segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Mar Vermelho

Espécies que migram do Mar Vermelho ao Mediterrâneo remodelam o ecossistema marinho ao competir com espécies nativas por alimento e habita pressionando populações, esta é a avaliação de Mehmet Gokoglu, Faculdade de Pesca da Universidade Akdeniz, ao esclarecer a agência turca Anadolu, AA, que propagação de espécies oriundas do Mar Vermelho ao Mediterrâneo mudam não só a diversidade, mas relações alimentares entre organismos marinhos. Disse que o Mediterrâneo abriga variedade de espécies nativas, acrescentando que as invasoras que se estabelecem na região eventualmente começam usar as mesmas fontes alimentares e compartilhar os mesmos habitats que as espécies nativas, quer dizer, capacidade das espécies introduzidas de estabelecer populações no novo ambiente indica que são resilientes e adaptáveis, concluiu dizendo que, “espécies vindas de fora são espécies fortes, estabeleceram população pós entrarem no ambiente, são resilientes e fortes, por isso, pressionam as do Mediterrâneo”. Oriundas do Mar Vermelho utilizam mesmas fontes alimentares que  nativas do Mediterrâneo, enquanto outras se alimentam diretamente dos filhotes, ovos e larvas de espécies nativas, observando que, isso pode alterar a distribuição e densidade populacional de espécies nativas, acrescentando que a integração de espécies do Mar Vermelho na cadeia alimentar do Mediterrâneo criou novas relações ecológicas, quer dizer, “espécies do Mediterrâneo antes não estavam no menu do Mar Vermelho, após entrar no Mediterrâneo passaram fazer parte da dieta, do mesmo modo, espécies do Mar Vermelho não estavam no menu das mediterrânicas, agora, se tornaram parte da dieta, isso trouxe mudança”. Nos alerta que os efeitos da mudança são perceptíveis entre organismos que vivem no fundo do mar, por exemplo, baiacu originário do Mar Vermelho se alimenta de organismos que os habitantes do fundo do mar, crustáceos e moluscos, bem como polvos, chocos e lulas, observou que, “baiacu se move ao longo do fundo do mar e consomem espécies bentônicas, incluindo crustáceos e moluscos, polvos, chocos e lulas, é por isso, que vemos populações de polvos diminuírem ao longo da costa do Mediterrâneo, quer dizer, pressões e mudanças semelhantes estão ocorrendo”. Avalia que a utilização dos mesmos recursos por espécies do Mar Vermelho e nativas muda gradualmente relações entre organismos no ecossistema, acrescentando que o impacto não se limita a uma única espécie, quer dizer, mudanças causadas pelas espécies originárias do Mar Vermelho têm consequências não só ao ecossistema, mas, à pesca, com algumas espécies invasoras utilizadas economicamente, no entanto, observa que espécies sem valor econômico consomem alimentos e ocupam habitat no ecossistema, significando incapacidade de utilizá-los representando perda econômica. Esclarece que “há competição por comida e habitat, podemos fazer uso de espécies invasoras, no entanto, existem espécies, como o baiacu, não utilizadas e ocupam espaço não sendo possível extrair deles qualquer valor econômico significando perda” e, conclui, "o quadro emergente de espécies originárias do Mar Vermelho espalhadas no Mediterrâneo mostra que as mudanças no ecossistema marinho não são questão de surgimento de novas espécies, envolvem remodelação das relações alimentares e padrões de partilha de habitat entre espécies."

