quinta-feira, 3 de abril de 2025

Tendência preocupante

Pesquisa destaca tendência preocupante que, frequência, intensidade e imprevisibilidade de eventos extremos de calor e chuva aumentaram nas últimas décadas, com a Índia registrando aumento de 15 vezes nos dias de ondas de calor extremo com a última década, aumento de 19 vezes nos dias de ondas de calor extremo, enquanto estações das monções cada vez mais caracterizadas por condições prolongadas semelhantes às do verão. O estudo realizado pelo IPE Global e Esri Índia revela que mais de 84% dos distritos indianos são suscetíveis a ondas de calor extremas, com 70% vivenciando maior frequência e intensidade de chuvas extremas, sendo que o estudo, primeiro do gênero, foi divulgado no Simpósio Nacional intitulado "Como a Índia pode lidar com extremos climáticos", organizado pela IPE Global, Esri India, UNESCO e Climate Trends. Destaca que o país viu aumento de 15 vezes nos dias de ondas de calor extremo nos meses de março-abril-maio, MAM, e junho-julho-agosto-setembro, JJAS, nos últimos 30 anos e somente a última década testemunhou mais 19 vezes nos dias de ondas de calor extremo, ao identificar estados como pontos críticos que enfrentam estresse por calor extremo e chuvas irregulares, Abinash Mohanty, Chefe de Prática de Mudança Climática e Sustentabilidade da IPE Global e autor do estudo enfatiza a gravidade das tendências climáticas atuais ao dizer que "a tendência atual de eventos catastróficos de calor extremo e chuvas é resultado de aumento de 0,6ºC  na temperatura no último século, com o El Niño ganhando força e fazendo presença precoce globalmente, com a Índia enfrentando eventos extremos mais em padrões que em ondas". Diz que incidentes como deslizamentos de terra em Kerala decorrentes chuvas irregulares, apontam à necessidade urgente de ação, com o estudo descobrindo que estações de monções são cada vez mais caracterizadas por condições prolongadas semelhantes às do verão, exceto em dias não chuvosos, mudança, com implicações na agricultura, infraestrutura e saúde pública e, acordo com o estudo, 8 em 10 indianos estarão expostos a eventos extremos até 2036. O estudo identifica estados, incluindo Gujarat, Rajasthan, Uttarakhand, Himachal Pradesh, Maharashtra, Uttar Pradesh, Meghalaya e Manipur, como pontos críticos com estresse por calor extremo e chuvas irregulares observando que distritos nas costas leste e oeste enfrentam eventos de chuva mais imprevisíveis e, para mitigar esses riscos, recomenda o HRO, observatório de risco de calor para identificar, avaliar e projetar riscos de calor crônicos e agudos, além da criação de instrumentos de financiamento de risco e nomeação de defensores do risco de calor nos comitês distritais de gestão de desastres para priorizar e unificar esforços de mitigação do risco de calor.

Vale dizer ainda que, estudo mostra que as mudanças climáticas alteraram a monção de 2024 alertando à aumento de extremos climáticos, abrangendo 729 distritos, com diversidade nos padrões de precipitação, destes, 58 distritos testemunharam excesso de precipitação e 48 enfrentaram excesso de precipitação, destacando tendência  de intensificação de eventos climáticos, com junho 2024 registrando a 2ª maior ocorrência de eventos de chuvas intensas. No estudo abrangente da temporada de monções de 2024, a Climate Trends, agência de monitoramento climático e meteorológico, revelou impactos nos padrões de precipitação e temperatura no país, apontando ao aumento da gravidade dos eventos climáticos, refletindo efeitos tangíveis das mudanças climáticas globais, no entanto, houve desvios em ambas as extremidades do espectro, com 158 distritos testemunhando excesso de chuva e 48 distritos enfrentando grande excesso de chuva, por outro lado, 178 distritos, incluindo 11 com grandes déficits, sofreram com chuva inadequada. A monção de 2024 registrou o maior número de eventos de chuvas intensas nos últimos 5 anos, destacando  tendência de intensificação de eventos climáticos, com Junho de 2024 mostrando a 2ª maior ocorrência de eventos de chuvas muito pesadas nos últimos 5 anos, em agosto, 753 estações registraram chuvas muito fortes, maior desde 2020, setembro marcou novo recorde, com 525 estações registrando chuvas significativas. A dinâmica das monções é entendida como resultado das diferenças de capacidade de calor entre a terra e oceano superior que causa reversão sazonal dos ventos, já que a terra experimenta mudanças de temperatura maiores em comparação ao oceano, no entanto, com o aumento constante das temperaturas globais, os padrões das monções sofreram mudanças evidentes na última década. O ex-diretor geral do Departamento Meteorológico da Índia, observa que, nos últimos anos, sistemas climáticos viajaram pela Índia Central em vez de seu caminho habitual ao norte, mudança atribuída ao aquecimento global e a fenômenos como El Niño, IOD, Dipolo do Oceano Índico e  MJO, Oscilação Madden-Julian, eventos de chuvas de alta intensidade e curta duração cada vez mais impulsionados pelas mudanças climáticas enquanto a longevidade dos sistemas de monções é estendida devido a sistemas consecutivos saturando a umidade do solo. Já, o Dr. Akshay Deoras, cientista pesquisador do National Centre for Atmospheric Science, University of Reading, enfatiza a variabilidade das monções à medida que o planeta aquece, observando que, sob condições favoráveis ​​à chuva a probabilidade de eventos de chuvas intensas é maior que era há vários anos levando a períodos de seca mais longos e períodos mais intensos de chuvas com variações significativas em diferentes distritos.

