quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Modelos de Linguagem

Cientistas da UCLA, San Diego, criaram método em modelos de linguagem de grande porte, LLMs, similar aos que alimentam chatbots e ferramentas de sequenciamento de proteínas, aprendam novas tarefas usando menos dados e poder computacional, sendo que LLMs são constituidos por bilhões de parâmetros que determinam como processam informações, ao passo que métodos tradicionais de ajuste fino trabalham esses parâmetros encarecendo e propenso a overfitting, isto é, quando um modelo memoriza padrões em vez de realmente entendê-los, causando desempenho ruim nos novos exemplos. O método desenvolvido na Universidade da Califórnia adota abordagem mais inteligente em vez de retreinar modelo inteiro do zero atualizando apenas as partes mais importantes e, como resultado, reduz custos, é mais flexível, sendo melhor em generalizar o que aprende comparado aos métodos de ajuste fino em que pesquisadores podem ajustar modelos de linguagem de proteínas usados ​​para estudar e prever propriedades mesmo quando há poucos dados de treinamento disponíveis, por exemplo, ao prever se certos peptídeos conseguem atravessar a barreira hematoencefálica obteve maior precisão que osmétodos convencionais utilizando 326 vezes menos parâmetros e, ao prever a termoestabilidade das proteínas, igualou o desempenho do ajuste fino completo utilizando 408 vezes menos parâmetros. Pengtao Xie, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Escola de Engenharia Jacobs da UC San Diego, disse que o "trabalho representa passo em direção à democratização da IA" esclarecendo que, "com o método, mesmo pequenos laboratórios e startups sem grandes orçamentos ou recursos de nível de supercomputador podem desenvolver suas pesquisas".

Relatório da MarketsandMarkets informa a criação da Mentis Care, joint venture ao desenvolvimento e comercialização IA formado pela associação entre Eurofarma e SK Biopharmaceuticals, com vistas no desenvolvimento à detecção e previsão de crises epilépticas e criação de ecossistema de saúde digital, em mercado que deve movimentar US$ 550 bilhões até 2028 e sediada no MaRS Discovery District, Toronto, Canadá, um dos polos de inovação em biotecnologia e tecnologia médica do mundo. Fato relevante é o plano Health China 2030, política de Estado que busca revoluciona saúde pública chinesa e busca beneficiar países parceiros, que “começou em 2010 e visa transformar até 2030 a estrutura de saúde chinesa, dos equipamentos aos modelos assistenciais, focado em eficiência, segurança e tecnologia”, com digitalização e IA nos hospitais já realidade e servindo de modelo ao Brasil. O DR. Pedro Batista, cirurgião e fundador da Horuss AI, esclarece que a China está além da antiga imagem de “fábrica do mundo”, segundo ele, o setor de saúde chinês opera em níveis que impressiona executivos experientes, destacando o interesse chinês em parcerias com o Brasil, no contexto de tensões comerciais com os EUA, considerando que “somos o 3º parceiro comercial da China com janela de oportunidade para que o Brasil se torne o 2º maior parceiro comercial chinês, atrás da Rússia, em setores como saúde e tecnologia médica”. Avalia que em viajem ao continente asiático ficou bem inpressionado com a saúde chinesa pois o "paciente chega, escaneia um código no celular e inicia o atendimento de modo automático, sem burocracia, com segurança e agilidade, melhorando experiência do paciente e otimizando trabalho dos médicos, sendo que a proposta não é apenas importar tecnologia chinesa mas produzir no Brasil com apoio e investimento chinês”. Segundo ele, acordos bilaterais começam mostrar resultados, “em maio de 2025, houve acordo na indústria farmacêutica que permite empresas brasileiras acessarem insumos farmacêuticos