O abuso de opioides nos EUA tornou-se epidemia, no entanto, em 2024, surgiu esperança que esteja se revertendo, com queda de 16,9% das mortes por opioides, com o The Economist dizendo que ninguém tem certeza sobre a reversão com possibilidade de choque de oferta cuja quantidade de fentanil em pílulas interceptada caiu, enquanto relatórios sugerem que o cartel de Sinaloa, crime organizado, recuou do contrabando de fentanil decorrente pressão americana, com especialistas dizendo que é cedo para ter certeza. Outro fato é que o declínio represente retorno às normas pré-pandêmicas quando a covid-19 chegou e as overdoses de opioides dispararam, com hospitais cheios de pacientes com covid, enquanto centros de tratamento fecharam e mais pessoas estavam passando por perdas traumáticas que podem fazê-las recorrer às drogas, além disso, a epidemia pode estar “se esgotando” conforme sugere o Professor Ciccarone, na teoria que os mais vulneráveis já morreram e os que ficaram entendem o perigo do fentanil, portanto, novos viciados não os substituem. O CDC responsável pelo acompanhamento descreve a epidemia de opioides em 3 ondas, com a 1ª onda, opioides prescritos de 1999-2009, começando com aumento da prescrição na década de 1990 causa das mortes por overdose envolvendo opioides prescritos, opioides naturais e semissintéticos e metadona, aumentaram a partir de 1999 diminuindo nos últimos anos, segue a 2ª onda com heroína, 2010-2012, começando em 2010, com aumentos nas mortes por overdose envolvendo heroína, com diminuição nos últimos anos e, por fim, a 3ª onda com opioides sintéticos, de 2013 até hoje, com aumentos nas mortes por overdose envolvendo opioides sintéticos, aquelas relativas a fentanil e análogos, IMFs, produzidos ilegalmente que saturaram o suprimento de drogas ilegais frequentemente encontradas em pó ou prensadas em pílulas falsificadas podendo ser misturadas a outras drogas, recentemente, sedativos não opioides, como xilazina, foram encontrados misturados a IMFs.
Relatório de Mark et al. de 2007 fornece visão das tendências nos gastos com saúde mental e abuso de substâncias, MHSA, com gastos nacionais ao tratamento de distúrbios de MHSA somando US$ 121 bilhões em 2003, acima dos US$ 70 bilhões em 1993 cuja taxa média anual de 5,6% foi mais lenta que o crescimento dos gastos aos serviços médicos, 6,5%, como resultado, gastos com MHSA como parcela dos gastos com saúde caíram para 7,5% dos US$ 1,6 trilhão nos serviços de saúde em 2003, de 8,2% em 1993. De 1993 a 1998, período de rápida expansão do managed care, a taxa de crescimento em gastos com MHSA foi de 3,4%, em comparação com 5,4% aos serviços de saúde, de 1998 a 2003, gastos com MHSA cresceram 7,9%, semelhante aos 7,7% à toda a saúde e, de todos os gastos do MHSA, US$ 100 bilhões foram para saúde mental e US$ 21 bilhões foram à abuso de substâncias. No caso das mortes por overdose de drogas nos EUA, a prevenção e tratamento em evidências funcionam com editorial no BMJ sugerindo que uma redução de 22% nas mortes por overdose de drogas nos EUA em 2023/2024 sinaliza que os investimentos em prevenção de overdose e tratamento de transtornos por uso de substâncias estão funcionando. Diz que evitando uma nova “guerra às drogas” nos EUA, o declínio das mortes por overdose de drogas mostra que abordagens de saúde pública baseadas em evidências funcionam pedindo mais investimento em tratamento e prevenção para acelerar o progresso e rejeitar apelos à táticas de “Guerra às Drogas” que especialistas acreditam não funcionarem. Resumindo, um retorno às táticas de 'Guerra às Drogas' reverteria o progresso na crise de overdose e tornaria a situação pior, com especialistas da Escola de Enfermagem Johns Hopkins dizendo que “a prevenção e tratamento em evidências estão funcionando em comunidades no país além do crescente senso na divisão ideológica que esta é a abordagem mais inteligente, enquanto a 'Guerra às Drogas' não era porque focava aplicação da lei, prejudicava comunidades de cor, um desperdício de dinheiro e não funcionava, em era de maior apetite por criminalizar problemas sociais e de saúde aprendemos que o vício é melhor abordado com cuidado, não com condenações. O editorial explora que está impulsionando o declínio bem-vindo nas mortes e por que em alguns estados as overdoses estão aumentando, analisa como mensagens mais "duras com o crime" podem levar a resposta mais orientada pela aplicação da lei ao uso de drogas e overdoses atrasando o progresso, especialmente em comunidades de cor onde o declínio tem sido mais lento. Explora sucessos existentes de prevenção e tratamento como mudanças nas políticas e práticas de prescrição de medicamentos opioides, acesso expandido a medicamentos para transtornos por uso de opioides e a ampliação de serviços de redução de danos baseados na comunidade e, por fim, observa estratégias para eliminar desigualdades de prevenção e tratamento relacionadas a substâncias como modelos comunitários e familiares de prestação de serviços de prevenção e tratamento em comunidades marginalizadas além de obtenção de força de trabalho de saúde representativa das populações atendidas.
Moral da Nota: estudo de coorte, em população, retrospectivo que incluiu 30.891 indivíduos iniciando o tratamento pela primeira vez, com risco de descontinuação do tratamento maior entre receptores de buprenorfina/naloxona comparado com a metadona em que o risco de mortalidade foi baixo em qualquer forma de tratamento enquanto indivíduos que receberam metadona tiveram risco menor de descontinuação do tratamento em comparação com os que receberam buprenorfina/naloxona além do risco de mortalidade no tratamento semelhante nos medicamentos. Quer dizer, estudos anteriores sobre eficácia comparativa entre buprenorfina e metadona forneceram evidências limitadas sobre diferenças nos efeitos do tratamento entre subgrupos importantes e foram extraídos de populações que usam heroína ou opioides prescritos, embora o uso de fentanil esteja aumentando na América do Norte há o risco de descontinuação do tratamento e mortalidade entre indivíduos recebendo buprenorfina/naloxona versus metadona ao tratamento do transtorno do uso de opioides.