domingo, 25 de outubro de 2026

Inovação Digital

Inovação digital é lembrada na proteção da Amazônia em que ferramentas digitais fortalecem esforços de conservação e desenvolvimento sustentável do ecossistema, sendo que a floresta amazônica não é apenas a maior floresta tropical do mundo, mas  pilar fundamental à estabilidade ambiental e biodiversidade em que a vasta extensão regula chuvas, armazena carbono, sustenta biodiversidade e serve como território à 420 povos indígenas, no entanto, enfrenta ameaças, mudanças ambientais, desmatamento  e pressões socioeconômicas levando o ecossistema à ponto de inflexão. Tecnologias digitais oferecem potencial à conservação e desenvolvimento sustentável, mas só poderá ser concretizada se elementos fundamentais, tecnologia, conectividade à internet e governança de dados estiverem estabelecidos, com o relatório do Banco Mundial "Avançando a Conservação da Amazônia por meio de Tecnologias Digitais", destaca como ferramentas digitais fortalecem esforços de desenvolvimento sustentável e conservação na Amazônia fornecendo recomendações à garantir que tecnologias sejam utilizadas na proteção do ecossistema. Ferramentas digitais apoiam a conservação na Amazônia há décadas e o relatório prioriza o que funciona, integrando tecnologias de modo criterioso, com abordagens comprovadas como imagens de satélite e armadilhas fotográficas em monitoramento confiável e econômico do desmatamento, vida selvagem e mudanças ambientais. Existem barreiras, pelos altos custos impulsionados por tarifas de importação sobre tecnologias de conservação,limitada expertise técnica e desafios socioculturais, em interfaces complexas e falta de reconhecimento legal à dados coletados dificultando adoção mais ampla, daí, surge prioridade política em reduzir taxas de importação de ferramentas à conservação buscando diminuir custos e acelerar implementação, bem como investir capacidades de fabricação e manutenção, envolvendo indígenas e comunidades no desenvolvimento de aplicativos e ferramentas, capacitando através de treinamentos garantindo que tecnologias sejam acessíveis, apropriadas e relevantes. Análises IA e DNA ambiental, eDNA, integram o monitoramento quase em tempo real do desmatamento, da perda de biodiversidade, dos incêndios florestais e dos impactos climáticos, dados de armadilhas fotográficas e aplicativos móveis combinados com IA, detectam atividades ilegais e preveem riscos, preparação à desastres, aplicação da lei mais eficaz e empoderamento de comunidades indígenas e locais por meio do monitoramento participativo. Por fim, ferramentas digitais de conservação como armadilhas fotográficas, drones e sensores IoT, dependem de conectividade de internet confiável para atingirem pleno potencial, no entanto, análises do Banco Mundial mostram que 3,5% do Bioma Amazônico possui cobertura de banda larga fixa ou móvel, lacuna significativa em Territórios Indígenas abrangendo 0,69% da extensão. Soluções como iniciativas regionais do Programa Norte Conectado, Brasil e, Conecta Selva, Peru, expandem corredores de fibra óptica interligando usuários, enquanto a banda larga via satélite é implantada para alcançar comunidades remotas, Redes de Longo Alcance de Baixa Potência, LPWAN, usadas para comunicação dispositivo a dispositivo aproveitadas em áreas com baixa demanda de usuários onde já existem dispositivos de monitoramento ambiental. Enfim, a promoção de redes comunitárias e treinamento em habilidades digitais, capacita populações locais a manter e operar infraestrutura de telecomunicações considerando cenário de dados na Amazônia, fragmentado, padrões inconsistentes e coordenação limitada, impondo restrições à soberania e à proteção de dados indígenas complicando a situação.  

