sábado, 26 de setembro de 2026

Padrões Climáticos

A transformação de padrões climáticos aliada à atividade humana, empurra continentes  à situação de estresse hídrico, desvanecendo promessa de abastecimento estável enquanto temperaturas atingem níveis recordes, com cientistas observando perda do ritmo dos ciclos naturais do planeta, ou, aqueles que reabastecem aquíferos e enchem reservatórios. A raiz da sede crônica reside na alteração do sistema climático em que massas de ar mudam comportamento e, quando chove, o fazem com intensidade sem precedentes em cenário de chuvas torrenciais, seguido por aridez, impedindo que o solo absorva umidade decorrente água que escoa causando erosão e se perdendo no oceano sem cumprir função de repor nutrientes. Grandes centros urbanos vivem sob ilusão de disponibilidade hídrica infinita, a vulnerabilidade cresce silenciosamente sob o asfalto com megacidades desviando recursos hídricos de bacias cada vez mais distantes e sobrecarregadas em que a pressão do crescimento populacional sobre tubulações velhas e distribuição obsoleta causam perdas de milhões de dólares. Aos resíduos subterrâneos soma-se a ameaça de eventos extremos, inundação repentina colapsando estações de tratamento deixando bairros sem água e contaminando fontes que se tenta proteger, a agricultura, motor do planeta, emerge como campo de batalha na crise já que o modelo de produção intensiva exige grandes volumes de água que a chuva não garante, enquanto isso, agricultores veem plantações sob sol implacável, ao passo que aquíferos, reserva hídrica estratégica da humanidade, diminuem a ritmo alarmante. O avanço de água salgada em deltas e áreas costeiras, pela elevação do nível do mar, inutiliza ​ poços que abasteciam comunidades, em que poluentes de resíduos farmacêuticos a microplásticos, infiltram-se em sistemas de saneamento projetados à clima estável e população menor, daí, mesmo em locais onde o recurso ainda flui a potabilidade é desafio técnico e econômico. Proteger nascentes de bacias hidrográficas demonstra ser investimento mais vantajoso que construir usina de dessalinização, infraestrutura verde baseada na restauração do ciclo hidrológico original oferece resiliência que cimento e aço não igualam quando o clima cobra. Por fim, a cooperação de países que compartilham aquíferos ou rios torna-se imperativo de segurança geopolítica, com disputas pelo controle da água se transformam em acordos de gestão conjunta evitando colapso compartilhado e, para monitorar, satélites de observação escaneiam o planeta enviando dados em tempo real sobre  umidade do solo e estado das reservas que permite diplomacia preventiva da água, onde informação científica desarma conflitos antes que a sede radicalize.

Nos últimos 20 anos, as taxas de água aumentaram mais rápido que a inflação impulsionadas pela manutenção adiada e o envelhecimento da infraestrutura, caso persistam tendências, mais de um terço das famílias norte americanas enfrentarão contas de água inacessíveis dentro de uma década, no entanto, contaminantes que requerem tratamento avançado e alterações climáticas agravam pressões de custos de longa data aos serviços públicos. Daí, água inacessível limita acesso para beber e higiene, força compensações com outras necessidades como assistência médica e impacta de modo negativo à saúde desproporcionalmente às comunidades de baixa renda e minorias, centros urbanos mostram que alterações climáticas desafiam capacidade de serviços públicos fornecerem acesso à água fiável e acessível, sobrecarregando abastecimentos e aumentando exigências à medida que as temperaturas sobem, sendo que alterações climáticas alteram frequência, gravidade e duração de secas em piores condições de base. Empresas de serviços públicos reduzem procura ou expandem oferta, através de projetos de infra-estruturas que aumentam tarifas gerenciando demandas com medidas de redução nas secas ou programas de eficiência no uso hídrico, aumentam tarifas através de sobretaxas para pagar perda de receita volumétrica ou investir em atualizações de eficiência e equipamentos de monitoramento. Estudos documentam desafios de acessibilidade oferecendo visão limitada de tendências futuras em que projeções de acessibilidade à água extrapolam tendências históricas, sem analisar fatores de custo como o clima que mudam no futuro, além de fatores institucionais e sociais como padrões de procura e estrutura tarifária afetando acessibilidade com estimativas que negligenciam tais questões. Destacam interações custo–demanda demonstrando como programas de assistência a taxas de baixa renda que diminuem custos domésticos da água e, aumentar o uso, além da maioria dos estudos empíricos avaliar acessibilidade em momento negligenciando variabilidade sazonal e temporal que exacerbam desafios de curto prazo. Por fim, mudanças climáticas criam pontos de acessibilidade à água onde desafios são exacerbados em cidades com vulnerabilidade de abastecimento e oportunidades limitadas de gestão, em Santa Cruz, Califórnia, por exemplo, tem baixo uso residencial de água devido experiências anteriores de seca urbana limitando opções de adaptação de baixo custo como redução da demanda através de políticas de redução ou eficiência, dependente das águas superficiais, tornando-a vulnerável à seca, daí, esgotam-se opções de menor custo à adaptação climática como gestão da demanda e, com decisões de infraestrutura caras e de longo prazo em desafios similares de cidades com similares condições climáticas, comportamentais e regulatórias.

