quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Iniciativa Coreana

Testes de campo da variedade de arroz coreana 'jinbuolbyeo', supervisionados pelo Programa Coreano de Agricultura, KOPIA,da Administração de Desenvolvimento Rural, RDA, no distrito de Bulgan, província de Khovd, Mongólia, segundo a RDA, alcançou sucesso nos projetos de assistência oficial ao desenvolvimento agrícola no exterior transformando desafios de décadas em soluções sustentáveis à segurança alimentar. Projetos de cultivo de arroz na Mongólia e em países africanos, além do Uzbequistão, onde tecnologia agrícola coreana abre espaço à exportação de máquinas e animais, sendo que a Mongólia, que dependia de importações para suprir 50 mil toneladas consumidas anualmente, teve sua 1ª colheita de arroz bem-sucedida em 2025 graças ao Programa Coreano de Agricultura Internacional da RDA. A variedade de arroz coreano de maturação precoce utilizada, "jinbuolbyeo", com técnica de semeadura de 40 dias e cronograma de colheita no início de setembro, adaptado à estação de cultivo da Mongólia, mostra que parcelas experimentais no distrito de Bulgan, província de Khovd, renderam 310kgs/mil m², descoberta que demonstrou que o arroz pode ser cultivado no clima rigoroso da Mongólia abrindo oportunidades à que sistemas de irrigação, equipamentos de moagem, fertilizantes e sementes coreanos entrem no mercado local, valendo a nota que, 7 países africanos incluindo Gana, Senegal, Quênia e Uganda participam do projeto K-Rice Belt para aumentar a produção de arroz.  A produção de sementes de alto rendimento subiu de 2.321 toneladas em 2023 à 6.365 toneladas em 2025, enquanto a produtividade média saltou de 2,2 à 4,6 toneladas por hectare, mais que dobrando a produção local, com Lee Seung-don, CEO da Administração de Desenvolvimento Rural e Jamshid Abdukhakimovich Khodjaev, vice-ministro da Agricultura do Uzbequistão, assinaram MOU sobre cooperação em inseminação artificial de animais no escritório do Ministério da Agricultura do Uzbequistão, em Tashkent. Até 2027, a RDA pretende fornecer mais de 10 mil toneladas de sementes de arroz/ano produzindo 2,16 milhões de toneladas de arroz para alimentar 30 milhões de pessoas, com meta de alimentar 50 milhões até 2030, considerando que o projeto constrói cadeia de valor agrícola completa desde produção de sementes ao processamento e  distribuição. A assistência técnica da RDA no Uzbequistão, resulta em oportunidades de exportação com tecnologia coreana de transferência de embriões de gado leiteiro alcançando taxa de sucesso de prenhez de 50%, 20% superior à dos embriões importados antes, avanço, que possibilitou assinatura de MOU sobre conhecimentos em inseminação artificial de animais, incluindo simplificação de procedimentos de registro de medicamentos veterinários buscando acelerar entrada de empresas coreanas no mercado uzbeque. Vale a nota que técnicas mecanizadas de transplante de arroz na Coreia reduziram a mão de obra necessária em 70%, ao mesmo tempo que a produtividade aumentou 52%, elaborando planos à implementação do complexo de produção de sementes com 200 hectares até 2027. Por fim, a RDA, vinculada ao Ministério da Agricultura, Alimentação e Assuntos Rurais, caminha à modelo multiministerial de Desenvolvimento Comunitário Rural Inovador em parceria com Agência de Cooperação Internacional da Coreia e Ministério do Interior e Segurança, combinando tecnologias agrícolas inteligentes relativas ao clima com infraestrutura de armazenamento, processamento e distribuição, apoiando agricultores na criação de economias rurais autossustentáveis ​​em vez de fornecer assistência técnica pontual.

