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terça-feira, 18 de novembro de 2025

Propagação

A gangrena gasosa volta disseminar entre feridos da guerra na Ucrânia, segundo relatos ao The Telegraph, doença que se associa às trincheiras da 1ª guerra e considerada  erradicada na Europa, decorrente ao uso de drones que dificultam ou impossibilitam evacuação de feridos propagando infecções. Trata-se de infecção grave dos músculos causada por bactérias do gênero Clostridium, com formação de bolhas de gás sob a pele multiĺicando-se em tecidos sem oxigênio provocando necrose, dor, inchação, mudança de coloração do tecido e sensação de estalo ao movimentar gases sendo que o tratamento requer cirurgia para limpar a ferida e doses de antibióticos, quase impossível nos primeiros dias pós lesão nas condições da linha da frente. A gangrena gasosa esteve associada à 1ª guerra devido combinação de fatores, ou, condições da linha da frente, feridas graves e atendimento médico limitado além de trincheiras úmidas e lamacentas em campos fertilizados com esterco e bactérias Clostridium, daí, balas e estilhaços provocarem feridas extensas criando ambiente à proliferação bacteriana. Na guerra da Ucrânia a limpeza cirúrgica do ferimento e o uso direcionado de antibióticos, muitas vezes é impossível imediatamente pós lesão devido acesso limitado aos meios, enquanto a resistência antimicrobiana aumenta devido ferimentos relacionados ao conflito e  tratamento atrasado ou incompleto, serviço de saúde interrompido além de uso frequente de antibióticos de amplo espectro, fatores que incentivam disseminação de agentes resistentes a medicamentos. Vale a nota que a guerra com drones forçou refugio em abrigos subterrâneos enquanto a maior parte do atendimento médico ocorre em bunkers e porões de prédios abandonados, locais onde os drones não conseguem chegar, onde realizam cirurgia de controle de danos consistindo tratar ferimentos mais graves que representam risco de vida além de instrumentos com esterilização precária. Por fim, desafios com evacuação de feridos e problemas com antibióticos permitem o ressurgimento de doenças antes erradicadas, em que, resistência a antibióticos é problema sério complicando o tratamento. 

A África enfrenta o pior surto de cólera em 25 anos, com o CDC, Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, informando 300 mil casos confirmados e suspeitos de em 2025, aumento em relação a 2024, mais de 7 mil mortes, enquanto Angola e Burundi apresentam novos surtos sugerindo transmissão ativa da doença e, conforme autoridades médicas africanas, aumento de 30% em relação ao total de casos registrados em 2024, com Angola registrando 33.563 casos em 2025, 866 mortes, e Burundi 2.380 casos, 10 mortes. A cólera é doença bacteriana transmitida pela ingestão de água contaminada ou contato com água através de feridas abertas, em alguns casos, é possível infectar ao comer frutos do mar crus, não é transmitida de pessoa à pessoa, portanto, o contato casual  não representa risco causando diarreia grave e desidratação e, não tratada, pode matar em horas mesmo pessoas saudáveis. O CDC Africa atribui o aumento da doença ao acesso precário à água potável e conflitos no continente, mesmo países que registraram leves reduções nos casos de cólera, enfrentam superlotação e saneamento precário em campos de refugiados, considerando que, em agosto, 40 pessoas morreram de cólera em Darfur, Sudão, apresentando 2300 casos e campos de refugiados locais particularmente afetados. Os Médicos Sem Fronteiras, MSF, descrevem como o pior surt em anos, em que a guerra sudanesa danificou e destruiu parte da infraestrutura civil nacional incluindo estações de tratamento de esgoto e água, com o Sudão registrando 71.728 casos de cólera em 2025 e 2.012 mortes, dados do CDC Africa, em 2017, um surto matou 700 pessoas e infectou 22 mil em 2 meses, no surto mais recente, autoridades especulam que o abastecimento de água foi contaminado com cólera devido mistura das águas das enchentes com esgoto.

Moral da Nota: a Etiópia confirma o 1º surto do vírus Marburg pós 9 casos relatados no sul na região de Omo, fronteira com o Sudão do Sul, país assolado por conflitos e com sistema de saúde frágil, valendo dizer que o vírus Marburg tem estrutura filamentosa e é transmitido por morcegos frugívoros, mamíferos que se alimentam de frutas desempenhando papel crucial na dispersão de sementes. O diretor-geral da OMS, afirmou que a agência da ONU "apoia a Etiópia para conter o surto e tratar pessoas infectadas, além de apoiar esforços para lidar com potencial de disseminação transfronteiriça", enquanto o Ministério da Saúde etíope informou que estão sendo realizados exames na comunidade em relação ao surto com esforços para conscientizar a população. Elogiou o Ministério da Saúde etíope e demais agências de saúde pela “resposta rápida e transparente ao surto” publicando nas redes sociais que “a ação rápida demonstra seriedade do compromisso do país em controlar o surto rapidamente”. O vírus de Marburg é da mesma família do Ebola, Filoviridae, filovírus, descrito como mais grave que o Ebola com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, CDC, dos EUA descrevendo como febre hemorrágica “rara, grave”, que pode ser fatal, originária de morcegos frugívoros egípcios, podendo se espalhar entre pessoas quando em contato com fluidos corporais de pessoa infectada ou objetos contaminados por esses fluidos, como roupas ou lençóis. Os infectados apresentam febre, erupção cutânea e sangramento, não há tratamento ou vacina ao vírus de Marburg, com CDC afirmando que “o tratamento se limita a cuidados de suporte”, repouso e hidratação.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Evidências

Em Primavera Silenciosa, 1962, Rachel Carson, destaca pesquisas sobre consequências à saúde da exposição ao pesticida agrícola, DDT, diclorodifeniltricloroetanol, que desencadeou preocupação pública levando a restrições governamentais em seu uso e, por fim, proibição global na Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, valendo a ressalva que, ações legislativas fundamentadas em evidências médicas e científicas sobre efeitos nocivos da poluição ambiental buscando defender direitos à vida e à saúde, são raras. Toxicologistas e epidemiologistas demonstram como exposição à poluição do ar, água e substâncias tóxicas como pesticidas, podem causar câncer, doenças respiratórias, neurológicas e cardiovasculares entre outras, sendo que evidências epidemiológicas mostram a magnitude da carga de mortalidade e morbidade de fontes de poluição ambiental, mesmo assim, a poluição é generalizada e descontrolada. A poluição do ar é um dos principais riscos ambientais à saúde na Europa, causa 300 mil mortes prematuras anualmente nos estados membros e, mesmo onde é regulamentada, padrões muitas vezes ficam aquém de recomendações médicas, por exemplo, 96% da população urbana da UE respira ar com concentrações acima dos limites máximos recomendados pela OMS à PM2.5, partículas finas. Evidências médicas provam serem inestimáveis ​​visando responsabilizar autoridades públicas pelo impacto da poluição atmosférica ilegal na saúde humana, na Inglaterra por exemplo, inquérito do legista sobre a morte de Ella Adoo-Kissi-Debrah, 9 anos, concluiu que a exposição a poluição atmosférica contribuiu materialmente à morte, sendo esta, a 1ª vez que um legista inglês aponta poluição atmosférica como causa mortis, em consequência, a decisão do legista forneceu evidências à subsequente ação judicial por danos pessoais movida pela família da menina contra o governo, resolvida em 2024, contribuindo ao fortalecimento no país de padrões de qualidade do ar. Decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos fortaleceram a proteção dos indivíduos contra efeitos nocivos da poluição ambiental na saúde, a Convenção Europeia de Direitos Humanos não oferece direito explícito à saúde, no entanto, artigos da Convenção sobre direito à vida e ao respeito à vida privada e familiar são invocados para facilitar ações judiciais relacionadas à saúde, com tribunais mostrando-se abertos a argumentos na saúde em casos ambientais, com decisões baseando-se em evidências epidemiológicas que demonstrem que as vítimas sofreram impactos na saúde devido poluição ambiental. Na Itália, o caso Cannavacciuolo decidido em 2025 pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, é exemplo, com a sentença baseando-se em evidências epidemiológicas que demonstravam impactos na saúde da poluição na Campânia, Itália, em larga escala, incluindo pesquisas revisadas por pares e estudos conduzidos pelo Senado italiano e OMS, sendo que o tribunal utilizou evidências científicas para estabelecer “risco real e iminente” à vida e decidiu, pela 1ª vez, que a falha em limitar poluição constituía  violação do direito à vida, nos termos do Artigo 2 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos. 

Com referência a justiça climática, pesquisas epidemiológicas e fisiológicas demonstram escala dos impactos na saúde causados ​​pela poluição do ar, métodos científicos podem revelar impactos das mudanças climáticas na saúde, com estudo de 2021 mostrando que 37% da mortalidade relacionada ao calor é atribuível às mudanças climáticas causadas pelo homem. Associadas a contínua poluição ambiental generalizada, ações climáticas dos Estados no mundo estão aquém do necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C, limite do Acordo de Paris que países concordaram necessidade para evitar descontrole das mudanças climáticas, daí, avanços na ciência da atribuição combinados a métodos de pesquisa em saúde existentes podem demonstrar extensão que mudanças climáticas prejudicam a saúde.  É fato que poucos estudos que atribuem impactos na saúde às mudanças climáticas foram publicados até o momento, no entanto, à medida que pesquisas amadurecem, métodos ficam mais amplamente reconhecidos abrindo caminhos à responsabilização climática em que ações judiciais impetradas em tribunais de direitos humanos nacionais e regionais, argumentam que metas climáticas inadequadas contrariam obrigações dos Estados proteger direitos dos requerentes contra efeitos adversos das mudanças climáticas, inclusive sobre saúde física e mental. Na Áustria, há processo pendente no Tribunal Europeu de Direitos Humanos cujo requerente alega que a falha do país em mitigar sua contribuição às mudanças climáticas agrava seus sintomas de esclerose múltipla termossensível conhecida como Síndrome de Uhthoff, violação dos direitos, cujas evidências científicas podem ser cruciais para atingir “limiar” necessário à estabelecer o estatuto de vítima à requerentes individuais do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos decisão de 2024 contra Suíça, reiterado em decisão contra a Alemanha. O parecer consultivo sobre obrigações dos Estados relativo às mudanças climáticas, em julho de 2025, a Corte Internacional de Justiça afirma estreita ligação entre direitos humanos e mudanças climáticas, referindo estudos da OMS, esclarecendo que indivíduos lesados ​​podem responsabilizar Estados por não limitarem efeitos adversos das mudanças climáticas. O parecer, decorre de declaração anterior da Corte Interamericana de Direitos Humanos em parecer consultivo de maio de 2025 afirmando que Estados têm deveres específicos de proteger saúde dos indivíduos contra efeitos das mudanças climáticas que ameaçam a vida, sendo provável que evidências científicas que demonstrem consequências das mudanças climáticas à saúde humana assumam importância em ações judiciais em fóruns nacionais, regionais e internacionais que devem se basear nesses pareceres jurídicos.

