sexta-feira, 13 de março de 2026

Arsênico

Risco de morte por cancer,doenças cardiovasculares e doenças crônicas diminuem 50% com redução da concentração de arsênico na água, segundo estudo realizado em Bangladesh ao longo de 20 anos, sendo a contaminação da água com arsênico natural estudada através de registros de saúde de 10.977 homens e mulheres monitorados entre 2002 e 2022 à comparar exposição. A pesquisa foi realizada pela Universidade de Nova York, Columbia e Chicago informando que registrou 1.401 mortes por doenças crônicas, 730 por cardiopatias e 256 por câncer, ao acompanhar 10.977 pessoas entre 2002 e 2022 via exames de urina, cujos partícipes foram submetidos em 6 ocasiões aos exames permitindo cientistas acompanharem mudanças na exposição ao arsênico ao longo do tempo. Fen Wu, da Universidade de Nova York, informa que a redução nos níveis de arsênico está relacionada a maior redução no risco de mortalidade enquanto os que continuaram beber água com níveis elevados não mostraram redução de risco, tais padrões persistiram pós ajuste à diferenças de idade, tabagismo e nível socioeconômico, sendo que a pesquisa fornece "evidência mais forte até o momento que a redução do arsênico na água potável pode diminuir taxas de mortalidade por doenças crônicas". Trata-se do 1º estudo oferecer evidências diretas, examinando níveis de arsênico e mortalidade de cada participante ao longo de 2 décadas em região com exposição moderada ao arsênico, ou, menos de 200 microgramas/litro, com cientistas  monitorando mais de 10 mil poços dentro e ao redor do distrito de Araihazar, Bangladesh, onde iniciaram medidas para mitigar efeitos do arsênio em 2000. Pesquisas anteriores em Taiwan e Chile com altos níveis de arsênio, acima de 600 microgramas/litro, associaram redução nas taxas de mortalidade por doenças cardíacas e câncer à queda dos níveis de arsênico na água potável e, Bangladesh, como um todo, enfrenta um dos desafios mais graves do mundo em relação à contaminação por arsênio, com população de 175 milhões de pessoas em que mais de 50 milhões são expostas a níveis acima do padrão da OMS de 10 microgramas por litro.

A Europa passa por transformação no setor ferroviário marcada pela modernização da infraestrutura de sinalização e harmonização dos sistemas de gestão de tráfego, evolução que não constitui apenas mudança tecnológica mas movimento estratégico em direção a rede ferroviária no continente unificada e interoperável. A UE e a ERA, Agência da UE as ferrovias e os Estados-Membros são obrigados alinhar o sistema ferroviário nacional a norma comum no Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário, ERTMS, enquadramento que representa passo à frente na eliminação das barreiras técnicas e operacionais que, historicamente, fragmentaram o panorama ferroviário europeu. Cada país desenvolveu e implementou seu sistema de Proteção Automática de ferrovias, ATP, conhecidos como sistemas de Classe B concebido para responder exigências operacionais, técnicas e de segurança locais, sendo que estes sistemas criaram grupos de regras de sinalização e protocolos de comunicação que tornaram operações ferroviárias transfronteiriças difíceis, ineficientes e, por vezes, impossíveis, sem adaptações dispendiosas, sendo que a falta de interoperabilidade dificultou desenvolvimento de corredores ferroviários internacionais e limitou competitividade do setor em relação aos demais transportes. No contexto do Pacto Ecológico Europeu e impulso em prol de transporte sustentável, a ferrovia voltou emergir como pilar central da estratégia europeia de descarbonização e mobilidade, daí, o transporte ferroviário oferece vantagens ambientais e sociais claras,  consomindo menos energia, reduzindo emissões de gases estufa proporcionando mobilidade segura e fiável à passageiros e mercadorias. A promessa de Europa verde e interconectada não pode ser concretizada sem comunicação facilitada entre fronteiras, sendo que a aposta no ERTMS torna-se mais prioritária com o Sistema Europeu de Gerenciamento de Tráfego Ferroviário, ERTMS, se compondo como Sistema Europeu de Controle de Trem, ETCS, e Sistema Global de Comunicações Móveis Ferroviário, GSM-R. O ETCS normaliza o modo como trens e equipamentos se comunicam garantindo que diferentes países possam operar com segurança linha equipada com ETCS, enquanto o GSM-R, fornece plataforma unificada de comunicações entre trens e centros de controle e sua atualização está em andamento ao FRMCS, Future Railway Mobile Communication System, ambos substituindo diversidade de sistemas nacionais por norma única e interoperável que assegura segurança e eficiência, com o detalhe que, a implementação dessa padronização na Europa é processo de longo prazo. Por fim, a implementação dos sistemas STM representam marco na jornada da Europa rumo à interoperabilidade ferroviária, embora o objetivo continue ser implementação completa do sistema mais moderno, o ERTMS, enquanto o STM fornece flexibilidade e  continuidade operacional necessárias para atingir o foco sem comprometer segurança ou eficiência, na busca por incorporar espírito de integração europeia à ferrovia, conectando nações, promovendo sustentabilidade e abrindo caminho à sistema ferroviário interoperável.