ativos, IFAs, em maior escala e desenvolverem novas formulações com tecnologia chinesa, com isso, podemos produzir medicamentos de ponta no Brasil sem depender de patentes internacionais e nos tornar elo entre China e mercado ocidental”. Inserido em IA vale nota robótica que os cirurgiões Dr. Sulaiman Almazeedi, Dr. Marcelo Loureiro, Dr. Mohannad Alhaddad, Dr. Ahmed Karim, Dr. Hmoud Alrashidi e Dr. Leandro Totti Cavazzola, realizaram telecirurgias robóticas alcançando Recorde Mundial  Guinness por registrar a maior distância entre médico e paciente. Em 23 de setembro de 2025, médicos e pacientes no Hospital Jaber Al-Ahmad, Kuwait, e no Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, cobrindo distância de 12.034,92 kms, realizaram "2 procedimentos, no 1º, equipe cirúrgica no Kuwait operou paciente no Brasil, no 2º, os papéis foram invertidos com cirurgiões no Brasil operando paciente no Kuwait", cirurgias foram para hérnias inguinais com o Guinness World Records informando que "ambas cirurgias foram concluídas com sucesso e segurança, reforçando viabilidade da colaboração global em cuidados cirúrgicos e estabelecendo padrão no campo da cirurgia robótica remota". O detalhe é que a "latência média foi de 199 milissegundos, largura de banda média de 80 Mbps, megabits por segundo, e perda de pacotes, dados que não chegam ao destino, de apenas 0,19%", com um dos médicos afirmando que "durante a cirurgia, conseguiu manter esse atraso abaixo de 0,194, portanto,  muito seguro ao paciente".

Moral da Nota: relatório informa que os oceanos da Nova Zelândia aquecem 34% mais rápido que a média global alimentando ondas de calor marinhas, elevando nível do mar e ameaçando comunidades costeiras, com cientistas alertando que a tendência acelerada pode ter consequências devastadoras às costas e ecossistemas da nação insular. Intitulado Nosso Ambiente Marinho, informa que os oceanos da Nova Zelândia além de se tornarem mais ácidos e contribuírem ao aumento do nível do mar, ameaçam os ribeirinhos, esclarecendo que, “mudanças climáticas provocam mudanças significativas nos oceanos”, concluindo que, “temperaturas oceânicas aumentam e as ondas de calor marinhas tornam-se mais frequentes, intensas e duradouras com a elevação do nível do mar se acelerando em vários locais”. O relatório informa que o nível do mar está subindo 2 vezes mais rápido que antes na Nova Zelândia, particularmente nas cidades mais importantes, Wellington e Aukland, correndo risco décadas antes do previsto com dados coletados pelo governo no litoral revelando que algumas áreas afundam de 3 a 4 mm/ano, ameaça há muito esperada. As descobertas, parte do projeto NZ SeaRise, financiado pelo governo, trabalho integrado de cientistas locais e internacionais ao longo de 5 anos e, com os dados em mãos, as autoridades têm menos tempo que o esperado para introduzir adaptação climática incluindo realocação de comunidades litorâneas. Tim Naish, professor da Universidade Victoria, Wellington, nos informa que, o nível global do mar deve subir 50 cm até 2100 e, em partes da Nova Zelândia, o aumento pode chegar perto de 1 metro, porque, ao mesmo tempo, a terra está afundando, com Wellington, capital, podendo ter aumento de 30 cm no nível do mar até 2040, não esperado antes de 2060, com implicações de desastre ambiental como danos causados ​​por inundações que ocorrem uma vez por século todos os anos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Paradoxo