Moral da Nota: processos judiciais relativos à poluição ambiental, médicos especialistas desempenham papel fundamental auxiliando tribunais compreenderem proteções necessárias ao cumprimento das leis de saúde, com cientistas e profissionais da saúde podendo ser nomeados como peritos judiciais e apresentarem provas de terceiros em caso ou conduzir pesquisas que forneçam base probatória aos argumentos jurídicos das partes. Por fim, a compreensão das consequências das mudanças climáticas à saúde teria efeito semelhante, esclarecendo até que ponto estados cumprem obrigações legais de proteger a saúde abrindo caminhos à justiça climática onde não o fazem.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Em discussão

O Relatório sobre Desigualdade Climática 2025, divulgado pelo Laboratório Mundial da Desigualdade e o PNUMA, Programa da ONU ao Meio Ambiente, coescrito pelo economista Lucas Chancel, estabelece conexão entre riqueza e emissões, ao dizer que, “os mais ricos não apenas consomem mais, como possuem e financiam os ativos responsáveis ​​pela maior parte das emissões”, constata que a crise climática é desproporcionalmente alimentada pelos mais ricos. Quer dizer, o 1% mais rico da população mundial responde por 41% das emissões ligadas à propriedade de capital privado, ou, quase 680 vezes mais por pessoa que a metade mais pobre da humanidade, em contrapartida, os que menos contribuem ao problema, os mais pobres, sofrem os piores impactos das mudanças climáticas. O relatório estima que até 2025 os 50% mais pobres da população mundial sofrerão as consequências, em que 74% das perdas de renda são atribuídas a danos climáticos enquanto os 10% mais ricos podem perder apenas 3%, alerta que, a transição verde em curso pode ampliar a desigualdade global, a menos que o financiamento climático se torne mais justo. Caso indivíduos e corporações ricas continuem dominar investimentos de baixo carbono, sua participação na riqueza global deverá subir de 38% hoje à 46% até 2050, no entanto, sob sistema mais justo com impostos sobre ativos de emissão de carbono e investimentos públicos mais robustos a concentração de riqueza poderia cair à 26%. Destaca que países em desenvolvimento continuam pagar taxas mais altas de juros em empréstimos verdes, apesar de contribuírem menos ao aquecimento global, apela à reforma do sistema de crédito global e expansão de empréstimos à “capacitar o Sul Global investir em seus próprios termos”, urge países interromper novos investimentos em combustíveis fósseis, impor impostos sobre riqueza gerada por carbono e aumentar investimento em transições limpas. Análise mostra que emissões globais de gases efeito estufa são 34% maiores hoje que eram quando a 1ª COP foi realizada em 1995, embora menor que o aumento de 64% nos anos anteriores, mas, ainda tendência alarmante, ameaçando estabilidade do planeta, já que continuamos usar combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás para suprir demandas de energia e projetos de desenvolvimento, em atenção, setores com uso intensivo de energia de tecnologias como IA pioram a situação. Vale a nota que sem as cúpulas da COP que incentivam ações globais o planeta teria aquecido 5°C, com negociações climáticas globais anuais as projeções giram em torno de 3°C, progresso, mas ainda aquém do limite de 1,5°C desde a era pré-industrial, ou, o limite estabelecido pelo Acordo de Paris que os cientistas dizem que o planeta não deve ultrapassar para evitar consequências destrutivas, no entanto, a Terra ultrapassou o limite de 1,5°C com 2023 e 2024 registrando recordes, por enquanto, os níveis médios das últimas 3 décadas permanecem abaixo desse limite. Por fim, em 2024 o mundo investiu US$ 2,2 trilhões em energia limpa, ultrapassando, pela 1ª vez, US$ 1 trilhão em investimentos em combustíveis fósseis, mesmo assim, substituir a energia poluente permanece.

Sessões Científicas da Associação Americana do Coração, Nova Orleans, Louisiana, apontam que aqueles que tomam melatonina por mais de 1 ano apresentam maior risco de problemas cardíacos, conforme estudo ainda não revisado por pares, em análise de dados de 130 mil adultos com insônia de diversos países descobrindo que os que tomavam o suplemento comum apresentavam risco 89% maior de insuficiência cardíaca em 5 anos e 2 vezes probabilidade de morrer por qualquer causa, comparados aos que não tomavam. Ekenedilichukwu Nnadi, pesquisador médico da SUNY Downstate/Kings County Primary Care, Nova York, coautor do estudo, avalia que, "suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se acredita" e, conclui, "se o estudo for confirmado, poderá influenciar como médicos aconselham pacientes sobre uso de medicamentos para dormir". Em realidade, overdoses de melatonina disparam entre crianças nos EUA considerando que os suplementos contêm até 300% mais que o indicado, no entanto, resultados da pesquisa devem ser interpretados com cautela, pois os participantes não foram questionados sobre o uso de melatonina, apenas seus registros de prescrição foram usados ​​para determinar quem estava tomando qual medicamento, significando que, o grupo controle, aqueles que não tomaram melatonina, poderia ter incluído, por exemplo, pessoas que tomaram sem receita médica, daí, as descobertas são preliminares e não alteram recomendações de saúde atuais. No entanto, as descobertas não implicam necessariamente que a melatonina, 4º produto natural mais consumido por adultos nos EUA, tenha consequências perigosas, já que, resultados sugerem que são necessárias mais pesquisas sobre uso prolongado de melatonina para garantir sua segurança. Nos EUA e em muitos outros países, melatonina é vendida sem receita médica, significando que os pacientes podem tomá-los sem supervisão médica quanto dosagem ou duração do tratamento, pois o suplemento de melatonina replica hormônio produzido naturalmente pelo cérebro para ajudar manter o relógio biológico e tomar esse substituto no final do dia pode ajudar adormecer e dormir a noite toda. Em conclusão, grande coorte multinacional do mundo real, rigorosamente pareada em mais de 40 variáveis ​​basais, a suplementação de melatonina a longo prazo para insônia foi associada a risco 89% maior de insuficiência cardíaca incidente, aumento de 3 vezes nas hospitalizações relacionadas à insuficiência cardíaca e duplicação da mortalidade por todas as causas ao longo de 5 anos, achados que, desafiam a percepção da melatonina como terapia crônica benigna e ressaltam necessidade de ensaios clínicos randomizados para esclarecer perfil de segurança cardiovascular.

Moral da Nota: Akron, Ohio, população de 200 mil habitantes, há um século, uma das cidades mais prósperas dos EUA, mundialmente famosa pela indústria da borracha, diminuiu em um terço sua população nas últimas 5 décadas, tornou-se capital da metanfetamina, à medida que as drogas ceifam cada vez mais vidas e o número de viciados aumenta. Antes atraía milhares de trabalhadores, agora, luta contra a epidemia de metanfetamina e opioides com número de dependentes em crescimento, considerando que a crise dos opioides nos EUA levou a aumento significativo nos últimos anos de mortes por overdose nas ruas, já que o país possui grande variedade de drogas opioides tanto legais quanto ilegais. Tugg Massa, ex-viciado que administra um centro de reabilitação privado, diz que o único modo de acabar com a epidemia é através da educação e prevenção impedindo que crianças usem drogas, diz que, viu pessoas passarem por diferentes programas de tratamento repetidamente, nunca se recuperarem e acabarem morrendo e, conclui, "não há como parar essa epidemia agora". O Journal of the American Medical Association, informa que, a epidemia de drogas nos EUA deixou recorde de mais de 70 mil mortes por overdose em 2019, o vício em drogas e, consequentemente, mortes por overdose, são a principal causa do declínio constante da população de Ohio, entre 2010 e 2017, a taxa de mortalidade entre pessoas de 25 a 64 anos aumentou em mais de 20%, além disso, o tráfico de drogas tornou-se fonte de renda fácil e acessível e aqueles que desejam romper o ciclo do vício encontram dificuldades porque os traficantes estão por toda parte.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Clima e Saúde Mental

Estudo publicado no Journal of Climate Change and Health revela níveis alarmantes de ansiedade, depressão e desesperança entre adolescentes em uma das regiões mais vulneráveis ​​ao clima, embora enquadrada como questão ambiental, a pesquisa destaca impacto na saúde mental em países de baixa e média renda, conduzido pelo Trinity College Dublin, Catholic University of Madagascar, University College London e CBM Global, ressaltando necessidade de suporte à saúde mental integrado a esforços de adaptação climática. A equipe de pesquisa da Escola de Ciências Biológicas e Comportamentais da Queen Mary University of London descobriu que mudanças climáticas afetam saúde mental dos adolescentes através da perda de recursos domésticos, incerteza sobre futuro e colapso dos mecanismos tradicionais de enfrentamento e, no sul de Madagascar, secas e tempestades de areia se tornaram norma, jovens vivem luta pela sobrevivência, com o estudo entrevistando 83 adolescentes e realizando grupos focais com 48 participantes em 6 vilas rurais em março de 2024 descobrindo quadro sombrio onde 90% das famílias ficaram sem comida em 2024 e 69% dos adolescentes passaram um dia inteiro sem comer. A autora principal do estudo, Dra. Kristin Hadfield do Trinity College Dublin, acrescentou que “jovens do sul de Madagascar são pioneiros involuntários do impacto das mudanças climáticas, podem fornecer informações sobre o modo como mudanças climáticas impactam saúde mental dos adolescentes com a pesquisa deixando claro que mudanças climáticas não são apenas questão ambiental e, sim, também questão de saúde mental,” destacando efeitos cascata na educação e estabilidade da comunidade, com colheitas falhando e fontes de água secando, adolescentes são forçados a deixar suas casas para sobreviver enquanto os que permanecem enfrentam fome, educação interrompida e profundo sentimento de desespero.

As mudanças climáticas ameaçam a saúde de crianças e adolescentes no mundo, mas há evidências limitadas de seus efeitos na saúde mental nos países de baixa e média renda, adolescentes mostram-se extremamente ansiosos e deprimidos, com alta ansiedade climática indicando que mudanças climáticas influenciaram a saúde mental através da perda de recursos domésticos, incerteza sobre o futuro e interrupção dos mecanismos de enfrentamento exacerbando ameaças existenciais enfrentadas pelos adolescentes e, em Madagascar, os resultados sugerem provisoriamente que intervenções e políticas devem abordar segurança alimentar e hídrica, promover práticas agrícolas adaptativas e construir recursos de enfrentamento. As mudanças climáticas estão impactando na saúde mental de adolescentes no sul de Madagascar cujos elos mecanicistas pelos quais ocorrem podem ser diferentes de outros contextos mais estudados com pesquisas examinando caminhos com mais profundidade em Madagascar urgentemente necessárias, já que, alterações climáticas constituem ameaça à saúde e bem-estar das crianças e adolescentes afetando direitos fundamentais à sobrevivência e desenvolvimento, resultante em eventos extremos mais frequentes e graves, por exemplo, cheias, ondas de calor, bem como alterações ambientais mais duradouras, por exemplo, subida do nível do mar, alterações das estações de cultivo danificando sistemas naturais e sociais dos quais depende a saúde física e mental, com metade das crianças no mundo correndo "risco elevado" devido impactos das alterações climáticas. Eventos climáticos extremos como alterações climáticas crônicas podem levar ou agravar a ansiedade, depressão, stress pós-traumático e demais perturbações psicológicas nos adolescentes, especialmente vulneráveis ​​aos efeitos negativos das alterações climáticas, dado seu desenvolvimento social e biológico cujos efeitos negativos na saúde e desenvolvimento podem persistir ao longo da vida, embora existam impactos diretos, indiretos e abrangentes na saúde mental das crianças e adolescentes, estes têm sido historicamente objeto de investigação ou ação política limitada, isto é, mais verdade nos países de baixo e médio rendimento, mais afetados pelas alterações climáticas e podem estar menos equipados para lidar com alterações climáticas como efeitos na população local, mas são objeto de pouca investigação. A revisão de Rother e colegas, por exemplo, encontrou dois artigos que examinavam como eventos climáticos extremos impactam a saúde mental de crianças ou adolescentes em qualquer lugar da África Subsaariana, inundações, na Namíbia e Nigéria, da mesma forma, a revisão sistemática de Cosh e colegas sobre preocupação com as mudanças climáticas, angústia e transtornos afetivos entre adolescentes não encontrou estudos conduzidos em qualquer lugar da África. Madagascar, nação insular no Oceano Índico, é um dos países menos desenvolvidos do mundo, com renda nacional bruta de USD$ 487 per capita com população dependente da agricultura de subsistência e crianças extremamente vulneráveis ​​a estresses climáticos como escassez de água, inundações, ondas de calor, suscetibilidade a doenças e poluição bem como vulnerabilidades infantis, por exemplo, saúde e nutrição infantil e materna, falta de acesso à educação ou saneamento e pobreza, com o sul de Madagascar como uma das áreas mais afetadas pelas mudanças climáticas no mundo e a primeira fome induzida pelo clima ocorreu nesta região em 2021, embora ecologicamente diverso em termos gerais, o sul de Madagascar experimentou mudanças substanciais nas condições climáticas caracterizadas por aumento de ciclones, períodos prolongados de seca e calor extremo, a paisagem tornou-se cada vez mais árida com terras férteis transformando-se em desertos e fontes de água se esgotando, isto é preocupante porque, das sequelas das alterações climáticas, a insegurança alimentar e hídrica impactam de modo mais intenso e generalizado na saúde, incluindo saúde mental e o sul de Madagáscar assiste recorrente insegurança alimentar e hídrica decorrente alterações climáticas.

