O relatório, intitulado “Rangelands Rising: Investing in Sustainable Management and Restoration”, publicado em conjunto pelo ILRI, Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária, GIZ, Iniciativa de Economia da Degradação da Terra, UNCCD e IUCN, União Internacional à Conservação da Natureza lançado em paralelo à COP17 na Mongólia, esclarece que investidores poderiam gerar entre US$ 4 e US$ 6 à cada US$ 1 investido em restauração de pastagens, instando setor privado enxergar pastagens degradadas como oportunidade de investimento e não como projeto de caridade, quer dizer, a restauração de pastagens oferece aos investidores retornos de até 6 vezes. Mark Schauer, Oficial Sênior de Programa da GIZ e Abdrahmane Wane, Diretor Regional África Ocidental e Central, ILRI, defenderam aumento do investimento em restauração de pastagens na apresentação do relatório sobre investimento em pastagens na 17a sessão da Convenção da ONU ao Combate à Desertificação, UNCCD, COP17, Ulaanbaatar, Mongólia e, segundo eles, retornos econômicos da restauração de pastagens fornecem argumento comercial à governos, instituições de desenvolvimento e investidores privados comprometerem recursos no manejo sustentável de pastagens. O relatório argumenta, segundo investidores, que o sucesso da restauração deve ser medido não só pelo número de hectares restaurados ou pela quantidade de vegetação recuperada, mas, por melhorias nos meios de subsistência e resiliência de comunidades que dependem das pastagens, com um dos especialistas questionados dizendo que as descobertas demonstram que o setor tem lógica econômica clara. Abdrahmane Wane, Diretor Regional África Ocidental e Central, ILRI disse que “podem ser gerados entre US$ 4 e US$ 6 se investirmos US$ 1” explicando que a conclusão demonstra que o investimento na restauração de pastagens “não se trata apenas de caridade”, faz sentido do ponto de vista econômico, esclarecendo que o relatório se baseou em estudos de caso em diferentes partes do mundo, incluindo, Brasil, África Ocidental e Mongólia, para demonstrar como restauração proporcionaria benefícios ambientais e econômicos. Quer dizer, além de restaurar paisagens degradadas, esclarece que investimentos devem contribuir à ecossistemas saudáveis, rendimentos mais elevados diversificados e menor vulnerabilidade entre populações que vivem em pastagens, ambos disseram que a abordagem é importante porque pastores e comunidades acumularam conhecimento valioso sobre gestão de ecossistemas ao longo de gerações, com Wane observando que, “reconheça os guardiões da linha de frente como personalidades, porque vivem lá, durante gerações, têm pago para manter”. O relatório defende que investidores e decisores políticos reconheçam pastores não apenas como beneficiários de programas de restauração, mas como atores críticos na manutenção da produtividade das pastagens, por sua vez, Mark Schauer, Oficial Sênior de Programa da GIZ, disse que empresas cujas cadeias de valor dependem de pastagens têm incentivo direto para investir na restauração porque paisagens mais saudáveis reduzem riscos às suas operações, esclarecendo que, “se tem empresas que dependem das pastagens, investimentos em pastagens melhoradas estão diminuindo riscos para seus negócios” e conclui, “queremos que invistam na gestão sustentável de pastagens, na restauração, para manter cadeias de valor e sua linha de trabalho.” Por fim, reconheceram que o investimento privado por si só não pode abordar escala e complexidade da degradação das pastagens, sendo que direitos fundiários inseguros, governança fraca, marginalização dos pastores e elevados custos de transação podem tornar projetos de pastagens difíceis de financiar e dimensionar, apelando ao investimento público para reduzir riscos e criar condições que atraiam capital privado, nomeadamente através de financiamento misto. Enfim, as conclusões são relevantes à África, especialmente Nigéria/África Ocidental, onde populações dependem diretamente do pastoreio e outros meios de subsistência em pastagens, enquanto degradação, alterações climáticas e pressões sobre uso da terra ameaçam produtividade dos ecossistemas.