A Amazônia se insere na maior biodiversidade do planeta abrigando 10% das espécies  vegetais e animais do mundo, além de ser regulador climático, considerando que  mudanças climáticas tem efeitos profundos e potencialmente irreversíveis na  floresta em que padrões de chuva são alterados causando secas intensas, períodos de seca extrema e inundações, combinadas com altas temperaturas, aumentam a incidência e risco de incêndios florestais e, fenômenos climáticos como o El Niño intensificam efeitos das mudanças climáticas na Amazônia. Desmatamento e degradação do solo ​​por atividades humanas, pastoreio de gado, agricultura, extração de madeira e mineração, realizadas ilegalmente exacerbam efeitos climáticos e, devido à variação na vazão fluvial, áreas da bacia enfrentam riscos de inundação enquanto outras se isolam e, devido à variação da vazão dos rios, áreas da bacia podem enfrentar maiores riscos de inundação enquanto outras ficam completamente isoladas. Aumento das temperaturas, redução da evapotranspiração tropical e mudanças nos padrões de precipitação alterariam ciclos da água e disponibilidade hídrica regional, por exemplo, se as tendências continuarem, os Andes tropicais perderão de 50% a 100% da energia convectiva, processo que gera nuvens de chuva, até 2070, e, cidades como Bogotá e Quito, já sofrem com secas como resultado dessas mudanças, devido flutuação no fluxo dos rios em que áreas da bacia enfrentam maiores riscos de inundação enquanto outras  ficam isoladas, uma vez que o transporte fluvial fica mais difícil. Estações secas com desmatamento e degradação do solo levam ao aumento na incidência e risco de incêndios florestais, que alimentam mais o ciclo destrutivo liberando carbono na atmosfera, perturbações que podem causar redução de 50% nas áreas à mamíferos florestais, impactando biodiversidade, além de emergirem danos socioeconômicos aos ribeirinhos, afetando produtividade agrícola, pesca e energia com impactos na  subsistência, segurança alimentar e estabilidade afetando desproporcionalmente indígenas e comunidades rurais. Vale a nota que fumaça de incêndios florestais e calor extremo impactam saúde pública, ameaçam a vida de milhões, efeitos, com consequências de longo alcance ao desenvolvimento sustentável regional e global, desde perturbação hidrológica e energética na América do Sul a alteração das cadeias de abastecimento alimentar e aumento das emissões de gases efeito estufa atmosférico agravando crise climática. Enfim, alterações climáticas na Amazônia trarão graves consequências socioeconômicas na subsistência, segurança alimentar e estabilidade. 

Moral da Nota: análise de 43 anos de dados mostra que a Amazônia é atingida por condições climáticas mais extremas, enquanto isso, o El Niño mais extremo ameaça colocar a área sob mais pressão, considerando abrangência regional com paisagens diversas, rica diversidade cultural e grande biodiversidade, globalmente, desempenha papel fundamental na gestão da água, no abastecimento alimentar e economia. Pesquisa mostra que, embora a temperatura média da Amazônia esteja alinhada com o aquecimento global, condições extremas ocorrem com frequência, particularmente no norte da região, inesperado, visto que há pouco desmatamento e agricultura nessa região amazônica, fator, frequentemente citado como razão às mudanças, parecendo estar ligado às mudanças climáticas com o número de dias com temperaturas altas na estação seca aumentando nas últimas décadas, além disso, desde 1981, a temperatura dos dias quentes subiu pelo menos 3,22 ºC, portanto, dias quentes são mais quentes e ocorrem com mais frequência. Cientistas dividiram em seções de 11 km² para medir padrões climáticos locais por 43 anos e documentaram mudanças de temperatura e escassez de água durante o período seco ou na combinação das estações seca e chuvosa, daí, determinou-se a variação média de temperatura e déficit hídrico ao longo dos anos, posteriormente analisou-se variação nos anos extremos, sendo obtida indicação da mudança climática nos períodos mais quentes e secos quando a área é mais vulnerável a danos por altas temperaturas, dado, que não havia sido registrado antes à parte localizada ao norte do Equador. Embora o maior aumento na temperatura média ocorra ao sul, o maior aumento em condições climáticas extremas se observa ao norte, além disso, mudança nas condições climáticas extremas é maior que aumento na temperatura, com consequências das mudanças climáticas à Amazônia, portanto, parecem ser maiores que se pensava antes. Extremos climáticos amazônicos causam incêndios florestais, mortalidade entre animais e árvores e problemas de saúde devido poluição do ar e calor, preguiças e outros mamíferos, por exemplo, foram encontrados mortos em massa na floresta e as populações de aves diminuem mudando comportamento, aparência e expectativa de vida, sendo que a população local sente as consequências, quer dizer, fontes de alimento e meios de subsistência entram em colapso com a Amazônia.

