quarta-feira, 29 de julho de 2026

Ação Local

Estudo demonstra 1ª análise comparativa da contaminação por microplásticos na fauna endêmica de cloaca nos oceanos Pacífico sudoeste e Índico, detectou a maioria das espécies, média de 3,42 ± 3,23 partículas/indivíduo e o poliestireno fragmentado foi o polímero dominante, 56,10%, seguido pela acrilonitrila, 19,51% e polietileno, 17,07%. Os caracóis exibiram maior acúmulo de micrplásticos em órgãos internos devido ao comportamentos de pastoreio, enquanto mexilhões mostraram distribuição mais uniforme entre os tecidos, ao passo que, a abundância de microplaśticos em espécies do Oceano Índico foi 1,9 vezes maior do que em espécies do Oceano Pacífico, apesar dos últimos serem 4 vezes maiores refletindo pressões antropogênicas. Anualmente são produzidos mais de 460 milhões de toneladas de plástico com 19 milhões de toneladas descartados no ambiente, número, que deve triplicar até 2060 enquanto poluição plástica representa perda de US$ 4,5 trilhões de oportunidade em  impulsionar valor material e ineficiências ao longo do ciclo de vida do material. Países diversificados já demonstram como é possível alcançar progresso em direção a economia circular relacionada aos plásticos descartados, contribuindo às emissões de gases efeito estufa prejudicando biodiversidade e afetando meios de subsistência e saúde pública. Caso persistam tendências atuais o uso global de plástico triplicará  enquanto transição à economia circular relativa aos plásticos torna-se imperativo econômico, ambiental e estratégico, considerando encontro na Semana de Ação Climática de Londres, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas na Turquia e a próxima fase das negociações do Tratado Global sobre Plásticos, há reconhecimento  que a construção de economia circular aos plásticos exige transformação. A poluição plástica é falha sistêmica impulsionada por ineficiências no ciclo de vida do material, produção, design ao uso e reciclagem, ao passo que tratar o plástico apenas como resíduo ignora dimensão econômica mais ampla, ou, a perda de valor material, aumento dos custos do sistema e crescente pressão sobre recursos naturais, juntos, são oportunidade econômica perdida de US$ 4,5 trilhões. A poluição plástica é desafio e a ambição internacional desempenhou papel em colocar o tema na agenda global, sendo que o próximo desafio é traduzir tal ambição em ações coordenadas, investimentos e mudanças sistêmicas, ou, olhar além da gestão do fim da vida útil e repensar modelos de consumo modernos, design de produtos, quadros políticos e sistemas de retenção de valor que ajudem criar economia autossustentável circular. O Tratado Global sobre Plásticos, não concluído, desperta continuidade daquilo que funciona na prática, com países demonstrando ser possível alcançar progressos hoje, mesmo com negociações em andamento, experiências que oferecem lições à próxima fase do tratado e mostram como esforços nacionais contribuem à ação global. Em vários países e cadeias de valor, governos, empresas e comunidades fortalecem sistemas de coleta, aprimoram infraestrutura de reciclagem e redesenham à circularidade, na África, por exemplo, a ausência de normas harmonizadas aos plásticos reciclados de grau alimentício retardam investimento e inovação, daí, colaboração entre a ARSO, Organização Africana de Normalização, a ACEA, Aliança Africana à Economia Circular, União Africana, PNUMA, Programa da ONU ao Meio Ambiente e a Circularium Africa Advisory levou à criação da rPET, Norma Africana à Polietileno Tereftalato Reciclado para Contato com Alimentos estabelecendo requisitos comuns de teste e segurança, desbloqueando investimentos, apoiando comércio regional e acelerando circularidade. Por fim, nas Filipinas, que gera 163 milhões de sachês plásticos flexíveis por dia e perde anualmente US$ 890 milhões em materiais recicláveis, grupo de trabalho sobre reciclagem de plásticos reunindo governo, empresas, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento, apoia tecnologias de reciclagem, fortalece sistemas de coleta e promove abordagem da cadeia de valor incluindo reciclagem de materiais à consumo humano. Em suma, em toda a rede da Parceria Global de Ação contra o Plástico do Fórum Econômico Mundial, 25 países desenvolvem Roteiros Nacionais de Ação contra o Plástico adaptados aos contextos nacionais buscando aprimorar sistemas de gestão de resíduos e design de produtos, fortalecer mercados de materiais reciclados, atrair investimentos, criar empregos e reduzir poluição.