Moral da Nota: a falta de certeza sobre o futuro é desafiador à saúde mental, especialmente quando é sobre se eles ou suas famílias terão comida com adolescentes indicando que “quando chove, ficamos felizes porque as plantações estão crescendo bem, então podemos ter comida diária”, enquanto quando havia vento forte ou seca, ficavam com medo, sentiam-se deprimidos e dormiam muito, de fato, alguns dos participantes pareciam ter superado a incerteza à profunda sensação de impotência.  Este é um dos primeiros estudos sobre saúde mental de adolescentes em Madagascar e um dos poucos sobre impactos climáticos na saúde mental de crianças e adolescentes em qualquer lugar da África, com limitações, não há medidas validadas de saúde mental, bem-estar ou ansiedade climática em malgaxe, muito menos no dialeto em torno de Ambovombe, esta é amostra de conveniência e pode não ser representativa da população de adolescentes em Androy como um todo, enquanto, na medida do possível, os adolescentes concluíram a pesquisa em voz alta, longe dos outros, a presença de não residentes em uma vila atraiu atenção considerável e alguns adolescentes concluíram as pesquisas provavelmente ao alcance da voz de outros em sua comunidade, sendo conduzidos grupos focais com os adolescentes, mas, dada a natureza sensível das respostas, pode ter sido mais adequado conduzir entrevistas. Os resultados do estudo destacam impacto das alterações climáticas na saúde mental dos adolescentes no sul de Madagáscar, embora seja apenas um estudo preliminar, preenche necessidade identificada ao começar examinar as vias causais através das quais as alterações climáticas impactam a saúde mental e a construir base de evidências em países de baixo e médio rendimento, atualmente mal representados nesta literatura, com prevalência elevada de ansiedade, depressão e preocupação com alterações climáticas, juntamente com grave insegurança alimentar e perturbações nos mecanismos de enfrentamento, sublinhando necessidade urgente de intervenções direcionadas. Insegurança alimentar é definida como ter acesso limitado ou incerto a alimentos nutritivos necessários à vida ativa e saudável e, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, 12,8% das famílias dos EUA experimentaram insegurança alimentar em 2022, cerca de 8%  experimentaram baixa segurança alimentar, definida como ter dieta de qualidade inferior com variedade reduzida de alimentos, apesar dos padrões alimentares normais e 5% das famílias dos EUA experimentaram segurança alimentar muito baixa significando que alguns membros da família comeram menos porque não podiam pagar por comida suficiente, sendo que a pobreza é a principal causa da insegurança alimentar além de outros fatores de risco incluindo ter condição médica crônica, viver em bairro de baixa renda com acesso limitado a alimentos saudáveis ​​devido a menos supermercados de serviço completo e opções limitadas de transporte e famílias negras, hispânicas, nativas americanas e nativas do Alasca têm mais probabilidade do que famílias brancas de ter insegurança alimentar. Uma casa com insegurança alimentar a criança está associada à obesidade, asma, problemas de saúde mental e pior saúde bucal, adultos com insegurança alimentar frequentemente apresentam doenças crônicas como obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares embora a razão pela qual a insegurança alimentar esteja associada a essas condições médicas seja incerta, evidências sugerem que estresse, desafios no gerenciamento de condições de saúde existentes, adoção de dieta menos saudável e mudanças nas bactérias intestinais podem desempenhar um papel. 

domingo, 26 de outubro de 2025

Critérios

Desde 2018, ganha força movimento para definir doença de Alzheimer, DA, como entidade biológica com base em descobertas de biomarcadores, no entanto, a literatura mostra que a maioria dos indivíduos cognitivamente normais com biomarcadores positivos não se tornará sintomática ao longo da linha do tempo, daí, a abordagem diagnóstica de DA sem correspondência clínica e biológica seria injustificada e potencialmente preocupante com claro desconhecimento de quando, ou, se os sintomas irão se desenvolver. Positivos à amiloide e, geralmente, a maioria dos indivíduos cognitivamente normais positivos à biomarcadores, não sejam rotulados como portadores de DA devendo ser considerados como em risco à DA, ao passo que a expansão da DA pré-sintomática é vista como melhor base diagnóstica à padrão específico de biomarcadores, indicando que proximidade da expressão de sintomas em futuro próximo. Em 2007, o International Working Group, IWG, revisou critérios diagnósticos de 1984 à DA e foi o primeiro a propor que o diagnóstico de DA em pacientes com déficits cognitivos poderia ser ancorado na presença de biomarcadores para dar suporte a diagnóstico preciso e precoce da doença, desde então, a PET amiloide cerebral demonstrou se correlacionar com a presença e densidade de placas β-amiloides em amostras de tecido cerebral derivadas de autópsia em que biomarcadores amiloide e p-tau do LCR e do plasma foram validados contra a PET amiloide, daí, validações justificarem inclusão e reembolso de biomarcadores em exames diagnósticos em diferentes países, no entanto, valor clínico e utilidade desses biomarcadores ou testes diferem dependendo do contexto, por exemplo, pesquisa ou cenários clínicos em que são usados. 

A Associação Alzheimer publicou critérios revistos ao diagnóstico e estadiamento da doença se baseando na biologia refletindo avanços na investigação, diagnóstico e tratamento, com Clifford Jack Jr., M.D., neurorradiologista da Clínica Mayo, do grupo de trabalho convocado pela Alzheimer's Association e autor dos critérios publicados na Alzheimer's & Dementia, esclarece que, "definir doença biologicamente, em vez de basear-se em sintomas, tem sido padrão na medicina, incluindo câncer, doenças cardíacas e diabetes, tornando conceito unificador comum às doenças neurodegenerativas", concluindo que, "um princípio imutável é que o tratamento eficaz dependerá da capacidade de diagnosticar e estadiar a biologia que conduz o processo da doença." A demência foi definida como comprometimento cognitivo clinicamente significativo, com critérios revisados ​​definindo doença de Alzheimer como processo biológico que ocorre no cérebro antes que as pessoas apresentem sintomas de comprometimento cognitivo, como problemas de memória e pensamento, sendo que a idade é fator de risco importante à demência tardia e, a menos que haja prevenção eficaz, o número de pessoas com demência aumentará à medida que a população envelhece, no entanto, não se recomendam testes diagnósticos em pessoas com deficiência cognitiva que não estejam em estudos de investigação e nenhum tratamento foi aprovado à pessoas com deficiência cognitiva. “O uso clínico de biomarcadores de Alzheimer destina-se à avaliação de indivíduos sintomáticos e não de indivíduos cognitivamente intactos”, ao passo que, "terapias direcionadas a doenças não foram aprovadas à indivíduos com Alzheimer sem deficiência cognitiva. Tratamentos direcionados à proteína amiloide tóxica que se acumula no cérebro foram aprovados à pacientes com doença de Alzheimer leve que atendem a critérios específicos e, para ser elegível à tratamento, é necessário prova de biomarcadores a partir de sangue, líquido cefalorraquidiano e imagens cerebrais que demonstrem que a biologia subjacente está presente no cérebro do paciente. Os critérios recentemente revisados ​​da Alzheimer Association, AA, à doença de Alzheimer, DA, propõem que DA seja definida com base em evidências biológicas cujo diagnóstico pode ser fornecido a pessoas cognitivamente normais com evidências de biomarcadores essenciais de DA abrangendo proporções de β e tau amiloide do líquido cefalorraquidiano, LCR, e tau fosforilada plasmática, p-tau, 217 ​​validados contra a tomografia por emissão de pósitrons amiloide, PET, embora esses critérios não recomendem teste desses biomarcadores em indivíduos cognitivamente normais. 

Moral da Nota: o Léxico do Grupo de Trabalho Internacional de 2024 recomenda o uso dos termos em risco à doença de Alzheimer, doença de Alzheimer pré-sintomática e doença de Alzheimer, de acordo com definições de, DA, Assintomático em Risco à Doença de Alzheimer que se refere a indivíduos cognitivamente normais com risco aumentado de desenvolver comprometimento cognitivo devido a risco incerto/indeterminado associado a determinado perfil de biomarcador correspondente à amiloidose cerebral isolada ou associada à tauopatia limitada às regiões temporais mediais ou a biomarcador positivo de fluido tau fosforilado, p-tau, sendo que o risco ao longo da vida de progressão à comprometimento cognitivo é aumentado comparado a indivíduos com biomarcador negativo, permanecendo longe de taxa determinística à progressão clínica. DA pré-sintomática em indivíduos cognitivamente normais com padrão específico de biomarcadores associados a risco de progressão ao longo da vida quase determinístico e muito alto, por exemplo, perfis de biomarcadores associados a condições pré-sintomáticas como variações genéticas autossômicas dominantes e penetrantes associadas a risco vitalício próximo de 100% de DA clínica, APP, PSEN1, PSEN2.  Pessoas afetadas pela síndrome de Down, homozigotas ao alelo APOE e4 4 com perda de função SORL1.4,27, alterações esporádicas de biomarcadores de patologia de DA associadas a risco muito alto de DA clínica ao longo da vida, como tomografia por emissão de pósitrons amiloide, PET + com PET tau+ em regiões neocorticais, daí, estudos futuros populacionais podem identificar perfis distintos de biomarcadores, incluindo fatores de risco adicionais que definem esse subgrupo. Doença de Alzheimer refere-se a indivíduos com comprometimento cognitivo com Fenótipos clínicos específicos comum, síndrome amnésica do tipo hipocampal, afasia logopênica, atrofia cortical posterior ou incomum, síndrome corticobasal, variantes comportamentais e disexecutivas, positividade de biomarcadores patofisiológicos de DA no líquido cefalorraquidiano ou PET4, biomarcadores plasmáticos, como p-tau 217, podendo em breve entrar no exame clínico de rotina, inclui aí estágios prodrômico, comprometimento cognitivo leve e nenhuma perda de função e, demência, com perda de função, quer dizer, a abordagem do IWG permite a identificação de 2 categorias diferentes de indivíduos cognitivamente normais com biomarcadores positivos e diferentes estratégias de tratamento, aí, se inserem, primeiro, indivíduos positivos à amiloide, A+, e A+ e T1 positivos, têm risco aumentado longe de ser parâmetro convincente de certeza de desenvolver DA clínica devendo ser rotulados em risco e seu acompanhamento em populações longitudinais identificará fatores que aumentam/diminuem o risco de demência e o provável surgimento de sintomas, por fim, o segundo é um grupo de indivíduos cognitivamente normais, no caminho à doença clínica.  

sábado, 25 de outubro de 2025

O Olhar

Estudo publicado na BMC Environmental Health, por Andrea Baccarelli, reitor da Harvard School of Public Health e professor de saúde ambiental, autor sênior, liderado pela Escola de Medicina Icahn, Monte Sinai, em colaboração com a Universidade da Califórnia, Los Angeles, e Universidade de Massachusetts Lowell, financiado pelo National Institute of Environmental Health Sciences e National Institute on Aging, em que pesquisadores revisando 46 estudos encontraram evidências que associam exposição pré-natal ao paracetamol, Tylenol, a maiores riscos de autismo e TDAH, em consequência, a FDA recomendou cautela, ecoando a atenção científica e, que o medicamento seja usado apenas na menor dose eficaz e menor duração possível, ressaltando que é importante no controle da febre e dor na gravidez, sendo que seu uso prolongado pode representar risco ao desenvolvimento fetal, recomendam em consequência, supervisão médica e investigação  por conta do relato de cientistas que o Tylenol na gravidez está associado a maior risco de autismo. A pesquisa inclui coautores de outras instituições, usando metodologia de Revisão Sistemática do Guia de Navegação, estrutura padrão-ouro para sintetizar e avaliar dados de saúde ambiental que permitiu conduzir análise rigorosa e abrangente, apoiando  evidências de associação entre exposição ao acetaminofen na gravidez  a maiores riscos de autismo e TDAH em que crianças expostas ao Tylenol na gravidez podem ter maior probabilidade de desenvolver transtornos do neurodesenvolvimento, TNDs, autismo e TDAH, transtorno do déficit de atenção. Observam que, embora medidas devam ser tomadas para limitar o uso de paracetamol, o medicamento é importante no tratamento da dor e febre na gravidez, podendo prejudicar o feto em desenvolvimento considerando que febre alta pode aumentar o risco de defeitos do tubo neural do feto e parto prematuro, em consequência, os autores escrevem, "recomendamos uso criterioso de paracetamol, menor dose eficaz, menor duração, sob orientação médica, adaptado a avaliações individuais de risco-benefício, em vez de limitação ampla". Em setembro, a FDA, Food and Drug Administration anunciou que enviaria carta aos médicos norte americanos, pedindo cautela quanto ao uso de paracetamol na gravidez, com o Dr Andrea Baccarelli afirmando ter discutido o estudo com o Secretário de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, antes do anúncio, fornecendo à Casa Branca declaração observando que a pesquisa encontrou "evidências de associação" entre exposição pré-natal ao paracetamol e distúrbios do neurodesenvolvimento, detalhe, "associação mais forte quando o paracetamol é tomado por 4 semanas ou mais", segundo o autor do estudo e, prosseguindo, "mais pesquisas são necessárias para confirmar a associação e determinar causalidade e, com base nas evidências existentes é necessária cautela quanto ao uso de paracetamol na gravidez especialmente uso intenso ou prolongado." O autor sênior da pesquisa observou na seção "interesses conflitantes" do artigo de pesquisa, que atuou como testemunha especialista aos autores em caso envolvendo potenciais ligações entre o uso de paracetamol na gravidez e distúrbios do neurodesenvolvimento.