Estudo mostra limites superiores e inferiores da parcela econômica e tecnicamente viáveis da atividade de transporte rodoviário de mercadorias capturadas por tecnologias alternativas cuja avaliação integra projeções atuais de tecnologia veicular e preços de combustíveis, validadas através de consultas com fabricantes europeus de caminhões, perfis heterogêneos de utilização de caminhões derivados de microdados reais de mais de 4 milhões de caminhões e estimativas de expansão da infraestrutura de recarga. Considerando que projeções de Custo Total de Propriedade, CTP, às Tecnologias de Transporte de Carga Intermediária,TIC, em estudos não acadêmicos, sendo raros estudos abrangentes, atualizados e revisados ​​por pares que aplicam padrões de uso de caminhões e não capturam heterogeneidade dos padrões reais de uso na UE. Daí, caminhões pesados ​​contribuíram com aproximadamente 5% das emissões globais de CO2 em 2023 mais que o transporte marítimo e aviação combinados, sendo que na UE, o transporte foi o maior setor emissor representando mais de 30% das emissões, sendo que caminhões pesados ​​responderam ​​por 8%, inseridos em crescimento da demanda logística aumentando importância da descarbonização do transporte rodoviário de cargas. Reduções profundas nas emissões de CO2 exigem transição rápida em larga escala à caminhões com emissão zero, ZETs, incluindo elétricos a bateria, BETs, movidos a eletricidade de baixo carbono, elétricos a célula de combustível, FCETs, usando hidrogênio verde ou fornecimento de combustíveis de baixo carbono como diesel sintético ou biodiesel para abastecer caminhões com motor de combustão interna, ICETs. Neste sistema, a UE implementou quadro abrangente incluindo normas de desempenho de emissões de CO2, mandatos sobre quota de renováveis ​​e implantação de infraestruturas, bem como precificação do carbono e, apesar da pressão regulamentar, o setor dos veículos pesados, VPP, continua dependente de combustíveis fósseis convencionais e a adoção de ZETs pelo mercado permanece limitada, ou, implantação de FCETs insignificante, sendo que o óleo sintético não está disponível comercialmente e o uso de biocombustíveis é limitado pela disponibilidade de terras, daí, a adoção de BETs cresce desde 2022 permanecendo modesta e representando 4% das vendas de caminhões novos na UE em 2025. Por fim, desenvolvimentos na tecnologia de baterias parecem promissores e os fabricantes de caminhões expandem seu portfólio de tecnologias alternativas à caminhões, oferecendo elétricos a bateria, por exemplo, Scania, com autonomia superior a 500 km sem recarga, sendo que introdução do Sistema de Carregamento de Megawatt, MCS, e implementação na Rede Transeuropeia de Transportes, RTE-T, conforme Regulamento de Infraestrutura de Combustíveis Alternativos, RFIA, atende necessidade de carregamento de alta potência rápida e fácil de usar em caminhões. Quer dizer, projeções sobre viabilidade econômica de tecnologias alternativas à descarbonização do transporte rodoviário de cargas são cruciais não apenas à investimento das operadoras, mas, à elaboração e avaliação de políticas, planejamento à avaliar sensibilidade da adoção a fatores como preços de combustíveis, taxas de utilização, custos de baterias e intervenções políticas, identificando caminhos sólidos e riscos na transição ao transporte rodoviário de cargas com baixa emissão de carbono.

Moral da Nota: o Orçamento Climático da cidade de São Paulo integrará metas de sustentabilidade do Plano Plurianual que, através do Decreto Nº 64.688, de 4 de novembro de 2025, a Prefeitura da cidade de São Paulo instituiu o Orçamento Climático do Município de São Paulo definido como sistema de governança que integra metas climáticas, redução de emissões de gases efeito estufa e resiliência no ciclo orçamentário anual, parte do Plano Plurianual, PPA, 2026-2029. A Prefeitura com isso promove envolvimento intersetorial da Administração Pública, monitoramento de resultados e fortalecimento da transparência e responsabilização institucional, em que, metas climáticas de médio e longo prazo são definidas pelo Plano de Ação Climática do Município de São Paulo, PlanClima SP, instrumento de integração de compromissos no Acordo de Paris ao