sábado, 3 de outubro de 2026

Metano

Cortes nas emissões de metano são necessários à manter o aquecimento global "abaixo" de 2°C, considerando que o metano é gás efeito estufa e 2º maior contribuinte ao aquecimento global, depois do CO2, valendo considerar que retém calor na atmosfera de modo mais eficiente que o CO2, no entanto, tem vida útil significativamente mais curta desaparecendo pós algumas décadas. Reduzir emissões de metano, gás produzido na agricultura, combustíveis fósseis e gestão de resíduos é opção para limitar aquecimento a curto prazo, sendo que estratégias e modelos climáticos se concentram no CO2 ou combinam gases efeito estufa em única métrica conhecida como "equivalente de CO2", abordagem que torna a redução das emissões de metano dependente de escolhas de modelagem e suposições sobre “equivalência” entre metano e CO2, ocultando oportunidades e desafios ao elevado potencial de aquecimento e à curta vida útil do metano. Estudo publicado na Communications Earth Environment oferece perspectiva que "desacopla" a redução de CO2 e metano e toma limites do aquecimento global como ponto de partida na determinação do nível necessário de cortes de metano, mesmo sob metas de emissões líquidas zero ambiciosas, a ausência de redução de metano leva a pico de aquecimento que excede 1,85°C acima de níveis pré-industriais. Destaca que, para limitar o pico de aquecimento a menos de 2°C, as metas de emissões líquidas zero de CO2 devem ser complementadas por cortes nas emissões de metano, além de considerar metano e CO2 com diferentes tempos de vida atmosférica e propriedades de aquecimento, qualquer conversão só é válida em horizonte temporal e linha de base escolhidos. Premissas utilizadas nos cálculos como mitigação do metano  vistas como prioridade ou algo desnecessário, existindo métricas que os cientistas utilizam para converter gases efeito estufa, sejam metano, hidrofluorocarbonos ou óxido nitroso, NO, em emissões equivalentes de CO2, daí, o “GWP20” mede a quantidade de calor que um gás efeito estufa retém na atmosfera ao longo de período de 20 anos em relação ao CO2. Enfatiza necessidade de mitigação do metano, criticada por desconsiderar danos futuros, analisando horizonte temporal de 100 anos, dando mais peso ao aquecimento a longo prazo usado em “modelos de avaliação integrada”, IAMs, utilizados por cientistas em relatórios de emissões à ONU e Protocolo de Gases Efeito Estufa, GEE, usado por empresas. Por fim, o conceito de “Potencial de Aquecimento Global” considera taxa de emissões, sobre aquecimento ao longo de horizonte temporal fixo e, segundo conceito de “Potencial de Aquecimento Global”, reduções limitadas de metano levam as emissões equivalentes de CO2 a zero, significando emissões de metano restantes podem ser consideradas como causando “aquecimento adicional”, interpretação controversa, pois, pressupõe continuidade dos níveis históricos de aquecimento. Os Modelos Integrados de Avaliação, IAMs, são ferramentas utilizadas para gerar cenários futuros de emissões, como combinam emissões de CO2 e metano, sendo que o impacto da redução das emissões de metano isoladamente é difícil avaliar nos cenários de emissões existentes. O relatório de 2021 do IPCC sobre ciência climática e estudo da Nature de 2023 estima que até 2025, o orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento a 2°C seria de 1.000 a 1.150 bilhões de toneladas de CO2, GtCO2, na premissa de reduções de metano de 27 a 35% até 2050 em relação à linha de base de 2020, estudo de 2024 da Communications Earth & Environment chega a conclusões semelhantes. Caso as emissões de metano não forem reduzidas no futuro, descobertas sugerem que o orçamento de carbono restante ao aquecimento global de 1,7°C, já foi, na prática, esgotado, mostrando como o pico do aquecimento depende da redução tanto de CO2 quanto de metano e como metas específicas ao metano ajudam refinar metas de emissões líquidas zero existentes.

O governo norte americano afrouxa restrições ambientais aos poços de petróleo e gás que produzem muito pouca energia, mas, libertam grandes quantidades de metano, gás efeito estufa altamente potente, quer dizer, a EPA, Agência de Proteção Ambiental dos EUA propõe enfraquecer requisitos às inspeções de vazamentos e atualizações de equipamentos em mais de 700 mil poços de baixa produção “stripper”, conforme projeto de regressão enviado e revisado pela Casa Branca, poços que, tendem ser antigos, mal conservados e propensos a fugas, produzindo 6% do petróleo e gás natural dos EUA, mas respondendo por metade da poluição por metano do setor conforme mostram estudos. A EPA reconhece números no projeto, mas afirma que o custo do cumprimento das regulamentações existentes forçaria encerramento dos poços de menor produção e isso era “irracional” embora eliminasse apenas 0,4% dos EUA da produção de petróleo e gás, conforme estimativa da indústria, considera que a proposta enfraqueceria controles de metano na indústria petrolífera em geral economizando US$ 42 bilhões às empresas até 2050, sendo que, memorando anexo diz que reversão “liberará” a energia americana. Ambientalistas disseram que a desregulamentação dos poços de extração fará pouco para aumentar a produção de energia e, ao mesmo tempo, significativamente aumenta a poluição climática, com Darin Schroeder, da Força-Tarefa Ar Limpo, grupo de defesa do clima, esclarece que, “não se trata de domínio energético” e, conclui,  “trata-se de encher os bolsos dos operadores de petróleo e gás e sobrecarregar a sociedade com custos.” Campanha da indústria petrolífera que antes era discreta e ganhou influência, diz que mudanças propostas são ápice, no rascunho, a EPA disse que desregulamentando poços stripper, definidos como produtores de 15 barris/dia, responde a petições da Independent Petroleum Association of America e da National Stripper Well Association, entre, outros grupos. Por fim, as regras agora revogadas são componente da agenda climática do governo anterior que teria reduzido a poluição por metano da indústria petrolífera em 80%, segundo a EPA na época, dado que o metano se decompõe de modo rápido em alguns anos, a redução destas emissões é um dos modos conhecidos de reduzir o aquecimento global sendo que o gás, segundo o PNUMA, responde por um terço do aumento das temperaturas desde a Revolução Industrial e, como principal componente do gás natural, as regras teriam evitado que energia útil fosse perdida à atmosfera na forma de vazamentos e outras liberações, no total, a EPA do governo anterior avaliou os benefícios das regras’, clima, saúde e energia, em mais de US$ 7 bilhões/ano, mesmo contabilizando aumento de custos conformidade, enquanto a EPA do governo atual não incluiu cálculos dos impactos ambientais e de saúde na nova proposta e, se entrar em vigor, grande parte do benefício público evaporará enquanto produtores de petróleo e gás verão lucros maiores.

Moral da Nota: a Justiça do Trabalho, 7ª Vara do Trabalho de Brasília, por conta de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho, MPT, determinou suspensão por 90 dias de registros e autorizações de agrotóxicos à base de glifosato e derivados, sendo a medida preventiva considerando possíveis riscos à saúde dos trabalhadores e ao ambiente, dentre impactos apontados pelo MPT estão contaminação da água, lençóis freáticos e solo, além de efeitos na saúde humana. Trata-se de ingrediente ativo mais comercializado no Brasil, respondendo, ao lado dos derivados, por 32% do mercado nacional de agrotóxicos que movimentou R$ 98,7 bilhões no biênio 2024/2025, conforme dados citados na decisão, sendo que a Justiça determina o IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que apresente avaliações ambientais e mapas de risco relativos ao glifosato, deverá informar sobre reavaliação ambiental do pesticida e elaborar relatório sobre impactos de eventual retirada do mercado, incluindo, recolhimento, armazenamento e descarte. A ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, deve analisar irregularidades nas bulas de produtos à base de glifosato, caso ocorram, e, informar em até 20 dias, providências, valendo a nota que, a suspensão não afeta produtos que possuem registro e autorização e o pedido do MPT para cancelar registros existentes e proibir no país sua utilização ainda será analisado no decorrer da ação.  

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Cidades

Emissões de gases efeito estufa devem ser inseridas no planejamento urbano e, modo   de alcançar, é reduzindo número e duração dos deslocamentos automotivos, assim, combater emissões, garantindo que residências estejam localizadas perto dos centros urbanos e locais de trabalho, de modo que, densificação imobiliária planejada torna-se alavanca crucial. Estudo publicado na Environmental Research Letters, liderado pelo Instituto Potsdam à Pesquisa do Impacto Climático, PIK, com a Universidade da Califórnia, Berkeley, Universidade de Sussex e parceiros, utilizando 10 milhões de pontos de dados de mobilidade de Berlim, Boston, Los Angeles, Baía de São Francisco, Rio de Janeiro e Bogotá, mostra com detalhe ligações entre estrutura urbana e deslocamento automotivo, além de meras correlações. Abordagem demonstra como planejadores usam dados GPS, padrões de deslocamento e IA para determinar, onde, em determinada região metropolitana, uma medida terá maior impacto, com Felix Wagner, doutor pelo PIK em 2025, lider do estudo como parte da pesquisa de doutorado, esclarece que, “o modelo revela interdependências entre fatores urbanos, mesmo antes de determinarmos seus efeitos específicos”, explicando que, “muda foco e dados de modo responsável à planejadores em que distâncias até os centros urbanos e locais de trabalho são essenciais. Por fim, a densificação urbana não é vista isoladamente, faz-se necessário entender como se relaciona com fatores como conectividade, escolha da localização residencial e acessibilidade.

Nestes termos, áreas urbanas representam parcela crescente de emissões globais de carbono, ao passo que o papel da forma urbana na configuração das emissões não é suficientemente compreendido, embora estudos existentes tenham se concentrado nas taxas de urbanização ou densidade populacional, menos atenção se dedicou configurar   geometricamente sua relação com emissões específicas de cada setor ao longo do tempo. A associação entre compacidade urbana e emissões de carbono em painel global de mais de 11 mil centros urbanos entre 1975 a 2020, além de definições de áreas urbanas com dados de alta resolução sobre emissões residenciais e de transporte rodoviário, vão além de múltiplos indicadores geométricos da forma urbana, daí, constata-se que configurações urbanas mais compactas se associam a menores emissões per capita em ambos os setores, no entanto, a força da relação varia entre regiões, sendo mais forte em países de baixa e média renda e mais fraca ou não em regiões de alta renda. Os resultados são robustos em diferentes especificações devendo ser interpretados como associações condicionais e não como efeitos causais, quer dizer, as conclusões destacam relevância da forma urbana como dimensão do desempenho ambiental ao mesmo tempo que sublinham importância do contexto econômico e institucional, sendo que análise estatística das características urbanas no mundo e associação com emissões de CO2, requer definição consistente e internacionalmente comparável de “centro urbano”, visto que, a caracterização de “cidade” pode variar entre países. A comparabilidade internacional de informações sobre centros urbanos fo trazida à tona pela Comissão Estatística da ONU que endossou novo conceito global de centros urbanos buscando superar falta de consistência na identificação entre os países, quer dizer, a definição foi elaborada com organizações internacionais, incluindo, UE, OCDE, Banco Mundial, ONU-Habitat, FAO e OIT e, como previsto, a nova definição desconsidera a influência de fatores sociais, econômicos ou geográficos que variam em nível nacional e define cidades em termos de população e densidade totais. Caracteriza uma “cidade” como assentamento humano com população acima de 50 mil habitantes e densidade populacional média acima de 1.500 habitantes/km², em consonância com desenvolvimentos nas estatísticas oficiais, o conjunto de dados a partir de informações sobre classificação de assentamentos disponibilizadas pela Comissão Europeia como parte do projeto Global Human Settlement Layer, GHSL, a Grade do Modelo de Assentamentos do GHS, GHS-SMOD, que fornece informações espaciais de 1975 a 2020 em intervalos de 5 anos com resolução de 1 km, sobre assentamentos na superfície da Terra, variando de “aglomerados rurais” a “centros urbanos” e seguindo definição de Grau de Urbanização. Em termos de emissões e PIB per capita, resultados mostram centros urbanos em regiões mais ricas emitindo mais CO2 em média, embora estejam em melhor situação agora que em décadas passadas, sendo que o oposto ocorre na Ásia, onde emissões urbanas são menores mas aumentaram ao longo do tempo, enquanto a África continua sendo o continente com menor contribuição às emissões globais de CO2 per capita. Por fim, o PIB urbano per capita das cidades europeias, norte-americanas e Oceania está acima da média mundial, enquanto cidades asiáticas, africanas e sul-americanas estão abaixo sendo que características geográficas ou institucionais podem influenciar os níveis de emissão da cidade ao longo do tempo. 

