Três novos emblemas da Restauração Mundial foram concedidos pela ONU, ao Brasil, região do Sahel e Reino da Arábia Saudita, iniciativas que reforçam produtividade da paisagem através da restauração de ecossistemas degradados em regiões com alterações climáticas, secas e desertificação. O PNUMA, Programa da ONU ao Meio Ambiente e a FAO, Organização da ONU à Alimentação e Agricultura, lideraram os prêmios anunciados no âmbito 2021–2030 da Década da ONU à Restauração de Ecossistemas apresentados no evento da COP17 UNCCD, 17a Sessão da Conferência das Partes da Convenção da ONU ao Combate à Desertificação, compromisso de restaurar 5 milhões de hectares até 2030 área equivalente a 7 milhões de campos de futebol, contribuindo aos compromissos globais de restaurar 1 bilhão de hectares até 2030. O Cerrado brasileiro é a savana tropical com maior biodiversidade do mundo e a Iniciativa Araticum “Restauração da Savana do Cerrado no Brasil” reuniu mais de 180 organizações,comunidades, indígenas, agricultores, pesquisadores e governo no apoio a projetos de restauração em 9 estados brasileiros, via regeneração natural, semeadura direta, restauração e agrofloresta com espécies nativas. Mais de 27 mil hectares foram colocados em restauração enquanto sementes de mais de 150 espécies de plantas nativas foram coletadas e utilizadas em atividades de restauração no intuito de restaurar 2 milhões de hectares até 2030. Os Sauditas tiveram reconhecimento através do Programa Nacional de Ecologização da Arábia Saudita visando transformar paisagens degradadas em pastagens, florestas, desertos, áreas urbanas e ecossistemas costeiros, incluindo manguezais, inseridos na meta de restaurar 2,5 milhões de hectares e plantar 215 milhões de árvores até 2030, ao mesmo tempo, gerando até 187 mil empregos e melhorando qualidade do ar urbano, contribuição à meta nacional do Reino da Arábia Saudita de restaurar 40 milhões de hectares e plantar 10 bilhões de árvores até 2100. A liderança coube ao Centro Nacional ao Desenvolvimento da Cobertura Vegetal e Combate à Desertificação, restaurando 1 milhão de hectares de terras degradadas além de plantar 159 milhões de árvores, com atividades de restauração incluindo pastoreio controlado, reflorestamento, regeneração natural, reintrodução de espécies nativas da vida selvagem, ou, órix árabe, gazelas e íbex, coleta de água da chuva e uso de águas residuais tratadas para apoiar restauração em paisagens com escassez de água. Por fim a UNCCD COP17 reconheceu todo o Sahel, conflitos, degradação dos solos, seca, insegurança alimentar e alterações climáticas que exercem pressão sobre ecossistemas e comunidades e, através da Iniciativa Integrada de Resiliência do Sahel, implementada em Burkina Faso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, restaura terras degradadas e, ao mesmo tempo, fortalece meios de subsistência e sistemas alimentares incluindo apoio aos refugiados transfronteiriços do Sudão devastado pela guerra. Liderada pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, a iniciativa restaurou mais de 335 mil hectares de terras degradadas e busca restaurar 470 mil hectares até 2030 combinando reabilitação de terras, gestão do solo e água, apoio a subsistência e programas de alimentação escolar, iniciativa, que beneficiou mais de 4 milhões na região. Os novos reconhecidos da Restauração Mundial juntam-se a 27 iniciativas de restauração no âmbito da Década das Nações Unidas à Restauração de Ecossistemas, sendo que as iniciativas premiadas apresentam melhores exemplos de restauração de ecossistemas em larga escala e longo prazo em qualquer país ou região. Vale a nota que os países comprometeram restaurar 1 bilhão de hectares, área maior que a China, como parte dos compromissos do acordo de Paris, metas de Aichi à biodiversidade, metas de Neutralidade da Degradação do Solo e Desafio de Bonn, sendo que o progresso dos carros-chefe da Restauração Mundial será monitorado de modo transparente através do Quadro à Monitoramento da Restauração de Ecossistemas, plataforma da Década da ONU para acompanhar esforços de restauração.