sábado, 24 de outubro de 2026

Calor e Gravidez

Nos EUA progressos na limpeza do ar estão sendo silenciosamente desfeitos pela fumaça dos incêndios florestais, enquanto pesquisas sobre a exposição à gravidez causada pela fumaça dos incêndios mostram que as grávidas estão na linha de frente. Estudo nacional abrangente de 64,5 milhões de gestações descobriu que a poluição causada por incêndios florestais mais que dobrou como parcela de poluição por partículas finas que as gestantes respiram, tornando-se fonte principal dos dias de qualidade do ar mais perigosos, publicada na Frontiers in Environmental Health, a análise é a primeira mapear como a exposição pré-natal a partículas finas, PM2,5, mudou nos EUA ao longo do tempo e qual o papel que incêndios florestais na formação das tendências. Liderada por Menglu Liang, professor da Universidade de Maryland, combinou dados federais sobre qualidade do ar com modelos de computador, simulando poluição das fontes e outro com poluição causada por incêndios florestais totalmente removida, a comparação, que abrangeu de 2003 a 2019 em mais de 2.800 condados em 48 estados, revelou 2 tendências, a poluição geral caiu, mas incêndios florestais consumiram os ganhos e a exposição diária pré-natal ao PM2,5 das fontes caiu de 34% no período do estudo, quer dizer, a fumaça dos incêndios florestais retardou o progresso por carros e fábricas mais limpos, outra tendência é que fumaça dos incêndios florestais mais que dobrou a participação, quer dizer, incêndios florestais contribuiram de 3,7% da exposição pré-natal ao PM2,5 à 8,2% e, em 2019, eram contribuintes aos dias de alta poluição na gravidez nos EUA. No período do estudo, 65 % dos dias que excederam o limite de ar saudável da EPA, 35 microgramas de partículas finas por metro cúbico, poderiam ser atribuídos à fumaça dos incêndios florestais e a poluição causada por incêndios florestais cresceu mesmo em regiões não associadas a incêndios, incluindo Sudeste, sendo que os aumentos mais acentuados atingiram o Noroeste onde taxas de poluição por incêndios florestais mais que duplicou, sendo que o infográfico dos resultados de gravidez por fumaça de incêndio florestal mostra que exposição pré-natal ao PM2,5 aumentou de 3,7 à 8,2 %. Por fim, partículas PM2,5 são 30 vezes menores que a largura de um fio de cabelo humano o suficiente para passar pelas defesas do corpo alojar-se no tecido pulmonar e atravessar à corrente sanguínea, na gravidez, a exposição sistêmica atinge o feto em desenvolvimento através da placenta, sendo que estudo descobriu que partículas de poluição do ar entram na placenta. A Associação Americana de Obstetricia relaciona  exposição pré-natal ao PM2.5 ao baixo peso ao nascer, parto prematuro, autismo e asma e, que, fumaça de incêndios florestais é especialmente preocupante pela sua composição química, com estudos sugerindo que partículas de fumaça podem ser mais tóxicas que uma massa igual de poluição urbana e viajam grandes distâncias cobrindo comunidades longe de qualquer chama, daí, alterações climáticas intensificam riscos às grávidas em múltiplas frentes e o prolongamento das épocas de incêndios continuam acrescentando combustível a esta ameaça específica.

Estudo da Universidade de Stanford publicado na Environmental Epidemiology com mais de 2,5 milhões de nascimentos na Califórnia, descobriu que 86% das gestantes foram expostas a pelo menos um dia de fumaça de incêndio florestal e, cada dia adicional de exposição na gravidez aumentou chances de parto prematuro espontâneo em 0,3%, com fumaça entre 14 e 20 semanas de gestação associada a parto prematuro com indicação médica. Em Irvine, pesquisadores da Universidade da Califórnia analisaram mais de 627 mil nascimentos nas temporadas de incêndios de 2017 a 2018 na Califórnia e a exposição ao PM2,5 de incêndios florestais e subprodutos da combustão, no 2º trimestre, foi associada a nascimento e ruptura prematura de membranas, estimando-se que 7% dos nascimentos prematuros na população estudada podem ser atribuídos à alta exposição a fuligem dos incêndios florestais. No Vale de San Joaquin, Califórnia, estudo publicado no Journal of Exposure Science & Environmental Epidemiology sobre gestações observou maior exposição à fumaça de incêndios florestais no início da gravidez se associava a riscos de anomalias estruturais, cardiopatia denominada coarctação da aorta e lábio leporino. Análise Fronteiras em Saúde Ambiental informa que a exposição à fumaça dos incêndios florestais não é distribuída de modo uniforme, comunidades rurais suportam maiores encargos de exposição nacional, comunidades indígenas americanas e nativas do Alasca são desproporcionalmente representadas nas regiões mais atingidas, pacientes asiáticos e negros apresentaram associações entre exposição à fumaça e parto prematuro considerando que gestações que começavam nos meses mais quentes coincidiam com temporadas de incêndios mais intensas e prolongadas. Acesso limitado a ar condicionado ou filtragem enfrentam maior exposição interna porque não conseguem se refugiar em espaço com ar mais limpo nos eventos de fumaça de vários dias, a combinação de fumaça de incêndio florestal e poluição atmosférica cotidiana e o calor extremo sobreposto à fumaça aumentou mais o perigo. Por fim, fontes de orientação obstétrica tratam valores de IQA acima de 100 não saudáveis para grupos sensíveis como limite à cautela extra na gravidez e acima de 150 como motivo para ficar em ambientes fechados com filtragem funcionando e considera exposições curtas de baixo nível menos preocupantes que episódios de incêndios florestais de vários dias.

