quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Saúde Ocupacional

Em 1970 nos EUA foram criados o Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional e a Agência de Proteção Ambiental, EPA, que possuíam poucos cientistas no quadro de funcionários, sem histórico de pesquisa produzida não tinham dados necessários para avaliar desastre em andamento, muito menos controlá-lo, aqui, talvez justificativa, mas, um fato, sendo que o PVC e o monômero de cloreto de vinila, ou, a matéria-prima do PVC, foram utilizados em itens domésticos e industriais considerados seguros por reguladores e fabricantes, o PVC foi usado na fabricação de embalagens de alimentos e tubulações de água e o cloreto de vinila em forma gasosa como propelente em sprays de cabelo, tintas em spray e pesticidas. Henry Falk, professor adjunto em Atlanta da Escola de Saúde Pública Rollins da Emory University, avaliou que na questão do angiossarcoma do fígado “todos consideravam o material seguro, um choque”, destruiu, “a ilusão de segurança à esses tipos de produtos químicos” e, o atual professor, Henry Falk, à época, jovem investigador no Centro de Controle de Doenças, auxiliou identificar agrupamentos e consolidar evidências que ligavam a substância química ao câncer de fígado, quer dizer, dos 289 partícipes da Conferência de Nova York solicitada, um terço era da indústria, ou, Dow Chemical, Exxon Corp., Monsanto e etc, o restante, do governo federal dos EUA, sindicatos, academia, sociedades científicas, organizações sem fins lucrativos e empresas de consultoria. Philip Landrigan, um dos melhores investigadores de microplásticos do mundo, pediatra e diretor do Programa de Saúde Pública Global e Bem Comum do Boston College, 32 anos à época, presente na fatídica reunião de Nova York, trabalhava no Centro de Controle e Prevenção de Doenças, informa não se lembrar de muita coisa da reunião, segundo o Los Angeles Times, atraiu pessoas do mundo, ou, Japão, Suécia e Romênia, deixou a sensação de urgência no ar, alega, conforme o Times, não lembra da apresentação na citada reunião de Nova York. O último palestrante  na Academia de Ciências de Nova York da sessão “Investigações Toxicológicas do Cloreto de Vinila-Policloreto de Vinila, Estudos Experimentais”, foi o cientista berlinense Gerhard Volkheimer que publicou em alemão e apresentou trabalho sobre um processo conhecido como persorção, conduzia pesquisas no Charité de Berlim um dos hospitais universitários mais antigos e prestigiados da Europa e demonstrou que partículas sólidas se movem através da mucosa intestinal quando ingeridas, para então, se espalhar pelo resto do organismo, quer dizer, demonstrou que minúsculos fragmentos de PVC quando ingeridos, podiam atravessar a parede intestinal e viajar no sangue, linfa, cérebro, fígado e outras partes do organismo e, desde a década de 1950, alimentava animais e, ocasionalmente humanos, com partículas de amido de batata e milho, flocos de ferro, pólen, aveia em flocos e PVC, segundo o  Times. Realizou experimentos em cães, porcos, cabras, ratos, porquinhos-da-índia, coelhos e galinhas e, para fins da reunião em Nova York, destacou estudos em que alimentou com partículas microscópicas de PVC e, 2 horas após a ingestão, descobriu que partículas migravam ao sistema linfático, sangue, cérebro, fígado, pulmões e músculo, encontrando fragmentos de PVC no líquido cefalorraquidiano que circula pelo cérebro e medula espinhal, além do leite materno. Por fim, confirmou que as partículas atravessavam a placenta, enquanto cafeína e  nicotina dos fumantes aumentava a velocidade e volume do movimento no intestino, mesmo efeito observado no sono e se moviam mais rapidamente em animais mais jovens, um detalhe, usou amido de batata como substituto em humanos, demonstrado em estudos anteriores que seu comportamento era similar ao PVC, daí, o Dr Gerhard Volkheimer chamou de micropartículas ou “partículas de PVC”, sendo que o termo “microplásticos” só foi cunhado em 2004 quando um cientista britânico descreveu pequenas partículas de plástico que encontrava nas águas da costa do Reino Unido. Concluindo, segundo o The Times, jovens investigadores do governo dos EUA presentes na reunião convocada em Nova York para analisar fato relevante da industria quimica norte americana, não se lembraram do discurso enquanto executivos das empresas químicas e de plásticos, anotaram.