Moral da Nota: 417 desastres naturais são registrados anualmente no mundo, de tufões a tempestades costeiras, de deslizamentos de terra a terremotos, eventos que causam danos e impactos devastadores nas comunidades locais onde ocorrem, sendo que cidades mais propensas a desastres e motivos mostram que geografia e localização as tornam suscetíveis a esses eventos. Tóquio é suscetível a inundações, considerada uma das cidades mais propensas a desastres do mundo enfrenta riscos naturais além de ser uma das maiores áreas metropolitanas da Terra, além de terremotos, tsunamis, tufões, inundações e calor extremo, considerando que o Japão se localiza no Círculo de Fogo do Pacífico, região ativa sísmicamente e significando que terremotos são mais comuns que em outros países. Assim como Tóquio, Manila se localizada no Círculo de Fogo do Pacífico entre 2 placas tectônicas que a expõe a inúmeros desastres como tufões, tempestades, terremotos e inundações, sofrendo 20 tufões/ano que afetam regiões de Luzon e Manila, causam chuvas, ventos destrutivos e inundações, deslocamentos em massa dos que tentam escapar das rotas de destruição. Ao longo dos últimos 20 anos, Los Angeles, Califórnia, sofreu 74 desastres a maioria deles relativos a incêndios, no início de 2025 ficou devastada pós incêndios florestais que atingiram diversos bairros, com mais de 16 mil estruturas destruídas e 31 mortos, propensa devido ao clima com outonos e invernos chuvosos seguidos por verões secos e os ventos de Santa Ana, fortes rajadas que contribuem à 2 temporadas de incêndios, considerando que a Califórnia se localiza no Anel de Fogo do Pacífico e possui 15.700 falhas geológicas. O Irã é propenso a desastres naturais, incluindo secas, terremotos, tempestades e deslizamentos de terra, ao longo do último século, vivenciou mais de 250 desastres,  no total, impactaram mais de 60 milhões de pessoas, mataram 158.350 e causaram danos  de US$ 53 bilhões, localizado perto de forte atividade sísmica com falhas geológicas atravessando a cidade, Teerã permanece vulnerável. Estimativas da Indonésia mostram que 97% da população vive em áreas propensas a desastres, situada no Círculo de Fogo do Pacífico e intersecção de 3 placas tectônicas ativas, além de terremotos, estão expostos a erupções vulcânicas, ciclones, inundações, deslizamentos de terra e tsunamis. Segundo cientistas, as mudanças climáticas tornaram eventos climáticos extremos, como inundações, mais comuns em Calcutá, Índia, que recebeu em setembro mais de 12% da média anual de chuvas em apenas 24 horas com consequente inundações causando mortes e danos materiais, vale a nota que, o sistema de drenagem obsoleto agravou o impacto da inundação. Devido mudanças climáticas Miami é considerada por alguns como a cidade costeira mais vulnerável dos EUA a desastres naturais, enfrenta riscos aumentados de calor, inundações, furacões e chuvas intensas, nos últimos anos, a orla municipal sofreu danos ​​por furacões e inundações nas marés altas como resultado da elevação do nível do mar, eventos que, comprometeram a água potável já que água salgada invadiu estações de tratamento. Por fim, todos os anos, terremotos ocorrem na Colúmbia Britânica, província onde Vancouver se localiza, no entanto, a maioria é tão pequena que passa despercebida, com sismólogos afirmando que corre risco diário de sofrer terremoto devastador e que pode mudar a vida das pessoas, além de incêndios florestais, cuja fumaça é causa da má qualidade do ar e poluição atmosférica urbana, já que, a inalação dessas partículas, PM2,5, pode causar efeitos nocivos à saúde.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Perdas Climáticas

Na Itália, riscos climáticos ameaçam consumir 6% do PIB, com a Deloitte nos avisando que "a capacidade de antecipar é agora, elemento da competitividade empresarial", quer dizer, prevê-se redução do PIB italiano entre 1,6% e 6% até 2050, danos diretos à infraestrutura de até 5 bilhões de euros/ano e custos incluindo efeitos indiretos podendo chegar a 18 bilhões de euros. Representa risco econômico e financeiro ao país que tende aumentar com a elevação das temperaturas, sendo que as estimativas são vistas no relatório "Risco Climático na Itália, de Cenários a Propostas de Intervenção", publicado pela Deloitte com Universidade de Milão, Universidade Ca' Foscari, Instituto Universitário Europeu e Ipsos-Doxa. Parecem conservadoras visto que estudos sugerem que ondas de calor no atual verão custaram à economia italiana 22 bilhões de euros, com o gerente geral da Deloitte Climate & Sustainability e o líder de ativação de mercado de transformação de tecnologia empresarial da GenAI, apresentando novos resultados, quer dizer, no verão, França, Alemanha, Itália, Espanha e sul da Inglaterra viram temperaturas entre 5 ºC e 12 °C acima da média sazonal, conforme análise da World Weather Attribution citada pelos especialistas. A OMM, Organização Meteorológica Mundial, informa que os últimos 11 anos foram os mais quentes registrados, 2024 e 2025, a temperatura média global deve se aproximar de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, enquanto a Europa aqueceu 2 vezes mais rápido que a média global e, a Itália, por conta de localização Mediterrânea, está entre os que experimentam aceleração mais forte da temperatura com projeções modelares da Deloitte convergindo a aumento de mais de 2°C em 10 anos comparados a era pré-industrial.

Em consequência, ondas de calor tornar-se-ão 4 a 5 vezes mais frequentes até 2030, comparadas aos níveis históricos aumentando à 30/58 dias/ano até 2050, no sul, períodos de seca teriam, em média, 2 meses consecutivos, afetando produção agrícola, custos do abastecimento de água industrial e estabilidade da irrigação, o detalhe, a seca será acompanhada por intensificação de eventos extremos criando duplo risco hidrológico. Daí, modelos econômicos estimam contração do PIB entre 1,6% e 6% até 2050, inserida em cenário climático comparado com situação sem danos, quer dizer, nos próximos 20 anos o impacto poderá reduzir o crescimento anual do PIB em 15% e, na ausência de danos climáticos, a probabilidade da dívida italiana ultrapassar 200% do PIB estaria entre 21% e 24% em cenários que incorporam danos, probabilidade que sobe à 39%/44%. As perdas seriam mais fortes na infraestrutura cujos danos diretos anuais aumentariam dos atuais 400 milhões de euros à 2 bilhões de euros em 2030 e 5 bilhões de euros em 2050, caso fossem considerados efeitos indiretos, o custo atingiria 11,5 a 18 bilhões de euros/ano até meados do século, sendo que a exposição afeta edifícios, infraestrutura energética,transportes e telecomunicações, pela crescente demanda por eletricidade ao se tornar mais vulnerável a temperaturas extremas. Por fim, na França, a EDF desligou reatores nucleares para evitar que a água de resfriamento, já aquecida pelas ondas de calor, danificasse o ecossistema fluvial pós utilização para resfriar reatores e devolvida aos rios, na Itália, especificamente na produção hidrelétrica, foram gerados 3.827 GWhou ou 23,7% a menos que no mesmo mês de 2025, quer dizer, menor disponibilidade de energia hidrelétrica levaria o mercado a depender de gás e carvão fósseis, expostos à instabilidade geopolítica. Enfim, em cenário de aumento de 4°C na média, deve se contrair a 8,9%, prejuízos estimados em 52 bilhões de euros e, com aumento de 2°C, as perdas seriam estimadas em 17 bilhões de euros, a conclusão disso é que, 34% das pequenas e médias empresas atribuem papel significativo ou central ao risco climático em sistemas de gestão, 14% adotam medidas de continuidade e resiliência e 10% implementam medidas de adaptação à infraestrutura e ativos físicos, enquanto 18% utilizam ferramentas digitais para gerenciar riscos climáticos, sendo que os investimentos estão focados no curto prazo, ou, 83% não ultrapassam o horizonte de 5 anos e 77% esperam gastar menos de 100 mil euros em 3 anos. O detalhe, cobertura de seguros predomina em vez de estratégias de integrar risco climático ao modelo de negócio, grandes empresas demonstram maior maturidade ao incorporar resiliência nos processos de decisão, IA pode contribuir, apesar de impactos ambientais, do consumo de energia e água, e, segundo a Deloitte, a aplicação na gestão de danos diretos à infraestrutura geraria economia global entre US$ 70 e US$ 110 bilhões/ano até 2050.

Moral da Nota: ministros do Meio Ambiente e Clima do BRICS apoiaram à presidência da Etiópia na 32a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP32, em Declaração Conjunta adotada na 12a Reunião de Ministros do Meio Ambiente’ do BRICS, em Nova Déli, 18 de agosto, sob a presidência indiana em 2026. A delegação etíope destaca Iniciativa Legado Verde nacional e esforços à promoção de proteção ambiental, resiliência climática e desenvolvimento sustentável, com a Embaixada etíope em Nova Déli, Índia, dizendo que o apoio reforçou papel do país na definição da agenda climática global, ao apresentar progressos no desenvolvimento florestal, restauração de terras e gestão sustentável enquanto se prepara para assumir a presidência da COP32. O BRICS acrescenta peso diplomático à liderança etíope no processo climático global, colocando iniciativas ambientais na estrutura de cooperação internacional, sendo que a reunião de ministros do meio ambiente, clima e representantes seniores dos estados membros do BRICS buscou promover cooperação em desafios ambientais compartilhados. Destaque à áreas incluindo, reflorestamento, gestão de incêndios florestais, estilos de vida sustentável e resiliência a desastres, economia circular e adaptação climática, adoção da Declaração Conjunta e lançamento de compêndios de conhecimento no âmbito do Grupo de Trabalho Ambiental do BRICS. Vale a nota que a preparação e resposta a incêndios florestais, bem como abordagens centradas em pessoas e comunidades à adaptação climática se baseiam no conhecimento tradicional destacando esforços em aprofundar cooperação ambiental e climática através do compartilhamento de conhecimento, inovação e capacitação. Por fim, o apoio do BRICS surge em momento estratégico, enquanto se prepara para assumir o comando da COP32 e colocar prioridades climáticas, necessidades de resiliência e aspirações de desenvolvimento da África em destaque na agenda global.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Frequência

Estudo observacional prospectivo encontrou microplásticos com maior frequência e níveis mais elevados, em amostras de pacientes com tumores malignos no pulmão, embora as conclusões não estabeleçam que as partículas causem câncer, cujos resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, ERS, 2026, embora reforce evidência que plásticos inalados podem atingir e permanecer nos pulmões, o delineamento não permite determinar se contribuem ao desenvolvimento do câncer ou se pulmões doentes retêm partículas de modo diverso. O estudo incluiu 100 pacientes submetidos a broncoscopia diagnóstica, metade tinha neoplasias pulmonares recém-diagnosticadas, enquanto um grupo controle foi submetido à broncoscopia por indicações respiratórias não crônicas, forneceram amostras de lavado broncoalveolar, LBA, e amostras de tecido de vias aéreas disponíveis à metade dos examinados, quer dizer, microplásticos foram detectados em 70% dos participantes e 60% das amostras coletadas. Detecção no LBA, lavado broncoalveolar, ou, tecido de vias aéreas ocorreu entre pacientes com câncer de pulmão que entre controles, 66% e 46%, respectivamente e, pacientes com neoplasias pulmonares, apresentaram 1 partícula de microplástico vista em amostras de LBA, comparada com 0 entre pacientes sem neoplasia, daí, pós ajuste à idade, sexo e exposição ao tabagismo, a carga de microplásticos permaneceu associada à malignidade pulmonar entre aqueles com amostras de LBA e tecido, com pesquisadores observando carga total de microplásticos e detecção geral maior entre os com câncer de pulmão. Por fim, pesquisadores afirmaram que a descoberta reflete dinâmica de partículas específica de cada compartimento, na qual partículas são depositadas, retidas ou eliminadas de modo diferente nos tecidos pulmonares e fluido das vias aéreas.

