segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Rios, Mares e Clima

Mudanças climáticas, segundo a ciência, reduzem o oxigênio dos rios no mundo, ou, o aquecimento global faz com que os rios percam oxigênio ameaçando peixes e demais formas de vida aquática, com pesquisadores chineses utilizando satélites e IA buscando rastrear e analisar níveis de oxigênio em 21 mil rios desde 1985. Notaram que os níveis de oxigênio caíram em média, 2,1% desde 1985, conforme estudo publicado na Science Advances, cujo impacto é cumulativo e, caso continue ou se intensifique, rios do leste norte americano, Índia e região tropical deverão perder oxigênio suficiente até fins do século sufocando peixes e criando zonas mortas. O estudo utiliza princípios básicos de química e física dizendo que a água mais quente retém menos oxigênio e, devido mudanças climáticas causadas pelo homem, libera mais oxigênio na atmosfera e, se a taxa de perda de oxigênio continuar no atual ritmo, os rios perderão, em média, 4% de oxigênio até fins do século e, em alguns casos, perto de 5%. A desoxigenação fluvial é problemática aos peixes e humanos que dependem dos rios, conforme o autor principal do estudo, Qi Guan, cientista ambiental da Academia Chinesa de Ciências em Nanjing, temendo que níveis fluviais de oxigênio caiam a ponto de criar zonas mortas como no Golfo do México, Baía de Chesapeake e Lago Erie. Por fim, Karl Flessa, geocientista da Universidade do Arizona, que não participou do estudo, diz que a perda de oxigênio nos rios significa "futuro com mais zonas mortas malcheirosas,hipóxia, especialmente nas ondas de calor", com o estudo afirmando que  no início deste século, o Ganges na Índia perdia oxigênio 20 vezes mais rápido que a média global, prevendo que rios no leste dos EUA, Ártico, Índia e grande parte da América do Sul percam 10% do oxigênio até fins do século. Vale notar que estudo realizado em 2025 por Marc Bierkens, da Universidade de Utrecht, Holanda, alerta que rios tropicais como o Amazonas, Brasil, desde 1980, o número de dias com zonas mortas aumentou em 16 dias/década e, que, o estresse de oxigênio fluvial no mundo aumentou em 13 dias a cada década e a ocorrência de zonas mortas aumentou em 3 dias/década desde 1980. 

Relatório de monitoramento nacional dos Ministérios de Israel, denota quadro marítimo ameaçado por mudanças climáticas com espécies invasora assumindo controle ao coletaram amostras como parte do programa nacional de monitoramento de 2024, ou, Pesquisa Oceanográfica e Limnológica de Israel. Mudanças climáticas globais e atividade humana, segundo cientistas israelenses, aquecem o Mar Mediterrâneo Oriental tornando-o mais salgado e mais ácido, mais rapidamente que a média global, alterando a ecologia regional, conforme o último relatório nacional anual de monitoramento realizado em nome dos ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel. O relatório avalia que a camada superior do mar aquece anualmente 0,05°C, alinhando-se as projeções do IPCC da ONU e, de 1992 a 2024, o mar subiu 15 cm a taxa de 4,7 mms/ano, aumento, mais rápido que a média global de 3,4 mms/ano, elevando risco de inundações costeiras nas tempestades. Já, a acidificação da água do mar impede espécies como amêijoas e corais de construírem esqueletos que utilizam carbonato de cálcio transformando o mar de um reservatório de carbono em fonte de carbono, alimentando a crise climática e riscos de eventos climáticos extremos, entretanto, a identidade nativa do Mediterrâneo está sendo apagada pela invasão tropical, ou, espécies exóticas do Mar Vermelho representando 68% da fauna a 40 metros de profundidade e 55% a 80 metros ou mais, com Peixes-leão venenosos e ouriços-do-mar de espinhos longos, proliferando, antes exclusivos de Eilat, enquanto algas tóxicas proliferam nas praias do norte. Por fim, pelo 2º ano consecutivo, espécies locais populares como o salmonete e o sargo-listrado estiveram ausentes das redes de monitoramento por não conseguirem sobreviver ao aquecimento das águas.

