sexta-feira, 3 de abril de 2026

Resíduos Plásticos

Embora úteis à sociedade moderna, a produção e geração de resíduos plásticos  aumentam com impactos ambientais cada vez piores, apesar de respostas políticas internacionais, nacionais e locais, bem como compromissos da indústria urgindo tornar o ciclo de vida do plástico mais circular por conta de expansão das políticas nacionais e cooperação internacional para mitigar impactos ambientais ao longo da cadeia de valor. Relatório quantifica produção, uso, descarte e impactos ambientais no ciclo de vida dos plásticos identificando oportunidades à reduzir externalidades negativas, além de investigar uso e descarte plástico afetados pela pandemia em  setores e regiões. O Panorama identifica 4 alavancas para reverter emissões de plásticos, ou, apoio aos mercados de plásticos reciclados, políticas à impulsionar inovação tecnológica em plásticos, medidas políticas nacionais à cooperação internacional. Em resumo, O Panorama Global dos Plásticos: Impulsionadores Econômicos, Impactos Ambientais e Opções Políticas, quantifica o ciclo de vida dos plásticos em nível global, inclui produção, consumo, resíduos, reciclagem, descarte, vazamentos e emissões de gases efeito estufa. Apresenta conclusões resumindo desafios buscando tornar mais circular o ciclo de vida dos plásticos considerando que a produção anual dobrou saltando de 234 milhões de toneladas, Mt, em 2000 à 460 Mt em 2019 e, em consequência, o lixo plástico passou de 156 Mt em 2000 à 353 Mt em 2019 e, considerando perdas na reciclagem, 9% do lixo foi reciclado enquanto 19% incinerado, 50% foi à aterros sanitários e 22% restantes foram descartados em lixões a céu aberto, queimados em fossas abertas ou vazaram ao ambiente. Por sua vez, a pandemia aumentou o lixo plástico descartável embora o uso no geral tenha diminuído, considerando que os lockdowns e a queda na atividade econômica em 2020 reduziram utilização em 2,2% em relação a 2019, no entanto, o aumento no uso de equipamentos de proteção individual e plásticos descartáveis ​​exacerbou descarte inadequado e, com a recuperação da economia, prevê-se que utilização de plásticos aumente levando a crescimento renovado do lixo plástico e pressões ambientais associadas. Enfim, o descarte inadequado de resíduos plásticos é a principal fonte de vazamento de macroplásticos e, somente em 2019, 22 milhões de toneladas de materiais plásticos vazaram ao ambiente, sendo que os macroplásticos representam 88% do vazamento de plástico devido coleta e descarte inadequados, enquanto microplásticos, polímeros com diâmetro inferior a 5 mm, representam os 12% restantes provenientes de fontes diversas como abrasão de pneus, desgaste de freios ou lavagem de tecidos. Daí, a presença documentada dessas partículas em ambientes de água doce e terrestres, bem como em fluxos de alimentos e bebidas, sugere que os microplásticos contribuem à exposição de ecossistemas e seres humanos ao plástico liberado e riscos associados.

Significativas quantidades de plástico se acumularam em ambientes aquáticos, com 109 milhões de toneladas em rios e 30 milhões de toneladas no oceano e, só em 2019, 6,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos vazaram à rios, lagos e oceanos enquanto  o acúmulo de plásticos nos rios implica que o vazamento ao oceano continua por décadas, mesmo que o descarte inadequado de resíduos plásticos seja reduzido. A limpeza desses plásticos torna-se mais difícil e cara à medida que se fragmentam em partículas menores, enquanto a pegada de carbono do ciclo de vida dos plásticos mostra-se significativa considerando que os plásticos têm pegada considerável, contribuindo com 3,4% das emissões globais de gases efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, já que, em 2019, geraram 1,8 bilhão de toneladas de emissões de gases efeito estufa, 90% provenientes da produção e conversão a partir de combustíveis fósseis. Embora a produção global de plásticos secundários oriundas da reciclagem tenha quadruplicado nas últimas 2 décadas, ainda representam apenas 6% da matéria-prima total sendo que plásticos secundários são considerados substitutos dos plásticos primários, em vez de recurso valioso por si só, o mercado de plásticos secundários permanece pequeno e vulnerável, com países fortalecendo seus mercados incentivando oferta de plásticos secundários, por exemplo, através de programas de responsabilidade estendida do produtor estimulando demanda via metas de conteúdo reciclado. A dissociação dos preços do PET,tereftalato de polietileno primário e secundário na Europa e o aumento da inovação em tecnologias de reciclagem são sinais positivos que a combinação de políticas funciona e impulsiona inovação à ciclo de vida circular dos plásticos trazendo benefícios ambientais e reduzindo quantidade de plásticos primários, além de, prolongar vida útil e facilitar reciclagem. O relatório avalia que a inovação na prevenção e reciclagem de resíduos representa 1,2% da inovação relacionada a plásticos, necessitando políticas ambiciosas incluindo combinação de investimentos em inovação e intervenções destinadas a aumentar demanda por soluções circulares, restringindo, ao mesmo tempo, consumo de plásticos em geral.