O Los Angeles Times, se bem compreendemos, nos informa que um médico convocou reunião cientifica em Nova York para analisar o desenvolvimento de angiossarcoma hepático, tumor maligno, em fábricas de produção de PVC, parece ser essa a matéria do Times. A reunião foi realizada e o médico alemão descreve que micropartículas de substâncias plásticas circulam no organismo humano, com efeitos em fase de compreensão, reunião cujo conteúdo parece que os cientistas atuais que lá estiveram não mais se lembram, segundo o Times, que acabou ficando com as anotações dos administradores das empresas que lá marcaram presença, parecendo ser essa a questão, podendo haver imperfeições mas o núcleo do problema é evidente. Com o tempo passando pós reunião de Nova York, empresas do setor de plástico, produtos químicos e combustíveis fósseis fizeram referência à apresentação e discussão, conforme documentos analisados ​​pelo The Times, cujos registros produzidos por empresas em processos judiciais relacionados ao tabaco, amianto e produtos químicos industriais, encontram-se arquivados na Biblioteca de Documentos Industriais da Universidade da Califórnia em São Francisco e no ToxicDocs, projeto da Universidade Columbia e Universidade da Cidade de Nova York. Em consequência, em maio de 1974, executivo da Firestone Plastics Co., divisão da Firestone Tire and Rubber Co., escreveu ao presidente da empresa, Todd Walker, resumo da reunião afirmando que “o PVC e, não o VCM, ou, monômero de cloreto de vinila, era administrado a animais e retido por órgãos”, Howard Kusnetz, gerente de higiene industrial da Shell Oil Co., enviou ao diretor médico da empresa, Roy Joyner, resumo da reunião e a outros, conhecia o âmbito federal e, até 1971, foi diretor do NIOSH, antes de ser contratado pela Shell para estruturar o programa de higiene industrial, avalia que, "Volkheimer afirma que as partículas foram encontradas no líquido cefalorraquidiano de cães", escreveu, "Volkheimer observou que o amido leva 4 minutos para aparecer no sangue pós ingesta, com um pico em 10 minutos." O diretor assistente de segurança da Union Carbide posterior Dow Chemical, em carta de 1975 reclamou que o artigo de Volkheimer foi “citado como 'história de terror' sobre a ingestão de resina de PVC”, citando estudo de 1947 da Universidade de Harvard, no qual animais alimentados com flocos de um plástico semelhante ao PVC, chamado Geon 202, não adoeceram, disse que o estudo apoiava “o uso de PVC em embalagens de alimentos” que “compensaria parte do dano causado pelo artigo de Volkheimer”, que na reunião de Nova York expôs entrada do PVC no organismo. A pesquisa de Volkheimer foi citada nas décadas de 1970, 80 e 90, conforme documentos, com o Instituto do Cloro encomendando o relatório intitulado "Avaliação Interpretativa dos Potenciais Efeitos do Cloreto de Vinila e do Policloreto de Vinila na Saúde Humana e Meio Ambiente", a empresa de consultoria CanTox utiliza a pesquisa de Volkheimer para demonstrar que esse plástico poderia ser absorvido pelo corpo e se acumular nos tecidos ao longo do tempo. Cientistas relatam encontrar tais partículas, em artérias, placentas e cérebros humanos, com as associações comerciais enfatizando o que descrevem como lacunas substanciais e problemas de qualidade na pesquisa, afirmando que mais estudos são necessários antes que conclusões possam ser tiradas sobre a saúde humana, aqui, a grande questão colocada, quando abre espaço à citações do tipo a pesquisa e os experimentos de Volkheimer não mostraram que "a exposição real a microplásticos cause danos" aos seres humanos. Ross Eisenberg, presidente da America's Plastic Makers, divisão do American Chemistry Council, em anúncio pago publicado no Washington Post em 2025, disse que a “mídia se move mais rápido que a ciência nessa questão” e, conclui, “nossa opinião é que precisamos deixar a ciência liderar”, quer dizer, parece que o foco muda pela questão do câncer e dos trabalhadores levando o artigo de Volkheimer ao relativo esquecimento nos mundos da toxicologia e saúde pública, citado em relatório de Avaliação Científica e Técnica da EPA de 1975. A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA reduziu a quantidade de cloreto de vinila que um trabalhador podia inalar, de 500 partes por milhão à uma parte por milhão, com isto parece que o conhecimento se restringiu a farmacologia, com os conceitos como meio de compreensão de como medicamentos são absorvidos no intestino e, na década de 1990, os cientistas farmacêuticos consideraram a absorção de partículas um conceito