Relatório da Universidade Maynooth e da Met Éireann conclui que temperaturas noturnas que tornaram o verão de 2025 o mais quente já registrado na Irlanda, foram 40 vezes mais prováveis ​​devido mudanças climáticas causadas pelo homem, com a Dra Claire Bergin, da Universidade Maynooth, dizendo que a "Irlanda está vendo efeito direto da mudança climática global" em que dados provisórios mostram que o verão de 2025 foi o mais quente já registrado, com média de 16º C,19 º C, 0,08 º C acima do recorde anterior estabelecido em 1995. O que preocupa são as condições climáticas nos 2 anos recordes muito diferentes conforme o climatologista Paul Moore, do Met Éireann, já que o verão de 1995 foi dominado por altas pressões, muito seco e ensolarado, em comparação, o verão de 2025 foi "bastante típico" com sol e precipitação próximos da média, dizendo que, "significa que chegamos a ponto em que o aquecimento de fundo devido às mudanças climáticas pode transformar uma estação que, de outra forma, seria média em estação quente recorde". Análise de atribuição de altas temperaturas realizada pelo projeto WASITUS, Weather attribution science Irish operational user service, no Centro de Pesquisa Climática Icarus da Universidade de Maynooth e financiado pelo Met Éireann e EPA, descobriu que os dias quentes de verão de 2025, embora não tão extremos quanto as temperaturas noturnas, eram 9 vezes mais prováveis ​​devido à crise climática, com a Dra. Claire Bergin, pesquisadora do projeto WASITUS, dizendo que "sabemos há anos que a dependência da sociedade em combustíveis fósseis tem levado a um clima mais quente" e,  ainda, “agora, ao produzirmos a 1ª análise de atribuição de altas temperaturas sazonais com base na Irlanda, sabemos com certeza que está vendo um efeito direto das mudanças climáticas globais”, concluindo que, as altas temperaturas observadas neste verão se tornarão mais regulares, com as temperaturas mais altas previstas para ficarem ainda mais altas. Diz ainda que, “a maioria das casas na Irlanda não é construída com essas temperaturas crescentes em mente, então, preparar e adaptá-las agora será importante à crescente regularidade dos futuros verões quentes, em particular, à aquelas noites quentes de verão que devem se tornar mais regulares",  embora as condições climáticas gerais tenham sido razoavelmente normais, houve outras condições que contribuíram às temperaturas mais altas no verão, incluindo ondas de calor marinhas nas águas irlandesas no verão e solos secos no início da estação. Lionel Swan, pesquisador de doutorado no projeto WASITUS, informa que, "o oceano quente desempenhou papel fundamental em manter as temperaturas gerais altas, especialmente à noite" concluindo que, "o IPCC alerta que as ondas de calor marinhas devem se tornar mais frequentes e intensas à medida que mudanças climáticas induzidas pelo homem continuem, com as águas irlandesas provavelmente não escapando desses efeitos." A análise WASITUS comparou eventos semelhantes em um clima 1,3 º mais frio com o clima atual e com condições futuras mais quentes ao passo que o clima global é hoje é 1,3 º C mais quente que os níveis pré-industriais, 1850-1900, com  3 º C de aquecimento global projetados à atingir até fins do século sob metas políticas atuais, as temperaturas noturnas experimentadas no verão na Irlanda se tornarão 300 vezes mais prováveis enquanto as temperaturas diurnas no verão se tornarão 24 vezes mais prováveis ​​com 3 º C de aquecimento. O Prof. Peter Thorne, da Universidade de Maynooth, disse que o clima da Irlanda com aquecimento de 3 º C é  "completamente irreconhecível" comparado com o atual, enquanto o climatologista Dr. Pádraig Flattery, da Met Éireann, disse que temperaturas mais altas trariam maior risco de pragas e doenças, bem como aumento na intensidade e frequência de eventos de chuva, esclarecendo ainda que o relatório era  "lembrete claro da necessidade urgente de reduzir as emissões de gases efeito estufa para zero líquido a fim de evitar piores impactos das mudanças climáticas, ao mesmo tempo que garante que a Irlanda se adapte ao clima alterado que estamos vivenciando". O objetivo do WASITUS é desenvolver capacidade operacional de atribuição de eventos à Irlanda, em colaboração com o World Weather Attribution liderado pelo Prof. Fredi Otto no Imperial College London, assim, identificar se, e como, mudanças climáticas influenciadas pelo homem mudam probabilidade e gravidade de eventos climáticos extremos, realizado, comparando observações meteorológicas com modelos climáticos usando técnicas estatísticas.

Moral da Nota: a Universidade de Indiana, EUA, começou no outono implementar recurso em seus campus para incentivar uso responsável IA em sala de aula, chamada ChatGPT Edu, a tecnologia foi projetada para auxiliar usuários no ensino superior e, em comunicado anunciando o lançamento, líderes da IU disseram que a introdução da tecnologia é importante para preparar alunos  ao mercado de trabalho,  com Frank Emmert, professor da Faculdade de Direito McKinney da IU, dizendo que "a faculdade de direito é o lugar para praticar e aprender, se não os ensinarmos, onde vão conseguir isso?", A partir deste ano letivo, o programa será implementado para 120 mil  pessoas nos campus da IU em todo o estado, com os docentes solicitando acesso enquanto os alunos deverão aguardar até o próximo semestre, por meio do programa, professores e funcionários podem explorar estratégias de ensino IA e otimizar tarefas administrativas, enquanto alunos podem usar o programa para desenvolver conhecimentos IA e desenvolver habilidades para prepará-los ao mercado de trabalho, segundo o comunicado da Universidade de Indiana.  A Associação Internacional de Estudantes de Direito em 2025 realizou experimento onde projetou 10 abordagens em caso fictício através de diferentes modelos IA, colocados em competição e julgados com o trabalho dos alunos obtendo pontuações equivalentes à média histórica de competidores ao vivo, agora, a associação está permitindo uso IA para se preparar à competição. Por fim, para usar IA de forma eficaz, os alunos devem ser capazes de ponderar sua eficiência em relação ao conhecimento adquirido na área jurídica, segundo os educadores, sem isso, são mais propensos a se deparar com problemas como alucinações com IA ou tecnologia fornecendo informações desatualizadas.

O retorno: Steven J. Fleischman, MD, MBA, presidente do ACOG, Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, em comunicado, avisa que, é "irresponsável quando se considera a mensagem prejudicial e confusa que enviam às pacientes grávidas, incluindo as que podem precisar confiar neste medicamento benéfico na gravidez". Estudo em pacientes com distúrbios autoimunes descobriu que 74% usaram acetaminofen na gestação, algumas evidências sugerem que filhos de pais e mães com condições autoimunes, como artrite reumatoide, apresentam maior risco de distúrbios do neurodesenvolvimento, incluindo autismo, com o detalhe,  o estudo  da Escola de Medicina Mount Sinai, mostra ligação entre acetaminofen e autismo, não estabelecendo causalidade e outros estudos mostram que é improvável que o medicamento aumente risco de asma infantil ou problemas cardiovasculares neonatais.  Eve Espey, MD, MPH, professora emérita do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Universidade do Novo México em Albuquerque, diz que, alternativas farmacológicas ao paracetamol, os anti-inflamatórios não esteroides como o ibuprofeno, apresentam riscos incluindo potenciais malformações no 1º trimestre, potencial impacto negativo na disfunção renal fetal no 2º trimestre e contraindicação absoluta no 3º trimestre devido preocupações com o fechamento prematuro do canal arterial no feto.  Catherine Cansino, MD, MPH, professora clínica de obstetrícia e ginecologia na Universidade da Califórnia, Davis Health, em Sacramento, esclarece que, "recursos desperdiçados que o governo gasta para alimentar ceticismo sobre este medicamento seguro seriam melhor investidos em pesquisas sobre saúde da mulher, incluindo condições relacionadas à gravidez”.  Steffen Thirstrup, MD, PhD, diretor médico da EMA, Associação Europeia de Medicamentos, avisa que o paracetamol na Europa “continua sendo opção importante para tratar dor ou febre em mulheres grávidas”.  A MotherToBaby, organização sem fins lucrativos que fornece informações sobre benefícios e riscos de medicamentos e outras exposições na gravidez e amamentação, alerta que aumento na temperatura corporal causado pela febre no início da gravidez, traz riscos, incluindo pequena chance de defeitos congênitos, ao passo que, alguns estudos também descobriram que as febres estão associadas a maiores chances da criança ter transtorno de déficit de atenção/hiperatividade ou autismo. A Kenvue, empresa controladora do Tylenol, informa que o paracetamol é "a opção mais segura de analgésico" disponível durante toda a gravidez, “sem ele, mulheres enfrentam escolhas perigosas, ou, sofrer com condições como febre, potencialmente prejudiciais tanto à mãe quanto ao bebê, ou, usar alternativas mais arriscadas” e, segundo o comunicado da empresa, “febres altas e dor são reconhecidas como riscos potenciais à gravidez se não forem tratadas.”

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Telehealth

A utilização da telemedicina aumentou 40 vezes mais que antes da pandemia e, conforme o McKinsey Telehealth Study, em 2024, o mercado foi avaliado em US$ 141,19 bilhões  projeta alcance US$ 380,33 bilhões até 2030, tratando-se de movimento, quer dizer, a demanda de pacientes não diminui e os provedores que se movem capturam fluxos de receita, aí, oportunidade de construir o futuro da medicina. A telessaúde é pilar da prestação de serviços de saúde começando como consultas virtuais e se expandindo ao gerenciamento de cuidados crônicos, terapia de saúde mental, teledermatologia e suporte à cirurgia remota, portanto, à medida que se transforma em solução à saúde, os benefícios não se limitam apenas aos pacientes, redefine o modo como provedores prestam cuidados, além de desbloquear oportunidades de negócios e, quanto aos provedores de saúde, quer dizer, hospitais e clínicas, obtêm melhores fluxos de trabalho, reembolsos mais rápidos e maior retenção de pacientes e, do ponto de vista do paciente, a geração Y prefere conveniência, os trabalhadores economia de tempo e as populações rurais precisam de acesso enquanto pacientes com doenças crônicas valorizam o monitoramento contínuo.  Em consequência surgem modelos de negócios como aplicativos B2C conectando pacientes diretamente a médicos, plataformas B2B integrando telessaúde em clínicas e sistemas corporativos e modelos B2B2C permitindo que provedores estendam serviços sob sua própria marca tal como plataforma como a Teladoc que atende a público amplo cujo objetivo é ser porta de entrada digital à saúde, daí, aplicativos de saúde comportamental, plataformas de cuidados com idosos e monitoramento remoto de pacientes e cada segmento tem requisitos únicos, portanto, há necessidade de desenvolvimento de aplicativos de telemedicina personalizados, considerando o público-alvo. Os aplicativos gerais de telemedicina conectam pacientes com médicos à consultas diárias, atendimento de urgência, sintomas de gripe ou acompanhamentos básicos formam a espinha dorsal da saúde digital e aplicativos de cuidados especializados, caso da saúde mental, como o Talkspace, bem como aplicativos de cuidados crônicos à diabetes e dermatologia se enquadrando na categoria, além de plataformas especializadas apresentando maior engajamento do paciente porque abordam problemas específicos e direcionados.

