quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ação Climática

O Copernicus Sentinel informou em setembro de 2020 que o ciclone tropical Ianos cruzou o Mar Jônico, a partir dessa nota, o Mediterrâneo é capaz de gerar furacões, ao passo que alterações climáticas irão agravá-los, em março de 2026, o ciclone tropical ‘Jolina’ produziu danos no Norte da África e, em 2020 e 2023, tempestades Ianos e Daniel atingiram a Grécia e, este último, desencadeou desastre humanitário em Derna, Líbia, com mortos e desaparecidos, quer dizer, esses ciclones tropicais ocorreram em região não tropical sendo conhecidos como 'medicamentos', especialidade do Mediterrâneo e furacões. Inseridos em metáfora que médicos como qualquer grande tempestade não conhecem fronteiras, seus impactos espalham-se à medida que atingem a costa mediterrânea, região densamente povoada e vulnerável ​onde vivem 540 milhões de pessoas, quer dizer, o aumento da temperatura oceânica devido mudanças climáticas amplia a reserva de energia que alimenta tempestades, no entanto, mais pesquisas sobre esse fenômeno de efeitos atmosféricos e oceânicos são necessárias à aprimorar sistemas de alerta e preparo de populações em termos de proteção civil e em relação ao modo como enfrentaríamos eventos catastróficos que ultrapassam a capacidade de preparação. Em 1983 artigo pioneiro sobre o assunto dizia que “às vezes, a Mãe Natureza faz o possível para nos enganar”, sugerindo quão surpreendente seria encontrar ocorrência de uma estrutura de tempestade semelhante à tropical no Mediterrâneo, em consequência, progressos foram alcançados na compreensão dos medicamentos através da colaboração científica internacional e, em 2025, esforço coletivo de pesquisa produziu conceito formal desse fenômeno antes considerado contraintuitivo, em 2026, o tufão Jolina Medicane avançou em direção à Líbia pelo Mediterrâneo. Por fim, medicanes compartilham características físicas com os ciclones tropicais mas não são idênticos a eles, sendo que, inundações decorrentes precipitação intensa e generalizadas representam seu maior perigo se estendendo além do centro do ciclone e abrangendo áreas de extensão nacional, deve ser considerado ventos fortes próximos ao centro que tornam trajetória e local de chegada à costa extremamente relevantes aos impactos e ondas de tempestade. Em suma, eventos que se enquadram neste conceito ocorrem, em média, menos de três vezes por ano, frequência, significando que o registro estatístico é pequeno para tirar conclusões definitivas sobre locais preferenciais de ocorrência.