Moral da Nota:  relatório conduzido por 5 agências da ONU, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Organização Pan-Americana da Saúde, Programa Mundial de Alimentos e Fundo das Nações Unidas à Infância, nos avisa que o clima extremo aumenta risco de fome na América Latina e se intensificará devido mudanças climáticas e, como 2ª região mais exposta depois da Ásia, a América Latina pode ter dificuldades para se alimentar, alertando que a tendência de queda pode ser frustrada por ameaças climáticas, considerando que, eventos climáticos extremos impactaram 74% dos países da América Latina, a fome afetou 41 milhões de pessoas, ou, 6,2 % da população, documentando progressos em que a variabilidade climática e eventos climáticos extremos afetam pelo menos 20 países latino-americanos e aumentam risco de fome e desnutrição na região. Considera que economias da América Latina e Caribe dependentes da agricultura, pecuária, silvicultura e pesca, setores ligados à segurança alimentar e vulneráveis ​​a secas, inundações e tempestades, alerta que o clima extremo se intensifica devido mudanças climáticas no relatório "Visão geral regional da segurança alimentar e nutricional 2024" destacando que a fome afetou 41 milhões de pessoas, ou, 6,2% da população, em 2023. Documenta progressos no número de pessoas em 2023 com fome na região, 2,9 milhões menor que em 2022 e 4,3 milhões menor comparado a 2021, alertando que a tendência de queda pode ser frustrada por ameaças climáticas,  ao afirmar que, "a variabilidade climática e eventos climáticos extremos estão reduzindo produtividade agrícola, interrompendo cadeias de fornecimento de alimentos, aumentando preços, impactando ambientes alimentares e ameaçando progresso na redução da fome e desnutrição na região".

terça-feira, 1 de abril de 2025

Declínio

O abuso de opioides nos EUA tornou-se epidemia, no entanto, em 2024, surgiu esperança que esteja se revertendo, com queda de 16,9% das mortes por opioides, com o The Economist dizendo que ninguém tem certeza sobre a reversão com possibilidade de choque de oferta cuja quantidade de fentanil em pílulas interceptada caiu, enquanto relatórios sugerem que o cartel de Sinaloa, crime organizado, recuou do contrabando de fentanil decorrente pressão americana, com especialistas dizendo que é cedo para ter certeza. Outro fato é que o declínio represente retorno às normas pré-pandêmicas quando a covid-19 chegou e as overdoses de opioides dispararam, com hospitais cheios de pacientes com covid, enquanto centros de tratamento fecharam e mais pessoas estavam passando por perdas traumáticas que podem fazê-las recorrer às drogas, além disso, a epidemia pode estar “se esgotando” conforme sugere o Professor Ciccarone, na teoria que os mais vulneráveis ​​já morreram e os que ficaram entendem o perigo do fentanil, portanto, novos viciados não os substituem. O CDC responsável pelo acompanhamento descreve a epidemia de opioides em 3 ondas, com a 1ª onda, opioides prescritos de 1999-2009, começando com aumento da prescrição na década de 1990 causa das mortes por overdose envolvendo opioides prescritos, opioides naturais e semissintéticos e metadona, aumentaram a partir de 1999 diminuindo nos últimos anos, segue a 2ª onda com heroína, 2010-2012, começando em 2010, com aumentos nas mortes por overdose envolvendo heroína, com diminuição nos últimos anos e, por fim, a 3ª onda com opioides sintéticos, de 2013 até hoje, com aumentos nas mortes por overdose envolvendo opioides sintéticos, aquelas relativas a fentanil e análogos, IMFs, produzidos ilegalmente que saturaram o suprimento de drogas ilegais frequentemente encontradas em pó ou prensadas em pílulas falsificadas podendo ser misturadas a outras drogas, recentemente, sedativos não opioides, como xilazina, foram encontrados misturados a IMFs.

