terça-feira, 14 de julho de 2026

Uma Questão

O calor na Europa corrói salários, ou, 3% do rendimento médio anual foi dilapidado por alterações climáticas, com 5,6 milhões de europeus empurrados à pobreza, um número que assusta, sendo que alguns consideram apenas questão de temperatura, no entanto, repercute na classe trabalhadora como questão de saúde e finanças, quer dizer, menos renda, preços altos e maior vulnerabilidade. Jessie Ruth Schleypen, economista climática da Climate Analytics, esclareceu à Bloomberg que a “onda de calor na Europa ameaça a saúde das pessoas, seus meios de subsistência e sua capacidade de trabalhar”, parecendo emergência atual, na verdade, tendência que vem ocorrendo há anos. Estudo publicado no 'Internacional Global Environmental Change', mostra que entre 2004 e 2022, secas e ondas de calor corroeram 3% da renda média anual das famílias europeias e levaram outros 5,6 milhões de cidadãos à pobreza e, olhando ao futuro, caso o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris não seja atingido, a renda familiar deverá despencar em mais de 21 % até fins do século. O maior grupo de risco se estabelece entre os 20% mais pobres da população, com trabalhadores da construção civil e logística, rurais e manuais que sofrem o impacto do clima, quer dizer, os que trabalham em escritórios com ar condicionado estão sob proteção, até certo ponto e, os que trabalham ao ar livre não, com Madrid por exemplo, segundo o estudo, registrou declínio do rendimento de 10% nos últimos anos devido ao efeito do calor na produtividade. França e Espanha, pagam preço alto pelas temperaturas recordes, escassez de água e aumento nos custos de produção, sendo que a situação francesa é mais crítica se consideramos que os 72 departamentos estão em alerta vermelho e milhares de animais nas fazendas, particularmente aves, morreram devido condições extremas, no entanto, Espanha e Reino Unido, reduziram a produtividade na pecuária, na produção de frutas e produtos hortícolas pressionam o abastecimento, sendo que dentre as mais atingidas está o milho que sofre com redução de água e incerteza sobre rendimentos. Nos mercados, segundo a Euronext, as consequências são visíveis com os futuros do milho subindo 9% alimentando questões de instabilidade nos preços agrícolas globais, com especuladores agindo de modo semelhante ao lobby  fóssil nas Cops, enquanto isso, a demanda por eletricidade urbana dispara, o dia 23 de junho de 2026 mostrou que os preços da energia na Europa atingiram recordes, considerando o funcionamento de ar condicionado em todos os lugares pressionando  rede elétrica pelo fornecimento insuficiente. A Bélgica viu preços atingiram 1.038 euros por megawatt-hora, daí, alimentos e energia mais caros significam inflação alta, colocando mais pressão nas famílias de baixos rendimentos que atribuem a maior parte do orçamento aos alimentos e serviços públicos, sem condições de reduzir outras despesas já que o impacto desproporcional é imediato, com economistas dizendo que mudanças climáticas adicionarão entre 0,3 % e 1,2% ao ano à inflação global a partir de 2035. A Allianz, desenvolve cenário de estresse entre 2026 e 2030 aos italianos que correm risco de perda acumulada no PIB de 150 bilhões de euros afetando investimento que cairia 12,8% devido redução das margens de lucro corporativas, abrindo porta a estagflação, ou, aumento dos preços, queda da produtividade e aumento do desemprego com déficit fiscal em 1,9 % do PIB. Maximilian Kotz, pesquisador do Centro de Supercomputação de Barcelona, diz que, "vivemos uma situação em que um novo choque ocorre a cada ano”, choques, que não afetam apenas produtos específicos, impactam cadeias inteiras de suprimentos, da energia ao transporte, seguros, água e alimento. Por fim, surge um paradoxo, quer dizer, o calor extremo reduz rendimentos dos trabalhadores, aumenta o custo de vida e torna mais vulneráveis os com menos recursos, no entanto, segmento do setor financeiro transforma o mesmo fenômeno em oportunidade de lucro, já que o mercado desenvolve instrumentos financeiros para especular sobre a frequência e intensidade dos fenômenos ligados ao El Niño e anomalias climáticas assumindo significado comparável ao das crises geopolíticas. Valendo a nota que, Les Finemore, diretor de investimentos da Moreton Capital Partners, anunciou fundo dedicado à negociação sobre riscos climáticos, quer dizer, “estamos focados na guerra no Irã, o próximo evento será El Niño”. Em suma, imposto social, ou, quem têm menos contas de públicas altas, alimentos e financiamentos caros, perda de dias de trabalho e riscos na saúde, as temperaturas sobem e o custo do calor é distribuído de modo desigual.