Outra questão relacionada a mudanças no ambiente, diz respeito ao Fitch, alertando que os "efeitos mais intensos do El Niño podem pressionar resultados do setor de seguros do Brasil, daí, a Fitch Ratings, agência global de classificação de risco de crédito que fornece avaliações e análises em mercados financeiros, prevê que a intensificação do El Niño criará desafios adicionais ao setor de seguros no país. Afirmou que eventos climáticos mais frequentes e severos podem resultar em aumento nas indenizações e em desempenho técnico mais fraco entre seguradoras com exposição significativa de atividade propensas a catástrofes, no entanto, não considera o impacto potencial suficiente para criar evento de crédito sistêmico ao setor, embora seguradoras individuais possam enfrentar aumento nas perdas esperadas. Esclarece que consequências do El Niño deverão variar entre regiões devido extensão territorial do país e condições climáticas, esperando-se que no sul enfrentem maior exposição a inundações, tempestades severas, ventos fortes e granizo, aumentando indenizações em seguros residenciais e veicular, no norte e Nordeste, a seca e temperaturas extremas poderão afetar atividade econômica e negócios agrícolas com perdas que poderão se estender além dos ativos segurados, daí, identifica o Centro-Oeste como área de preocupação, particularmente às seguradoras rurais, já que, a imprevisibilidade de chuvas e aumento da variabilidade climática podem afetar produção agrícola e pedidos de indenização. Vale a nota que perdas potenciais foram demonstradas em 2024 no Rio Grande do Sul, que a agência de risco cita como exemplo de consequências financeiras associadas a eventos climáticos extremos com mais de 57 mil sinistros registrados naquele ano, enquanto pedidos de indenização ultrapassaram R$ 6 bilhões. A agéncia considera o seguro agrícola uma das áreas do mercado brasileiro mais suscetíveis ao El Niño, aponta aos efeitos do fenômeno, com regiões potencialmente sofrendo com períodos de seca, enquanto outras enfrentam chuvas excessivas, criando riscos à produção agrícola e aumentando incerteza às seguradoras que cobrem lavouras e ativos rurais, destacando diminuição da área de terras agrícolas cobertas por seguros, ao lado da redução do programa governamental de subsídios aos prêmios como fatores que podem deixar os agricultores cada vez mais expostos a perdas relativas ao clima. Por fim, a agência de risco indica que a área de terras agrícolas seguradas atingiu 14 milhões de hectares em 2021, ou, 15% das terras cultivadas do Brasil, em 2025, havia caído à 3,2 milhões de hectares, 3% da área plantada do país, com a Fitch calculando que representa redução de 75% em relação ao pico de 2021 aumentando a proporção de perdas agrícolas que não são transferidas às seguradoras. Afirma que as seguradoras com carteiras mais diversificadas e exposição limitada a negócios sensíveis às condições climáticas devem sofrer menos pressão direta do El Niño, no entanto, observa que essas empresas podem ser afetadas por consequências secundárias incluindo interrupções nos negócios e em cadeias de suprimentos.

Moral da Nota: o El Niño 2026/2027 foi apontado como responsável pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar, no caso peruano, maior pescador mundial de anchova, enfrenta "golpe devastador" devido ao aquecimento oceânico que dizimou a produção e provocou desemprego, segundo representantes do setor. Ingrediente fundamental na farinha de peixe, a anchoveta é utilizada na fabricação de ração animal e fertilizante orgânico, com dados do governo que o Peru capturou 1,3 milhão de toneladas métricas desse peixe prateado em maio de 2025, no entanto, o El Niño 2026, que cientistas preveem como o maior em mais de um século, é apontado como responsável pelo aquecimento da temperatura da superfície do mar e forçar migração à mares mais frios. Em consequência, o Peru capturou 32 mil toneladas métricas de anchovas em maio de 2026 sendo um dos países da América Latina que declararam estado de emergência devido condições climáticas, quer dizer, o El Niño eleva temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental, gera mudanças globais em ventos e chuvas, bem como condições climáticas instáveis, com previsão de cientistas que o fenômeno atual atingirá pico até fim do ano e causará calor global recorde em 2027. O IMARPE, Instituto do Mar do Peru, avisa do registro nas temperaturas até 6°C acima do normal em algumas áreas e, acostumadas as águas frias, anchovas migraram às águas mais profundas com, Jessica Luna, da Sociedade Nacional de Pesca do Peru, que representa a indústria dizendo que, "é um golpe devastador no setor". Por fim, estudo que constatou que a pesca e indústrias relacionadas representarão 1,1% do PIB do Peru em 2026, relata queda em relação aos 2,1% previstos para 2025, sendo que o país possui 8 mil pescadores industriais registrados, no entanto, o setor é grande empregador em terra, quer dizer, cria 250 mil empregos, sendo que 122 mil serão perdidos até 2027, segundo a representante da Sociedade Nacional de Pesca, com o detalhe que a 2ª temporada de pesca começa em novembro, que parece incerto, ou, "que o El Niño atingirá seu ápice naquele mês".

