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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Cooperação Hídrica

Acordo de cooperação hídrica entre Turquia e Iraque, busca impulsionar financiamento de projetos, com o Ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, e o Vice-Primeiro-Ministro e Ministro das Relações Exteriores do Iraque, Fuad Hussein, assinando o "Documento de Mecanismo ao Financiamento de Projetos no âmbito do Acordo-Quadro de Cooperação na Área de Recursos Hídricos" entre os governos. Descrito como "histórico" destaca laços geográficos e históricos entre os 2 países ao afirmar que os acordos se transformaram em memorando de entendimento incluindo a gestão de recursos hídricos, inédito nas relações entre Iraque e Turquia, marco significativo. O Iraque depende dos rios Eufrates e Tigre com nascentes na Turquia e as autoridades iraquianas afirmam que projetos de barragens turcas, incluindo o Projeto do Sudeste da Anatólia, GAP, reduziram o fluxo de água e contribuíram à seca com desertificação e degradação ambiental, ressaltando que a crise hídrica iraquiana decorre das mudanças climáticas, diminuição das chuvas, má gestão dos recursos hídricos e projetos hídricos a montante na Turquia e Irã. Autoridades turcas esclarecem que a ausência de acordo abrangente de compartilhamento de água, tornou o Iraque vulnerável a ações unilaterais que afetam sua segurança hídrica e, o mecanismo assinado, estabelece normas à implementação do “Acordo-Quadro de Cooperação na Área da Água”, concluído na visita do presidente Erdogan a Bagdá em 2024, sendo que o mecanismo prevê financiamento de projetos através de sistema baseado nas vendas de petróleo, com empresas turcas realizando obras de modernização e infraestrutura para garantir uso eficiente, eficaz e sustentável dos recursos hídricos do Iraque. A Turquia inserida no acordo, pretende aumentar contribuição à melhoria da infraestrutura hídrica do Iraque e uso mais eficiente dos recursos compartilhados, já que o Acordo-Quadro e o documento do mecanismo de financiamento marcam nova fase na cooperação econômica e comercial, com expectativa que empresas contratadas turcas obtenham melhor acesso ao mercado iraquiano e oportunidades adicionais em projetos estratégicos. Por fim, com a diminuição dos recursos hídricos na região devido mudanças climáticas, o acordo ressalta importância de abordagens cooperativas de longo prazo para lidar com a escassez de água.

O Vale do Mississippi é o coração agrícola dos EUA, laboratório natural ao que acontece quando a produção intensiva de alimentos cruza com rios e chuvas e, a cada chuva, o   nitrogênio e fósforo oriundos de fertilizantes sintéticos infiltram-se em córregos, lagos e aquíferos, em consequência, desenvolve eutrofização, ou, excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo em rios, lagos, mares, proliferação de algas tóxicas,riscos à saúde humana e mortandade de peixes, na Europa por exemplo, a bacia do rio Ebro e a lagoa Mar Menor sofrem episódios semelhantes e, na América Latina, a expansão do cultivo intensivo de soja ou milho teve efeitos similares em bacias do Paraná. Diante o cenário, estudo analisou dados de longo prazo descobriu que após 3 anos de restauração, pântanos reduzem níveis de amônia em 62% e nitrogênio total em 37%, números significativos considerando que 0,22% do território foi transformado, quer dizer, os pântanos não eliminam o nitrogênio através de acúmulo mas o transformam em gás nitrogênio, N₂, liberado na atmosfera removendo contaminantes da água, especialmente nitrogênio. O estudo avalia que restaurar 40 hectares em uma bacia hidrográfica pode significar  economia de até USD$ 17 mil/ano e, em escala regional,se traduz em USD$ 200 milhões/ano, daí, soluções baseadas na natureza oferecem serviço a custo menor, com menos manutenção e maiores benefícios ambientais, no entanto, esse potencial está em risco, pois decisão  da Suprema Corte norte american limita proteção legal a áreas úmidas conectadas a vias navegáveis e, em estados como Illinois, até 72% das áreas úmidas ficariam sem proteção. Abre caminho à urbanização, drenadas ou convertidas em terras agrícolas, com consequente perda da capacidade de purificação, paradoxalmente, áreas úmidas isoladas são as que melhor funcionam na redução de nitrogênio e, diante o vácuo legal, pesquisadores propõem repensar a legislação ambiental para incluir critérios de funcionalidade ecológica, não apenas localização geográfica. 

