quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Grécia

Um dos pontos mais quentes do mundo em termos de crise climática é a Grécia, dito, no relatório Lancet ao alertar que mortes relacionadas ao calor podem chegar a 2 mil por verão até 2040, já que o país enfrenta aumento de temperaturas, seca e doenças, considerando que verões no sudeste europeu tornam-se mais longos e opressivos a cada ano, nas cidades, zonas costeiras, regiões rurais e florestas, com calor persistente remodelando ritmos da vida quotidiana. Modelos climáticos à região indicam tendência à temperaturas acima do normal, impulsionadas por aquecimento oceânico e mecanismos climáticos globais como o El Nino que podem amplificar a anomalia térmica mundial, daí, o aumento constante nas temperaturas anuais observado nos últimos anos, com Christos Zerefos, chefe do Centro de Pesquisa em Física Atmosférica e Climatologia da Academia de Atenas, informando que, “o Mediterrâneo é lugar onde o sol não apenas brilha, mas, molda o clima, a vida e a cultura, luz, que começou queimar de modo que não conseguimos mais controlar, desde o verão de 2023, o planeta ultrapassou limite de 1,5 ºC  acima dos níveis pré-industriais, meta do Acordo de Paris”. Enfatiza que a Grécia não é apenas espectador da mudança, mas, “um dos pontos mais expostos do planeta, um dos mais críticos onde o aquecimento atinge duramente e sempre atinge primeiro os mais vulneráveis, ou, idosos, crianças, doentes crônicos e os que não podem se dar ao luxo de refugiar em um quarto fresco”, com pesquisadores da Academia de Atenas e professores da Universidade de Economia e Negócios trabalhando no Comitê de Estudo de Impactos das Mudanças Climáticas do Banco da Grécia, ao analisar dados de mortalidade das 13 regiões do país ao longo de 23 anos, 1999-2021, descobriram que “cada aumento de 1 ºC na temperatura máxima corresponde a aumento de 2% no excesso de mortalidade por causas naturais e 1,9% por doenças cardiovasculares, quer dizer, a morte está 2 dias atrasada como se a onda de calor contabilizasse suas vítimas ao seu próprio ritmo”, disse, o também Secretário-Geral da Academia de Atenas, observando que, a região da Ática apresenta maior sensibilidade. Emitiu alerta que “se a trajetória não mudar até 2040, espera-se que cada verão custe entre 1.400 e 2 mil vidas humanas adicionais, perda estimada em 5 a 8 bilhões de euros com base no valor estatístico europeu de uma vida, quer dizer, a natureza fala em números, somos obrigados a ouvir”, valendo dizer que, são alarmantes as conclusões da 3ª edição do relatório Lancet Countdown que documenta mudanças na saúde pública, coesão social e economia, ligadas à crise climática em 55 países da região europeia. Coloca quase toda a Grécia entre as zonas europeias com maior aumento na mortalidade relacionada ao calor na maior parte do país, quando são registadas mais de 120 mortes adicionais por milhão de habitantes/ano no período 2015-2024, comparados com a década 1991-2000, sendo que, Ática é particularmente atingida, em que, na maior parte da região, o número é de 100 a 109 mortes adicionais formando arco geográfico  envolvendo parte central da prefeitura e estendendo-se das fronteiras sudoeste com Coríntia em direção ao norte, passando pelos subúrbios e continuando até a Ática Oriental e Sudeste e se enquadrando na categoria mais alta com mais de 120 mortes. O relatório mostra que na Europa, 62.775 mortes foram atribuídas ao calor em 2024 com projeções indicando aumento até 2050 com a mortalidade relacionada ao calor aumentando em quase todas regiões estudadas e evidenciando os maiores aumentos no sul e sudeste europeu, não é por acaso, que os avisos de calor quadruplicaram nos últimos anos. Por fim, documenta o agravamento na Grécia das condições de seca,  experimentando até 2,5 meses de seca extrema/ano enquanto outras partes de Creta registram períodos de até 2 meses em Heraklion e Rethymno e um mês em Chania, sendo que no geral, na década de 2015-2024, 936 das 1.435 regiões europeias sofreram secas de verão de intensidade extrema ou excepcional enquanto 983 registraram durações mais longas comparadas