O Diário do Povo informa que observando 144 estações de monitoramento houve quebra recordes históricos em precipitações extremas que provocaram inundações repentinas em muitas províncias do sul da China, incluindo Hubei, Hunan, Guizhou e Guangdong, com vítimas. No nordeste do país, houve rara tempestade de areia de 13 a 31 de maio com temperaturas de 35 °C colidindo com o ar frio e rajadas que trouxeram areia da Mongólia Interior e da província vizinha de Jilin, criando ocorrência incomum,com Wu Yan, meteorologista, dizendo que “clima convectivo severo” é fenômeno localizado e ligado a trovões, ventos fortes e mudanças repentinas de temperatura não incomum na primavera, no entanto, os eventos deste ano foram muito mais intensos. Na província de Hunan, centro-sul, chuvas entre 17 a 19 de maio mataram 7 pessoas e afetaram quase 120 mil no condado de Shimen, destruindo 29 casas, currais e campos de chá, além das chuvas, maio veio com temperaturas recordes sendo que a média nacional foi de 16,9 °C, ou, 0,6 °C a mais que em anos anteriores e, segundo a CMA, de 28 de maio a 1º de junho, as temperaturas nas províncias do sul superaram 35ºC conforme a CCTV e, nas províncias de Liaoning e Heilongjiang, nordeste, 10 estações meteorológicas nacionais quebraram recordes de temperatura máxima à maio. Outro recorde quebrado foi a carga de energia da China Southern Power Grid, que atende 5 províncias do sul, atingindo novo máximo de 259 gigawatts em 25 de maio, pico, quase um mês antes dos anos anteriores devido aumento na procura de ar condicionado com o verão mais cedo que o normal no sul da China.
Anjal Prakash, professor de Políticas Públicas na Universidade FLAME em Pu e colaborador dos relatórios do IPCC, avalia que a Índia enfrenta impacto climático onde o calor evidencia geleiras em extinção, predominando 5 realidades climáticas com as quais o país lida neste momento e o que a natureza pode fazer em relação a cada uma delas. Em 2026, o PNUMA escolheu Baku, Azerbaijão, como sede global e o tema "Inspirado pela natureza", ao clima e ao futuro", com peso particular a país como a Índia, porque não observa mudanças climáticas à distância, vive em seu interior com geleiras do Himalaia recuando mais rápido que os glaciologistas previram, vilas de pescadores costeiras em Tamil Nador literalmente encolhendo no mar, emergência climática indiana, não é aviso futuro e, sim, emergência no tempo presente. O tema do WED 2026 foca em soluções baseadas na natureza e a hashtag NowForClimate, não poderia ser mais adequada, ou, urgente, ao subcontinente ao focar maio de 2026, com o Rajastão registrando temperaturas próximas a 50°C, Nova Delhi 46°C enquanto o Departamento Meteorológico indiano confirma que 2026 estava prestes a se tornar um dos anos mais quentes já registrados no país desde que a coleta de dados começou em 1901. Mortes pelo calor são subnotificadas no país com a contagem regressiva da Lancet sobre saúde e alterações climáticas estimando que a Índia perdeu 167 bilhões de horas de trabalho potenciais devido exposição ao calor, só em 2021, número que piorou desde então, sendo que o calor urbano extremo é,em grande parte, decorrente a retirada da cobertura de árvores para construir viadutos em Bengaluru, por exemplo, foram pavimentados lagos, em Nova Delhi, planícies aluviais do Yamuna foram secadas e, na Caxemira, florestas destruídas.
Moral da Nota: florestas urbanas, corredores verdes e bolsões de verde não são adornos estéticos, são infraestrutura de resfriamento, com pesquisa do World Resources Institute mostrando que estradas ladeadas por árvores permanecem 4 ºC a 8°C mais frias que as ruas de concreto, considerando que o efeito ilha de calor urbano que as cidades enfrentam é consequência da perda de biodiversidade e utilização indevida da terra e, a cura, começa plantando árvores onde necessárias e onde não são necessárias. A Índia tem 18% da população mundial e 4% dos recursos globais de água doce sendo sombrio o quadro das águas subterrâneas, com o Conselho Central de Águas Subterrâneas, CGWB, no relatório de 2022 dizendo que mais de mil unidades de avaliação estão "sobreexploradas" onde a extração de águas subterrâneas excede a recarga anual, no entanto, a Crise hídrica indiana se liga à destruição dos ecossistemas em que zonas húmidas são esponjas naturais, recarregam aquíferos, filtram água e moderam inundações. Por fim, relatório WWF, Living Planet Index de 2024 do Fundo Mundial à Natureza, informa que, entre 1970 e 2014, a Índia perdeu 30% da área úmida, o Parque Nacional Keoladeo, Rajastão, alimentado por inundações sazonais, quase morreu quando desvios cortaram seu abastecimento de água, daí, restaurar zonas húmidas, revitalizar poços tradicionais e reabilitar planícies aluviais fluviais se faz urgente. Para concluir, o Himalaia possui a maior concentração de geleiras fora das calotas polares com mais de 54 mil geleiras alimentando rios que sustentam 240 milhões de pessoas no sul da Ásia, com estudo de 2021 publicado na Nature descobrindo que as geleiras do Himalaia derreteram 65% mais rápido na década de 2010 comparado a década anterior,traduzindo pais em contradição, ou,inundações por explosão de lagos glaciais, ou, GLOFs, ou, demasiada água a curto prazo e muito pouca água a longo prazo à medida que os glaciares diminuem.