sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cidades

Emissões de gases efeito estufa devem ser inseridas no planejamento urbano e, modo   de alcançar, é reduzindo número e duração dos deslocamentos automotivos, assim, combater emissões, garantindo que residências estejam localizadas perto dos centros urbanos e locais de trabalho, de modo que, densificação imobiliária planejada torna-se alavanca crucial. Estudo publicado na Environmental Research Letters, liderado pelo Instituto Potsdam à Pesquisa do Impacto Climático, PIK, com a Universidade da Califórnia, Berkeley, Universidade de Sussex e parceiros, utilizando 10 milhões de pontos de dados de mobilidade de Berlim, Boston, Los Angeles, Baía de São Francisco, Rio de Janeiro e Bogotá, mostra com detalhe ligações entre estrutura urbana e deslocamento automotivo, além de meras correlações. Abordagem demonstra como planejadores usam dados GPS, padrões de deslocamento e IA para determinar, onde, em determinada região metropolitana, uma medida terá maior impacto, com Felix Wagner, doutor pelo PIK em 2025, lider do estudo como parte da pesquisa de doutorado, esclarece que, “o modelo revela interdependências entre fatores urbanos, mesmo antes de determinarmos seus efeitos específicos”, explicando que, “muda foco e dados de modo responsável à planejadores em que distâncias até os centros urbanos e locais de trabalho são essenciais. Por fim, a densificação urbana não é vista isoladamente, faz-se necessário entender como se relaciona com fatores como conectividade, escolha da localização residencial e acessibilidade.

Nestes termos, áreas urbanas representam parcela crescente de emissões globais de carbono, ao passo que o papel da forma urbana na configuração das emissões não é suficientemente compreendido, embora estudos existentes tenham se concentrado nas taxas de urbanização ou densidade populacional, menos atenção se dedicou configurar   geometricamente sua relação com emissões específicas de cada setor ao longo do tempo. A associação entre compacidade urbana e emissões de carbono em painel global de mais de 11 mil centros urbanos entre 1975 a 2020, além de definições de áreas urbanas com dados de alta resolução sobre emissões residenciais e de transporte rodoviário, vão além de múltiplos indicadores geométricos da forma urbana, daí, constata-se que configurações urbanas mais compactas se associam a menores emissões per capita em ambos os setores, no entanto, a força da relação varia entre regiões, sendo mais forte em países de baixa e média renda e mais fraca ou não em regiões de alta renda. Os resultados são robustos em diferentes especificações devendo ser interpretados como associações condicionais e não como efeitos causais, quer dizer, as conclusões destacam relevância da forma urbana como dimensão do desempenho ambiental ao mesmo tempo que sublinham importância do contexto econômico e institucional, sendo que análise estatística das características urbanas no mundo e associação com emissões de CO2, requer definição consistente e internacionalmente comparável de “centro urbano”, visto que, a caracterização de “cidade” pode variar entre países. A comparabilidade internacional de informações sobre centros urbanos fo trazida à tona pela Comissão Estatística da ONU que endossou novo conceito global de centros urbanos buscando superar falta de consistência na identificação entre os países, quer dizer, a definição foi elaborada com organizações internacionais, incluindo, UE, OCDE, Banco Mundial, ONU-Habitat, FAO e OIT e, como previsto, a nova definição desconsidera a influência de fatores sociais, econômicos ou geográficos que variam em nível nacional e define cidades em termos de população e densidade totais. Caracteriza uma “cidade” como assentamento humano com população acima de 50 mil habitantes e densidade populacional média acima de 1.500 habitantes/km², em consonância com desenvolvimentos nas estatísticas oficiais, o conjunto de dados a partir de informações sobre classificação de assentamentos disponibilizadas pela Comissão Europeia como parte do projeto Global Human Settlement Layer, GHSL, a Grade do Modelo de Assentamentos do GHS, GHS-SMOD, que fornece informações espaciais de 1975 a 2020 em intervalos de 5 anos com resolução de 1 km, sobre assentamentos na superfície da Terra, variando de “aglomerados rurais” a “centros urbanos” e seguindo definição de Grau de Urbanização. Em termos de emissões e PIB per capita, resultados mostram centros urbanos em regiões mais ricas emitindo mais CO2 em média, embora estejam em melhor situação agora que em décadas passadas, sendo que o oposto ocorre na Ásia, onde emissões urbanas são menores mas aumentaram ao longo do tempo, enquanto a África continua sendo o continente com menor contribuição às emissões globais de CO2 per capita. Por fim, o PIB urbano per capita das cidades europeias, norte-americanas e Oceania está acima da média mundial, enquanto cidades asiáticas, africanas e sul-americanas estão abaixo sendo que características geográficas ou institucionais podem influenciar os níveis de emissão da cidade ao longo do tempo. 

