quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Extremos Climáticos

O CCC, Comitê de Mudanças Climáticas, em carta ao governo inglês alerta que, como resultado de pelo menos 2°C de aquecimento global até 2050, consultores climáticos independentes explicam que o Reino Unido "não está adaptado" ao agravamento dos eventos extremos nos níveis atuais, "muito menos" o esperado, disse, que aconselharia o Reino se preparar às mudanças climáticas além da meta de temperatura de longo prazo estabelecida no Acordo de Paris. A carta, divulgada após a OMM, Organização Meteorológica Mundial, confirmar que 2024 registrou aumento recorde de CO2 na atmosfera, gás, principal responsável pelas mudanças climáticas causadas pelo homem e liberado quando combustíveis fósseis são queimados, bem como outras atividades, a carta do CCC foi enviada pós solicitação de aconselhamento sobre cronograma à definição de cenários de adaptação, com base em "cenários climáticos mínimos". Instaram o governo inglês estabelecer estrutura de "objetivos claros de longo prazo" para evitar aumento adicional da temperatura, com metas a cada 5 anos e departamentos "claramente responsáveis" pelo cumprimento das metas, afirmando que poderá fornecer detalhes sobre possíveis "compensações" em maio de 2026 quando divulgar relatório descrevendo como o Reino Unido pode se adaptar às mudanças climáticas. O comitê divulgou relatório em abril de 2025 em que afirma que os preparativos no Reino Unido ao aumento das temperaturas estavam "lentos, estagnaram ou indo em direção equivocada", alertando que a falta de progresso deixa o país vulnerável a impactos econômicos e de saúde nas próximas décadas, de hospitais e casas de repouso a  abastecimento de alimentos e água, afirmando que os impactos das altas temperaturas já eram evidentes, por exemplo, escolas, ao citar resultados preliminares do Departamento de Educação que relata média de 1,7 dia de "superaquecimento extremo" bem como perda de tempo de aprendizagem devido ao calor.

Assinado em 2015, o Acordo de Paris viu 200 países se comprometerem tentar evitar que as temperaturas globais subissem mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e a se manterem "abaixo" de 2 °C, com o CCC destacando em carta, que um nível de aquecimento global de 2°C teria impacto significativo no clima do Reino Unido com eventos extremos se tornando mais frequentes e generalizados. Segundo o CCC, o Reino Unido poderia esperar ondas de calor, secas e inundações mais intensas e que a temporada de incêndios florestais se estenderia ao outono, com a Baronesa Brown, presidente do Comitê de adaptação do CCC, afirmando à BBC que, "a população do Reino Unido já sofre os impactos das mudanças climáticas e devemos a elas nos preparar e auxiliá-las se preparar e a adaptação não está acompanhada do aumento no risco climático, concluindo que, "impactos  estão piorando e o governo precisa mais ambição". Criticou Kemi Badenoch, líder conservador, que prometeu descartar a legislação britânica sobre mudanças climáticas e substituí-la por estratégia à energia "barata e confiável", com a Baronesa classificando a promessa como "decepcionante" dizendo esperar que o líder conservador "reflita sobre o fato que a lei abrange adaptação e mitigação". O Reino Unido vivencia mudanças nos padrões decorrente mudanças climáticas com 4 ondas de calor confirmadas em 2025 e, que o Met Office, considerou o verão mais quente já registrado com cientistas descobrindo que verão tão quente ou mais que 2025 é 70 vezes mais provável que teria sido em clima "natural", sem emissões de gases efeito estufa induzidas pelo homem. Para concluir, O IPCC já tinha afirmado antes que níveis de CO2 estão em seu patamar mais alto em pelo menos 2 milhões de anos, com base em registros de longo prazo como sedimentos marinhos e núcleos de gelo, corroborado pela afrimação da OMM que, o aumento de CO2 na atmosfera entre 2023 e 2024 é o maior desde que medições modernas começaram na década de 1950, com o Met Office afirmando que o clima extremo é o novo normal do Reino Unido.

