Pesquisa destaca tendência preocupante que, frequência, intensidade e imprevisibilidade de eventos extremos de calor e chuva aumentaram nas últimas décadas, com a Índia registrando aumento de 15 vezes nos dias de ondas de calor extremo com a última década, aumento de 19 vezes nos dias de ondas de calor extremo, enquanto estações das monções cada vez mais caracterizadas por condições prolongadas semelhantes às do verão. O estudo realizado pelo IPE Global e Esri Índia revela que mais de 84% dos distritos indianos são suscetíveis a ondas de calor extremas, com 70% vivenciando maior frequência e intensidade de chuvas extremas, sendo que o estudo, primeiro do gênero, foi divulgado no Simpósio Nacional intitulado "Como a Índia pode lidar com extremos climáticos", organizado pela IPE Global, Esri India, UNESCO e Climate Trends. Destaca que o país viu aumento de 15 vezes nos dias de ondas de calor extremo nos meses de março-abril-maio, MAM, e junho-julho-agosto-setembro, JJAS, nos últimos 30 anos e somente a última década testemunhou mais 19 vezes nos dias de ondas de calor extremo, ao identificar estados como pontos críticos que enfrentam estresse por calor extremo e chuvas irregulares, Abinash Mohanty, Chefe de Prática de Mudança Climática e Sustentabilidade da IPE Global e autor do estudo enfatiza a gravidade das tendências climáticas atuais ao dizer que "a tendência atual de eventos catastróficos de calor extremo e chuvas é resultado de aumento de 0,6ºC na temperatura no último século, com o El Niño ganhando força e fazendo presença precoce globalmente, com a Índia enfrentando eventos extremos mais em padrões que em ondas". Diz que incidentes como deslizamentos de terra em Kerala decorrentes chuvas irregulares, apontam à necessidade urgente de ação, com o estudo descobrindo que estações de monções são cada vez mais caracterizadas por condições prolongadas semelhantes às do verão, exceto em dias não chuvosos, mudança, com implicações na agricultura, infraestrutura e saúde pública e, acordo com o estudo, 8 em 10 indianos estarão expostos a eventos extremos até 2036. O estudo identifica estados, incluindo Gujarat, Rajasthan, Uttarakhand, Himachal Pradesh, Maharashtra, Uttar Pradesh, Meghalaya e Manipur, como pontos críticos com estresse por calor extremo e chuvas irregulares observando que distritos nas costas leste e oeste enfrentam eventos de chuva mais imprevisíveis e, para mitigar esses riscos, recomenda o HRO, observatório de risco de calor para identificar, avaliar e projetar riscos de calor crônicos e agudos, além da criação de instrumentos de financiamento de risco e nomeação de defensores do risco de calor nos comitês distritais de gestão de desastres para priorizar e unificar esforços de mitigação do risco de calor.
Vale dizer ainda que, estudo mostra que as mudanças climáticas alteraram a monção de 2024 alertando à aumento de extremos climáticos, abrangendo 729 distritos, com diversidade nos padrões de precipitação, destes, 58 distritos testemunharam excesso de precipitação e 48 enfrentaram excesso de precipitação, destacando tendência de intensificação de eventos climáticos, com junho 2024 registrando a 2ª maior ocorrência de eventos de chuvas intensas. No estudo abrangente da temporada de monções de 2024, a Climate Trends, agência de monitoramento climático e meteorológico, revelou impactos nos padrões de precipitação e temperatura no país, apontando ao aumento da gravidade dos eventos climáticos, refletindo efeitos tangíveis das mudanças climáticas globais, no entanto, houve desvios em ambas as extremidades do espectro, com 158 distritos testemunhando excesso de chuva e 48 distritos enfrentando grande excesso de chuva, por outro lado, 178 distritos, incluindo 11 com grandes déficits, sofreram com chuva inadequada. A monção de 2024 registrou o maior número de eventos de chuvas intensas nos últimos 5 anos, destacando tendência de intensificação de eventos climáticos, com Junho de 2024 mostrando a 2ª maior ocorrência de eventos de chuvas muito pesadas nos últimos 5 anos, em agosto, 753 estações registraram chuvas muito fortes, maior desde 2020, setembro marcou novo recorde, com 525 estações registrando chuvas significativas. A dinâmica das monções é entendida como resultado das diferenças de capacidade de calor entre a terra e oceano superior que causa reversão sazonal dos ventos, já que a terra experimenta mudanças de temperatura maiores em comparação ao oceano, no entanto, com o aumento constante das temperaturas globais, os padrões das monções sofreram mudanças evidentes na última década. O ex-diretor geral do Departamento Meteorológico da Índia, observa que, nos últimos anos, sistemas climáticos viajaram pela Índia Central em vez de seu caminho habitual ao norte, mudança atribuída ao aquecimento global e a fenômenos como El Niño, IOD, Dipolo do Oceano Índico e MJO, Oscilação Madden-Julian, eventos de chuvas de alta intensidade e curta duração cada vez mais impulsionados pelas mudanças climáticas enquanto a longevidade dos sistemas de monções é estendida devido a sistemas consecutivos saturando a umidade do solo. Já, o Dr. Akshay Deoras, cientista pesquisador do National Centre for Atmospheric Science, University of Reading, enfatiza a variabilidade das monções à medida que o planeta aquece, observando que, sob condições favoráveis à chuva a probabilidade de eventos de chuvas intensas é maior que era há vários anos levando a períodos de seca mais longos e períodos mais intensos de chuvas com variações significativas em diferentes distritos.
Moral da Nota: relatório conduzido por 5 agências da ONU, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Organização Pan-Americana da Saúde, Programa Mundial de Alimentos e Fundo das Nações Unidas à Infância, nos avisa que o clima extremo aumenta risco de fome na América Latina e se intensificará devido mudanças climáticas e, como 2ª região mais exposta depois da Ásia, a América Latina pode ter dificuldades para se alimentar, alertando que a tendência de queda pode ser frustrada por ameaças climáticas, considerando que, eventos climáticos extremos impactaram 74% dos países da América Latina, a fome afetou 41 milhões de pessoas, ou, 6,2 % da população, documentando progressos em que a variabilidade climática e eventos climáticos extremos afetam pelo menos 20 países latino-americanos e aumentam risco de fome e desnutrição na região. Considera que economias da América Latina e Caribe dependentes da agricultura, pecuária, silvicultura e pesca, setores ligados à segurança alimentar e vulneráveis a secas, inundações e tempestades, alerta que o clima extremo se intensifica devido mudanças climáticas no relatório "Visão geral regional da segurança alimentar e nutricional 2024" destacando que a fome afetou 41 milhões de pessoas, ou, 6,2% da população, em 2023. Documenta progressos no número de pessoas em 2023 com fome na região, 2,9 milhões menor que em 2022 e 4,3 milhões menor comparado a 2021, alertando que a tendência de queda pode ser frustrada por ameaças climáticas, ao afirmar que, "a variabilidade climática e eventos climáticos extremos estão reduzindo produtividade agrícola, interrompendo cadeias de fornecimento de alimentos, aumentando preços, impactando ambientes alimentares e ameaçando progresso na redução da fome e desnutrição na região".