Moral da Nota: a Foxbit desenvolve parceria com a CondoConta e a Sonica criando o token RWA de recebíveis de condomínios, mercado de R$ 1,8 trilhão, marcando avanço no mercado condominial e financeiro brasileiro, reforçando avanço da tokenização conectando setores tradicionais ao mercado de capitais digitais. A estruturação dos tokens será feita pela Sonica e a distribuição com a Foxbit, com o head de digital assets Foxbit esclarecendo que “reforça o compromisso em trazer produtos inovadores, seguros e acessíveis ao investidor brasileiro” e segundo o fundador do Condoconta, a parceria representa marco ao setor condominial e ao mercado financeiro “viabilizando meios de investimento e captação com mais transparência, liquidez e inovação”. O CEO da Sonica reforça que a iniciativa mostra como a tokenização cria pontes entre setores tradicionais e o mercado de capitais digital, “ampliando acesso a investidores”, por fim, mercado de tokenização no Brasil apresenta sinais de aceleração, em 2024, ativos digitais tokenizados regulados somaram R$ 1,3 bilhão, avanço de 300%, conforme dados da CVM e ABcripto.

domingo, 9 de novembro de 2025

Impacto Silencioso

IA está relacionada ao consumo de energia, espaço e capital, ou, data centers e, até 2025, um ecossistema invisível que se tornou motor da economia norte americana atraindo investimentos em tecnologia, com Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon anunciando que gastos de capital combinados em 2025 ultrapassarão US$ 370 bilhões, indicando que esse valor continuará crescer em 2026. A Microsoft se destaca como empresa mais agressiva na corrida, no último trimestre, alocou US$ 35 bilhões à data centers e investimentos relacionados, valor representando 45% da receita, quer dizer, o nível de investimento reflete importância estratégica da infraestrutura digital e seu papel na ascensão IA generativa, marcando tendência no setor, no entanto, Alphabet, Meta e Amazon dobraram esforços para construir ou expandir data centers nos EUA, competindo por fontes de energia, acesso a chips e equipamentos de refrigeração que as instalações exigem. O impacto dos data centers é físico exigindo terrenos estrategicamente localizados, grandes quantidades de eletricidade, além de logística complexa, impulsionando atividade econômica em áreas antes marginais ou rurais dos EUA como partes da Virgínia, Iowa e Texas, onde empresas como Amazon Web Services, AWS, e Google Cloud constroem novas instalações. O movimento atrai fornecedores de equipamentos, construtoras, engenheiros, operadores de redes elétricas e governos locais que buscam simplificar licenciamento oferecendo incentivos fiscais e, a expansão não está isenta de controvérsias, considerando que o consumo de energia disparou em algumas regiões com relatos de sobrecarga na rede elétrica, daí, necessidade de manter temperaturas estáveis ​​nas instalações o que multiplicou a demanda por água de refrigeração provocando resistência de comunidades locais preocupadas com recursos hídricos. Diante críticas, as empresas de tecnologia falam em renováveis ​​e melhorias na eficiência, no entanto, a velocidade de crescimento levanta dúvidas sobre se as medidas são suficientes para mitigar o impacto ambiental, considerando que a ascensão da infraestrutura IA remodela o emprego embora data centers não exijam grande número de trabalhadores permanentes gerando empregos especializados na construção e manutenção,  engenharia elétrica, segurança cibernética e gerenciamento de redes. Por fim, a questão chegou a Wall Street impulsionando avaliação das tecnológicas que mostram gastos como investimentos de longo prazo, com analistas enxergando paralelos com bolhas do passado e outros argumentando tratar-se de base sobre a qual será construída a próxima geração de serviços digitais.

Se fosse um país, a Califórnia seria a 4ª Economia da terra, em Belém, tem o que dizer e certamente ouvir, possui plano climático ambicioso que descreve como pretende reduzir  emissões de gases efeito estufa até fins da década e, eventualmente, eliminar pegada de carbono. O plano de escopo do Conselho de Recursos Atmosféricos reflete meta de reduzir emissões em 48% nesta década, comparados com níveis de 1990 em que lei estadual exige que emissões da Califórnia sejam reduzidas em 40% até 2030 e 85% até 2045, momento que emissões da atividade humana seriam compensadas por ecossistemas naturais e demais soluções, sendo que o plano oferece visão clara sobre como pode atingir suas metas climáticas mantendo crescimento econômico e acomodando população maior. Até 2045, segundo autoridades, prevê aumento 35 vezes o número de veículos com emissão zero e 4 vezes geração de energia eólica e solar, aumento que evitaria necessidade de novas termelétricas a gás natural, além de prever que a demanda do consumidor por petróleo e gás natural cairá 86% nos próximos 23 anos e, para reduzi emissões de CO2 decorrente incêndios florestais prevê tratamento de 1 milhão de acres de florestas, matagais, pastagens e habitats com técnicas como queimadas controladas, número que sobe à 2,3 milhões de acres até 2045, atualmente, gestores federais e estaduais tratam de 100 mil acres/ano que reduziria emissões de incêndios florestais em 10% comparados a cenário sem intervenção. O plano climático estadual estabelece roteiro, embora, não vinculativo, à tomada de medidas na década mais crucial na luta contra o aquecimento global em que legisladores e agências governamentais aprovarão leis, estabelecerão regulamentos e destinarão verbas à iniciativos climáticas que alcancem metas, daí, necessidade de cooperação da iniciativa privada e californianos, com formuladores de políticas esperando evitar efeitos mais graves do aquecimento global em estado devastado por secas sem precedentes, temporadas de incêndios florestais e ondas de calor recordes. Danny Cullenward, diretor de políticas da CarbonPlan, organização sem fins lucrativos da Califórnia que analisa soluções climáticas,se disse impressionado com o "nível de abstração" e "relação tangencial" com a realidade prática e, conclui, "não há muita orientação sobre quais programas precisam ser aprimorados, quais precisam ser iniciados e quem precisa fazer o quê". O plano depende da adoção de veículos com emissão zero, elétricos ou a hidrogênio, considerando que o setor de transportes incluindo emissões de escapamento e combustíveis, respondeu por 50% das emissões de gases efeito estufa no estado em 2019 e continua sendo a maior fonte individual de emissões de carbono na Califórnia. Autoridades preveem que a transição à veículos limpos levará a menor demanda por petróleo e menos emissões de refinarias, maior fonte de emissões na indústria, sendo que o plano prevê que refinarias e fábricas de cimento implementem a tecnologia chamada captura e armazenamento de carbono que consiste em captar emissões das chaminés e canalizá-las ao subsolo, aqui, alvo de críticas por parte de ambientalistas pois a descreveram como não comprovada que pode apresentar problemas em estado propenso a terremotos, no entanto, espera-se que a captura e o armazenamento de carbono entrem em operação a partir de 2028. Para concluir, críticos argumentam que, embora a captura de carbono reduza emissões de gases efeito estufa que retêm calor, não impede liberação de substâncias tóxicas como o benzeno ou partículas finas que agravam lesões nos pulmões oriundas de chaminés industriais, daí, comunidades vizinhas continuarão sofrendo riscos à saúde devido essas emissões. Para concluir, em conjunto, o plano alcançaria redução de 71% nos óxidos de nitrogênio que formam a poluição atmosférica além de economia de US$ 200 bilhões em saúde, evitando mortes prematuras, visitas a hospitais e doenças. 

