domingo, 29 de março de 2026

Perda de Memória

Novos critérios à síndrome de perda de memória em adultos mais velhos que afeta o sistema límbico do cérebro, podendo ser confundida com a doença de Alzheimer, ou,  Síndrome Neurodegenerativa Amnésica predominantemente limbica, ou, LANS, que progride mais lentamente, tem prognóstico melhor e está mais definida aos médicos que trabalham para encontrar respostas em pacientes com perda de memória. Pesquisadores da Clinica Mayo notaram critérios clínicos publicados no Brain Communications, cujas características da síndrome só podiam ser confirmadas examinando o tecido cerebral pós morte, sendo que os critérios propostos fornecem estrutura à neurologistas e especialistas classificarem a condição em pacientes que vivem com sintomas, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos potenciais considerando fatores como idade, gravidade do comprometimento da memória, exames cerebrais e biomarcadores que indicam depósitos de proteínas específicas no cérebro. Os critérios desenvolvidos e validados usam dados de mais de 200 participantes em bancos de dados do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Clínica Mayo, do Estudo do Envelhecimento da Clínica Mayo e da Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer e, entender a condição, leva a gerenciamento dos sintomas e terapias mais personalizadas à pacientes que sofrem desse tipo de declínio cognitivo, diferente da doença de Alzheimer, conforme o autor sênior do estudo. Os critérios clínicos estabelecidos pelos profissionais que poderão em breve diagnosticar a LANS em pacientes que vivem com perda de memória e possam entender opções de tratamento, a possível progressão da doença, abrindo portas à pesquisas que esclareçam melhor as características da doença.

Estudo da Universidade de Toronto publicado on-line no Archives of Gerontology and Geriatrics Plus, mostra que americanos mais velhos veem aumento notável na vida sem deficiência entre 2008 a 2017, com melhora considerável encontrada na prevalência de adultos com 65 anos ou mais sem deficiências, incluindo deficiências de memória, audição, visão e funcionalidade ou limitações nas atividades da vida diária. No total, 61% dos americanos mais velhos relataram estar livres de deficiência em 2008 com a prevalência aumentando para 65% em 2017, embora possa parecer pequeno aumento, se a prevalência de indivíduos sem deficiências tivesse permanecido nos níveis de 2008, mais 2,07 milhões de americanos mais velhos teriam pelo menos uma deficiência grave em 2017. O estudo analisou dados de 10 ondas consecutivas da Pesquisa de Comunidade Americana transversal nacionalmente representativa, 2008-2017, aproximadamente meio milhão de entrevistados com 65 anos ou mais fornecendo informações a cada ano, resultando em amostra final de 5,4 milhões de americanos mais velhos, solicitando aos entrevistados relatar se tinham "dificuldades sérias" com 5 tipos comuns de deficiências, com os indivíduos definidos como livres de deficiência se relatassem que não tinham problemas sérios de memória, problemas de audição, problemas de visão, limitações nas atividades da vida diária, como tomar banho ou se vestir, ou, limitações funcionais, como andar ou subir escadas. Em 2008, mulheres tinham menos probabilidade de estar livres de incapacidade que os homens, 59,4% versus 62,7%, respectivamente, com as mulheres apresentando taxa mais acentuada de melhora ao longo da década que os homens, em 2017, a disparidade de gênero foi eliminada, com a prevalência de pessoas sem deficiência quase a mesma para mulheres e homens, 64,7% versus 65,0%, respectivamente. Embora observada melhora na prevalência de adultos mais velhos vivendo sem deficiências entre 2008 e 2017, os autores discutem a possibilidade que a taxa de melhora possa diminuir nas próximas décadas com a maior parte da melhora vista entre aqueles com 75 anos ou mais, quer dizer, houve pouca melhora ao longo do estudo da década com idades entre 65-74, representativo da geração baby boom, embora o estudo não revele por que houve menos melhora entre os Baby Boomers os autores sugerem que pode estar relacionado a maiores taxas de obesidade em comparação com as gerações mais velhas.

Moral da Nota: estudo estimou que o número de adultos diagnosticados com demência a cada ano nos EUA deve dobrar nos próximos 40 anos, de 514 mil em 2020 à 1 milhão em 2060, com pesquisadores estimando que após os 55 anos o risco de demência ao longo da vida é de 42% que pode chegar a 60% à demografias específicas. O relatório mostra que adultos negros têm risco aumentado de demência, 44%, comparados com indivíduos brancos, 41%, além disso, mulheres tinham risco maior de desenvolver demência que os homens, 48% em comparação com 35%, adultos com contagens específicas do alelo APOE ε4 particularmente vulneráveis ​​à demência e os que tinham 2 cópias tinham risco vitalício de 59% enquanto aqueles sem nenhuma tinham risco de 39%. Essas estimativas vêm de estudo de coorte prospectivo, populacional, publicado na Nature Medicine que incluiu mais de 3 décadas de registros de saúde de 15 mil pacientes aplicados às projeções do Censo dos EUA e, à luz das descobertas, investigadores salientam  importância de “políticas que melhorem prevenção e envelhecimento saudável” para reduzir “o fardo substancial e crescente da demência”.

terça-feira, 24 de março de 2026

Preservação Ambiental

Blockchain e preservação ambiental impulsionam iniciativas sustentáveis ​​através da tecnologia, de livros transparentes à negociação de créditos de carbono, transforma o modo como protegemos o planeta, com poluição, mudanças climáticas, desmatamento e perda de biodiversidade como desafios mais prementes que enfrentamos. Blockchain é tecnologia que permite criação de redes descentralizadas, transparentes e seguras, onde as transações e trocas de valores podem ser registrados e verificados, com potencial de transformar setores e atividades relacionadas ao ambiente, desde monitoramento e rastreabilidade de cadeias de suprimentos a criação de instrumentos financeiros inovadores, negociação peer-to-peer de títulos tokenizados, habilitação de sistemas descentralizados de energia e gerenciamento de recursos comuns, bem como rastreabilidade da pegada de carbono de indivíduos e empresas.

Uma das aplicações blockchain ao ambiente é o monitoramento e rastreabilidade da cadeia de suprimentos que permite criação de registros digitais imutáveis ​​e verificáveis ​​dos produtos e matérias-primas que circulam, da origem ao destino final, facilitando controle e auditoria das condições ambientais e sociais que as mercadorias são produzidas e transportadas, bem como cumprimento de padrões de sustentabilidade, qualidade, segurança, além disso, melhora eficiência reduzindo desperdícios na cadeia de suprimento. O IBM Food Trust é rede blockchain que conecta participantes da cadeia alimentar, agricultores e varejistas, melhorarando segurança e qualidade dos alimentos, reduzindo fraudes e desperdícios e, possibilitando em tempo real, compartilhamento de dados e informações sobre origem, estado e movimentação de alimentos. Plastic Bank é iniciativa que usa blockchain à incentivar coleta e reciclagem de plásticos em áreas vulneráveis ​​via colecionadores remunerados com tokens digitais em troca do plástico que coletam, trocados por bens ou serviços, cujo plástico recolhido, é transformado em material reciclado e vendido às empresas. Aplicação relevante blockchain ao ambiente é a criação de instrumentos financeiros que facilitam acesso ao capital e investimento em projetos verdes, permitindo emissão e gestão de ativos digitais que representam valores ou direitos sobre bens ou serviços ambientais, como créditos ou títulos de carbono, certificados verdes ou direitos sobre a água. O fato de ativos digitais serem negociados em plataformas descentralizadas, sem intermediários ou atritos, reduz custos, aumenta liquidez e transparência do mercado, além disso, permite criação de contratos inteligentes que automatizam o cumprimento das condições e pagamentos associados aos instrumentos financeiros. Neste conceito insere a Poseidon, plataforma que usa blockchain à conectar consumidores em projetos de conservação florestal, permitindo que consumidores compensem pegada de carbono das compras adquirindo créditos de carbono usados ​​para financiar projetos de proteção e restauração florestal em diferentes partes do mundo. A ClimateTrade é plataforma que utiliza blockchain para facilitar compra e venda de créditos de carbono entre empresas e organizações, permitindo que empresas compensem emissões de gases efeito estufa investindo em projetos de mitigação das mudanças climáticas, sendo que a plataforma garante rastreabilidade, segurança e transparência das transações. Outra aplicação relacionada é a negociação ponto a ponto de valores mobiliários tokenizados, ou, ativos digitais que representam direitos ou participações em bens ou serviços reais, sendo que blockchain permite criação e transferência de tokens sem intermediários ou barreiras geográficas, abrindo possibilidades de troca de valor entre pessoas e organizações. Em consequência, impacta de modo positivo no ambiente, permite acesso a recursos compartilhados, fomenta economia circular, democratiza propriedade e financia projetos sustentáveis, além disso, facilita medição e relatório do impacto ambiental e social desses tokens. Dentre os projetos que usam blockchain para negociação ponto a ponto de títulos tokenizados emerge a WePower, plataforma que utiliza blockchain para conectar produtores e consumidores de energia renovável permitindo que produtores emitam tokens representando unidades de energia produzida ou futura e vendam diretamente aos consumidores ou investidores com os tokens podendo ser usados ​​para consumir energia ou acessar o mercado atacadista de eletricidade. A Everledger é plataforma que usa blockchain para rastrear o ciclo de vida de produtos de luxo, como diamantes, vinhos ou arte, permitindo criação de registo digital único e inalterável à cada produto incluindo informação sobre característica, origem, história e propriedade, melhorando confiança, segurança e transparência no mercado. A BanQu é plataforma que usa blockchain para criar identidades econômicas digitais à pessoas e organizações sem acesso ao sistema financeiro tradicional, permitindo que usuários registrem e verifiquem transações e interações com outras partes como fornecedores, clientes ou parceiros, facilitando acesso a serviços financeiros, oportunidades de negócios e programas sociais.

