Relatório divulgado pelo Centro de Integridade Climática, CCI, grupo de pesquisa e defesa, mostra que empresas de combustíveis fósseis sabiam na década de 1960 que rotular o gás como “limpo” era enganoso. Explica como a indústria de petróleo e gás tinha conhecimento dos danos climáticos do metano e, mesmo assim, promoveu o gás natural como solução ao clima com, documentos nunca antes publicados, mostrando que propagaram por décadas o mito do gás natural "limpo" apesar do conhecimento dos perigos do metano e do sistema de gás. Em paralelo, promoveram o debate da expansão da extração e uso de gás natural, quer dizer, "A Fraude do Gás Natural 'Limpo', ou, como Empresas de Petróleo e Gás criaram o Mito que o Gás Natural é Solução Climática" mostrando como a indústria fabricou e promoveu desinformação na década de 1970 que gás natural é "limpo" e, desde então, colonizou tomadores de decisão e público sobre riscos e segurança. O relatório diz que “a propaganda sobre gás natural limpo é essencial ao sucesso da indústria no mercado e a ideia que o gás é amigo do clima se coloca no centro da expansão da infraestrutura de gás nas últimas duas décadas” e, a investigação da cientista Rebecca John, Climate Investigations, associada a Rebecca Leber e Davis Allen, PhD, em documentos, pedidos de acesso a registros públicos, comunicações internas da indústria, relatórios confidenciais, artigos científicos e entrevistas com cientistas climáticos, consultores da indústria e ambientalistas. Vale a nota que relatórios e investigações anteriores demonstram o modo como a indústria de petróleo e gás respondeu à poluição por carbono com atraso e negação, sendo esta pesquisa a primeira a traçar resposta da indústria do gás a poluição por metano e contextualizá-la em décadas de engano, incluindo evidências que a indústria foi alertada sobre problemas de poluição por metano em 1968, antes do que relatava. Revisão do Instituto Americano de Petróleo, diz que a indústria foi informada que o metano na atmosfera se relaciona a “campos de petróleo” e “vazamentos no sistema de distribuição de gás” e como sumidouros ambientais naturais seriam “sobrecarregados por emissões excessivas”. Relatório interno da Shell em 1966 indicou que o metano foi liberado em “quantidades grandes” nos campos de petróleo, em 1968, revisão do Instituto Americano de Petróleo declarou que o metano na atmosfera estava conectado a “campos de petróleo” e infiltração era “improvável”, assim, as empresas de fósseis patrocinaram e promoveram sua própria investigação, fundando entidades como o Gas Research Institute para criar aparência de objetividade e mudar narrativa, quer dizer, o foco era abafar pesquisas que indicavam que o gás poderia ser prejudicar ao ambiente ou saúde humana, conforme sugere o Centro de Integridade Climática. Nos anos 1970, a American Gas Association, grupo comercial que trabalhou com empresas de relações públicas para vender gás como combustível fóssil “limpo” e ecologicamente correto, lançou em 1971 Campanha de relações públicas chamada “Gás, Energia Limpa para Hoje e Amanhã", com relatório de 1972 da American Gas Association, AGA, dizendo que os “benefícios ambientais de fornecimento adequado de gás natural são excelentes”, oferece “resposta positiva” à preocupação sobre o planeta.
