terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Robótica

O presidente da Associação Chilena de Robótica no Simpósio Internacional "Criando o Futuro", Rússia, realizado em outubro de 2025, disse que a "tecnologia deve ser extensão da vontade pessoal, nunca um substituto à ela", com o especialista em IA, bioengenharia e segurança cibernética, revelando como vê cenário ao desenvolvimento de tecnologias. Enfatiza que "o limite não está na tecnologia", mas, na intenção com que as utilizam esclarecendo que "é simples, a tecnologia deve ser extensão da vontade, nunca substituto", segundo o inventor e coinventor de 14 soluções tecnológicas incluindo tradutor automático para surdocegos chamado Oki Doky. Fala que soberania tecnológica é "ter liberdade de construir o próprio futuro", nesse contexto, abordou a questão particularmente nas áreas de robótica e IA atraindo cada vez mais atenção, especialmente América Latina, observando que, nessa área, soberania é "ter liberdade de construir o futuro com as ferramentas do presente, sem necessitar de permissão", acrescentando que, "é nisso que trabalhamos todos os dias", concluindo,"soberania tecnológica não é construir o seu smartphone, do parafuso ao chip, é impossível e ultrapassado, a verdadeira soberania é ter capacidade e conhecimento para usar a tecnologia existente e construir suas soluções aos seus problemas." Explicou que no Laboratório de Robótica, não criam o equivalente às ferramentas mais avançadas, mas as utilizam para criar algo único, conctinua, "somos arquitetos da solução final, isso é soberania", explicando que no Chile, um dos motores IA latino americano, o uso de interfaces cérebro-computador e neurodireitos foram regulamentados, a ponto de serem incluídos na carta fundamental, pioneiro nessa área". Por fim, indica que é possível superar obstáculos com "projetos que demonstrem que a colaboração funciona", especialmente os que "beneficiam a humanidade, sem preconceitos", concluindo que, "devemos começar construir as pontes, mesmo que pequenas, para gerar confiança e mostrar que, compartilhando conhecimentos básicos, todos chegamos mais longe e mais rápido". O simpósio "Criando o Futuro" de 2025 incluiu cientistas, arquitetos, designers, escritores, diplomatas e representantes das indústrias criativas da Rússia, China, EUA, Itália, África, América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático, com conferências multidisciplinares, debates, master classes e laboratórios de projetos, os partícipes discutiram desafios demográficos, urbanização, biotecnologia, IA, tecnologias espaciais e cooperação humanitária da Rússia com a África e países do Sul Global

A demanda global por robôs em fábricas deve dobrar em 10 anos, com o relatório World Robotics 2025 da Federação Internacional de Robótica lançado Frankfurt, setembro de 2025, esclarecendo que novas estatísticas do World Robotics 2025 sobre robôs industriais mostram 542 mil robôs instalados em 2024 mais que o dobro do número de 10 anos atrás. A Ásia respondeu por 74% das novas implantações em 2024, comparados com 16% na Europa e 9% nas Américas, sendo que as instalações anuais ultrapassaram 500 mil unidades pelo 4º ano consecutivo, com o presidente da Federação Internacional de Robótica dizendo que, "estatísticas do World Robotics mostram que 2024 teve a 2ª maior contagem anual de instalações de robôs industriais da história, apenas 2% menor que o recorde histórico de 2 anos atrás", concluindo que, “a transição de indústrias à era digital e automatizada foi marcada por aumento na demanda, com o número total de robôs industriais em uso operacional no mundo foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em comparação a 2023”. A China é o maior mercado do mundo em 2024, representando 54% das