Moral da Nota: o desenvolvimento de soluções de comercialização de energia renovável ganha força no setor, com alguns exemplos como a Power Ledger, plataforma que usa blockchain para permitir negociação peer-to-peer de energia renovável entre usuários, compra e venda do excedente ou déficit de energia à outros usuários próximos ou distantes, dependendo das preferências e necessidades, oferece soluções ao financiamento de projetos de energia renovável, gestão de ativos energéticos e verificação de emissões evitadas. A LO3 Energy, empresa que usa blockchain à criar redes locais conectando produtores e consumidores de energia renovável, com Brooklyn Microgrid como projeto mais conhecido, rede comunitária que permite vizinhos trocarem energia solar entre si, além de fornecer desenvolvimento de redes inteligentes e serviços de consultoria aos clientes. A Grid Singularity é empresa blockchain de plataforma aberta e descentralizada no mercado global de energia visando facilitar acesso e participação de atores do setor de energia, de geradores e distribuidores a consumidores e prestadores de serviços permitindo troca de dados, gerenciamento de demanda e otimização de recursos energéticos. A gestão de recursos comuns, ou, bens e serviços compartilhados por comunidade que possuem valor social ou ambiental, podem ser naturais como a água, ar ou biodiversidade, ou, artificiais, como o conhecimento, cultura ou o espaço público e, a blockchain, auxilia melhorar a gestão desses recursos comuns, permitindo criação e manutenção de sistemas colaborativos que regulam uso e conservação, facilitam identificação, registro e monitoramento desses recursos, bem como definição e cumprimento de regras e incentivos ao uso sustentável. Um exemplo de iniciativa blockchain é a organização autônoma descentralizada, DAO, que  gerencia sistema integrado de contabilidade e compensação ambiental, o DAO IPCI, que facilita cooperação entre diferentes atores à mitigação e adaptação de alterações climáticas, permitindo registro, verificação e comercialização de diferentes tipos de ativos ambientais como créditos ou obrigações de carbono, certificados verdes ou direitos de água. A habilitação de sistemas descentralizados de energia, onde usuários geram, armazenam, consomem e compartilham energia renovável sem intermediários, através da blockchain, permite criação de redes inteligentes que gerenciam fluxo e distribuição de energia entre usuários, conforme oferta e demanda, com benefícios ambientais, sociais e econômicos ao reduzir emissões de gases efeito estufa, aumentando resiliência e segurança energética, reduzindo custos e perdas de transporte e distribuição, além de capacitar comunidades facilitando integração e interoperabilidade de fontes e dispositivos de energia.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Luxo e Desmatamento

Na Argentina o mercado de luxo europeu financia desmatamento do "ouro vermelho", sendo que, a indústria têxtil de luxo européia utiliza taninos da árvore quebracho para curtir couro impulsionando desmatamento no Gran Chaco argentino, pulmão verde da América do Sul e, entre 2010 e 2023, 183 mil hectares foram perdidos/ano parte da extração ilegal. Unitan e Indunor são empresas que processam taninos que chegam às marcas internacionais como Timberland, H&M e Dr. Martens, enquanto trabalhadores locais recebem salários irrisórios e pobreza atingindo 80% na região, apesar de leis de proteção florestal, licenças especiais e falta de fiscalização que permitem extração ilegal de madeira, deixando florestas nativas destruídas e causando danos ambientais. A extração responde por parte do desmatamento argentino em que caminhões com toras de quebracho prontas às serrarias no Chaco argentino, sendo que o "ouro vermelho", ou, taninos nas toras de quebracho, que alimenta indústria têxtil de luxo na Europa causando desmatamento e devastação da área do Chaco argentino. Reportagem investigativa publicada na Revista Anfibia esclarece que o extrato vegetal é usado para curtir couro conferindo firmeza, corpo e aroma, através de processo artesanal antes de vender à fabricantes de artigos de couro ou marcas de moda de luxo, sendo que da floresta do Chaco passa pelo porto de Buenos Aires e os taninos são exportados à 50 países, deixando rastro de desmatamento, trabalhadores mal remunerados e atividades ilegais que autoridades não combatem. O Chaco argentino faz parte do Chaco americano, pulmão da América do Sul depois da Amazônia, com mais de 1 milhão km² entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil, abrigando florestas secas do planeta e uma das mais ameaçadas, estimando-se nas 2 últimas décadas, mais de 13 milhões de hectares desmatados, equivalente à soma da Espanha e França, habitat de crescimento do quebracho-colorado, espécie nativa que leva de 20 a 50 anos para atingir maturidade e, além da madeira, produz tanino, muito procurado. Por fim, marcas como Timberland, CAT, Dr. Martens, Wolverine e H&M clientes da Golden Chang Shoes, empresa sediada em Bangladesh que, em 2024, comprou produtos com tanino de quebracho da empresa americana Tannin Corporation que o adquiriu da Unitan, para concluir, processo judicial conhecido como "A Máfia do Desmatamento" movido pela Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, revelou que das 200 mil toneladas de madeira de quebracho consumidas anualmente por curtumes 80 mil toneladas provêm de áreas desmatadas ilegalmente.

Lá como cá, a Eritréia desenvolve sistema solar híbrido que garante fornecimento de oxigênio hospitalar através da empresa Aptech Africa e, em comunicado, avisa que desenvolveu sistema fotovoltaico híbrido para alimentar unidade de produção de oxigênio do Hospital de Mendefera, Eritreia. O projeto inclui painéis solares à nível do solo, inversores híbridos e capacidade total de 251,97 kWp, complementada por 460,8 kWh de armazenamento em baterias e integração a rede elétrica nacional e, conforme a Aptech Africa, o sistema garante funcionamento contínuo e estável da produção de oxigênio, essencial à cuidados urgentes, procedimentos cirúrgicos, apoio materno e tratamento de doenças respiratórias. A empresa nos esclarece que “o sistema híbrido assegura que a geração de oxigênio permaneça estável e operacional, sem interrupçōes”, sendo que o projeto é apontado como passo para reforçar resiliência energética das infraestruturas de saúde no país. Autoridades da ONU informam que a Somália enfrenta emergência devido seca que se agrava, com áreas ressecadas pós 4 temporadas de chuvas fracassadas deixando milhões em risco de fome e deslocamento e, em 10 de novembro, o Governo Federal Somali declarou estado de emergência devido a seca e apelou por assistência internacional, à medida que condições se deterioram nas regiões norte, central e sul, conforme o OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Ajuda Humanitária. Em Dhaxan, chuvas da estação de abril a junho trouxeram esperança passageira no início de 2025, sendo que os moradores dependem de água transportada por caminhões depois que o poço artesiano local foi contaminado, em consequência, 150 famílias se mudaram em  23 de novembro, o Plano de Resposta Humanitária Somali à 2025 estava financiado em 23,7%, forçando reduções na assistência em que o número de pessoas recebendo ajuda alimentar emergencial caiu de 1,1 milhão em agosto à 350 mil. A seca se alastra em cenário desolador prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda fins de 2025, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos devem sofrer desnutrição aguda até meados de 2026, sendo que as previsões meteorológicas indicam pouco alívio, com a FAO, Organização da ONU à Alimentação e Agricultura, alertando que condições secas e quentes devem persistir em parte do país particularmente regiões central e norte.

Moral da Nota: a CEPAL relata que a América Latina atingiu menor nível histórico de pobreza com 162 milhões de pessoas, 25,5%, vivendo abaixo da linha da pobreza, graças a avanços no México e Brasil em que pobreza multidimensional que mede privação em moradia, saúde, educação e serviços, diminuiu de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024. A desigualdade permanece alta com os 10% mais ricos concentrando 34,2% da renda, os 10% mais pobres recebendo 1,7%, com a CEPAL alertando que a disparidade limita mobilidade social e desenvolvimento recomendando políticas educacionais, trabalhistas e de inclusão social visando redução. Revelou que a região apresenta menores níveis de pobreza contrastando com altos e persistentes níveis de desigualdade que impedem desenvolvimento social e econômico dos países, daí, conclui o relatório anual "Panorama Social da América Latina e Caribe", apresentado pela organização, que se concentrou em alternativas à escapar da "armadilha" da alta desigualdade, baixa mobilidade social e fraca coesão social, fatores reforçados pela falta de políticas redistributivas. Buscando escapar dessa armadilha, recomenda "reduzir desigualdade educacional, criar empregos de qualidade, promover igualdade de gênero e sociedade do cuidado, combater discriminação contra pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes e fortalecendo instituições sociais e seu financiamento". O relatório examina múltiplas dimensões em que desigualdade se manifesta na região, incluindo renda e, segundo os dados, em fins de 2024, 162 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza representando redução de 2,2% comparados com 2023 e de 7% desde 2020, 1º ano da pandemia que impactou negativamente indicadores sociais e econômicos tratando-se da menor taxa de pobreza na região desde o início dos estudos. Por fim, o relatório é positivo em relação à pobreza multidimensional que mede privações em áreas como habitação, serviços, educação e saúde, tendo caído de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024, no entanto, a pobreza extrema que afeta 62 milhões de pessoas, 9,8% da população, representou queda de 0,8% em relação a 2023 permanece 2,1% acima da mínima histórica registrada em 2014 e, contrastando com avanços na redução da pobreza, a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo com os 10% mais ricos da população recebendo 34,2% da renda total enquanto os 10% mais pobres recebem 1,7%. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Arsênico