Nesta ideia, alterações climáticas afetam a procura de água na Escócia, ou, o volume  extraído de rios e lagos pelo setor agrícola aumentando mais de 500% nos últimos anos em períodos de escassez, considerando estudo da Universidade de Strathclyde que examinou registros mensais e anuais de utilização da água de mais de 80 dos setores que a utilizam incluindo, aquicultura, produção de alimentos e bebidas, refino de petróleo e fabrico de papel, identificando padrões que influenciam seu uso em condições climáticas extremas, mudanças na economia e indústrias que adaptam suas práticas. A Escócia é vista como nação rica em água com riscos climáticas extremas dos mais variados, incluindo invernos mais chuvosos e verões mais secos, aumentando nos últimos anos e levando à introdução de restrições formais de água em 2025 por conta de variações de precipitação conforme região e estação, significando que  partes do país são mais vulneráveis em tempos de escassez. O estudo avaliou dados entre 2008 e 2018 sendo pesquisa mais detalhada e abrangente até o momento sobre uso industrial e comercial da água na Escócia, combinando registros de captação e consumo de rede, além de destacar turnos temporários e mudanças sazonais evidentes nos registos mensais, daí, em 1 ano, os 3 maiores setores utilizadores, energia hidroelétrica, abastecimento de água e aquicultura, consumiram cada um mais de 200 milhões de m³ de água. Por exemplo, a pesquisa constatou que a captação de água à agricultura aumenta acentuadamente durante cada período prolongado de escassez hídrica chegando atingir 513% acima dos níveis médios mensais, enquanto a captação à geração de energia hidrelétrica aumenta nas cheia atingindo pico de 86% acima da média. Ainda no Reino Unido, o NHS Property Services, empresa do Departamento de Saúde e Assistência Social proprietária de 3.600 instalações do Serviço Nacional de Saúde, NHS, reduziu em 2025/2026 emissões de carbono em 5,2% excedendo a meta anual da organização, quer dizer, redução impulsionada por investimentos direcionados em eficiência energética, aquecimento de baixo carbono, energia renovável e sistemas  de construção em ambientes de saúde comunitários. Por exemplo, no Royal South Hants Hospital, a NHS Property Services apoiou instalação da maior bomba de calor do NHS, reduzindo dependência de combustíveis fósseis, no Torrington Place Health Centre, norte de Londres, sistemas eficientes de energia melhoraram desempenho energético e de carbono, mantendo ao mesmo tempo resiliência operacional e segurança do paciente. O líder de carbono líquido zero da NHS Property Services, esclareceu que “superar a  meta de redução de carbono mostra o que pode ser alcançado quando a sustentabilidade é incorporada à estratégia e à entrega imobiliária de instalações de bombas de calor em grande‑escala a trabalhos de descarbonização em centros de saúde comunitários, demonstrando como o Net Zero pode ser fornecido em ambientes de saúde reais e operacionais". 

Moral da Nota: relatório Well-Adapted UK, de 2024, do Comitê de Mudanças Climáticas reunindo pesquisadores e economistas examinou riscos das mudanças climáticas em saúde, infraestrutura, ambiente construído, terra, natureza e alimentos, daí, concluir que o Reino Unido não está se adaptando com rapidez suficiente para mitigar estes riscos e a avaliação do Comité sobre o Programa Nacional de Adaptação denota progresso lento em todos os aspectos. Até 2050, mortes relacionadas ao calor poderão ser 8 vezes superiores às atuais e, à medida que as temperaturas aumentam, o corpo trabalha mais para manter a temperatura interna segura, principalmente através da transpiração e aumento do fluxo sanguíneo à pele e, em condições extremas, o sistema sobrecarrega aumentando risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. A análise consistiu no desenvolvimento de modelo de simulação e compreender impacto do calor extremo nos resultados de saúde da população do Reino Unido, especificamente devido à atualidade e temperaturas projetadas ao futuro, 2030 e 2050, em média, houveram 4,9 dias de calor extremo/ano associados a 850 mortes em excesso, 17 mil atendimentos em excesso de A&E e 2.900 admissões em excesso de emergência/ano, a custos econômicos relacionados equivalentes a 80% do fardo econômico anual da gripe sazonal. Em cenário climático de 2°C de aquecimento global até 2050, o Reino Unido experimentaria mais que o dobro de dias de calor extremo/ano, levando a aumento de quase 3 vezes no calor por pessoa/dia, considerando crescimento populacional projetado, em consequência, mortes aumentariam de 850/ano na linha de base à 2.200 até década de 2030 e 3.200 até a década de 2050 e, no pior cenário de aquecimento de 2,5°C, chegaria a 7.400 mortes/ano, ou, mais de 8 vezes o nível de base. Impactos financeiros do calor extremo na saúde poderão exceder 4 bilhões de libras/ano até à década de 2050, no pior cenário considerando que o fardo do calor extremo caindo de forma desigual e não afetando todos igualmente. Por fim, atendimentos no setor de saúde estão desproporcionalmente concentrados entre adultos mais jovens refletindo em parte o comportamento de busca por saúde, como, pais levando crianças aos departamentos de emergência, destacando como o calor extremo pode criar pressões distintas em diferentes partes do sistema de saúde. Em suma, as ondas de calor perturbam a capacidade do NHS de prestar cuidados, ao mesmo tempo que impulsionam maior procura de serviços e, à medida que mais pessoas ficam doentes, a demanda por assistência médica aumenta, aumentando pressão sobre um NHS já sobrecarregado. 