Por conta de dados da ONU colocando em dúvida o futuro da economia chinesa, buscam se ancorar na IA como oportunidade ao futuro, considerando que a principal questão da economia que move o planeta é matemática aplicada a futuro incerto, indicando que, cedo ou tarde, o superpovoamento chinês deve despencar. A atual crise demográfica chinesa decorre em parte como resultado de política que funcionou, isto é, o controle de natalidade que começou na década de 1970 se cristalizando na política do filho único em 1979, ao iniciar como intervenção estatal para conter o crescimento populacional insustentável terminando por moldar comportamentos por, gerações, expectativas e estruturas familiares. O hábito cultural da reprodução em massa, contido por esterilizações, multas e abortos que reduziram o número de nascimentos e inibiram a explosão populacional, ao dar início a flexibilização das regras em 2016, 2 filhos, e 2021, 3 filhos, cuja mola propulsora foi a taxa de fecundidade de 1,77 filho por mulher em 2016 caindo à 1,12 em 2021 e medidas de incentivo que mal reverteram a curva. Daí, estudos que estimam o cálculo econômico para constituir família na China avisam que criar um filho do nascimento a universidade pode custar, em média US$ 70 mil, em Xangai, por exemplo, o valor sobe à US$ 120 mil, somados às jornadas de trabalho, ao mercado imobiliário caro e expectativas profissionais explicam por que jovens e, especialmente as mulheres, optam por não ter filhos. Quer dizer, a maternidade equivale a renúncia profissional e pessoal que não se está suficientemente apto a aceitar, conforme a executiva de Hangzhou esclarecendo ao Washington Post, dizendo que, "não quer decidir sobre sacrificar a vida" sendo que o apelo por tempo e autonomia é uma das razões que os subsídios simbólicos do governo chinês, US$ 450/ano nos 3 primeiros anos, insuficientes para reverter a tendência. O resultado implica que o declínio demográfico acelerado pela queda no número de casamentos, que só em 2024, 6,1 milhões de casais registraram união comparados com 13,5 milhões em 2013, número que funciona como prelúdio de nascimentos futuros quando a taxa de nascimentos fora do casamento é marginal. A expectativa de vida aumenta e a pirâmide populacional se inverte, representando reequilíbrio nas contas públicas com projeções indicando que, nas próximas décadas, a população idosa dobrará  pressionando pensões, assistência médica e cuidados de longo prazo, financiados por base contributiva mais estreita, com demógrafos alertando que o fenômeno pode desencadear ciclo vicioso, ou, mais recursos aos idosos significando menos apoio público às famílias jovens reduzindo mais a fertilidade enquanto até 2100, segundo cálculos de organizações internacionais, haverá mais pessoas fora da vida ativa que dentro dela em cenário com implicações econômicas e políticas de alcance sistêmico. A resposta oficial no curto prazo é automação, robôs e investimento em produtividade, sendo que a substituição não funciona da mesma forma em todos os setores, com serviços, assistência médica e setores intensivos em mão de obra continuando demandar humanos e, em consequência, empresas manufatureiras já detectam pressão competitiva sobre preços e custos de mão de obra enquanto observadores apontam que a substituição industrial pode se deslocar à Índia, Sudeste Asiático, México ou Leste Europeu, com efeito multiplicador nas cadeias de suprimentos. Por fim, analistas alertam do efeito na segurança nacional chinesa considerando como economia que reduz a base de mão de obra e necessita de maiores recursos para cuidar dos idosos, verá prioridades internas e externas pressionadas, com consequências políticas imprevisíveis sendo que a crise demográfica chinesa não é apenas questão de números de nascimentos, mas, fratura estrutural que atravessa a economia, cultura e política, reverter isso, se possível, requer reforma trabalhista, política de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ambiciosa, reconsideração da imigração, investimento em tecnologia com redistribuição social e estratégia fiscal que redistribua encargos entre gerações.