Moral da Nota: estudo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal da Neve e  Paisagem, WSL, publicado na Nature Communications, aponta aumento de 1,5 a 4 vezes nas taxas de mortalidade entre 9 espécies de árvores mais comuns, incluindo a faia europeia, o carvalho-pedunculado e o abeto-da-noruega, em florestas francesas que sinalizam declínio florestal generalizado impulsionado pelo clima. Chegaram a tais conclusões pós analise de dados de mais de 500 mil árvores individuais pertencentes a 52 espécies diferentes, entre 2015 a 2023, oriundas do IFN, Inventário Florestal Nacional Francês, sendo que espécies ecólogica e economicamente importantes, como Fagus sylvatica, Quercus robur e Picea abies, apresentaram aumentos acentuados, valendo dizer que, espécies mostraram aumento expressivo pós 2018 demonstrando vulnerabilidade das florestas europeias a eventos de seca extrema, enquanto padrões espaciais apontam ao papel cumulativo de seca e aquecimento regional a longo prazo. Nas 52 espécies analisadas pelos cientistas, metade, 48%, mostrou aumento na mortalidade com os autores do estudo dizendo que, “essas tendências abrangem  classes de tamanho e coincidem com a redução do crescimento, indicando que não refletem mudanças demográficas mas declínios generalizados na saúde florestal impulsionados por mudanças climáticas, já que, relatórios semelhantes na Europa reforçam que esses processos ocorrem em todo o continente de acordo com evidências que o aquecimento e o ressecamento contínuos comprometem a saúde das florestas”. Os focos desse definhamento concentraram-se no nordeste da França, regiões de Jura, Vosges e Grand Est, com o estudo observando que as perdas não são compensadas por novo crescimento ou recrutamento, indicando declínio na saúde da floresta, em vez de uma mudança demográfica típica e, entre 9 espécies mais comuns, a temperatura, em quase 93% dos modelos associou maior risco de mortalidade a anomalias mais elevadas em 7 anos. Em 63% dos modelos, o BHC, balanço hídrico climático, associou risco de mortalidade a anomalias mais secas e, em 34% dos modelos, anomalias mais úmidas e ao combinar respostas da temperatura e do BHC em cada modelo, 62% associaram maior risco de mortalidade a condições mais quentes e secas enquanto 31% à condições mais quentes e úmidas, com o estudo afirmando que, “era esperado associação forte com condições mais quentes e secas sabendo que essas condições aumentam mortalidade das árvores, enquanto a resposta a condições mais quentes e úmidas foi surpreendente sugerindo que mesmo anomalias favoráveis ​​podem elevar ao risco de mortalidade”. Por fim, cientistas em comunicado afirmaram que, na Europa, há cerca de 20 anos, observam-se sinais que um número crescente de árvores morrem prematuramente e, em algumas regiões do continente, o estado das florestas é pior que na década de 1980, quando a poluição atmosférica causou danos florestais em determinadas áreas, concluindo que, mesmo condições de crescimento favoráveis como primaveras quentes e úmidas podem aumentar o risco de morte das árvores e que, “em média, invernos mais quentes e temperaturas mínimas mais altas na primavera se destacaram como fatores  frequentes e influentes no aumento do risco de mortalidade, embora essas anomalias ocorram em estações diferentes apontam à estresse fisiológico e biótico, sendo que  invernos mais quentes encurtam ou interrompem o período de dormência, levando a resfriamento insuficiente, brotação dessincronizada na primavera e menor investimento em proteção contra geadas que aumenta vulnerabilidade a ondas repentinas de frio”, concluiu.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Transição Verde

