estado prosseguiu com a transição apesar dos esforços do governo federal em desacelerá-la. Sediada no Reino Unido e promotora de energias renováveis, a Ember obteve dados dos relatórios mensais de energia da EIA, Administração de Informação Energética dos EUA, com o rastreador de eletricidade incluindo apenas energia produzida no estado, não inclui, por exemplo, importações do Arizona e que a geração de energia solar abrange usinas solares de grande escala e sistemas fotovoltaicos em telhados. Por fim, o projeto eólico SunZia, Novo México, começou enviar em abril eletricidade à Califórnia, reduzindo necessidade de queimar gás natural para gerar eletricidade à noite, enquanto importações aumentaram a participação de solar na matriz, sendo que no verão há mais consumo de gás natural, comum, quando temperaturas atingem o pico. Em suma, a Califórnia produz eletricidade mais limpa e a quantidade produzida pelo gás natural que gera poluição e aquece o clima, diminuiu nos últimos anos e, segundo a legislação assinada em 2018, toda eletricidade da Califórnia deverá provir de fontes limpas até 2045.
No Peru, o Tribunal Constitucional ordenou suspensão de 5 pesticidas usados em alimentos, pós detectar falhas de controle e altos níveis de contaminação química, em decisão favorável à saúde pública e segurança alimentar nacional a 2ª Câmara do Tribunal Constitucional ordenou ao Serviço Nacional de Saúde Agrária, Senasa, suspensão temporária da venda, distribuição e utilização de produtos fitossanitários contendo clorpirifós, metomil, glifosato, imidaclopride e clotianidina, destinados à produção de alimentos à consumo doméstico. No Processo nº 03269-2023-PA/TC, o mais alto intérprete da Constituição declarou procedente a ação de amparo impetrada pela AACU, Associação de Consumidores e Usuários de Apurímac, e outras organizações da sociedade civil, reconhece que a supervisão e monitoramento insuficientes pelo Estado sobre uso dos agrotóxicos violam direitos fundamentais à saúde, vida, integridade, ao gozo de ambiente equilibrado e proteção do consumidor. Declarou existência de "estado de coisas inconstitucional", concluindo que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é insuficiente, detalha descobertas baseadas no monitoramento oficial do Senasa e em relatos de cidadãos mostrando tendência crescente na contaminação química de vegetais, de 10,38% de amostras não conformes em 2017 à 38,83% em 2024. Alimentos como páprica, pimentão, pimenta amarela, tomate e aipo, tinham níveis de contaminação que excedem os LMRs, Limites Máximos de Resíduos, chegando em alguns casos a mais de 90% das amostras impróprias ao consumo humano, já, o monitoramento por cidadãos revelou que metade dos alimentos testados em mercados e supermercados não estava em conformidade com padrões de segurança alimentar e que a presença de substâncias químicas proibidas como o carbofurano e o metamidofós foi detectada em plantações destinadas ao consumo em massa. O Tribunal Constitucional conclui que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é estruturalmente insuficiente, em voto divergente, o juiz Gustavo Gutiérrez Ticse destacou "duplo padrão inaceitável" no país, enquanto produtos agrícolas destinados à exportação cumprem rigorosos padrões internacionais de segurança, alimentos cultivados à consumo pelos peruanos apresentam altos níveis de toxicidade. Por fim, o Tribunal fundamentou a decisão no princípio da precaução, argumentando que o Estado tem dever especial de proteger a saúde pública e o ambiente, nesse sentido, determinou que é irrazoável transferir ao cidadão o ônus de demonstrar por meio de estudos dispendiosos riscos à saúde cuja fiscalização é de responsabilidade exclusiva das autoridades, enfatiza que o risco relatado não é mera conjectura, mas, probabilidade plausível apoiada por evidências científicas a respeito do perigo das 5 substâncias ativas suspensas que possuem efeitos neurotóxicos, potenciais impactos no desenvolvimento e alto risco à biodiversidade como toxicidade às abelhas. Em consequência, emitiu decretos obrigatórios de reavaliação técnica, o Senasa, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação, Midagri, e o Ministério da Saúde, Minsa, dispõe de 90 dias úteis para realizar reavaliação técnica, científica e abrangente sobre permanência, restrição ou cancelamento definitivo de autorizações dessas substâncias, além de Plano interinstitucional, em que o Senasa, Midagri, Minsa, a Presidência do Conselho de Ministros, PCM, e governos locais devem implementar plano para garantir segurança alimentar no prazo de 180 dias úteis, a Rastreabilidade e laboratórios, deve incluir reforço da supervisão, acesso especializado, mecanismos de rastreabilidade na detecção de infratores e protocolos à recolha de alimentos contaminados e apoio aos agricultores para desenvolver programas de assistência técnica à promoção de práticas de manejo de pragas menos arriscadas incentivando pesquisa de alternativas ecológicas. A suspensão do uso dos pesticidas permanece em vigor até que o Estado conclua a reavaliação determinada e implemente mecanismos de controle eficaz que garanta que os alimentos nas mesas peruanas não representem mais um perigo à vida.