Moral da Nota: em Tiaret, cidade da Argélia central com menos de 200 mil habitantes, a 250 km sudoeste de Argel, manifestantes atearam fogo em pneus e montaram barricadas improvisadas bloqueando estradas para protestar contra o racionamento de água, após meses de escassez deixarem torneiras secas e forçarem moradores fazer fila à conseguir água para suas casas. Em Reunião do conselho de ministros o presidente solicitou ao gabinete implementação de “medidas de emergência” em Tiaret, com ministros enviados para “pedir desculpas à população” e prometer que acesso à água potável seria restabelecido, no entanto, distúrbios ocorrem em momento que o presidente deve concorrer a 2º mandato de nação rica em petróleo, maior da África em área. O norte da África se posiciona como uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, com seca que dura vários anos drenando reservatórios cruciais e, com a redução de chuva, que os reabastecia, sendo que a região, localizada em planalto desértico semiárido está cada vez mais afetada pelo calor extremo, recebendo água de 3 reservatórios represados ​​que diminuem à medida que as temperaturas aumentam e a precipitação torna-se escassa. Os reservatórios tornaram-se menos funcionais devido a "falta de volume" estando reduzidos a 20% da capacidade, enquanto aquíferos subterrâneos não conseguem recarregar devido a falta de chuvas, sendo que a solução a longo prazo seria canalizar água de grandes barragens ao norte e ao sul de Tiaret e recorrer a fontes alternativas de abastecimento incluindo usinas de dessalinização nas quais o país investiu forte, sendo que as autoridades tentam importar água de fontes próximas. A empresa pública responsável pela infraestrutura hídrica da região espera concluir a construção de ductos para levar água subterrânea à Tiaret, proveniente de poços a 32 km de distância, com o detalhe que, a crise da água na Argélia é observada pelas redes sociais recebendo pouca cobertura da imprensa argelina, já que, os jornais e emissoras de televisão dependem da receita publicitária do Estado.  