Relatório "Perspectivas dos Diretores de Sustentabilidade" do Fórum Econômico Mundial, Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Econômico Mundial, explica que "a transição não é mais questão de ambição, mas, de execução", afirma que a economia verde valerá US$ 7 trilhões até 2030 e a transição verde continua com impulso 'por razões econômicas'em ritmo acelerado, apesar das tensões geopolíticas, com 63% dos diretores de sustentabilidade, CSOs, entrevistados, esperam que o progresso em sustentabilidade permaneça estável ou acelere nos 12 meses vindouros, enquanto 73% acreditam que IA pode acelerar a transição, no entanto, 77% relatam que a alta intensidade energética e de recursos IA é o impacto negativo mais significativo. Destaca que 85% das OSCs esperam que adaptação climática se torne prioridade global nos próximos 3 anos, embora 62% citem incerteza nos cálculos custo-benefício como  principal obstáculo ao investimento, salientando "divergência verde", ou, alguns setores e regiões avançam rapidamente, enquanto outros ficam para trás devido à incerteza regulatória ou resistência interna, daí, economia verde global, avaliada em US$ 5 trilhões/ano, cresce e deve ultrapassar US$ 7 trilhões até 2030. 

Nesta trilha, vale salientar que a localização dos parques eólicos é questão crítica em que grandes turbinas, se instaladas em rotas migratórias, representam ameaça às aves e morcegos, poderosos polinizadores, daí, a expansão de parques eólicos, a morte de aves por colisão, pode chegar a 5 milhões nos EUA até 2030, com soluções simples a serem implementadas como paralisação temporária das usinas com base nas condições climáticas na temporada de migração. Outras soluções sobre a mesa como pintar uma das pás da turbina com faixa vermelha poderia reduzir colisões em 80% e, na próxima década, serão construídos trilhões de dólares em infraestrutura à apoiar  e criar empregos no mundo com planejadores devendo fazer mais para mitigar danos desnecessários à biodiversidade. Formuladores de políticas, nos ministérios da fazenda e tesouro, devem buscar estimar o valor real da natureza e custos de destruição, território desconhecido, embora custos não possam ser calculados com precisão, mas, tratar o valor econômico da natureza como zero equivale considerá-la um "bem gratuito" perpetuando falha no sistema financeiro global. Em 1 mês, governos gastam mais em subsídios prejudiciais à natureza que em 1 ano dedicado à proteção da biodiversidade e, reestruturar subsídios agrícolas à fazendas, silvicultura e pesca, incentiva produção e mitiga danos à biodiversidade, essencial para deter perda de biodiversidade, no entanto, políticas energéticas devem ser reformuladas à reduzir intensidade de carbono e promover práticas ambientalmente sustentáveis ​​na extração de fósseis ou mineração, incluindo terras raras. A degradação ambiental ameaça cadeias de abastecimento, sistemas alimentares, saúde e segurança pública, bem como segurança e estabilidade ambiental, acelera risco de fome, resulta em aumentos na migração e agitação social impondo dificuldades à humanidade, sendo que líderes políticos devem reconhecer que proteção do ecossistema é investimento estratégico na estabilidade global e soluções na natureza servem como multiplicadores econômicos, impulsionando crescimento em países onde biodiversidade é trunfo. Investir na natureza protege ecossistemas vitais, gera empregos, fortalece economias locais e promove desenvolvimento sustentável, considerando mundo em superaquecimento e longe da meta de 1,5°C, trazendo choques climáticos intensos, custos significativos no planeta e soluções na natureza oferecem modo economicamente viável de fortalecer  resiliência, ao mesmo tempo que, proporcionam benefícios ambientais e econômicos. Preservar zonas úmidas naturais oferece proteção contra tempestades e inundações, enquanto manguezais restaurados não só absorvem água das cheias, como ajudam a filtrá-la e transformá-la em água potável, em terra, programas de prevenção de incêndios florestais reduzem risco de incêndios, protegem habitats e salvaguardam  espécies que deles dependem e, ao preservar vegetação nativa e controlar espécies invasoras, permite que ecossistemas se recuperem e prosperem criando paisagens saudáveis ​​e biodiversas resilientes a futuras ameaças de incêndio. Vale a nota que fazendas que integram habitats naturais apresentam rendimentos 30% maiores nos períodos de seca reduzindo custos com pesticidas em 40%, vantagem à setor sob forte pressão, com pesquisas apontando que o valor das florestas, apenas pelo papel como sumidouros de carbono, ultrapassa US$ 100 trilhões, quer dizer, formuladores de políticas culpam restrições orçamentárias por incapacidade na abordagem destas questões, quer dizer, em muitos casos, problemas não são orçamentários, são erros de política e, quando reconhecemos o valor da natureza, criamos políticas melhores. Por fim, proteção da biodiversidade particularmente em economias tropicais e emergentes, só pode ser feita de modo eficaz pela criação de empregos e renda aos habitantes locais e aos que vivem em zonas de amortecimento, muitas vezes, povos indígenas, concluindo, a lacuna de financiamento da biodiversidade estimada pelo relatório Financing Nature de 2020 do Instituto Paulson, está em US$ 711 bilhões/ano e projetada em US$ 942 bilhões/ano, equivalente ao PIB da Suíça.

