segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Plataforma Unificada

O Brics avança na criação de plataforma unificada de monitoramento agrícola digital, com oferecimento russo de dados da constelação orbital de sensoriamento remoto da Terra como serviços agrícolas prontos à uso, quer dizer, plataforma de geoinformação que consolidaria dados de satélites dos países membros que representam quase metade das terras agrícolas do planeta. Lubarto Sartoyo, da Aliança de Estruturas Empresariais e Empreendedores dos Países do Sudeste Asiático, em entrevista à TV Brics, disse que, “agricultura está se tornando um dos maiores consumidores de big data e, sem sistema de monitoramento unificado é impossível gerenciar efetivamente segurança alimentar global”. Baseada em técnicas de agricultura de precisão que substituem aplicação generalizada por tratamento direcionado por m², permite agricultores aplicar mais fertilizantes onde o solo está empobrecido e irrigar apenas onde está seco, abordagem, em 3 etapas, ou, coleta de informações por satélites e drones, análise das informações por IA ou programas de computador e aplicação de tratamento diferenciado onde máquinas equipadas com piloto automático executam trabalho com base em planos e mapas criados, daí, sistemas de satélite controlam movimento, otimizam rotas, reduzem consumo de combustível, minimizam perdas de grãos e criam mapas de produtividade eliminando possíveis erros. Hoje, sistemas individuais de monitorização em grande escala são usados pelos países do Brics, no Brasil, o Soma Brasil, Sistema de Observação e Monitoramento da Agricultura no Brasil, em plena atividade, com Roman Romashkin, vice-diretor do Centro Eurasiático de Segurança Alimentar da Universidade de Moscou Lomonosov, dizendo que, “a plataforma WebGIS integra dados do censo agropecuário e informações obtidas por satélite em banco de dados único à todo o país, possibilita análise da dinâmica agrícola e mudanças no uso da terra, sendo que, o sistema SomaBrasil abrange mais de 200 milhões de hectares permitindo monitoramento anual das mudanças nas áreas cultivadas e produtividade dos estados brasileiros”. A rede de observação meteorológica chinesa possui 2 mil estações terrestres integradas à satélites e veículos aéreos não tripulados produzindo previsões regionais à estratégia alimentar nacional, já, o governo indiano aprovou Missão de Agricultura Digital em 2024 incluindo Sistema de Apoio à Decisão Agrícola, Krishi-DSS, plataforma geoespacial digital fornecedora de dados em tempo real sobre secas, produtividade e inundações, com Romashkin nos dizendo que, “o Krishi-DSS está implementado em distritos piloto, esperando-se que, eventualmente, abranja distritos rurais indianos, proporcionando acesso a serviços digitais à mais de 100 milhões de agricultores, à criar mapas de solos detalhados em nível de assentamentos rurais em andamento”. Os russos, operam sistema estatal digital integrando dados de satélite, mapas de vegetação e dados de rotação de culturas em um único banco de dados, a integração bilateral está em andamento entre estados membros, com Oleg Alekseenko, professor associado do Departamento de Estudos Globais da Universidade de Moscou Lomonosov, dizendo que, “exemplo notável de integração tecnológica é o programa conjunto de satélites de recursos terrestres China-Brasil, CBERS, cujos satélites da série monitoram o estado da floresta amazônica e grandes áreas agrícolas, avaliando saúde do solo e volumes de biomassa”. Por fim, em 2025, o Brasil anunciou que o BRICS criaria parceria à restauração de terras buscando combater desertificação e degradação do solo, com especialistas indicando que a iniciativa e os dados geoespaciais podem formar base à plataforma agrícola unificada do BRICS, com Romashkin concluindo que, “criar plataforma digital unificada à agricultura no BRICS é tarefa complexa e de longo prazo, requer unificação de metodologias, ou, protocolos à amostragem de solo e análise laboratorial, abordagens à processamento e interpretação de dados de satélite, algoritmos de previsão de produtividade e formatos à troca de informações geoespaciais, bem como métodos de avaliação da segurança alimentar, trabalhoso e dispendioso à cada país superar barreiras sozinho”.