Moral da Nota: 75% dos peixes analisados ​​em 2024, ano abrangido pelo relatório israelense, excederam o padrão europeu de mercúrio para consumo, entre eles, o sargo-branco e o peixe-soldado, embora em andamento a limpeza do antigo complexo da Electrochemical Industries em Acre, enquanto a recuperação das águas subterrâneas não começou significando que a contaminação persistirá por anos, considerando ainda que, riachos costeiros contêm concentrações altas de fertilizantes e esgoto e sofrem com mortandade de peixes quando escoamento de fertilizantes desencadeia proliferação de algas microscópicas que consomem o oxigênio disponível. Na marina de Tel Aviv, porto de HaYovel, sul de Ashdod, e riacho Lachish, que deságua no mar em Ashdod, por razões que os pesquisadores não conseguem explicar, os níveis de arsênio aumentaram drasticamente além da poluição simultânea por prata no porto de Haifa e marinas da região central de Hadera e Herzliya. Para concluir, o plástico continua nas praias como principal poluente, com 9 das 10 tartarugas marinhas examinadas apresentando plástico no organismo e mais de 100 itens individuais recuperados nos seus tratos digestivos e, ao contrário do Mediterrâneo onde resíduos são compostos por 90% de sacolas e embalagens plásticas, os resíduos do fundo do mar em Eilat, Mar Vermelho, sul de Israel, consistem de equipamentos de pesca e navegação, como estruturas metálicas, cordas e pesos de concreto, com CEO do Instituto Israelense de Pesquisa Oceanográfica e Limnológica, que realizou o levantamento para os Ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel, concluindo que, “em era de mudanças climáticas e pressões humanas, o investimento em monitoramento científico contínuo é necessário para manter resiliência do ambiente marinho.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Constatação

IA entra em fase "desafiadora" com período volátil de mudanças com a realidade econômica limitando ambições e mercados separando vencedores de vencidos, já que, o boom nos investimentos, aceleração da competição e retraimento estratégico eliminam riqueza e expansão do setor. O retorno do capital enfrenta pressão em apresentar desempenho com investidores cautelosos, direcionando portfólios à empresas focados na lucratividade, conforme indicam fatos recentes, considerando que a dimensão da transição se evidencia entre hiperescaladores como a Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta investindo US$ 700 bilhões de capital em 2026. Relatórios de resultados mostram que a Meta divulgou previsão ruim de receita, dificuldades em comprovar capacidade de monetizar IA, a Microsoft reportou receita recorde em nuvem reforçando tendência do "investimento IA" com analistas estimando entre US$ 4 trilhões e US$ 8 trilhões serão investidos em infraestrutura IA nos 5 anos que virão, possivelmente o maior ciclo de investimentos da história. A ChangXin Memory Technologies, fabricante de chips, valorizou 470% em estreia na bolsa de Xangai, maior IPO do país desde 2010, sendo que 6 startups chinesas IA se preparam para lançar IPOs até 2027, com a Moonshot AI concluindo rodada de captação de recursos que avaliou a empresa em US$ 35 bilhões e, a ByteDance, explora emissão de títulos de US$ 20 bilhões. Essas iniciativas sinalizam realocação de capital chinês do setor imobiliário à manufatura avançada, infraestrutura de computação e IA, com as maiores empresas de capital aberto do mundo, plataformas IA e provedores de infraestrutura que as alimentam, representando parcelas maiores da capitalização do mercado de ações, enquanto nos EUA, empresas IA representam recorde de 45% do valor do S&P 500, tornando mercados mais dependentes de poucas empresas. O caso chinês remete a IA representando 10% da capitalização de mercado global IA, embora gerem 16% da receita do setor, segundo o Goldman Sachs, sugerindo subvalorização em relação aos concorrentes americanos, as empresas de tecnologia compõem mais de 30% do mercado de ações chinês evidenciando raízes IA ​​na economia. Por fim, consequências se espalham pelos mercados de capitais globais, remodelando concorrência e intensificando rivalidade entre EUA e China, daí, correção severa pode ser mais prejudicial que recessões pela maior exposição a ações, nos alerta o BIS, Banco de Compensações Internacionais, quer dizer, mercados de crédito se preocupam, caso do Alphabet evidenciando caixa livre negativo em 22 anos. Estimativas sugerem que a receita com IA precisa atingir US$ 2,5 trilhões/ano para recuperar o investimento inicial, mais que toda receita combinada do setor atualmente, com ameaças à segurança cibernética e taxas de falha IA ​​aumentando os riscos, associado a modelos chineses disponíveis a preços até 90% menores que as ofertas americanas comparáveis, daí, o paradoxo da fase difícil em que criadores têm mais dificuldade em manter lucros, mesmo quando a tecnologia é mais valiosa aos   que a utilizam para reinventarem indústrias.