Vale dizer que a associação não estabelece causalidade, ao passo que os resultados não mostram se microplásticos estavam presentes antes do desenvolvimento do câncer, enquanto tumores pulmonares ou outras alterações relacionadas à doença podem afetar deposição e eliminação de partículas, tornando pacientes com neoplasias propensos a reter material inalado, no entanto, diferenças potenciais na exposição ocupacional, poluição do ar ambiente, doenças pulmonares subjacentes, procedimentos prévios e tipo ou estágio do câncer requerem estudos adicionais. Outro desafio quando se trata de pesquisa de microplásticos são equipamentos de coleta, materiais de laboratório e procedimentos analíticos que podem introduzir partículas de plástico a menos que pesquisadores apliquem controles rigorosos, ao considerar que pesquisas anteriores confirmam que microplásticos são recuperados do tecido pulmonar humano, considerando que investigadores de análise de 2022 notaram 39 microplásticos em 11 de 13 amostras de tecido coletadas em cirurgias. Vale observar que partículas foram detectadas em regiões superior, média e inferior dos pulmões com maiores níveis no tecido pulmonar inferior ao considerar que microplasticos são definidos como partículas de plástico com dimensões entre 1 nanômetro e 5 milímetros, que podem ser fabricados em tamanho ou forma reduzidos através da decomposição de itens maiores incluindo embalagens de alimentos, pneus e tecidos sintéticos, sendo a variedade de tamanhos, densidades, composições químicas e formas, dificulta amostragem e medição padronizadas. Dados de laboratório e estudos expoerimentais associaram a exposição ao estresse oxidativo, sinalização inflamatória, lesão celular e comprometimento da função mitocondrial, sendo que características das partículas e produtos químicos nas superfícies podem influenciar tais efeitos, no entanto, níveis de exposição podem exceder encontrados no dia a dia. Por fim, a revisão de pesquisas sobre microplásticos e saúde respiratória concluiu que partículas podem afetar células e tecido pulmonar, mas, consequências da exposição ambiental rotineira são incertas e classificou evidências de lesão pulmonar, inflamação crônica, estresse oxidativo e comprometimento da função pulmonar como moderadas enfatizando escassez de estudos. A conclusão que se tira é que trata-se de questão emergente de saúde ambiental relevante à pesquisa em prevenção e comunicação de riscos devendo mensurar exposições ocupacionais e ambientais, considerar características do tumor e acompanhar participantes ao longo do tempo. 

Moral da Nota: no Chipre, microplásticos foram detectados na urina de crianças do ensino fundamental, sendo que o estudo encontrou polietileno e polipropileno em amostras de urina de crianças embora pesquisadores alertem à necessidade de cautela em relação aos resultados preliminares. Pesquisadores da Universidade de Catania, Itália, Instituto do Chipre e Universidade de Tecnologia, Tepak, declararam que as descobertas sugerem que crianças podem ser expostas a partículas que permitem a entrada e circulação no organismo, sendo que foram utilizados métodos laboratoriais avançados para detectar partículas de plástico e identificar seu tipo. Constatou variação na quantidade de microplásticos detectada entre crianças, no entanto, o Instituto do Chipre afirmou que o número limitado de participantes e a natureza descritiva da análise impedem que diferenças sejam interpretadas como distinções claras entre grupos, com cientistas do Instituto dizendo que “conclusões são preliminares e devem ser interpretadas com cautela”, que necessitaria estudos mais amplos para determinar se os microplásticos estão sistematicamente presentes na urina das crianças. Vale dizer que, a pesquisa faz parte de conjunto de trabalhos internacionais que examinam exposição humana a microplásticos, foram detectados antes, no sangue, tecido placentário e leite materno em estudos realizados em outros locais, sendo que o polietileno e polipropileno, 2 tipos identificados nas amostras do Chipre, entre os plásticos mais produzidos no mundo e utilizados em embalagens e recipientes.

Em tempo: em 2024, a distribuição do tamanho das partículas apresentou mudança em direção a microplásticos substancialmente menores, diversificou-se a composição dos polímeros passando de predominantemente polietileno em 1991 à mistura mais ampla em 2024, incluindo PET, PVC e poliestireno, com mudanças nos padrões de produção e uso. Análise Py-GC-MS confirma presença de microplásticos em subamostra e identifica resíduos superficiais contendo enxofre em 2024 partículas, levantando questões sobre a adsorção de poluentes atmosféricos concomitantes e relevância toxicológica. O exame histopatológico mostra maior inflamação e fibrose pulmonar com microplásticos, independente da época da coleta, corroborando plausibilidade biológica, outro estudoatravés da pirólise-cromatografia gasosa-espectrometria de massa, Py-GC-MS, mostrou aumento nos níveis de microplásticos nos pulmões ao longo de 33 anos, quer dizer, a produção de plástico disparou na década de 1990, quase 6 vezes mais e, hoje, produz 600 milhões de toneladas métricas/ano. Em suma, estudo comparativo de pulmões de autópsias realizadas em um mesmo hospital em épocas diferentes, ou, 1991 com 42 casos 8 apresentaram microplásticos, 19%, e em 2024 estudo de 57 casos mostrou 44 com microplásticos ou 77%.

Conclusão: a Califórnia inicia processo que pode levar à regulamentação de microplásticos, em 1º de outubro, adicionará microplásticos a lista de substâncias que, segundo evidências, podem ser prejudiciais às pessoas ou ao meio ambiente e que são candidatas a regulamentação mais rigorosa.


terça-feira, 29 de setembro de 2026

Ártico Global

O livro de Mia Bennett e Klaus Dodds’, “Unfrozen”, se refere ao derretimento do gelo Ártico devido mudanças climáticas e, portanto, perspectiva ecológica busca mostrar que processos geopolíticos e ecológicos do Ártico se interligam e não podem ser compreendidos isoladamente. Reflete a insistência dos autores’ que ecologia e política devem ser consideradas em conjunto sendo que a interconexão entre mudanças ecológicas e geopolítica é clara quando se trata de eventos que levaram 8 estados regionais, ou, Canadá, Islândia, Dinamarca/Groenlândia, Noruega, Finlândia, Rússia, Suécia e EUA estabelecerem vínculos cooperativos. Argumentam modo persuasivo que o interesse na proteção do ambiente Ártico e o relaxamento das tensões Leste-Oeste a partir de fins da década de 1980 encorajaram cooperar, com os autores apresentando argumentos em 10 capítulos que oferecem visão completa da história do Ártico e como mudou ecológica e geopoliticamente desde tempos antigo, via eventos que caracterizam e caracterizaram a região. Explicam que, embora o clima Ártico tenha mudado, o aquecimento o tornou irreconhecível não apenas à cientistas que o estudam, mas, às pessoas que o habitam por milênios, no geral, os autores fornecem análise do que acontece na região e, vincula presente e passado compreedendo o desenvolvimento regional desde fins dos anos 2000. O derretimento Ártico gerou “lutas por e entre grupos pelo poder sobre, recursos, espaço,território e influência de características em seu poder”, quer dizer, intimamente ligados, considerando que o derretimento do gelo não afeta apenas o ecossistema Ártico mas tem consequências geopolíticas inevitáveis, o meio ambiente e populações são direta e profundamente afetados pelo aquecimento global, que causa desastres ecológicos como incêndios florestais de tundras e transforma o Ártico em novo oceano em muitos aspectos. Em futuro próximo é provável que o gelo em muitas áreas, derreta, deixando corpos de água, mudança com implicações geopolíticas e jurídicas, conforme explicam os autores, daí, o exemplo a respeito do Art. 234 da Convenção da ONU sobre Direito do Mar, UNCLOS, concedendo aos estados costeiros privilégios especiais para regular poluição marinha em ‘áreas cobertas de gelo’ de sua ZEE, Zona Econômica Exclusiva. 

A Estratégia de Proteção Ambiental do Ártico, 1991, absorvida pelo Conselho do Ártico, fórum intergovernamental que orienta a cooperação regional, desde 2011, os estados do Conselho do Ártico possuem acordos juridicamente vinculativos sobre busca e salvamento, resposta a derramamentos de óleo e cooperação científica e, a partir de 1998, se expandiu admitindo observadores, ou, estados e interessados em envolver-se como estados europeus e asiáticos. Vale a nota que o Ártico não é apenas bastião de riqueza de hidrocarbonetos, mas, fronteira de energia verde com hidrelétrica e eólica como fontes renováveis produzidas, especialmente Islândia, Groenlândia, Noruega e Suécia, cabos submarinos transportando mais de 95% das comunicações digitais oceânicas, vitais em transmitir eletricidade gerada pelas renováveis. A Suécia detém a maior mina de minério de ferro, o Alasca as maiores minas de zinco e outros minerais, por exemplo, cobre, ouro e níquel, encontradas em partes do Ártico, a China, parceira da Rússia, promove a mineração russa, em 2023, assinaram acordo para desenvolver o maior depósito de titânio do mundo na República de Komi, Rússia, considerando ainda terras raras da Groenlândia que atraíram interesses chineses e australianos, bem como formuladores de políticas da UE e EUA, aqui, o detalhe, com o governo da Groenlândia emitindo licenças de exploração e mineração, não foi ainda desenvolvido. A erosão do permafrost dificulta manutenção da infraestrutura e construção de instalações e, variabilidade e mobilidade do gelo marinho colocam em risco o transporte marítimo, portanto, “agravando volatilidade ambiental, o Ártico continua remoto, dispendioso às empresas e carente de mão-de-obra qualificada e de infra-estruturas”, conforme os autores. Por fim, o Acordo Internacional à Prevenir Pesca Não Regulamentada no Alto Mar do Oceano Ártico Central, CAOFA, assinado pelos 8 estados do Ártico, China, UE, Japão e Coreia do Sul entrou em vigor em 2021, ao considerar que peixes constituem importante mercadoria global a regulamentação da pesca é de extrema importância, especialmente inserida em mudanças climáticas que podem alterar a distribuição dos estoques pesqueiros de modo que criar tensões entre os estados, como entre Rússia e Noruega em Svalbard. Em conclusão, autores abordam o impacto das mudanças no Ártico sobre povos indígenas da região forçados a adaptar-se às novas condições ambientais, enquanto rupturas geopolíticas, trouxeram mudanças políticas, por exemplo, indígenas do Ártico cortaram laços com homólogos na Rússia, em contraste, o Conselho Circumpolar Inuit, de 1977, sobrevive e, em 2025, tornou-se a 1ª'Organização de Povos Indígenas’ obter status consultivo permanente na OMI, Organização Marítima Internacional. Atores extraterritoriais focados na governança regional é razão pela qual o Ártico passa por mudança de nome à “Ártico Global”, além do significado geopolítico, o termo “Ártico Global” tem significado ecológico pois indica que o encolhimento do gelo marinho e glaciares, o degelo do permafrost e temperaturas mais elevadas, afetam todo o planeta.

Moral da Nota: geleiras no Himalaia Central de Uttarakhand recuam em média 23,23 m/ano, podendo chegar a taxas de 88 m/ano, conforme estudo que descobriu que o aumento das temperaturas, características das geleiras e topografia moldam o ritmo da perda de gelo. O estudo “Avaliação dependente do tempo da recessão glacial no Himalaia Central Indiano” se baseia em observações e imagens de satélite de 1990 a 2024, descobriu que a altitude da linha de equilíbrio aumentou quase 500 mts em determinadas regiões desde 2000. Conduzido por Manish Mehta do Instituto Wadia de Geologia do Himalaia em Dehradun, com Jyoti Kumari, Girish C Kothyari e Atul Kumar Patidar da Universidade de Estudos de Petróleo e Energia, UPES, Dehradun e publicado no Discover Geoscience, segundo Mehta, “a resposta tinha variado substancialmente entre geleiras individuais, as taxas de recuo variaram de 3,7 metros/ano às geleiras estáveis ou cobertas de detritos, como Bhagirathi e Satopanth, à 88 metros/ano à Geleira Khatling, geleira de gelo limpo”. Encontrou diferença nas taxas de recuo entre geleiras com gelo limpo e cobertas de detritos, sendo que geleiras de gelo limpo são vulneráveis à ablação térmica ou perda de gelo pelo derretimento, enquanto as que terminam em lagos pró-glaciais estão expostas à perda de gelo quando grandes pedaços se quebram em um lago, por exemplo, a geleira Milam, gerou 47 novos lagos glaciais, em contraste, geleiras cobertas por camadas de detritos experimentaram taxas de derretimento mais baixas já que os detritos atuam como escudo isolante natural. Por fim, conjuntos de dados meteorológicos e de reanálise mostraram que o final do século XX, de 1980 a 1999, foi caracterizado por tendência “de aquecimento e secagem” com queda na precipitação e aumento constante das temperaturas, o período pós-2000 no entanto, mudou para fase mais úmida com tendências de precipitação, com o estudo descobrindo que o aumento da precipitação e acúmulo de neve pós o ano 2000  forneceu proteção temporária à algumas geleiras cobertas de detritos do leste e diminuiu taxas de recuo. Em suma, a geometria da geleira, inclinação, aspecto e índice de forma, juntos, respondem por até 46% da variação local na perda de gelo, mesmo com o aquecimento atmosférico sendo o principal motor da deglaciação o estudo concluiu que fatores locais e não climáticos desempenham papel substancial na determinação do modo como glaciares individuais respondem.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Mar Vermelho