Moral da Nota: o presidente do Irã alertou que Teerã enfrenta crise hídrica e energética sem precedentes com reservatórios atingindo níveis historicamente baixos, ameaçando  abastecimento de água e geração de eletricidade. Descreveu a situação como “crítica”, citando relatos que os reservatórios das barragens de Teerã caíram ao nível mais baixo em 60 anos, considerando que a cidade entrou no 6º ano de seca com barragens operando com menos de 10% da capacidade, no leste de Teerã por exemplo, a represa de Latyan um dos 5 principais reservatórios está com  9% da capacidade. Teerã tem população de 9,1 milhões de habitantes, localizada em província com 14,5 milhões de pessoas e depende da energia hidrelétrica, mas, o ressecamento de rios e pântanos provocou queda da produção de energia forçando usinas paralisarem operações por falta de água para resfriamento enquanto autoridades descrevem a escassez de água como “sem precedentes”. O sistema energético iraniano depende de energia hidrelétrica e combustíveis fósseis enquanto energia solar e eólica juntas representam pequena parcela da capacidade total, consequência de sanções, ceticismo de investidores e subinvestimento que paralisaram esforços de diversificação, com especialistas afirmando que disponibilidade de água e geração de eletricidade tornam-se evidente à medida que a produção hidrelétrica cai e as termelétricas enfrentam dificuldades com escassez de água para resfriamento. Por fim, críticos apontam como falhas políticas de longa data que instalaram indústrias com alto consumo hídrico como siderurgia, cimento e petroquímica em regiões mais secas e o desvio de rios à fábricas no interior que deveriam ter sido construídas no litoral utilizando água dessalinizada. A agricultura consome 80% da água doce do Irã, grande parte através de irrigação ineficiente à culturas sedentas em áreas áridas, além do agravamento do impacto ecológico com tempestades de poeira cobrindo principais cidades e, no noroeste, o Lago Urmia que foi um dos maiores lagos de água salgada do mundo, secou deixando para trás planícies de sal e tempestades de poeira cada vez piores que ameaçam cidades.

sábado, 1 de novembro de 2025

Los Angeles

O Los Angeles Times nos informa que Los Angeles constrói instalação de reciclagem de água na estação de tratamento de esgoto em Van Nuys, com isto, busca dobrar fornecimento de água reciclada à 500 mil moradores. O objetivo é duplicar a dimensão de projeto em transformar águas residuais em água potável purificada, quando concluída, produzirá água suficiente à 500 mil pessoas e, com a água reciclada, permitirá a cidade parar de captar nos córregos que alimentam o Lago Mono na maior parte do tempo, resolvendo um dos mais antigos conflitos ambientais da Califórnia. O plano repercutirá a mais de 480 kms ao norte, no Lago Mono, em que o volume de águas residuais será transformada em água potável na Estação de Reutilização de Água Donald C. Tillman, em Van Nuys e, em vez de tratar 25 milhões de galões/dia, como inicialmente planejado, o Conselho de Comissários de Água e Energia votou por purificar 45 milhões de galões, suficientes a 500 mil habitantes de Los Angeles. O presidente do Conselho afirmou que o projeto ao permitir fim da captação água nos riachos da Serra Nevada que alimentam o Lago Mono, atenderá reivindicações ambientalistas que criticam Los Angeles por não permitir que o lago atinja nível saudável, quer dizer,“esta é uma solução com muitos vencedores” e, conclui, “não precisaremos mais da água do Lago Mono para suprir demanda de Los Angeles”. Outros membros do Conselho informaram que o plano auxilia Los Angeles enfrentar secas, tornar-se mais autossuficiente localmente e depender menos de água de fontes distantes e que o projeto ampliado deve ser concluído até fins de 2027 a custo de USD$ 930 milhões, com o diretor executivo do grupo Los Angeles Waterkeeper dizendo que, o projeto proporciona “segurança e resiliência hídrica, essenciais, à Los Angeles, com fonte de água local à prova de secas”. A água potável produzida na usina será canalizada por 16 kms até bacias de terra ao lado do campo de golfe da represa Hansen, onde se infiltrará no solo e reabastecerá o lençol freático e bombeada aos poços pós testada e tratada entrando em tubulações e distribuída às torneiras. Por fim, o Condado de Orange trata e purifica há anos esgoto para produzir água potável e Los Angeles recicla águas residuais há décadas, antes as utilizava em áreas externas como campos de golfe e parques e, a partir de 2028, pela primeira vez, passará a utilizá-las em consumo humano.