Outra questão é a crise fluvial que se desenvolve no oeste americano levando Brad Udall, cientista pesquisador de água e clima da Universidade do Colorado, nos informar que "o derretimento da neve em março não se compara ao de 2002", "é pior, perdemos 60% da camada de neve 4 semanas antes do normal", significando que, as comunidades são forçadas reduzir o consumo de água e as espécies de peixes podem ser levadas à beira da extinção". Agricultores do oeste do Colorado que cultivam pêssegos, uvas para vinho, cerejas e feno de alfafa utilizam a maior parte da água do rio no Vale do Grand e, há décadas, tentam manter o trecho úmido para evitar regulamentações caras sobre espécies ameaçadas de extinção, cientes que o destino está ligado à saúde dos peixes nativos que nadam nas águas turvas e, quando a água é escassa, as relações entre usuários no vale árido são postas à prova. Em abril, que antes via no fim do mês a neve começar a derreter e os niveis subir, presenciou cena perturbadora e inédita, o Rio Colorado que abastece 40 milhões de pessoas, além de 2 milhões de hectares de terras agrícolas e vida selvagem do sudoeste americano, tinha níveis tão baixos que proliferavam algas necessitando aciomanento de alarmes de baixo nível d'água nas estações de tratamento. À medida que as temperaturas aumentam no sudoeste dos EUA, o Colorado enfrenta dificuldades há mais de 2 décadas, com a queda da camada de neve e o uso constante ampliaram a diferença existente entre oferta e demanda de água, com 2026 colocando o rio em território desconhecido, já que a neve que acumula nas montanhas rochosas e derrete para formar o Colorado e afluentes, totalizou metade do normal no último inverno e as vazões subsequentes estão entre as mais baixas registradas e, pior, a escassa camada de neve derreteu rapido e meses antes do previsto na onda de calor em março que elevou temperaturas à mais de 27°C no oeste do Colorado. Em consequência agricultores ligaram sistemas de irrigação semanas antes do previsto, com reservatórios das altas montanhas não conseguindo encher, sendo que os 2 maiores do país, Mead e Powell, se aproximam de nívei inimagináveis ​​há 1 geração, quer dizer, não há água para atender necessidades dos 7 estados americanos e 2 mexicanos que dependem do rio. Um detalhe, o trecho do Rio Colorado no Vale do Grand é microcosmo de questões que persistem dominando debates sobre água no oeste americano, conhecido como o Trecho de 15 Milhas é um local onde convergem o uso agrícola, a demanda municipal e as necessidades de recreação e preservação da vida selvagem. Lá o rio serpenteia penhascos de arenito e encostas onduladas com pomares de pêssegos, em Palisade, Colorado, grande parte da água deixa o leito do rio e entra em complexa rede de canais que abastece vinhedos e campos de feno pelo Vale do Grand 15 milhas rio abaixo, terminando onde o Rio Gunnison se junta ao Colorado na cidade de Grand Junction transformando cânions de rocha vermelha na fronteira entre Utah e Colorado. Na continuação da fluidez embora com vazão reduzida pela demanda ao cultivo de plantações e manter gramados dos subúrbios verdes, em tempos secos quase toda a água disponível pode ser desviada rio acima ao extenso sistema de drenagem, este ano a vazão do trecho caiu para cerca de 55 pés cúbicos/segundo, quer dizer, menos água do que pequenos riachos de montanha transportam em verão típico. Enfim, o termo aridificação é comum entre especialistas em recursos hídricos do Ocidente, refere algo mais permanente que a seca, tendência de longo prazo de ressecamento impulsionada pelo aumento das temperaturas que altera a quantidade de água que chega aos rios, 2026 oferece uma prévia desse futuro, por enquanto, as mudanças estão concentradas em locais como o trecho de 15 milhas ou 24 kms, onde demandas concorrentes colidem em um leito de rio cada vez menor.