Risco de morte por cancer,doenças cardiovasculares e doenças crônicas diminuem 50% com redução da concentração de arsênico na água, segundo estudo realizado em Bangladesh ao longo de 20 anos, sendo a contaminação da água com arsênico natural estudada através de registros de saúde de 10.977 homens e mulheres monitorados entre 2002 e 2022 à comparar exposição. A pesquisa foi realizada pela Universidade de Nova York, Columbia e Chicago informando que registrou 1.401 mortes por doenças crônicas, 730 por cardiopatias e 256 por câncer, ao acompanhar 10.977 pessoas entre 2002 e 2022 via exames de urina, cujos partícipes foram submetidos em 6 ocasiões aos exames permitindo cientistas acompanharem mudanças na exposição ao arsênico ao longo do tempo. Fen Wu, da Universidade de Nova York, informa que a redução nos níveis de arsênico está relacionada a maior redução no risco de mortalidade enquanto os que continuaram beber água com níveis elevados não mostraram redução de risco, tais padrões persistiram pós ajuste à diferenças de idade, tabagismo e nível socioeconômico, sendo que a pesquisa fornece "evidência mais forte até o momento que a redução do arsênico na água potável pode diminuir taxas de mortalidade por doenças crônicas". Trata-se do 1º estudo oferecer evidências diretas, examinando níveis de arsênico e mortalidade de cada participante ao longo de 2 décadas em região com exposição moderada ao arsênico, ou, menos de 200 microgramas/litro, com cientistas  monitorando mais de 10 mil poços dentro e ao redor do distrito de Araihazar, Bangladesh, onde iniciaram medidas para mitigar efeitos do arsênio em 2000. Pesquisas anteriores em Taiwan e Chile com altos níveis de arsênio, acima de 600 microgramas/litro, associaram redução nas taxas de mortalidade por doenças cardíacas e câncer à queda dos níveis de arsênico na água potável e, Bangladesh, como um todo, enfrenta um dos desafios mais graves do mundo em relação à contaminação por arsênio, com população de 175 milhões de pessoas em que mais de 50 milhões são expostas a níveis acima do padrão da OMS de 10 microgramas por litro.

A Europa passa por transformação no setor ferroviário marcada pela modernização da infraestrutura de sinalização e harmonização dos sistemas de gestão de tráfego, evolução que não constitui apenas mudança tecnológica mas movimento estratégico em direção a rede ferroviária no continente unificada e interoperável. A UE e a ERA, Agência da UE as ferrovias e os Estados-Membros são obrigados alinhar o sistema ferroviário nacional a norma comum no Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário, ERTMS, enquadramento que representa passo à frente na eliminação das barreiras técnicas e operacionais que, historicamente, fragmentaram o panorama ferroviário europeu. Cada país desenvolveu e implementou seu sistema de Proteção Automática de ferrovias, ATP, conhecidos como sistemas de Classe B concebido para responder exigências operacionais, técnicas e de segurança locais, sendo que estes sistemas criaram grupos de regras de sinalização e protocolos de comunicação que tornaram operações ferroviárias transfronteiriças difíceis, ineficientes e, por vezes, impossíveis, sem adaptações dispendiosas, sendo que a falta de interoperabilidade dificultou desenvolvimento de corredores ferroviários internacionais e limitou competitividade do setor em relação aos demais transportes. No contexto do Pacto Ecológico Europeu e impulso em prol de transporte sustentável, a ferrovia voltou emergir como pilar central da estratégia europeia de descarbonização e mobilidade, daí, o transporte ferroviário oferece vantagens ambientais e sociais claras,  consomindo menos energia, reduzindo emissões de gases estufa proporcionando mobilidade segura e fiável à passageiros e mercadorias. A promessa de Europa verde e interconectada não pode ser concretizada sem comunicação facilitada entre fronteiras, sendo que a aposta no ERTMS torna-se mais prioritária com o Sistema Europeu de Gerenciamento de Tráfego Ferroviário, ERTMS, se compondo como Sistema Europeu de Controle de Trem, ETCS, e Sistema Global de Comunicações Móveis Ferroviário, GSM-R. O ETCS normaliza o modo como trens e equipamentos se comunicam garantindo que diferentes países possam operar com segurança linha equipada com ETCS, enquanto o GSM-R, fornece plataforma unificada de comunicações entre trens e centros de controle e sua atualização está em andamento ao FRMCS, Future Railway Mobile Communication System, ambos substituindo diversidade de sistemas nacionais por norma única e interoperável que assegura segurança e eficiência, com o detalhe que, a implementação dessa padronização na Europa é processo de longo prazo. Por fim, a implementação dos sistemas STM representam marco na jornada da Europa rumo à interoperabilidade ferroviária, embora o objetivo continue ser implementação completa do sistema mais moderno, o ERTMS, enquanto o STM fornece flexibilidade e  continuidade operacional necessárias para atingir o foco sem comprometer segurança ou eficiência, na busca por incorporar espírito de integração europeia à ferrovia, conectando nações, promovendo sustentabilidade e abrindo caminho à sistema ferroviário interoperável.

Moral da Nota: em Tiaret, cidade da Argélia central com menos de 200 mil habitantes, a 250 km sudoeste de Argel, manifestantes atearam fogo em pneus e montaram barricadas improvisadas bloqueando estradas para protestar contra o racionamento de água, após meses de escassez deixarem torneiras secas e forçarem moradores fazer fila à conseguir água para suas casas. Em Reunião do conselho de ministros o presidente solicitou ao gabinete implementação de “medidas de emergência” em Tiaret, com ministros enviados para “pedir desculpas à população” e prometer que acesso à água potável seria restabelecido, no entanto, distúrbios ocorrem em momento que o presidente deve concorrer a 2º mandato de nação rica em petróleo, maior da África em área. O norte da África se posiciona como uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, com seca que dura vários anos drenando reservatórios cruciais e, com a redução de chuva, que os reabastecia, sendo que a região, localizada em planalto desértico semiárido está cada vez mais afetada pelo calor extremo, recebendo água de 3 reservatórios represados ​​que diminuem à medida que as temperaturas aumentam e a precipitação torna-se escassa. Os reservatórios tornaram-se menos funcionais devido a "falta de volume" estando reduzidos a 20% da capacidade, enquanto aquíferos subterrâneos não conseguem recarregar devido a falta de chuvas, sendo que a solução a longo prazo seria canalizar água de grandes barragens ao norte e ao sul de Tiaret e recorrer a fontes alternativas de abastecimento incluindo usinas de dessalinização nas quais o país investiu forte, sendo que as autoridades tentam importar água de fontes próximas. A empresa pública responsável pela infraestrutura hídrica da região espera concluir a construção de ductos para levar água subterrânea à Tiaret, proveniente de poços a 32 km de distância, com o detalhe que, a crise da água na Argélia é observada pelas redes sociais recebendo pouca cobertura da imprensa argelina, já que, os jornais e emissoras de televisão dependem da receita publicitária do Estado.  

sábado, 7 de março de 2026

Abaporu

Referindo-se à obra modernista de Tarsila do Amaral, reinterpretado como o “devorador de dados”, a Unicamp inaugura supercomputador IA para pesquisas de petróleo no pré-sal financiado pela Shell, reunindo 28 placas gráficas NVIDIA H200 e L40s, as mais rápidas do mercado para aplicações IA, investimento inicial em torno de US$ 1 milhão, usado para acelerar pesquisas voltadas ao pré-sal brasileiro. O anúncio da Universidade do cluster do laboratório IA do Instituto de Computação,IC, da inauguração do supercomputador à projetos de pesquisa combina IA e engenharia de petróleo otimizando decisões em campos do pré-sal adquirido com recursos da Shell advindos da cláusula de PD&I da ANP, no Centro de Estudos de Energia e Petróleo. Instalado no data center do Instituto de Computação atenderá projetos desenvolvidos em parceria com a Shell, podendo também ser utilizado em pesquisas do Recod.ai e Instituto de Computação quando disponível, com o coordenador do Recod.ai e líder do projeto, professor Anderson Rocha avaliando que “o Abaporu deve ser hoje o maior cluster IA da Unicamp e um dos mais robustos dedicados à pesquisa universitária no país”. O diretor-geral de Tecnologia da Shell, Olivier Wambersie, avalia como objetivos da área P&D da Shell acelerar utilização de tecnologia de ponta em projetos que ampliam capacidade de impulsionar digitalização, aplicar IA a desafios da indústria de energia integrando ciência, dados e inovação com impacto nos negócios. O Recod.ai e a Shell Brasil mantêm colaboração voltada ao uso IA e aprendizado de máquina em desafios da indústria de energia e, na fase atual, avança em pesquisa que se estenderá até 2028 dedicado ao desenvolvimento de modelos de linguagem generativa aplicados à simulação e gerenciamento de reservatórios de petróleo. Os modelos, segundo a universidade, permitem engenheiros e geocientistas interagirem com simulação via linguagem natural transformando comandos técnicos em instruções conversacionais buscando  criar interface em que operador conversa com o reservatório e, simuladores de petróleo e, segundo o coordenador, “à realizar simulação de produção necessita dominar parâmetros e escrever scripts extensos”, com IA generativa, a interação torna-se mais intuitiva e rápida trata-se de conceito de inteligência aumentada que diminui fricção entre operador  e problema que se quer solucionar. Na prática, significa que o profissional solicitará algo como “simule os próximos 12 anos de produção do campo X considerando os poços Y e Z e variação de injeção de água” e o sistema traduzirá esse pedido aos formatos técnicos necessários acionando simuladores clássicos de reservatórios, em caso de falta de dados, a IA questionará o usuário “qual regime deve ser adotado?” por exemplo, tornando o processo interativo, dinâmico e guiado por diálogo. Por fim, a Unicamp destaca que, além da interface conversacional, algoritmos têm potencial para integrar e analisar dados sísmicos, geológicos e de produção em larga escala, identificando padrões complexos e anomalias que escapam à observação humana, cujo objetivo é apoiar tomada de decisão em tempo quase real, na otimização de estratégias de injeção e extração e previsão de desempenho de poços, aplicação direta ao contexto dos campos do pré-sal brasileiro.