Há décadas atrás Los Angeles recebeu ordens para reduzir o consumo de água a fim de preservar o Lago Mono, no entanto, ainda está longe de atingir tal meta, sendo que o Projeto de Reabastecimento de Águas Subterrâneas está em desenvolvimento há 3 décadas, em que construiu parte do sistema, incluindo encanamento na década de 1990, interrompido em 2000, quando debate surgiu sobre o que os oponentes e as manchetes dos jornais chamaram de projeto "do vaso sanitário à torneira", quer dizer, a questão foi envolvida em campanha à prefeito e em proposta de emenda constitucional de 2001 que pedia a secessão do Vale da cidade. O projeto sofreu atraso de 20 anos por conta de slogan político cativante, necessitando tempo e ciência para que as pessoas superassem o problema, sendo que em 1994, por decisão do Conselho Estadual de Controle de Recursos Hídricos, Los Angeles foi obrigada ajudar o Lago Mono recuperar seu nível saudável, no entanto, 31 anos depois, o lago salino a leste de Yosemite ainda está 2,7 metros abaixo do nível exigido. O lago, oferece habitat vital às aves migratórias precisando de ajuda", disse Martha Davis, líder da organização Mono Lake Committee, afirmando que a água reciclada compensa os 2% da água de Los Angeles que provém dos córregos da região, considerando reportagens da mídia e pressão dos líderes de tribos indígenas para reduzir a extração de água subterrânea, segundo eles, que secou nascentes e prados. Por fim, a pouco conhecida água subterrânea que Los Angeles bombeia no Vale de Owens e as tribos a querem de volta, ao passo que o Lago Mono "precisa ser vibrante" e a cidade tem "dever de desfazer parte dos danos causados", com a ressalva que, Los Angeles não planeja abrir mão dos direitos sobre a água ao redor do Lago Mono e pode precisar dela em seca severa ou outra emergência.

Moral da Nota: os CIOs, ou, Chief Information Officer, Chefe ou Diretor de Tecnologia da Informação, que responde pela área de TI da empresa, focado em garantir acesso às mais atuais e melhores tecnologias tornando sistemas da empresa mais produtivos e eficientes. Nesta ideia, tentam desvendar o hype IA ​​generativa e alcançar resultados ótimos, com alguns ainda sem clareza, outros enfrentando riscos multifuncionais, treinamento e imaturidade dos dados, no entanto, quando aplicada da modo correto, a tecnologia muda o cenário e impulsiona projetos presos na prova de conceito, sendo IA área de investimento em tecnologia de maior destaque aos CIOs globais em 2025, conforme 42% dos entrevistados na pesquisa State of the CIO 2025 da Foundry. Há interesse em todos os setores e regiões geográficas, com 76% relatando tarefa específica dos Conselhos de Administração de pesquisar e avaliar potenciais produtos IA para adicionar ao conjunto de tecnologias e, pouco mais de 75% afirmando trabalhar mais de perto com áreas de negócio em aplicações IA e 64% dizendo que TI e negócios são alinhados na adoção e uso IA ​​generativa. O entusiasmo não se traduz em produtividade mensurável e passar da teoria à prática é a  questão que os CIOs se fazem, dizendo que, "não é fácil aplicar IA em uma empresa quando fornecedores querem que acreditemos" e, mais, "ter equipe de engenharia ágil, adequada à interagir da melhor forma com IA generativa, fazendo perguntas certas e, ter dados suficientes de alta qualidade à projetos IA, são os 2 principais obstáculos", além de ter que demonstrar potencial IA ​​no Conselho com métricas precisas e casos de uso que comprovem eficácia. Por fim, o gerente de TI da Abaco, organização que apoia entidades públicas, refercute que a disponibilidade de soluções IA de última geração pode ser crucial na transição de projetos-piloto à implementação, quer dizer, o talento é crucial para passar da teoria à prática em projetos IA e ajudar identificar casos de uso que gerem retorno, no entanto, analistas enfatizam necessidade de acelerar transição dos testes à produção com abordagem ágil e ousada. Em última análise, teoria e prática caminham juntas, em vez de seguirem mutuamente e, se falhas ocorrem, lições devem ser aprendidas e utilizadas de modo construtivo, ou seja,  avançar com erros, nesse caminho, dados de qualidade consistentes é chave à transformar testes em lições e teoria em prática, em vez de fracassos dispendiosos. 