estabelecido para desenvolver produtos. Por fim, em 2003, o trabalho de Volkheimer foi citado no relatório sobre amianto e água potável na Califórnia e referenciado em artigos de biologia marinha e toxicologia ambiental, Volkheimer, falecido em 2021, alimentava animais de teste com 100 e 200 gramas de PVC diariamente, observou que sujeitos humanos receberam os mesmos 100 e 200 gramas do amido de batata usado como substituto e que o amido acabou no sangue e no leite materno. A pesquisa moderna sobre microplásticos começou em 2018, quando cientistas da Universidade de Viena descobriram fragmentos plásticos nas fezes humanas, de lá para cá, foram encontrados no sangue, leite materno, sêmen, tecido pulmonar, tecido cardíaco e cérebro, cuja presença tornou-se motivo de preocupação às autoridades de saúde, legisladores e pesquisadores, a ponto de, em 2018, a Califórnia aprovar uma lei que exige que a agência estadual de água, defina, teste e relate a presença dessas partículas na água potável, com o detalhe que, o atual governo norte americano, anunciou que a EPA começaria lidar com a questão da presença dessas partículas na água potável.

Moral da Nota: investimento da Apple em 14 mil acres de floresta de sequoias na Califórnia auxilia restaurar habitats de vida selvagem, segundo o The Economic Times, a Apple colaborou com o Fundo de Conservação para revitalizar 14 mil acres de floresta costeira de sequoias, projeto na salvaguarda de ecossistemas beneficiando vida selvagem, melhorando armazenamento de carbono e apoiando comunidades locais. Desempenha papel crucial no compromisso da corporação em alcançar neutralidade de carbono até 2030 considerando que o monitoramento contínuo do crescimento florestal foca gerar créditos de carbono, auxiliando na redução de emissões, enquanto algumas das árvores mais altas do mundo recebem apoio de investimento na restauração e gestão sustentável de floresta costeira em parceria com o Fundo de Conservação à proteger ecossistema que apoia vida selvagem, armazena carbono, sustenta comunidades locais, centrando-se na Floresta do Rio Gualala, condado de Mendocino. Parte do Fundo de Restauração da Apple, iniciativa que financia projetos na natureza e, ao mesmo tempo, auxilia a empresa trabalhar para atingir as metas climáticas, as Sequoias da Califórnia estão entre as mais altas do mundo armazenando quantidades substanciais de carbono à medida que crescem, além da Floresta do Rio Gualala que contém pinheiros-do-açúcar e carvalhos-negros-da-califórnia, fornecerem habitat à  espécies de vida selvagem, no entanto, florestas da região enfrentam pressão da exploração madeireira intensiva, mudança da propriedade da terra e desenvolvimento. Conforme o Fundo de Conservação, as pressões danificaram paisagens e afetaram salmão e corujas manchadas, com a organização sem fins lucrativos afirmando que a abordagem demonstra que florestas podem permanecer ambientalmente saudáveis e economicamente viáveis, com Iniciativa de Conservação Florestal Costa Norte focada em compensações de carbono e emprego local para apoiar manejo florestal a longo prazo. Lisa Jackson, vice-presidente de Meio Ambiente, Políticas e Iniciativas Sociais da Apple, descreveu as florestas como “uma das tecnologias mais poderosas que temos à remover carbono da atmosfera”, sendo que a empresa fez parceria com o The Conservation Fund para proteger mais de 36 mil acres de floresta em atividade no Maine e Carolina do Norte. Por fim, projetos de compensação de carbono não são isentos de controvérsia, com a publicação tecnológica alemã 'heise online' informando em 2025 que o grupo ambientalista Deutsche Umwelthilfe contestou uso de alegações de neutralidade de carbono pela Apple, levantando questões sobre se compensa de forma adequada as emissões, sendo que a Apple defendeu a estratégia climática mais ampla e afirma que prioriza redução de emissões com a remoção de carbono. Vale aqui distinguir que a proteção das florestas pode proporcionar benefícios à biodiversidade e comunidades locais, mas, créditos de carbono não substituem a necessidade de reduzir emissões na fonte, com o projeto Gualala River Forest, por exemplo, que reúne investimento corporativo, experiência em conservação e gestão sustentável da terra, cujo sucesso dependerá da proteção do ecossistema ao longo do tempo, manutenção de monitorização credível do carbono e garantia que os habitats da vida selvagem permaneçam saudáveis e, a medida duradoura do sucesso, será se a floresta e sua vida selvagem continuarão prosperar nas gerações vindouras. 