Os RPM, Aplicativos de Monitoramento Remoto de Pacientes,  combinam desenvolvimento de dispositivos de telessaúde com software com pacientes utilizando dispositivos vestíveis ou habilitados à IoT compartilhando dados vitais como pressão arterial ou níveis de glicose enquanto que  provedores monitoram tendências em tempo real melhorando resultados dos pacientes crônicos, as plataformas Integradas Hospital/Clínica se conectam aos sistemas TI hospitalares existentes integrando EMR/EHR, agendamento, faturamento e seguro, caminho geralmente escolhido pelos provedores empresariais. Plataformas videoconsulta são versão mais leve focada em videochamadas seguras, compartilhamento de arquivos e prescrições, frequentemente usadas por startups que buscam lançar soluções de telemedicina de marca branca, as plataformas de diagnóstico médico orientadas por IA trazem a inteligência à frente através de verificadores de sintomas, análises preditivas e chatbots com triagem de pacientes antes de consultarem um médico sendo que aplicativos de farmácia fecham o ciclo conectando atendimento à entrega de medicamentos em que pacientes recebem prescrições digitalmente e os medicamentos entregues em casa. Esses modelos tem necessidades de conformidade diversas, recursos e escalabilidade cujo desenvolvimento de aplicativos de telemedicina personalizados estão em fase de crescimento se adaptando aos objetivos clínicos e às expectativas do paciente, buscando transformar a prestação de serviços de saúde mudando economia do atendimento e remodela o modo como pacientes interagem com provedores, no entanto, benefícios do desenvolvimento de aplicativos de telemedicina vão além da interação paciente-provedor, criam valor na saúde.  Um paciente em uma cidade rural pode acessar especialista de ponta em grande cidade, alcance que expande participação de mercado à provedores melhorando equidade no atendimento, reduzindo custos da telesaúde já que menos consultas presenciais significam menos pressão sobre instalações físicas e conforme  o Instituto Nacional de Saúde, a telessaúde foi US$ 3.954, custo total, mais barata que a consulta presencial tradicional, daí, dinheiro  que pode ser reinvestido no atendimento ao paciente, além da economia em viagens e salas de espera. Do ponto de vista operacional, médicos otimizam horários, administradores obtêm dados mais claros, pacientes passam menos tempo esperando, quer dizer, eficiência gerando fidelidade e fidelidade impulsionando retenção, enquanto os agendamentos automatizados e consultas virtuais reduzem o número de consultas perdidas, uma das maiores fontes de desperdício de receita na área da saúde, daí, emergindo sistema de calendário dinâmico em tempo real que mostra a disponibilidade de médico e permite que pacientes agendem instantaneamente limitando ligações telefônicas e, se possível, integração de lembretes automatizados para reduzir o não comparecimento.

Moral da Nota:  a Teladoc health é líder em atendimento virtual com mais de 55 milhões de membros em mais de 175 países, cuja força reside na escala, abrangendo cuidados gerais, condições crônicas e saúde mental em uma única plataforma, o aplicativo Doctor on Demand expandiu-se no gerenciamento de cuidados crônicos com ferramentas de monitoramento remoto de pacientes que  monitoram sinais vitais através de dispositivos vestíveis enquanto os médicos os monitoram remotamente. O MDLIVE, adquirido pela Cigna, oferece atendimento de urgência e saúde comportamental 24 horas por dia, 7 dias por semana e  integra reivindicações de seguro no aplicativo mostrando como  modelos de negócios podem se alinhar à conveniência do paciente, sendo que o custo para desenvolver um projeto de desenvolvimento de aplicativo de telessaúde não é taxa fixa, mas  espectro dependendo de fatores-chave. Envolvem complexidade em que um MVP básico com apenas um recurso de bate-papo por vídeo custa muito menos que uma plataforma com diagnósticos com IA e integrações de desenvolvimento de dispositivos de telessaúde, quanto mais recursos adicionar, maior será o custo como integração de EHR e conectividade IoT, particularmente caros, ao passo que a localização da Equipe cuja taxa horária de desenvolvimento nos EUA é maior que a de uma equipe no Leste Europeu ou Índia e a escolha da Plataforma, iOS, Android ou Web, afeta custo de desenvolvimento de aplicativo móvel de telemedicina enquanto funções do usuário, pacientes, médicos, administradores, seguradoras, levam ao ​​maior custo de construção e o design de UI/UX que oferecem recursos de acessibilidade aprimorados ou suporte multilíngue exigem mais esforços de design, o que, por sua vez, aumenta  custos e, por fim, a implementação de conformidade com padrões HIPAA, GDPR, HL7 e FHIR adiciona custos legais e técnicos. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Além do Entusiasmo

A Universidade de Stanford trabalha em novos benchmarks, testes/padrões, para verificar o desempenho de agentes IA na saúde e em ambientes reais como hospitais, considerando "agentes IA" como ferramentas que usam IA para auxiliar médicos e equipe médica, desenvolvendo modos de ler prontuários eletrônicos, sugerir com base no histórico do paciente ou auxiliar diagnósticos, até agora, muitos desses sistemas são testados em ambientes ideais ou controlados e não em situações clínicas realistas onde há dados desorganizados e condições inesperadas dos pacientes e fatores humanos. O trabalho de Stanford busca corrigir tal lacuna garantindo que agentes IA sejam seguros, confiáveis e eficazes em ambientes que se assemelham a hospitais reais com toda sua complexidade e se IA na área da saúde funciona bem em ambientes reais e os pacientes podem receber cuidados mais precisos cometendo menos erros, daí, aumentar confiança em que médicos, enfermeiros e pacientes se sentirão mais seguros ao usarem ferramentas IA testadas em condições realistas e não apenas em laboratórios. Busca evitar surpresas em que  um modelo IA que só funciona em condições perfeitas pode falhar quando ocorre desorganização que pode ser perigosa na área da saúde e, ao construir IA na saúde, os testes devem incluir condições do mundo real com dados desorganizados, casos estranhos, interrupções, etc e focando na avaliação construindo ferramentas não apenas para ter um bom desempenho nos testes, mas para se adaptar ao uso real em erros, dados ausentes, entradas estranhas etc, e por fim, segurança em que ferramentas necessitam serem seguras porque erros têm consequências incluindo médicos e usuários no design, testes e feedback . Além do entusiasmo e da esperança no uso IA na medicina, existe necessidade de garantir que, no mínimo, IA e ambiente de saúde realizem tarefas que um médico realizaria em prontuários eletrônicos, criando padrões de referência para medir o que impulsiona o trabalho de pesquisadores de Stanford, embora observem o potencial da tecnologia para transformar a medicina, o ethos de se mover e quebrar coisas não funciona na saúde, necessitando garantir que as ferramentas sejam capazes de realizar  tarefas e serem usadas como ferramentas que complementam atendimento que médicos prestam no dia a dia.

Kameron Black, coautor do artigo de referência e pesquisador de Informática na Stanford Health Care, diz que "trabalhar no projeto convenceu que IA não substituirá médicos tão cedo", concluindo, "é mais provável que aumente a força de trabalho clínica", co partícipe de equipe multidisciplinar de médicos, cientistas da computação e pesquisadores de Stanford que trabalharam no estudo, MedAgentBench: Um Ambiente Virtual de EHR para Comparar Agentes de LLM Médicos e publicado no New England Journal of Medicine AI. Defende que modelos de grande linguagem, LLMs, apresentaram bom desempenho no Exame de Licenciamento Médico dos EUA, USMLE, e em responder perguntas relacionadas à medicina em estudos, não há um benchmark que teste o quão bem os LLMs podem funcionar como agentes executando tarefas que um médico normalmente faria como solicitar medicamentos dentro de um sistema clínico do mundo real onde a entrada de dados pode ser confusa, ao contrário de chatbots ou LLMs, os agentes IA podem trabalhar de forma autônoma executando tarefas complexas e em várias etapas com supervisão mínima, enquanto agentes IA integram entradas de dados multimodais, processam informações e, em seguida, utilizam ferramentas externas para realizar tarefas. Testes anteriores avaliaram o conhecimento médico através de vinhetas clínicas selecionadas, pesquisa que avalia o quão bem agentes IA podem executar tarefas clínicas reais como recuperar dados de pacientes, solicitar exames e prescrever medicamentos, enquanto agentes IA podem fazer coisas”, conforme Jonathan Chen, professor associado de medicina e ciência de dados biomédicos e autor sênior do artigo ao dizer que, “significa que poderiam, teoricamente, recuperar informações do paciente diretamente do prontuário eletrônico, raciocinar sobre as informações e agir inserindo diretamente prescrições de exames e medicamentos, um nível mais alto de autonomia no mundo de alto risco da assistência médica, urgindo parâmetro para estabelecer o estado atual da capacidade IA ​​em tarefas reproduzíveis às quais possamos otimizar.” O estudo avaliou se agentes IA poderiam utilizar pontos de extremidade da API FHIR, Fast Healthcare Interoperability Resources, para navegar registros eletrônicos de saúde, enquanto a equipe criou ambiente virtual de prontuário eletrônico de saúde contendo 100 perfis realistas de pacientes, 785 mil registros, incluindo exames laboratoriais, sinais vitais, medicamentos, diagnósticos e procedimentos para testar grandes modelos de linguagem em 300 tarefas clínicas desenvolvidas por médicos, nos testes iniciais, o melhor modelo, neste caso, o Claude 3.5 Sonnet v2, alcançou taxa de sucesso de 70%, com  Yixing Jiang, coautor do artigo e estudante de doutorado de Stanford dizendo “esperar que este benchmark ajude desenvolvedores de modelos monitorar o progresso e aprimorar mais capacidades dos agentes”. Modelos tiveram dificuldades com cenários que exigiam raciocínio diferenciado, envolviam fluxos de trabalho complexos ou necessitavam interoperabilidade em diferentes sistemas de saúde, problemas que um clínico pode enfrentar regularmente, com Kamerum Black esclarecendo que “antes que os agentes sejam usados, precisamos saber com que frequência e tipo de erros são cometidos para que possamos levar as coisas em conta e ajudar preveni-las em implantações no mundo real”,  esclarecendo ainda que, “nos estudos de acompanhamento, demonstramos melhora na taxa de sucesso na execução de tarefas por novos LLMs, considerando padrões de erro específicos que observamos no estudo inicial”, concluindo, com design, segurança, estrutura e consentimento bem pensados será possível começar transformar ferramentas de protótipos de pesquisa em pilotos reais.” Por fim, Black conclui que IA precisa e confiável pode aliviar crise iminente, acrescenta que, pressionados por necessidades de pacientes, demandas de conformidade e esgotamento da equipe, provedores de saúde enfrentam escassez global de pessoal cada vez maior, estimada em mais de 10 milhões até 2030, e que parâmetros são necessários, pois mais hospitais e sistemas de saúde estão incorporando IA em tarefas, incluindo anotações e resumos de gráficos e, em vez de substituir médicos e enfermeiros,  espera que IA possa ser ferramenta poderosa aos médicos, diminuindo peso de parte da carga de trabalho e trazendo-os de volta ao lado do paciente. 

Moral da Nota: empresas americanas observam que gastos com saúde dos funcionários aumentaram de modo constante nos últimos 3 anos, com 2026 parecendo refletir o maior aumento em uma década e empregadores prevendo que os gastos com saúde aumentarão 9% pós aumento de 8% em 2025, maior nível em 10 anos, sendo o aumento de 2026 impulsionado por tempestade perfeita, alta demanda por medicamentos para perda de peso, aumento de diagnóstico, tratamentos caros para câncer, saúde mental, tarifas farmacêuticas, sistemas sofisticados de faturamento IA utilizados cada vez mais por hospitais que levará a prêmios e franquias mais altos aos funcionários. A pesquisa anual com 121 empresas, abrangendo 11,6 milhões de funcionários e famílias, divulgada em agosto de 2025 pelo Business Group on Health, coalizão de 400 empresas, levou  Ellen Kelsay, presidente do Business Group dizer que "a história deste ano talvez seja mais assustadora e preocupante que nunca", considerando que os prêmios anuais do seguro saúde patrocinado pelo empregador aumentaram 7% ao ano nos últimos 2 anos, conforme relatório do KFF, think tank sem fins lucrativos, à média de US$ 25.572 por funcionário para cobertura familiar e US$ 8.951 à planos individuais em que empresas normalmente pagam de 75% a 80% do custo do prêmio, ou, conforme o CEO da KFF, "empregadores desembolsam o equivalente a comprar carro econômico à cada funcionário anualmente e pagar pela cobertura familiar". O relatório do Business Group surgiu por conta de pesquisa da Fundação Internacional de Planos de Benefícios para Funcionários, em que empregadores americanos projetaram aumento mediano de 10% nos custos com saúde no próximo ano, a culpa foi atribuída aos medicamentos à perda de peso GLP-1, como Wegovy e Ozempic, aos tratamentos contra o câncer e ao aumento do atendimento a doenças catastróficas, na verdade, produtos farmacêuticos são impulsionadores de aumento dos custos com saúde, respondendo por 24% dos gastos com saúde dos empregadores em 2024, ante 21% há 3 anos, sendo que empregadores esperam aumento de 11% a 12% nos custos com farmácias em 2026, segundo o Business Group. Novo relatório da KFF analisa impacto das tarifas previstas sobre pequenas empresas e previu que as seguradoras, devem  incorporar potenciais aumentos de custos nas tarifas propostas ao próximo ano do plano, em vez de aguardar decisão final do governo norte americano, enquanto na pesquisa do Business Group, 12% dos empregadores afirmaram que aumentariam  contribuições dos funcionários ao plano de saúde se pressionados a reduzir o crescimento dos custos, pesquisa de julho da Mercer constatou que 51% das empresas com 500 ou mais funcionários afirmaram que muito provavelmente transfeririam mais custos aos funcionários através de prêmios, franquias ou valores máximos de desembolso mais altos, com o National Bureau of Economic Research estimando que cada aumento de 10% nos custos do seguro saúde corporativo reduz as chances de emprego em 1,6% e  os salários em 2,3%. 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Conhecimento essencial