implantações globais, sendo que os números mais recentes mostram que 295 mil robôs industriais foram instalados, o maior total anual já registrado e, pela 1ª vez, fabricantes chineses venderam mais que os fornecedores estrangeiros em seu país de origem, sendo que a   participação no mercado doméstico subiu à 57% em 2024, ante 28% na última década com estoque de robôs operacionais chineses ultrapassando a marca de 2 milhões em 2024, o maior que qualquer país. A robótica chinesa abre mercados, não há indicação que a demanda por robôs na China diminui, com muito potencial para crescimento médio de 10% a cada ano até 2028, enquanto o Japão manteve posição como o 2º maior mercado para robôs industriais, com 44.500 unidades instaladas em 2024, ligeira queda de 4%, sendo que o  estoque operacional do país aumentou 3%, com 450.500 unidades em uso. A demanda por robôs cresce em taxas mais baixas de um dígito em 2025, devendo acelerar à taxa média de um dígito, em média, nos próximos anos, sendo que o mercado na Coreia do Sul instalou 30.600 unidades em 2024, queda de 3%, enquanto instalações anuais vinham apresentando tendência lateral de 31 mil unidades desde 2019, sendo o país o 4º maior mercado de robôs do mundo em termos de instalações anuais em 2024, depois dos EUA, Japão e China. Chama atenção, a Índia, crescendo com recorde de 9.100 unidades instaladas em 2024, aumento de 7%, enquanto a indústria automotiva foi a que mais contribuiu com mercado de 45% e, em termos de instalações anuais, ocupa o 6º lugar no mundo, atrás da Alemanha. Instalações de robôs industriais na Europa caíram 8%, para 85 mil unidades em 2024, 2º maior número registrado na história com 67 mil na UE com a Alemanha como o maior mercado e o 5º no mundo mostrando queda de 5%, com a Itália como 2º maior mercado na Europa caindo 16%, Espanha em 3º com forte demanda automotiva e França em 4º com queda de 24% já, no Reino Unido, os robôs industriais caíram 35% em 2024 ocupando 19º no mundo. Por fim, instalações de robôs nas Américas ultrapassam 50 mil unidades pelo 4º ano, em 2024, houve queda de 10% em relação a 2023, com os EUA como maior mercado regional respondendo ​​por 68% das instalações nas Américas em 2024, detalhe, importam a maioria dos robôs do Japão e Europa, com poucos fornecedores nacionais, o México atingiu 5.600 unidades em 2024, queda de 4%, com industria automotiva repondendo por 63% e o Canadá mostrou queda de instalações de robôs de 12% com participação da industria automobilística de 47%.

Moral da Nota: OCDE e FMI esperam crescimento global de 2,9% a 3,0% em 2025 e 2,9% e 3,1% em 2026, no  entanto, tensões geopolíticas, conflitos na Europa Oriental, Oriente Médio e interrupções comerciais, exercem impacto negativo na economia global, por vezes envolvendo a indústria robótica, sem indícios que a tendência geral de crescimento a longo prazo chegue ao fim em breve. Globalmente, espera-se que as instalações de robôs cresçam 6%, para 575 mil unidades em 2025 e, até 2028, a marca de 700 mil unidades será ultrapassada, sendo que os chineses instalam mais robôs industriais que o resto do mundo combinado, com a Federação Internacional de Robótica informando que o número total daas máquinas em uso operacional globalmente "foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em relação a 2023". O novo relatório da IFR apresenta amostragem clara da supremacia chinesa no mercado de robôs industriais, sendo que em 2024, adicionou 295 mil unidades ao arsenal, que já ultrapassa 2 milhões, atingindo 54% das aquisições de equipamentos no planeta. Em relação aos concorrentes, considerando o Japão e EUA, que ficaram em 2º e 3º lugares, respectivamente, juntos não ultrapassaram 80 mil unidades, com os números mostrando declínio no setor em grande parte do mundo comparado ao relatório anterior, no entanto, a China permanece na liderança sem sinais que a demanda vá desacelerar. Espera-se que globalmente as instalações de robôs cresçam 6% atingindo 575 mil unidades em 2025 e, estima-se que, até 2028, ultrapasse 700 mil.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Névoa e Salinidade