sábado, 26 de setembro de 2026

Padrões Climáticos

A transformação de padrões climáticos aliada à atividade humana, empurra continentes  à situação de estresse hídrico, desvanecendo promessa de abastecimento estável enquanto temperaturas atingem níveis recordes, com cientistas observando perda do ritmo dos ciclos naturais do planeta, ou, aqueles que reabastecem aquíferos e enchem reservatórios. A raiz da sede crônica reside na alteração do sistema climático em que massas de ar mudam comportamento e, quando chove, o fazem com intensidade sem precedentes em cenário de chuvas torrenciais, seguido por aridez, impedindo que o solo absorva umidade decorrente água que escoa causando erosão e se perdendo no oceano sem cumprir função de repor nutrientes. Grandes centros urbanos vivem sob ilusão de disponibilidade hídrica infinita, a vulnerabilidade cresce silenciosamente sob o asfalto com megacidades desviando recursos hídricos de bacias cada vez mais distantes e sobrecarregadas em que a pressão do crescimento populacional sobre tubulações velhas e distribuição obsoleta causam perdas de milhões de dólares. Aos resíduos subterrâneos soma-se a ameaça de eventos extremos, inundação repentina colapsando estações de tratamento deixando bairros sem água e contaminando fontes que se tenta proteger, a agricultura, motor do planeta, emerge como campo de batalha na crise já que o modelo de produção intensiva exige grandes volumes de água que a chuva não garante, enquanto isso, agricultores veem plantações sob sol implacável, ao passo que aquíferos, reserva hídrica estratégica da humanidade, diminuem a ritmo alarmante. O avanço de água salgada em deltas e áreas costeiras, pela elevação do nível do mar, inutiliza ​ poços que abasteciam comunidades, em que poluentes de resíduos farmacêuticos a microplásticos, infiltram-se em sistemas de saneamento projetados à clima estável e população menor, daí, mesmo em locais onde o recurso ainda flui a potabilidade é desafio técnico e econômico. Proteger nascentes de bacias hidrográficas demonstra ser investimento mais vantajoso que construir usina de dessalinização, infraestrutura verde baseada na restauração do ciclo hidrológico original oferece resiliência que cimento e aço não igualam quando o clima cobra. Por fim, a cooperação de países que compartilham aquíferos ou rios torna-se imperativo de segurança geopolítica, com disputas pelo controle da água se transformam em acordos de gestão conjunta evitando colapso compartilhado e, para monitorar, satélites de observação escaneiam o planeta enviando dados em tempo real sobre  umidade do solo e estado das reservas que permite diplomacia preventiva da água, onde informação científica desarma conflitos antes que a sede radicalize.

Nos últimos 20 anos, as taxas de água aumentaram mais rápido que a inflação impulsionadas pela manutenção adiada e o envelhecimento da infraestrutura, caso persistam tendências, mais de um terço das famílias norte americanas enfrentarão contas de água inacessíveis dentro de uma década, no entanto, contaminantes que requerem tratamento avançado e alterações climáticas agravam pressões de custos de longa data aos serviços públicos. Daí, água inacessível limita acesso para beber e higiene, força compensações com outras necessidades como assistência médica e impacta de modo negativo à saúde desproporcionalmente às comunidades de baixa renda e minorias, centros urbanos mostram que alterações climáticas desafiam capacidade de serviços públicos fornecerem acesso à água fiável e acessível, sobrecarregando abastecimentos e aumentando exigências à medida que as temperaturas sobem, sendo que alterações climáticas alteram frequência, gravidade e duração de secas em piores condições de base. Empresas de serviços públicos reduzem procura ou expandem oferta, através de projetos de infra-estruturas que aumentam tarifas gerenciando demandas com medidas de redução nas secas ou programas de eficiência no uso hídrico, aumentam tarifas através de sobretaxas para pagar perda de receita volumétrica ou investir em atualizações de eficiência e equipamentos de monitoramento. Estudos documentam desafios de acessibilidade oferecendo visão limitada de tendências futuras em que projeções de acessibilidade à água extrapolam tendências históricas, sem analisar fatores de custo como o clima que mudam no futuro, além de fatores institucionais e sociais como padrões de procura e estrutura tarifária afetando acessibilidade com estimativas que negligenciam tais questões. Destacam interações custo–demanda demonstrando como programas de assistência a taxas de baixa renda que diminuem custos domésticos da água e, aumentar o uso, além da maioria dos estudos empíricos avaliar acessibilidade em momento negligenciando variabilidade sazonal e temporal que exacerbam desafios de curto prazo. Por fim, mudanças climáticas criam pontos de acessibilidade à água onde desafios são exacerbados em cidades com vulnerabilidade de abastecimento e oportunidades limitadas de gestão, em Santa Cruz, Califórnia, por exemplo, tem baixo uso residencial de água devido experiências anteriores de seca urbana limitando opções de adaptação de baixo custo como redução da demanda através de políticas de redução ou eficiência, dependente das águas superficiais, tornando-a vulnerável à seca, daí, esgotam-se opções de menor custo à adaptação climática como gestão da demanda e, com decisões de infraestrutura caras e de longo prazo em desafios similares de cidades com similares condições climáticas, comportamentais e regulatórias.