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Monitoramento Independente

A Chevron foi alertada pela ONU que no projeto Gorgon o monitoramento independente por satélite detectou vazamento de metano emergindo de um dos maiores complexos de petróleo e gás da Austrália, com nuvens persistentes acima da usina de gás natural liquefeito, GNL, Gorgon da Chevron, na Ilha Barrow, na costa de Pilbara, Austrália Ocidental, captadas por 5 passagens consecutivas do satélite Tanager-1, novembro de 2025. Em fins de Agosto, registrou taxa média de emissão de 7,8 toneladas de metano por hora, equivalente a 51 automóveis movidos a gasolina conduzidos em um ano, ou, queima de mais de 110 mil kg de carvão, calculados através da ferramenta online da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, US EPA, sendo que detecções repetidas, a mais recente, excedendo evento de "superemissor" segundo diretrizes da EPA dos EUA que  levaram o alerta da ONU à Chevron. O metano, segundo a ONU, responde por 25% do aquecimento global, trata-se de gás efeito estufa 80 vezes mais prejudicial que o CO2, sendo que a Chevron confirmou que recebeu o alerta e trabalha com o Programa Ambiental da ONU, PNUMA, buscando solução ao problema, no entanto, porta-voz do PNUMA disse que não recebeu feedback formal da Chevron ou do governo australiano e que atualizaria dados disponíveis publicamente quando fizessem, sendo que a Chevron foi notificada sobre emissões de metano em Gorgon em Julho de 2025. Em comunicado disse que o monitoramento por satélite traz "ampla gama de incertezas", considerando que, "estamos interagindo com o PNUMA e buscando mais clareza sobre dados", com a ONG Carbon Mapper operando satélite como parte do Observatório Internacional de Emissões de Metano do PNUMA da qual a Austrália está listada como importante doador. Satélites monitoram emissões no mundo com site mostrando o projeto Gorgon da Chevron como maior emissor de metano, quer dizer, a Chevron é obrigada registrar emissões através do National Greenhouse and Energy Reporting Scheme com números publicados anualmente, no entanto, consultas à Agência Nacional de Proteção Ambiental foram encaminhadas de volta aos reguladores estaduais porque o metano está fora da aprovação federal de Gorgon. O governo australiano disse que não estava claro seu papel na gestão do possível vazamento, com o "Departamento de Regulação Hídrica e Ambiental informando ciência desses relatórios e os investiga para entender quais medidas de conformidade ou regulatórias são necessárias". O diretor executivo, Matthew Roberts, avisou que "níveis de governo estavam se comunicando e verificando onde está a responsabilidade" e, conclui, "aconteça o que acontecer, essa é uma infraestrutura de uma empresa privada que lucra com nossos recursos", a liberação de metano em alto volume contribui à histórico ambiental problemático em Gorgon, sendo que a elogiada tecnologia de captura e armazenamento de carbono do projeto teve desempenho drasticamente inferior desde o início das operações em 2016. Por fim, a Chevron informou que quantidade desconhecida de gás penetrou em 2025 na superfície da Ilha Barrow, relacionada a planta de processamento de gás na Ilha e a Chevron não confirmou causa das emissões de alto volume ou se foram interrompidas, com Louis Goddard, chefe de pesquisa da empresa britânica de investigação climática Data Desk, esclarecendo que níveis de gás efeito estufa ao redor da instalação eram "incomuns" e consistentes, sugerindo problema operacional, o que aqui ocorre "é desperdício de gás que fizeram de tudo para extrair". Luis Goddard e o Data Desk identificaram emissões como originárias ou próximas às unidades de remoção de gás ácido da Gorgon, que remove impurezas do gás natural, dizendo que, "são certamente maiores que algumas que veria em poços de petróleo e gás individuais em incidentes pontuais", sendo que o presidente do programa de engenharia química da Universidade da Austrália Ocidental, Bruce Norris, diz que, medições mais próximas eram necessárias, estimando com base nas 5 observações de satélite, algumas milhares de toneladas de metano poderiam ter vazado ao longo de um ano, comparando, investigação independente revelou que um tanque de GNL na fábrica da empresa em Darwin vazou uma média de 832 toneladas/ano em mais de uma década, concluindo, "qualquer evento não é extremamente significativo, mas, no geral, é mais sobre como as diferentes empresas e o governo estão se unindo para tentar fazer as medições". 