A IA também é tentativa de solução no Irã de solucionar ou apaziguar a grave questão da água que passa a nação persa, é o que indica pesquisa do professor John Abraham da Universidade de St. Thomas e colegas iranianos que fizeram parceria em 50 estudos ao longo de 6 anos para fornecer soluções e lidar com a crise. Coautor de estudos com o Dr. Farzin Salmasi, professor de engenharia hídrica na Universidade de Tabriz, Irã, trabalha em colaboração com Salmasi creditando a equipe de 20 pesquisadores iranianos que operam em estruturas hídricas e executam experimentos, por exemplo, a saída do túnel de transferência de água da represa Kani Sew flui ao canal aberto no noroeste do Irã buscando redirecionar água ao Lago Urmia, parte de projetos de restauração. A pesquisa publicada no Iranian Journal of Science And Technology e IWA, demonstra como IA auxilia engenheiros iranianos melhorar projetos de estruturas hídricas e protegê-las, com Abraham, especialista em clima e professor de engenharia mecânica na Escola de Engenharia, esclarecendo que a equipe examina 2 questões, ou, "como levar água aos centros agrícolas e às cidades de modo maximizar seu uso e, a outra questão, é a segurança das estruturas que a levam até lá". Questões, segundo especialistas iranianos, importantes porque "busca-se construir estruturas de modo que sejam seguras, durem indefinidamente no futuro e não sofram falhas catastróficas como em outros lugares do mundo", considerando que o Irã está em uma das regiões mais áridas do mundo e, de acordo com a equipe de pesquisa de Abraham, a precipitação média no país é de 260 mm/ano enquanto a precipitação média no mundo é de 800 mm, além disso, 90% do volume de água é usado para agricultura, portanto, é crucial o gerenciamento adequado do consumo na agricultura iraniana. O Dr Salmasi esclarece que “o trabalho de pesquisa conjunto ṕermite otimizar o vertedouro de uma barragem de armazenamento, parte importante da barragem que descarrega água acima da capacidade nas cheias dos rios” e utilizam modelos computacionais para treinar IA e analisar projetos determinando quais ajudam engenheiros iranianos aprimorar suas estruturas hidráulicas, segundo o cientista, “a IA separa as ideias iniciais e as torna melhores” auxiliando engenheiros projetar estruturas hídricas mais econômicas. Por fim, concluem que apesar da água estar se tornando mais escassa em regiões do mundo, estão esperançosos que o trabalho ajudará o Irã vencer a corrida para melhorar a gestão da água mais rápido considerando que o clima está mudando. 

Moral da Nota: artigo no NYT 'We Warned About the First China Shock. The Next One Will Be Worse', de David Autore e Gordon Hanson, pesquisadores sobre como a concorrência chinesa devastou a indústria norte americana, mostra que a 1ª vez que a China abalou a economia dos EUA foi entre 1999 e 2007 ao eliminar um quarto dos empregos na indústria. Denominado o 'Choque Chinês', foi impulsionado pela transição do gigante asiático na década de 1970, quer dizer, do planejamento maoísta à economia de mercado, movendo mão de obra e capital das fazendas rurais às fábricas urbanas capitalistas, daí, produtos baratos chineses implodiram bases econômicas onde a manufatura era negócio principal, como Martinsville, Virgínia e Carolina do Norte, capitais dos moletons e móveis. Na ressaca 20 anos após, trabalhadores não tinham se recuperado totalmente das perdas de empregos, com a maioria dos ganhos de trabalho nas indústrias consistindo por salários  baixos, no entanto, algo semelhante ocorreu em indústrias têxteis, brinquedos, artigos esportivos, eletrônicos, plásticos e autopeças, daí, a transição de Mao à manufatura foi concluída em 2015 com o choque parando de aumentar. Em 2013, 2014 e 2016 pesquisa dos autores com David Dorn, da Universidade de Zurique, detalha como a concorrência da importação chinesa devasta os EUA com declínios no emprego e ganhos, com os autores relatando que o 1º Choque da China foi único, em essência, o país descobriu como fazer o que deveria estar fazendo décadas antes considerando que força de trabalho manufatureira chinesa é estimada em mais de 100 milhões comparada aos 13 milhões dos EUA, quer dizer, os autores relatam que beira ao delírio pensar que os norte americanos podem ou deveriam querer competir em semicondutores e tênis simultaneamente, com a China. Denominam Choque 2.0 o que se aproxima rapidamente onde os chineses passam a favoritos disputando setores inovadores onde os norte americanos sempre lideraram como aviação, IA, telecomunicações, microprocessadores, robótica, energia nuclear, computação quântica, biotecnologia, farmacêutica, energia solar e baterias. A realidade nos mostra que GM, Boeing e Intel já viram dias melhores e farão falta se partirem, a China reorganizando governos e mercados na África, América Latina, Sudeste Asiático e Europa Oriental e considerando que esses setores geram empregos com altos lucros e salários, influência geopolítica de fronteira tecnológica e proeza militar de controle do campo de batalha, tudo, quem sabe, inserido em política isolacionista norte americana.