domingo, 4 de outubro de 2026

Recursos Hídricos

O Relatório sobre o Estado dos Recursos Hídricos Globais publicado pela OMM fornece atualização, particularmente quantitativa, sobre recursos hídricos globais, focado na variabilidade e tendências hidrológicas, em 5ª edição, analisa disponibilidade de água doce em fontes superficiais e subterrâneas, neve e gelo, vazão de rios, lagos, umidade do solo, águas subterrâneas e armazenamento terrestre combinado, sendo hoje avaliação anual mais abrangente em dados científicos de recursos hídricos em nível global e utiliza fontes de dados e variáveis combinando sensoriamento remoto e observações in loco. Compara o estado atual com dados históricos, analisa entre outros aspectos, variabilidade climática e impacto no ciclo hidrológico com mapas de eventos hidrológicos extremos como inundações e secas no mundo, resultado de consultas a instituições regionais e consultores hidrológicos utilizando centros globais de coleta de dados hidrológicos bem como consultoria de especialistas em subáreas como monitoramento de águas subterrâneas e umidade do solo. Possibilita análise retrospectiva das tendências emergentes sendo possível elaborar panorama semestral ou visão geral das tendências após 5 anos, por exemplo, condições de vazão, fluxo médio anual dos rios, constata que 2025 foi dos mais secos em vazão fluvial no mundo nos últimos 35 anos, 1991-2025, ou 36% de bacias hidrográficas apresentaram condições de vazão anual abaixo do normal, 21% de bacias hidrográficas  mostraram vazão acima do normal e, Bacias hidrográficas na América do Norte, no sudeste da América do Sul, no leste e centro da Europa e sudeste da Austrália apresentaram vazões fluviais abaixo ou muito abaixo da média e, globalmente, bacias hidrográficas com vazão normal diminuiram em relação às condições anteriores e, desde 2020, 34% a 38% das bacias hidrográficas apresentaram vazões médias anuais normais enquanto no período anterior, 1991 e 2020, 46% apresentavam condições normais. Quanto ao Armazenamento Terrestre de Água, ATA, categoria que refere-se a água doce armazenada na superfície e subsolo, águas subterrâneas, solo, rios, reservatórios, neve e gelo, houve queda no total refletindo diferentes problemas, como esgotamento das águas subterrâneas, redução da umidade do solo, queda dos níveis de lagos ou reservatórios, perda de neve e gelo glacial, constatando que o ATA mostra declínio desde 2014-2016, com área crescente experimentando condições abaixo do normal, quer dizer, o mundo perde água doce e ganha água do mar, entre 2002 e 2015, menos de 25% das bacias hidrográficas tinham condições de armazenamento abaixo da média, nos últimos 4 anos, 40% das bacias hidrográficas apresentaram condições de armazenamento abaixo da média. A Europa Central e Oriental aoresenta condições de água subterrânea abaixo do normal, níveis abaixo do normal em áreas como o centro dos EUA, partes do México, norte e centro do Chile, nordeste e centro-oeste do Brasil, norte da África do Sul, noroeste da Índia e partes do sul da Austrália apontam ao esgotamento cumulativo dos recursos subterrâneos e um único ano normal ou chuvoso pode não ser suficiente para reverter, destacando que, em 2025, os níveis de umidade do solo estavam abaixo ou muito abaixo dos níveis normais em quase toda a América do Sul, Norte da África, Europa Central e Oriental e Oriente Médio e a umidade do solo estava acima do normal na América do Norte, Índia e em grande parte da África Austral. Em 2025, a ETR, evapotranspiração real, perda combinada de água por evaporação do solo e vegetação e pela transpiração das plantas, afetou o Oriente Médio, Ásia Central, sudeste da Europa e Chifre da África, onde déficits continuaram no 2º semestre e, no Chifre da África, coincidiram com o desenvolvimento de seca, enquanto a ETR acima do normal se estendeu pela China, Índia e bacias hidrográficas do sul e sudeste da Ásia de março a maio até junho a agosto, persistindo localmente até setembro a novembro, na América do Sul registrou ETR abaixo do normal de dezembro a fevereiro e junho a agosto nas bacias dos rios Paraná e São Francisco, o sul da África passou de condições abaixo do normal no início do ano para ETR acima do normal a partir de março. Por fim, resume tendências de armazenamento de água terrestre como medida das mudanças no armazenamento de água em terra, ao constatar que níveis abaixo do normal de armazenamento de água terrestre persistiram no norte e sudoeste da América do Norte, Patagônia, Europa Oriental, Oriente Médio, Ásia Central, leste do Brasil, norte da Índia, partes do norte da Europa, Federação Russa, China e norte da África, dando continuidade ao padrão observado em 2024, em contrapartida, a África central e meridional apresentou condições de armazenamento de água terrestre acima do normal. 