Lançada na reunião da UNCCD nova arquitetura global para resiliência à seca, cujas métricas de monitorização técnica permitirão países avaliar capacidade de antecipar, preparar-se e adaptar-se à seca, em meio a relatos que 3 em 4 pessoas no mundo devem enfrentar seca até 2050 e, a UNCCD, Convenção da ONU ao Combate à Desertificação, na 17a conferência, COP17, avançou arquitetura global à resiliência à seca apresentando o DRI, 1º Índice de Resiliência à Seca, lançando o DRFI, Fundo de Investimento em Resiliência à Seca buscando auxiliar países fortalecer resiliência. As métricas de monitorização técnica da DR permitem antecipar, preparar-se e adaptar-se, identificando vulnerabilidades, informando políticas e investimentos eficazes, sendo que o recurso de tecnologia IA auxilia formuladores de políticas, especialistas e público interpretar dados complexos e transformá-los em informações práticas, por outro lado, DRIF, 1ª plataforma global de financiamento catalisador dedicada à resiliência à seca utiliza capital público à reduzir riscos investimento e desbloquear fluxos de financiamento institucional e privado à projetos que fortaleçam segurança hídrica, agricultura sustentável, soluções na natureza além de restauração de terras. Yasmine Fouad, secretária executiva da UNCCD, disse que temos mecanismos de financiamento mais fortes, melhores ferramentas e orientações práticas à auxiliar países se prepararem à seca antes que se torne crise”, concluindo que, “a tarefa é conectar peças e colocá-las em prática em grande escala, através de governos, parceiros de desenvolvimento, instituições financeiras e setor privado”. Vale a nota que a Índia, representada e liderada pelo ministro do Meio Ambiente da União, Bhupende Yadav, na COP17, defendeu o fortalecimento da resiliência à seca apelando a mudança na abordagem global à seca, ou, de “ajuda reativa à resiliência proativa possibilitada pela tecnologia”, sublinhando que, a crença central indiana “deve ser gerenciada como risco previsível e evitável e não desastre recorrente que exija resposta de emergência”, concluiu, “preparação em vez de resposta, prevenção em vez de gerenciamento de crise, resiliência em vez de recuperação devem ser o objetivo.” Por fim, emergem os africanos na busca por desbloqueio financeiro à restauração de terras com, Louise Baker, Diretora do Mecanismo Global da UNCCD, dizendo que os governos africanos precisam ir além do financiamento 'projeto a projeto' e desenvolver programas de gestão ambiental viáveis, capazes de atrair investimentos públicos e privados. Afirmou que a África precisa transferir restauração de terras da categoria de ajuda humanitária à categoria de investimento, com programas de paisagem viáveis que fortaleçam a posse da terra, implementando instrumentos de compartilhamento de riscos e garantindo que agricultores e pastores se beneficiem dos mercados de carbono e outros mercados ambientais emergentes. Esclareceu que a questão não é onde encontrar um grande fundo, mas como transferir restauração da coluna da ajuda à coluna do investimento, sendo que predominam no momento a preparação de projetos, cuja restrição limitante não é o capital, mas, o fluxo de projetos, considerando que os bancos de desenvolvimento afirmaram isso no Dia das Finanças da UNCCD e que o apoio à preparação de projetos auxilia países acessar financiamento de instituições como o GEF, Fundo Global ao Meio Ambiente, o GFC, Fundo Verde ao Clima e bancos de desenvolvimento. Outra questão, segundo Louise Baker, são os instrumentos soberanos e estruturados, ou, trocas de dívida por natureza e títulos de desempenho ambiental reunindo diferentes financiadores em torno de um único programa nacional, além das alavancas de política interna, por vezes, mais eficazes, aí, incluem incentivos fiscais à restauração, pagamentos por serviços ecossistêmicos e redefinição de subsídios prejudiciais e, por fim, instrumentos de compartilhamento de risco, incluindo garantias, capital de 1ª perda e seguros em índices.
Moral da Nota: do mesmo modo que em outros fóruns ambientais, o financiamento foi ponto delicado na UNCCD, COP17, da Convenção da ONU contra a Desertificação na Mongólia com impasses sobre destino de recursos financeiros dos ricos aos pobres, em que despontam novos instrumentos buscando driblar paralisia política e viabilizar capital a partir do capital privado. O Fundo de Investimento à Resiliência à Seca, DRIF, é exemplo e, segundo o Capital Reset, tem meta de mobilizar US$ 400 milhões em investimentos privados à projetos de agricultura e gestão sustentável da água além de soluções baseadas na natureza às regiões afetadas pela seca, sendo a iniciativa criada em 2025 a partir de acordo entre o Secretariado da UNCCD e o governo de Luxemburgo em fundo que usa estrutura de financiamento mista na qual o dinheiro catalítico, filantrópico ou subsidiado, entra para reduzir custos ou mitigar riscos buscando atrair recursos privados em maior escala. O objetivo primordial do DRIF é captar US$ 40 milhões junto a governos a ser utilizado para cobrir primeiras perdas, ou, first-loss capital, com Luxemburgo o primeiro país destinar recursos ao fundo no valor de US$ 5 milhões de euros ou R$ 30 milhões, com mandato do fundo prevendo apoio a projetos de US$ 5 milhões a US$ 20 milhões ou R$ 25 milhões a R$ 100 milhões focado nos países do Sul Global vulneráveis à seca e à degradação do solo. Xavier Bettel, ministro de negócios estrangeiros de Luxemburgo, citado pelo portal Edie, explica que “ao reunir parceiros públicos e privados, o DRIF ajuda direcionar investimentos às soluções que reduzam vulnerabilidade e fortalecem resiliência de comunidades, economias e ecossistemas, proporcionando retornos ambientais, sociais e econômicos refletindo compromisso de construir resiliência antes que a seca se torne crise”. O relatório lançado em 26/8 na COP17 alerta que países insulares em desenvolvimento, SIDS, e Ásia Central sofrem pressões sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima com o GLO, Global Land Outlook, publicado pelo Secretariado da UNCCD, ressaltando impacto da crise climática, avanço da desertificação e degradação do solo ao redor do mundo, sendo que a Ásia Central considerada um dos epicentros da degradação do solo, mais de 80 milhões de hectares ou um quarto do território, estão degradados, ao mesmo tempo, aquece 2 vezes mais que a média global com geleiras encolhendo 30% em 50 anos. Por fim, os SIDS, ao todo, possuem mais de 18 milhões de hectares ou 16,5% do território total degradados em diferentes graus, mais de 70% das nações enfrentam escassez hídrica e 16,3 milhões de pessoas sofrem insegurança alimentar grave e, a oposição norte americana a acordo internacional sobre secas ameaçando inviabilizar qualquer entendimento entre os países, representa retrocesso em relação à COP16, há 2 anos, quando os países concordaram com a necessidade de instrumento internacional para facilitar enfrentamento das secas.