à linha de base de 1981-2010. Acrescente-se consequências ao local de trabalho com horas perdidas devido ao estresse térmico reduzindo oferta de mão-de-obra em 24 horas por trabalhador e, por ano na Europa no período 2000-2023 comparados a 1965-1994, sendo vistos declínios acentuados na atividade laborativa registrados em Atenas, Ilhas Canárias e Chipre e no restante do continente o número de horas de exposição ao calor tornou insegura atividade física ligeira ou moderada. Enfim, aceleraram a propagação de doenças infecciosas transmitidas por mosquitos com a dengue aumentando 297% no período 2015-2024 comparados a 1981-2010, e 74% no Sul da Europa, além do vírus do Nilo Ocidental com 1.112 casos em 2025, acima da média da década anterior com tendência observada à chikungunya e Zika, também transmitidos por mosquitos. O relatório demonstra que os impactos se distribuem de forma desigual com famílias de baixa renda enfrentando maior risco de insegurança alimentar devido ondas de calor e seca, trabalhadores ao ar livre mais expostos ao estresse térmico,  maior exposição a incêndios florestais e menos acesso a espaços verdes, encerrando pela necessidade de transição à economia neutra em carbono, observando paradoxo em que ao mesmo tempo que o uso de renovável cresce, os subsídios aos fósseis aumentam em 2023 e 2024 respondendo à crise energética desencadeada pelas guerras, quer dizer, só em 2023, subsídios líquidos aos combustíveis fósseis ultrapassaram 10% dos gastos nacionais com saúde em 12 países europeus e ultrapassando orçamentos inteiros à saúde em 4 deles.

Estudo climático classifica os gregos entre os países mais vulneráveis ao calor da Europa, prevendo ondas de calor mais longas e frequentes à medida que o aquecimento global acelera no continente, esperando-se que o país tenha experiências cada vez mais frequentes e ondas de calor prolongadas até  fins do século e, o estudo  da Reinders Corporation classifica a Grécia em 7º lugar na Europa em termos de vulnerabilidade às ondas de calor, sublinhando impacto das alterações climáticas no sul da Europa. Estima que o país enfrentará média de 2 grandes ondas de calor/ano até 2100, cada uma levando cerca de 20 dias com temperaturas médias de 36,92°C, embora esteja no topo da lista, a pontuação geral é moderada por intensidade de temperatura menor comparada às ondas de calor projetadas à Europa Oriental e Rússia, sendo que a Reinders Corporation analisou dados de modelagem climática à todas nações europeias, avaliando frequência de ondas de calor, duração cumulativa e temperaturas médias, fatores, combinados em pontuação única de vulnerabilidade identificando 10 países europeus que serão mais duramente atingidos por calor extremo nas próximas décadas. Daí, a observação que a França lidera a lista com pontuação de vulnerabilidade mais elevada, seguida por Rússia, Romênia, Moldávia, Bulgária e Turquia, ao passo que a pontuação grega de 58,38 coloca-a à frente de países como Ucrânia, Geórgia e Itália, enquanto na Europa Oriental surgem Romênia, Moldávia e Bulgária classificadas entre as 5 primeiras, destacando que, embora a Grécia tenha uma das maiores durações de ondas de calor, projetadas temperaturas médias mais baixas a mantêm na faixa intermediária entre nações mais vulneráveis da Europa, aparecendo em 7º no ranking com, Gerrit Jan Reinders, CEO e especialista em dados climáticos da Reinders Corporation, esclarecendo que, “apesar de ter a 2ª maior duração de onda de calor a intensidade da Grécia é menor que a esperada na Europa Oriental e Rússia.” Vale a nota que sinais de alerta da aceleração das alterações climáticas são visíveis no mundo, por exemplo, atrasos sazonais incomuns e mudanças ecológicas, na última nevasca no Monte Fuji, Japão, e o aparecimento sem precedentes de mosquitos na Islândia, com o estudo concluindo que, a gravidade da onda de calor resulta do efeito combinado de frequência, duração e intensidade da temperatura, não de um único fator e, à medida que a Grécia aquece, investigadores alertam que o país deve se preparar para desafios ambientais, econômicos e de saúde pública ao longo do século XXI.