sábado, 15 de agosto de 2026

Desinformação

Relatório divulgado pelo Centro de Integridade Climática, CCI, grupo de pesquisa e defesa, mostra que empresas de combustíveis fósseis sabiam na década de 1960 que rotular o gás como “limpo” era enganoso. Explica como a indústria de petróleo e gás tinha conhecimento dos danos climáticos do metano e, mesmo assim, promoveu o gás natural como solução ao clima com, documentos nunca antes publicados, mostrando que propagaram por décadas o mito do gás natural "limpo" apesar do conhecimento dos perigos do metano e do sistema de gás. Em paralelo, promoveram o debate da expansão da extração e uso de gás natural, quer dizer, "A Fraude do Gás Natural 'Limpo', ou, como Empresas de Petróleo e Gás criaram o Mito que o Gás Natural é Solução Climática" mostrando como a indústria fabricou e promoveu desinformação na década de 1970 que gás natural é "limpo" e, desde então, colonizou tomadores de decisão e público sobre riscos e segurança. O relatório diz que “a propaganda sobre gás natural limpo é essencial ao sucesso da indústria no mercado e a ideia que o gás é amigo do clima se coloca no centro da expansão da infraestrutura de gás nas últimas duas décadas” e, a investigação da cientista Rebecca John, Climate Investigations, associada a Rebecca Leber e Davis Allen, PhD, em documentos, pedidos de acesso a registros públicos, comunicações internas da indústria, relatórios confidenciais, artigos científicos e entrevistas com cientistas climáticos, consultores da indústria e ambientalistas. Vale a nota que relatórios e investigações anteriores demonstram o modo como a indústria de petróleo e gás respondeu à poluição por carbono com atraso e negação, sendo esta pesquisa a primeira a traçar resposta da indústria do gás a poluição por metano e contextualizá-la em décadas de engano, incluindo evidências que a indústria foi alertada sobre problemas de poluição por metano em 1968, antes do que relatava. Revisão do Instituto Americano de Petróleo, diz que a indústria foi informada que o metano na atmosfera se relaciona a “campos de petróleo” e “vazamentos no sistema de distribuição de gás” e como sumidouros ambientais naturais seriam “sobrecarregados por emissões excessivas”. Relatório interno da Shell em 1966 indicou que o metano foi liberado em “quantidades  grandes” nos campos de petróleo, em 1968, revisão do Instituto Americano de Petróleo declarou que o metano na atmosfera estava conectado a “campos de petróleo” e infiltração era “improvável”, assim, as empresas de fósseis patrocinaram e promoveram sua própria investigação, fundando entidades como o Gas Research Institute para criar aparência de objetividade e mudar narrativa, quer dizer, o foco era abafar pesquisas que indicavam que o gás poderia ser prejudicar ao ambiente ou saúde humana, conforme sugere o Centro de Integridade Climática. Nos anos 1970, a American Gas Association, grupo comercial que trabalhou com empresas de relações públicas para vender gás como combustível fóssil “limpo” e ecologicamente correto, lançou em 1971 Campanha de relações públicas chamada “Gás, Energia Limpa para Hoje e Amanhã", com relatório de 1972 da American Gas Association, AGA, dizendo que os “benefícios ambientais de fornecimento adequado de gás natural são excelentes”, oferece “resposta positiva” à preocupação sobre o planeta.