A demanda global por eletricidade crescerá mais que em 2025, mesmo com sistemas de energia enfrentando turbulências no mercado e volatilidade de preços devido a guerra e, apesar do aumento do uso do carvão à geração elétrica, no lugar do gás que teve oferta estrangulada e preço elevado pelo conflito, as renováveis estão a caminho de se tornarem a maior fonte de produção de eletricidade do mundo. A AIE publicou o relatório Electricity 2026 dizendo que indústria, EVs, ar condicionado e data centers continuam impulsionar aumentos no consumo global de eletricidade indicando que a demanda global crescerá 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027 aumento em relação ao crescimento de 3% em 2025, que o consumo global de energia elétrica atingirá 30,7 mil terawatts-hora, TWh, em 2027, comparados com 28,6 mil TWh em 2025. As interrupções no fluxo de gás liquefeito, GNL, pelo Estreito de Ormuz levaram os preços do combustível fóssil na Ásia e Europa a níveis mais altos desde a crise energética de 2022-23 com a guerra na Ucrânia, o que provocou adoção de medidas emergenciais para restringir o consumo de energia em algumas regiões. Em sua maioria, segundo a AIE, os sistemas de energia resistem a impactos da crise, no entanto, picos nos preços do gás levaram sua substituição pelo carvão em países asiáticos e europeus, com isso, a geração a carvão aumentará 1,4% em 2026 pós  estabilidade em 2025, por sua vez, o aumento da geração de energia a partir de renováveis contribuiu à diversificação do fornecimento em muitos países reforçando  segurança energética auxiliando amortecer impactos de preços do petróleo e gás, assim, renováveis caminham a se tornarem maior fonte de geração de eletricidade em 2026, ultrapassando carvão pós atingirem quase paridade em 2025 e, que,renovável, crescerá mais de 8% em 2026 e aumentará participação na geração global de 33% em 2025 à 37% em 2027. Energia solar lidera crescimento da oferta devendo crescer nos próximos 2 anos, ultrapassando eólica em 2026 e tornando-se a 2ª maior fonte de geração de renovável do mundo depois da hidrelétrica, segundo a AIE, a produção global solar fotovoltaica aumentará de 600 TWh em 2026 igualando crescimento anual recorde em 2025, expandindo em 2027. Vale dizer que, dados da Administração de Informação Energética dos EUA, EIA, analisados ​​pela SUN DAY, revelam crescimento de 10% na geração de energia elétrica por renováveis ​​nos primeiros 5 meses de 2026, além de, energia solar, eólica e armazenamento em baterias adicionarem 83,0 gigawatts, GW, de capacidade de geração nos EUA até 31 de maio de 2027, enquanto a capacidade total de geração de energia a partir de fósseis e nuclear cairá em 4,7 GW, sendo que o crescimento foi impulsionado pela energia solar em escala de utilidade pública, 12,8%, hidrelétrica, aumento de 10,8% e eólica, 4,8%. A combinação das renováveis incluindo biomassa e geotérmica, representou 30,3% da geração total de eletricidade nos EUA nos primeiros meses de 2026, aumento em relação aos 28,2% de 2025 considerando que ao longo de 2025, a capacidade renovável aumentou em quase 45 mil MW, entre 1º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, a capacidade instalada solar em escala de utilidade pública aumentou em 27.995,1 MW, a de energia solar e eólica em pequena escala cresceu 6.664,3 MW e 10.252,6 MW, respectivamente e a capacidade das fontes renováveis ​​em hidrelétrica, biomassa e geotérmica expandiu à 44.711,8 MW. Para concluir, a capacidade de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentou em 16.551,8 MW e comparados a capacidade de geração a carvão caiu 2.235,6 MW, enquanto a capacidade nuclear diminuiu 27,6 MW, no entanto, a capacidade de geração a gás natural aumentou 6.289,0 MW. A energia solar de pequena escala cresceu 6.664,3 MW em 2025, elevando à 62.088,6 MW, sendo que a  EIA não fornece previsão aos próximos 12 meses do crescimento da capacidade solar de pequena escala, mas, a SUN DAY assume que será igual à de 2025 ou, seja, adicional de 6 mil MW ou mais, prevendo que em 2027 a capacidade instalada renovável chegará a 542.096,3 MW, colocando a participação solar total em 20,3% da capacidade total norte americana. OBS: SUN DAY Campaign é organização sem fins lucrativos de pesquisa e educação, fundada em 1992, apoia transição à tecnologias sustentável como alternativa viável à energia nuclear e a combustíveis fósseis como solução às mudanças climáticas.