Moral da Nota: a enciclopédia Al-Hawi fi al-Tibb promoveu a medicina baseada na observação, Al-Hawi de Al-Razi, tradução latina, O Livro Completo da Medicina, do médico Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi, latinizado como Razes, está entre as grandes obras científicas da civilização islâmica, reune o conhecimento médico da época enriquecendo com observações clínicas, experiências terapêuticas e análises críticas. Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi nasceu por volta do ano 865 na cidade de Rayy e mudou-se para Bagdá onde dirigiu um dos principais hospitais da era abássida,tinha como atividade científica medicina, filosofia, química e farmácia, é autor de mais de 200 obras, incluindo Al-Hawi, Al-Mansuri fi al-Tibb, Varíola e Sarampo e Para aqueles que não têm médico, faleceu em 925 deixando legado que influenciou o desenvolvimento da medicina. Sua tradução ao latim e subsequente disseminação na Europa contribuíram por séculos à formação médica e desenvolvimento de prática baseada na observação, experimentação e análise crítica, permanecendo testemunho do florescimento do pensamento científico na civilização árabe-islâmica e uma das obras fundamentais na história da medicina experimental. Uma das referências médicas no Oriente e Ocidente auxiliando consolidar Al-Razi como um dos mais influentes na história da medicina, em “Obras Mestras” dedica a análise de trabalho cuja metodologia baseada na observação, comparação e experimentação, marca etapa decisiva no desenvolvimento do pensamento médico, sendo Al-Hawi considerada a obra mais extensa e célebre de Al-Razi, enquanto trabalhava em hospitais em Rayy e Bagdá onde reuniu conhecimento das tradições médicas grega, indiana e árabe, acrescentando observações clínicas e experiência no diagnóstico e tratamento de doenças. Observam os historiadores da medicina que a obra não atingiu sua forma final durante a vida de Al-Razi, pois faleceu antes de revisá-la e organizá-la completamente e, seus alunos, posteriormente compilaram e organizaram suas anotações transformando-as em uma das maiores enciclopédias médicas da história, sendo que a singularidade de Al-Hawi reside no fato de ter ido além da mera transmissão de conhecimento e adotado abordagem na observação direta e experimentação, não se limitou reproduzir opiniões dos médicos que o precederam, as examinou, comparou-as com suas experiências e documentou a evolução diária de casos clínicos, registrando resultados favoráveis ou negativos dos tratamentos aplicados. A obra contém observações sobre doenças do sistema respiratório, digestivo e nervoso, descrições de feridas, fraturas e abscessos, aborda medicamentos, suas propriedades e métodos de administração, utiliza metodologia semelhante à que hoje conhecemos como documentação clínica, dentre as contribuições científicas mais notáveis de Al-Razi, destaca-se a diferenciação entre varíola e sarampo, avanço que mudou a compreensão das doenças epidêmicas do qual médicos europeus se beneficiaram posteriormente. Por fim, a obra foi impressa pela 1ª vez em Brescia, Itália, em 1486, tornando-se um dos primeiros livros de medicina publicados na Europa pós disseminação da imprensa no século XVI e reimpressa diversas vezes em Veneza, com universidades europeias utilizando-a como referência ao ensino da medicina até o século XVII, além de fazer parte do currículo da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris por anos, refletindo influência no desenvolvimento da medicina europeia. Reem Al-Kamali, escritora, descreveu Al-Hawi, em artigo publicado Al-Bayan como projeto científico que ocupou grande parte da vida da autora, sendo que o registro de observações clínicas e análises fez da obra testemunho do desenvolvimento da medicina experimental na civilização árabe-islâmica e referência por séculos. Nenhum manuscrito original completo escrito por Al-Razi foi preservado, embora cópias de Al-Hawi ultrapassem 10 mil páginas, sendo que o exemplar mais antigo conhecido data de 1094, guardado na Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, além de exemplares na Biblioteca Bodleiana da Universidade de Oxford e outras instituições internacionais.