Outra questão nos remete ao Índice de Ecossistemas Empreendedores da África, AEEI, que avalia condições que apoiam criação e crescimento de negócios no continente, nos informa que África do Sul, Marrocos, Tunísia, Namíbia e Egito estão entre os 10 ecossistemas da África mais empreendedores em 2026. Destaca cenário empresarial e de startups mais diversificado, com países do Norte, Sul e Oeste africano figurando entre os 10 primeiros, com Ilhas Maurício liderando o índice geral, seguido pela África do Sul e Marrocos, classificando 30 países africanos avaliando ecossistemas empreendedores em 7 pilares, ou, finanças, acesso a mercado, governança, capital humano, infraestrutura, apoio e cultura empreendedora e, em vez de medir o número de startups ou empreendedores, avalia condições que permitem que empresas iniciem, operem e cresçam. O 1º lugar no ranking 2026 foi Ilhas Maurício com  pontuação geral de 4,30 em 7, conferindo à nação insular ecossistema empreendedor mais forte entre países africanos avaliados, impulsionado por pontuações altas em governança e apoio ao empreendedorismo, refletindo ambiente regulatório favorável e presença de redes profissionais e polos de inovação, além de altos níveis de alfabetização, ensino superior, acesso à eletricidade e penetração da internet comparada as médias continentais, mercado interno pequeno é limitação, levando ao comércio internacional e oportunidades transfronteiriças. A África do Sul, 2º lugar, mantém posição como ambiente desenvolvido à criação de negócios e empreendedorismo, se beneficia de sistema financeiro sofisticado, economia ampla e diversificada e rede consolidada de empresas e instituições que apoiam empreendedores. O Marrocos, 3º lugar, é o melhor classificado do Norte da África impulsionado por desenvolvimento de infraestrutura e expansão de conexões com mercados africanos e internacionais. A Tunísia, 4º lugar, reflete importância do capital humano, educação e ambiente de apoio disponível à empreendedores e empresas emergentes, procurando inovação através de políticas e instituições destinadas apoiar startups e empresas tecnológicas. O Egito, 8º lugar, com grande população e economia proporcionando acesso aos maiores mercados internos da África e posição geográfica conectando mercados africanos, internacionais e árabes, impulsionado pelo crescimento de polos de inovação, programas à startups e redes de negócios, embora acesso financiamento e desafios estruturais sejam fatores no ambiente empresarial em geral. O Botswana, 9º colocado, se associa a instituições e governança fortes comparadas a outras economias do continente, fatores que podem contribuir à ambiente previsível nos negócios, no entanto, população pequena e mercado interno limitado restringem  oportunidades à empresas que buscam crescer sem se expandir para além das fronteiras nacionais. O Senegal, 10º colocado, embora com fragilidades em áreas como PIB, renda familiar per capita e polos de inovação. Por fim, o AEEI atribui igual importância aos pilares e utiliza indicadores à comparar ecossistemas, ao passo que as pontuações são padronizadas, com máximo teórico de 7, oferecendo à decisores políticos, investidores e construtores de ecossistemas medida comparativa das condições que apoiam empreendedorismo produtivo no continente.

Moral da Nota: a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov, planejam lançar projeto de pesquisa conjunto buscando estudar como o monitoramento espacial e integração de plataformas tecnológicas dos Brics podem garantir segurança alimentar e ambiental coletiva em meio às mudanças globais. Satélites fornecem dados para prever secas, impedir avanço da areia e detectar ameaças que, de outro modo, seriam invisíveis, considerando no caso do Brics, “não esquecer ameaças específicas vistas do espaço, por exemplo, salinização do solo, problema real ao Irã, EAU, Emirados Árabes Unidos, Egito e sul da Rússia, por canais infravermelhos e térmicos, satélites detectam mudanças na refletividade do solo através de manchas afetadas pelo sal visíveis nas imagens possibilitando  início de processos de dessalinização”. Terabytes de imagens de satélite de alta resolução exigem IA para identificar anomalias e modelar tendências de longo prazo, na Rússia, tecnologias IA auxiliam criação de mapas de campo interativos com informações em camadas sobre cada etapa do cultivo, além de grandes áreas na China, Índia e África do Sul enfrentando degradação do solo ineficaz de ser monitorada em campo, tornando satélites e IA sistemas essenciais de alerta precoce. Queda nos custos de lançamento e maior resolução de imagens facilitam projetos conjuntos, incluindo lançamento previsto de satélite climático dos Brics para monitorar incêndios florestais, medir emissões de metano em regiões agrícolas e rastrear reservas de água doce, esperando-se que seja seguido por Plataforma Unificada à Restauração de Terras Degradadas. Por fim, Plataforma Agrícola Unificada dos Brics padronizaria dados de terras aráveis, apoiaria mercado de créditos de carbono à agricultura, unificaria abordagens de seguros agrícolas e forneceria à comerciantes previsões objetivas de colheitas, no entanto, barreiras persistem, ou, ausência de padrões comuns à troca de dados de sensoriamento remoto da Terra, escassez de pessoal qualificado à integração de tecnologias agrícolas e alta barreira de entrada que limita acesso à tecnologia às pequenas e médias propriedades rurais.