Moral da Nota: a 11ª edição do Global Payments Report mapeou pagamentos em 42 países, colocando o Pix na liderança da transformação digital no Brasil, considerando que dinheiro em espécie representa 12% das transações nacional enquanto 96% dos brasileiros estão bancarizados com, o Pix, o motivo. Descrito pelo relatório como motor da transformação digital e responsável pela bancarização levando ao acesso a serviços financeiros 96,4% da população, dados do Banco Central, além de dominar o e-commerce e pontos de venda, o cartão de crédito mantém força e o dinheiro em espécie não saiu de cena. Considerando que o sisteme em 2025 respondeu por 38% do e-commerce e 34% do volume de transações nos pontos de venda, coloca o Brasil entre mercados mais avançados em pagamentos instantâneos, conta a conta, A2A, além do fato que o cartão em 2025 representou 40% de participação no e-commerce beneficiado pela cultura de parcelamento que amplia poder de compra, diferencial que sistemas de pagamento instantâneo não replicam de forma generalizada. O relatório mostra América Latina heterogênea com maior uso de dinheiro em espécie em pontos de venda em 2025, forte no México, 40%, Colômbia, 32%, e, Peru, 30%, o, Brasil, 12%, Chile, 16% e Argentina, 17%, mais próximos da média global. Por fim, vale dizer que o QR Code está em ascensão no Peru via Yape, Colômbia via Nequi e Argentina via Mercado Pago que compartilham a característica, ou, aplicativos com base de usuários consolidada que usam QR como interface principal de pagamento. Quanto ao PIX, se expande na Argentina, o, Transferências 3.0 representa 15% do e-commerce e 10% do volume nos pontos de venda, a Colômbia lançou em 2025 o sistema de pagamentos instantâneos, o Bre-B, mesmo caminho. Para concluir, nota sobre a Nigéria entre os maiores índices de uso de transferências conta a conta do mundo e projeção que lidere até 2030 com 50% do valor transacionado online e 36% do valor nos pontos de venda e, no Reino Unido, as carteiras digitais são 40% do valor transacionado e desbloqueam 453 bilhões de libras em gastos adicionais até 2030, adoção da Geração Z a aposentados.