Estudo publicado na The Lancet Planetary Health indica 3,8 milhões de mortes na Índia entre 2009 e 2019 provocadas pela poluição do ar e, a capital indiana, Nova Delhi, aparesenta períodos de densa névoa tóxica com níveis de poluição do ar 16 vezes acima do máximo recomendado pela OMS, com área metropolitana de mais de 30 milhões de habitantes aparecendo na lista de capitais mais poluídas do mundo, em particular, no inverno. Quer dizer, ar mais frio retém poluentes próximo ao solo criando mistura de emissões oriundas de queimadas, fábricas e tráfego urbano, ao passo que a poluição aumentou devido fogos de artifício nas comemorações do festival Diwali, com a Suprema Corte flexibilizando proibição e permitir “fogos verdes”, menos poluentes, no festival hindu. Níveis de PM2.5, ou, micropartículas capazes de entrar na corrente sanguínea, atingiram 248 microgramas/m³ em áreas da cidade, segundo a IQAir, organização de monitoramento, com a Comissão Governamental de Gestão da Qualidade do Ar afirmando que as condições devem piorar enquanto autoridades municipais anunciam que testarão a “semeadura de nuvens” com aviões que injetam sal ou produtos químicos nas nuvens visando induzir chuva e limpar o ar. No Iraque, a crescente salinidade da água devasta fazendas e gado com deslocamentos nas províncias do sul de agricultores assistindo morte das aves quando os níveis de salinidade atingem recordes, tornando a água já escassa imprópria ao consumo humano,  matando o gado. País fortemente afetado pelas mudanças climáticas, o Iraque é devastado há anos pela seca e escassez de chuvas com declínio de fluxos de água doce aumentando níveis de sal e poluição, particularmente no sul, onde os rios Tigre e Eufrates convergem antes de desaguar no Golfo e, no mês de setembro de 2025, os níveis de salinidade na província central de Basra dispararam à 29 mil partes por milhão, comparados aos 2.600 ppm em 2024, conforme relatório do Ministério da Água, isto, se considerarmos que a água doce deve conter menos de 1 mil ppm de sais dissolvidos, enquanto os níveis de salinidade da água do oceano são de 35 mil ppm, dados, do Serviço Geológico dos EUA. Os rios Tigre e Eufrates convergem na hidrovia Shatt al-Arab, Basra, com alertas que os níveis de água despencaram permitindo avanço da água do mar do Golfo, com Hasan al-Khateeb, especialista da Universidade de Kufa, Iraque, informando que, "carregada de poluentes acumulados ao longo do curso", além de registrar níveis mais baixos em décadas ao lado das reservas de lagos artificiais. A ONU, avalia que um quarto das mulheres em Basra e províncias vizinhas trabalha na agricultura e a Organização Internacional às Migrações da ONU que documenta deslocamento induzido pelo clima no Iraque, alerta que o aumento da salinidade da água destrói palmeirais, árvores cítricas e outras plantações, informando que 170 mil pessoas haviam sido deslocadas no centro e sul do Iraque devido fatores relacionados ao clima. Por fim, o Tigre e Eufrates nascem na Turquia e as autoridades iraquianas culpam barragens do outro lado da fronteira por reduzirem fluxos hídricos, considerando que o Iraque é um país com sistemas de gestão  ineficiente de água pós décadas de guerra e negligência, recebendo menos de 35% da cota  alocada dos dois rios, conforme autoridades, em julho de 2025, o governo anunciou projeto de dessalinização em Basra com capacidade de 1 milhão de metros cúbicos/dia.