A Teoria do Caos, ciência descoberta pelo meteorologista norte-americano Edward Lorenz em 1961, quando trabalhava em modelo matemático que pudesse fazer previsão do tempo e, durante os cálculos, notou que arredondar casas decimais, aparentemente insignificantes, ao longo do tempo, ocasionariam alterações gigantes no cálculo final. Em consequência, traduzindo à vida real, acontecimentos inexplicáveis no cotidiano e a inspiração à criação do Mundo Invertido de coisas estranhas podem ser influenciados pela teoria do caos, aplicado à vida real como decisão sutil, ou, pensamento recorrente, ou, detalhe ignorado, poderia desencadear transformações na vida, negócios e modo como percebemos a realidade. Em torno destas ideias teóricas giram a Teoria do Caos, conhecida quando Lorenz em uma apresentação resumiu seus impactos com a frase que “com a teoria do caos, um bater de asas no Brasil poderia ocasionar um tornado no Texas”, daí, o caos tornou-se fonte à roteiristas incitarem questões ou o que seria desencadeado por atitude isolada. Na tese do chamado Mundo Invertido, ou, realidade paralela, sombria e caótica urbana,   aberta de modo acidental, pairam atitudes que desencadeiam situações caóticas impactando o mundo real, como no 'Efeito Borboleta' protagonizado por Ashton Kutcher, o estudante universitário que enfrenta dores de cabeça que provocam desmaios e, inconsciente, pode viajar no tempo à momentos de dificuldades na infância, seus e dos amigos e, ao retornar à realidade, mudanças que fez no passado começam alterar o presente criando pesadelo de realidades alternativas. Daí, considerado sucesso de ficção-científica, a Teoria do Caos aparece na criação da realidade paralela ao explorar padrões que regem o aparente caos, como a questão em que abre possibilidade à tramas na vida real que podem significar oportunidades, tese, que abre perspectivas à interpretar fenômenos naturais como furacões, ecossistemas, padrões climáticos e prever decisões em grupo, flutuações econômicas ou surgimento de ideias em empresas, quer dizer, o que eram situações isoladas fora de controle e geravam instabilidade, com o estudo do tema vira previsibilidade e possibilidade de antecipar passos na vida pessoal e profissional, concluindo, o caos ao invés da busca pelo controle nos leva à consciência que a instabilidade é espaço à criação e inovação.

Moral da Nota: são comuns entre médicos e, aumentaram nos 2 primeiros anos da pandemia, consultas sobre saúde mental e uso de substâncias, SMSU, conforme carta de pesquisa publicada online nos Anais de Medicina Interna, com Maya A. Gibb, MPH, do Instituto de Pesquisa do Hospital de Ottawa, Ontário, Canadá, e colegas, examinando padrões temporais de consultas médicas relacionadas a saúde mental e uso de substâncias, SMUS, entre 29.662 médicos, calculou proporção anual padronizada por idade e sexo de médicos com uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS entre 1º de julho de 2003 e 30 de junho de 2022. observam que 11% dos médicos tiveram uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS, proporção padronizada de médicos com consultas relacionadas a SMUS/ano estável no período pré-pandemia, 12,5% em 2003-2004 à 12,1% em 2018-2019, na pandemia houve aumento na proporção padronizada de médicos que receberam atendimento em saúde mental e uso de substâncias, MHSU, com aumentos observados nos 2 primeiros anos comparados com o 3º ano. Em suma, o atendimento em saúde mental e uso de substâncias variava por especialidade antes da pandemia, com 28,0%, 14,2% e 9,7% dos psiquiatras, médicos de família e médicos das outras especialidades, respectivamente, recebendo atendimento em saúde mental e uso de substâncias entre 2018 e 2019, sendo que o atendimento em saúde mental aumentou entre médicos das especialidades na pandemia, exceto à psiquiatria, que permaneceu estável, com autores escrevendo que, "preocupações atuais com crise na saúde mental de médicos podem não refletir nova crise, destacando padrão longa data de problemas de saúde mental entre médicos exacerbado na pandemia".

Detalhe: o Departamento de Saúde do Estado de Washington detectou o vírus da influenza aviária identificando exposição às aves domésticas, ao seu entorno ou às aves silvestres como fonte mais provável de infecção, com o Laboratório de Virologia Clínica da UW Medicine identificando o vírus como H5N5 e confirmado pelos CDC, Centros de Controle e Prevenção de Doenças. O paciente, idoso com problemas de saúde preexistentes, estava internado no Condado de King desde o início de novembro, pós desenvolver febre alta, confusão e dificuldades respiratórias e, mantenedor nos fundos da residência, de aves domésticas mistas expostas a aves silvestres, tratando-se da 1ª infecção humana registrada no mundo com essa variante e a 2ª morte por gripe aviária nos EUA desde o início do atual surto. O CDC informa que o risco ao público em geral permanece baixo e  nenhuma outra pessoa envolvida testou positivo à gripe aviária, com "autoridades de saúde monitorando pessoas em contato com o paciente em busca de sintomas garantindo que não houve transmissão pessoa à pessoa", acrescentando que não há evidências de transmissão do vírus entre humanos.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Emergência em Saúde

O conceito de poluição do ar como emergência de saúde pública busca envolver países mais ou menos afetados pela questão, como a Índia, que se mobiliza para lidar com crises de saúde, de ondas de calor resultando em alertas do governo e centros de resfriamento urbano de emergência a doenças como dengue transmitidas por vetores, desencadeando campanhas públicas, vigilância em campo e maior preparação hospitalar. No seminário no AIIMS sobre o combate à poluição do ar, o chefe de pneumologia e distúrbios do sono do AIIMS afirma que “não se trata apenas de problemas respiratórios, outros órgãos são afetados e estamos vendo mais casos com risco de vida, consultas ambulatoriais e internações de emergência e pacientes necessitando de suporte ventilatório que deveria ser tratado como emergência de saúde pública”, valendo observar que o impacto da poluição na saúde pública, na sociedade e economia, não é tratada como emergência médica e a resposta permanece limitada a soluções paliativas e reativas. Relatório do Estudo da Carga Global de Doenças e relatórios da OMS, Organização Mundial da Saúde, mostram que a Índia tem maior incidência no mundo de problemas de saúde relacionados à poluição e, milhões morrem prematuramente a cada ano devido poluição do ar, por doenças do sistema respiratório e cardiovascular, como asma, DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ataques cardíacos e derrames, enquanto  jovens, respirar ar poluído prejudica desenvolvimento pulmonar, afetando capacidade cognitiva, desencadeia diabetes e aumenta ao longo da vida risco de problemas de saúde física e mental. Mulheres grávidas correm risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer quando expostas a altos níveis de poluição, problemas de saúde com implicações duradouras pois levam a ciclo de pobreza e questões sociais com aumento dos custos médicos e perda de renda dos familiares. Relatório publicado na The Lancet constata que a poluição do ar oriunda apenas das emissões de combustíveis fósseis causou 1,72 milhão de mortes na Índia em 2022 e, apesar das evidências, o país continua lidar com poluição do ar de modo reativo, problema por problema, em vez de ações proativas e sustentadas. A poluição do ar ainda é tratada como problema ambiental ou de planejamento urbano e não como emergência de saúde pública normalizando crise recorrente, já que, a cada inverno respondem à poluição com soluções paliativas como canhões de fumaça, recomendações à ficar em casa e distribuição de máscaras, medidas que pouco fazem além de oferecer alívio momentâneo, enquanto o aumento de casos de doenças respiratórias é descartado como "sazonal" em vez de claro alerta à crise de saúde pública cada vez mais grave.