domingo, 12 de outubro de 2025

Crise da Água

A especialista em mudanças climáticas do AIIB, Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, declara que “a crise da água na Ásia não é só emergência humanitária, mas, emergência macroeconômica com repercussões globais, prejudicará a capacidade da região cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e agendas de desenvolvimento, ameaçará segurança alimentar, resiliência climática e estabilidade econômica de longo prazo”. O continente, declara, está no epicentro da crise mundial da água, preso entre inundações e secas, em junho,  200 mil pessoas foram evacuadas pós fortes chuvas em Punjab, Paquistão, que atingiu Vietnã causando destruição em massa, com o Iraque passando pelo ano mais seco já registrado e moradores de Basra dependendo do fornecimento diário de água, considerando que a Ásia abriga a maior parte da população mundial, projetando crescimento à mais de 5 bilhões de pessoas até 2050, devendo contribuir à maior parte do crescimento do PIB global nos próximos anos. Possui a maior concentração de países com estresse hídrico com meio bilhão de pessoas enfrentando escassez de água e mais de um bilhão sem acesso a água potável e serviços de saneamento, com análises da Organização Meteorológica Mundial, OMM, e, OCDE, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, classificando partes da Ásia entre as mais expostas à gravidade, frequência e perturbações econômicas futuras da seca no mundo, resultado das mudanças climáticas, em que o oeste e sul do continente verão secas até 10 vezes mais frequentes que atualmente até fins do século, ao mesmo tempo, chuvas extremas se intensificam do Paquistão à China, aumentando risco e gravidade de inundações, sendo que seu  crescimento populacional, a rápida urbanização, crescimento industrial e econômico tornam desafios hídricos mais urgentes. Declara que a segurança hídrica da Ásia se limita pela escassez de financiamento à infraestrutura e, sem investimentos em sistemas de irrigação, tratamento de águas residuais e drenagem urbana, governos terão dificuldades de atender necessidades básicas, proteger abastecimento de alimentos e reduzir riscos de desastres, com prioridades nacionais de desenvolvimento na região, desde expansão da irrigação na Ásia Central a melhoria do abastecimento de água e saneamento no Sul da Ásia, exigem capital e estruturas de governança que atraiam investimentos públicos e privados. Em 2024, BMDs, Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, aprovaram US$ 19,6 bilhões em financiamento relacionado à água  dos quais US$ 14,4 bilhões foram a países de baixa e média renda elevando investimento total focado em água pelos BMDs entre 2019 e 2024 à US$ 50 bilhões focados em 400 milhões de pessoas, considerando que necessidades regionais excedem compromissos atuais e uma maior colaboração dos BMDs, governos e setor privado é necessária para fechar a lacuna em cenário de casas quase submersas devido enchentes em Sirajganj, Bangladesh, por exemplo. Soluções tecnológica podem apoiar implementação de ganhos de eficiência hídrica essenciais à países que enfrentam grave escassez de água e aumentam riscos de secas prolongadas devido às mudanças climáticas, através da implementação de sensores de monitoramento e observação da Terra fornecendo transparência sobre uso excessivo de água e compreendendo ameaças de vazamentos,  sistemas de alerta precoce e modelagem integrada preparando comunidades em períodos de chuvas intensas permitindo que respondam emergências, enquanto isso, a energia hidrelétrica representa oportunidade de alavancar padrões climáticos de monções do continente e fornecer fonte de energia confiável e renovável. 

