Na Argentina o mercado de luxo europeu financia desmatamento do "ouro vermelho", sendo que, a indústria têxtil de luxo européia utiliza taninos da árvore quebracho para curtir couro impulsionando desmatamento no Gran Chaco argentino, pulmão verde da América do Sul e, entre 2010 e 2023, 183 mil hectares foram perdidos/ano parte da extração ilegal. Unitan e Indunor são empresas que processam taninos que chegam às marcas internacionais como Timberland, H&M e Dr. Martens, enquanto trabalhadores locais recebem salários irrisórios e pobreza atingindo 80% na região, apesar de leis de proteção florestal, licenças especiais e falta de fiscalização que permitem extração ilegal de madeira, deixando florestas nativas destruídas e causando danos ambientais. A extração responde por parte do desmatamento argentino em que caminhões com toras de quebracho prontas às serrarias no Chaco argentino, sendo que o "ouro vermelho", ou, taninos nas toras de quebracho, que alimenta indústria têxtil de luxo na Europa causando desmatamento e devastação da área do Chaco argentino. Reportagem investigativa publicada na Revista Anfibia esclarece que o extrato vegetal é usado para curtir couro conferindo firmeza, corpo e aroma, através de processo artesanal antes de vender à fabricantes de artigos de couro ou marcas de moda de luxo, sendo que da floresta do Chaco passa pelo porto de Buenos Aires e os taninos são exportados à 50 países, deixando rastro de desmatamento, trabalhadores mal remunerados e atividades ilegais que autoridades não combatem. O Chaco argentino faz parte do Chaco americano, pulmão da América do Sul depois da Amazônia, com mais de 1 milhão km² entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil, abrigando florestas secas do planeta e uma das mais ameaçadas, estimando-se nas 2 últimas décadas, mais de 13 milhões de hectares desmatados, equivalente à soma da Espanha e França, habitat de crescimento do quebracho-colorado, espécie nativa que leva de 20 a 50 anos para atingir maturidade e, além da madeira, produz tanino, muito procurado. Por fim, marcas como Timberland, CAT, Dr. Martens, Wolverine e H&M clientes da Golden Chang Shoes, empresa sediada em Bangladesh que, em 2024, comprou produtos com tanino de quebracho da empresa americana Tannin Corporation que o adquiriu da Unitan, para concluir, processo judicial conhecido como "A Máfia do Desmatamento" movido pela Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, revelou que das 200 mil toneladas de madeira de quebracho consumidas anualmente por curtumes 80 mil toneladas provêm de áreas desmatadas ilegalmente.
Lá como cá, a Eritréia desenvolve sistema solar híbrido que garante fornecimento de oxigênio hospitalar através da empresa Aptech Africa e, em comunicado, avisa que desenvolveu sistema fotovoltaico híbrido para alimentar unidade de produção de oxigênio do Hospital de Mendefera, Eritreia. O projeto inclui painéis solares à nível do solo, inversores híbridos e capacidade total de 251,97 kWp, complementada por 460,8 kWh de armazenamento em baterias e integração a rede elétrica nacional e, conforme a Aptech Africa, o sistema garante funcionamento contínuo e estável da produção de oxigênio, essencial à cuidados urgentes, procedimentos cirúrgicos, apoio materno e tratamento de doenças respiratórias. A empresa nos esclarece que “o sistema híbrido assegura que a geração de oxigênio permaneça estável e operacional, sem interrupçōes”, sendo que o projeto é apontado como passo para reforçar resiliência energética das infraestruturas de saúde no país. Autoridades da ONU informam que a Somália enfrenta emergência devido seca que se agrava, com áreas ressecadas pós 4 temporadas de chuvas fracassadas deixando milhões em risco de fome e deslocamento e, em 10 de novembro, o Governo Federal Somali declarou estado de emergência devido a seca e apelou por assistência internacional, à medida que condições se deterioram nas regiões norte, central e sul, conforme o OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Ajuda Humanitária. Em Dhaxan, chuvas da estação de abril a junho trouxeram esperança passageira no início de 2025, sendo que os moradores dependem de água transportada por caminhões depois que o poço artesiano local foi contaminado, em consequência, 150 famílias se mudaram em 23 de novembro, o Plano de Resposta Humanitária Somali à 2025 estava financiado em 23,7%, forçando reduções na assistência em que o número de pessoas recebendo ajuda alimentar emergencial caiu de 1,1 milhão em agosto à 350 mil. A seca se alastra em cenário desolador prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda fins de 2025, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos devem sofrer desnutrição aguda até meados de 2026, sendo que as previsões meteorológicas indicam pouco alívio, com a FAO, Organização da ONU à Alimentação e Agricultura, alertando que condições secas e quentes devem persistir em parte do país particularmente regiões central e norte.
Moral da Nota: a CEPAL relata que a América Latina atingiu menor nível histórico de pobreza com 162 milhões de pessoas, 25,5%, vivendo abaixo da linha da pobreza, graças a avanços no México e Brasil em que pobreza multidimensional que mede privação em moradia, saúde, educação e serviços, diminuiu de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024. A desigualdade permanece alta com os 10% mais ricos concentrando 34,2% da renda, os 10% mais pobres recebendo 1,7%, com a CEPAL alertando que a disparidade limita mobilidade social e desenvolvimento recomendando políticas educacionais, trabalhistas e de inclusão social visando redução. Revelou que a região apresenta menores níveis de pobreza contrastando com altos e persistentes níveis de desigualdade que impedem desenvolvimento social e econômico dos países, daí, conclui o relatório anual "Panorama Social da América Latina e Caribe", apresentado pela organização, que se concentrou em alternativas à escapar da "armadilha" da alta desigualdade, baixa mobilidade social e fraca coesão social, fatores reforçados pela falta de políticas redistributivas. Buscando escapar dessa armadilha, recomenda "reduzir desigualdade educacional, criar empregos de qualidade, promover igualdade de gênero e sociedade do cuidado, combater discriminação contra pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes e fortalecendo instituições sociais e seu financiamento". O relatório examina múltiplas dimensões em que desigualdade se manifesta na região, incluindo renda e, segundo os dados, em fins de 2024, 162 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza representando redução de 2,2% comparados com 2023 e de 7% desde 2020, 1º ano da pandemia que impactou negativamente indicadores sociais e econômicos tratando-se da menor taxa de pobreza na região desde o início dos estudos. Por fim, o relatório é positivo em relação à pobreza multidimensional que mede privações em áreas como habitação, serviços, educação e saúde, tendo caído de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024, no entanto, a pobreza extrema que afeta 62 milhões de pessoas, 9,8% da população, representou queda de 0,8% em relação a 2023 permanece 2,1% acima da mínima histórica registrada em 2014 e, contrastando com avanços na redução da pobreza, a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo com os 10% mais ricos da população recebendo 34,2% da renda total enquanto os 10% mais pobres recebem 1,7%.