 Moral da Nota: a França passou grande parte do verão aprendendo limites ao que até a legislação alimentar francesa pode suportar, após 5 períodos de calor extremo e  colheita quase 2 semanas antes em 2025, a região de Champagne relaxou uma das regras mais sagradas, ou, alguns vinhos da safra de 2026 poderão atingir 15% de álcool acima do limite usual de 13. Maxime Toubart, copresidente do órgão industrial Comité Champagne, alerta que a “colheita incomum provavelmente se tornará a norma em 10 a 15 anos”, já que as ondas de calor na França levaram a colheita ‘incomum’ ou clima quente e seco fazendo com que as uvas amadurecessem de modo rápido ficando mais açucaradas, a levedura transforma açúcar em álcool. A França suportou o verão mais quente desde o início dos registros em 1900, com 53 dias de ondas de calor e chuvas quase 40% abaixo do normal, a Grã-Bretanha teve o verão mais quente registrado e o calor extremo faz com que alimentos tornem-se escassos e caros podendo mudar o sabor, amadurecer ou alterar a composição do leite, trigo e ovos. Alface amarga, melões queimados pelo sol, a seca forçou mudanças nas regras que regem alguns dos queijos mais famosos da França, nação de designações protegidas que determinam onde os queijos podem ser feitos, como são produzidos e, em alguns casos, até mesmo o que as vacas comem. O Instituto Nacional de Origem e Qualidade da França aprovou mudanças temporárias à produtos protegidos, incluindo Comté, Beaufort, Reblochon, Roquefort e Abondance, para Abondance, metade da ração de verão de um rebanho normalmente teria que ser grama pastada, em 2026, esse número foi reduzido à 15 % enquanto agricultores foram autorizados trazer mais forragem seca de fora da área designada. Por fim, investigadores estudam variedades de alface selvagem e do sul da Europa em busca de características que auxiliem culturas comerciais resistir as condições mais quentes e a Agência Ambiental britânica informou que a temporada de produção de saladas no Reino Unido terminou 2 semanas antes do normal, após clima quente e seco prolongado. Pesquisa publicada em 2026 na Plant Science descobriu que a exposição de tomates verdes maduros a temperaturas de 35 °C e 42 °C suprimiu a produção de licopeno, pigmento responsável pela cor vermelha do tomate maduro e interrompeu os hormônios envolvidos no amadurecimento real, o resultado pode ser tomates alaranjados, irregulares ou aparentemente verdes, mesmo quando tecnicamente amadurecidos. A Nova Aquitânia, região frutífera da França, autoridades agrícolas relatam que o calor intenso secou a folhagem do melão, interrompendo polinização e fazendo com que frutas jovens caíssem prematuramente enquanto melões expostos estavam desenvolvendo queimaduras, maçãs na mesma região sofreram queimaduras com algumas áreas estimando perdas potenciais de 5 a 15 %. Enfim, galinhas estressadas pelo calor podem botar ovos menores com cascas mais fracas, as penas podem ser excelente isolamento mas o problema é que as galinhas não conseguem suar, estudo liderado pela Universidade Estadual de Ohio em 2026 manteve galinhas poedeiras a 35 °C por 12 horas/dia por 8 semanas e comparou com as mantidas a 22 °C, quer dizer, as galinhas estressadas pelo calor comiam menos, puseram menos ovos e produziram ovos mais leves e com cascas mais fracas.