Neste ecossistema, o governo do Paquistão impõe emergências climáticas e agrícolas em meio à crise de enchentes enquanto   luta contra chuvas de monções devastadoras e inundações generalizadas que atingiram o setor agrícola com partes provinciais, incluindo representantes de Gilgit-Baltistan e Azad Jammu e Caxemira, serão incluídas em reunião consultiva para garantir  implementação efetiva, sendo que o Ministro do Petróleo anunciou que o governo suspendeu a proibição de novas conexões de gás imposta em 2021 após a persistente demanda pública sendo que os consumidores poderão solicitar novas conexões de Gás Natural Liquefeito Regaseificado, GNL, 35% mais barato que o Gás Liquefeito de Petróleo, GLP, importado, trazendo alívio às famílias. Em vista das atuais chuvas de monções e da crise nacional de inundações, será desenvolvido um plano para evitar danos adicionais das consequências negativas das mudanças climáticas, convocando reunião dos principais ministros das províncias e  autoridades pertinentes para avaliar magnitude das perdas por inundações antes que a decisão fosse tomada, circulando  informação que milhões de acres de plantações e terras agrícolas haviam sido danificados e seus membros propuseram ações para restaurar infraestrutura, compensar agricultores e ajudar na recuperação agrícola. No leste do Paquistão, as enchentes afetaram quase 142 mil pessoas obrigando deslocados morar com parentes, enquanto outros passam noites em aterros ou campos de refugiados depois que suas casas foram submersas, com equipes de resgate em barcos cruzando as águas e resgatando pessoas de árvores e telhados, barracas à beira da estrada, famílias esperando por comida enquanto crianças choravam e mulheres sussurravam orações para que as águas baixassem, na esperança de um milagre. A  Autoridade de Gestão de Desastres de Punjab, esclarece que desde 23 de agosto, 4 mil vilarejos foram submersos afetando mais de 4,2 milhões de pessoas, deslocando 2,1 milhões e matando pelo menos 68 pós chuvas de monções mais intensas que o normal e vazamentos repetidos de água de represas indianas transbordando, "aqueles que podiam pagar proprietários de barcos particulares já deixaram o vilarejo", outros, dizendo que os suprimentos de comida são escassos e as famílias deslocadas recebem uma refeição por dia. Chuvas torrenciais inundaram ruas em Karachi, capital da província de Sindh, no sul do país, com autoridades alertando que a água dos rios transbordados fluirá para Sindh, aumentando temores de danos rio abaixo, com escavadeiras e máquinas pesadas reforçando diques ao redor de Jalalpur Pirwala em tentativa de proteger a cidade de 700 mil  habitantes, com a ministra-chefe do Punjab, Maryam Nawaz Sharif, prometendo indenização às famílias que perderam parentes, casas e gado nas enchentes e, desde o final de junho, as enchentes mataram no Paquistão mais de 900 pessoas. Por fim,  a Marinha do Paquistão resgatou mais de 4.300 pessoas em operação de socorro pós enchente em andamento em Punjab, Sindh e Khyber Pakhtunkhwa realocando 4.335 pessoas isoladas em locais mais seguros, com o detalhe que a liberação e retenção de água pela Índia em relação ao Paquistão e fez com que indianos por conta de inundações das Monções abriram comportas de água que se dirige ao Paquistão agravando a crise no país vizinho. 

Moral da Nota:  modelos do sistema terrestre e paleo-reconstruções indicam que mudanças na AMOC, força da Circulação Meridional do Atlântico, impactam profundamente o clima global quantificando a força média da água do fundo no Atlântico Norte profundo com estimativas de taxas de fluxo volumétrico de registros sedimentares e, de acordo com projeções futuras, as mudanças climáticas antropogênicas podem resultar em desaceleração sem precedentes da AMOC. Cientistas da Universidade de Heidelberg e Universidade de Berna reconstruíram padrões de circulação do Holoceno utilizando análises geoquímicas de sedimentos marinhos, reconstruindo a Circulação Meridional do Atlântico ao longo dos últimos 12 mil anos, sendo a primeira a calcular padrões de circulação em larga escala mostrando que, embora a AMOC tenha experimentado flutuações naturais ao longo de milênios permaneceu estável. A AMOC, Circulação Meridional do Atlântico, é parte de sistema global de águas que redistribui calor e água doce do hemisfério sul ao hemisfério norte impactando tempo, oceanos e clima tornando-se um dos principais componentes do sistema climático da Terra incluindo o sistema da Corrente do Golfo, fator-chave ao clima europeu, sendo que mudanças na intensidade da circulação podem impactar padrões climáticos, ecossistemas marinhos e tendências climáticas globais de longo prazo. O enfraquecimento da Circulação Meridional do Atlântico, um dos motores do clima terrestre, pode provocar chuvas irregulares e afetar ecossistemas como a Floresta Amazônica, conclusão de estudo publicado na Nature Communications alertando sobre a estabilidade da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico, considerada um dos  motores do clima terrestre que funciona como "esteira oceânica" transportando calor e nutrientes entre o Atlântico Sul e Norte e regulando o clima global, sendo que um dos impactos mais preocupantes recairia sobre a região norte da Floresta Amazônica, com a porção mais preservada do bioma projetando queda das chuvas na área ameaçando biodiversidade e equilíbrio ecológico.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Ar e Água

Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder estudando a qualidade do ar em região agrícola de Oklahoma, detectaram MCCPs, poluente industrial nunca antes medido na atmosfera do Hemisfério Ocidental, cujos resultados foram publicados na ACS Environmental Au, através de instrumento de alta tecnologia para medir como as partículas de aerossol se formam e crescem na atmosfera, um espectrômetro de massas de ionização química de nitrato que permite cientistas identificar compostos químicos no ar e, em análise na área agrícola 24 horas por dia durante 30 dias, depararam com as primeiras medições aéreas de Parafinas Cloradas de Cadeia Média, MCCPs, poluente orgânico tóxico. A nova classe de produtos químicos tóxicos, MCCPs, descoberta no ar americano pela primeira vez sugere poluição generalizada por práticas agrícolas levantando a suspeita que esses compostos tóxicos estejam entrando no ar através de fertilizantes biossólidos derivados de lodo de esgoto nos campos próximos de onde instalaram o instrumento, considerando-se primos menores dos MCCPs, as Parafinas Cloradas de Cadeia Curta, SCCPs, são atualmente regulamentadas pela Convenção de Estocolmo e, desde 2009, pela EPA nos EUA. Os MCCPs ainda não são regulamentados como seus primos SCCP, havendo semelhanças com os PFAS,  "produtos químicos eternos", e, a presença inesperada no ar levanta alerta sobre como substituições químicas e descarte de resíduos podem contaminar silenciosamente o ar rural, considerando ainda que, as MCCPs estão sob consideração para regulamentação pela Convenção de Estocolmo, tratado global para proteger saúde humana de produtos químicos. Embora tenham sido medidos na Antártida e Ásia, pesquisadores não tinham certeza de como documentá-los na atmosfera do Hemisfério Ocidental já que os MCCPs são usados ​​em fluidos para usinagem de metais, construção de PVC e têxteis frequentemente encontrados em águas residuais e, como resultado, podem acabar em fertilizantes biossólidos chamados de lodo de esgoto criados quando o líquido é removido das águas residuais em uma estação de tratamento. A busca por regulamentação decorre de estudos constatarem que os poluentes tóxicos que viajam por longas distâncias e permanecem na atmosfera eram prejudiciais à saúde, levantando-se a hipótese que a regulamentação dos SCCPs pode ter aumentado os MCCPs no ambiente considerando ainda que a composição dos MCCPs é semelhante à dos PFAS, substâncias químicas tóxicas de longa duração que se decompõem lentamente ao longo do tempo, daí, sua presença no solo levou o Senado de Oklahoma proibir fertilizantes biossólidos.