Moral da Nota: o ano de 1987 é considerado por onda de calor implacável que ceifou mais de 1.300 vidas na Grécia, daí, o país como grande parte do mundo, enfrenta consequências das alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite. A Grécia traz de volta memórias de um desastre que marcou a nação há quase 4 décadas, ou, a onda de calor mortal de julho de 1987 que por 9 dias, de 20 a 28 de julho, as temperaturas ultrapassaram 40°C transformando cidades gregas em fornos e casas em armadilhas, um período com um dos desastres naturais mais mortais da história moderna nacional, 1.300 mortes, em sua maioria idosos, pobres ou vulneráveis, que morreram silenciosamente, muitas vezes só, em apartamentos sufocantes, sem ar condicionado ou acesso a cuidados básicos de saúde, naquela época, o ar condicionado doméstico era luxo, não norma, infraestrutura pública despreparada e, a conscientização climática, nos primórdios. Relatório da TA NEA em 22 de julho de 1987 informava que o serviço meteorológico não previu nenhum alívio imediato, dizendo que, “a onda de calor contribuiu à morte de 4 pessoas, 2 em Atenas e 2 em Volos, todas sofrendo problemas cardíacos, outros, na maioria idosos, foram hospitalizados com problemas cardiorrespiratórios”. Os necrotérios atingiram capacidade máxima em poucos dias, funerárias não conseguiram acompanhar, com o relatório esclarecendo que, “um problema surgiu e espera-se que cresça nos próximos dias”, concluindo que, “necrotérios dos hospitais estão lotados e questões similares são relatadas em necrotérios por todo o país.” Avalia que “o único tema de conversa hoje em dia é o calor insuportável e implacável, as outras questões foram deixadas de lado, mais uma vez, a Grécia ganha medalha de ouro, não no atletismo, mas, na desorganização, o país revela-se  despreparado à qualquer tipo de desastre natural, em muitas áreas, nem mesmo água encanada estava disponível.” Enfim, na década de 1980, os gregos estavam começando entender o custo ambiental da rápida urbanização, da disseminação descontrolada do concreto, poluição sufocante, ausência de espaços verdes, no entanto, nos anos que se seguiram, pouca coisa mudou, os avisos não foram ouvidos, sendo que hoje, a Grécia como grande parte do mundo enfrenta alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, épocas de incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Uma Questão

O calor na Europa corrói salários, ou, 3% do rendimento médio anual foi dilapidado por alterações climáticas, com 5,6 milhões de europeus empurrados à pobreza, um número que assusta, sendo que alguns consideram apenas questão de temperatura, no entanto, repercute na classe trabalhadora como questão de saúde e finanças, quer dizer, menos renda, preços altos e maior vulnerabilidade. Jessie Ruth Schleypen, economista climática da Climate Analytics, esclareceu à Bloomberg que a “onda de calor na Europa ameaça a saúde das pessoas, seus meios de subsistência e sua capacidade de trabalhar”, parecendo emergência atual, na verdade, tendência que vem ocorrendo há anos. Estudo publicado no 'Internacional Global Environmental Change', mostra que entre 2004 e 2022, secas e ondas de calor corroeram 3% da renda média anual das famílias europeias e levaram outros 5,6 milhões de cidadãos à pobreza e, olhando ao futuro, caso o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris não seja atingido, a renda familiar deverá despencar em mais de 21 % até fins do século. O maior grupo de risco se estabelece entre os 20% mais pobres da população, com trabalhadores da construção civil e logística, rurais e manuais que sofrem o impacto do clima, quer dizer, os que trabalham em escritórios com ar condicionado estão sob proteção, até certo ponto e, os que trabalham ao ar livre não, com Madrid por exemplo, segundo o estudo, registrou declínio do rendimento de 10% nos últimos anos devido ao efeito do calor na produtividade. França e Espanha, pagam preço alto pelas temperaturas recordes, escassez de água e aumento nos custos de produção, sendo que a situação francesa é mais crítica se consideramos que os 72 departamentos estão em alerta vermelho e milhares de animais nas fazendas, particularmente aves, morreram devido condições extremas, no entanto, Espanha e Reino Unido, reduziram a produtividade na pecuária, na produção de frutas e produtos hortícolas pressionam