Pesquisa conduzida pelo Centro de Políticas Públicas Annenberg da Universidade da Pensilvânia descobriu que muitos  adultos norte americanos não têm conhecimento essencial sobre hipertensão arterial em universo de quase metade da população norte americana apresentar hipertensão, fator de risco à doenças cardíacas e derrames, com  Kathleen Hall Jamieson, PhD, diretora do centro, dizendo que “se não sabemos o que significa ter pressão alta, por que ela é um problema ou como pode preveni-la, podemos não perceber que temos um problema que pode ser corrigido”. Participaram da pesquisa de abril de 2025, 1653 adultos sendo que 35% tinham diagnóstico de hipertensão, 10% de pré-hipertensão e 2% de hipertensão gestacional e, dentre aqueles com pressão alta, dois terços relataram um pouco ou muito preocupados com a doença e 5% disseram não estar nem um pouco preocupados, apesar da alta prevalência da condição e  preocupação, apenas 13% dos entrevistados identificaram corretamente a leitura da pressão arterial indicando hipertensão, ou, 130/80 mm Hg ou mais. Um quarto dos entrevistados indicou 140/90 mm Hg como a medida definidora de pressão alta, ponto de corte antes da AHA, American Heart Association e o American College of Cardiology diminuir o valor em 2017, sendo que quase outro quarto relatou que não sabia e os demais participantes escolheram outros pontos de corte incorretos, também não sabiam que a pressão arterial elevada nem sempre causa sintomas perceptíveis, com mais de um terço acreditando erroneamente que a hipertensão quase sempre envolvia sinais como tontura e falta de ar e, 2 em 5 adultos acreditavam que sentir-se calmo e relaxado denotava pressão arterial normal. Apesar de confusão sobre o significado de ter pressão alta, parece haver consciência como o modo de preveni-la quando solicitados identificar quais atividades ajudam reduzir a pressão arterial, 91% selecionaram manter peso saudável, 89% identificaram praticar exercícios regularmente, 89% escolheram consumir alimentos nutritivos e 82% escolheram reduzir ingestão de sal, no entanto, a maioria dos participantes reconheceu afirmações falsas enquanto 3% acreditavam que beber café e 2% acreditavam que beber álcool poderia reduzir a pressão arterial. A pesquisa observou discrepância entre disposição relatada para agir e ação efetiva, embora mais de 4 em 5 pessoas tenham notado que tomariam medidas para controlar a pressão arterial se fossem aconselhadas por um médico, menos pessoas com pressão alta indicaram que seguiam consistentemente essas recomendações, enquanto 61% dos entrevistados com pressão alta praticavam atividade física mais de uma vez por semana e 19% raramente ou nunca se exercitavam enquanto 73% controlavam a alimentação mais de uma vez por semana e 69% davam a mesma importância à limitação do consumo de sal, quer dizer,  o sódio raramente ou nunca foi considerado para 23% das pessoas com hipertensão. A AHA sugere monitoramento regular da pressão arterial em casa, cujos resultados da pesquisa revelaram que, entre os participantes com hipertensão, 22% verificavam a própria pressão arterial mais de uma vez por semana, 10% a verificavam quase diariamente enquanto 13% dos hipertensos nunca haviam medido a pressão arterial, considerando que, a adesão à medicação à pressão arterial entre pessoas com prescrição médica foi alta, quer dizer, 90% relataram tomá-la diariamente ou quase diariamente, sendo que o motivo mais comum para não tomar a medicação diariamente foi achar que não era necessário tomá-la diariamente, ao passo que outros motivos incluíram sentir-se bem sem ela, esquecimento, efeitos adversos e preço acessível. Por fim, 100% da população seria capaz de identificar corretamente os fatos sobre hipertensão, segundo Kathleen Hall Jamieson, no entanto, em universo ideal o objetivo é informar maior número possível de pessoas, uma vez que haja dados destacando lacunas de conhecimento, o foco muda no preencher informações que faltam ao público, sendo que os resultados da pesquisa sugerem que adultos norte americanos podem se beneficiar de melhor compreensão do que significa ter pressão alta e, em áreas onde a conscientização pública é maior, como medidas de redução da pressão arterial, o próximo passo é incentivar comportamentos saudáveis.

A febre oropouche antes encontrada exclusivamente na Amazônia, avança no Brasil em 2024 confirmados em 18 estados como Distrito Federal e Espírito Santo quase 3 mil km distantes da Amazônia, liderando notificações, com 6.318 registros, com o chefe do Laboratório de Arbovírus e Hemorrágicos do IOC/Fiocruz, esclarecendo que análises genéticas apontam que casos recentes foram provocados por nova linhagem do vírus, variação que surgiu no Amazonas, circulado pela Região Norte e, posteriormente, espalhando pelo país. De janeiro a julho foram reportados 11.888 notificações no Brasil e, em 2024, a doença afetou 11 nações e um território causando quatro mortes cujos sintomas são, febre alta, dor de cabeça, dor muscular e articular, com a OPAS divulgando atualização epidemiológica sobre febre Oropouche, doença viral que ressurgiu nas Américas desde o final de 2023, reportando 12.786 casos confirmados em 11 países, 7 nações com transmissão local e 4 concentrando casos importados, quer dizer, os números foram coletados entre 1º de janeiro e 27 de julho de 2025. A disseminação do vírus transmitido pelo mosquito Culicoides paraenses, aumenta nas Américas e, em todo o ano de 2024, houveram 16.239 casos em 11 países e um território, com o Brasil com mais de 9 em cada 10 notificações às autoridades de saúde, seguido por Panamá com 501, Peru com 330, Cuba com 28 e Colômbia com 26, casos importados foram notificados no Uruguai, Chile, Canadá e EUA reportando a doença no Brasil o Espírito Santo e Rio de Janeiro e,  em 2024, cinco pessoas morreram no Brasil com a febre além de casos de complicações neurológicas e óbitos fetais sob investigação. A maioria dos pacientes se recupera em 2 a 3 semanas embora 60% possam apresentar recaídas, sendo que a doença, ainda que raramente, pode levar à meningite ou encefalite e, em gestantes, há preocupações sobre potenciais riscos ao feto cuja disseminação à áreas não endêmicas como regiões urbanas em Cuba é impulsionada por fatores como mudanças climáticas, desmatamento e urbanização de áreas florestais que aumentam a população de mosquitos. A Opas recomenda vigilância epidemiológica e controle de vetores rigorosos para conter a doença que atualmente não possui vacina ou tratamento antiviral específico, recomendando Vigilância para detectar introdução do vírus em novas áreas, monitorar disseminação em áreas com transmissão local e caracterizar cenário epidemiológico, controle de vetores buscando eliminar criadouros de mosquitos, limpando vegetação e promovendo práticas agrícolas sustentáveis, além de proteção individual que  previna picadas usando mosquiteiros, roupas de proteção e repelentes contendo DEET, IR3535 ou icaridina, especialmente gestantes e trabalhadores rurais, por fim, manejo clínico que fortaleça o diagnóstico clínico precoce e diagnóstico diferencial, principalmente com dengue enquanto o tratamento se concentra no alívio da dor e da febre, hidratação e controle do vômito, além do monitoramento de complicações ou problemas neurológicos em gestantes. A Organização Pan-Americana da Saúde lembra que a colaboração nacional e regional é essencial para monitorar e controlar a disseminação do vírus, especialmente quanto a circulação de outros arbovírus, como a dengue, apóia países com orientações técnicas sobre diagnóstico, manejo clínico, prevenção e controle de vetores incentivando notificação imediata de eventos incomuns como mortes ou casos de transmissão vertical.

Moral da Nota: 5 lotes de fentanil contaminado por Klebsiella pneumoniae e Ralstonia pickettii foram administrados a pacientes na Argentina distribuídos em 8 hospitais e centros de saúde do país, antes de uma inspeção do governo, em fevereiro 2025, na qual a Anmat, equivalente à Anvisa, fechou o laboratório e, diante a polêmica gerada pelo aumento do número de mortos, o governo argentino publicou nota afirmando que fechou o laboratório “3 meses antes da 1ª morte causada pelo fentanil contaminado”. O governo argentino elevou para 100 os mortos pelo fentanil contaminado, apontou laboratório local como responsável, em meio a polêmica devido lentidão da resposta à crise sanitária e, em ato político em La Plata, ano eleitoral por lá, o presidente  acusou apoiadores da antecessora de acobertarem o dono do laboratório, desde maio, denúncias foram registradas na autoridade de medicamentos e alimentos, Anmat, da Argentina, por mortes suspeitas pós uso do fármaco em hospitais de 4 províncias, além da capital, Buenos Aires e, em comunicado a presidência argentina apontou Ariel Garcia Furfaro, dono do laboratório HLB Pharma Group S.A., como fabricante do lote contaminado "responsável pela morte de mais de 100 pessoas", segundo a imprensa local, 24 pessoas são investigadas no caso. O jornal Clarín nos esclarece que "política se alimenta de simbolismos” enquanto famílias de pacientes falecidos protestaram em frente ao Hospital Italiano de La Plata, 60 km ao sul de Buenos Aires, exigindo “justiça às vítimas do fentanil”, considerando que é 50 a 100 vezes mais potente que a morfina, dados da OMS e, nos EUA, causa estragos estimando-se que em 2024 mais de 80 mil pessoas morreram por overdose de opioides,das quais, 48.422 foram por fentanil.

domingo, 7 de setembro de 2025

Dieta e Risco

Estudo coreano da Universidade Yonsei publicado no Journal of Nutrition, Health and Aging, analisou dados de 130 mil britânicos de meia-idade ao longo de 13,5 anos, utilizando o UK Biobank para avaliar a qualidade da dieta em 5 índices e acompanhar diagnósticos de demência ao longo do tempo cujos resultados indicam que a alta adesão a dietas saudáveis como dieta mediterrânea ou a dieta MIND pode reduzir o risco de demência em até 28%, dividindo os períodos de acompanhamento em 3 intervalos, ou, menos de 5 anos, de 5 a 10 anos e mais de 10 anos descobriram que os efeitos foram mais pronunciados nos primeiros anos e apenas a dieta mediterrânea, MEDAS, e a pontuação inflamatória, EDII, mantiveram significado estatístico pós uma década indicando que outros fatores biológicos ou de estilo de vida podem adquirir importância com o tempo. Nos EUA, segundo a Associação de Alzheimer, o custo dos cuidados relacionados à demência deve chegar a US$ 384 bilhões em 2025 e triplicar até 2050, considerando  que novos medicamentos com anticorpos como o Kisunla, donanemab, da Eli Lilly, ou, redutores das placas amiloides, custam US$ 32 mil/ano enquanto, na Coreia, o número de pacientes com demência com mais de 60 anos já ultrapassa um milhão com expectativa em  duplicar até meados do século. Os padrões alimentares mais benéficos são os ricos em alimentos naturais e pobres em alimentos processados com Ingredientes que se destacam pelo impacto protetor como o azeite de oliva extra virgem, peixes gordos como salmão e sardinha, nozes e sementes, frutas silvestres como mirtilos e amoras, vegetais de folhas verdes como espinafre e couve, dietas anti-inflamatórias consideradas protetoras  contra  demência, em contraste, dietas altamente inflamatórias ricas em alimentos ultraprocessados, açúcares adicionados e gorduras trans aumentaram o risco de demência em 30%, conforme o EDII, Índice Inflamatório Dietético Ajustado por Energia. Em vez de depender de medicamentos de eficácia limitada as pesquisas apontam à solução mais acessível e sustentável em alimentação saudável como estratégia preventiva contra a demência obtendo efeito mais forte em mulheres, idosos e não obesos, maior impacto nos primeiros 10 anos além de proteger contra o comprometimento cognitivo leve, sendo que o estudo inseriu variáveis ​​como idade, sexo, escolaridade, renda, tabagismo, exercício físico, genótipo ApoEε4 ligado ao Alzheimer e o índice de massa corporal buscando robustez científica nos resultados. Os efeitos protetores indicaram interação entre metabolismo, inflamação e vulnerabilidade cerebral, além da redução do risco de demência e incidência de comprometimento cognitivo leve, condição precoce que frequentemente precede desenvolvimento de demência, valendo a ressalva que a proteção foi mais forte nos primeiros 10 anos de acompanhamento e apenas a dieta mediterrânea e o índice inflamatório mantiveram seu efeito estatisticamente significativo pós uma década sugerindo que benefícios dietéticos não são permanentes, a menos que mantidos, enquanto outros fatores biológicos ou de estilo de vida podem intervir ao longo do tempo. A dieta mediterrânea pode ser compreendida como ferramenta de saúde pública sustentável e escalável impactando diretamente na economia e ecologia globais, pois, reduzem uso de medicamentos de alto custo e baixa eficácia diminuindo pressão sobre sistemas de saúde, menor pegada de carbono considerando que dieta rica em vegetais e peixes e pobre em carne vermelha tem impacto ambiental menor, em agricultura mais regenerativa e local promovendo produção de alimentos frescos, sazonais e locais acarretando melhor qualidade de vida mantendo função cognitiva reduzindo necessidade de cuidados, prolongando autonomia.