O governador da Califórnia sancionou 7 projetos de lei para regulamentar centros de dados com medidas que exigem divulgação de informações sobre consumo de eletricidade e água, afirma que as leis fornecerão às comunidades mais informações sobre recursos que os centros de dados utilizariam para que avaliem melhor custos e benefícios econômicos dos projetos. Em comunicado, disse que, "as leis, garantem que população  mantenha controle e que aqueles que lucram com centros de dados não o façam às nossas custas", de acordo com as novas leis, grandes centros de dados devem arcar com parte dos custos de modernização da rede elétrica e cumprir exigências estaduais de aquisição de energia, em vez de repassar custos aos consumidores. Desenvolvedores de centros de dados devem informar aos governos e fornecedores de água sobre consumo previsto, sua origem e medidas que planejam implementar para conservar água em caso de seca, com o gabinete do governador indicando que centros de dados terão de arcar com custos de quaisquer melhorias na infraestrutura hídrica. A legislação exclui centros de dados de isenções dos requisitos de avaliação ambiental da Califórnia, sendo que os projetos podem se qualificar à processo acelerado se atenderem padrões estaduais de energia, água e combustível, com as medidas surgindo em meio à preocupação com impacto dos centros de dados na demanda de eletricidade, recursos hídricos e infraestrutura local, à medida que empresas de tecnologia competem para expandir capacidades IA. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, Riverside, do Instituto de Tecnologia de Rochester e do Caltech, informam que um grande centro de dados que utiliza resfriamento evaporativo pode consumir mais de um milhão de galões de água/dia no pico de demanda no verão, com a Data Center Coalition, associação comercial do setor, dizendo que estão comprometidos com desenvolvimento responsável alertando que as medidas podem deslocar projetos à outros estados. Khara Boender, diretora de assuntos governamentais do grupo, disse que "a legislação cria incerteza e introduz requisitos potencialmente duplicados que tornam a atividade empresarial na Califórnia uma proposta pouco atraente à centros de dados e outros setores" e, conclui, "a medidas limitarão o desenvolvimento de centros de dados na Califórnia, um mercado em declínio, transferindo criação de empregos, implantação de energia limpa e arrecadação de impostos aos estados vizinhos." O governador Greg Abbott, ordenou à Comissão de Qualidade Ambiental do Texas que suspendesse pedidos de licença de centros de dados como parte dos esforços do estado para fazer cumprir padrões à tais instalações, sendo que a suspensão vigorará até que Conselho de Confiabilidade Elétrica do Texas e Conselho de Desenvolvimento de Recursos Hídricos do Texas concluam as auditorias. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, assinou ordem executiva determinando moratória estadual à construção de grandes centros de dados, primeiro estado do país suspender a construção de fazendas de servidores.

Moral da Nota: a rede elétrica chinesa apesar de liderar na expansão de energia renovável, é a maior emissora do gás efeito estufa mais potente do planeta, ou, o hexafluoreto de enxofre, SF6, produto químico sintético que desempenha papel crítico como isolante elétrico em equipamentos de alta tensão, gás inodoro, invisível, não tóxico e não inflamável, no entanto, 24.300 vezes mais eficaz no aquecimento do planeta que o CO2, quer dizer, o hexafluoreto de enxofre permanece na atmosfera por mil anos. As emissões oriundas do setor elétrico onde o gás é usado em disjuntores e equipamentos de alta tensão para evitar formação de arcos elétricos, o SF6 serve como suporte à qualquer rede elétrica moderna garantindo que a eletricidade flua somente quando e onde for necessária, entretanto, quando o equipamento elétrico  chega ao fim da vida útil, grande parte do gás é expelido à atmosfera. Em 2014, o governo chinês foi alertado que o SF6 representa “ameaça potencial ao ambiente global”, suas emissões continuam não regulamentadas com o Ministério da Ecologia e Meio Ambiente, MEE, declarando que concessionárias de energia elétrica chinesas reciclam ou têm capacidade de reciclar 90 % dos resíduos de gás SF6, a custo baixo à redução nas emissões de gases efeito estufa. Por fim, as emissões chinesas quase dobraram de 2011 a 2021 com projeção que continue aumentando, em 2021, o ano mais recente com dados disponíveis, a China liberou 5.100 toneladas métricas de SF6 equivalente às emissões anuais de gases efeito estufa de 29 milhões de automóveis movidos a gás, sendo que em 2025 houve o maior aumento anual nas concentrações atmosféricas globais de SF6 desde que os registros começaram em 1998, sugerindo que as emissões chinesas estão aumentando.