Moral da Nota: estudo relaciona contaminante de pneus a 92 genes associados ao Alzheimer e a possíveis danos cerebrais, quando cientistas identificaram 23 genes-chave que podem ligar poluição dos pneus ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.São 92 alvos moleculares compartilhados com processos associados à doença de Alzheimer, 23 genes-chave concentrados em regiões cerebrais vulneráveis, sendo que a  toxicidade foi demonstrada em salmões coho expostos ao escoamento urbano e com a presença do contaminante em amostras de água, solo, poeira de estrada e amostras humanas, em que evidências obtidas através de modelos computacionais denota relação causal que ainda precisa ser demonstrada, no entanto, abre nova frente de pesquisa sobre poluição do trânsito, saúde cerebral e envelhecimento. Quando um veículo se move, freia ou faz uma curva, seus pneus perdem pequenas quantidades de material, parte, acaba depositado no asfalto enquanto outra fração permanece temporariamente suspensa no ar, ou, é levada pela chuva à esgotos, rios e áreas costeiras e, dentre os compostos que acompanham as partículas está a 6PPD-quinona, conhecida como 6PPD-Q, substância que, em poucos anos, passou de desconhecida fora dos laboratórios se tornando um dos contaminantes emergentes que mais atraem atenção. Daí, pesquisas em dados genéticos humanos e modelos computacionais levantam a possibilidade que a exposição a esse composto interfere nos mecanismos moleculares relativos à inflamação cerebral, estresse oxidativo e funcionamento das conexões neuronais, no entanto, é importante considerar que o estudo não comprova que morar perto de estradas ou inalar partículas do tráfego, cause Alzheimer, tampouco permite calcular risco individual associado a determinada exposição. A questão crucial é que cientistas identificaram vias biológicas específicas que podem ser estudadas diretamente em células, animais e tecidos humanos, quer dizer, de protetor de pneus a poluente ambiental, sendo que a origem do problema reside no 6PPD, aditivo utilizado pela indústria de pneus para evitar degradação prematura da borracha devido ação do Ozônio, O3, e outros agentes oxidantes.

domingo, 12 de julho de 2026

Poluição plástica

Relatório do PNUMA com apoio financeiro da Noruega, Suécia e Suíça, apresenta o estado atual do conhecimento sobre produtos químicos em plásticos com base em evidências científicas convincentes, apelando à ações no combate aos produtos químicos em plásticos como parte da ação global contra poluição plástica, denominado “Produtos Químicos em Plásticos: Um Relatório Técnico”  informa a comunidade global sobre questões negligenciadas relativas a produtos químicos na poluição plástica, impactos adversos na saúde e ambiente eficiência de recursos e circularidade.  Destaca necessidade de agir e descreve áreas de atuação buscando apoiar processo de negociação ao desenvolvimento do instrumento sobre poluição plástica com base na resolução 5/14 da Assembleia da ONU ao Meio Ambiente, além de descrever conjunto de estudos e iniciativas científicas ​​de acesso público focados em produtos químicos nos plásticos e interface entre ciência e política. Desenvolvido pelo PNUMA com o Secretariado da Convenção de Basileia sobre Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e Eliminação, a Convenção de Roterdã sobre Procedimento de Consentimento Prévio Informado à Produtos Químicos e Pesticidas Perigosos no Comércio Internacional e a Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes com autores do Painel Internacional sobre Poluição Química e contribuições de especialistas. Baseado em estudos recentes, mais de 13 mil substâncias químicas são identificadas como associadas a plásticos e produção em ampla gama de aplicações, quer dizer, 10 grupos de substâncias químicas com base na composição química, usos ou fontes, foram identificados como preocupação de toxicidade, potencial de migração ou liberação a partir de plásticos, aí, incluem retardantes de chama, estabilizadores, PFAS, substâncias per e polifluoroalquiladas, ftalatos, bisfenóis, alquilfenóis e etoxilatos de alquilfenol, biocidas, metais e metaloides, hidrocarbonetos policíclicos e NIAS, substâncias não intencionalmente adicionadas. Foram encontradas em plásticos substâncias químicas preocupantes em ampla gama de setores e cadeias de valor, incluindo brinquedos e produtos infantis, embalagens incluindo materiais em contato com alimentos, equipamentos elétricos e eletrônicos, veículos, têxteis sintéticos, móveis, materiais de construção, além de dispositivos médicos, produtos de higiene pessoal e domésticos, agricultura e pesca. Substâncias químicas preocupantes presentes em plásticos podem impactar saúde e   ambiente com dados científicos sobre potenciais impactos adversos de 7 mil substâncias associadas a plásticos, mostrando que mais de 3.200 delas possuem uma ou mais propriedades perigosas. A exposição pode ter efeitos adversos ou duradouros em períodos da vida da mulher e impactar gerações futuras, aí, inserem desenvolvimento fetal causando, por exemplo, distúrbiosneurodesenvolvimentais/neurocomportamentais, ao passo que os homens não estão imunes com pesquisas documentando efeitos na fertilidade devido exposição combinada a substâncias químicas perigosas, muitas das quais associadas a plásticos que podem ser liberadas ao longo do ciclo de vida não apenas na extração de matérias-primas, produção de polímeros e fabricação de produtos plásticos, mas no uso dos produtos e, ao final da vida útil quando resíduos não gerenciados adequadamente, contaminam ar, água e solo. Por fim, evidências existentes exigem ações urgentes no combate aos produtos químicos presentes nos plásticos como parte da ação global contra a poluição plástica, buscando proteger saúde e ambiente, além de promover transição à economia circular sustentável e livre de substâncias tóxicas.