Espécies que migram do Mar Vermelho ao Mediterrâneo remodelam o ecossistema marinho ao competir com espécies nativas por alimento e habita pressionando populações, esta é a avaliação de Mehmet Gokoglu, Faculdade de Pesca da Universidade Akdeniz, ao esclarecer a agência turca Anadolu, AA, que propagação de espécies oriundas do Mar Vermelho ao Mediterrâneo mudam não só a diversidade, mas relações alimentares entre organismos marinhos. Disse que o Mediterrâneo abriga variedade de espécies nativas, acrescentando que as invasoras que se estabelecem na região eventualmente começam usar as mesmas fontes alimentares e compartilhar os mesmos habitats que as espécies nativas, quer dizer, capacidade das espécies introduzidas de estabelecer populações no novo ambiente indica que são resilientes e adaptáveis, concluiu dizendo que, “espécies vindas de fora são espécies fortes, estabeleceram população pós entrarem no ambiente, são resilientes e fortes, por isso, pressionam as do Mediterrâneo”. Oriundas do Mar Vermelho utilizam mesmas fontes alimentares que  nativas do Mediterrâneo, enquanto outras se alimentam diretamente dos filhotes, ovos e larvas de espécies nativas, observando que, isso pode alterar a distribuição e densidade populacional de espécies nativas, acrescentando que a integração de espécies do Mar Vermelho na cadeia alimentar do Mediterrâneo criou novas relações ecológicas, quer dizer, “espécies do Mediterrâneo antes não estavam no menu do Mar Vermelho, após entrar no Mediterrâneo passaram fazer parte da dieta, do mesmo modo, espécies do Mar Vermelho não estavam no menu das mediterrânicas, agora, se tornaram parte da dieta, isso trouxe mudança”. Nos alerta que os efeitos da mudança são perceptíveis entre organismos que vivem no fundo do mar, por exemplo, baiacu originário do Mar Vermelho se alimenta de organismos que os habitantes do fundo do mar, crustáceos e moluscos, bem como polvos, chocos e lulas, observou que, “baiacu se move ao longo do fundo do mar e consomem espécies bentônicas, incluindo crustáceos e moluscos, polvos, chocos e lulas, é por isso, que vemos populações de polvos diminuírem ao longo da costa do Mediterrâneo, quer dizer, pressões e mudanças semelhantes estão ocorrendo”. Avalia que a utilização dos mesmos recursos por espécies do Mar Vermelho e nativas muda gradualmente relações entre organismos no ecossistema, acrescentando que o impacto não se limita a uma única espécie, quer dizer, mudanças causadas pelas espécies originárias do Mar Vermelho têm consequências não só ao ecossistema, mas, à pesca, com algumas espécies invasoras utilizadas economicamente, no entanto, observa que espécies sem valor econômico consomem alimentos e ocupam habitat no ecossistema, significando incapacidade de utilizá-los representando perda econômica. Esclarece que “há competição por comida e habitat, podemos fazer uso de espécies invasoras, no entanto, existem espécies, como o baiacu, não utilizadas e ocupam espaço não sendo possível extrair deles qualquer valor econômico significando perda” e, conclui, "o quadro emergente de espécies originárias do Mar Vermelho espalhadas no Mediterrâneo mostra que as mudanças no ecossistema marinho não são questão de surgimento de novas espécies, envolvem remodelação das relações alimentares e padrões de partilha de habitat entre espécies."

Outra questão relacionada a mudanças no ambiente, diz respeito ao Fitch, alertando que os "efeitos mais intensos do El Niño podem pressionar resultados do setor de seguros do Brasil, daí, a Fitch Ratings, agência global de classificação de risco de crédito que fornece avaliações e análises em mercados financeiros, prevê que a intensificação do El Niño criará desafios adicionais ao setor de seguros no país. Afirmou que eventos climáticos mais frequentes e severos podem resultar em aumento nas indenizações e em desempenho técnico mais fraco entre seguradoras com exposição significativa de atividade propensas a catástrofes, no entanto, não considera o impacto potencial suficiente para criar evento de crédito sistêmico ao setor, embora seguradoras individuais possam enfrentar aumento nas perdas esperadas. Esclarece que consequências do El Niño deverão variar entre regiões devido extensão territorial do país e condições climáticas, esperando-se que no sul enfrentem maior exposição a inundações, tempestades severas, ventos fortes e granizo, aumentando indenizações em seguros residenciais e veicular, no norte e Nordeste, a seca e temperaturas extremas poderão afetar atividade econômica e negócios agrícolas com perdas que poderão se estender além dos ativos segurados, daí, identifica o Centro-Oeste como área de preocupação, particularmente às seguradoras rurais, já que, a imprevisibilidade de chuvas e aumento da variabilidade climática podem afetar produção agrícola e pedidos de indenização. Vale a nota que perdas potenciais foram demonstradas em 2024 no Rio Grande do Sul, que a agência de risco cita como exemplo de consequências financeiras associadas a eventos climáticos extremos com mais de 57 mil sinistros registrados naquele ano, enquanto pedidos de indenização ultrapassaram R$ 6 bilhões. A agéncia considera o seguro agrícola uma das áreas do mercado brasileiro mais suscetíveis ao El Niño, aponta aos efeitos do fenômeno, com regiões potencialmente sofrendo com períodos de seca, enquanto outras enfrentam chuvas excessivas, criando riscos à produção agrícola e aumentando incerteza às seguradoras que cobrem lavouras e ativos rurais, destacando diminuição da área de terras agrícolas cobertas por seguros, ao lado da redução do programa governamental de subsídios aos prêmios como fatores que podem deixar os agricultores cada vez mais expostos a perdas relativas ao clima. Por fim, a agência de risco indica que a área de terras agrícolas seguradas atingiu 14 milhões de hectares em 2021, ou, 15% das terras cultivadas do Brasil, em 2025, havia caído à 3,2 milhões de hectares, 3% da área plantada do país, com a Fitch calculando que representa redução de 75% em relação ao pico de 2021 aumentando a proporção de perdas agrícolas que não são transferidas às seguradoras. Afirma que as seguradoras com carteiras mais diversificadas e exposição limitada a negócios sensíveis às condições climáticas devem sofrer menos pressão direta do El Niño, no entanto, observa que essas empresas podem ser afetadas por consequências secundárias incluindo interrupções nos negócios e em cadeias de suprimentos.

Moral da Nota: o El Niño 2026/2027 foi apontado como responsável pelo aquecimento das temperaturas da superfície do mar, no caso peruano, maior pescador mundial de anchova, enfrenta "golpe devastador" devido ao aquecimento oceânico que dizimou a produção e provocou desemprego, segundo representantes do setor. Ingrediente fundamental na farinha de peixe, a anchoveta é utilizada na fabricação de ração animal e fertilizante orgânico, com dados do governo que o Peru capturou 1,3 milhão de toneladas métricas desse peixe prateado em maio de 2025, no entanto, o El Niño 2026, que cientistas preveem como o maior em mais de um século, é apontado como responsável pelo aquecimento da temperatura da superfície do mar e forçar migração à mares mais frios. Em consequência, o Peru capturou 32 mil toneladas métricas de anchovas em maio de 2026 sendo um dos países da América Latina que declararam estado de emergência devido condições climáticas, quer dizer, o El Niño eleva temperaturas da superfície no Pacífico equatorial central e oriental, gera mudanças globais em ventos e chuvas, bem como condições climáticas instáveis, com previsão de cientistas que o fenômeno atual atingirá pico até fim do ano e causará calor global recorde em 2027. O IMARPE, Instituto do Mar do Peru, avisa do registro nas temperaturas até 6°C acima do normal em algumas áreas e, acostumadas as águas frias, anchovas migraram às águas mais profundas com, Jessica Luna, da Sociedade Nacional de Pesca do Peru, que representa a indústria dizendo que, "é um golpe devastador no setor". Por fim, estudo que constatou que a pesca e indústrias relacionadas representarão 1,1% do PIB do Peru em 2026, relata queda em relação aos 2,1% previstos para 2025, sendo que o país possui 8 mil pescadores industriais registrados, no entanto, o setor é grande empregador em terra, quer dizer, cria 250 mil empregos, sendo que 122 mil serão perdidos até 2027, segundo a representante da Sociedade Nacional de Pesca, com o detalhe que a 2ª temporada de pesca começa em novembro, que parece incerto, ou, "que o El Niño atingirá seu ápice naquele mês".

sábado, 26 de setembro de 2026

Padrões Climáticos

A transformação de padrões climáticos aliada à atividade humana, empurra continentes  à situação de estresse hídrico, desvanecendo promessa de abastecimento estável enquanto temperaturas atingem níveis recordes, com cientistas observando perda do ritmo dos ciclos naturais do planeta, ou, aqueles que reabastecem aquíferos e enchem reservatórios. A raiz da sede crônica reside na alteração do sistema climático em que massas de ar mudam comportamento e, quando chove, o fazem com intensidade sem precedentes em cenário de chuvas torrenciais, seguido por aridez, impedindo que o solo absorva umidade decorrente água que escoa causando erosão e se perdendo no oceano sem cumprir função de repor nutrientes. Grandes centros urbanos vivem sob ilusão de disponibilidade hídrica infinita, a vulnerabilidade cresce silenciosamente sob o asfalto com megacidades desviando recursos hídricos de bacias cada vez mais distantes e sobrecarregadas em que a pressão do crescimento populacional sobre tubulações velhas e distribuição obsoleta causam perdas de milhões de dólares. Aos resíduos subterrâneos soma-se a ameaça de eventos extremos, inundação repentina colapsando estações de tratamento deixando bairros sem água e contaminando fontes que se tenta proteger, a agricultura, motor do planeta, emerge como campo de batalha na crise já que o modelo de produção intensiva exige grandes volumes de água que a chuva não garante, enquanto isso, agricultores veem plantações sob sol implacável, ao passo que aquíferos, reserva hídrica estratégica da humanidade, diminuem a ritmo alarmante. O avanço de água salgada em deltas e áreas costeiras, pela elevação do nível do mar, inutiliza ​ poços que abasteciam comunidades, em que poluentes de resíduos farmacêuticos a microplásticos, infiltram-se em sistemas de saneamento projetados à clima estável e população menor, daí, mesmo em locais onde o recurso ainda flui a potabilidade é desafio técnico e econômico. Proteger nascentes de bacias hidrográficas demonstra ser investimento mais vantajoso que construir usina de dessalinização, infraestrutura verde baseada na restauração do ciclo hidrológico original oferece resiliência que cimento e aço não igualam quando o clima cobra. Por fim, a cooperação de países que compartilham aquíferos ou rios torna-se imperativo de segurança geopolítica, com disputas pelo controle da água se transformam em acordos de gestão conjunta evitando colapso compartilhado e, para monitorar, satélites de observação escaneiam o planeta enviando dados em tempo real sobre  umidade do solo e estado das reservas que permite diplomacia preventiva da água, onde informação científica desarma conflitos antes que a sede radicalize.

Nos últimos 20 anos, as taxas de água aumentaram mais rápido que a inflação impulsionadas pela manutenção adiada e o envelhecimento da infraestrutura, caso persistam tendências, mais de um terço das famílias norte americanas enfrentarão contas de água inacessíveis dentro de uma década, no entanto, contaminantes que requerem tratamento avançado e alterações climáticas agravam pressões de custos de longa data aos serviços públicos. Daí, água inacessível limita acesso para beber e higiene, força compensações com outras necessidades como assistência médica e impacta de modo negativo à saúde desproporcionalmente às comunidades de baixa renda e minorias, centros urbanos mostram que alterações climáticas desafiam capacidade de serviços públicos fornecerem acesso à água fiável e acessível, sobrecarregando abastecimentos e aumentando exigências à medida que as temperaturas sobem, sendo que alterações climáticas alteram frequência, gravidade e duração de secas em piores condições de base. Empresas de serviços públicos reduzem procura ou expandem oferta, através de projetos de infra-estruturas que aumentam tarifas gerenciando demandas com medidas de redução nas secas ou programas de eficiência no uso hídrico, aumentam tarifas através de sobretaxas para pagar perda de receita volumétrica ou investir em atualizações de eficiência e equipamentos de monitoramento. Estudos documentam desafios de acessibilidade oferecendo visão limitada de tendências futuras em que projeções de acessibilidade à água extrapolam tendências históricas, sem analisar fatores de custo como o clima que mudam no futuro, além de fatores institucionais e sociais como padrões de procura e estrutura tarifária afetando acessibilidade com estimativas que negligenciam tais questões. Destacam interações custo–demanda demonstrando como programas de assistência a taxas de baixa renda que diminuem custos domésticos da água e, aumentar o uso, além da maioria dos estudos empíricos avaliar acessibilidade em momento negligenciando variabilidade sazonal e temporal que exacerbam desafios de curto prazo. Por fim, mudanças climáticas criam pontos de acessibilidade à água onde desafios são exacerbados em cidades com vulnerabilidade de abastecimento e oportunidades limitadas de gestão, em Santa Cruz, Califórnia, por exemplo, tem baixo uso residencial de água devido experiências anteriores de seca urbana limitando opções de adaptação de baixo custo como redução da demanda através de políticas de redução ou eficiência, dependente das águas superficiais, tornando-a vulnerável à seca, daí, esgotam-se opções de menor custo à adaptação climática como gestão da demanda e, com decisões de infraestrutura caras e de longo prazo em desafios similares de cidades com similares condições climáticas, comportamentais e regulatórias.