sábado, 5 de setembro de 2026

Imagens de Satélite

Inundações que devastaram partes do Nepal podem ser rastreadas até ao Himalaia, onde  "evento geofísico" desencadeou reação em cadeia, conforme dito à ABC News por Goran Ekstrom, do Observatório Terrestre Lamont-Doherty da Universidade de Columbia, geofísico que estuda tais eventos, em seguida, deslizamento de terra na passagem da montanha ocorreu durante o dia e destruiu grande geleira ou partes de uma geleira no Himalaia. Evento poderoso que causou energia equivalente a terremoto de magnitude 5,2 registrado em sismógrafos no mundo, danificando casas perto das margens do rio Trishuli sufocadas por detritos pós inundações repentinas no distrito de Nuwakot, Nepal, agosto, 26, 2026, fato que, já aconteceram no Himalaia antes, mas este foi um "enorme evento geofísico", segundo Ekstrom. Quando as rochas descem montanha abaixo geram energia e aquecem, derretem a geleira, que pode ser a causa da queda de tanta água no fundo da montanha, esclarece, o gelo, detritos e água desceram ao vale, com estimativas de Ekstrom que águas da enchente estavam "escandalosamente altas", possivelmente com 130-160 pés de altura e que a água pode ter se movido a 44 milhas/hora. Alterações climáticas aceleram o derretimento do gelo e glaciares no mundo, segundo o professor, eventos como esse aconteceriam sem mudanças climáticas, mas é possível que os intensifiquem, disse Ekstrom e, completa, "deslizamentos de terra nessas regiões montanhosas estão se tornando mais frequentes, é determinado, e  está ligado ao derretimento das geleiras".

A enchente repentina no Nepal foi provavelmente causada por grande segmento de uma geleira que se desprendeu e represou temporariamente um rio, conforme investigações preliminares de cientistas, sugerindo que pode ter feito com que a água acumulada subisse rio abaixo com enorme força, horas depois. Cientistas ainda desconhecem reunindo informações de dados de satélite e a nível do solo para descobrir o que aconteceu para causar a inundação que matou e desapareceu centenas de pessoas, incluindo estrangeiros e peregrinos, no entanto, o Serviço Geológico dos EUA relatou colapso glacial de magnitude 5,2 que enviou detritos rio abaixo com impacto nas comunidades, afirmou que a determinação se baseou em dados de estações sísmicas próximas, ondas sísmicas de longo período e imagens de satélite. Jakob Steiner, geocientista da Universidade de Graz, Áustria, mora em Bangladesh, nos esclarece que "a parte inferior de uma geleira realmente desprendeu", conclui, "se olhar as imagens, é como se alguém tivesse cortado a parte inferior com faca e ela tivesse caído", disse ainda que, uma massa de gelo glacial caindo de grande altura poderia ter parecido uma bomba explodindo, resultando no caos que se seguiu. Vale a nota que cientistas disseram que é cedo para estabelecer conexão direta entre aquecimento global e a catástrofe, no entanto, à medida que a temperatura da Terra aumenta devido atividades humanas como queima de petróleo, gás e carvão é provável que tais desastres aumentem, especialmente no Himalaia, que aquece consideravelmente mais rápido que muitas outras partes do mundo. Saswat Sanyal, perito em redução do risco de catástrofes de investigação climática Internacional ao Desenvolvimento Integrado de Montanhas, Katmandu, explica que, "temos que ser cautelosos e não estabelecer conexão ainda, no entanto, o aumento das temperaturas altera a região do Hindu Kush no Himalaia e derrete glaciares", com pessoas perdendo casas, e autoridades relatando danos em escala à infraestrutura crítica, aí, hidrelétricas, estradas, pontes e edifícios. Por fim, cientistas do grupo de pesquisa climática sediado em Katmandu, disseram que os níveis de água nos rios da região afetada pela enchente aumentaram em até 9 metros em 30 minutos, por onda do desprendimento glacial rio acima, com evidências preliminares sugerindo grande volume de gelo e rocha mergulhado no Lhende Khola, afluente do rio Bhote Koshi e, pesquisadores dizendo que, o colapso pode ter deslocado água e acumulado sedimentos soltos e pedras, produzindo forte onda rio abaixo, examinando se detritos represaram temporariamente o rio antes que a água represada explodisse, ampliando a inundação.