sábado, 7 de março de 2026

Abaporu

Referindo-se à obra modernista de Tarsila do Amaral, reinterpretado como o “devorador de dados”, a Unicamp inaugura supercomputador IA para pesquisas de petróleo no pré-sal financiado pela Shell, reunindo 28 placas gráficas NVIDIA H200 e L40s, as mais rápidas do mercado para aplicações IA, investimento inicial em torno de US$ 1 milhão, usado para acelerar pesquisas voltadas ao pré-sal brasileiro. O anúncio da Universidade do cluster do laboratório IA do Instituto de Computação,IC, da inauguração do supercomputador à projetos de pesquisa combina IA e engenharia de petróleo otimizando decisões em campos do pré-sal adquirido com recursos da Shell advindos da cláusula de PD&I da ANP, no Centro de Estudos de Energia e Petróleo. Instalado no data center do Instituto de Computação atenderá projetos desenvolvidos em parceria com a Shell, podendo também ser utilizado em pesquisas do Recod.ai e Instituto de Computação quando disponível, com o coordenador do Recod.ai e líder do projeto, professor Anderson Rocha avaliando que “o Abaporu deve ser hoje o maior cluster IA da Unicamp e um dos mais robustos dedicados à pesquisa universitária no país”. O diretor-geral de Tecnologia da Shell, Olivier Wambersie, avalia como objetivos da área P&D da Shell acelerar utilização de tecnologia de ponta em projetos que ampliam capacidade de impulsionar digitalização, aplicar IA a desafios da indústria de energia integrando ciência, dados e inovação com impacto nos negócios. O Recod.ai e a Shell Brasil mantêm colaboração voltada ao uso IA e aprendizado de máquina em desafios da indústria de energia e, na fase atual, avança em pesquisa que se estenderá até 2028 dedicado ao desenvolvimento de modelos de linguagem generativa aplicados à simulação e gerenciamento de reservatórios de petróleo. Os modelos, segundo a universidade, permitem engenheiros e geocientistas interagirem com simulação via linguagem natural transformando comandos técnicos em instruções conversacionais buscando  criar interface em que operador conversa com o reservatório e, simuladores de petróleo e, segundo o coordenador, “à realizar simulação de produção necessita dominar parâmetros e escrever scripts extensos”, com IA generativa, a interação torna-se mais intuitiva e rápida trata-se de conceito de inteligência aumentada que diminui fricção entre operador  e problema que se quer solucionar. Na prática, significa que o profissional solicitará algo como “simule os próximos 12 anos de produção do campo X considerando os poços Y e Z e variação de injeção de água” e o sistema traduzirá esse pedido aos formatos técnicos necessários acionando simuladores clássicos de reservatórios, em caso de falta de dados, a IA questionará o usuário “qual regime deve ser adotado?” por exemplo, tornando o processo interativo, dinâmico e guiado por diálogo. Por fim, a Unicamp destaca que, além da interface conversacional, algoritmos têm potencial para integrar e analisar dados sísmicos, geológicos e de produção em larga escala, identificando padrões complexos e anomalias que escapam à observação humana, cujo objetivo é apoiar tomada de decisão em tempo quase real, na otimização de estratégias de injeção e extração e previsão de desempenho de poços, aplicação direta ao contexto dos campos do pré-sal brasileiro.

A Teoria do Caos, ciência descoberta pelo meteorologista norte-americano Edward Lorenz em 1961, quando trabalhava em modelo matemático que pudesse fazer previsão do tempo e, durante os cálculos, notou que arredondar casas decimais, aparentemente insignificantes, ao longo do tempo, ocasionariam alterações gigantes no cálculo final. Em consequência, traduzindo à vida real, acontecimentos inexplicáveis no cotidiano e a inspiração à criação do Mundo Invertido de coisas estranhas podem ser influenciados pela teoria do caos, aplicado à vida real como decisão sutil, ou, pensamento recorrente, ou, detalhe ignorado, poderia desencadear transformações na vida, negócios e modo como percebemos a realidade. Em torno destas ideias teóricas giram a Teoria do Caos, conhecida quando Lorenz em uma apresentação resumiu seus impactos com a frase que “com a teoria do caos, um bater de asas no Brasil poderia ocasionar um tornado no Texas”, daí, o caos tornou-se fonte à roteiristas incitarem questões ou o que seria desencadeado por atitude isolada. Na tese do chamado Mundo Invertido, ou, realidade paralela, sombria e caótica urbana,   aberta de modo acidental, pairam atitudes que desencadeiam situações caóticas impactando o mundo real, como no 'Efeito Borboleta' protagonizado por Ashton Kutcher, o estudante universitário que enfrenta dores de cabeça que provocam desmaios e, inconsciente, pode viajar no tempo à momentos de dificuldades na infância, seus e dos amigos e, ao retornar à realidade, mudanças que fez no passado começam alterar o presente criando pesadelo de realidades alternativas. Daí, considerado sucesso de ficção-científica, a Teoria do Caos aparece na criação da realidade paralela ao explorar padrões que regem o aparente caos, como a questão em que abre possibilidade à tramas na vida real que podem significar oportunidades, tese, que abre perspectivas à interpretar fenômenos naturais como furacões, ecossistemas, padrões climáticos e prever decisões em grupo, flutuações econômicas ou surgimento de ideias em empresas, quer dizer, o que eram situações isoladas fora de controle e geravam instabilidade, com o estudo do tema vira previsibilidade e possibilidade de antecipar passos na vida pessoal e profissional, concluindo, o caos ao invés da busca pelo controle nos leva à consciência que a instabilidade é espaço à criação e inovação.