No quesito inovação observa-se que a previsão climática está em fase de aperfeiçoamento através de modelos com tecnologia IA com a  NVIDIA apresentando o ClimSim-Online, estrutura com tecnologia IA que revoluciona a modelagem climática ao integrar aprendizado de máquina com simuladores climáticos tradicionais, aumentando velocidade e precisão nas previsões climáticas. O avanço à ciência climática incorpora a colaboração com modeladores climáticos internacionais revelando o ClimSim-Online, desenvolvimento crucial na corrida para entender e mitigar impactos das mudanças climáticas em que simuladores climáticos tradicionais têm dificuldade à capturar processos de pequena escala como tempestades devido aos limites computacionais e, para superar isso, cientistas usam modelos de resolução de nuvem, CRMs, que, embora detalhados, são computacionalmente caros enquanto o ClimSim-Online oferece solução ao destilar informações dessas simulações em modelo de aprendizado de máquina que opera mais rápido sem sacrificar a fidelidade. Desenvolvido pelo Earth 2 da NVIDIA e apoiado pela National Science Foundation na Universidade de Columbia, o ClimSim-Online utiliza o conjunto de dados ClimSim hospedado no repositório ClimSim Hugging Face e criado usando o Energy Exascale Earth System Model-Multiscale Modeling Framework, E3SM-MMF, em que o  framework incorpora milhares de CRMs localizados em um modelo climático hospedeiro reduzindo suposições sobre física de escala fina, sendo que o  ClimSim-Online permite integração de modelos de aprendizado de máquina em simuladores climáticos oferecendo fluxo de trabalho reproduzível e em contêineres que permite cientistas contornarem barreiras computacionais tradicionais tornando a modelagem climática híbrida acessível. A estrutura facilitou  competição global do Kaggle atraindo mais de 460 equipes para desenvolver soluções de aprendizado de máquina usando o conjunto de dados climáticos de alta fidelidade, esforço colaborativo que acelerou progresso na modelagem climática, permitindo desenvolvimento de simulações híbridas estáveis ​​e plurianuais usando rede neural U-Net treinada no conjunto de dados ClimSim e, para garantir precisão e estabilidade das simulações, a NVIDIA incorporou restrições na arquitetura da rede neural que previne comportamentos irreais da nuvem e estabiliza simulações, melhorando realismo das climatologias de nuvem especialmente nos trópicos. Trata-se de avanço na ciência climática reduzindo barreiras à colaboração entre pesquisadores IA e cientistas do clima, embora a estrutura tenha demonstrado seu potencial, no entanto, pesquisas são necessárias para reduzir vieses da modelagem híbrida e explorar soluções como aprendizado por reforço para aprimorar precisão da simulação climática.

Moral da Nota: na França, duas das principais fabricantes de panelas, o Grupo SEB e a subsidiária Tefal, são alvo de uma denúncia de ONGs que as acusam de "práticas comerciais enganosas” ao defenderem que seus modelos em Teflon são “seguros”, cuja denúncia foi  apresentada pela FNE, France Nature Environnement, ACLC,  Générations Futures e a Associação de Cidadãos e Consumidores, referindo-se a campanha publicitária de 2024 e a comunicação no site da marca Tefal, enviada ao Ministério Público de Paris. Questionam a presença de Pfas,  conhecidos como "poluentes eternos”, na fabricação destes utensílios e ao "garantir que os revestimentos antiaderentes das panelas são reconhecidos como seguros por conterem PTFE, politetrafluoretileno, e não PFOA e outros Pfas, "poluentes eternos", proibidos, argumentando que "deixando de mencionar risco de serem liberadas no ambiente devido uso de PTFE ao longo do ciclo de vida do produto bem como riscos à saúde associados ao uso das panelas da marca". A denúncia é fundamentada por pesquisas da IARC, Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, agência da ONU que concluiu que "não há dados suficientes para classificar o PTFE como cancerígeno mas não comenta sobre a ausência de carcinogenicidade ou se o PTFE é 'seguro'", sendo que as ONGs citam estudo realizado em novembro de 2023 na Coreia do Sul que "mostra que as micropartículas de PTFE causam efeitos nocivos à saúde, como inflamação". Em 2024, parlamentares franceses aprovaram projeto de lei ambiental visando restringir fabricação e venda de produtos que contenham PFAS, no entanto, utensílios de cozinha ficaram de fora pós forte mobilização de fabricantes em especial a Tefal sendo que o texto final promulgado em  2025 mantendo a exclusão, quer dizer, presentes em objetos do cotidiano os perfluoroalquílicos e polifluoroalquílicos, ou, PFAS, existem aos milhares e seu apelido de "poluentes eternos" se deve a capacidade de se acumular e persistir em ambientes naturais e organismos vivos e aos efeitos tóxicos comprovados no ambiente e na saúde.

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Demência

Estudo determinou que o risco de desenvolver demência ao longo da vida é 2 vezes mais que estimativas anteriores, sendo a doença de Alzheimer causa comum de demência, publicado no Nature Medicine sugeriu que até 2060 o número de americanos com demência deve dobrar o risco estimado de desenvolver a doença ao longo da vida, comparado a estimativas anteriores. Projeções de demência trazem avisos, sugerem que os EUA precisam investir recursos no crescimento da força de trabalho de cuidadores visando atender necessidades futuras, paradoxalmente, esse número conta história de sucesso, quer dizer, graças a décadas de progresso social e médico, mais pessoas estão vivendo o suficiente para ter demência, no passado, teriam morrido de doenças cardiovasculares ou câncer mais precocemente, quer dizer, avanços na saúde atrasaram o início da doença à muitas pessoas. Michael Fang, epidemiologista da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e autor do estudo, esclarece que muita coisa pode ser feita visando diminuir as chances de desenvolvimento da patologia dizendo  "se fizermos algo, há oportunidade e potencial para dobrar a curva", considerando que o  estudo não é o primeiro projetar que a demência está aumentando, no entanto, estimativas colocavam o risco vitalício em algum lugar entre 14 % e 23 %, sendo que a mais recente sugere que mais de 40 % dos americanos podem desenvolver a condição em algum momento de suas vidas, sendo que parte desse aumento pode ser explicada pelos partícipes do estudo, um quarto dos quais negros e nos EUA como um todo são 14 % negros. Kristine Yaffe, pesquisadora de demência da Universidade da Califórnia, São Francisco, diz que “há muitos artigos que mostram que pessoas não brancas têm maior risco de desenvolver demência” e, nos EUA, o maior risco às pessoas não brancas decorre do acesso mais precário a recursos que previnem a demência como educação de alta qualidade, alimentação saudável e locais seguros à atividade física, além de maiores taxas de tabagismo. Projeções de demência baseadas em dados de grupo racialmente mais diverso serão maiores que as baseadas em  grupo majoritariamente branco, como a maioria dos estudos anteriores, daí, o conjunto de participantes deste estudo não explica a totalidade ds projeções de risco atualizadas, com Josef Coresh, autor sênior do estudo e diretor fundador do Optimal Aging Institute da NYU Grossman School of Medicine, esclarecendo que 4% dos americanos de 75 anos têm alguma forma da doença e o risco aumenta nos anos seguintes, enquanto 20 % dos 85 anos têm demência e o risco continua a aumentar a cada ano. A Lancet Commission on Dementia recomenda ações específicas ao longo da vida para reduzir risco de demência sendo exercícios uma delas, além de mudanças no estilo de vida, medicamentos para tratar pressão alta e colesterol são úteis na redução do risco, ressaltando que, o estigma em torno do diagnóstico impede falar com os médicos quando percebem sinais de perda de memória considerando conscientização sobre medidas de prevenção da demência auxilia fazer boas escolhas dispensando cuidados avançados.

A Alzheimer's Association, AA, nos informa que doenças cerebrais degenerativas e demência estão aumentando nos 50 estados dos EUA e, à medida que a taxa de Alzheimer aumenta, mais estresse financeiro é colocado em programas de assistência médica, tendência que aumentará necessidade de cuidadores no país, estimando-se que 5,5 milhões de americanos estejam com a doença de Alzheimer, cujas estatísticas são divididas por idade e etnia e listadas da seguinte maneira, ou, 1 em cada 10 pessoas com 65 anos ou mais,10%, tem demência de Alzheimer, dois terços dos americanos com Alzheimer são mulheres, afro-americanos têm 2 vezes mais probabilidade de ter Alzheimer ou outra demência que brancos e hispânicos têm 1,5 mais probabilidade de apresentar Alzheimer ou outra demência que brancos. Outro número exposto pela AA, Alzheimer's Association, é que "alguém nos Estados Unidos desenvolve demência de Alzheimer a cada 66 segundos", quer dizer,  o estado com a maior taxa de Alzheimer é o Alasca enquanto casos da doença devem aumentar de 7.100 em 2017 à 11 mil em 2025,  aumento de 54,9%, decorrente ao crescimento projetado da população idosa do Alasca que aumentará à 35,6 % até 2025 estimando-se que 70.900 a 110 mil  pessoas terão 65 anos ou mais, com um pequeno detalhe que chama a atenção, o Alasca pode ter a maior taxa de Alzheimer, 54,9%, mas, tem a menor taxa de mortalidade pela doença, ou, 9,2 mortes por 100 mil pessoas, enquanto a taxa dos EUA é de 29 mortes por 100 mil, mais que o triplo da mortalidade projetada ao Alasca. O relatório da GlobalData, “Doença de Alzheimer, Previsão Epidemiológica para 2033”, revela que a China terá o maior número de casos prevalentes de Alzheimer com 10,4 milhões de casos, enquanto a Espanha o menor número, com 0,62 milhão de casos em 2033 considerando ainda que “em 2023, as mulheres foram mais afetadas que os homens, respondendo por 73% do total de casos prevalentes”, com estimativas da GlobalData que em 2023, 55% do total de casos prevalentes de Alzheimer foram leves e  16% do total de casos prevalentes foram graves. A expectativa de vida das mulheres é, em média, maior que a dos homens e, em parte, por essa razão as mulheres são mais propensas a desenvolver demência em algum momento de suas vidas, além de avanços médicos há menores taxas de tabagismo e uso excessivo de álcool, melhor qualidade do ar, tratamento aprimorado à depressão e outras mudanças na qualidade de vida que provavelmente explicam por que as pessoas que desenvolvem demência estão tendo mais tarde na vida que as pessoas que desenvolveram demência na década de 1970. A Lancet Commission on Dementia recomenda ações ao longo da vida para reduzir o risco de demência, como garantir que educação de boa qualidade esteja disponível à todos e incentivar atividades cognitivamente estimulantes na meia-idade, tornar aparelhos auditivos acessíveis às pessoas com perda auditiva e diminuir a exposição a ruídos nocivos, tratar depressão de forma eficaz, incentivar uso de capacetes e proteção à cabeça em esportes de contato e bicicletas, incentivar exercícios, reduzir tabagismo, prevenir, reduzir e tratar pressão alta, tratar colesterol alto durante e após a meia-idade, manter peso saudável e tratar obesidade o mais cedo possível, em parte para ajudar a prevenir o diabetes e reduzir o alto consumo de álcool, além de, priorizar ambientes e moradias comunitárias favoráveis ​​à idade e reduzir isolamento social facilitando participação em atividades e convivência com outras pessoas, tornar triagem e tratamento à perda de visão acessíveis à todos e reduzir exposição à poluição do ar