Ainda no campo do petróleo, microplásticos envelhecidos aceleram degradação de medicamentos no tratamento de águas residuais, segundo a Sala de Imprensa da Academia Chinesa de Ciências, informando que a carbamazepina utilizada para tratar epilepsia e dor neuropática foi detectada em águas residuais e naturais através de processos de oxidação baseados em ultravioleta, degradando produtos farmacêuticos e ativando substâncias químicas como peroximonossulfato, peróxido de hidrogênio ou água oxigenada e cloro. Águas residuais contêm microplásticos, incluindo partículas de poliamida oriundas de tecidos e, à medida que essas partículas envelhecem, as superfícies se alteram e interagem com poluentes e produtos químicos de tratamento, com estudos anteriores relatando que os microplásticos podem tanto auxiliar quanto dificultar a degradação de poluentes, dependendo dos materiais envolvidos. O que não focou claro era como a poliamida envelhecida afeta a remoção da carbamazepina por diferentes oxidantes e, se os produtos resultantes apresentam riscos adicionais, com  estudo publicado na New Contaminants em setembro de 2026 por Xiaohui Wang e Tingting Zhang, da Universidade de Tecnologia Química de Pequim, dizendo que o envelhecimento da poliamida aumentou taxas de degradação da carbamazepina e alterou quantidades de produtos de transformação tóxicos formados. Na busca por testar esses efeitos, pesquisadores adicionaram carbamazepina e partículas de poliamida envelhecidas a reatores de laboratório com luz ultravioleta e um dos 3 oxidantes, peróxido de hidrogênio ou água oxigenada, peroximonossulfato e cloro, daí, compararam cada configuração com tratamento sem microplásticos e mediram a carbamazepina ao longo de 2 horas calculando as constantes de taxa de degradação, sendo que a adição de poliamida envelhecida elevou as constantes à 0,36/hora e 1,8 vezes as taxas sem partículas. Quer dizer, o peroximonossulfato proporcionou degradação mais rápida, enquanto o cloro apresentou maior aumento relativo devido microplásticos, no entanto, usando ressonância paramagnética eletrônica e substâncias químicas que interceptam espécies reativas, a equipe investigou o que impulsionou as mudanças, daí, medições indicaram que o envelhecimento produziu radicais livres na superfície da poliamida e que as partículas envelhecidas aumentaram a formação de radicais hidroxila e oxigênio. A espectrometria de massa identificou 16 produtos de transformação no tratamento com peroximonossulfato e partículas envelhecidas, 14 no tratamento com peróxido de hidrogênio, água oxigenada, e 15 no tratamento com cloro, a partir daí, propuseram vias envolvendo hidroxilação, oxidação e alterações na estrutura da carbamazepina, sendo que partículas envelhecidas aumentaram taxas de reação e a abundância de certos produtos enquanto escolha o oxidante respondeu por diferenças nas vias de reação. Por fim, avaliação computacional previu que vários produtos seriam mais tóxicos à organismos aquáticos que o fármaco original e testes com constituintes comuns da água mostraram que o nitrato promoveu degradação da carbamazepina nos 3 sistemas, enquanto o bicarbonato e o ácido húmico a inibiram, daí, efeito do cloreto dependeu do sistema de tratamento e sua concentração. Em suma, os resultados demonstram por que taxas de remoção em laboratório, por si só, podem não prever desempenho de um processo em águas residuais com composição química diferente, sendo que o estudo sugere que microplásticos envelhecidos participam do tratamento baseado em ultravioleta, influenciando tanto rapidez que a carbamazepina desaparece quanto subprodutos que se acumulam, enquanto resultados sobre toxicidade são previsões, medir subprodutos e testar água tratada auxiliaria estabelecer a relevância prática e quanto ao tratamento de águas residuais, a principal lição é avaliar o destino do fármaco com o destino dos produtos de transformação.