Moral da Nota: estudo do Instituto Federal Suíço de Pesquisa Florestal da Neve e  Paisagem, WSL, publicado na Nature Communications, aponta aumento de 1,5 a 4 vezes nas taxas de mortalidade entre 9 espécies de árvores mais comuns, incluindo a faia europeia, o carvalho-pedunculado e o abeto-da-noruega, em florestas francesas que sinalizam declínio florestal generalizado impulsionado pelo clima. Chegaram a tais conclusões pós analise de dados de mais de 500 mil árvores individuais pertencentes a 52 espécies diferentes, entre 2015 a 2023, oriundas do IFN, Inventário Florestal Nacional Francês, sendo que espécies ecólogica e economicamente importantes, como Fagus sylvatica, Quercus robur e Picea abies, apresentaram aumentos acentuados, valendo dizer que, espécies mostraram aumento expressivo pós 2018 demonstrando vulnerabilidade das florestas europeias a eventos de seca extrema, enquanto padrões espaciais apontam ao papel cumulativo de seca e aquecimento regional a longo prazo. Nas 52 espécies analisadas pelos cientistas, metade, 48%, mostrou aumento na mortalidade com os autores do estudo dizendo que, “essas tendências abrangem  classes de tamanho e coincidem com a redução do crescimento, indicando que não refletem mudanças demográficas mas declínios generalizados na saúde florestal impulsionados por mudanças climáticas, já que, relatórios semelhantes na Europa reforçam que esses processos ocorrem em todo o continente de acordo com evidências que o aquecimento e o ressecamento contínuos comprometem a saúde das florestas”. Os focos desse definhamento concentraram-se no nordeste da França, regiões de Jura, Vosges e Grand Est, com o estudo observando que as perdas não são compensadas por novo crescimento ou recrutamento, indicando declínio na saúde da floresta, em vez de uma mudança demográfica típica e, entre 9 espécies mais comuns, a temperatura, em quase 93% dos modelos associou maior risco de mortalidade a anomalias mais elevadas em 7 anos. Em 63% dos modelos, o BHC, balanço hídrico climático, associou risco de mortalidade a anomalias mais secas e, em 34% dos modelos, anomalias mais úmidas e ao combinar respostas da temperatura e do BHC em cada modelo, 62% associaram maior risco de mortalidade a condições mais quentes e secas enquanto 31% à condições mais quentes e úmidas, com o estudo afirmando que, “era esperado associação forte com condições mais quentes e secas sabendo que essas condições aumentam mortalidade das árvores, enquanto a resposta a condições mais quentes e úmidas foi surpreendente sugerindo que mesmo anomalias favoráveis ​​podem elevar ao risco de mortalidade”. Por fim, cientistas em comunicado afirmaram que, na Europa, há cerca de 20 anos, observam-se sinais que um número crescente de árvores morrem prematuramente e, em algumas regiões do continente, o estado das florestas é pior que na década de 1980, quando a poluição atmosférica causou danos florestais em determinadas áreas, concluindo que, mesmo condições de crescimento favoráveis como primaveras quentes e úmidas podem aumentar o risco de morte das árvores e que, “em média, invernos mais quentes e temperaturas mínimas mais altas na primavera se destacaram como fatores  frequentes e influentes no aumento do risco de mortalidade, embora essas anomalias ocorram em estações diferentes apontam à estresse fisiológico e biótico, sendo que  invernos mais quentes encurtam ou interrompem o período de dormência, levando a resfriamento insuficiente, brotação dessincronizada na primavera e menor investimento em proteção contra geadas que aumenta vulnerabilidade a ondas repentinas de frio”, concluiu.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Transição Verde

Relatório "Perspectivas dos Diretores de Sustentabilidade" do Fórum Econômico Mundial, Sebastian Buckup, diretor-geral do Fórum Econômico Mundial, explica que "a transição não é mais questão de ambição, mas, de execução", afirma que a economia verde valerá US$ 7 trilhões até 2030 e a transição verde continua com impulso 'por razões econômicas'em ritmo acelerado, apesar das tensões geopolíticas, com 63% dos diretores de sustentabilidade, CSOs, entrevistados, esperam que o progresso em sustentabilidade permaneça estável ou acelere nos 12 meses vindouros, enquanto 73% acreditam que IA pode acelerar a transição, no entanto, 77% relatam que a alta intensidade energética e de recursos IA é o impacto negativo mais significativo. Destaca que 85% das OSCs esperam que adaptação climática se torne prioridade global nos próximos 3 anos, embora 62% citem incerteza nos cálculos custo-benefício como  principal obstáculo ao investimento, salientando "divergência verde", ou, alguns setores e regiões avançam rapidamente, enquanto outros ficam para trás devido à incerteza regulatória ou resistência interna, daí, economia verde global, avaliada em US$ 5 trilhões/ano, cresce e deve ultrapassar US$ 7 trilhões até 2030. 

Nesta trilha, vale salientar que a localização dos parques eólicos é questão crítica em que grandes turbinas, se instaladas em rotas migratórias, representam ameaça às aves e morcegos, poderosos polinizadores, daí, a expansão de parques eólicos, a morte de aves por colisão, pode chegar a 5 milhões nos EUA até 2030, com soluções simples a serem implementadas como paralisação temporária das usinas com base nas condições climáticas na temporada de migração. Outras soluções sobre a mesa como pintar uma das pás da turbina com faixa vermelha poderia reduzir colisões em 80% e, na próxima década, serão construídos trilhões de dólares em infraestrutura à apoiar  e criar empregos no mundo com planejadores devendo fazer mais para mitigar danos desnecessários à biodiversidade. Formuladores de políticas, nos ministérios da fazenda e tesouro, devem buscar estimar o valor real da natureza e custos de destruição, território desconhecido, embora custos não possam ser calculados com precisão, mas, tratar o valor econômico da natureza como zero equivale considerá-la um "bem gratuito" perpetuando falha no sistema financeiro global. Em 1 mês, governos gastam mais em subsídios prejudiciais à natureza que em 1 ano dedicado à proteção da biodiversidade e, reestruturar subsídios agrícolas à fazendas, silvicultura e pesca, incentiva produção e mitiga danos à biodiversidade, essencial para deter perda de biodiversidade, no entanto, políticas energéticas devem ser reformuladas à reduzir intensidade de carbono e promover práticas ambientalmente sustentáveis ​​na extração de fósseis ou mineração, incluindo terras raras. A degradação ambiental ameaça cadeias de abastecimento, sistemas alimentares, saúde e segurança pública, bem como segurança e estabilidade ambiental, acelera risco de fome, resulta em aumentos na migração e agitação social impondo dificuldades à humanidade, sendo que líderes políticos devem reconhecer que proteção do ecossistema é investimento estratégico na estabilidade global e soluções na natureza servem como multiplicadores econômicos, impulsionando crescimento em países onde biodiversidade é trunfo. Investir na natureza protege ecossistemas vitais, gera empregos, fortalece economias locais e promove desenvolvimento sustentável, considerando mundo em superaquecimento e longe da meta de 1,5°C, trazendo choques climáticos intensos, custos significativos no planeta e soluções na natureza oferecem modo economicamente viável de fortalecer  resiliência, ao mesmo tempo que, proporcionam benefícios ambientais e econômicos. Preservar zonas úmidas naturais oferece proteção contra tempestades e inundações, enquanto manguezais restaurados não só absorvem água das cheias, como ajudam a filtrá-la e transformá-la em água potável, em terra, programas de prevenção de incêndios florestais reduzem risco de incêndios, protegem habitats e salvaguardam  espécies que deles dependem e, ao preservar vegetação nativa e controlar espécies invasoras, permite que ecossistemas se recuperem e prosperem criando paisagens saudáveis ​​e biodiversas resilientes a futuras ameaças de incêndio. Vale a nota que fazendas que integram habitats naturais apresentam rendimentos 30% maiores nos períodos de seca reduzindo custos com pesticidas em 40%, vantagem à setor sob forte pressão, com pesquisas apontando que o valor das florestas, apenas pelo papel como sumidouros de carbono, ultrapassa US$ 100 trilhões, quer dizer, formuladores de políticas culpam restrições orçamentárias por incapacidade na abordagem destas questões, quer dizer, em muitos casos, problemas não são orçamentários, são erros de política e, quando reconhecemos o valor da natureza, criamos políticas melhores. Por fim, proteção da biodiversidade particularmente em economias tropicais e emergentes, só pode ser feita de modo eficaz pela criação de empregos e renda aos habitantes locais e aos que vivem em zonas de amortecimento, muitas vezes, povos indígenas, concluindo, a lacuna de financiamento da biodiversidade estimada pelo relatório Financing Nature de 2020 do Instituto Paulson, está em US$ 711 bilhões/ano e projetada em US$ 942 bilhões/ano, equivalente ao PIB da Suíça.

Moral da Nota: a Califórnia promete apoio adicional aos serviços de emergência e, devido o impacto previsto do El Niño, declarou estado de emergência, com governador afirmando que a medida fornece às comunidades e equipes de emergência apoio no desempenho das funções. Meteorologistas esperam tempestades severas, chuvas intensas e inundações na costa oeste dos EUA devido ao El Niño, causando condições climáticas extremas no mundo embora o pico seja esperado no outono e inverno, na Califórnia, o El Niño já provocou ventos fortes e erosão costeira, quer dizer, declarar estado de emergência é medida formal que facilita acesso de autoridades a recursos com antecedência, além disso, a Guarda Nacional pode ser acionada, se necessário. Vale dizer que o El Niño causa aquecimento da água superficial do Pacífico, com efeitos globais sobre o vento, pressão atmosférica e precipitação, por sua vez, aumenta risco de eventos climáticos extremos, considerando que mudanças climáticas induzidas pelo homem amplificam os efeitos do fenômeno, sendo provável que temperaturas subam pelo menos 3 ºC acima das estimativas mais altas anteriores até 2050, considerando por exemplo que a Alemanha não deve atingir neutralidade climática antes de 2045 e outros países não planejam chegar a esse ponto antes de 2070. Daí, até 2070, cada vez mais CO2 será liberado na atmosfera anualmente e, mesmo após a neutralidade climática, a poluição atmosférica não diminuirá, permanecerá constante até que a natureza tenha capacidade de decompô-la novamente, capacidade essa que esgotaremos com nossas emissões pós alcançarmos a neutralidade climática, daí, é provável que as temperaturas continuem subir, mesmo depois do ano em que a neutralidade climática for alcançada. Devemos considerar que intensidade do El Niño depende da temperatura da água no Pacífico, em El Niño "normal", as temperaturas ficam cerca de 1ºC acima da média e durante eventos particularmente fortes como os de 1982, 1997 e 2015 podem chegar a 2ºC ou até mais, no atual El Nino estamos com 3,05 ºC acima da média e, para novembro de 2026, os modelos preveem temperatura máxima de 4 ºC acima da média enquanto a maioria dos cálculos varia entre 3,7ºC e 4,2 ºC, comparando o evento anterior, em 2015/16, apresentou desvio de 2,7 ºC, sendo digno de nota, cálculos da Exxon, pelo índice de precisão no passado quanto ao aquecimento global, ao calcular que as temperaturas atingirão 3°C até 2050. Por fim, cientistas climáticos prevêem aumento de temperatura de 1,6°C em 2026, aumento adicional de 1,7°C previsto para 2027, ou, o próximo ano devendo ser rigoroso. 


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Califórnia

Estudo revelou que após os incêndios de Eaton e Palisades no sul da Califórnia permanceu no ar níveis elevados de cromo hexavalente, metal tóxico que provavelmente viajou mais longe que o esperado, detectado por pesquisadores da UCLA e UC Davis e, segundo artigo publicado na Nature Communications Earth & Environment o cromo estava em partículas ultrafinas, mais de mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano, significando que pode deslocar mais facilmente aos pulmões, corrente sanguínea ou atravessar membranas celulares. A modelagem computacional sugere que partículas de cromo hexavalente viajaram de 6 a 9 milhas a favor do vento das comunidades devastadas pelo fogo, expondo 3,4 milhões de pessoas, de Santa Monica a Pasadena, ao composto tóxico por vários meses aumentando preocupações sobre resíduos tóxicos deixados por incêndios florestais mais destrutivos da história recente do sul da Califórnia. O cromo hexavalente, conhecido como cromo-6, é 500 vezes mais cancerígeno que a fumaça dos motores a diesel e, sua inalação, mesmo em quantidades mínimas por longos períodos pode aumentar o risco de câncer e em altas concentrações se dissiparam após 8 meses e não representam mais ameaça, no entanto, pesquisadores dizem que necessita investigação mais detalhada à identificar fonte da contaminação e proteger o público no futuro. Pesquisadores da UC Davis utilizando artefato elétrico equipado com material especializado à amostragem do ar, buscando examinar tamanho e composição das partículas em suspensão nas áreas afetadas pelos incêndios de Eaton e Palisades detectaram 16 metais presentes no ar, incluindo chumbo, zinco, níquel e arsênio, no entanto, surpreende as partículas de cromo hexavalente em concentração média de 13,7 nanogramas/m³, ou, 137 vezes maior que o nível de exposição a longo prazo às comunidades residenciais, no entanto, abaixo do limite federal de 8 horas à trabalhadores. Vale a nota que forma benigna de cromo trivalente é vista naturalmente nos solos, com estudos mostrando que pode ser convertida em cromo hexavalente, tóxico, por altas temperaturas, não sendo conhecido se as comunidades mais afetadas pelos incêndios apresentem alta concentração de cromo no solo, daí, sugestão que os 2 milhões de litros de retardante de fogo lançados sobre os incêndios de Eaton e Palisades podem ser uma das fontes. Por fim, cientistas afirmam que o cromo tóxico provavelmente veio de itens domésticos incinerados nos incêndios com tintas, eletrônicos e peças de automóveis, sendo que empreiteiras federais e privadas quando removeram os destroços dos locais das casas destruídas podem ter espalhados.