Anjal Prakash, Professor Associado Clínico no Instituto Bharti de Políticas Públicas da Indian School of Business contribuindo aos relatórios do IPCC, avalia que 2025 foi o ano mais quente em 125 anos com alertas de onda de calor emitidos em partes do território indiano, sendo que na última década, governos de cidades e estados implementaram Planos de Ação contra o calor à lidar com a ameaça, com o 1º em 2013, com o relatório publicado pela Sustainable Futures Collaborative, SFC, organização de pesquisa focada em mudanças climáticas, energia e meio ambiente, constatando que cidades indianas mais vulneráveis ​​ao calor extremo não estão preparadas ao agravamento das ondas de calor, dependendo de medidas emergenciais em vez de planejamento de resiliência a longo prazo. Avaliou 9 cidades indianas com alto risco de vítimas ao calor no futuro, ou, Bengaluru, Nova Delhi, Faridabad, Gwalior, Kota, Ludhiana, Meerut, Mumbai e Surat, que representam 11% da população urbana, entrevistando 88 autoridades municipais, distritais e estaduais responsáveis ​​pela implementação de medidas de combate ao calor, com o conceito que os efeitos da poluição na saúde são naturalizados como inevitáveis ​​ou algo que só pode ser combatido de forma limitada. Além disso, debates sobre controle de emissões são restritos ao âmbito político com líderes empresariais e industriais priorizando desenvolvimento econômico e membros da comunidade aceitando a má qualidade do ar como parte do cotidiano, enquanto meios de comunicação noticiam incidentes de poluição e raramente apresentam como emergências que exige resposta imediata com escala e alcance que o desastre justifica. Tais ressalvas se originam em variedade de causas incluindo o fato de muitos poluentes serem invisíveis e imperceptíveis, cujos efeitos nocivos da exposição prolongada à poluição crônica serem insidiosos e prioridades conflitantes prevalecendo sobre a saúde ambiental e pública, daí, ser aceitável politicamente urbanizar e aceitar poluição do ar como subproduto que mudar mentalidades e práticas estabelecidas de desenvolvimento industrial e de infraestrutura. Daí, informar o sistema de saúde, alertar populações vulneráveis ​​e emitir diretrizes à implementação de medidas de controle da poluição, estabelece linha de responsabilidade do governo central às autoridades urbanas locais, como o caso de Pequim conhecida por ter um dos piores índices do mundo de poluição urbana conseguir melhorar a qualidade do ar em uma década, por meio da combinação de vontade política, fiscalização rigorosa e investimentos em infraestrutura mais limpa, como o caso de Paris em que  a poluição foi declarada crise de saúde resultando em proibições de veículos, redução do tráfego e promoção do transporte público e ciclismo, exemplos que mostram que cidades densamente povoadas  podem reverter crises de qualidade do ar quando a poluição é tratada como prioridade de saúde pública em vez de custo inevitável do desenvolvimento. Por fim, o relatório avalia que soluções rápidas de curto prazo como o acesso à água potável e expansão da capacidade hospitalar, apresentaram melhorias em que estratégias de longo prazo como melhorias na infraestrutura e reformas no planejamento urbano, continuam insuficientes, além de Planos de Ação contra o calor carecendo de robustez e financiamento com lacunas institucionais na implementação, alerta que o foco continua sendo gerenciamento de doenças relacionadas ao calor em vez de prevenção com acesso limitado a dados sobre o verdadeiro impacto do calor extremo nas cidades que dificulta o planejamento eficaz e, conclui que, embora o número de ações de curto, longo prazo incidentais e longo prazo intencionais tomadas varie entre diferentes cidades, há um padrão claro, ou, a maioria das cidades prioriza medidas de curto prazo.

Moral da Nota: estudo avalia que em Nova Jersey se acelera a elevação do nível do mar aumentando risco de inundações costeiras, prevendo aumento dos níveis da água e temperatura evitando recomendações políticas. O Centro de Recursos de Mudanças Climáticas de Nova Jersey na Universidade Rutgers disse que provavelmente verá elevação do nível do mar entre 2,2 e 3,8 pés até 2100 se prevalecer o nível atual de emissões globais de carbono, enquanto os mares podem subir até 4,5 pés se o derretimento da camada de gelo acelerar. O Painel Consultivo Científico e Técnico do centro, cientistas da Rutgers e de outras instituições que publicam relatórios desde 2016 afirmam que mudanças climáticas causadas pelo homem estão acelerando elevação do nível do mar em Nova Jersey e que os riscos de inundação “aumentam rapidamente” ao longo da costa do estado, comunidades próximas a rios de maré, pântanos e áreas úmidas. Encomendado pelo Departamento de Proteção Ambiental contou com participação de 144 cientistas, busca identificar, avaliar e resumir evidências sobre elevação do nível do mar e mudanças nas tempestades costeiras. Nova Jersey devastada quando o furacão Sandy atingiu o litoral em 2012 destruindo prédios, inundando cidades e forçando pessoas deixarem suas casas por anos com a tempestade tornando-se marco à vulnerabilidade na elevação do nível do mar, com o governador reconhecendo a ameaça embora tenha cedido à pressão de construtoras  para revogar regulamentações criadas à dificultar construção em áreas vulneráveis. O relatório inclui previsões sobre extensão da elevação do nível do mar em Atlantic City mas as previsões dependem do aumento das emissões globais, sendo que o último relatório do Painel Consultivo Científico e Técnico, de 2019, previu que emissões intermediárias  levariam a elevação do nível do mar de 60 cm até 2100,ou, 6 cm a menos que o novo relatório, além de atualizações incluindo novos cenários de emissões, previsões detalhadas de taxas de elevação do nível do mar, frequência de inundações em várias localidades e resumo dos impactos da elevação do nível do mar e tempestades costeiras. Avalia que até 2050 a cidade provavelmente terá entre 29 e 148 dias com inundações por ano, número que pode chegar a 178 se o derretimento das calotas polares se acelerar e, até o final do século, é “extremamente provável” que o número de dias com inundações costeiras ultrapasse 131/ano. Por fim, o relatório soa alarme de "inundações compostas" em que a elevação do nível do mar se combina com tempestades, chuvas intensas e rios transbordando, agravando inundações e, com a elevação do nível do mar, o aumento da frequência de inundações costeiras e a erosão se intensificam cujos esforços em combatê-la, que até agora obtiveram sucesso em alguns locais, podem ser sobrecarregados, alertam que os pântanos que protegem o litoral e a vida selvagem, podem ter chegado a ponto em que não conseguem mais acumular sedimentos para se protegerem da elevação do nível do mar.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

IA e Saúde

IA na saúde em clínicas norte americanas mostram ferramentas à transcrição de conversas, sugerindo diagnósticos ou fornecendo códigos de faturamento, sistemas integrados em tempo real nas consultas funcionando como assistentes digitais que capturam narrativa do paciente transformando em resumo clínico organizado e preciso. Tais modelos não detectam inflexão na voz quando o paciente demonstra medo, nem pausa antes de mencionar lembrança dolorosa ou olhar que evita contato por constrangimento quando médicos dependem da tecnologia para "ouvir" por eles, o risco de desconexão emocional é real, quer dizer, o não dito, gestos e o implícito ficam fora do registro, implicando perda de informações clínicas e humanas. A medicina adotou por décadas a chamada "medicina em evidências", movimento que, embora buscasse eliminar práticas obsoletas e promover estudos rigorosos, restringiu o atendimento em que, números, algoritmos e protocolos foram priorizados em detrimento da escuta ativa, intuição e empatia. IA ​​amplifica essa tendência, quer dizer, se antes, médicos baseavam em escalas e pontuações, agora a máquina oferece solução estatisticamente mais provável em segundos, no entanto, o problema é que transforma o paciente em coleção de dados e não em história única, levando ao risco não apenas no que  IA deixa de ver mas no que torna invisível ou dimensões afetivas, sociais e contextuais do sofrimento. Ao recorrerem a chatbots para descrever sintomas antes da consulta, em vez de descreverem espontaneamente como se sentem, pacientes são treinados pela IA para usar linguagem clínica correta refinando narrativa como se estivessem se preparando para entrevista ou exame, que pode facilitar diagnósticos, mas acaba por introduzir modo de autoedição emocional, ou, medo, dúvida e circunstâncias de vida que influenciam a doença são apagados em favor da narrativa médica objetiva, livre de interferências subjetivas, quer dizer, o que IA lhes retorna como "correto" pode levar a diagnósticos mais rápidos, porém, mais impessoais. Por fim, estudos revelam perda de habilidades clínicas em profissionais que delegam tarefas à IA e, ao sugerirem diagnósticos, o questionamento estanca, a reflexão enfraquece, o raciocínio criativo falha e o que antes era trabalho analítico se transforma em validação passiva e, em mercado que busca produtividade, tais ferramentas são integradas não como apoio mas como substitutos e, em vez de liberar o médico para olhar o paciente nos olhos a tecnologia reforça o modelo de atendimento rápido onde cada minuto ganho se traduz em mais uma consulta faturada. O detalhe nesta questão é que muitos dos conjuntos de dados usados ​​para treinar esses modelos contêm desigualdades históricas, ou, menor representatividade feminina, de pessoas negras ou com deficiência, significando que, mesmo que um sistema pareça "objetivo" reproduz exclusões e erros do passado e, o que está em questão é o modelo da relação profissional e paciente enquanto a medicina entendida como prática de acompanhamento, exige escuta, tempo, presença e reconhecimento do outro como ser único e quando o foco se desloca aos dados essa dimensão humana enfraquece. Daí, em sistema público focado no bem-estar, IA poderia ser usada para detectar desigualdades, apoiar profissionais sobrecarregados ou identificar pacientes que necessitam de assistência social urgente em ambiente político e econômico de diversidade humana em detrimento da padronização que priorize crescimento  coletivo em vez de ganho privado.