o abastecimento, sendo que dentre as mais atingidas está o milho que sofre com redução de água e incerteza sobre rendimentos. Nos mercados, segundo a Euronext, as consequências são visíveis com os futuros do milho subindo 9% alimentando questões de instabilidade nos preços agrícolas globais, com especuladores agindo de modo semelhante ao lobby  fóssil nas Cops, enquanto isso, a demanda por eletricidade urbana dispara, o dia 23 de junho de 2026 mostrou que os preços da energia na Europa atingiram recordes, considerando o funcionamento de ar condicionado em todos os lugares pressionando  rede elétrica pelo fornecimento insuficiente. A Bélgica viu preços atingiram 1.038 euros por megawatt-hora, daí, alimentos e energia mais caros significam inflação alta, colocando mais pressão nas famílias de baixos rendimentos que atribuem a maior parte do orçamento aos alimentos e serviços públicos, sem condições de reduzir outras despesas já que o impacto desproporcional é imediato, com economistas dizendo que mudanças climáticas adicionarão entre 0,3 % e 1,2% ao ano à inflação global a partir de 2035. A Allianz, desenvolve cenário de estresse entre 2026 e 2030 aos italianos que correm risco de perda acumulada no PIB de 150 bilhões de euros afetando investimento que cairia 12,8% devido redução das margens de lucro corporativas, abrindo porta a estagflação, ou, aumento dos preços, queda da produtividade e aumento do desemprego com déficit fiscal em 1,9 % do PIB. Maximilian Kotz, pesquisador do Centro de Supercomputação de Barcelona, diz que, "vivemos uma situação em que um novo choque ocorre a cada ano”, choques, que não afetam apenas produtos específicos, impactam cadeias inteiras de suprimentos, da energia ao transporte, seguros, água e alimento. Por fim, surge um paradoxo, quer dizer, o calor extremo reduz rendimentos dos trabalhadores, aumenta o custo de vida e torna mais vulneráveis os com menos recursos, no entanto, segmento do setor financeiro transforma o mesmo fenômeno em oportunidade de lucro, já que o mercado desenvolve instrumentos financeiros para especular sobre a frequência e intensidade dos fenômenos ligados ao El Niño e anomalias climáticas assumindo significado comparável ao das crises geopolíticas. Valendo a nota que, Les Finemore, diretor de investimentos da Moreton Capital Partners, anunciou fundo dedicado à negociação sobre riscos climáticos, quer dizer, “estamos focados na guerra no Irã, o próximo evento será El Niño”. Em suma, imposto social, ou, quem têm menos contas de públicas altas, alimentos e financiamentos caros, perda de dias de trabalho e riscos na saúde, as temperaturas sobem e o custo do calor é distribuído de modo desigual.

Outra questão é a crise fluvial que se desenvolve no oeste americano levando Brad Udall, cientista pesquisador de água e clima da Universidade do Colorado, nos informar que "o derretimento da neve em março não se compara ao de 2002", "é pior, perdemos 60% da camada de neve 4 semanas antes do normal", significando que, as comunidades são forçadas reduzir o consumo de água e as espécies de peixes podem ser levadas à beira da extinção". Agricultores do oeste do Colorado que cultivam pêssegos, uvas para vinho, cerejas e feno de alfafa utilizam a maior parte da água do rio no Vale do Grand e, há décadas, tentam manter o trecho úmido para evitar regulamentações caras sobre espécies ameaçadas de extinção, cientes que o destino está ligado à saúde dos peixes nativos que nadam nas águas turvas e, quando a água é escassa, as relações entre usuários no vale árido são postas à prova. Em abril, que antes via no fim do mês a neve começar a derreter e os niveis subir, presenciou cena perturbadora e inédita, o Rio Colorado que abastece 40 milhões de pessoas, além de 2 milhões de hectares de terras agrícolas e vida selvagem do sudoeste americano, tinha níveis tão baixos que proliferavam algas necessitando aciomanento de alarmes de baixo nível d'água nas estações de tratamento. À medida que as temperaturas aumentam no sudoeste dos EUA, o Colorado enfrenta dificuldades há mais de 2 décadas, com a queda da camada de neve e o uso constante ampliaram a diferença existente entre oferta e demanda de água, com 2026 colocando o rio em território desconhecido, já que a neve que acumula nas montanhas rochosas e derrete para formar o Colorado e afluentes, totalizou metade do