Relatório de Mark et al. de 2007 fornece visão das tendências nos gastos com saúde mental e abuso de substâncias, MHSA, com gastos nacionais ao tratamento de distúrbios de MHSA somando US$ 121 bilhões em 2003, acima dos US$ 70 bilhões em 1993 cuja taxa média anual de 5,6% foi mais lenta que o crescimento dos gastos aos serviços médicos, 6,5%, como resultado, gastos com MHSA como parcela dos gastos com saúde caíram para 7,5% dos US$ 1,6 trilhão nos serviços de saúde em 2003, de 8,2% em 1993. De 1993 a 1998, período de rápida expansão do managed care, a taxa de crescimento em gastos com MHSA foi de  3,4%, em comparação com 5,4% aos serviços de saúde, de 1998 a 2003, gastos com MHSA cresceram 7,9%, semelhante aos 7,7% à toda a saúde e, de todos os gastos do MHSA, US$ 100 bilhões foram para saúde mental e US$ 21 bilhões foram à abuso de substâncias. No caso das mortes por overdose de drogas nos EUA, a prevenção e tratamento em evidências funcionam com editorial no BMJ sugerindo que uma redução de 22% nas mortes por overdose de drogas nos EUA em 2023/2024 sinaliza que os investimentos em prevenção de overdose e tratamento de transtornos por uso de substâncias estão funcionando. Diz que evitando uma nova “guerra às drogas” nos EUA, o declínio das mortes por overdose de drogas mostra que abordagens de saúde pública baseadas em evidências funcionam pedindo mais investimento em tratamento e prevenção para acelerar o progresso e rejeitar apelos à táticas de “Guerra às Drogas” que especialistas acreditam  não funcionarem. Resumindo, um retorno às táticas de 'Guerra às Drogas' reverteria o progresso na crise de overdose e tornaria a situação pior, com especialistas da Escola de Enfermagem Johns Hopkins dizendo que “a prevenção e tratamento  em evidências estão funcionando em comunidades no país além do crescente senso na divisão ideológica que esta é a abordagem mais inteligente, enquanto a 'Guerra às Drogas' não era porque focava aplicação da lei, prejudicava comunidades de cor, um desperdício de dinheiro e não funcionava, em era de maior apetite por criminalizar problemas sociais e de saúde aprendemos que o vício é melhor abordado com cuidado, não com condenações.  O editorial explora que está impulsionando o declínio bem-vindo nas mortes e por que em alguns estados as overdoses estão aumentando, analisa como mensagens mais "duras com o crime" podem levar a resposta mais orientada pela aplicação da lei ao uso de drogas e overdoses atrasando o progresso, especialmente em comunidades de cor onde o declínio tem sido mais lento. Explora sucessos existentes de prevenção e tratamento como mudanças nas políticas e práticas de prescrição de medicamentos opioides, acesso expandido a medicamentos para transtornos por uso de opioides e a ampliação de serviços de redução de danos baseados na comunidade e, por fim, observa estratégias para eliminar desigualdades de prevenção e tratamento relacionadas a substâncias como modelos comunitários e familiares de prestação de serviços de prevenção e tratamento em comunidades marginalizadas além de obtenção de força de trabalho de saúde representativa das populações atendidas.

Moral da Nota: estudo de coorte, em população, retrospectivo que incluiu 30.891 indivíduos iniciando o tratamento pela primeira vez, com risco de descontinuação do tratamento maior entre receptores de buprenorfina/naloxona comparado com a metadona em que o risco de mortalidade foi baixo em qualquer forma de tratamento enquanto indivíduos que receberam metadona tiveram risco menor de descontinuação do tratamento em comparação com os que receberam buprenorfina/naloxona além do risco de mortalidade no tratamento semelhante nos medicamentos. Quer dizer, estudos anteriores sobre eficácia comparativa entre buprenorfina e metadona forneceram evidências limitadas sobre diferenças nos efeitos do tratamento entre subgrupos importantes e foram extraídos de populações que usam heroína ou opioides prescritos, embora o uso de fentanil esteja aumentando na América do Norte há o risco de descontinuação do tratamento e mortalidade entre indivíduos recebendo buprenorfina/naloxona versus metadona ao tratamento do transtorno do uso de opioides.