Moral da Nota: o que todo mundo fala, o Himalaia Hindu Kush se aquece rapidamente, provoca grandes mudanças nas geleiras, na cobertura de neve, no permafrost e nas encostas das montanhas, conforme cientistas climáticos, as montanhas contêm maior volume de neve e gelo fora das regiões polares, mais de 63 mil geleiras na área alimentam pelo menos 10 grandes sistemas fluviais asiáticos e sustentam segurança alimentar, energética, hídrica e de subsistência de bilhões de pessoas, no entanto, 78% da área glacial, entre 4.500 e 6 mil metros acima do nível do mar, está exposta ao aquecimento. A última década foi o período plurianual mais quente do mundo desde o início dos registros e, 2024, foi o ano mais quente registrado, com relatórios da ONU dizendo que, entre 2000 e 2019, as geleiras perderam 267 gigatoneladas de gelo/ano, ou, massa de 46.500 Grandes Pirâmides de Gizé, além de outros relatórios projetarem perda de até 50% das geleiras excluindo as da Groenlândia e Antártida até 2100, mesmo que o aquecimento global seja limitado a 1,5 ºC. O que ninguém fala, grupo de jornalistas no Nepal referiu que atividades de construção na fronteira tibetana poderiam impactar na enchente repentina no distrito fronteiriço de Rasuwa, Nepal, apelando legisladores do Hindu Kush Himalaia à cooperação regional sobre riscos climáticos. Na 2a Reunião Parlamentar’ do HKH, Butão, oradores apelaram à ação coletiva, leis e investimentos inteligentes em termos climáticos e preparação transfronteiriça à proteção de comunidades montanhosas vulneráveis e populações a jusante na região dos 8 países. A inundação devastou o distrito de Rasuwa, Nepal, fronteira entre Nepal e China, sublinhando necessidade de cooperação regional para enfrentar riscos que transcendem fronteiras nacionais, segundo parlamentares da região do Hindu Kush Himalaia, HKH, se estende por 3.500 km pela Ásia, abrange 8 países, Afeganistão, Bangladesh, Butão, China, Índia, Mianmar, Nepal e Paquistão, abrange cadeias de montanhas de alta altitude, colinas médias e planícies, zona vital à segurança alimentar, hídrica e energética de 2 bilhões de pessoas, habitat à inúmeras espécies insubstituíveis, extremamente frágil e vulnerável a impactos da tripla crise de alterações climáticas, poluição e perda de biodiversidade.  

Em tempo: Kristen Cook e Dan Shugar, geomorfólogos, disseram que as imagens iniciais do Nepal foram obscurecidas por nuvens e poeira dos destroços de modo que só conseguiram ver que parte da geleira havia se separado do pico Langtang Lirung, pròximo da fronteira com o Tibete, no dia seguinte, imagens mais claras permitiram observar leito rochoso enviando pedras e gelo ao vale, conclui, "pudemos ver que, parecia que não havia apenas a geleira que havia falhado, mas um pedaço maior do leito rochoso da própria encosta da montanha que havia cedido”. Cientistas da CAS, Academia Chinesa de Ciências, calcularam que a velocidade superficial do fluxo de detritos era de 19 m/s quando atingiu o posto de controle no porto de Gyirong no Tibete, quase o dobro da velocidade média de Usain Bolt quando estabeleceu o recorde mundial de 100 metros rasos com 9,58 segundos em 2009 e 50% maior que sua velocidade máxima. Importa dizer que a seção da geleira desabou a altitude de mais de 5 mil metros no lado nepalês do Himalaia, a queda de gelo e rocha acelerou por vale íngreme a 50 m/s arrastando detritos transformando-se em deslizamento de terra de alta velocidade que atingiu o porto de Gyirong, no lado chinês, 7 minutos depois. Durante décadas, a imagem definidora da vulnerabilidade climática tem sido a nação insular de baixa altitude onde a elevação do nível do mar ameaça apagar comunidades  do mapa, no entanto, o deslizamento de terra na fronteira China-Nepal obriga olhar além da linha de água e considerar um mapa mais complexo e multidimensional do risco climático.