quarta-feira, 20 de maio de 2026

Qualidade do Ar

Em vigor na região de Nova Delhi o GRAP-IV decorrente a queda da qualidade do ar à níveis severos+, levando autoridades acionar o Plano de Ação de Resposta Gradual, GRAP IV, cuja estrutura foi aprovada pela Suprema Corte em 2016 e a implementação  supervisionada desde então pela Comissão de Gestão da Qualidade do Ar, obrigando governos municipais e regionais agirem coforme o mecanismo GRAP à medida que os níveis de poluição do ar aumentam em vários estágios. Basicamente são 4 estágios no GRAP e cada um vinculado ao Índice de Qualidade do Ar, AQI, e, quando o AQI, Índice de Qualidade do Ar, está entre 201 e 300 ou a qualidade do ar é classificada como "ruim", entra em vigor o GRAP-I, ou, 1ª etapa, sendo a  2ª etapa acionada quando a qualidade do ar se torna "muito ruim", ou, o AQI entre 301 e 400, enquanto o GRAP-III é alcançado quando a poluição é "grave", ou, AQI  entre 401 e 450.  No GRAP-IV as condições entram na faixa "grave+, AQI acima de 450 e conforme o Boletim Diário de AQI do Conselho Central de Controle da Poluição, CPCB, subindo à 441 às 18h e, em vista tendência de alta no AQI devido condições meteorológicas desfavoráveis ​​em Nova Delhi, o Subcomitê do Plano de Ação de Resposta Gradual da Comissão de Gestão da Qualidade do Ar na Região Metropolitana e Áreas Adjacentes, CAQM, disse, “considerando a tendência da qualidade do ar e em esforço para evitar maior deterioração o Subcomitê decidiu acionar medidas previstas no Estágio IV do GRAP vigente, Qualidade do Ar 'Severa+'. Daí, proibição da entrada de caminhões BS-IV em Nova Delhi, exceto os que transportam mercadorias essenciais ou prestam serviços essenciais, além de proibição de atividades de construção e demolição incluindo obras em rodovias, estradas, viadutos, pontes, linhas de transmissão de energia, oleodutos e gasodutos, e infraestrutura de telecomunicações. Por fim, o IQA tem servido como ferramenta ao público para comunicar a qualidade diária do ar e riscos à saúde associados, com padrões variando entre Bom, 0-50, Satisfatório, 51-100, Moderado, 101-200, Ruim, 201-300 e Perigoso acima de 300 e, segundo relatório da ONU, o aumento da temperatura contribui à níveis mais elevados de ozônio na atmosfera, afetando negativamente saúde respiratória e mortalidade e, devido exposição ao ozônio, aumentou 46% entre 2000 e 2019, sendo que, em 2019, os danos econômicos causados ​​pelos efeitos do ozônio na produção de trigo totalizaram 1,418 bilhão euros em 35 países europeus, ao passo que aumento das temperaturas induzido pelas mudanças climáticas levou a níveis altos de ozônio troposférico nas cidades. 

Estudo concluiu que fumaça dos incêndios florestais desfizeram décadas de melhorias na qualidade do ar no oeste dos EUA, com cientistas relacionando quase metade da fumaça tóxica oriunda de incêndios florestais ao aquecimento global entre 1997 e 2020, emergindo como fonte dominante de poluição amplificada pelas mudanças no clima em que o aumento das partículas PM2.5 leva a riscos reais à saúde. Políticas ambientais durante décadas alcançaram em fins do século XX redução da poluição em grandes áreas dos EUA através de motores mais limpos, usinas de energia melhor regulamentadas, padrões mais rigorosos, no entanto, o progresso adquirido está sendo anulado pela fumaça dos incêndios florestais, mais frequente, mais intensa e mais persistente. Entre 1997 e 2020, 65% das emissões de grandes incêndios florestais no oeste dos EUA estavam ligadas a aumento das temperaturas causado por atividade humana, não sendo tendência isolada e, sim, estrutural, com pesquisa liderada por Loretta Mickley da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard traçando percurso da fumaça das florestas da Califórnia aos vales agrícolas, áreas urbanas e regiões desérticas do interior, quer dizer, ar não conhece fronteira administrativa. O aquecimento global resseca paisagens tornando-as inflamáveis e, em florestas do oeste americano, pesquisadores estimam que entre 60% e 82% da área queimada desde o início da década de 1990 é explicada pelo aumento da temperatura ao lado de mudanças climáticas e, com centro e sul da Califórnia exibindo um terço da área queimada atribuível a esse fator, embora a maioria dos incêndios ainda sejam causados por humanos. A fumaça dos incêndios florestais não é apenas incômodo visual, contém PM2,5, partículas que penetram nos pulmões e corrente sanguínea cuja exposição se associa a problemas respiratórios e cardiovasculares bem como ao aumento nas hospitalizações. O estudo mostra que no mesmo período em que a poluição industrial e o tráfego caiu  44%, a fumaça seguiu direção oposta e, na última década analisada, 58% do aumento de PM2,5 oriundo da fumaça foi associado ao aquecimento global, quer dizer, um paradoxo político difícil de ignorar com as emissões de carros e fábricas podendo ser regulamentadas enquanto o calor extremo, secas ou tempestades, não. Por fim, há legado incômodo em que, por mais de um século, a política dominante foi suprimir qualquer incêndio e o resultado foram florestas mais densas, com sub-bosque repleto de material combustível que antes era eliminado por incêndios frequentes e de baixa intensidade, hoje em dia, queimam com mais intensidade, espalhando mais brasas estando em análise como esse acúmulo histórico de combustível se soma aos efeitos das mudanças climáticas quando seca, calor e vento coincidem. 