Relatório da organização norueguesa KlimaKultur, sem fins lucrativos, avalia que combustíveis fósseis da Equinor, petrolífera norueguesa, desde 2018 causará entre 260 mil e 450 mil mortes adicionais enquanto combustíveis fósseis vendidos pela petroleira somente em 2025 causarão entre 34 mil e 58 mil mortes humanas adicionais comparados a mundo em que nunca foram queimados, sendo que o relatório baseia em dados de estudo de atribuição de 2025 publicado na Nature, ao identificar que mudanças climáticas tornaram 213 ondas de calor históricas relatadas entre 2000 e 2023 mais prováveis e intensas, mapeando o papel das 180 principais empresas de carbono nesses eventos. O relatório da KlimaKultur, escrito por Ketan Joshi, analista de energia, foi divulgado no “PetrogandaFest” anual da organização, realizado em 2026 em Stavanger, capital petrolífera da Noruega, contraevento ao evento bianual da indústria global de energia Offshore Northern Sea, observando que o número de mortos aumenta com os lucros da Equinor e seu maior acionista, o governo da Noruega. A Europa decorrente os gastos com petróleo e gás noruegueses na última década, criou situação embaraçosa em que a Noruega se beneficia enquanto o resto do continente sofria aumentos de preços e energia instável, com Joshi escrevendo que, “a receita norueguesa de fósseis cresceu significativamente na década, como o outro lado dos preços altos da energia e inacessibilidade aos usuários finais”, observando sobre o estudo da Nature que, “quase um quarto das ondas de calor poderia ter sido causado apenas pelas emissões da Equinor, caso nenhuma outra empresa existisse.” Quer dizer, não inclui investimentos que o fundo soberano norueguês financiado pelo petróleo tem nas outras empresas petrolíferas, embora a Noruega adote abordagem de "fins justificam os meios" ao negócio do petróleo destacando o bem que faz com o dinheiro do petróleo na Noruega e exterior, ao passo que investimentos em tornar a Equinor empresa petrolífera mais “ecológica” do mundo, pode custar bilhões ao país. Por fim, o custo social do carbono em US$ 258/tonelada métrica, nova estimativa da Columbia Climate School para incluir taxas de mortalidade, escreve que, “desde 2018, a Equinor obteve US$ 67 bilhões em lucro líquido, mas os produtos que vendeu para ganhar esse dinheiro causarão US$ 516 bilhões em danos, considerando danos reais.” Em suma, Stavanger sediou a conferência global de energia ONS 2026, com o tema “Coragem”, enquanto a KlimaKultur pede aos noruegueses que pensem no “verdadeiro imperativo moral”, já que a Equinor e o governo norueguês enfatizaram nos últimos anos a responsabilidade ética de fornecer cada vez mais petróleo e gás à Europa em nome da “segurança energética”, ao lado da instabilidade e danos à saúde causados pelas alterações climáticas descontroladas".
Moral da Nota: os próximos datacenters do Reino Unido poderão emitir mais de 4,5 milhões de toneladas de carbono, quer dizer, análise do Foxglove, grupo sem fins lucrativos, os 2 datacenters planejados na Inglaterra produzirão mais de 4,5 milhões de toneladas de emissões de carbono/ano quando operacionais. Instalações de Wapseys Wood em Buckinghamshire e Quest Park em Bedfordshire exigem 1,3 GW de eletricidade, com emissões projetadas que excederiam os 3,9 milhões de toneladas atribuídas às operações ExxonMobil no Reino Unido em 2023, empresa de combustíveis fósseis, sendo que a análise destaca preocupações sobre demandas de energia de data centers, à medida que a demanda por poder computacional e IA aumentam. Atualmente 315 data centers aguardam conexão à rede elétrica do Reino Unido, quer dizer, 73 GW de demanda potencial, quase o dobro do pico de demanda de eletricidade no inverno do país e, devido a atrasos na ligação à rede, os projetos desenvolvem produção de energia a gás no local, sendo que as descobertas levantam questões sobre como a rápida expansão do data center pode ser conciliada com metas climáticas do Reino Unido juridicamente vinculativas e a demanda futura de eletricidade.
Rodapé, mais de 40 mil pessoas morreram de causas relacionadas ao clima ao longo dos 38 anos entre 1988 e 2025 na Inglaterra e País de Gales, de acordo com estimativas de especialistas, cujos números, publicados pelo ONS, Escritório de Estatísticas Nacional, mostram que a proporção de mortes associadas aos dias mais quentes aumentou nos últimos anos e a diferença entre mortes relativas ao calor e ao frio diminui. Em 2025,houveram 2.805 mortes relacionadas ao calor, 3 vezes mais que as 818 mortes registradas em 2024 e aumento em relação às 1.568 mortes em 2023, mas, 2022, foi o ano com mais mortes associadas ao calor, 4.652, daí, Londres teve a maior proporção de mortes atribuíveis aos dias mais quentes e mais frios, conforme pesquisa e, os mais de 65 anos, estavam em maior risco em ambos os extremos. Para concluir, o Reino Unido viu 5 ondas de calor consecutivas no verão de 2026, sendo que as estatísticas o colocam no caminho certo ao verão mais quente já registrado sofrendo com temperaturas de até 38,1 °C em Londres, enquanto analistas dizem que pessoas com 65 anos ou mais em cada região de Inglaterra e País de Gales possuem risco de mortalidade pelo menos 50% maior a temperaturas superiores a 24ºC quando comparadas com temperaturas ótimas e, dados provisórios do Met Office mostram que, em 2026, a Inglaterra teve temperatura média no verão de 18,19°C, até agora.