planejamento público em consonância com Política Municipal de Mudança do Clima. Identifica ações à redução de emissões de Gases Efeito Estufa em 50% até 2030, comparado a 2017 e, neutralidade de carbono até 2050, prevendo medidas de adaptação, inclusão social e justiça climática. A professora do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública da USP, esclarece que o crescimento dos eventos climáticos extremos reforçam urgência de planos de ação climática destacando papel do governo na adaptação climática, com esforços feitos em diferentes áreas e setores. Aqui, destaca limitações em relação às estratégias de adaptação gerando lacunas em níveis e escalas de governo já que a implementação do Orçamento Climático municipal envolve articulação intersetorial entre diferentes Secretarias municipais com responsabilidades em níveis de atuação, avaliando que, organizar planejamento à cidade como São Paulo é desafio à elaboração dos planos de ação climática. O PlanClima cruza dados ambientais com o IPVS, Índice Paulista de Vulnerabilidade Social, de modo avaliar regiões e bairros mais afetados com menor adaptação e mais vulneráveis a desastres desenvolvendo estratégias à esses lugares, impossibilitando estabelecer planejamento sem entender onde estão riscos geológicos, hidrológicos, de inundação, alagamentos, enchentes e distribuição dos grupos sociais mais vulneráveis como um todo. Por fim, a Plataforma SampaAdapta monitora calor urbano e promove políticas públicas para adaptação climática, sendo destinos do Orçamento Climático a eletrificação das frotas de ônibus municipais, expansão da coleta seletiva e compostagem, incentivo à energia solar e padrões construtivos sustentáveis, expansão de áreas verdes urbanas, mapeamento de áreas vulneráveis a deslizamentos, drenagem sustentável, justiça climática com melhores condições de habitação e urbanização de favelas com investimento de R$ 5,75 bilhões em áreas verdes, parques e conservação ambiental.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Crise Hídrica

A escassez de água pressiona o setor agrícola da Tunísia que recorre a métodos tradicionais e novas tecnologias para lidar com a crise, das terras férteis no norte as paisagens áridas do sul, pressão crescente decorrente seca persistente e queda  dos recursos hídricos, situação, que os obriga combinar práticas de conservação inovadoras e tradicionais para manter as terras aráveis ​​e se adaptar às crises hídricas mais frequentes. A mídia tunisiana indica que produtores são forçados se adaptar aos efeitos do aquecimento global por conta das secas prolongadas, no sul de Gabès agricultores retomaram métodos tradicionais para mitigar estresse hídrico e preservar recursos, quer dizer, a crise hídrica é um dos principais desafios ao setor agrícola tunisiano. A FAO nos informa que 80% da água extraída no país é utilizada na agricultura, no entanto, recursos hídricos renováveis ​​não ultrapassam 390 m³/capita/ano, número que reflete a gravidade do problema, ao dizer que a safra de cereais de inverno de 2026 começou em condições de seca e atraso nas chuvas em áreas importantes como Bizerte e Tabarka, antes da melhora parcial pelas chuvas de janeiro. No sul, a seca é persistente e a evaporação extrema, daí, se intencifica a pressão sobre agricultores, oásis e aquíferos subterrâneos, enquanto a necessidade de técnicas adequadas de gestão da água, conservação do solo e práticas adaptadas a climas áridos torna-se urgente, com a agência da ONU estimando que a precipitação média anual a longo prazo na Tunísia seja de 207 mms com taxas de evaporação mais elevadas no sul, coincidindo com esforços do governo reforçar segurança hídrica e modernizar sistemas de irrigação. O Banco Mundial em março aprovou financiamento de US$ 332,5 milhões à 1ª fase do programa destinado aumentar resiliência climática e melhorar serviços de água potável, bem como desenvolver infraestrutura à agricultura irrigada, projeto que inclui modernização das instalações de irrigação no norte, Jendouba, Béja, Bizerte e Siliana e, apoio a agricultores à adoção de tecnologias resilientes ao clima, além da expansão da central de dessalinização de Zarzis em Gabès, duplicando a capacidade de 50 mil à 100 mil mts³/dia.