Entre nós, o Sistema Cantareira reduziu captação de 31 m³/s à 27 m³/s, impactando abastecimento na região metropolitana, com reservatórios em queda em Guarapiranga para 52,6% e Alto Tietê para 28,9%, refletindo baixa pluviometria e volume dos mananciais da RMSP caindo de 36,7% à 36,5% em setembro de 2025, menor nível desde 2015. Trata-se do nível mais baixo dos últimos 10 anos operando com 24,2% do volume útil com o Cantareira como maior produtor de água de São Paulo, utilizando 33 m3/s à abastecer, 46% da população recebendo 23% da média histórica das afluências em 2014, que levou ao uso do "volume morto". A medição é realizada pela Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e divulgada no site da companhia e, segundo dados, o sistema opera com 24,2% do volume útil quantidade de água que pode ser transferida ao abastecimento da Região Metropolitana, com o índice acendendo alerta. O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana, utilizando 33 m3/s de água para abastecer 46% da população, formado por 5 reservatórios, Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro,conectados por túneis subterrâneos e canais. Em 2014 e 2015 as vazões de afluentes ao sistema foram menores que a média histórica registradas desde 1930, abaixo do pior ano da série, até então, 1953, em 2014, em média, o Sistema Cantareira recebeu 23% da média histórica das afluências e, em 2015, 50%, e, com o agravamento da estiagem em 2014 e 2015 foi autorizado uso da reserva técnica do Sistema Cantareira conhecido como “volume morto”, somando 480 bilhões de litros de água abaixo das estruturas de operação dos reservatórios e acessíveis por bombeamento. O Sistema Cantareira é de responsabilidade da ANA, Agência Nacional de Águas e, do DAEE, Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, apesar de localizar integralmente em território paulista recebe água de bacia hidrográfica de gestão federal, sendo que uma das razões do esgotamento do Sistema Cantareira é o desmatamento, com a região possuindo 93.932 hectares de remanescentes de vegetação nativa, 35,5% do território, dados do governo estadual. A água é o centro da crise, árvores são “amortecedores climáticos” do ambiente urbano, a arborização urbana reduz temperatura, absorve energia solar, faz fotossíntese, purificando o ar, retendo material particulado nas folhas e absorção de gases, diminui o impacto das chuvas sobre o solo reduzindo velocidade hídrica. O governo paulista anuncia plano de contingenciamento prevendo restrição de até 16 horas na pressão de água na região metropolitana, além do rodízio no abastecimento e uso do volume morto dos mananciais, em casos extremos, sendo que as restrições acontecerão pós 7 dias seguidos  dos índices na mesma faixa, com relaxamento pós 14 dias consecutivos de retorno ao cenário mais brando.

Moral da Nota: relatório da OMM avisa que a camada de ozônio deverá retornar aos níveis da década de 1980 até meados do século, com o buraco na Antártida em 2024 sendo menor que nos últimos anos, com o Boletim de Ozônio da OMM 2024 dizendo que a menor destruição da camada de ozônio se deve em parte a fatores atmosféricos naturais, enfatizando que a melhora a longo prazo reflete sucesso da ação global. Lançado no Dia Mundial do Ozônio, marca o 40º aniversário da Convenção de Viena que lançou bases à cooperação na proteção da camada de ozônio, com o secretário Geral da ONU, dizendo que, "há 40 anos, nações se uniram para dar o passo na proteção da camada de ozônio guiadas pela ciência e unidas na ação", concluindo que, "a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal tornaram marco de sucesso multilateral, hoje, a camada se recupera, conquista que nos lembra quando nações atendem alertas da ciência, o progresso é possível". O boletin da OMM, diz que Protocolo de Montreal eliminou 99% das substâncias controladas que destroem a camada de ozônio, utilizadas em refrigeração, ar condicionado, espuma para combate a incêndios e spray para cabelo, como resultado, projeta-se que a camada de ozônio se recupere a níveis de 1980 até meados do século, reduzindo riscos de câncer de pele, catarata e danos ao ecossistema. A OMM afirma que a cobertura total de ozônio estratosférico foi maior que em anos anteriores e o buraco na camada da Antártida em 2024 atingiu pico com déficit máximo de massa de ozônio de 46,1 milhões de toneladas em setembro de 2025, menor que os observados entre 2020 e 2023.