sexta-feira, 20 de março de 2026

Luxo e Desmatamento

Na Argentina o mercado de luxo europeu financia desmatamento do "ouro vermelho", sendo que, a indústria têxtil de luxo européia utiliza taninos da árvore quebracho para curtir couro impulsionando desmatamento no Gran Chaco argentino, pulmão verde da América do Sul e, entre 2010 e 2023, 183 mil hectares foram perdidos/ano parte da extração ilegal. Unitan e Indunor são empresas que processam taninos que chegam às marcas internacionais como Timberland, H&M e Dr. Martens, enquanto trabalhadores locais recebem salários irrisórios e pobreza atingindo 80% na região, apesar de leis de proteção florestal, licenças especiais e falta de fiscalização que permitem extração ilegal de madeira, deixando florestas nativas destruídas e causando danos ambientais. A extração responde por parte do desmatamento argentino em que caminhões com toras de quebracho prontas às serrarias no Chaco argentino, sendo que o "ouro vermelho", ou, taninos nas toras de quebracho, que alimenta indústria têxtil de luxo na Europa causando desmatamento e devastação da área do Chaco argentino. Reportagem investigativa publicada na Revista Anfibia esclarece que o extrato vegetal é usado para curtir couro conferindo firmeza, corpo e aroma, através de processo artesanal antes de vender à fabricantes de artigos de couro ou marcas de moda de luxo, sendo que da floresta do Chaco passa pelo porto de Buenos Aires e os taninos são exportados à 50 países, deixando rastro de desmatamento, trabalhadores mal remunerados e atividades ilegais que autoridades não combatem. O Chaco argentino faz parte do Chaco americano, pulmão da América do Sul depois da Amazônia, com mais de 1 milhão km² entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil, abrigando florestas secas do planeta e uma das mais ameaçadas, estimando-se nas 2 últimas décadas, mais de 13 milhões de hectares desmatados, equivalente à soma da Espanha e França, habitat de crescimento do quebracho-colorado, espécie nativa que leva de 20 a 50 anos para atingir maturidade e, além da madeira, produz tanino, muito procurado. Por fim, marcas como Timberland, CAT, Dr. Martens, Wolverine e H&M clientes da Golden Chang Shoes, empresa sediada em Bangladesh que, em 2024, comprou produtos com tanino de quebracho da empresa americana Tannin Corporation que o adquiriu da Unitan, para concluir, processo judicial conhecido como "A Máfia do Desmatamento" movido pela Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, revelou que das 200 mil toneladas de madeira de quebracho consumidas anualmente por curtumes 80 mil toneladas provêm de áreas desmatadas ilegalmente.

Lá como cá, a Eritréia desenvolve sistema solar híbrido que garante fornecimento de oxigênio hospitalar através da empresa Aptech Africa e, em comunicado, avisa que desenvolveu sistema fotovoltaico híbrido para alimentar unidade de produção de oxigênio do Hospital de Mendefera, Eritreia. O projeto inclui painéis solares à nível do solo, inversores híbridos e capacidade total de 251,97 kWp, complementada por 460,8 kWh de armazenamento em baterias e integração a rede elétrica nacional e, conforme a Aptech Africa, o sistema garante funcionamento contínuo e estável da produção de oxigênio, essencial à cuidados urgentes, procedimentos cirúrgicos, apoio materno e tratamento de doenças respiratórias. A empresa nos esclarece que “o sistema híbrido assegura que a geração de oxigênio permaneça estável e operacional, sem interrupçōes”, sendo que o projeto é apontado como passo para reforçar resiliência energética das infraestruturas de saúde no país. Autoridades da ONU informam que a Somália enfrenta emergência devido seca que se agrava, com áreas ressecadas pós 4 temporadas de chuvas fracassadas deixando milhões em risco de fome e deslocamento e, em 10 de novembro, o Governo Federal Somali declarou estado de emergência devido a seca e apelou por assistência internacional, à medida que condições se deterioram nas regiões norte, central e sul, conforme o OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Ajuda Humanitária. Em Dhaxan, chuvas da estação de abril a junho trouxeram esperança passageira no início de 2025, sendo que os moradores dependem de água transportada por caminhões depois que o poço artesiano local foi contaminado, em consequência, 150 famílias se mudaram em  23 de novembro, o Plano de Resposta Humanitária Somali à 2025 estava financiado em 23,7%, forçando reduções na assistência em que o número de pessoas recebendo ajuda alimentar emergencial caiu de 1,1 milhão em agosto à 350 mil. A seca se alastra em cenário desolador prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda fins de 2025, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos devem sofrer desnutrição aguda até meados de 2026, sendo que as previsões meteorológicas indicam pouco alívio, com a FAO, Organização da ONU à Alimentação e Agricultura, alertando que condições secas e quentes devem persistir em parte do país particularmente regiões central e norte.