A agência de Notícias Fas Company, nos informa que decorrente manifestações da Geração Z mundo afora questionando estabilidade no mercado, migra à setores menos suscetíveis à automação em contexto receoso relativo aos impactos IA no mercado de trabalho, quer dizer, a geração Z ou os nascidos entre 1995 e 2010, mostra resposta de adaptabilidade menos visível e mais ativa. Dados da agência nos informam que 70% dos membros da geração questionaram segurança de seus empregos diante tecnologias IA e, uma das razões à essa mudança, é a perda de confiança no ensino superior, apontando que 65% da geração atual não vê ensino superior como garantia de emprego e, buscando estabilidade, muitos optam por áreas de construção, saúde, educação ou profissões consideradas mais estáveis. A pesquisa aponta que 57% dos jovens têm atividades secundárias que envolvem trabalhos manuais, citadas atividades de venda e restauração de móveis como exemplo enquanto  levantamento da IBM, apontou que avanços IA progrediram em ritmo lento até a explosão do ChatGPT, serviço criado pela OpenAI, rapidamente seguido por outras empresas lançando Gemini, DeepSeek, Grok e afins. Tal progresso gerou interesse entre empresários que reportaram utilizar ferramentas IA de forma ativa,88%, segundo levantamento da McKinsey & Company, ao passo que analistas do mercado de trabalho manifestam preocupação sobre  risco que a adoção dessas ferramentas comprometa oportunidades de emprego às gerações entrantes, questão levantada por pesquisa do departamento de economia de Harvard alertando que estão em evidência contratações de qualificação média. Até o momento, não há tendência de demissões e, a demanda por trabalho humano, segue presente nas atividades especializadas e de baixa qualificação, impulsionadas, pela expertise técnica e menor custo, no entanto, empresas buscam especialistas em integração IA que trabalham para automatizar operações diárias através dessa tecnologia fechando janelas aos que prestam serviços mais repetitivos e burocráticos. Estudo do MIT revelou que 95% das organizações que investiram em tecnologias IA não receberam retorno financeiro, enquanto a plataforma de análise Visier identifica que empregadores que demitiram trabalhadores diante promessa IA estão recontratando, apontando à tendência de "demissão bumerangue", embora o aumento de recontratações não estejam totalmente claros com sugestões que os empresários podem ter demitido de forma precipitada sem avaliar se havia funções que poderiam ser substituídas. Por fim, a preocupação com bolha IA que provocou quedas nos mercados acionários com analistas bancários prevendo correções diante supervalorização de empresas, como aponta o investidor James Anderson no Financial Times ao dizer que, "aumentos repentinos que as pessoas estavam dispostas atribuir à OpenAI, Anthropic e etc foram desconcertantes", concluindo, "a magnitude desse salto e a velocidade com que aconteceu me incomodaram."

Moral da Nota: estudo brasileiro publicado na Nature Neuroscience, analisou interação entre proteínas ligadas à Alzheimer, tau e beta-amiloide e células cerebrais revelando que que inflamação cerebral é chave na progressão da doença, em pesquisa liderada pelo neurocientista Eduardo Zimmer, UFRGS, sugerindo que o cérebro necessita estar inflamado para que a doença de Alzheimer se estabeleça e avance. Esclarece que essas proteínas formam "grumos insolúveis como pequenas pedras" capazes de ativar astrócitos e microglia, células que coordenam resposta imune do cérebro e, quando entram em modo reativo criam ambiente inflamatório que contribui à progressão da doença. O pesquisador avalia que já havia evidências desse processo em animais e em análises pós-morte, mas é a primeira vez que a comunicação entre essas células é observada em pacientes vivos, possível, graças a exames de imagem de última geração e biomarcadores sensíveis.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Tokenização

O Projeto de Lei 4438/2025 buscando definir regras para tokens poderá revolucionar o mercado imobiliário do Brasil, no entanto, especialistas alertam sobre limites jurídicos da tecnologia em que tokenização imobiliária surge como inovação capaz de transformar o mercado imobiliário, baseada em blockchain, permite converter imóveis em tokens digitais negociáveis em plataformas seguras, ampliando investimento em frações, maior liquidez e transparência nas transações. O tema ganha força com a tramitação do Projeto que propõe estabelecer regime jurídico aos chamados tokens imobiliários criando parâmetros para emissão, negociação e custódia de ativos digitais vinculados a imóveis abrindo caminho à integração entre plataformas blockchain e SNRI, Sistema Nacional de Registro de Imóveis. Apontam que a discussão implica segurança jurídica dos registros e escrituração pública dos bens, pilares que sustentam confiança nas transações imobiliárias e, conforme Andrey Guimarães Duarte, especialista em direito imobiliário e registral, compreender limites atuais da tecnologia frente à legislação vigente é fundamental, esclarecendo que, “o registro de imóvel é indispensável ao direito de propriedade, sendo que os efeitos jurídicos de suportes como blockchain não geram efeitos de direito real oponível contra todos, mas, efeitos obrigacionais, válidos apenas entre partes do negócio”. A prática é que a empresa responsável pela gestão blockchain figure no cartório como proprietária do imóvel, enquanto o token é negociado contratualmente com outra pessoa, esclarecendo que, “a empresa atua como custodiante e se obriga seguir determinações do titular do token, inclusive transferindo titularidade em caso de negociação, o token, por sua vez, gera direitos e obrigações contratuais entre partes”. Por fim, esclarece que o projeto pode representar avanço abrindo debate sobre regulamentação específica do tema, no entanto, há caminho a percorrer considerando que a discussão envolve papel dos cartórios na era digital, integração entre registros imobiliários e plataformas blockchain, riscos de insegurança jurídica e possibilidade de convergência com soluções consolidadas como o e-Notariado, destacando impacto que o Drex, o real digital, poderá ter na liquidação de operações tokenizadas.

Vale registrar que a proposta de utilização de soluções DeFi no combate a pobreza global, com o DeFi Education Fund, organização de defesa focada em DeFi, finanças descentralizadas, estima que DeFi, tecnologia DeFi poderia potencialmente economizar até US$ 30 bilhões/ano às pessoas reduzindo custos de remessas e propondo uso da tecnologia para reduzir custos visando combater pobreza nos EUA e globalmente. O grupo afirmou que a infraestrutura DeFi economizaria às pessoas sem conta bancária ou com acesso limitado a serviços bancários, reduzindo custos de remessas, cita exemplos de trabalhadores que enviam dinheiro para casa e pagam taxas que poderiam ser reduzidas "em até 80%" com o DeFi. Avalia que, “o prêmio da pobreza e despesas incorridas por famílias de baixa renda que os mais ricos acessam a custo menor persiste porque a infraestrutura financeira atual, estratificada e desatualizada, inflaciona lucrativamente o custo de atendimento a clientes de baixa renda”, acrescentando que, "nada é de graça, e o DeFi não elimina custos, mas, remover intermediários e utilizar software em vez de sistemas financeiros antiquados pode reduzir o custo dos serviços financeiros às pessoas comuns e dar-lhes maior controle sobre suas finanças”. Propõe uso de aplicações blockchain para abordar fatores que contribuem à pobreza como redução do tempo de transação, eliminação ou redução de taxas e aumento do acesso a serviços financeiros, citando aumento dos custos nos EUA associados ao saque de cheques sem conta bancária, uso de ordens de pagamento e à aquisição de imóveis, afirma que, “embora 3% dos norte americanos estejam atualmente familiarizados com o DeFi, há abertura à proposta central”. Adultos norte americanos consideram recursos DeFi atraentes com 56% valorizando ter controle pessoal sobre seu dinheiro o tempo todo, 54% desejam controle pessoal completo sobre segurança dos dados pessoais e financeiros e 53% querem ver histórico financeiro completo todo o tempo, considerando que nos EUA legisladores estão próximos de analisar projeto de lei sobre estrutura de mercado de ativos digitais. Para concluir, o projeto de lei sobre estrutura de mercado no Congresso dos EUA, já atrasado por paralisação do governo, avança, com o presidente da Comissão Bancária do Senado dizendo esperar que seja aprovado até início de 2026.

Moral da Nota: outra nota relevante são tesourarias de criptomoedas e blockchain abrirem caminho à ciência descentralizada via alternativas para financiar pesquisas científicas e médicas em fase inicial, com empresas biomédicas e científicas buscando estratégias de tesouraria blockchain e cripto para financiar pesquisas, reformulando estruturas de formação de capital e financiamento de pesquisas. A Portage Biotech, empresa de tecnologia biomédica, obteve receita operacional com staking para proteger a rede e investindo em projetos no ecossistema Telegram incluindo jogos e miniaplicativos destinando parte da receita gerada pelas operações comerciais e valorização do TON para financiar pesquisas sobre câncer. Brittany Kaiser, CEO da AlphaTON, afirma que a empresa explora tokenização de ativos do mundo real, RWA, como mecanismo de financiamento à descentralizar desenvolvimento científico e eliminar barreiras financeiras e de acesso à financiamento da pesquisa inerentes a sistema tradicional, esclarecendo que, “investiga   estudos de caso o que funciona e não funciona, de tokenização da propriedade intelectual a tokenização do capital da empresa proprietária da pesquisa ou dos lucros futuros da pesquisa”. Os consultores estratégicos da AlphaTON, Kaiser e Anthony Scaramucci,dizem que a pesquisa biomédica como vertical operacional distingue empresa de tesourarias de ativos digitais que carecem de negócios operacionais, concluindo que, “a maioria das empresas de tesouraria cripto assumem estrutura e removem aspectos essenciais do negócio original, caso novo porque existem ativos valiosos na estrutura”. Por fim, a startup de ciência descentralizada, Ideosphere, explora financiamento de pesquisas científicas em estágio inicial via mercados de previsão com plataformas de mercado de previsão atuando como mecanismos de inteligência coletiva e votação, considerando que a Bio Protocol, plataforma científica descentralizada que combina IA, blockchain e participação da comunidade à pesquisa de descoberta de medicamentos, garantiu US$ 6,9 milhões em financiamento da empresa Web3 Animoca Brands e fundo Maelstrom, com Arthur Hayes, fundador da Maelstrom afirmando que a plataforma tem potencial de tornar-se “mercado de pesquisa nativo IA” completo e capaz de mudar o modo como a pesquisa científica é conduzida.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Máquinas que Pensam