Moral da Nota: o Los Angeles Times informou que cientistas de empresas químicas rastrearam riscos dos microplásticos conforme memorandos das empresas, afirmando que apenas começamos compreender o mal que minúsculos fragmentos de plástico que ingerimos, respiramos e bebemos causam ao organismo humano, com documentos de empresa química descobertos décadas atrás mostrando que cientistas vinculados ao setor tinham conhecimento e preocupação com o modo como microplásticos migram para além do intestino de animais experimentais e humanos, depositando-se em órgãos vitais. A questão nos leva a 1974 no Congresso Científico em Nova York com a apresentação de artigo científico de um gastroenterologista alemão demonstrando que, partículas ingeridas como microplásticos podiam infiltrar-se no organismo humano, fato ignorado por cientistas relacionados ao governo dos EUA, tornando-se ponto de discussão entre especialistas ligados a empresa em questão, com um executivo da corporação descrevendo a recepção da pesquisa como "história de terror". Daí, emerge o termo "microplásticos" ainda não cunhado à época, mas o cientista berlinense Gerhard Volkheimer demonstrou que minúsculos fragmentos de PVC quando ingeridos, podiam atravessar a parede intestinal de animais e viajar no sangue e linfa até o cérebro, fígado e outras partes do organismo, com Matthew Campen, professor de pesquisa farmacêutica na Universidade Novo México e pesquisador de microplásticos na saúde humana, dizendo que, o mesmo processo se aplica a qualquer partícula diminuta e impermeável, incluindo, polietileno, polipropileno e PET, sendo plásticos que dominam o mercado e microplásticos encontrados no corpo humano, em consequência, memorandos internos entre cientistas e executivos da empresa acessados pelo The Times, mostram que, por pelo menos 50 anos, a indústria de plásticos conhece e se preocupa com a potencial contaminação por microplásticos no organismo humano. Tracey Woodruff, professora de epidemiologia e saúde populacional da Universidade Stanford, analisando os documentos, disse que, indicam que cientistas e executivos de grandes empresas químicas sabiam do problema e, silenciaram, mesmo sabendo do acúmulo de microplásticos nos tecidos humanos comparando a situação a outras indústrias poluentes que conheciam como a de gases efeito estufa, amianto e tabaco, mas, não tomaram medidas para torná-los mais seguros. Por fim, o porta-voz da associação comercial da indústria química norte americana, Craig Davis, diretor sênior de química de plásticos do American Chemistry Council, contesta a caracterização, dizendo que, “o debate científico sobre que evidências mostram, não é silêncio, é assim que a ciência sólida e políticas eficazes avançam” e, conclui, “nossa indústria está comprometida com o avanço da ciência dos microplásticos, apoia pesquisas independentes e políticas que contribuam para isso”, afirma ainda que, o grupo comercial que pertence apoiou projeto de lei no Congresso que "aprimoraria métodos científicos e possibilitaria ciência 'padrão ouro'" sobre microplásticos, destaca financiamento da Iniciativa de Pesquisa e Inovação em Microplásticos, fundada em 2022 pelo Conselho Internacional de Associações Químicas. Darei pausa ao tema com posterior retorno, concluindo com o seguinte, em 1974, Irving Selikoff, toxicologista e médico da Escola de Medicina Mount Sinai, convocou reunião de toxicologistas, representantes sindicais, autoridades de saúde e executivos da indústria, organizada pela Academia de Ciências de Nova York, focada em tratar questão urgente no local de trabalho, quer dizer, 3 meses antes, um médico da BF Goodrich Co., fabricante de plásticos de PVC, identificou grupo de trabalhadores na fábrica no Kentucky que desenvolveu forma mortal de câncer de fígado, angiossarcoma, outros casos surgiram na Virgínia Ocidental, Pensilvânia e Nova York, com Agências federais e indústrias de plásticos e petroquímica se mobilizando para responder à situação, aqui, um detalhe, o Dr Irving Selikoff foi quem havia exposto os perigos do amianto uma década antes. Continuarei.