Moral da Nota: um dado curioso, descoberta na University of Gothenburg que recém-nascidos apresentam níveis elevados de um biomarcador para Alzheimer, quer dizer, recém-nascidos e pacientes com doença de Alzheimer compartilham característica biológica inesperada, ou, níveis elevados de um biomarcador conhecido para Alzheimer, visto, no estudo liderado da Universidade de Gotemburgo e publicado na Brain Communications. O primeiro autor Fernando Gonzalez-Ortiz e o autor sênior Professor Kaj Blennow relataram recentemente que tanto recém-nascidos quanto pacientes com Alzheimer apresentam níveis sanguíneos elevados da proteína chamada tau fosforilada, especificamente a forma chamada p-tau217, mostra-se elevada em recém-nascidos e pacientes com Alzheimer, utilizada como teste diagnóstico à doença de Alzheimer, onde se propõe que um aumento nos níveis sanguíneos de p-tau217 seja causado por outro processo, quer dizer, a agregação da proteína b-amiloide em placas amiloides, daí, recém-nascidos não apresentam esse tipo de alteração patológica, portanto, em recém-nascidos, o aumento da p-tau217 plasmática parece refletir mecanismo diferente e saudável. Estudo que envolveu pesquisadores na Suécia, Espanha e Austrália analisou amostras de sangue de mais de 400 indivíduos, incluindo recém-nascidos saudáveis, bebês prematuros, adultos jovens, adultos idosos e pessoas diagnosticadas com doença de Alzheimer e descobriram que recém-nascidos tinham os níveis mais altos de p-tau217, até mais altos que aqueles encontrados em doentes com Alzheimer, níveis eram particularmente elevados em bebês prematuros e começaram diminuir ao longo dos primeiros meses de vida eventualmente se estabilizando em padrões adultos. Enquanto na doença de Alzheimer a p-tau217 se associa à agregação de tau em aglomerados prejudiciais chamados emaranhados, que se acredita causarem quebra das células cerebrais e subsequente declínio cognitivo, em contraste, em recém-nascidos esse aumento na tau parece contribuir ao desenvolvimento saudável do cérebro ajudando neurônios crescer e formar conexões com outros neurônios, moldando a estrutura do cérebro jovem. O estudo revelou ainda que em bebês saudáveis ​​e prematuros os níveis de p-tau217 estavam ligados à precocidade do nascimento, quanto mais precoce o nascimento maiores os níveis dessa proteína sugerindo papel no suporte ao rápido crescimento cerebral em condições desafiadoras de desenvolvimento.

Saidera: a ONU em alerta sobre influências do crime organizado no aumento do uso de drogas no mundo através do Relatório Mundial sobre Drogas 2025, diz que 1 em cada 12 adictos no mundo obteve tratamento, mais de 500 mil pessoas morreram e 28 milhões de anos saudáveis de vida foram perdidos devido deficiências ou mortes prematuras registradas e, em 2021, 316 milhões de pessoas usaram alguma droga, à exceção de álcool e tabaco, 6% da população entre 15 e 64 anos em comparação com 5,2% registrados em 2013, enquanto cannabis permanece como a mais consumida com 244 milhões de usuários, seguida por opioides com 61 milhões, anfetaminas com 30,7 milhões, cocaína com 25 milhões e ecstasy com 21 milhões. O relatório alerta que o alto custo dos transtornos por uso de drogas em indivíduos, comunidades e sistemas de saúde, a rejeição ao multilateralismo e a realocação de recursos podem intensificar o problema e o custo de não enfrentar os transtornos por uso de drogas é alto, políticas e disponibilidade de serviços de saúde e sociais baseados em evidências “podem ajudar mitigar o impacto do uso na saúde das pessoas e comunidades”. Conclui que o uso, cultivo, tráfico de drogas e respostas políticas promulgadas para abordar as economias ilícitas de substâncias estão impactando no ambiente da Europa, com consequências potenciais do cultivo ou produção de drogas incluindo desmatamento e demais mudanças no uso da terra além de poluição do ar, do solo e da água, o que pode ser significativo em nível local. 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

O Olfato

Análise de dados realizada em abril de 2024 em tecidos do bulbo olfatório obtidos de autópsias no Serviço de Verificação de Óbitos da Cidade de São Paulo e procedida no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, LNLS, de 15 indivíduos adultos residentes na cidade há mais de 5 anos e excluídas intervenções neurocirúrgicas anteriores, em pesquisa de exposição primária que demonstrou presença de microplásticos, MPs, no bulbo olfatório, através de exame direto do tecido e filtração seguida por espectroscopia infravermelha micro-Fourier. Os resultados foram publicados no Jama Network Open, 2024, de autoria de Luís Fernando Amato-Lourenço, PhD, Freie Universitat Berlin - Institut fur Biologie, Altensteinstr 6D-14195 Berlim, Alemanha, mostram identificação e caracterização de microplásticos, MPs, no interior doo bulbo olfatório, tamanho, morfologia, cor e composição polimérica, daí, idade média dos 15 indivíduos falecidos foi de 69,5 anos, 33 a 100 anos, 12 homens e 3 mulheres, com os microplásticos, MPs, detectados nos bulbos olfatórios de 8 dos 15 indivíduos, quer dizer, identificadas 16 partículas e fibras de polímeros sintéticos, 75% partículas e 25% fibras, cujo polímero mais detectado foi o polipropileno, 43,8%, enquanto os tamanhos dos MPs variaram de 5,5 μm a 26,4 μm à partículas e comprimento médio da fibra de 21,4 μm com materiais poliméricos ausentes nos filtros de controle negativo, indicando risco mínimo de contaminação, sendo que a conclusão da pesquisa mostra evidências de MPs no bulbo olfatório humano sugerindo via potencial à translocação de MPs ao cérebro com as descobertas ressaltando necessidade de mais pesquisas sobre implicações à saúde da exposição a MP no que diz respeito à neuro-toxicidade e potencial dos MP em contornar a barreira hematoencefálica. Vale considerar que a ubiquidade, ou, multi-presença da poluição por microplásticos, MP, tornou-se preocupação ambiental generalizada levantando questões no corpo humano e efeitos nocivos, embora MPs detectados em órgãos como pulmões, intestinos grosso e delgado, fígado, placenta, sêmen e corrente sanguínea, não há estudos publicados até o momento relatando presença no cérebro humano, já que a presença da barreira hematoencefálica, BHE, é fator limitante do acesso ao cérebro via translocação hematogênica, apesar disso, estudos em animais mostram que MPs podem prejudicar a BHE e atingir o cérebro por ingestão oral levando a efeitos neurotóxicos, no entanto, o local potencial de entrada à micro e nanoplásticos, MNPs, no cérebro humano é a via olfativa que envolve neurônios olfativos nasais transmissores de informações sobre odores ao sistema olfativo central do cérebro cujos axônios olfativos passam pela placa cribriforme, CP, do osso etmoide alcançando bulbos olfativos, BO, conectados ao sistema límbico do cérebro. Partículas de carbono negro ambiental, fuligem, foram detectadas em regiões do cérebro humano sendo uma das maiores concentrações encontradas no bulbo olfatório medindo 420,8 partículas/mm e, raramente, a forma ameboide de Naegleria fowleri, de 15 a 30 μm, penetra no cérebro pelo nariz causando meningoencefalite amebiana geralmente apresentando a doença pós contato com corpos de água doce contaminados ou após enxaguar o nariz com água da torneira não estéril, além disso, a permeabilidade da barreira foi evocada como possível rota de administração de medicamentos mais rápida e segura ao cérebro bem como acesso ao líquido cefalorraquidiano através dos vasos linfáticos nasais. Por conta da  onipresença de MPs no ar e identificação anterior na cavidade nasal humana, o estudo levanta hipótese que a menor fração de MPs poderia atingir o bulbo olfatório, OB, portanto, uma investigação sobre presença de MPs em fragmentos de tecido conjuntivo humano de 15 indivíduos falecidos e autopsiados permitiu identificação e análise de caracteres  dos MPs, incluindo tamanho, morfologia, cor e composição polimérica.

Ainda no JAMA, pesquisa nacional com pais nos EUA, em 2016, descobriu que 25% das crianças foram diagnosticadas com transtorno de saúde mental, saúde comportamental ou desenvolvimento, em momento da vida por um profissional de saúde já que desde a pandemia em 2020 aumentaram preocupações com a saúde mental infantil, com dados demonstrando aumentos na ansiedade e depressão bem como deficiências de aprendizagem diagnosticadas e atrasos no desenvolvimento. Pesquisas relatam porcentagens crescentes de visitas a pronto-socorros relacionados à saúde mental e números e porcentagens mais altos de hospitalizações relacionadas à saúde mental entre crianças, em 2021, organizações de saúde que atendem crianças, entre elas a Academia Americana de Pediatria, declararam estado de emergência em saúde mental infantil e o cirurgião-geral divulgou relatório sobre saúde mental infantil destacando tendências preocupantes. Quer dizer, nos EUA, 16% das crianças vivem na pobreza associada ao aumento do risco de transtornos e problemas de saúde mental, daí, programas de seguro público como o Medicaid e o CHIP, Programa de Seguro Saúde Infantil, cobriam 38,8% das crianças em 2023, incluindo originárias de famílias de baixa renda com deficiência ou vivendo em sistema de assistência social, sendo que até o momento há dados limitados examinando tendências em diagnósticos de saúde mental entre crianças seguradas pelo governo e, o único estudo multi-estadual conhecido, examinou tendências em diagnósticos de saúde mental entre jovens inscritos no Medicaid através de dados de 2001 a 2010 se concentrando em um único diagnóstico. Nenhum estudo anterior examinou tendências em diagnósticos de saúde mental e neurodesenvolvimento entre crianças seguradas pelo governo usando dados de vários estados e, para preencher tal lacuna na literatura, o estudo atual utilizou fonte de dados mais abrangente disponível, ou, dados de reivindicações administrativas multi-estaduais de 2010 a 2019 para examinar tendências em diagnósticos de saúde mental e neurodesenvolvimento entre crianças seguradas pelo governo bem como à 13 categorias de diagnóstico. A porcentagem de crianças seguradas publicamente que receberam diagnóstico de transtorno de saúde mental ou neurodesenvolvimento significativamente maior entre 2010 e 2019, observados à maioria dos diagnósticos e grupos demográficos, sendo que as descobertas destacam necessidade de serviços apropriados em sistemas de rede de segurança e outros ambientes que atendem essa população.

Moral da Nota: IA abre nova era na detecção e monitoramento da Doença de Alzheimer, DA, patologia neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo e, a aplicação de modelos IA associada a RM,  ressonância magnética, permite identificar com precisão e prever progressão antes que os sintomas sejam evidentes. O Imperial College London criou modelo IA que detecta a doença de Alzheimer, DA, com 98% de precisão imaginando o cérebro como mapa dividido em 115 zonas, cada uma delas, analisa-se 660 características diferentes como peças de um quebra-cabeça como, forma, tamanho, textura, etc, permitindo aprendizagem e identificação de padrões que revelam presença da doença, mesmo em estágios iniciais, como se IA conseguisse ler a linguagem oculta em imagens cerebrais, foi o que descobriu a pesquisa com mais de 400 pacientes incluindo indivíduos saudáveis ​​e portadores de outras lesões neurológicas, daí, o modelo foi capaz de distinguir entre diferentes estágios da Doença de Alzheimer, DA, facilitando tratamento personalizado de cada caso. Os pesquisadores da Universidade de Cambridge trabalham em sistemas capazes de antecipar a progressão da doença de Alzheimer, além de diagnóstico foi desenvolvido modelo que prevê se o paciente com sinais iniciais de demência terá Alzheimer ou permanece estável e, com dados não invasivos, testes cognitivos e ressonância magnética estrutural, o sistema tem precisão de 82% dos casos sendo que o modelo foi treinado com informações de mais de 1.900 pessoas coletadas em clínicas especializadas no Reino Unido, Singapura e EUA e, por conta de abordagem longitudinal, é analisado como o cérebro evolui ao longo do tempo, ou, como observar a planta crescer a partir da semente buscando previsão que tornar-se-á saudável ou adoecerá ao longo do caminho. Lembrando que aprendizado profundo transformou a análise de imagens de ressonância magnética e, ao contrário dos métodos tradicionais, tais redes neurais identificam alterações microscópicas cerebrais desapercebidas até por especialistas, sendo uma das abordagens mais avançadas o modelo híbrido DenseNet-BiLSTM que combina 2 tipos de redes, uma para entender a geometria do cérebro em dado momento, DenseNet, e outra para rastrear a evolução ao longo do tempo, BiLSTM, combinação que oferece visão 3D no tempo como se estivéssemos assistindo um filme do cérebro em vez de fotografia estática, daí que, a capacidade de reconhecer padrões de mudança é crucial à adaptação do tratamento em tempo real e, se as mudanças estruturais forem detectadas antes do aparecimento dos sintomas as ações serão tomadas mais cedo e de modo mais eficaz.