Inseridos em conceito de entendermos sistemas IA, parte cada vez mais significativa de nossas vidas, Phillip Isola busca respostas que envolvem computação e reflexão, com o professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação estudando mecanismos na inteligência similares à humana a partir de perspectiva computacional. Focado na compreensão da inteligência, seu trabalho se concentra na visão computacional e aprendizado de máquina, interessado em explorar como inteligência emerge em modelos IA, como modelos aprendem representar o mundo ao redor e o que “cérebros” compartilham com os cérebros de seus criadores humanos. A compreensão científica da inteligência através dos agentes IA ajudará integrá-los de modo seguro e eficaz na sociedade maximizando potencial para beneficiar a humanidade creditando ao orientador do doutorado, professor da Cátedra John e Dorothy Wilson de Ciências da Visão, como influente na trajetória inspirado pelo foco em compreender princípios fundamentais em vez de buscar padrões de engenharia, que são testes formalizados usados ​​para medir desempenho de um sistema. No MIT a pesquisa se direcionou à ciência da computação e IA e sua tese focou no agrupamento perceptual que envolve mecanismos que pessoas e máquinas usam para organizar partes discretas de uma imagem como único objeto coerente, se máquinas puderem aprender agrupamentos perceptuais por conta própria permitiriam que sistemas IA reconhecessem sem intervenção humana, aprendizado autossupervisionado com aplicações em áreas como veículos autônomos, imagens médicas, robótica e tradução automática de idiomas. Desenvolveu estruturas de tradução de imagem à imagem, forma inicial de modelo IA generativa que transformaria esboço em imagem fotográfica, por exemplo, ou, foto em preto e branco em colorida e, baseando-se no interesse pelas ciências cognitivas e desejo de compreender o cérebro humano seu grupo estuda cálculos fundamentais envolvidos na inteligência semelhante à humana que emerge nas máquinas, focados na aprendizagem de representação, ou seja, capacidade de humanos e máquinas representarem e perceberem o mundo sensorial à sua volta. Observaram que tipos de modelos de aprendizagem automática, de modelos de aprendizagem de linguagem a modelos de visão computacional e modelos de áudio, parecem representar o mundo de modo semelhante, concebidos para realizar tarefas diferentes em semelhanças nas arquiteturas e, à medida que crescem e são treinados com mais dados, suas estruturas internas tornam-se cada vez mais parecidas. Daí, a Hipótese da Representação Platônica, nome derivado do filósofo grego Platão, ao afirmar que as representações que os modelos aprendem e convergem à representação subjacente compartilhada da realidade, a partir daí, estuda o aprendizado autossupervisionado que envolve modos pelos quais modelos IA aprendem agrupar pixels relacionados em uma imagem ou palavras em uma frase sem ter exemplos rotulados para aprender. Usar dados rotulados para treinar modelos pode limitar capacidades dos sistemas IA e, com o aprendizado autossupervisionado, o objetivo é desenvolver modelos que possam criar representação interna precisa do mundo por conta própria, quer dizer, busca encontrar algo novo e surpreendente do que construir sistemas complexos que possam superar os benchmarks mais recentes de aprendizado de máquina.

Famílias descrevem tristeza quando um ente querido com Alzheimer para de reconhecer as pessoas mais próximas e nova pesquisa oferece visão mais clara de por que essa perda acontece e aponta possível maneira de retardá-la, com o trabalho se concentrando em minúsculas redes protetoras no cérebro que ajudam estabilizar a memória e, quando essas redes começam se desfazer, memórias sociais desaparecem antes que outras habilidades se percam. Relatório sobre a vida com demência destaca que mesmo aqueles com a doença em estágio avançado têm histórias para compartilhar e, com o aumento da idade média da população norte americana, cresce o número de pessoas que vivem com doença de Alzheimer e outras demências, no entanto, a demência ainda é condição estigmatizada como aponta coletânea de ensaios publicada pelo Hastings Center for Bioethics. Clínicos, cuidadores e familiares poderiam melhorar a vida de mais de 7 milhões de pessoas nos EUA que vivem com demência se reconhecessem que esses indivíduos ainda têm suas próprias histórias para contar, mesmo quando não conseguem se expressar da mesma forma que antes do surgimento dos sintomas. Nancy Berlinger, PhD, pesquisadora sênior do Hastings Center, coeditora de "Vivendo com Demência: Aprendendo com Narrativas Culturais de Sociedades Envelhecidas", esclarece o conceito de medicina narrativa como abordagem pioneira de Rita Charon, da Universidade de Columbia, utilizada no ensino médico dos EUA, baseada no conceito que as histórias dos pacientes importam, as histórias dos cuidadores importam e o processo de resposta dos médicos a essas histórias importa, ao dizer que as histórias são marcantes na interseção entre bioética e narrativa. Associado à sociologia ou antropologia em sociedade envelhecida como os EUA, pensa ser importante que médicos, estudantes de medicina, educadores da área médica e pessoas refletissem sobre as histórias coletivas que a sociedade conta sobre condição associada ao envelhecimento populacional, condição, que provavelmente qualquer pessoa que trate adultos nos EUA encontrará em algum momento. A Dra Berlinger esclarece que se um indivíduo é diagnosticado com demência pode haver suposição que o que ele diz e suas memórias não são confiáveis, que pode ser propenso a comportamentos atípicos mesmo que esteja em estágio inicial da doença, daí, necessidade de compreender que nem toda demência é demência avançada, talvez haja substituição de palavras, talvez usem metáfora diferente mas isso não significa que seja impossível aprender com as pessoas com demência sobre suas vidas. Por fim nos esclarece que, há um ensaio escrito pela cientista social canadense, Julia Henderson, que começou como terapeuta ocupacional, falando sobre abordagens artísticas à pessoas com demência que nos fazem pensar, daí, no cerne da bioética às sociedades em envelhecimento está o que torna uma vida boa na terceira idade, neste relatório, estamos dizendo que a vida é mais que decisões médicas e muitos dos cuidados com a demência vão além de decisões médicas.

Moral da Nota: na região do cérebro denominada hipocampo, encontra-se pequena região chamada CA2 que desempenha papel fundamental na lembrança de pessoas e interações sociais, cujos neurônios dessa região são envoltos por estruturas em forma de malha, conhecidas como redes perineuronais que ajudam estabilizar e dar suporte à memória de longo prazo, especialmente memórias ligadas a pessoas conhecidas. Cientistas da Universidade da Virgínia estudaram o que acontece com essas redes em  modelos de camundongos com doença de Alzheimer e descobriram que as redes enfraquecem e se rompem à medida que a doença progride, com Harald Sontheimer, PhD, da Faculdade de Medicina e equipe determinando que a dificuldade em reconhecer familiares, amigos e cuidadores, observada na doença de Alzheimer é causada pela ruptura das “redes” protetoras que envolvem os neurônios no cérebro e a perda de redes na região coincidiu com a perda de memória social nos camundongos. Por fim, nos informa que os resultados representam mudança na compreensão que causa a perda de memória e "descobrir alteração estrutural que explique perda de memória específica na doença de Alzheimer empolga" e, conclui, "é alvo novo e já temos candidatos a medicamentos adequados em mãos."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Desafios

A última fronteira na tokenização é o petróleo lastreado em bitcoin como garantia de commodities sintéticas resistentes a restrições geopolíticas em que contratos inteligentes automatizam liquidação, sendo que a RWA, tokenização de ativos do mundo real, é considerada meio de tornar mercados tradicionais mais eficientes e inclusivos. Uma das commodities mais influentes, petróleo, permanece em parte inexplorada e, combinar contratos futuros de petróleo tokenizados com Bitcoin como garantia, marca fronteira na transformação digital em meio à crescente dívida global ultrapassando US$ 330 trilhões ao lado de inflação recorde. Contratos futuros de petróleo são mercado próspero, permitem especuladores e produtores firmarem contratos que os obrigam comprar ou vender petróleo em data futura e converter esses ativos em tokens blockchain tornaria o processo instantâneo, transparente e acessível a todos, não apenas a investidores institucionais sendo que a inclusão Bitcoin leva à passo adiante. Considerado transfronteiriço, resistente à censura e, em grande parte, fora do alcance dos órgãos reguladores que restringem transações tradicionais de petróleo, o btc é particularmente valioso quando se trata de petróleo, recurso proveniente de alguns dos países com maior bloqueio financeiro do mundo e combinar liquidez cripto com estabilidade de commodities físicas, o petróleo lastreado em BTC inauguraria ativos sintéticos resistentes à censura possibilitando finanças programáveis sem fronteiras em mundo volátil. Tokenizado, serviria como garantia em protocolos DeFi, finanças descentralizadas, permitindo que investidores gerem rendimentos ou agrupem em portfólios multiativos podendo ser usado como garantia para obter empréstimos e emitir stablecoins que geram retornos, melhorando eficiência do capital, escalado com sucesso, levaria a classe de ativos nova, ou, commodities sintéticas combinadas a escassez Bitcoin com utilidade real do petróleo oferecendo resiliência contra perturbações geopolíticas e excesso de regulamentação. A tokenização permite fracionamento, dispensando contrato de US$ 65 mil para participar, quer dizer, US$ 100 seriam suficientes, tornando o petróleo commodity negociável globalmente com investidores depositando BTC como garantia usando a mesma fórmula que permite negociação de margem on-chain com contratos inteligentes automatizando o ciclo de vida, desde o gerenciamento de garantias e chamadas de margem a liquidação em que a    integração DeFi permitiria uso de petróleo tokenizado como garantia à empréstimos ou yield farming, criando ecossistema programável operando 24 horas/dia, 7 dias por semana. A vantagem do petróleo lastreado em Bitcoin é clara, aliado à capacidade de se tornar  garantia "inteligente", integrável ao DeFi para geração de rendimento, empréstimos ou cestas de commodities, aceleraria tokenização de ativos ponderados pelo risco, RWA, e fluxos de capital mais que qualquer outra classe de ativos.