Nesta trilha, a OMS recomenda regulamentação IA ​​na saúde antes de ocorrer danos irreversíveis, com Hans Henri P. Kluge, Diretor Regional da OMS Europa, iniciando discurso em Lisboa com um único número, 8%, proporção de países na Região Europeia da OMS que possuem estratégia IA na saúde enquanto quase dois terços utilizam IA em diagnóstico e metade incorporaram chatbots à pacientes, em que apenas 1 em 12 países possui plano para governar de modo responsável a tecnologia que já revoluciona a medicina, lacuna entre implementação e governança é, em suas palavras, desafio que define IA na saúde atualmente. O alerta foi emitido na "Conferência Global da OMS "Moldando IA na Saúde", organizada em conjunto com o governo português, reunindo ministros e representantes de 37 países das 6 regiões da organização, em avaliação  abrangente realizada sobre a prontidão IA ​​nos 53 estados-membros mostrando que 98% identificam melhoria do atendimento ao paciente como fator impulsionador da adoção e, os resultados, são tangíveis. A análise de imagens com IA em Coimbra detecta fraturas e doenças torácicas mais cedo, reduz tempos de espera em cuidados primários e serviços de urgência, no entanto, apenas 1 em 5 países treina profissionais de saúde em IA antes da graduação e pouco mais de 1 em 4 os treina enquanto atuam na área, quer dizer, menos da metade avaliou se o arcabouço legal é adequado à tecnologia e 40% não possui diretrizes éticas sobre seu uso na saúde, daí, estatística reveladora, ou, 8% possuem padrões de responsabilização que definem quem é responsável quando um sistema IA falha. Kluge propôs frentes em que a governança acompanhe implementação e cada país que implementa IA clínica necessita estratégia, padrões de responsabilização e treinamento pessoal, que a cooperação internacional substitua o progresso individual, razão que a OMS convocou os 37 países e um papel à comunidade de língua portuguesa em que Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e parceiros trabalharão em Roteiro de Cooperação Lusófona sobre IA e saúde que a organização espera apresentar na Cúpula Regional de Saúde no Brasil em 2028. Por fim, algoritmo tendencioso pode produzir diagnóstico errado sobre o paciente real e um profissional treinado para confiar em sistema que não pode questionar, fica exposto a erros fora do controle que acaba por corroer a confiança no sistema sanitário, com o representante da OMS nos lembrando que IA generativa já entrou na sala de aula e no bolso do paciente com algumas pessoas consultando um chatbot sobre  sintomas antes de falar com o médico. Vale a nota que, cada diagnóstico assistido e cada consulta com um chatbot de saúde gera informações clínicas sensíveis que circulam por infraestruturas que o paciente não controla ou desconhece, quer dizer, quem responde quando o algoritmo comete erro, indissociável de outra questão, ou, a quem pertence os dados que o alimentam, mesmo terreno que as arquiteturas Web3 de identidade e soberania de dados que visam devolver o controle da informação ao indivíduo através de credenciais verificáveis ​​e registros blockchain, com a OMS defendendo criação de mecanismos de responsabilização em que infraestrutura descentralizada oferece meio de tornar responsabilização rastreável do paciente. Em suma, o futuro IA ​​na saúde não se decide por algoritmos, mas sim, pelas estruturas  construídas, esse contexto, definir propriedade e rastreabilidade dos dados clínicos pode ser decisivo e regulamentar os modelos que os processam.

Moral da Nota: a China tem planos em redobrar objetivos em renováveis expandindo capacidade de geração solar e eólica até o fins da década buscando continuar líder em energia limpa, contudo, apesar dos planos à renováveis, planeja expandir produção de carvão. Quer dizer, o maior consumidor de energia e emissor de gases efeito estufa do mundo, se tornou o maior produtor de renovável ao estabelecer meta de atingir o pico de emissões de carbono até 2030 e alcançar neutralidade até 2060, apesar das necessidades energéticas contínua dependência do carvão, instalou 360 ​​GW de capacidade eólica e solar em 2024 representando mais de 50% das adições globais naquele ano. Elevou capacidade instalada total à 1,4 TW, um terço da capacidade mundial de 4,5 TW, além de acelerar implantação solar e eólica incentivou adoção de tecnologias limpas e modelos que apoiam crescimento de renovável, aí, armazenamento em baterias, usinas virtuais e veículos elétricos, EVs. Anunciou planos à aumentar produção solar e eólica em 53% até 2030, parte do 15º Plano Quinquenal divulgado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e Administração Nacional de Energia, pretendendo aumentar produção total renovável à 1,8 bilhão de toneladas equivalentes de carvão, tce, até 2030, partindo de 1,18 bilhão de tce em 2025. Eólica e solar com o apoio de sistemas de armazenamento fornecerão 8% da capacidade instalada nos períodos de pico de demanda, ou, 20% do consumo de eletricidade nos picos de procura planejando adicionar mais de 300 GW de renovável despachada quando a procura aumentar. Em suma, pretendem implementar projetos-piloto de megabases de renováveis ​​que transmitam energia totalmente renovável, atualmente, eólica e solar contribuem com 20% da energia que a China fornece através da rede de transmissão de alta tensão que transporta energia das megabases no norte e noroeste às cidades e fábricas no leste, deve desenvolver 10 megabases no âmbito do plano quinquenal de 2026-2030 propondo 11 linhas de transmissão que fornecerão 129 GW de eólica e solar e 40 GW de energia a carvão. Em 2025, o país contribuiu com 78% da capacidade global de geração de energia a carvão que entrou em operação, maior consumidor e produtor de carvão do mundo, responde por 86% da capacidade global total em construção, quer dizer, o carvão e planos de expansão futura podem comprometer as metas de redução de emissões no futuro.