Moral da Nota: a Califórnia promete apoio adicional aos serviços de emergência e, devido o impacto previsto do El Niño, declarou estado de emergência, com governador afirmando que a medida fornece às comunidades e equipes de emergência apoio no desempenho das funções. Meteorologistas esperam tempestades severas, chuvas intensas e inundações na costa oeste dos EUA devido ao El Niño, causando condições climáticas extremas no mundo embora o pico seja esperado no outono e inverno, na Califórnia, o El Niño já provocou ventos fortes e erosão costeira, quer dizer, declarar estado de emergência é medida formal que facilita acesso de autoridades a recursos com antecedência, além disso, a Guarda Nacional pode ser acionada, se necessário. Vale dizer que o El Niño causa aquecimento da água superficial do Pacífico, com efeitos globais sobre o vento, pressão atmosférica e precipitação, por sua vez, aumenta risco de eventos climáticos extremos, considerando que mudanças climáticas induzidas pelo homem amplificam os efeitos do fenômeno, sendo provável que temperaturas subam pelo menos 3 ºC acima das estimativas mais altas anteriores até 2050, considerando por exemplo que a Alemanha não deve atingir neutralidade climática antes de 2045 e outros países não planejam chegar a esse ponto antes de 2070. Daí, até 2070, cada vez mais CO2 será liberado na atmosfera anualmente e, mesmo após a neutralidade climática, a poluição atmosférica não diminuirá, permanecerá constante até que a natureza tenha capacidade de decompô-la novamente, capacidade essa que esgotaremos com nossas emissões pós alcançarmos a neutralidade climática, daí, é provável que as temperaturas continuem subir, mesmo depois do ano em que a neutralidade climática for alcançada. Devemos considerar que intensidade do El Niño depende da temperatura da água no Pacífico, em El Niño "normal", as temperaturas ficam cerca de 1ºC acima da média e durante eventos particularmente fortes como os de 1982, 1997 e 2015 podem chegar a 2ºC ou até mais, no atual El Nino estamos com 3,05 ºC acima da média e, para novembro de 2026, os modelos preveem temperatura máxima de 4 ºC acima da média enquanto a maioria dos cálculos varia entre 3,7ºC e 4,2 ºC, comparando o evento anterior, em 2015/16, apresentou desvio de 2,7 ºC, sendo digno de nota, cálculos da Exxon, pelo índice de precisão no passado quanto ao aquecimento global, ao calcular que as temperaturas atingirão 3°C até 2050. Por fim, cientistas climáticos prevêem aumento de temperatura de 1,6°C em 2026, aumento adicional de 1,7°C previsto para 2027, ou, o próximo ano devendo ser rigoroso.