No Alabama, grupos de defesa da água limpa obtém vitória na luta para atualizar padrões de toxicidade da água ao solicitarem mudanças que reduzirão quantidades de 12 poluentes tóxicos ou relacionados ao câncer nos cursos d'água do estado, com reguladores ambientais concordando atualizar padrões, medida que os defensores da água limpa dizem ajudará proteger quem pesca e nada nos rios do Alabama. A comissão, um conselho nomeado por 7 membros que supervisiona o Departamento de Gestão Ambiental do estado, decidiu a favor dos grupos ambientais por 6 votos a 1, vitória rara à grupos ambientais que operam no estado profundamente republicano, de um conselho que raramente vota contra as recomendações do departamento, com o advogado que representa grupos ambientalistas esclarecendo que ficaram “surpresos, dada a relutância histórica em dar aos ambientalistas o que eles querem”,  disse ainda que, uma vez finalizados, os novos padrões resultarão em limites mais rigorosos sobre a quantidade das substâncias tóxicas que podem ser legalmente despejadas nos cursos d'água do Alabama, fontes de água potável e áreas de pesca populares do estado. A EPA,  Agência de Proteção Ambiental dos EUA, publicou novos padrões ao Sistema Integrado de Informações de Risco, IRIS, em 2015, mas o estado nunca atualizou seus limites para correspondê-los já que o programa IRIS avalia pesquisas científicas sobre produtos químicos perigosos à auxiliar órgãos reguladores federais, estaduais e locais determinar os padrões de segurança para exposição. Vale lembrar que a comissão é composta por especialistas do setor privado em direito, biologia, engenharia, medicina, geologia e medicina veterinária, nomeados pelo governador, considerou o argumento convincente devendo ser atualizados padrões para 12 poluentes químicos, cinco desses tóxicos, cianeto, 1,3-diclorobenzeno, 4,6-dinitro-2-metilfenol, etilbenzeno e tolueno, o estado adotará o padrão atualizado da EPA para dose de referência oral, refletindo limites de dose de referência IRIS da EPA, sendo que dose de referência é a quantidade de substância tóxica à qual uma pessoa pode ser exposta diariamente e que "provavelmente não apresenta risco apreciável" de causar danos, enquanto 6 outros compostos, 1,3-dicloropropileno, 2,4-dinitrotolueno, hexacloroetano, pentaclorofenol, tricloroetileno e arsênio, o estado usará o fator de potencial cancerígeno atualizado da EPA. A petição indica que os padrões atualizados são resultado de novas pesquisas e análises da EPA mostrando que os produtos químicos são prejudiciais em concentrações mais baixas que se acreditava anteriormente, estimando-se que a ingestão de 1 mg por dia de determinada substância química aumentará o risco de uma pessoa desenvolver câncer e, para o 1,2,4-triclorobenzeno, a petição solicitou que o estado mudasse o uso do limite de dose de referência ao limite do fator de potência do câncer. 