normal no último inverno e as vazões subsequentes estão entre as mais baixas registradas e, pior, a escassa camada de neve derreteu rapido e meses antes do previsto na onda de calor em março que elevou temperaturas à mais de 27°C no oeste do Colorado. Em consequência agricultores ligaram sistemas de irrigação semanas antes do previsto, com reservatórios das altas montanhas não conseguindo encher, sendo que os 2 maiores do país, Mead e Powell, se aproximam de nívei inimagináveis ​​há 1 geração, quer dizer, não há água para atender necessidades dos 7 estados americanos e 2 mexicanos que dependem do rio. Um detalhe, o trecho do Rio Colorado no Vale do Grand é microcosmo de questões que persistem dominando debates sobre água no oeste americano, conhecido como o Trecho de 15 Milhas é um local onde convergem o uso agrícola, a demanda municipal e as necessidades de recreação e preservação da vida selvagem. Lá o rio serpenteia penhascos de arenito e encostas onduladas com pomares de pêssegos, em Palisade, Colorado, grande parte da água deixa o leito do rio e entra em complexa rede de canais que abastece vinhedos e campos de feno pelo Vale do Grand 15 milhas rio abaixo, terminando onde o Rio Gunnison se junta ao Colorado na cidade de Grand Junction transformando cânions de rocha vermelha na fronteira entre Utah e Colorado. Na continuação da fluidez embora com vazão reduzida pela demanda ao cultivo de plantações e manter gramados dos subúrbios verdes, em tempos secos quase toda a água disponível pode ser desviada rio acima ao extenso sistema de drenagem, este ano a vazão do trecho caiu para cerca de 55 pés cúbicos/segundo, quer dizer, menos água do que pequenos riachos de montanha transportam em verão típico. Enfim, o termo aridificação é comum entre especialistas em recursos hídricos do Ocidente, refere algo mais permanente que a seca, tendência de longo prazo de ressecamento impulsionada pelo aumento das temperaturas que altera a quantidade de água que chega aos rios, 2026 oferece uma prévia desse futuro, por enquanto, as mudanças estão concentradas em locais como o trecho de 15 milhas ou 24 kms, onde demandas concorrentes colidem em um leito de rio cada vez menor.

Moral da Nota: estudo relaciona contaminante de pneus a 92 genes associados ao Alzheimer e a possíveis danos cerebrais, quando cientistas identificaram 23 genes-chave que podem ligar poluição dos pneus ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.São 92 alvos moleculares compartilhados com processos associados à doença de Alzheimer, 23 genes-chave concentrados em regiões cerebrais vulneráveis, sendo que a  toxicidade foi demonstrada em salmões coho expostos ao escoamento urbano e com a presença do contaminante em amostras de água, solo, poeira de estrada e amostras humanas, em que evidências obtidas através de modelos computacionais denota relação causal que ainda precisa ser demonstrada, no entanto, abre nova frente de pesquisa sobre poluição do trânsito, saúde cerebral e envelhecimento. Quando um veículo se move, freia ou faz uma curva, seus pneus perdem pequenas quantidades de material, parte, acaba depositado no asfalto enquanto outra fração permanece temporariamente suspensa no ar, ou, é levada pela chuva à esgotos, rios e áreas costeiras e, dentre os compostos que acompanham as partículas está a 6PPD-quinona, conhecida como 6PPD-Q, substância que, em poucos anos, passou de desconhecida fora dos laboratórios se tornando um dos contaminantes emergentes que mais atraem atenção. Daí, pesquisas em dados genéticos humanos e modelos computacionais levantam a possibilidade que a exposição a esse composto interfere nos mecanismos moleculares relativos à inflamação cerebral, estresse oxidativo e funcionamento das conexões neuronais, no entanto, é importante considerar que o estudo não comprova que morar perto de estradas ou inalar partículas do tráfego, cause Alzheimer, tampouco permite calcular risco individual associado a determinada exposição. A questão crucial é que cientistas identificaram vias biológicas específicas que podem ser estudadas diretamente em células, animais e tecidos humanos, quer dizer, de protetor de pneus a poluente ambiental, sendo que a origem do problema reside no 6PPD, aditivo utilizado pela indústria de pneus para evitar degradação prematura da borracha devido ação do Ozônio, O3, e outros agentes oxidantes.