O relatório detalha que em 1996 a AGA realizava estudos em conjunto com a Agência de Proteção Ambiental, EPA, EUA, com comunicações internas mostrando que funcionários da EPA falaram que “simplesmente não têm experiência” à revisar de modo independente dados da indústria de gás no estudo, sendo “improvável que encontrassem problemas, mesmo que existissem.” Publicado com a credibilidade da EPA, o estudo foi utilizado pela indústria do gás para minimizar preocupações com emissões de metano impactando no uso contínuo e crenças sobre o gás natural, quer dizer, o consumo de gás natural nos EUA aumentou desde que a indústria propagou o mito do gás natural "limpo". Em consequência, pesquisa da Data for Progress e CCI constata que 50% dos eleitores prováveis agora consideram o gás natural forma de energia limpa, no entanto, quando foram informados sobre relação do gás natural com o fraturamento hidráulico e engano na identidade "limpa", o apoio geral diminui 46%, quer dizer, 3 em 4 eleitores norte americanos apoiariam ação judicial para responsabilizar empresas de petróleo e gás por enganá-los sobre malefícios do gás natural. A campanha de relações públicas foi eficaz e, na década de 2000, com o advento do fracking, a infraestrutura americana de extração de gás natural se expandiu com força, as empresas que construíam tal infra-estrutura eram, inclusive, elegíveis à subsídios aos combustíveis “verdes” e incentivos fiscais, hoje, o gás natural é classificado como “verde” em pelo menos 4 estados norte americanos, entretanto, a indústria de aparelhos a gás faz lobby contra normas de rotulagem que designem seus produtos como prejudiciais. Enfim, Richard Wiles, presidente do Centro à Integridade Climática, nos explica que “as petrolíferas e indústria do gás sabiam há décadas que o metano era poluente climático prejudicial, criaram o mito do gás natural 'limpo' à proteger e expandir os negócios, sem considerar saúde pública ou impactos climáticos que sabiam que resultariam" e, conclui, “as autoridades que continuam justificar a dependência do gás natural alegando que é limpo ou seguro ao clima, usam roteiro e a mesma ciência manipulada que executivos do setor de gás e equipes de relações públicas criaram décadas atrás".
Moral da Nota: o Relatório dos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de 2026, divulgado pela ONU em julho de 2026, diz que entre 2015 e 2024, com base em 'dados relatados pelos países, que perdas econômicas diretas foram em média maiores a US$ 110 bilhões/ano equivale a 0,28% do PIB dos países declarantes’ em conjunto, observa que, “os números provavelmente subestimam a verdadeira escala quando se incluem efeitos em cascata e danos nos ecossistemas, aí, perdas por desastres passam dos US$ 2,3 bilhões/ano". Sem considerar população e outros fatores, financeiramente os EUA registraram as maiores perdas econômicas anuais relacionadas ao clima do mundo, inundações, ondas de calor,furacões e incêndios florestais causando bilhões de dólares em danos a cada ano, no entanto, a China acompanha de perto com repetidas inundações, tufões e ondas de calor interrompendo infraestrutura e manufatura, dito, no relatório divulgado em 2024 da Swiss Re, resseguradora suíça que cobre 90% da economia global. A Índia se posiciona entre os países que registram maiores perdas econômicas globais devido alterações climáticas, perdendo 24,7% do PIB até 2070, um dos países mais expostos economicamente a riscos climáticos, conforme diz o Banco Asiático de Desenvolvimento, 2024. O relatório das ODS 2026 mostra que PMA, países menos desenvolvidos, responderam por quase 13% das perdas relatadas globalmente no mesmo período, representaram 1,36% do PIB total, impacto desproporcional de mais de 10 vezes e, conforme o Índice de Risco Climático, CRI, 2026, a Índia experimentou 430 eventos relacionados ao clima entre 1995 e 2024, ou, inundações, ciclones, deslizamentos de terra e ondas de calor afetando 1,3 bilhão de pessoas, causando mais de 80 mil mortes e perdas econômicas superiores a US$ 170 bilhões. Vale notar que os principais países que enfrentam custos devido a inundações frequentes e condições climáticas extremas, segundo o CRI, são Dominica, Mianmar e Honduras e a Índia ocupa o 15º lugar nesta lista, com Vishwas Chitale, da equipe de resiliência climática do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água, CEEW, Índia, instituição política sem fins lucrativos sediada em Nova Déli, diz que, “em 2019, o país perdeu US$ 69 bilhões devido eventos relacionados ao clima, que contrasta com US$ 79,5 bilhões perdidos entre 1998 e 2017.”