quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Da Ficção a Telemed

Em 1874, um médico australiano enviou via telégrafo instruções de tratamento à paciente 2 mil kms de distância, poucos anos depois, em 1879, carta no The Lancet sugeriu que médicos usassem o telefone para reduzir visitas desnecessárias de pacientes, assim, à medida que telefone e o telégrafo se espalharam, o conceito de telemedicina, literalmente "cura à distância",  inspirou a ficção científica criar meios de tratar a grandes distâncias, e, no mundo real a tecnologia se desenvolveu em conjunto com a especulação de ficção científica desde então, hoje, telemedicina tornou-se comum enquanto outras ferramentas estão a caminho. No conto The Machine Stops, EM Forster descreve aparelho de telemed que, quando telegrafado, desce do teto para cuidar de pacientes em suas casa, história descrita como a mais antiga das mensagens instantâneas e de um tipo de internet, importantes à telemedicina da vida real, no entanto, em 1924, a revista Radio News publicou matéria mostrando o futuro "Radio Doctor" em que retrata um médico examinando o paciente através de uma tela, embora a história da revista em si fosse ficção que tinha pouco a ver com médico de rádio, a imagem é sugestiva. Na Science and Invention, em 1925, Hugo Gernsback, escritor norte americano, descreve dispositivo chamado "The Teledactyl", que significa longe, e dactyl, que significa dedo, uma dispositivo que usa transmissores de rádio e telas de televisão para permitir que o médico interaja com um paciente, reviravolta adicional, o médico toca o paciente usando uma mão mecânica controlada remotamente instalada na sua residência, Gernsback, vale dizer, foi um futurista e pioneiro em engenharia de rádio e elétrica apelidado de "Pai da Ficção Científica", usou ficção para educar leitores sobre ciência e tecnologia incluindo detalhes científicos em seus escritos estabelecendo ficção como gênero literário e o Prêmio Hugo anual leva seu nome.

Na década de 1950, médicos da Universidade de Nebraska usaram a telemedicina para fornecer serviços de consultoria, apoiar esforços educacionais e conduzir treinamento e pesquisa à pacientes entre o Instituto Psiquiátrico de Nebraska e o Hospital Estadual de Norfolk, com a televisão de micro-ondas de circuito fechado incorporada para facilitar o diálogo entre os diferentes locais, sendo que o trabalho de Cecil Wittson foi pioneiro no conceito de telemedicina e psiquiatria simplificado como telepsiquiatria usando televisão de circuito fechado em abordagem, conectando centros médicos, desenvolvida e aplicada em Massachusetts e Arizona nas décadas de 1960 e 1970, bem como em outras iniciativas de telemedicina conhecidas como telemental health, e-mental health e tele-behavioral health. Em 1970 a palavra telemedicina foi oficialmente cunhada pelo médico americano Thomas Bird que com colegas montou um circuito audiovisual entre o Massachusetts General Hospital e o Aeroporto Logan para fornecer consultas médicas aos funcionários do aeroporto e, com o nascimento oficial da internet em 1983, surgiram novos meios de conectar pacientes e médicos. No romance de ficção científica de 1999, Starfish, Peter Watts descreve um dispositivo chamado "Medical Mantis" que  permite o médico examinar e executar procedimentos remotamente em pacientes nas profundezas da superfície do oceano, no início dos anos 2000, a NASA começou testar robôs cirúrgicos teleoperados em ambientes submarinos, ao passo que na pandemia de COVID a telemedicina se integrou como parte dos cuidados de saúde em consultas por videochamada. Uma busca no PubMed sobre o termo 'telemedicina' e 'psiquiatria' produz mais de 1.900 entradas, a maioria das quais  escrita nos últimos 30 anos com McLaren et al. avaliando o uso da televisão em serviços psiquiátricos agudos, estudo, que reforçou o potencial da televisão interativa para dar suporte a serviços psiquiátricos dispersos, hoje, a interação é realizada com videoconferência enquanto estudos recentes de, Weiss et al. e Wadsworth et al, destacam a utilidade da tecnologia que fornece ferramentas para serem vinculadas aos provedores e links para informações importantes sobre a doença. Telemedicina, telessaúde, m-Health, e-Health, são termos-chave na assistência médica do século XXI, aplicados a ampla variedade de disciplinas clínicas, conceito de atendimento centrado no paciente, evoluindo rapidamente inseridos na capacidade de pacientes e provedores buscarem conhecimento e atendimento usando telefone celular e se tornando padrão, no entanto, mais pesquisas são necessárias, assim como treinamento de médicos e provedores de atendimento para garantir equidade, acesso e qualidade do atendimento.

Moral da Nota:  duas plataformas foram desenvolvidas através da startup Eureka, cuja propriedade intelectual seus criadores esperam registrar no Instituto Europeu de Patentes, ou, tecnologias que exploram o conceito, com a tecnologia NaBiBlocks gerando nanobiodispositivos capazes de neutralizar o SARS-CoV-2 causador da COVID-19, com eficiência “mil vezes superior” aos anticorpos monoclonais aprovados pela FDA, Food and Drug Administration, EUA, a custo “cem vezes menor” e atualizável contra novas cepas. A mesma plataforma desenvolveu sistema “com elevada especificidade e sensibilidade a fração do custo”, para detectar doença na pecuária, no entanto, afirma que acarreta “custo econômico elevado” e que os kits de detecção atuais utilizados “são insensíveis e extremamente caros”. “Existem empresas que partilham a mesma filosofia da startup, como BioNTech, Nanoligent, Icosavax e SpyBiotech, sendo que as diferenças residem na plataforma e características em termos de modularidade, tipo de ligação física entre componentes, capacidade de atualização, multivalência e funcionalidade, estabilidade e custo em mercado mundial anual que ultrapassa US$ 700 bilhões e, de acordo com estudos da empresa Markets and Markets, US$ 580 bilhões corresponderiam a imunoterapias, US$ 95 bilhões, à vacinas, US$ 40 bilhões, à serviços de descoberta de remédios em modelo de negócios abrangendo, Licenciamento de plataformas à aplicações e mercados específicos, Parcerias estratégicas com empresas para co-desenvolvimentos com esquemas de partilha de custos e lucros, Contratos de desenvolvimento com pagamentos antecipados de comissões e royalties, Fornecimento de componentes para kits de detecção Desenvolvimento e Validação pré-clínica de produtos à prevenção ou tratamento, além do posterior licenciamento.