Moral da Nota: estudo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal da Neve e  Paisagem, WSL, publicado na Nature Communications, aponta aumento de 1,5 a 4 vezes nas taxas de mortalidade entre 9 espécies de árvores mais comuns, incluindo a faia europeia, o carvalho-pedunculado e o abeto-da-noruega, em florestas francesas que sinalizam declínio florestal generalizado impulsionado pelo clima. Chegaram a tais conclusões pós analise de dados de mais de 500 mil árvores individuais pertencentes a 52 espécies diferentes, entre 2015 a 2023, oriundas do IFN, Inventário Florestal Nacional Francês, sendo que espécies ecólogica e economicamente importantes, como Fagus sylvatica, Quercus robur e Picea abies, apresentaram aumentos acentuados, valendo dizer que, espécies mostraram aumento expressivo pós 2018 demonstrando vulnerabilidade das florestas europeias a eventos de seca extrema, enquanto padrões espaciais apontam ao papel cumulativo de seca e aquecimento regional a longo prazo. Nas 52 espécies analisadas pelos cientistas, metade, 48%, mostrou aumento na mortalidade com os autores do estudo dizendo que, “essas tendências abrangem  classes de tamanho e coincidem com a redução do crescimento, indicando que não refletem mudanças demográficas mas declínios generalizados na saúde florestal impulsionados por mudanças climáticas, já que, relatórios semelhantes na Europa reforçam que esses processos ocorrem em todo o continente de acordo com evidências que o aquecimento e o ressecamento contínuos comprometem a saúde das florestas”. Os focos desse definhamento concentraram-se no nordeste da França, regiões de Jura, Vosges e Grand Est, com o estudo observando que as perdas não são compensadas por novo crescimento ou recrutamento, indicando declínio na saúde da floresta, em vez de uma mudança demográfica típica e, entre 9 espécies mais comuns, a temperatura, em quase 93% dos modelos associou maior risco de mortalidade a anomalias mais elevadas em 7 anos. Em 63% dos modelos, o BHC, balanço hídrico climático, associou risco de mortalidade a anomalias mais secas e, em 34% dos modelos, anomalias mais úmidas e ao combinar respostas da temperatura e do BHC em cada modelo, 62% associaram maior risco de mortalidade a condições mais quentes e secas enquanto 31% à condições mais quentes e úmidas, com o estudo afirmando que, “era esperado associação forte com condições mais quentes e secas sabendo que essas condições aumentam mortalidade das árvores, enquanto a resposta a condições mais quentes e úmidas foi surpreendente sugerindo que mesmo anomalias favoráveis ​​podem elevar ao risco de mortalidade”. Por fim, cientistas em comunicado afirmaram que, na Europa, há cerca de 20 anos, observam-se sinais que um número crescente de árvores morrem prematuramente e, em algumas regiões do continente, o estado das florestas é pior que na década de 1980, quando a poluição atmosférica causou danos florestais em determinadas áreas, concluindo que, mesmo condições de crescimento favoráveis como primaveras quentes e úmidas podem aumentar o risco de morte das árvores e que, “em média, invernos mais quentes e temperaturas mínimas mais altas na primavera se destacaram como fatores  frequentes e influentes no aumento do risco de mortalidade, embora essas anomalias ocorram em estações diferentes apontam à estresse fisiológico e biótico, sendo que  invernos mais quentes encurtam ou interrompem o período de dormência, levando a resfriamento insuficiente, brotação dessincronizada na primavera e menor investimento em proteção contra geadas que aumenta vulnerabilidade a ondas repentinas de frio”, concluiu.