Moral da Nota: 417 desastres naturais são registrados anualmente no mundo, de tufões a tempestades costeiras, de deslizamentos de terra a terremotos, eventos que causam danos e impactos devastadores nas comunidades locais onde ocorrem, sendo que cidades mais propensas a desastres e motivos mostram que geografia e localização as tornam suscetíveis a esses eventos. Tóquio é suscetível a inundações, considerada uma das cidades mais propensas a desastres do mundo enfrenta riscos naturais além de ser uma das maiores áreas metropolitanas da Terra, além de terremotos, tsunamis, tufões, inundações e calor extremo, considerando que o Japão se localiza no Círculo de Fogo do Pacífico, região ativa sísmicamente e significando que terremotos são mais comuns que em outros países. Assim como Tóquio, Manila se localizada no Círculo de Fogo do Pacífico entre 2 placas tectônicas que a expõe a inúmeros desastres como tufões, tempestades, terremotos e inundações, sofrendo 20 tufões/ano que afetam regiões de Luzon e Manila, causam chuvas, ventos destrutivos e inundações, deslocamentos em massa dos que tentam escapar das rotas de destruição. Ao longo dos últimos 20 anos, Los Angeles, Califórnia, sofreu 74 desastres a maioria deles relativos a incêndios, no início de 2025 ficou devastada pós incêndios florestais que atingiram diversos bairros, com mais de 16 mil estruturas destruídas e 31 mortos, propensa devido ao clima com outonos e invernos chuvosos seguidos por verões secos e os ventos de Santa Ana, fortes rajadas que contribuem à 2 temporadas de incêndios, considerando que a Califórnia se localiza no Anel de Fogo do Pacífico e possui 15.700 falhas geológicas. O Irã é propenso a desastres naturais, incluindo secas, terremotos, tempestades e deslizamentos de terra, ao longo do último século, vivenciou mais de 250 desastres,  no total, impactaram mais de 60 milhões de pessoas, mataram 158.350 e causaram danos  de US$ 53 bilhões, localizado perto de forte atividade sísmica com falhas geológicas atravessando a cidade, Teerã permanece vulnerável. Estimativas da Indonésia mostram que 97% da população vive em áreas propensas a desastres, situada no Círculo de Fogo do Pacífico e intersecção de 3 placas tectônicas ativas, além de terremotos, estão expostos a erupções vulcânicas, ciclones, inundações, deslizamentos de terra e tsunamis. Segundo cientistas, as mudanças climáticas tornaram eventos climáticos extremos, como inundações, mais comuns em Calcutá, Índia, que recebeu em setembro mais de 12% da média anual de chuvas em apenas 24 horas com consequente inundações causando mortes e danos materiais, vale a nota que, o sistema de drenagem obsoleto agravou o impacto da inundação. Devido mudanças climáticas Miami é considerada por alguns como a cidade costeira mais vulnerável dos EUA a desastres naturais, enfrenta riscos aumentados de calor, inundações, furacões e chuvas intensas, nos últimos anos, a orla municipal sofreu danos ​​por furacões e inundações nas marés altas como resultado da elevação do nível do mar, eventos que, comprometeram a água potável já que água salgada invadiu estações de tratamento. Por fim, todos os anos, terremotos ocorrem na Colúmbia Britânica, província onde Vancouver se localiza, no entanto, a maioria é tão pequena que passa despercebida, com sismólogos afirmando que corre risco diário de sofrer terremoto devastador e que pode mudar a vida das pessoas, além de incêndios florestais, cuja fumaça é causa da má qualidade do ar e poluição atmosférica urbana, já que, a inalação dessas partículas, PM2,5, pode causar efeitos nocivos à saúde.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Perdas Climáticas

Na Itália, riscos climáticos ameaçam consumir 6% do PIB, com a Deloitte nos avisando que "a capacidade de antecipar é agora, elemento da competitividade empresarial", quer dizer, prevê-se redução do PIB italiano entre 1,6% e 6% até 2050, danos diretos à infraestrutura de até 5 bilhões de euros/ano e custos incluindo efeitos indiretos podendo chegar a 18 bilhões de euros. Representa risco econômico e financeiro ao país que tende aumentar com a elevação das temperaturas, sendo que as estimativas são vistas no relatório "Risco Climático na Itália, de Cenários a Propostas de Intervenção", publicado pela Deloitte com Universidade de Milão, Universidade Ca' Foscari, Instituto Universitário Europeu e Ipsos-Doxa. Parecem conservadoras visto que estudos sugerem que ondas de calor no atual verão custaram à economia italiana 22 bilhões de euros, com o gerente geral da Deloitte Climate & Sustainability e o líder de ativação de mercado de transformação de tecnologia empresarial da GenAI, apresentando novos resultados, quer dizer, no verão, França, Alemanha, Itália, Espanha e sul da Inglaterra viram temperaturas entre 5 ºC e 12 °C acima da média sazonal, conforme análise da World Weather Attribution citada pelos especialistas. A OMM, Organização Meteorológica Mundial, informa que os últimos 11 anos foram os mais quentes registrados, 2024 e 2025, a temperatura média global deve se aproximar de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, enquanto a Europa aqueceu 2 vezes mais rápido que a média global e, a Itália, por conta de localização Mediterrânea, está entre os que experimentam aceleração mais forte da temperatura com projeções modelares da Deloitte convergindo a aumento de mais de 2°C em 10 anos comparados a era pré-industrial.