Sem passar em branco, algumas notas, as principais montadoras dos EUA pressionam a EPA, Agência de Proteção Ambiental para adiar por 2 anos normas mais rigorosas de emissão de poluentes veiculares sob o argumento que a queda nas vendas de VE torna o cronograma atual inviável, no entanto, ambientalistas argumentam que a medida leva ao aumento da poluição atmosférica e piora na saúde pública. Questionam alegações da indústria que incineradores de lixo eliminam virtualmente os PFAS, substâncias químicas tóxicas eternos, argumentando que estudos que sustentam tais alegações se baseiam em testes incompletos e suposições sem fundamento, afirmam que instalações ainda podem liberar PFAS e outros poluentes nocivos nas comunidades próximas, enquanto a indústria de resíduos mantém que as emissões permanecem em níveis seguros. Laura Millan, repórter de clima da Bloomberg, diz que a guerra no Oriente Médio deixou os céus de Irã repletos de gases tóxicos e ataques israelenses à infraestrutura petrolífera iraniana desencadearam incêndios que duraram dias, liberando nuvem de dióxido de enxofre, SO2, nocivo, sobre área do tamanho da Itália. Ian James, repórter de assuntos hídricos do LA Times, avisa que engenheiros experimentam na Costa de Malibu, Califórnia, método de dessalinização em alto-mar, em que uma startup espera converter água oceânica em água potável a custo menor que as usinas de dessalinização costeiras. Hayley Smith, do LA Times, informa que órgãos reguladores da qualidade do ar da Califórnia aprovaram mudanças no programa estadual de emissões controladas e investimentos, tornando os limites de emissão mais rigorosos, ao mesmo tempo cria incentivos e licenças gratuitas visando impedir que refinarias e fábricas deixem o estado, no entanto, ambientalistas alertam que as mudanças podem enfraquecer a redução da poluição e cortar US$ 2 bilhões/ano do financiamento no transporte público, moradia popular, água potável e outros programas climáticos.

Moral da Nota: órgãos reguladores de pesticidas da Califórnia dizem estarem comprometidos com novas regras visando proteção das comunidades em relação ao aumento da aplicação de um fumigante perigoso, mas, permitem que produtores usem um produto químico mortal proibido em 40 países. A questão é que em janeiro de 2024, órgãos reguladores da Califórnia aprovaram norma que, segundo eles, protegeria as comunidades de um dos pesticidas mais populares e perigosos do estado, pois sabiam que o 1,3-dicloropropano, ou 1,3-D, causa tumores em múltiplos órgãos de animais de laboratório, levando o estado a classificá-lo como cancerígeno em 1989, no entanto, órgãos reguladores permitiram que os produtores rurais fumigassem os campos com grandes volumes de 1,3-D para matar qualquer organismo vivo no solo antes do plantio de morangos, amêndoas, uvas e outras culturas. Um ano após reguladores implementarem regra que, segundo eles, reduziria o risco de câncer ao diminuir a quantidade de 1,3-D no ar, as aplicações do composto aumentaram, conforme os registros estaduais, enquanto os produtores aplicaram um milhão de libras a mais de 1,3-D em 2024 que em 2023, antes dos reguladores promulgarem a regra do "espectador residencial", ou, em 2024 depois de a terem implementado. Vale dizer que, o DPR, Departamento de Regulamentação de Pesticidas, promulgou novas regras em 2024 para restringir o uso de 1,3-D, buscando proteger moradores na área afetada, com Anne Katten, diretora de projetos de pesticidas,saúde e segurança no trabalho da, California Rural Legal Assistance Foundation, ao analisar as emissões em um monitor constatou aumento de 30% nos níveis médios de 1,3-D no ar durante os 3 primeiros trimestres de 2025 comparados ao mesmo período de 2024. Políticas de saúde pública norte americanas partem do pressuposto que não existe nível seguro de exposição a agente cancerígeno, leva em consideração disparidades na exposição e variabilidade entre diferentes populações e que fumigantes como o 1,3-D podem causar sintomas graves a curto prazo, incluindo dificuldade respiratória, dores no peito, irritação ocular e tontura. Cientistas chineses relataram em 2023 a 1ª morte por inalação de 1,3-D, substância que comumente causa náuseas, tonturas e dores de cabeça em trabalhadores agrícolas expostos da Califórnia, ou, um trabalhador de estufa chinês de 50 anos morto por insuficiência renal e edema cerebral uma semana pós breve exposição ao 1,3-D em ambiente de trabalho mal ventilado. Por fim, conforme a Pesticide Action Network International, o 1,3- está proibido em 40 países, o detalhe é que, o objetivo das regulamentações nos EUA não era reduzir o uso de 1,3-D, mas reduzir as emissões, conforme Caroline Cox, cientista de pesticidas aposentada e ex-diretora de pesquisa do Centro à Saúde Ambiental, uma organização sem fins lucrativos. Em suma, a DPR possui 2 níveis de segurança distintos ao mesmo produto químico, ou, norma para residentes próximos, de 2024, e outra para trabalhadores próximos, em vigor no no início de 2026, não considerando o fato que as comunidades de trabalhadores rurais onde vivem e trabalham próximos aos campos tratados enfrentam riscos de exposição  maiores, da infância à velhice.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Degelo

Pesquisas em dados que remontam à década de 1970 documentaram perdas de gelo polar na Groenlândia e Antártida, lar das 2 grandes camadas de gelo da Terra que contribuíram entre 1979 e 2023 ao aumento do nível global do mar, dados de 27 missões de satélite mostram perda de 11,3 bilhões de toneladas de gelo acrescentando 3,14 cm à subida do nível do mar. A pesquisa usou o mais longo registro de dados de satélite de mudanças nas camadas de gelo já coletado, para fornecer relato completo da perda de gelo na Groenlândia e Antártida e conduzida pela equipe do Exercício de Intercomparação do Balanço de Massa das Camadas de Gelo, grupo internacional de cientistas polares e, segundo eles, oferecem evidências dos efeitos das alterações climáticas globais causadas pelo homem. A cientista Inês Otosaka, Universidade de Northumbria, Inglaterra, autora do estudo publicado na Scientific Data, disse que, "para colocar número tão grande em contexto, 11,3 trilhões de toneladas de gelo, suficiente para preencher um cubo de 23 km de altura", conclui que, "quando as camadas de gelo derretem, contribuem à subida do nível do mar e, a cada cm adicional de elevação do nível do mar, 2 a 3 milhões de pessoas correm risco de inundações costeiras anuais e, as camadas de gelo, são um dos principais impulsionadores da subida do nível do mar representando 25% da elevação marítima". Explica que da perda de gelo documentada no estudo, 60%, veio da Groenlândia e, 40%, da Antártida, embora a Groenlândia tenha um oitavo do tamanho da Antártida, diz ainda que, "estendemos o registro de dados de satélite no tempo até a década de 1970, confirmando que perdas de gelo começaram na década de 1990 e aumentaram desde então, a avaliação mostra que o ritmo de perda de gelo aumentou por 1 fator de 4 entre as décadas de 1980 e 2010". Documentou ainda desaceleração na perda de gelo entre 2020 e 2023, embora cientistas  tenham dito que parece representar variação de curto prazo e não inversão da tendência de longo prazo, dizendo que a queda de neve alta na Antártida Oriental forneceu gelo para compensar perdas de geleiras em outras partes, enquanto verões  amenos na Groenlândia reduziram o derretimento da superfície, quer dizer, 84% do gelo perdido veio de geleiras que fluem mais rapidamente ao oceano que derretimento do gelo na superfície, mostrando que a tendência de longo prazo é impulsionada pela resposta das camadas de gelo ao aquecimento do oceano. Por fim, nos dizem que o aumento do nível do mar às perdas de gelo na Groenlândia e Antártida pode não parecer enorme, mas, coloca outras 6 a 9 milhões de pessoas em risco de inundações e erosão costeira no mundo e, conclui, "implica no planejamento costeiro, mostra que precisamos desenvolver planos para proteger comunidades costeiras no mundo do derretimento das camadas de gelo".

IA refina previsões, mas, continua consumindo muita água e energia com cientistas concordando com a necessidade de uso responsável alertando à importância de  instituições públicas manterem controle sobre modelos, considerando o verão europeu marcado por manifestações climáticas a IA pode nos ajudar combater desastres, com o climatologista, Freddy Bouchet, responsável pela área IA no Instituto Pierre-Simon-Laplace, IPSL, se apressando em moderar expectativas na vanguarda da transição ecológica, ao dizer que, “do ponto de vista de combate às emissões de gases efeito estufa, IA é detalhe menor”, ​​afirma, e defende, “conhecemos soluções e não é IA que vai nos incentivar consumir menos combustíveis fósseis, implementar transportes de baixo carbono ou reformar edifícios”, acrescenta. Embora não devamos esperar que a tecnologia substitua política ou seres humanos, o cientista enxerga como ferramenta "para melhor compreensão de fenômenos climáticos", com Pierre Gentine, Universidade Columbia, EUA, reconhecido por trabalho em IA e modelagem climática, dizendo que, "normalmente, dizemos com maior precisão se estamos caminhando ao aquecimento de 2°C ou 1,5 °C , dependendo dos cenários de emissão de gases efeito estufa". Por fim, Freddy Bouchet, que publicou artigo na Physical Review Letters, mostra que combinar IA com modelos meteorológicos tradicionais permite melhor previsão de ondas de calor ou mega incêndios, como do verão findo europeu, dizendo que, "IA trará benefícios para entender, prever e nos adaptar".

Moral da Nota: Henry M. Paulson Jr, do Instituto Paulson, disse que “o mundo natural que vivemos é fascinante, não acredito que alguém de nós queira um planeta que seja um deserto solitário”, já, Tom Lovejoy, o “Padrinho da Biodiversidade”, disse que a 5 anos, alertou que caminhávamos sonâmbulos à crise ao subestimarmos a natureza e, nesse processo, minamos a estabilidade ecológica e ameaçamos segurança, saúde e economia, agora, a crise se agrava e, apesar da conscientização da ameaça existencial nos encontramos meio despertos e perigosamente perto de um precipício. O relatório "Financiando a Natureza", em 2020, mostra que a biodiversidade continua desaparecer a ritmo alarmante e análise da PwC revela que mais da metade do PIB global depende moderadamente ou fortemente da natureza, no mundo, 48% das espécies estão em declínio e, em grande parte, devido à perda de habitat, populações de vertebrados diminuíram em 73% desde 1970 e, se continuarmos nessa trajetória, corremos risco de perder metade das espécies ainda no século XXI. A Amazônia nos aproxima do ponto de inflexão em que mudanças hidrológicas pelo desmatamento podem secar milhões de hectares de floresta tropical e, alterar o clima amazônico, resulta em custos econômicos exorbitantes, na América do Norte, o continente mais rico do mundo, perdemos mais da metade das pastagens, ecossistema mais ameaçado. A degradação da natureza representa ameaça à economia, setores da agricultura, o turismo e a saúde em que perda de polinizadores como abelhas, borboletas e outros insetos causam quebras de safra em mais de US$ 215 bilhões, quando manguezais são destruídos comunidades perdem proteção natural tornando tempestades e inundações mais danosas e custosas, com especialistas nos avisando que, sem manguezais, 39% a mais de pessoas sofreriam com inundações anualmente afetando 18 milhões a mais no mundo. Os custos reais da perda de biodiversidade são difíceis de quantificar, os riscos sistêmicos vão além do que é mensurável com estudos sobre impacto de mudanças climáticas mostrando que sabemos significativamente menos sobre a ciência da perda de biodiversidade e seus impactos. A energia solar, com drástica redução de custos é divisor de águas, no entanto, parques solares causam danos ecológicos quando mal localizados, destóem milhões de hectares de pradarias e florestas nativas, nos EUA, incentivo à energia solar na Virgínia levará ao desmatamento de 30 mil acres/ano. Por fim, antes da COP17 sobre Biodiversidade na Armênia, o Instituto Paulson lançará  atualização do relatório 'Financiando a Natureza', essencial, que a rápida extinção de espécies e a destruição do capital natural sejam reconhecidas como uma das crises globais mais urgentes e plenamente integradas às políticas e planejamento climático.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