Moral da Nota: inventário dos principais instrumentos regulatórios e econômicos em 50 países da OCDE, emergentes e em desenvolvimento, elaborado para fins deste relatório, sugere que o cenário das políticas à plásticos é fragmentado e pode ser fortalecido, enquanto 13 países do inventário possuem instrumentos de política nacional que oferecem incentivos financeiros diretos à separação de resíduos plásticos na fonte. Globalmente, mais de 120 países têm proibições e impostos sobre itens plásticos de uso único mas a maioria se limita a sacolas plásticas ou itens de pequeno volume e somente 25 dos países do inventário implementaram instrumentos conhecidos que incentivam reciclagem, como impostos nacionais sobre aterros sanitários e incineração, o que significa que esses instrumentos são mais eficazes na redução do descarte inadequado de lixo que na contenção do consumo geral de plásticos. Por fim, roteiro político é proposto para que países reduzam o descarte inadequado de macroplásticos envolvendo fases progressivas mais ambiciosas, como fechar vias de descarte inadequado ao construir infraestrutura de gestão de resíduos sanitários, organizar coleta de lixo e reduzir descarte inadequado de plásticos ampliando políticas de combate ao descarte inadequado com proibições ou taxas à itens descartados de forma inadequada e aprimorando implementação da legislação. Além de incentivos à reciclagem aprimorando triagem através de medidas que incluem sistemas de Responsabilidade Estendida do Produtor, REP, impostos sobre aterros sanitários e incineração bem como sistemas de depósito-reembolso e pagamento por descarte, restringirá demanda e otimizará design para tornar cadeias de valor do plástico mais circulares e plásticos reciclados mais competitivos em preço. Impostos sobre plásticos e metas de conteúdo reciclado criam incentivos financeiros à reduzir uso e promover circularidade, impactando mais tipos de produtos e mais países além de fortalecer cooperação internacional para tornar cadeias de valor do plástico mais circulares alcançando vazamento líquido zero. O descarte inadequado de resíduos, problema em países em desenvolvimento, necessitam investimentos em infraestrutura básica de gestão de resíduos e, para financiar custos estimados de 25 bilhões de euros/ano nos países de baixo e médio rendimento necessitará mobilizar fontes de financiamento disponíveis incluindo ajuda ao desenvolvimento que cobre 2% das necessidades de financiamento, com relatório alertando que a utilização eficiente desses investimentos exige quadros jurídicos eficazes para garantir cumprimento das obrigações de alienação.

domingo, 29 de março de 2026

Perda de Memória

Novos critérios à síndrome de perda de memória em adultos mais velhos que afeta o sistema límbico do cérebro, podendo ser confundida com a doença de Alzheimer, ou,  Síndrome Neurodegenerativa Amnésica predominantemente limbica, ou, LANS, que progride mais lentamente, tem prognóstico melhor e está mais definida aos médicos que trabalham para encontrar respostas em pacientes com perda de memória. Pesquisadores da Clinica Mayo notaram critérios clínicos publicados no Brain Communications, cujas características da síndrome só podiam ser confirmadas examinando o tecido cerebral pós morte, sendo que os critérios propostos fornecem estrutura à neurologistas e especialistas classificarem a condição em pacientes que vivem com sintomas, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos potenciais considerando fatores como idade, gravidade do comprometimento da memória, exames cerebrais e biomarcadores que indicam depósitos de proteínas específicas no cérebro. Os critérios desenvolvidos e validados usam dados de mais de 200 participantes em bancos de dados do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Clínica Mayo, do Estudo do Envelhecimento da Clínica Mayo e da Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer e, entender a condição, leva a gerenciamento dos sintomas e terapias mais personalizadas à pacientes que sofrem desse tipo de declínio cognitivo, diferente da doença de Alzheimer, conforme o autor sênior do estudo. Os critérios clínicos estabelecidos pelos profissionais que poderão em breve diagnosticar a LANS em pacientes que vivem com perda de memória e possam entender opções de tratamento, a possível progressão da doença, abrindo portas à pesquisas que esclareçam melhor as características da doença.