Na Somália, a ONU alerta ao agravamento crítico da seca com milhões de pessoas em risco de fome e deslocamento devido estiagem nas 4 estações do ano, emergência de seca que se agrava rapidamente, com áreas fragilizadas pós 4 períodos consecutivos sem chuva, sendo que o Governo Federal declarou “estado de emergência” em resposta ao agravamento da situação solicitando apoio urgente, conforme o OCHA, Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários. Dentre as áreas mais afetadas está Puntland com estimativa que 1 milhão de pessoas precisam de assistência e mais de 130 mil necessitam suporte imediato, além da região enfrentar grave escassez de suprimentos em 89 centros de alimentação suplementar e 198 instalações de saúde e estabilização, em 2025, o Plano de Resposta Humanitária mal atingiu 23,7% dos recursos necessários forçando redução drástica na distribuição de ajuda. A assistência alimentar de emergência caiu de 1,1 milhão de beneficiários em agosto/2025 à 350 mil em novembro de 2025, prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar aguda até dezembro de 2026, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos sofrerão desnutrição aguda em 2026, com a FAO dizendo que, "a persistência da seca e altas temperaturas nas regiões central e norte, agrava escassez de água e limita recuperação das pastagens, podendo intensificar a crise humanitária nos próximos meses". O PMA, Programa Mundial de Alimentos, avalia que a crise é agravada por condições climáticas extremas e falta de recursos à sustentar ajuda humanitária com previsões climáticas sombrias indicando impacto prolongado de chuvas irregulares e secas causadas pelo La Niña e pelo dipolo negativo do Oceano Índico, condições, que dificultam recuperação agrícola no sul e aumentam risco de perda de colheitas, morte de animais e escassez de água. O OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Assuntos Humanitários, relata propagação da seca em regiões do norte ao centro e sul do país com deterioração extrema em Nugal, Mudug, Bari e Sanaa, áreas que enfrentam 4ª temporada consecutiva de chuvas insuficientes, alertando à falta de financiamento internacional que limita capacidade de resposta e expõe milhões ao agravamento da fome, com queda nos beneficiários de assistência alimentar à 350 mil comparada com 1,1 milhão anterior. Por fim, a Somália sofreu 5 temporadas consecutivas sem chuva entre fins de 2020 e 2022, ciclo mais longo em décadas, crise climática que deixou 5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda em 2023, situação, que pode se repetir se a ajuda internacional não aumentar, segundo PMA e ONU, "país à beira da catástrofe infantil, no centro do grupo mais vulnerável devido falta de alimentos e água".

Moral da Nota: a Síria, pais que tenta se recuperar no pós guerra, assiste colapso da safra de trigo devido falta de chuva agravada pela crise alimentar forçando a dependência de importações, a maior em mais de 6 décadas, que dizimou 75% das plantações de trigo deixando mais de 16 milhões de pessoas à beira da insegurança alimentar afetando mais de 2,5 milhões de hectares. Relatório da FAO, Organização da ONU à Alimentação e a Agricultura, informa que a queda na produção afeta áreas controladas pelo governo e administradas pela autoridade curda que competem para adquirir escassas colheitas com incentivos aos agricultores. A representante adjunta da FAO na Síria, Haya Abu Asaf, relata que este ciclo agrícola foi o pior em 60 anos com 95% de danos ao trigo de sequeiro e queda de até 40% na produção irrigada, além disso, consequências agravaram economia debilitada por 14 anos de conflito, sanções e deterioração estrutural. Vale a nota que, antes da guerra de 2011, o país produzia 4,1 milhões de toneladas de trigo/ano, desde então, depende de importações russas enquanto a capacidade agrícola ficou reduzida, em 2026, o Ministério da Agricultura estimou colheita entre 300 mil e 350 mil toneladas, aquém do mínimo exigido e, segundo Hassan Othman, diretor da Companhia Pública de Cereais, a expectativa é adquirir 250 mil toneladas. Carregamentos da Rússia e Iraque, além de doação de 220 mil toneladas e navio que atracou em Latakia em dezembro 2025 e outro em Tartus em julho 2026, diante o colapso agrícola, governo e administração curda oferecem bônus para garantir compra de trigo local com o Ministério da Economia fixando preço entre US$ 290 e US$ 320/tonelada com bônus adicional de US$ 130 aprovado por decreto. A administração autônoma curda fixou o preço em US$ 420 com subsídio direto de US$ 70 para fortalecer produção no norte e nordeste do país, em 2025, o governo ofereceu US$ 350/tonelada enquanto a autoridade curda pagou US$ 310, entretanto, o ajuste coincide com seca devastadora conforme especialistas e autoridades locais. Por fim, a falta de chuva obrigou agricultores aprofundar aquíferos até 160 metros, mas a produção foi muito baixa e, segundo a FAO, "o nível do lençol freático baixou significativamente, indicador alarmante, cujos efeitos também afetaram pastagens e  setor pecuário, com consequências população que enfrenta futuro marcado por pobreza rural, falta de água e dependência externa".