Moral da Nota: são comuns entre médicos e, aumentaram nos 2 primeiros anos da pandemia, consultas sobre saúde mental e uso de substâncias, SMSU, conforme carta de pesquisa publicada online nos Anais de Medicina Interna, com Maya A. Gibb, MPH, do Instituto de Pesquisa do Hospital de Ottawa, Ontário, Canadá, e colegas, examinando padrões temporais de consultas médicas relacionadas a saúde mental e uso de substâncias, SMUS, entre 29.662 médicos, calculou proporção anual padronizada por idade e sexo de médicos com uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS entre 1º de julho de 2003 e 30 de junho de 2022. observam que 11% dos médicos tiveram uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS, proporção padronizada de médicos com consultas relacionadas a SMUS/ano estável no período pré-pandemia, 12,5% em 2003-2004 à 12,1% em 2018-2019, na pandemia houve aumento na proporção padronizada de médicos que receberam atendimento em saúde mental e uso de substâncias, MHSU, com aumentos observados nos 2 primeiros anos comparados com o 3º ano. Em suma, o atendimento em saúde mental e uso de substâncias variava por especialidade antes da pandemia, com 28,0%, 14,2% e 9,7% dos psiquiatras, médicos de família e médicos das outras especialidades, respectivamente, recebendo atendimento em saúde mental e uso de substâncias entre 2018 e 2019, sendo que o atendimento em saúde mental aumentou entre médicos das especialidades na pandemia, exceto à psiquiatria, que permaneceu estável, com autores escrevendo que, "preocupações atuais com crise na saúde mental de médicos podem não refletir nova crise, destacando padrão longa data de problemas de saúde mental entre médicos exacerbado na pandemia".

Detalhe: o Departamento de Saúde do Estado de Washington detectou o vírus da influenza aviária identificando exposição às aves domésticas, ao seu entorno ou às aves silvestres como fonte mais provável de infecção, com o Laboratório de Virologia Clínica da UW Medicine identificando o vírus como H5N5 e confirmado pelos CDC, Centros de Controle e Prevenção de Doenças. O paciente, idoso com problemas de saúde preexistentes, estava internado no Condado de King desde o início de novembro, pós desenvolver febre alta, confusão e dificuldades respiratórias e, mantenedor nos fundos da residência, de aves domésticas mistas expostas a aves silvestres, tratando-se da 1ª infecção humana registrada no mundo com essa variante e a 2ª morte por gripe aviária nos EUA desde o início do atual surto. O CDC informa que o risco ao público em geral permanece baixo e  nenhuma outra pessoa envolvida testou positivo à gripe aviária, com "autoridades de saúde monitorando pessoas em contato com o paciente em busca de sintomas garantindo que não houve transmissão pessoa à pessoa", acrescentando que não há evidências de transmissão do vírus entre humanos.