sábado, 3 de outubro de 2026

Metano

Cortes nas emissões de metano são necessários à manter o aquecimento global "abaixo" de 2°C, considerando que o metano é gás efeito estufa e 2º maior contribuinte ao aquecimento global, depois do CO2, valendo considerar que retém calor na atmosfera de modo mais eficiente que o CO2, no entanto, tem vida útil significativamente mais curta desaparecendo pós algumas décadas. Reduzir emissões de metano, gás produzido na agricultura, combustíveis fósseis e gestão de resíduos é opção para limitar aquecimento a curto prazo, sendo que estratégias e modelos climáticos se concentram no CO2 ou combinam gases efeito estufa em única métrica conhecida como "equivalente de CO2", abordagem que torna a redução das emissões de metano dependente de escolhas de modelagem e suposições sobre “equivalência” entre metano e CO2, ocultando oportunidades e desafios ao elevado potencial de aquecimento e à curta vida útil do metano. Estudo publicado na Communications Earth Environment oferece perspectiva que "desacopla" a redução de CO2 e metano e toma limites do aquecimento global como ponto de partida na determinação do nível necessário de cortes de metano, mesmo sob metas de emissões líquidas zero ambiciosas, a ausência de redução de metano leva a pico de aquecimento que excede 1,85°C acima de níveis pré-industriais. Destaca que, para limitar o pico de aquecimento a menos de 2°C, as metas de emissões líquidas zero de CO2 devem ser complementadas por cortes nas emissões de metano, além de considerar metano e CO2 com diferentes tempos de vida atmosférica e propriedades de aquecimento, qualquer conversão só é válida em horizonte temporal e linha de base escolhidos. Premissas utilizadas nos cálculos como mitigação do metano  vistas como prioridade ou algo desnecessário, existindo métricas que os cientistas utilizam para converter gases efeito estufa, sejam metano, hidrofluorocarbonos ou óxido nitroso, NO, em emissões equivalentes de CO2, daí, o “GWP20” mede a quantidade de calor que um gás efeito estufa retém na atmosfera ao longo de período de 20 anos em relação ao CO2. Enfatiza necessidade de mitigação do metano, criticada por desconsiderar danos futuros, analisando horizonte temporal de 100 anos, dando mais peso ao aquecimento a longo prazo usado em “modelos de avaliação integrada”, IAMs, utilizados por cientistas em relatórios de emissões à ONU e Protocolo de Gases Efeito Estufa, GEE, usado por empresas. Por fim, o conceito de “Potencial de Aquecimento Global” considera taxa de emissões, sobre aquecimento ao longo de horizonte temporal fixo e, segundo conceito de “Potencial de Aquecimento Global”, reduções limitadas de metano levam as emissões equivalentes de CO2 a zero, significando emissões de metano restantes podem ser consideradas como causando “aquecimento adicional”, interpretação controversa, pois, pressupõe continuidade dos níveis históricos de aquecimento. Os Modelos Integrados de Avaliação, IAMs, são ferramentas utilizadas para gerar cenários futuros de emissões, como combinam emissões de CO2 e metano, sendo que o impacto da redução das emissões de metano isoladamente é difícil avaliar nos cenários de emissões existentes. O relatório de 2021 do IPCC sobre ciência climática e estudo da Nature de 2023 estima que até 2025, o orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento a 2°C seria de 1.000 a 1.150 bilhões de toneladas de CO2, GtCO2, na premissa de reduções de metano de 27 a 35% até 2050 em relação à linha de base de 2020, estudo de 2024 da Communications Earth & Environment chega a conclusões semelhantes. Caso as emissões de metano não forem reduzidas no futuro, descobertas sugerem que o orçamento de carbono restante ao aquecimento global de 1,7°C, já foi, na prática, esgotado, mostrando como o pico do aquecimento depende da redução tanto de CO2 quanto de metano e como metas específicas ao metano ajudam refinar metas de emissões líquidas zero existentes.