Nesta linha de pensamento, a presença de microplásticos em cosméticos e produtos de higiene pessoal, C&PCPs, estão cada vez mais em evidência desde o início da década de 2010 e apesar das pesquisas sobre potenciais efeitos ambientais e na saúde, a maioria dos estudos até o momento sobre microplásticos em C&PCPs investigou produtos de enxágue, enquanto potenciais impactos de C&PCPs sem enxágue foram negligenciados, apesar desses produtos serem adquiridos em volumes e conterem 2 ou mais ingredientes microplásticos nas formulações. Com objetivo de sintetizar o conhecimento sobre microplásticos em C&PCPs, avaliando impactos ambientais e na saúde humana dos produtos discute-se implicações regulatórias, considerando que a falta de estudos sobre C&PCPs sem enxágue é significativa, sugere lacuna de conhecimento a respeito da presença e emissão de microplásticos nesses produtos com carência de estudos sobre consequências tóxicas da exposição a microplásticos provenientes de C&PCPs. O resultado demonstra que aspectos da contaminação por microplásticos podem ser negligenciados em legislações sobre microplásticos que surgem globalmente, as quais restringem uso de microplásticos em produtos de higiene pessoal e descartáveis, mas se concentram apenas nos que são enxaguados destacando potenciais consequências dos microplásticos em produtos de higiene pessoal e descartáveis ​​à tomada de decisões regulatórias, à medida que alternativas são consideradas nos períodos de eliminação gradual ressaltando necessidade de monitoramento e pesquisa suficientes sobre tais alternativas para evitar consequências imprevistas. Até recentemente a pesquisa sobre microplásticos concentrou-se no ambiente e em organismos marinhos com um crescente número de evidências detectando microplásticos em órgãos e tecidos humanos, porém, as vias de entrada exatas ainda não estão claras e seus potenciais efeitos na saúde permanecem desconhecidos, sendo microplásticos observados em amostras biológicas humanas como leite materno, mecônio, sêmen, fezes, escarro e urina e serem caracterizados com base na forma, cor e tipo de polímero, com possíveis vias de entrada no organismo humano incluindo inalação atmosférica e  ingestão através de alimentos e água. Por fim, a produção global de plásticos só em 2020 foi estimada em 367 milhões de toneladas métricas, o descarte inadequado de resíduos plásticos leva à formação de minúsculos plásticos com tamanho inferior a 5 milímetros, microplásticos, liberados no ambiente através do vento e escoamento hídrico, podendo se degradar através de processos como fragmentação mecânica, fotodegradação, degradação térmica e biodegradação, daí, microplásticos serem classificados em primários e secundários, são primários, as microesferas presentes em cosméticos e microfibras de tecidos sintéticos fabricados intencionalmente em tamanho reduzido e, secundários, resultado da degradação e fragmentação de itens maiores. Vale a nota que são documentados em ambientes aquáticos e marinhos podendo ser ingeridos por organismos marinhos,ou, peixes, mexilhões e moluscos, causando bioacumulação e biomagnificação, embora os efeitos sobre o ambiente e os organismos marinhos tenham sido estudados, estudos em humanos são escassos com características variáveis ​​relatadas em diferentes pesquisas. Para concluir, só recentemente microplásticos têm sido cada vez mais detectados em órgãos humanos, aumentando preocupações sobre efeitos na saúde cujo mecanismo dos efeitos não está claro podendo atuar como vetores de substâncias químicas nocivas e patógenos do ambiente ao organismo humano. 