Moral da Nota: a CEPAL relata que a América Latina atingiu menor nível histórico de pobreza com 162 milhões de pessoas, 25,5%, vivendo abaixo da linha da pobreza, graças a avanços no México e Brasil em que pobreza multidimensional que mede privação em moradia, saúde, educação e serviços, diminuiu de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024. A desigualdade permanece alta com os 10% mais ricos concentrando 34,2% da renda, os 10% mais pobres recebendo 1,7%, com a CEPAL alertando que a disparidade limita mobilidade social e desenvolvimento recomendando políticas educacionais, trabalhistas e de inclusão social visando redução. Revelou que a região apresenta menores níveis de pobreza contrastando com altos e persistentes níveis de desigualdade que impedem desenvolvimento social e econômico dos países, daí, conclui o relatório anual "Panorama Social da América Latina e Caribe", apresentado pela organização, que se concentrou em alternativas à escapar da "armadilha" da alta desigualdade, baixa mobilidade social e fraca coesão social, fatores reforçados pela falta de políticas redistributivas. Buscando escapar dessa armadilha, recomenda "reduzir desigualdade educacional, criar empregos de qualidade, promover igualdade de gênero e sociedade do cuidado, combater discriminação contra pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes e fortalecendo instituições sociais e seu financiamento". O relatório examina múltiplas dimensões em que desigualdade se manifesta na região, incluindo renda e, segundo os dados, em fins de 2024, 162 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza representando redução de 2,2% comparados com 2023 e de 7% desde 2020, 1º ano da pandemia que impactou negativamente indicadores sociais e econômicos tratando-se da menor taxa de pobreza na região desde o início dos estudos. Por fim, o relatório é positivo em relação à pobreza multidimensional que mede privações em áreas como habitação, serviços, educação e saúde, tendo caído de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024, no entanto, a pobreza extrema que afeta 62 milhões de pessoas, 9,8% da população, representou queda de 0,8% em relação a 2023 permanece 2,1% acima da mínima histórica registrada em 2014 e, contrastando com avanços na redução da pobreza, a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo com os 10% mais ricos da população recebendo 34,2% da renda total enquanto os 10% mais pobres recebem 1,7%. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Arsênico

Risco de morte por cancer,doenças cardiovasculares e doenças crônicas diminuem 50% com redução da concentração de arsênico na água, segundo estudo realizado em Bangladesh ao longo de 20 anos, sendo a contaminação da água com arsênico natural estudada através de registros de saúde de 10.977 homens e mulheres monitorados entre 2002 e 2022 à comparar exposição. A pesquisa foi realizada pela Universidade de Nova York, Columbia e Chicago informando que registrou 1.401 mortes por doenças crônicas, 730 por cardiopatias e 256 por câncer, ao acompanhar 10.977 pessoas entre 2002 e 2022 via exames de urina, cujos partícipes foram submetidos em 6 ocasiões aos exames permitindo cientistas acompanharem mudanças na exposição ao arsênico ao longo do tempo. Fen Wu, da Universidade de Nova York, informa que a redução nos níveis de arsênico está relacionada a maior redução no risco de mortalidade enquanto os que continuaram beber água com níveis elevados não mostraram redução de risco, tais padrões persistiram pós ajuste à diferenças de idade, tabagismo e nível socioeconômico, sendo que a pesquisa fornece "evidência mais forte até o momento que a redução do arsênico na água potável pode diminuir taxas de mortalidade por doenças crônicas". Trata-se do 1º estudo oferecer evidências diretas, examinando níveis de arsênico e mortalidade de cada participante ao longo de 2 décadas em região com exposição moderada ao arsênico, ou, menos de 200 microgramas/litro, com cientistas  monitorando mais de 10 mil poços dentro e ao redor do distrito de Araihazar, Bangladesh, onde iniciaram medidas para mitigar efeitos do arsênio em 2000. Pesquisas anteriores em Taiwan e Chile com altos níveis de arsênio, acima de 600 microgramas/litro, associaram redução nas taxas de mortalidade por doenças cardíacas e câncer à queda dos níveis de arsênico na água potável e, Bangladesh, como um todo, enfrenta um dos desafios mais graves do mundo em relação à contaminação por arsênio, com população de 175 milhões de pessoas em que mais de 50 milhões são expostas a níveis acima do padrão da OMS de 10 microgramas por litro.