No Leite

Pesquisas na Índia reforçam evidências que apontam à contaminação por plástico proveniente das embalagens de leite, embora o leite indiano seja um dos alimentos mais confiáveis ​​no dia a dia, a pesquisa sugere que pode ser via inesperada pela qual microplásticos entram no organismo. Publicado no Journal of Food Composition and Analysis a pesquisa analisou microplásticos no leite da vaca cru embalado comercialmente e leite de vaca cru de origem local indiana, com pesquisadores encontrando 66 partículas em 9 amostras em concentrações que variavam de 3 a 30 partículas/litro, sendo que eram fibras ou fragmentos e, análises laboratoriais, evidenciam polietileno e polipropileno, 2 plásticos utilizados em embalagens como polímeros predominantes e cientistas afirmam que a interação com embalagens de alimentos era provável via de contaminação embora estivessem presentes no leite cru. Evidências publicadas no início de 2026 apontam às embalagens como causadoras do problema, considerando estudo de janeiro publicado no Food and Chemical Toxicology e conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Ciências Forenses de Gujarat, analisou 6 marcas de leite embalado consumidas, bem como, leite fresco de fazenda, sendo que o leite de fazenda continha 17,8 partículas de microplástico por litro enquanto amostras de leite embalado variaram de 37,8 a 71,1 partículas por litro, quer dizer, até 4 vezes o nível encontrado no leite fresco. Segundo o estudo, o polietileno de baixa densidade comumente usado em embalagens de leite foi plástico predominante nas amostras embaladas, com cientistas dizendo que plásticos entrariam no leite em etapas incluindo sacos de ração, equipamentos de ordenha, filtros e ferramentas de processamento, com as embalagens adicionando ainda mais contaminação, preocupando pesquisadores da área da saúde ao dizerem que não é simples ingestão dessas partículas, mas, o que a exposição repetida ao longo de anos potencialmente causaria no organismo, com especialistas afirmando que pesquisas sobre consequências à saúde humana ainda estão em desenvolvimento e a detecção de microplásticos em alimentos não significa que o consumo de determinada quantidade de leite cause doenças. Estudos laboratoriais e com animais associaram exposição a microplásticos com inflamação, estresse oxidativo, lesões teciduais e disrupção de processos celulares normais, com revisão sistemática publicada no Environmental Science & Technology concluindo que microplásticos são suspeitos a prejudicar saúde digestiva, reprodutiva e respiratória direcionando à efeitos como inflamação intestinal crônica, alterações na resposta imunológica, comprometimento da qualidade do esperma e alterações nos hormônios reprodutivos. Vale a nota que microplásticos foram detectados no sangue, fígado, cólon, sêmen e leite materno humanos, sugerindo que partículas podem ultrapassar o trato digestivo, no entanto, cientistas se interessam particularmente por nanoplásticos, menores, considerando que seu tamanho diminuto facilitaria travessia de barreiras biológicas e interação com tecidos, já que, estudos investigam se exposição crônica contribui à doenças cardiovasculares e metabólicas, embora, especialistas ressaltem que a relação de causa e efeito em humanos, ou, nexo de causalidade, não foi definitivamente estabelecida. Por fim, o estudo de Gujarat, Índia, estima ingestão diária de microplásticos maior oriunda do leite embalado que do leite fresco da fazenda e observa que bebês podem estar sujeitos a exposição proporcionalmente maior.

Cientistas da Universidade de Tabriz, Irã, examinaram amostras de leite compradas em supermercados de Teerã encontrando partículas de microplástico em todas elas, em concentrações que variaram de 5 a 36 partículas/litro, com média de 18,4 partículas por litro. Publicada na Current Research in Food Science, intitulado 'Contaminação por microplásticos em leite comercial, quantificação e identificação de polímeros utilizando MEV-EDS e espectroscopia micro-Raman', o estudo liderado por Nazanin Jabbarzadeh e cols, adiciona o leite, alimento consumido diariamente por bilhões de pessoas, à crescente lista de produtos que carregam partículas microscópicas de plástico apontando à parte específica da cadeia de suprimentos de laticínios, ou, a embalagem. Processaram amostras por lote, expuseram filtros ao ar do laboratório em cada sessão de filtração, pré-filtraram reagentes através de membranas de 0,45 micrômetros e usaram jalecos de algodão e luvas de nitrilo em cabine de fluxo laminar minimizando contaminação por partículas suspensas no ar. As amostras em branco apresentaram uma média de 1,2 partículas por filtro e as amostras em branco para contaminação por partículas em suspensão no ar, 0,6, resultando em limite de detecção de 3,6 partículas por filtro, abaixo da menor concentração de amostra registrada. Cada amostra de um litro de leite digerida com peróxido de hidrogênio a 30% a 60º C por 24 horas foi filtrada a vácuo com filtros de fibra de vidro de 1,2 micrômetros, com pesquisadores adicionando quantidades conhecidas de partículas de microplástico padrão à água ultrapura e processando-as exatamente como as amostras, obtendo como taxas de recuperação que variaram de 82% ao tereftalato de polietileno a 96% ao polietileno, com média geral de 89%, corrigindo concentrações com fatores de recuperação específicos à cada polímero, ressaltando que, como as adições foram feitas em água em vez de leite, os valores de recuperação não representam validação completa do método à matriz láctea em si. Microscópica estereoscópica em ampliações de 40 e 100 vezes registrou 551 partículas nas amostras e o material coletado foi dominado por fragmentos que representaram 58% do total seguidos por fibras com 35% e esferas com 7%, fibras em maioria azuis ou transparentes, enquanto fragmentos tinham  paleta ampla, incluindo preto e vermelho. A composição química, 150 partículas, 5 por amostra, foram submetidas à microscopia eletrônica de varredura acoplada à espectroscopia de raios X por dispersão de energia, MEV-EDS, revelando texturas superficiais e perfis elementares, partícula de polietersulfona, por exemplo, apresentou pico característico de enxofre no espectro EDS, enquanto partículas de polietileno eram dominadas por carbono, além disso, analisadas por espectroscopia micro-Raman usando laser de 785 nanômetros com espectros comparados a bibliotecas de referência e padrões personalizados de 7 polímeros comuns. Dito isto, o polietileno emergiu como polímero mais abundante, 32% das partículas identificadas, seguido pelo polipropileno com 24%, PET com 15%, poliamida com 12% e polietersulfona com 9% e, 8% restantes não identificados ou de outra natureza, aqui, o detalhe, o polietileno e o polipropileno são polímeros mais comuns em garrafas plásticas de leite e materiais em contato com alimentos, enquanto poliamida e PET são característicos dos laminados da Tetra Pak, um alerta dos autores, identificação do polímero por si não determina origem de cada partícula. Por fim, o ponto central da pesquisa do ponto de vista estatístico é a comparação das embalagens em que o leite de garrafas plásticas continha, em média, 24,6 partículas/litro, o dobro das 12,2 partículas/litro encontradas em embalagens da Tetra Pak, cartonadas, quer dizer, diferença significativa e, em modelo de regressão linear múltipla, o tipo de embalagem foi o único preditor de contaminação, quase metade da variância nas concentrações enquanto o teor de gordura e a marca não apresentaram efeitos significativos, daí, o estudo estabelece associação com a embalagem e não comprova que garrafas sejam a fonte direta das partículas. Enfim, partículas menores de microplásticos são consideradas mais capazes de atravessar barreiras biológicas e serem absorvidas pelas células e 72% das partículas medidas tinham menos de 100 micrômetros e 41% menos de 50 e apesar dos autores enfatizarem que o estudo mede características de partículas e não absorção, distribuição nos tecidos ou quaisquer efeitos toxicológicos, ressaltam que nenhuma conclusão sobre riscos à saúde pode ser extraída apenas com base nesses dados e que o consumo de leite não deve ser considerado risco comprovado à saúde com base nessas evidências. Concluindo, a maioria dos dados sobre microplásticos em alimentos provém da Europa, Américas e Leste Asiático, enquanto regiões como o Irã foram pouco abordadas, apesar de relatos anteriores de microplásticos em leite, leite em pó e fórmulas infantis, quer dizer, a presença de microplásticos em leite comercial foi documentada e embalagens plásticas apresentam associação forte sendo que o significado científico à saúde humana é questão aberta e urgente. 

Moral da Nota: especialistas da Universidade de Minnesota, produziram pesquisa que detalha como poluição por microplásticos impacta saúde humana, animal e ambiental e devido aos diversos tipos de plásticos produzidos no mundo, são encontrados universalmente nos oceanos, solo, água doce e ar, paisagens e ecossistemas, difíceis de se decompor fazendo com que acumulem nos oceanos, solo, ar e cadeia alimentar. A pesquisa foi no Lago Superior um dos primeiros corpos de água doce do mundo a ser estudado quanto à presença de microplásticos, desde então, poluentes particulados foram encontrados em outros lagos de Minnesota, bem como, rios, sedimentos e peixes  descobertos na remota Reserva Natural Boundary Waters Canoe Area Wilderness. Sua presença na água, solo e ar permite absorção pelos menores membros da cadeia alimentar, cadeia da qual humanos fazem parte e dependem, essas partículas podem capturar e concentrar poluentes químicos, metais pesados ​​e microrganismos nocivos do  ambiente, contêm aditivos químicos que migra das partículas aos organismos, embora, ainda não saibamos a dose letal dos microplásticos, há evidências que sua presença representa impacto negativo na saúde e resiliência ecológica. Podem atravessar barreiras biológicas, serem absorvidos pelas plantas e, quando consumidos por animais e humanos, são absorvidos pela corrente sanguínea e se acumularem nos órgãos do corpo, como resultado, contribuir à efeitos adversos à saúde como distúrbios digestivos, risco de problemas cardiovasculares, distúrbios hormonais e reprodutivos e riscos ao desenvolvimento em humanos, em animais, reduz capacidade digestiva, inflamação dos tecidos, disrupção hormonal e fertilidade associadas ao acúmulo de microplásticos e nanoplásticos. Por fim, a pesquisa da Universidade de Minnesota analisou amostras ambientais coletadas no estado, água bruta, água da torneira e esgoto coletadas em fontes de Minnesota, ar ambiente, chuva e neve coletadas no telhado do campus em Minneapolis, produtos de consumo e liberação de microplásticos de filtros de água, escovas de dente, gelo de plástico e garrafas de água, cervejas regionais e sais de mesa importados e comprados no estado, concluindo que, poluição plástica é questão tanto local quanto global.


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

NDC

Relatório do UN-Habitat mostrou número recorde de países que integram cidades, habitação e serviços urbanos nos planos nacionais de ação climática no âmbito do Acordo de Paris, intitulado, "Conteúdo Urbano nas NDCs 3.0: Cidades no Centro", constata que 80% das NDCs, Contribuições Nacionalmente Determinadas,apresentadas pelos países contêm medidas climáticas urbanas bem desenvolvidas, comparadas aos 49% registrados no ciclo anterior. Divulgada na 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial, no Azerbaijão, examina 142 planos climáticos nacionais submetidos à COP, Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima até 15 de abril de 2026 e, segundo o relatório, governos cada vez mais reconhecem que, embora compromissos climáticos sejam em nível nacional, sua implementação ocorre nas cidades. O relatório mostra que 87% dos países incluem medidas de adaptação urbana nos planos climáticos, aumento, em relação aos 54% registrados em relatórios anteriores, que visam setores como infraestrutura, gestão de recursos hídricos, biodiversidade e proteção de ecossistemas. Acrescenta que países identificaram explicitamente riscos climáticos urbanos mostrando maior probabilidade de apresentar estratégias concretas de adaptação, sendo que, medidas de mitigação urbana apresentam crescimento, aparecendo em 83% dos planos climáticos submetidos, comparados aos 55% nos planos anteriores e focados em energia renovável,sistemas de transporte, eletrificação de veículos e gestão de resíduos. Observa que países de renda média vivenciando rápida urbanização lideram esforços de mitigação urbana enquanto países mais ricos integraram cidades de modo menos proeminente, apesar das fortes metas de redução de emissões em que habitação e assentamentos informais emergiram como prioridades climáticas, quase metade dos planos climáticos abordam questões como habitação resiliente, melhoria de favelas, segurança da posse da terra e comunidades urbanas seguras. O relatório afirma crescente atenção à habitação, refletindo reconhecimento global maior que mudanças climáticas e desafios habitacionais que se interligam, principalmente em regiões de rápida urbanização, vulneráveis ​​a desastres climáticos.