Moral da Nota: o Ozônio troposférico, O3, afeta negativamente a saúde respiratória em humanos e a exposição humana aumentou globalmente a taxa de 0,25 ppb, partes por bilhão, entre 2000 e 2019, conforme relatório Global Environment Outlook, GEO-7, da ONU, cuja exposição contribuiu à meio milhão de mortes prematuras no mundo e, por conta dessa exposição, aumentou 46% entre 2000 e 2019. Concentrações de Ozônio no mesmo período, ponderadas pela população, aumentaram mais de 24% em cidades da América do Sul, África, Europa Ocidental, Sul e Sudeste Asiático, sendo que o aumento das temperaturas afeta tendências da poluição do ar contribuindo à incêndios florestais mais frequentes e intensos, eventos de fumaça associados e temporadas de pólen mais longas. Daí, segundo o relatório, concentrações globais de metano na atmosfera aumentaram nas últimas décadas e contribuem com 35% da carga global de Ozônio, embora picos de Ozônio diminuíssem, os níveis de base de Ozônio estão aumentando porque a redução das emissões de NO2, dióxido de nitrogênio, é contrabalançada pelo papel crescente do CH4, metano. Globalmente, 99% da população mundial está exposta aos efeitos nocivos da poluição do ar enquanto a exposição da população global ao ozônio aumentou no sul e leste da China e África Central, ao passo que a concentração média anual de NO2, dióxido de nitrogênio, aumentou 71% nas cidades dessas regiões impactando negativamente a vegetação e plantações, afetando assim, serviços ecossistêmicos e segurança alimentar. Por fim, o relatório observa que o Ozônio afeta o crescimento da vegetação, a evapotranspiração e processos do ciclo da água que afetam funções e serviços ecossistêmicos, considerando ainda que, em 2020, limiares críticos à proteção florestal foram ultrapassados ​​em 59% da área florestal total dos 32 países membros da AEA, Agência Europeia do Ambiente, AEA, enquanto em 2 décadas, de 2000 a 2020, a proporção de terras agrícolas expostas a níveis de Ozônio acima da meta de proteção à vegetação registrou declínio geral em relação à área agrícola total nos países membros da AEA, atingindo mínimo de 6% em 2020 e, em 2019, os prejuízos econômicos decorrentes efeitos do Ozônio troposférico na produção de trigo atingiram 1,418 bilhão de euros em 35 países europeus.


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Risco Hídrico

Especialistas indicam que o ciclo da água torna-se cada vez mais extremo com relatório da OMM indicando imprevisibilidade, alertando que flutuações entre secas severas e chuvas intensas afetam economia e sociedade. Intitulado 'O Estado dos Recursos Hídricos Mundiais', nos diz que, em 2024 um terço das bacias hidrográficas do planeta apresentavam desequilíbrio persistindo pelo 6º ano consecutivo através de secas severas na bacia amazônica e sul da África, enquanto Europa Central e África sofreram com excesso de umidade. Destaca perda de massa glacial, fenômeno observado pelo 3º ano consecutivo, com a Secretária-Geral da OMM enfatizando urgência de informações científicas confiáveis já que "não se pode gerenciar o que não se mede", daí, relatório buscar fornecer dados essenciais à tomada de decisões, afirmando que, "a água é indispensável impulsionando as economias e sustentando os ecossistemas" e, conclui,"os recursos hídricos globais estão sob crescente pressão, e os riscos relacionados à água se tornando mais frequentes e devastadores, impacto cada vez maior nas vidas e meios de subsistência". Dados da OMM e observações de satélite, ressaltam importância da colaboração e compartilhamento de informações entre os países diante crise que afeta 3,6 bilhões de pessoas, além disso, o impacto ultrapassará 5 bilhões até 2050 com o mundo longe de alcançar a meta de água potável e saneamento básico à todos. Dentre regiões mais afetadas estão Índia, Califórnia, Oriente Médio, China, Austrália e Oeste da América do Sul,incluindo segmentos da Amazônia, destacando que, estudo publicado na Nature confirma que o planeta perde água doce em ritmo mais acelerado que se pensava antes, tendência, impulsionada por mudanças climáticas, desmatamento e uso excessivo de recursos, representando ameaça direta à segurança alimentar, acesso à água potável e estabilidade dos ecossistemas. Analisou dados de satélite entre 2002 e 2022 pela missão GRACE, Gravity Recovery and Climate Experiment, da NASA e Centro Aeroespacial Alemão, identificando 1.200 pontos críticos onde reservas de água doce subterrâneas e superficiais diminuíram nas últimas 2 décadas.