domingo, 26 de julho de 2026

O Aço

A China desenvolve hidrogênio buscando dar passos em direção a aço mais limpo através do plano quinquenal e projeto-piloto sinalizando que o país leva a sério o hidrogênio verde com a siderurgia entre os setores beneficiados, em que painel de aço enaltece produção em hidrogênio na fábrica do Hebei Iron & Steel Group em Zhangjiakou, província de Hebei, cuja instalação é pioneira buscando produzir aço à base de hidrogênio. Descrito pelo governo chinês como de “grande importância” à transição nacional, o hidrogênio está na pauta de adoção em setores intensivos em carbono enfrentado obstáculos de custo e logística, no entanto, impulso político  encoraja o hidrogênio “verde” produzido através de renováveis cujo objetivo é desenvolver a indústria chinesa de hidrogênio e impulsionar seu uso inclusive na  siderurgia nacional. Programa piloto lançado por 3 Ministérios governamentais recompensará 5 agrupamentos urbanos por perseguirem e alcançarem metas em matéria de hidrogênio, estando no foco incentivo à projetos “que promovam transição industrial siderúrgica” e utilizem fontes de baixo carbono, ou, hidrogênio verde, visto como insumo crítico à redução das emissões da produção de aço como combustível de baixo carbono ao processamento de minério de ferro que convencionalmente ocorre em altos-fornos movidos a carvão, ou, utilizando gás natural, no entanto, número limitado de instalações limpas produz aço em escala comercial na China e a nível mundial. Anunciado na sequência do 15º Plano Quinquenal, o plano econômico chinês à 2026/2030 enfatiza ambições de prosseguir o hidrogênio como nova fonte de energia e “indústria do futuro" e, à medida, que impulso ao hidrogênio é lançado e autoridades descrevem como potencial “ponto de inflexão” no setor, considerando que, desde o lançamento em 2022 do 1º plano de longo prazo ao hidrogênio da China, 2021-2035, o gás tornou-se parte estratégica da agenda de descarbonização industrial chinesa.

A nova política de hidrogênio lançada foi descrita como “versão 2.0 expandida” de programa anterior de agrupamento de cidades lançado em 2021 e centrado na utilização em veículos com células de combustível, no entanto, agrupamentos piloto de cidades ao abrigo da política de 2021 receberam US$ 719 milhões em prêmios do governo ao longo de 3 anos, lembrando que a China apoia financeiramente o desenvolvimento de veículos movidos a células de combustível como parte do impulso em direção aos veículos elétricos. A nova política focada nas células de combustível e buscando expandir utilização industrial do hidrogênio inclui siderurgia e metalurgia, amoníaco e metanol verdes, transporte marítimo e aviação, daí, veículos movidos a células de combustível são foco de políticas anteriores visando mudança mais ampla da China à veículos elétricos. A chefe chinesa no think tank Transition Asia, disse que último programa é “iniciativa boa” ao aço, complementa que,“ao contrário dos transportes que utilizam baterias e outras abordagens, o aço e produtos químicos têm opções limitadas de descarbonização”, acrescentando que, são setores “que necessitam  hidrogênio verde”. Comparados aos US$ 5 bilhões de subsídios entre 2016 e 2020 na indústria de veículos elétricos chinesa, a ambição ao hidrogênio é menor, ou,US$ 1,17 bilhão e, no total de US$ 232 milhões por cluster urbano, serão emitidos nos próximos 4 anos à projetos de hidrogênio, com o analista chinês especializado em aço no Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo esclarecendo que subsídios menores refletem a “natureza mais complexa do hidrogênio”, uma vez que gama mais ampla de aplicações que veículos elétricos, ao passo que, “abordagem de ‘tamanho único’” ou “apostar tudo como acontece com energia solar ou veículos elétricos” é impraticável.

Moral da Nota: analistas asiáticos preveem que o maior desafio à sua implantação é que o hidrogênio “ainda é caro”, sendo que a política busca reduzir o preço de utilização final dos níveis atuais de ~USD 5 à USD$ 0,28 até 2030, com algumas “regiões vantajosas” ou aquelas com elevado potencial renovável tentando reduzir o preço à  0,4 US$/kg, sendo que o custo da produção de hidrogênio verde na China é atualmente de 0,32-0,14 US$/kg, sendo os preços ao utilizador final mais elevados devido fatores como custos de transporte. Daí, US$ 0,28, é suficiente à metalurgia a base de hidrogênio que precisa de custo de 0,68/0,45 US$/kg, por fim, vale dizer que, “ainda é política orientada por pilotos e não um plano de implementação comercial no mercado” e a ênfase do programa é na regulamentação como “mais adequada às condições nacionais chinesas” que abordagens que outros mercados possam adotar, com o Banco Europeu do Hidrogênio, por exemplo, apoiando projetos de hidrogênio de base renovável através de leilões competitivos, enquanto os EUA oferecem impostos.