Estudo da Universidade de Toronto publicado on-line no Archives of Gerontology and Geriatrics Plus, mostra que americanos mais velhos veem aumento notável na vida sem deficiência entre 2008 a 2017, com melhora considerável encontrada na prevalência de adultos com 65 anos ou mais sem deficiências, incluindo deficiências de memória, audição, visão e funcionalidade ou limitações nas atividades da vida diária. No total, 61% dos americanos mais velhos relataram estar livres de deficiência em 2008 com a prevalência aumentando para 65% em 2017, embora possa parecer pequeno aumento, se a prevalência de indivíduos sem deficiências tivesse permanecido nos níveis de 2008, mais 2,07 milhões de americanos mais velhos teriam pelo menos uma deficiência grave em 2017. O estudo analisou dados de 10 ondas consecutivas da Pesquisa de Comunidade Americana transversal nacionalmente representativa, 2008-2017, aproximadamente meio milhão de entrevistados com 65 anos ou mais fornecendo informações a cada ano, resultando em amostra final de 5,4 milhões de americanos mais velhos, solicitando aos entrevistados relatar se tinham "dificuldades sérias" com 5 tipos comuns de deficiências, com os indivíduos definidos como livres de deficiência se relatassem que não tinham problemas sérios de memória, problemas de audição, problemas de visão, limitações nas atividades da vida diária, como tomar banho ou se vestir, ou, limitações funcionais, como andar ou subir escadas. Em 2008, mulheres tinham menos probabilidade de estar livres de incapacidade que os homens, 59,4% versus 62,7%, respectivamente, com as mulheres apresentando taxa mais acentuada de melhora ao longo da década que os homens, em 2017, a disparidade de gênero foi eliminada, com a prevalência de pessoas sem deficiência quase a mesma para mulheres e homens, 64,7% versus 65,0%, respectivamente. Embora observada melhora na prevalência de adultos mais velhos vivendo sem deficiências entre 2008 e 2017, os autores discutem a possibilidade que a taxa de melhora possa diminuir nas próximas décadas com a maior parte da melhora vista entre aqueles com 75 anos ou mais, quer dizer, houve pouca melhora ao longo do estudo da década com idades entre 65-74, representativo da geração baby boom, embora o estudo não revele por que houve menos melhora entre os Baby Boomers os autores sugerem que pode estar relacionado a maiores taxas de obesidade em comparação com as gerações mais velhas.

Moral da Nota: estudo estimou que o número de adultos diagnosticados com demência a cada ano nos EUA deve dobrar nos próximos 40 anos, de 514 mil em 2020 à 1 milhão em 2060, com pesquisadores estimando que após os 55 anos o risco de demência ao longo da vida é de 42% que pode chegar a 60% à demografias específicas. O relatório mostra que adultos negros têm risco aumentado de demência, 44%, comparados com indivíduos brancos, 41%, além disso, mulheres tinham risco maior de desenvolver demência que os homens, 48% em comparação com 35%, adultos com contagens específicas do alelo APOE ε4 particularmente vulneráveis ​​à demência e os que tinham 2 cópias tinham risco vitalício de 59% enquanto aqueles sem nenhuma tinham risco de 39%. Essas estimativas vêm de estudo de coorte prospectivo, populacional, publicado na Nature Medicine que incluiu mais de 3 décadas de registros de saúde de 15 mil pacientes aplicados às projeções do Censo dos EUA e, à luz das descobertas, investigadores salientam  importância de “políticas que melhorem prevenção e envelhecimento saudável” para reduzir “o fardo substancial e crescente da demência”.