Ana Cláudia Rossbach, Diretora Executiva do UN-Habitat, disse que cidades são fundamentais à ação climática global, ou, "as conclusões do relatório demonstram reconhecimento que compromissos climáticos devem ser cumpridos onde se vive, através de melhores moradias, infraestrutura robusta e comunidades mais resilientes". Vale a nota que o relatório identifica progressos na implementação climática com 4 em cada 5 países incluindo pelo menos uma estratégia para apoiar a ação climática urbana, no entanto, alerta que financiamento climático às cidades é insuficiente, já que, 19% dos planos apresentados tinham mecanismos específicos de financiamento urbano. O relatório analisa a questão regional mostrando progresso desigual no mundo, na Ásia, por exemplo, 77% dos planos climáticos submetidos tinham medidas urbanas bem desenvolvidas e com maior cobertura populacional urbana global, na Europa, observa que a proposta climática coletiva da UE reflete foco em cidades e governança multinível, sendo que o presidente designado da COP31 e Ministro do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas da Turquia, Murat Kurum, afirma que cidades são cruciais à ação climática e resiliência, mencionando esforços de reconstrução urbana nacional pós terremoto e observando que meio milhão de casas foram construídas com padrões de eficiência energética e sustentabilidade ambiental e, conclui, “na COP31, queremos compartilhar a experiência com o mundo e ampliar soluções nas cidades à torná-las resilientes e sustentáveis”. Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, alertou que os novos planos climáticos colocam cidades no centro da implementação, ao dizer que, “é hora de passar das palavras no papel aos projetos concretos no mundo, sem ações locais, as metas climáticas globais serão impossíveis de alcançar”, já, o prefeito de Chefchaouen, Marrocos, e embaixador regional da GCoM à África, Mohamed Sefiani, destaca necessidade de apoio robusto aos governos locais, enfatizando que, "esses mecanismos urbanos são o que transformam a ambição climática em moradias mais seguras, infraestrutura mais forte, melhor transporte e serviços básicos mais confiáveis." O relatório conclui que mais de 50 países não haviam apresentado planos climáticos atualizados, descrevendo como oportunidade à fortalecer compromissos climáticos urbanos antes da COP31 programada para ser em Antalya, Turquia.

Moral da Nota: cientistas afirmam que dois terços da floresta amazônica podem se degradar, ou, ecossistemas semelhantes a savanas, com aquecimento global de 1,5 a 1,9°C, caso o desmatamento aumente à 22 a 28% do ecosistema amazônico, constatado por pesquisa do PIK, Instituto Potsdam à Pesquisa do Impacto Climático, que, sem desmatamento adicional, as mudanças em larga escala ocorreriam em níveis de aquecimento mais elevados, ou, em torno de 3,7ºC a 4°C. Nico Wunderling, cientista do PIK e principal autor do estudo, avalia que, “o desmatamento torna a Amazônia menos resiliente que o previsto, ressecando a atmosfera e enfraquecendo capacidade da floresta de gerar chuvas”, concluindo que, “mesmo aquecimento adicional moderado desencadearia impactos em cascata em grandes áreas da floresta”, considerando que, 17 % a 18% da floresta amazônica está perdida, colocando o ecossistema próximo da faixa crítica identificada no estudo. Fornece quantificação detalhada, até o momento, de, como o aquecimento global e o desmatamento impactam simultaneamente a estabilidade Amazônica, combinando projeções climáticas, modelagem hidrológica e abordagem de rede ao transporte de umidade atmosférica, com Arie Staal, professor assistente da Universidade de Utrecht, Holanda, coautor do estudo, dizendo que, “o desmatamento interrompe o transporte de umidade em uma área da Amazônia, daí,regiões inteiras a centenas ou até milhares de kms de distância podem perder resiliência devido efeitos em cascata da seca”, concluindo que, “o aquecimento global e o desmatamento afetam ciclos de precipitação no sistema amazônico”. Avalia que, uma das razões à degradação florestal é a capacidade de gerar parte de sua própria chuva, ou, até metade da precipitação provém da água reciclada pelas próprias árvores, enquanto na Amazônia as árvores liberam vapor de água na atmosfera que posteriormente retorna sob forma de chuva na bacia e, quando a floresta tropical é perdida, a reciclagem de umidade enfraquece, o estresse hídrico aumenta e outras regiões florestais tornam-se mais vulneráveis ​​à degradação. Cientistas enfatizam que interromper desmatamento e restaurar a cobertura florestal fortaleceria resiliência amazônica ao aquecimento inevitável, com Johan Rockstrom, diretor do PIK e coautor do estudo, avaliando que, “a floresta desempenhou papel vital na estabilização do sistema terrestre como sumidouro de carbono, reguladora da reciclagem da umidade e lar da mais rica biodiversidade terrestre do planeta, conclui que, o desmatamento contínuo mina a estabilidade, leva a floresta cada vez mais perto de um ponto de inflexão o que não seria apenas devastador à região, mas poderia ter consequências de longo alcance no planeta” e, termina, “essas mudanças não são inevitáveis e interromper o desmatamento com restauração ecológica de florestas degradadas e cortes rápidos nas emissões, pode reduzir os riscos”.

domingo, 20 de setembro de 2026

Transição Energética

A Connected Kerb e a EZ-Charge, sediada em Bicester, Reino Unido, foram escolhidas à fornecer mais de 1.500 pontos de recarga públicos à EVs, dobrando disponibilidade, priorizada em áreas onde moradores não possuem vaga de estacionamento privativa, inserida no objetivo em criar rede de carregamento EVs sem contacto, fiável e fácil de usar, abrangendo todo o condado inglês, dando oportunidade de optar por EV melhorando o ambiente e a qualidade do ar em Oxfordshire. Os moradores beneficiarão da maior instalação de pontos de recarga públicos à EVs já vista no condado do Reino Unido nos próximos 2 anos, após adjudicação de 2 contratos de operação de pontos de recarga, CPO, sendo que a Connected Kerb foi selecionada para instalar e operar carregadores de EVs nas vias públicas, bem como estacionamentos de integração administrados pelo Conselho do Condado de Oxfordshire e outros estacionamentos públicos, já, a  EZ-Charge foi escolhida para instalar e operar pontos de recarga à EVs em estacionamentos públicos administrados por conselhos distritais e municipais em Oxfordshire. As 2 empresas trabalharão com os conselhos de Oxfordshire para criar  rede de carregamento de EVs confiável, fácil de usar e sem contato, abrangendo todo o condado independente de onde moram ou situação do estacionamento visando melhorar o ambiente e qualidade do ar. A implantação de carregadores públicos para veículos elétricos será priorizada em áreas onde alta proporção de moradores não possuem estacionamento privativo, ao passo que a viabilidade dos locais será uma das prioridades das novas Ordens de Compra Comunitária, CPOs, portanto, os anúncios sobre localizações só serão feitos posteriormente. O Conselho de Oxfordshire planeja lançar programa de microcentros comunitários, convidando conselhos municipais e paroquiais, bem como organizações comunitárias sem fins lucrativos, disponibilizarem pontos de recarga à EVs em estacionamentos de centros comunitários, como salões de festas, centros comunitários e pavilhões esportivos, sendo que 6 locais-piloto foram selecionados para receber carregadores ainda em 2026, antes da abertura do programa para inscrições formais. O financiamento provém da combinação de Infraestrutura Local à EVs e fundos de subvenção do governo, além de investimento privado das 2 Organizações de Compra Comunitária, CPOs, sendo que o foco será em carregadores padrão de 7 kW que permitirão aos moradores sem carregadores domésticos carregar seus veículos elétricos com tarifas reduzidas enquanto estiverem estacionados a noite, no entanto, número menor de carregadores rápidos de 50 kW ou mais em locais especiais, fornecerá recargas à moradores, visitantes, pessoas que se deslocam diariamente ao trabalho e motoristas a serviço durante o dia, estimando-se que 28% das residências em Oxfordshire, 86 mil, não possuem estacionamento privativo, portanto, podem não conseguir instalar sistema de cobrança residencial.

Em desenvolvimento infraestrutura canadense de hidrogênio buscando produção local de veículos movidos a hidrogênio, no caso em questão, o Projeto Beaver, iniciativa que não se resume à venda de submarinos, mas, impulsionar a descarbonização industrial em consonância com compromissos globais de emissões líquidas zero. Submarinos da classe Victoria, antigos, do Canadá, enfrentam problemas de manutenção e tempo de operação insuficiente e interminável, em consequência, o governo do Canadá embarcou em programa de nova geração que pode custar US$ 40 bilhões ao longo de sua vida útil e, como em acordos navais anteriores, o governo insiste em parcerias industriais sólidas buscando recompensar licitantes que tragam produção local, criem empregos e compartilhem tecnologia. A Hanwha Ocean, empresa de Seul, conhecida por submarinos diesel-elétricos KSS-III chamou a atenção dos canadenses que visitaram os estaleiros da Daewoo, com rumores que as operações de submarinos da Hanwha poderiam criar 25 mil empregos no Canadá, quer dizer, o Projeto Beaver batizado em homenagem ao animal nacional do Canadá, tem planos de desenvolvimento, com relatos que a Hyundai Motor deverá instalar fábrica no Canadá para produzir caminhões pesados ​​movidos a células de combustível de hidrogênio, aproveitando a tecnologia já existente nesse setor. A CTV News, diz que o plano envolve instalação de 3 ou 4 postos de abastecimento de hidrogênio de alta capacidade e criação de rotas de fornecimento que conectem portos em ambas as costas com centros logísticos no interior do país, sendo que Províncias de Ontário à Colúmbia Britânica já estão na disputa competindo por vagas de montagem incluindo garantir locais, expandir linhas de produção de células de combustível e atrair fornecedores locais. O Banco de Infraestrutura do Canadá em co-investimento em projetos de produção de hidrogênio verde, armazenamento de hidrogênio e redes de gasodutos e desenvolvedores, consideram colaboração com universidades e centros de treinamento profissional garantindo que trabalhadores estejam prontos imediatamente, atendendo demanda do volume e caminhões quanto de contratos de suporte a submarinos. Por fim, os caminhões com células de combustível funcionam na prática utilizando hidrogênio comprimido a até 700 bar, pressão alta, sendo que o hidrogênio passa por uma pilha onde prótons atravessam membrana e se misturam com o oxigênio para gerar eletricidade, com calor e vapor d'água como subprodutos, além de possuírem baterias internas à suprir picos de potência aproveitando energia da frenagem regenerativa. Vale a nota que a Europa tem sua Rede Transeuropeia de Transportes, RTE-T, incluindo corredores piloto de hidrogênio em autoestradas, ou, Projetos como o H2Mobil, na Alemanha, e o HySynergy, na Noruega, mostrando que o apoio governamental pode fazer  diferença real, a Austrália, no entanto, enfrentou percalços já que o seu posto de abastecimento de caminhões pesados ​​teve problemas quando um fornecedor faliu.

Moral da Nota: a UE deverá mobilizar até 25 bilhões de euros à renováveis ​​e tecnologias limpas até 2035 via iniciativa do Pacto ao Mediterrâneo, lançando Cooperação Transmediterrânica em Energias Renováveis ​​e Tecnologias Limpas, T-MED, iniciativa no âmbito do Pacto ao Mediterrâneo. O projeto T-MED busca acelerar o desenvolvimento de energias renováveis, hidrogênio, tecnologias limpas na fabricação e redes elétricas na região do Mediterrâneo,em apoio ao mercado integrado de energia mediterrânea, interconectado e sustentável,apresentado na Semana Europeia da Energia Sustentável pela Comissária ao Mediterrâneo e pelo Comissário à Energia e Habitação, o T-MED deve mobilizar investimentos previstos para 2035. A Comissão Europeia investiu 5 bilhões de euros em capacidade de garantia ao abrigo do Fundo Europeu de Desenvolvimento Sustentável Plus, capacidade de garantia, desbloqueando investimento público e privado em setores abrangidos pelo T-MED, quer dizer, o T-MED fortalecerá cooperação energética na região mediterrânea e, até 2035, a iniciativa contribuirá no desenvolvimento de 15 gigawatts de capacidade de energia renovável, em apoio a reformas regulatórias em países parceiros e auxílio a geração de 100 mil empregos em setores de energia limpa. A T-MED promoverá cooperação transfronteiriça e parcerias estratégicas em energia, ao apoiar diversificação de sistemas energéticos e cadeias de abastecimento, sendo que a iniciativa reforçará segurança energética, fortalecerá competitividade, apoiará descarbonização e contribuirá à prosperidade e estabilidade a longo prazo tanto à UE como aos países parceiros no Mediterrâneo Meridional. Fundamentado em pilares para impulsionar investimentos, cooperação, competências, comércio de energias renováveis ​​e tecnologias limpas o T-MED será implementado através de Mobilização de investimentos, Cooperação regulatória, Desenvolvimento de competências e Melhorias na infraestrutura e comercialização de energias renováveis aos sistemas de energia e, por fim, Cooperação industrial em tecnologias limpas.