Moral da Nota: o EPI, Índice de Desempenho Ambiental, no 25º ano de publicação produzido por equipe interdisciplinar do Centro de Direito e Política Ambiental de Yale, com apoio do Centro de Soluções Geoespaciais de Yale e Universidade Columbia, classifica 177 países em 47 indicadores e o relatório do EPI 2026 destaca Pontos climáticos brilhantes, mas, progresso lento globalmente mostrando europeus dominando indicadores sendo provável que atinja um muro sem estratégias mais ambiciosas e reformas agrícolas. O continente europeu, sengundo o relatório de Yale, continua superar a maior parte do mundo na ação climática, com o EPI 2026 mostrando quadro de resultados bienal baseado em dados dos esforços de sustentabilidade produzido por investigadores da Escola de Ambiente de Yale e Universidade Columbia, impulsionados pela redução significativa das emissões de gases efeito estufa, os países europeus compõem todo o top 10 do EPI 2026. Muitos desses mesmos países lutam por gerir consequências ambientais agrícolas, sendo o sucesso contínuo em matéria de clima não garantido, alertam os investigadores, uma vez que muitas das estratégias que impulsionaram o forte desempenho europeu atingem limites naturais, com a Estônia mais bem classificada, por exemplo, garantindo classificação quase inteiramente devido a queda acentuada nas emissões, tendência que se estabilizará à medida que fecharem a última das suas fábricas sujas de xisto betuminoso. Com o diretor do Projeto EPI, Zach Wendling, dizendo que alcançaram redução de 40% nas emissões de gases efeito estufa e “se realmente quisermos atingir o zero líquido, necessitará  esforço contínuo, estratégias ousadas e planos mais ambiciosos ao futuro”, no entanto, práticas agrícolas insustentáveis e impactos nos ecossistemas continuam derrubar classificações no mundo, inclusive na Europa, já que pesquisas mostram que o uso excessivo de fertilizantes é fonte de poluição e degradação da água, que a demanda por alimentos, rações e biocombustíveis só deve aumentar nas próximas décadas. Nos informa que países enfrentam acesso limitado a recursos agrícolas e outros produção intensificada, muitas vezes insustentável, impulsionada por forças políticas e econômicas e, conforme investigadores, agravados por disponibilidade limitada de dados agrícolas verdadeiros. Com Xin Zhang, professor do Centro de Ciências Ambientais da Universidade de Maryland que participou da metodologia do índice de gestão sustentável de nitrogênio, medida de eficiência dos fertilizantes em que a UE continua a ter dificuldades, dizendo que, “a agricultura é fundamental à administração ambiental, responde por 30% das emissões globais de gases estufa, maior parte do uso de água doce servindo como um dos principais impulsionadores do desmatamento e outros impactos ambientais” e, conclui, “ao mesmo tempo, continua ser um dos sectores mais desafiadores à política ambiental e a influência política do setor agrícola com instituições e políticas há muito estabelecidas dificultando a mudança.” Por fim, comparados aos anos anteriores, os países fizeram melhorias na gestão da poluição do ar, mas o progresso desacelerou globalmente em outros desafios e poucas nações estão no caminho certo para atingir metas de emissões líquidas zero de gases efeito estufa até 2050, considerando que a riqueza continua como maior indicador de sucesso refletindo quais países têm capital financeiro para investir em infraestrutura quanto o capital político para, como diz Wendling, “não apenas aprovar políticas eficazes mas implementá-las e ter cidadãos que responsabilizem formuladores de políticas”, daí, as classificações apontam à vários países que quebram o padrão com nações da África Subsariana, por exemplo, liderando na biodiversidade e proteção dos habitats enquanto os EUA ocupam o 27º lugar, abaixo da UE. Para concluir, Daniel Esty, professor Hillhouse de Direito e Política Ambiental e diretor do Centro de Direito e Política Ambiental de Yale, avisa que, “autoridades governamentais ao redor do mundo continuam dizendo quão valioso é o Índice de Desempenho Ambiental como guia à formulação de políticas, oferecendo ferramenta em fatos que destacam as melhores práticas em uma série de questões críticas."