A Europa passa por transformação no setor ferroviário marcada pela modernização da infraestrutura de sinalização e harmonização dos sistemas de gestão de tráfego, evolução que não constitui apenas mudança tecnológica mas movimento estratégico em direção a rede ferroviária no continente unificada e interoperável. A UE e a ERA, Agência da UE as ferrovias e os Estados-Membros são obrigados alinhar o sistema ferroviário nacional a norma comum no Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário, ERTMS, enquadramento que representa passo à frente na eliminação das barreiras técnicas e operacionais que, historicamente, fragmentaram o panorama ferroviário europeu. Cada país desenvolveu e implementou seu sistema de Proteção Automática de ferrovias, ATP, conhecidos como sistemas de Classe B concebido para responder exigências operacionais, técnicas e de segurança locais, sendo que estes sistemas criaram grupos de regras de sinalização e protocolos de comunicação que tornaram operações ferroviárias transfronteiriças difíceis, ineficientes e, por vezes, impossíveis, sem adaptações dispendiosas, sendo que a falta de interoperabilidade dificultou desenvolvimento de corredores ferroviários internacionais e limitou competitividade do setor em relação aos demais transportes. No contexto do Pacto Ecológico Europeu e impulso em prol de transporte sustentável, a ferrovia voltou emergir como pilar central da estratégia europeia de descarbonização e mobilidade, daí, o transporte ferroviário oferece vantagens ambientais e sociais claras,  consomindo menos energia, reduzindo emissões de gases estufa proporcionando mobilidade segura e fiável à passageiros e mercadorias. A promessa de Europa verde e interconectada não pode ser concretizada sem comunicação facilitada entre fronteiras, sendo que a aposta no ERTMS torna-se mais prioritária com o Sistema Europeu de Gerenciamento de Tráfego Ferroviário, ERTMS, se compondo como Sistema Europeu de Controle de Trem, ETCS, e Sistema Global de Comunicações Móveis Ferroviário, GSM-R. O ETCS normaliza o modo como trens e equipamentos se comunicam garantindo que diferentes países possam operar com segurança linha equipada com ETCS, enquanto o GSM-R, fornece plataforma unificada de comunicações entre trens e centros de controle e sua atualização está em andamento ao FRMCS, Future Railway Mobile Communication System, ambos substituindo diversidade de sistemas nacionais por norma única e interoperável que assegura segurança e eficiência, com o detalhe que, a implementação dessa padronização na Europa é processo de longo prazo. Por fim, a implementação dos sistemas STM representam marco na jornada da Europa rumo à interoperabilidade ferroviária, embora o objetivo continue ser implementação completa do sistema mais moderno, o ERTMS, enquanto o STM fornece flexibilidade e  continuidade operacional necessárias para atingir o foco sem comprometer segurança ou eficiência, na busca por incorporar espírito de integração europeia à ferrovia, conectando nações, promovendo sustentabilidade e abrindo caminho à sistema ferroviário interoperável.

Moral da Nota: em Tiaret, cidade da Argélia central com menos de 200 mil habitantes, a 250 km sudoeste de Argel, manifestantes atearam fogo em pneus e montaram barricadas improvisadas bloqueando estradas para protestar contra o racionamento de água, após meses de escassez deixarem torneiras secas e forçarem moradores fazer fila à conseguir água para suas casas. Em Reunião do conselho de ministros o presidente solicitou ao gabinete implementação de “medidas de emergência” em Tiaret, com ministros enviados para “pedir desculpas à população” e prometer que acesso à água potável seria restabelecido, no entanto, distúrbios ocorrem em momento que o presidente deve concorrer a 2º mandato de nação rica em petróleo, maior da África em área. O norte da África se posiciona como uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, com seca que dura vários anos drenando reservatórios cruciais e, com a redução de chuva, que os reabastecia, sendo que a região, localizada em planalto desértico semiárido está cada vez mais afetada pelo calor extremo, recebendo água de 3 reservatórios represados ​​que diminuem à medida que as temperaturas aumentam e a precipitação torna-se escassa. Os reservatórios tornaram-se menos funcionais devido a "falta de volume" estando reduzidos a 20% da capacidade, enquanto aquíferos subterrâneos não conseguem recarregar devido a falta de chuvas, sendo que a solução a longo prazo seria canalizar água de grandes barragens ao norte e ao sul de Tiaret e recorrer a fontes alternativas de abastecimento incluindo usinas de dessalinização nas quais o país investiu forte, sendo que as autoridades tentam importar água de fontes próximas. A empresa pública responsável pela infraestrutura hídrica da região espera concluir a construção de ductos para levar água subterrânea à Tiaret, proveniente de poços a 32 km de distância, com o detalhe que, a crise da água na Argélia é observada pelas redes sociais recebendo pouca cobertura da imprensa argelina, já que, os jornais e emissoras de televisão dependem da receita publicitária do Estado.