Ainda neste tema, estudo da WaterAid e Tree Aid revela que 45% da população em Gana, Níger e Nigéria enfrentam alto risco hídrico, com desmatamento diretamente ligado à perda e contaminação dos sistemas de água doce corroendo sistema africano Ocidental e expondo 122 milhões de pessoas à água imprópria à consumo, 20 milhões a mais que há 5 anos. O Níger mostra a pior crise com 99,5% da água em risco de sedimentação e queda na qualidade, com cientistas instando governos integrar prioridades florestais e hídricas nos planos de clima e adaptação, decorrente a crise hídrica que alastra pela África Ocidental colocando milhões em risco, segundo o estudo da WaterAid e Tree Aid. Intitulado "Das Raízes aos Rios: Como o Desmatamento Impacta o Acesso à Água Doce", revela que 45% da população, 122 milhões em Gana, Níger e Nigéria tem acesso a água contaminada, aumento de 20 milhões em 5 anos, relaciona tendência diretamente relacionada ao desmatamento e perda da cobertura vegetal que sustenta sistemas de água doce, florestas e vegetação, segundo o relatório, desempenhando papel crucial na proteção dos recursos hídricos, estabilização do solo, filtração de poluentes e regulação das chuvas, cuja destruição interrompe os processos e ameaça a confiabilidade do abastecimento hídrico à consumo, produção de alimentos e saúde. Dados de observação da Terra por satélite coletados entre 2013 e 2025, examinou  vegetação, precipitação pluviométrica e cobertura hídrica nos 3 países escolhidos pelas condições ecológicas e climáticas na África Ocidental e, pela 1ª vez, fornece  correlação entre desmatamento e baixa disponibilidade de água doce, com o Níger e Nigéria, mostrando que cada mil hectares de floresta perdida corresponde a perda média de 9,25 hectares de água superficial e, na Nigéria, esse número é de 6,9 ​​hectares, enquanto no Níger sobe à 11,6 hectares, em Gana, a perda florestal se associa à deterioração da qualidade da água superficial e não a quantidade. O estudo  alerta que acesso reduzido à água potável e segura decorrente desmatamento contínuo é ainda mais agravado pelas mudanças climáticas com chuvas intensas, sem vegetação para filtração ou estabilização do solo, levam ao acúmulo de sedimentos e poluentes em rios, lagos e reservatórios, reduzindo disponibilidade de água potável através da baixa absorção de água subterrânea e evapotranspiração, além da piora na qualidade da água restante. O problema é mais grave no Níger onde 99,5% da água superficial disponível é considerada em risco de sedimentação e má qualidade, na Nigéria, 85,6 milhões de pessoas vivem em áreas vulneráveis ​​à perda de água decorrente desmatamento, em Gana, a contaminação contínua é a principal preocupação com a perda florestal ligada à piora da qualidade da água superficial. 

Moral da Nota: na Ásia mudanças climáticas afetam sistemas de água e energia e colocam milhões em risco, forçando países investir bilhões no reforço de serviços básicos, segundo relatórios recentes, em que desastres relacionados à água aumentam na região e os gastos para proteger as comunidades são insuficientes. Relatório divulgado do Banco Asiático de Desenvolvimento, informa que os países asiáticos necessitam US$ 4 trilhões à água e saneamento entre 2025 e 2040 ou US$ 250 bilhões/ano, colocando governos sob pressão para proteger sistemas de energia e,  até 2050, eventos climáticos extremos custarão às empresas de energia US$ 8,4 bilhões/ano em danos e perda de receita, um terço a mais que atualmente, segundo  pesquisa do Asia Investor Group on Climate Change, organização sem fins lucrativos de Hong Kong e MSCI Institute, think tank de Nova York. Os riscos se concretizaram na Ásia atingida por tempestades tardias, chuvas e enchentes severas, em Quy Nhon, Vietnã, linhas de energia romperam quando o tufão Kalmaegi castigou a cidade com fortes chuvas e ventos intensos transformando bairros em ilhas, com relatório do ADB afirmando que 2,7 bilhões de pessoas, 60% da Ásia-Pacífico, têm acesso a água à maioria das necessidades básicas, no entanto, mais de 4 bilhões permanecem expostos a água imprópria para consumo, ecossistemas degradados e riscos climáticos crescentes. Por fim, a queda na vazão dos rios nas principais bacias hidrográficas asiáticas, que fornecem água necessária à usinas a carvão e gás e alimentam hidrelétricas, são a grande ameaça, ao mesmo tempo, fortes chuvas e inundações representam riscos em regiões costeiras e vales fluviais, com o detalhe que apesar dos crescentes riscos, a maioria das concessionárias de energia não possui planos detalhados e financiados para se adaptar aos impactos climáticos, embora 9 de 11 empresas estudadas tenham avaliado como as mudanças climáticas as afetam, 7 examinaram os riscos em suas fábricas individuais e 5 calcularam e divulgaram como futuros impactos climáticos poderiam aumentar custos ou prejudicar lucros.