Moral da Nota: o presidente do Comitê Internacional do Prêmio Global de Energia, Rae Kwon Chung, disse que a Europa afirma redução de emissões, mas 'vaza' pegada de CO2 à Ásia, quer dizer, declarações de países europeus que reduziram emissão de carbono não são precisas, visto que transferiram parte da indústria à países como China e Coréia do Sul. A UE em 2024 importou 519 bilhões de euros da China e que os 3 maiores importadores foram Países Baixos, Alemanha e Itália, ao mesmo tempo, esclarece que, "a Europa diz que reduziu muito, na verdade não é redução, é substituição, vazamento à China, Coréia e reimportação, não podemos encarar isso como redução, apenas substituição, sem mudar nenhum estilo de vida". A ONU tenta "mobilizar compromisso político", mas não consegue, segundo Chung, ao "acreditar que é momento que não podemos simplesmente confiar em  abordagem de cima para baixo, com o governo tentando impor Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDC, de cima para baixo, já que aprendemos nas últimas 3 décadas que não funciona, precisamos de abordagem de baixo para cima, nunca considerando que engajamos consumidores e não criamos mudança sistemática no modo de engajá-los na partilha da responsabilidade, concluindo que, consumidores são deixados de lado como espectadores e excluídos, enquanto o consumidor for deixado de lado como espectador e excluído, nunca seremos capazes de resolver o problema". Declaração conjunta da China e UE reafirma importância que aborda problemas das mudanças climáticas concordando demonstrar liderança na transição ao desenvolvimento sustentável, reconhecendo que, o fortalecimento da cooperação em relação às mudanças climáticas "impacta o bem-estar dos povos de ambos os lados, de grande e especial importância à manutenção do multilateralismo e avanço da governança climática global".

domingo, 28 de dezembro de 2025

Contaminação

Quase uma década pós incêndio florestal, persiste contaminação da água com resultados mostrando que contaminantes como, carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos, degradam a qualidade da água por até 8 anos pós incêndio com estudo revelando que o legado dos incêndios florestais se estende além da devastação imediata em que contaminantes de florestas e bacias hidrográficas continuam poluir rios e córregos. Publicada na Nature Communications Earth & Environment, a pesquisa é a 1ª avaliação em larga escala da qualidade da água pós-incêndio florestal ao analisar mais de 100 mil amostras de água de mais de 500 bacias hidrográficas, liderado por cientistas do CIRES, Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais, da Universidade do Colorado, em Boulder, baseado em incêndios florestais nos EUA, encontrando índices elevados nos rios pós incêndios de, carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos. Contaminantes que podem degradar qualidade da água representando desafios às estações de tratamento ameaçando abastecimento de água potável à milhões em comunidades a jusante, com pesquisadores conhecendo há muito que cinzas de incêndio e destruição do solo contribuem à degradação da qualidade da água, com Carli Brucker, autora principal do estudo, dizendo que, "tentando observar tendências ​​na qualidade da água pós-incêndio florestal no oeste dos EUA para informar estratégias de gestão da água na mitigação de  incêndios florestais. Os resultados mostram que embora picos de contaminantes ocorram nos primeiros 1 a 5 anos pós incêndio, níveis elevados de nitrogênio e sedimentos persistem por até 8 anos, com o estudo constatando que o impacto dos incêndios florestais na qualidade da água é variável, dependendo de fatores como proximidade do incêndio aos rios, tipo de solo e vegetação, além de padrões climáticos locais e, em alguns casos, níveis de sedimentos nos córregos 2 mil vezes maiores que antes do incêndio, sobrecarregando infraestrutura de tratamento de água. Vale lembrar que, incêndios florestais aumentam em tamanho e frequência devido à seca e mudanças climáticas, com as descobertas ressaltando necessidade de planejamento de longo prazo e resiliência na gestão da água e, à medida que o oeste americano enfrenta riscos crescentes de incêndios florestais pesquisadores esperam que seus dados auxiliem comunidades se prepararem aos impactos ambientais prolongados que surgem pós incêndios.