Em consequência, ondas de calor tornar-se-ão 4 a 5 vezes mais frequentes até 2030, comparadas aos níveis históricos aumentando à 30/58 dias/ano até 2050, no sul, períodos de seca teriam, em média, 2 meses consecutivos, afetando produção agrícola, custos do abastecimento de água industrial e estabilidade da irrigação, o detalhe, a seca será acompanhada por intensificação de eventos extremos criando duplo risco hidrológico. Daí, modelos econômicos estimam contração do PIB entre 1,6% e 6% até 2050, inserida em cenário climático comparado com situação sem danos, quer dizer, nos próximos 20 anos o impacto poderá reduzir o crescimento anual do PIB em 15% e, na ausência de danos climáticos, a probabilidade da dívida italiana ultrapassar 200% do PIB estaria entre 21% e 24% em cenários que incorporam danos, probabilidade que sobe à 39%/44%. As perdas seriam mais fortes na infraestrutura cujos danos diretos anuais aumentariam dos atuais 400 milhões de euros à 2 bilhões de euros em 2030 e 5 bilhões de euros em 2050, caso fossem considerados efeitos indiretos, o custo atingiria 11,5 a 18 bilhões de euros/ano até meados do século, sendo que a exposição afeta edifícios, infraestrutura energética,transportes e telecomunicações, pela crescente demanda por eletricidade ao se tornar mais vulnerável a temperaturas extremas. Por fim, na França, a EDF desligou reatores nucleares para evitar que a água de resfriamento, já aquecida pelas ondas de calor, danificasse o ecossistema fluvial pós utilização para resfriar reatores e devolvida aos rios, na Itália, especificamente na produção hidrelétrica, foram gerados 3.827 GWhou ou 23,7% a menos que no mesmo mês de 2025, quer dizer, menor disponibilidade de energia hidrelétrica levaria o mercado a depender de gás e carvão fósseis, expostos à instabilidade geopolítica. Enfim, em cenário de aumento de 4°C na média, deve se contrair a 8,9%, prejuízos estimados em 52 bilhões de euros e, com aumento de 2°C, as perdas seriam estimadas em 17 bilhões de euros, a conclusão disso é que, 34% das pequenas e médias empresas atribuem papel significativo ou central ao risco climático em sistemas de gestão, 14% adotam medidas de continuidade e resiliência e 10% implementam medidas de adaptação à infraestrutura e ativos físicos, enquanto 18% utilizam ferramentas digitais para gerenciar riscos climáticos, sendo que os investimentos estão focados no curto prazo, ou, 83% não ultrapassam o horizonte de 5 anos e 77% esperam gastar menos de 100 mil euros em 3 anos. O detalhe, cobertura de seguros predomina em vez de estratégias de integrar risco climático ao modelo de negócio, grandes empresas demonstram maior maturidade ao incorporar resiliência nos processos de decisão, IA pode contribuir, apesar de impactos ambientais, do consumo de energia e água, e, segundo a Deloitte, a aplicação na gestão de danos diretos à infraestrutura geraria economia global entre US$ 70 e US$ 110 bilhões/ano até 2050.

Moral da Nota: ministros do Meio Ambiente e Clima do BRICS apoiaram à presidência da Etiópia na 32a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP32, em Declaração Conjunta adotada na 12a Reunião de Ministros do Meio Ambiente’ do BRICS, em Nova Déli, 18 de agosto, sob a presidência indiana em 2026. A delegação etíope destaca Iniciativa Legado Verde nacional e esforços à promoção de proteção ambiental, resiliência climática e desenvolvimento sustentável, com a Embaixada etíope em Nova Déli, Índia, dizendo que o apoio reforçou papel do país na definição da agenda climática global, ao apresentar progressos no desenvolvimento florestal, restauração de terras e gestão sustentável enquanto se prepara para assumir a presidência da COP32. O BRICS acrescenta peso diplomático à liderança etíope no processo climático global, colocando iniciativas ambientais na estrutura de cooperação internacional, sendo que a reunião de ministros do meio ambiente, clima e representantes seniores dos estados membros do BRICS buscou promover cooperação em desafios ambientais compartilhados. Destaque à áreas incluindo, reflorestamento, gestão de incêndios florestais, estilos de vida sustentável e resiliência a desastres, economia circular e adaptação climática, adoção da Declaração Conjunta e lançamento de compêndios de conhecimento no âmbito do Grupo de Trabalho Ambiental do BRICS. Vale a nota que a preparação e resposta a incêndios florestais, bem como abordagens centradas em pessoas e comunidades à adaptação climática se baseiam no conhecimento tradicional destacando esforços em aprofundar cooperação ambiental e climática através do compartilhamento de conhecimento, inovação e capacitação. Por fim, o apoio do BRICS surge em momento estratégico, enquanto se prepara para assumir o comando da COP32 e colocar prioridades climáticas, necessidades de resiliência e aspirações de desenvolvimento da África em destaque na agenda global.