O relatório detalha que em 1996 a AGA realizava estudos em conjunto com a Agência de Proteção Ambiental, EPA, EUA, com comunicações internas mostrando que funcionários da EPA falaram que “simplesmente não têm experiência” à revisar de modo independente dados da indústria de gás no estudo, sendo “improvável que encontrassem problemas, mesmo que  existissem.” Publicado com a credibilidade da EPA, o estudo foi utilizado pela indústria do gás para minimizar preocupações com emissões de metano impactando no uso contínuo e crenças sobre o gás natural, quer dizer, o consumo de gás natural nos EUA aumentou desde que a indústria propagou o mito do gás natural "limpo". Em consequência, pesquisa da Data for Progress e CCI constata que 50% dos eleitores prováveis ​​agora consideram o gás natural forma de energia limpa, no entanto, quando foram informados sobre relação do gás natural com o fraturamento hidráulico e engano na identidade "limpa", o apoio geral diminui 46%, quer dizer, 3 em 4 eleitores norte americanos apoiariam ação judicial para responsabilizar empresas de petróleo e gás por enganá-los sobre malefícios do gás natural. A campanha de relações públicas foi eficaz e, na década de 2000, com o advento do fracking, a infraestrutura americana de extração de gás natural se expandiu com força, as empresas que construíam tal infra-estrutura eram, inclusive, elegíveis à subsídios aos combustíveis “verdes” e incentivos fiscais, hoje, o gás natural é classificado como “verde” em pelo menos 4 estados norte americanos, entretanto, a indústria de aparelhos a gás faz lobby contra normas de rotulagem que designem seus produtos como prejudiciais. Enfim, Richard Wiles, presidente do Centro à Integridade Climática, nos explica que  “as petrolíferas e indústria do gás sabiam há décadas que o metano era poluente climático prejudicial, criaram o mito do gás natural 'limpo' à proteger e expandir os negócios, sem considerar saúde pública ou impactos climáticos que sabiam que resultariam" e, conclui, “as autoridades que continuam justificar a dependência do gás natural alegando que é limpo ou seguro ao clima, usam roteiro e a mesma ciência manipulada que executivos do setor de gás e equipes de relações públicas criaram décadas atrás". 

Moral da Nota: o Relatório dos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de 2026, divulgado pela ONU em julho de 2026, diz que entre 2015 e 2024, com base em 'dados relatados pelos países, que perdas econômicas diretas foram em média maiores  a US$ 110 bilhões/ano equivale a 0,28% do PIB dos países declarantes’ em conjunto, observa que, “os números provavelmente subestimam a verdadeira escala quando se  incluem efeitos em cascata e danos nos ecossistemas, aí, perdas por desastres passam dos US$ 2,3 bilhões/ano". Sem considerar população e outros fatores, financeiramente os EUA registraram as maiores perdas econômicas anuais relacionadas ao clima do mundo, inundações, ondas de calor,furacões e incêndios florestais causando bilhões de dólares em danos a cada ano, no entanto, a China acompanha de perto com repetidas inundações, tufões e ondas de calor interrompendo infraestrutura e manufatura, dito, no relatório divulgado em 2024 da Swiss Re, resseguradora suíça que cobre 90% da economia global. A Índia se posiciona entre os países que registram maiores perdas econômicas globais devido alterações climáticas, perdendo 24,7% do PIB até 2070, um dos países mais expostos economicamente a riscos climáticos, conforme diz o Banco Asiático de Desenvolvimento, 2024. O relatório das ODS 2026 mostra que PMA, países menos desenvolvidos, responderam por quase 13% das perdas relatadas globalmente no mesmo período, representaram 1,36% do PIB total, impacto desproporcional de mais de 10 vezes e, conforme o Índice de Risco Climático, CRI, 2026, a Índia experimentou 430 eventos relacionados ao clima entre 1995 e 2024, ou, inundações, ciclones, deslizamentos de terra e ondas de calor afetando 1,3 bilhão de pessoas, causando mais de 80 mil mortes e perdas econômicas superiores a US$ 170 bilhões. Vale notar que os principais países que enfrentam custos devido a inundações frequentes e condições climáticas extremas, segundo o CRI, são Dominica, Mianmar e Honduras e a Índia ocupa o 15º lugar nesta lista, com Vishwas Chitale, da equipe de resiliência climática do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água, CEEW, Índia, instituição política sem fins lucrativos sediada em Nova Déli, diz que, “em 2019, o país perdeu US$ 69 bilhões devido eventos relacionados ao clima, que contrasta com US$ 79,5 bilhões perdidos entre 1998 e 2017.”