Outro estudo sobre partículas PM2,5 é alerta sobre como mudanças climáticas afetam o  ambiente e arredores, colocando milhões de vidas em risco, usando dados com descobertas relevantes onde altas temperaturas aumentam frequência de secas e incêndios florestais, eventualmente piorando qualidade do ar, algo que já se encontra em más condições. Pesquisadores que lideraram o estudo intitulado Secas e poluição do ar por PM2,5 na Califórnia: o papel dos incêndios florestais, observaram que, nas secas e incêndios florestais severos, ambos, se tornaram mais prováveis com enormes volumes de PM2,5  liberados no ar causando danos despercebidos. O poluente microscópico entra nos pulmões e corrente sanguínea de pessoas ao redor do planeta, causando danos fatais sob efeito combinado de seca e incêndios, os níveis de PM2,5 aumentam significativamente acima dos níveis normais criando ciclo perverso entre estresse climático e poluição, com incêndios florestais na Índia, por exemplo, se intensificando com mais de mil incidentes, forçando equipes de desastres agirem para conter chamas ao redor e florestas próximas. A crise de poluição do ar continua na Índia entre as piores do mundo contribuindo à 2 milhões de mortes prematuras anualmente, impulsionada pela alta exposição a PM2,5 nas principais cidades, em 2024, Nova Delhi e estados do norte lideraram tabelas globais de poluição com níveis médios de PM2,5 dez vezes mais altos que limites de segurança da OMS, com descobertas sugerindo que, à medida que a Índia se aquece e enfrenta secas os incêndios florestais adicionam camada à já mortal carga de poluição. Mudança climática causa estações secas mais longas e ondas de calor mais extremas, de monções fracassadas a calor recorde, 2024 foi marcado na  Índia por extremos climáticos sem precedentes, com especialistas alertando que secas e incêndios florestais alimentam ciclo vicioso com condições mais secas provocando incêndios que emitem gases efeito estufa alimentando o aquecimento global. Por fim, cientistas esclarecem que a estratégia indiana de ar limpo  deve evoluir à inclusão do gerenciamento de florestas e terras com controle da poluição industrial e transporte, possíveis etapas que incluem integração da previsão de secas e incêndios florestais como inerentes do planejamento de boa qualidade do ar.

Moral da Nota: embora relatadas, relações individuais entre secas, incêndios florestais, poluição do ar e ambiente por PM2.5, o papel dos incêndios florestais nas secas à PM2.5 permanece incerto, com estudo investigando associação entre secas definidas pela, SPEI, Precipitação Padronizada Índice de Evapotranspiração, e concentrações de PM2,5 na Califórnia,de 2006 a 2020. Modelo linear generalizado misto mostrou que as concentrações de PM2,5 aumentaram em 1,47 μg/m3, em média, à medida que condições de seca se intensificam em 1 unidade de SPEI, valores de SPEI mais baixos indicam condições mais secas e maior severidade, na análise estratificada, os aumentos de PM2,5 relacionados à seca foram maiores nos dias de incêndio florestal comparados aos dias sem incêndio florestal por unidade de redução no SPEI, daí, a probabilidade de dias impactados por incêndios florestais aumenta em 89,9% por unidade de redução no SPEI, crecendo com a severidade das secas. Incêndios florestais foram fator crucial aos aumentos de PM2,5 relacionados à seca, conforme comprovado pelo declínio na associação por unidade de redução no SPEI de 3,29 μg/m3 à -0,10 μg/m3 pós ajuste à PM2,5, induzida por incêndios florestais nos dias de incêndios florestais, ao passo que, aumentos de PM2,5 devido secas e incêndios florestais representam desafios à gestão da qualidade do ar pois a probabilidade de dias de excedência de PM2,5 foi elevada por incêndios florestais nas secas.