O governo norte americano afrouxa restrições ambientais aos poços de petróleo e gás que produzem muito pouca energia, mas, libertam grandes quantidades de metano, gás efeito estufa altamente potente, quer dizer, a EPA, Agência de Proteção Ambiental dos EUA propõe enfraquecer requisitos às inspeções de vazamentos e atualizações de equipamentos em mais de 700 mil poços de baixa produção “stripper”, conforme projeto de regressão enviado e revisado pela Casa Branca, poços que, tendem ser antigos, mal conservados e propensos a fugas, produzindo 6% do petróleo e gás natural dos EUA, mas respondendo por metade da poluição por metano do setor conforme mostram estudos. A EPA reconhece números no projeto, mas afirma que o custo do cumprimento das regulamentações existentes forçaria encerramento dos poços de menor produção e isso era “irracional” embora eliminasse apenas 0,4% dos EUA da produção de petróleo e gás, conforme estimativa da indústria, considera que a proposta enfraqueceria controles de metano na indústria petrolífera em geral economizando US$ 42 bilhões às empresas até 2050, sendo que, memorando anexo diz que reversão “liberará” a energia americana. Ambientalistas disseram que a desregulamentação dos poços de extração fará pouco para aumentar a produção de energia e, ao mesmo tempo, significativamente aumenta a poluição climática, com Darin Schroeder, da Força-Tarefa Ar Limpo, grupo de defesa do clima, esclarece que, “não se trata de domínio energético” e, conclui,  “trata-se de encher os bolsos dos operadores de petróleo e gás e sobrecarregar a sociedade com custos.” Campanha da indústria petrolífera que antes era discreta e ganhou influência, diz que mudanças propostas são ápice, no rascunho, a EPA disse que desregulamentando poços stripper, definidos como produtores de 15 barris/dia, responde a petições da Independent Petroleum Association of America e da National Stripper Well Association, entre, outros grupos. Por fim, as regras agora revogadas são componente da agenda climática do governo anterior que teria reduzido a poluição por metano da indústria petrolífera em 80%, segundo a EPA na época, dado que o metano se decompõe de modo rápido em alguns anos, a redução destas emissões é um dos modos conhecidos de reduzir o aquecimento global sendo que o gás, segundo o PNUMA, responde por um terço do aumento das temperaturas desde a Revolução Industrial e, como principal componente do gás natural, as regras teriam evitado que energia útil fosse perdida à atmosfera na forma de vazamentos e outras liberações, no total, a EPA do governo anterior avaliou os benefícios das regras’, clima, saúde e energia, em mais de US$ 7 bilhões/ano, mesmo contabilizando aumento de custos conformidade, enquanto a EPA do governo atual não incluiu cálculos dos impactos ambientais e de saúde na nova proposta e, se entrar em vigor, grande parte do benefício público evaporará enquanto produtores de petróleo e gás verão lucros maiores.

Moral da Nota: a Justiça do Trabalho, 7ª Vara do Trabalho de Brasília, por conta de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho, MPT, determinou suspensão por 90 dias de registros e autorizações de agrotóxicos à base de glifosato e derivados, sendo a medida preventiva considerando possíveis riscos à saúde dos trabalhadores e ao ambiente, dentre impactos apontados pelo MPT estão contaminação da água, lençóis freáticos e solo, além de efeitos na saúde humana. Trata-se de ingrediente ativo mais comercializado no Brasil, respondendo, ao lado dos derivados, por 32% do mercado nacional de agrotóxicos que movimentou R$ 98,7 bilhões no biênio 2024/2025, conforme dados citados na decisão, sendo que a Justiça determina o IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que apresente avaliações ambientais e mapas de risco relativos ao glifosato, deverá informar sobre reavaliação ambiental do pesticida e elaborar relatório sobre impactos de eventual retirada do mercado, incluindo, recolhimento, armazenamento e descarte. A ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, deve analisar irregularidades nas bulas de produtos à base de glifosato, caso ocorram, e, informar em até 20 dias, providências, valendo a nota que, a suspensão não afeta produtos que possuem registro e autorização e o pedido do MPT para cancelar registros existentes e proibir no país sua utilização ainda será analisado no decorrer da ação.