Moral da Nota:  a recente crise entre Índia e Paquistão com os indianos suspendendo com o Paquistão o tratado de 1960 das águas do indo, avisando que não pretendem retornar às condições anteriores, apesar do cessar-fogo, considerando que 80% das fazendas do Paquistão são irrigadas por 3 rios originários da Índia e declaração do Ministro do Interior federal Amit Shah que “a água que fluía ao Paquistão será levada ao Rajastão através da construção de um canal e o Paquistão ficará sem água, que vem recebendo injustificadamente”, segundo o ministro. Valendo esclarece que o acordo transfronteiriço sobre águas permite o compartilhamento que flui da bacia do Indo dando à Índia controle de 3 rios do Himalaia oriental, Ravi, Sutlej e Beas, enquanto o Paquistão obteve o controle dos 3 rios ocidentais, Jhelum, Chenab e Indo, estabelece a Comissão do Indo 'Índia-Paquistão' que supostamente resolveria questões que surgissem e, até o momento, sobreviveu a conflitos armados anteriores e tensões quase constantes entre Índia e Paquistão nos últimos 65 anos. O Paquistão não respondeu aos comentários do ministro mais poderoso do governo indiano diminuindo esperanças de negociação a curto prazo, no entanto, afirmou no passado que o tratado não prevê a possibilidade de uma das partes recuar unilateralmente e que qualquer bloqueio do fluxo de água do rio ao Paquistão será  "ato de guerra". Por mais de 60 anos, Índia e Paquistão administraram em conjunto as águas de 6 rios da bacia do Indo que deram origem a uma das mais antigas civilizações humanas e, apesar das guerras, usaram o THI, Tratado das Águas do Indo, para irrigar terras férteis em ambos os lados da fronteira, com a mídia indiana dizendo que, em 18/09/2024, a Índia notificou formalmente o Paquistão citando preocupações incluindo mudanças na demografia da população, desafios ambientais e outros fatores, solicitando reavaliação do tratado com o aviso indiano explicando que “a notificação destaca mudanças fundamentais e imprevistas em circunstâncias que exigem reavaliação de obrigações sob vários artigos do Tratado”. A posição do Paquistão é que detém direito histórico sobre os rios ocidentais conforme estabelecido no tratado e depende deles para manter sua infraestrutura agrícola desde a era colonial, no entanto, diz que a posição indiana mudou nas últimas décadas à medida que o país buscava construir mais infraestrutura para controlar mais águas dos rios ocidentais destinados ao Paquistão, sendo que, a chamada Iniciativa Paquistão Verde, busca investimentos de US$ 6 bilhões da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein à agricultura corporativa e cultivar 600 mil hectares de terras áridas e mecanizar 20 milhões de hectares de terras agrícolas no país. Por fim, as origens do THI remontam à divisão da Índia em agosto de 1947 quando o domínio britânico terminou emergindo daí 2 países como nações soberanas, com população combinada de mais de 1,6 bilhão de habitantes dependentes das águas dos rios que fluem do Himalaia.

domingo, 26 de junho de 2022

A Questão da Água

A ONU alerta que um quarto da humanidade não tem acesso a fonte segura de água, justamente a população mais pobre, sendo que, o acesso à água é determinado pela capacidade econômica. Quanto mais rico o país maior o acesso à água e, em países subdesenvolvidos,  populações mais ricas têm mais água disponível que as mais pobres e, as urbanas, mais que as rurais. O Paraguai, neste contexto, busca garantir acesso universal à sua população com distribuição mais igualitária que os vizinhos. Parte do problema se insere no fato da água ser um bem escasso, embora o planeta tenha mais água que terra,  97% é água salgada imprópria ao consumo humano ou irrigação, sendo que desses 3% de água doce, dois terços estão congelados e que  os 8 bilhões de habitantes do planeta dependem de fontes superficiais não salgadas, lagos, pântanos e rios,  representando menos de 1% do total de água doce, ou,  das águas subterrâneas,  nossa principal fonte,  emergindo daí,  o aquífero Guarani ganhando peso no abastecimento urbano. A OMS alerta que  "as águas subterrâneas fornecem metade da água usada pelas famílias no mundo, um quarto da água usada na agricultura de irrigação e um terço do abastecimento necessário à indústria".

Nesta cilada, o Paraguai, 15ª maior economia da América Latina, tem "cobertura quase universal de acesso à água potável" e comparado a outras nações latino-americanas como Chile, México e Uruguai,  destaca por ser o que distribui forma mais uniforme. Segundo o PNUD, "no Paraguai há menos de 2% de diferença no acesso à água entre áreas rurais e urbanas ou entre grupos mais ricos e mais pobres", o que  torna o país da região com acesso mais equitativo à água e, reconhecido pela ONG Water Aid,  ser um dos países do mundo que mais aumentou a distribuição de água à regiões rurais e, de acordo com o Programa Conjunto de Monitoramento da OMS/Unicef para abastecimento de água, saneamento e higiene, 99,6% dos paraguaios têm pelo menos "acesso básico" à água.

Moral da Nota: o modelo paraguaio remete a 1972, através do SeNaSa, Serviço Nacional de Saneamento Ambiental do Paraguai estabelecido em formato comunitário,  descentralizando a gestão da água a partir da figura dos Conselhos de Saneamento, "organizações comunitárias formadas por moradores da localidade que operam e mantêm os sistemas de água". Há 4 mil Conselhos de Saneamento funcionando no Paraguai,  em pequenos povoados ou cidades maiores que abastecem até 50 mil habitantes, sendo que grupos responsáveis pela gestão da água nas localidades são reconhecidos pelo Ministério da Saúde Pública que supervisiona a distribuição do recurso.  Os conselhos são formados por cinco pessoas, presidente, vice-presidente,  secretário, tesoureiro e um membro, eleitos por Assembleia, "não recebem salário nem ajuda de custo, sendo substituídos a cada cinco anos". "Existe a taxa básica pelo que se consome por mês, entre 12 mil a 15 mil litros  e, quem usa mais paga mais"  em média US$ 3 por 12 mil litros. Segundo o PNUD, avanços no Paraguai não "resultam de aumento repentino da quantidade de água disponível no país, mas do resultado de investimentos intencionais para melhorar a governança da água".