A Hippocratic AI, líder global em agentes IA generativa focados em segurança na saúde, levanta US$ 126 milhões com avaliação de US$ 3,5 bilhões elevando financiamento total à US$ 404 milhões. Liderado pela Avenir Growth, líder em apoio a empresas que definem categorias IA generativa, com participação de investidores novos e antigos, CapitalG, fundo de crescimento do Google, General Catalyst, Andreessen Horowitz, Kleiner Perkins, Premji Invest, Universal Health Services, Cincinnati Children's Hospital Medical Center, WellSpan Health, John Doerr, Rick Klausner e outros, sendo que em 15 meses desde a comercialização, estabeleceu parcerias com mais de 50 sistemas de saúde, operadoras de planos de saúde e clientes farmacêuticos em 6 países, além de desenvolver mil casos de uso clínico e 115 milhões de interações clínicas sem problemas de segurança. A adoção se acelera à medida que organizações de saúde recorrem a agentes IA generativa escaláveis ​​e seguros para viabilizar abundância na saúde, com Andrew Sugrue, cofundador da Avenir Growth, dizendo, "focados em investir em líderes de categoria" e, conclui, "após conversar com clientes antes de investir, acreditamos que a Hippocratic AI lidera a categoria de agentes de saúde e descobrimos foco incansável em segurança conquistando confiança de organizações de saúde no mundo, tornando-se escolha segura à executivos na hora de selecionar agentes IA para implantação na saúde." Segundo a sócia-gerente da Andreessen Horowitz, "a Hippocratic AI está entre empresas de saúde corporativa de crescimento mais rápido nos últimos anos", concluindo, "seu rápido crescimento é prova da demanda por soluções à crise de acesso a mão de obra e pacientes no setor e capacidades exclusivas que trouxe ao mercado para atender necessidades." O financiamento de capital de risco aumentou 38% em relação a 2023 atingindo US$ 97 bilhões no 3º trimestre, sendo que 46% foram destinados a empresas IA, sendo que os recursos desta rodada impulsionaram expansão através de fusões, desenvolvimento de produtos e crescimento internacional, com a Hippocratic AI cofundada por Munjal Shah e médicos, administradores hospitalares, profissionais de saúde e pesquisadores IA da El Camino Health, Johns Hopkins, Stanford, Microsoft, Google e NVIDIA. Desenvolveu agentes IA generativa na saúde estabelecendo parcerias com mais de 50 organizações de saúde como Cleveland Clinic, Northwestern Medicine, Ochsner Health, Moffitt Cancer Center, University Hospitals e outras.

Moral da Nota: a Câmara fintech argentina alerta que a estrutura tributária nacional dificulta desenvolvimento do setor, em relatório, mostra que empresas fintech na Argentina pagam alíquota média de 6,4% sobre o Imposto de Renda Bruto, IRB, quase o dobro de outros setores, apresentou resultados no relatório intitulado “Mapa da Pressão Tributária sobre a Digitalização da Economia”, levantamento que analisa impacto do Imposto de Renda Bruto, IRB, sobre empresas do setor de tecnologia financeira e disparidades tributárias entre províncias argentinas. O documento explica como a estrutura tributária impõe ônus às empresas fintech, afetando competitividade, capacidade de expansão e contribuição ao desenvolvimento econômico nacional e, segundo o relatório, uma empresa fintech média na Argentina paga alíquota de 6,4% sobre receita, enquanto setores tradicionais como Comércio ou Serviços pagam entre 3% e 5%, nível de carga tributária que faz do ecossistema fintech um dos mais tributados do país, o que, segundo a Câmara, “aumenta o custo dos serviços financeiros, eleva o custo do crédito e desestimula formalização da atividade econômica”. O estudo, baseado em análise de leis tributárias nas 24 jurisdições do país, revela disparidade territorial, enquanto a alíquota do imposto de renda bruta na Terra do Fogo é de 3,5%, em províncias como La Pampa e Santa Fé chega a 9%, a mais alta já registrada, sendo que a atual estrutura tributária limita o desenvolvimento da economia digital e afeta empresas e usuários. Por fim, o documento destaca que algumas províncias como Córdoba, Jujuy e Santa Fé, aplicam regimes tributários especiais que aumentam a carga tributária sobre empresas fintech, em Córdoba, por exemplo, operações de crédito e pagamentos processados via plataformas digitais estão sujeitos a taxas que podem chegar a 9% pós adição de contribuições adicionais. O relatório propõe reduzir pressão tributária setorial, harmonizar regulamentações entre províncias e simplificar o marco regulatório. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

On Chain

O governo norte americano coloca suas estatísticas na blockchain avançando com a "economia onchain" publicando indicadores macroeconômicos diretamente em blockchains públicas, o fato ocorre pós o secretário de Comércio, Howard Lutnick, anunciar o projeto, com iniciativa desenvolvida em colaboração com Chainlink e Pyth Network. Através da parceria, o Departamento de Comércio publicou 6 métricas do Bureau of Economic Analysis sobre blockchain, incluindo PIB real, índice de preços, PCE, e vendas finais reais à compradores privados nacionais, abrindo caminho à aplicações em finanças descentralizadas, plataformas de previsão e ativos tokenizados, com isto, os indicadores serão atualizados em ciclos mensais ou trimestrais e, na fase inicial, disponíveis em 10 redes, ou, Arbitrum, Avalanche, Base, Botanix, Ethereum, Linea, Mantle, Optimism, Sonic e ZKsync e, conforme a Chainlink, mais blockchains serão adicionadas de acordo com a demanda. O Departamento de Comércio explica em comunicado que a distribuição se estenderá a Bitcoin, BTC, Ethereum, ETH, Solana, SOL, Tron, Stellar, Avalanche, AVAX, Arbitrum, ARB, Polygon, MATIC, Optimism, OP, sendo a entrega das informações coordenada com oráculos do esquema cuja metodologia consiste em registrar hash criptográfico de cada conjunto de dados em diferentes cadeias, garantindo integridade, sendo que o objetivo é adicionar canal complementar para disseminar informações econômicas sem substituir os mecanismos atuais. O Departamento de Comércio confirmou que Coinbase, COIN, Gemini e Kraken colaboraram no processo de publicação e, conforme a Bloomberg, as plataformas foram usadas à adquirir criptomoedas necessárias com as quais as taxas de transação foram cobertas, com o secretário de Comércio esclarecendo que "o Departamento de Comércio e o presidente, publicarão dados estatísticos econômicos na blockchain", acrescentando que, "a verdade econômica dos EUA imutável e globalmente acessível como nunca antes, consolidando papel como capital mundial blockchain."  

Neste conceito disruptivo surge a nota que o Google lança o Google Cloud Web3, IA que explora Bitcoin, Criptomoedas e Web3, focado no ensino e tecnologias relacionadas a criptomoedas e ecossistema Web3, dentre elas, modelo IA Web3 AI projetado para explicar conceitos técnicos e apoiar pesquisas neste campo embora em versão beta, a IA é capaz de responder perguntas sobre múltiplos aspectos do setor, mesmo que a empresa alerte que suas respostas podem não ser totalmente precisas podendo apresentar erros. Além da ferramenta IA, a plataforma permite interação direta com redes de criptomoedas, por exemplo, usuários podem receber tokens de teste que não têm valor monetário usados ​​em ambientes simulados conhecidos como testnets, ou, implementar nós Bitcoin e outras blockchains incluindo opção de executar um nó Bitcoin sincronizado com a Ordinal Wallet. Na seção "Descobrir" pode-se explorar projetos criados pela comunidade e os compartilhar com outros usuários, considerando que a Web3 representa evolução da internet em direção a ambiente descentralizado onde usuários têm controle sobre dados, ativos digitais e como interagem com as plataformas, ao passo que na web tradicional, empresas concentram informações e controle com Web3 se baseando em tecnologias como blockchain e contratos inteligentes que permitem transações seguras, verificáveis ​​sem intermediários. Impacta ativos digitais e finanças descentralizadas, DeFi, ou, plataformas blockchain que permitem usuários emprestarem, tomar emprestado e investirem em cripto sem necessidade de bancos tradicionais, além de Arte digital e colecionáveis ​​virtuais, como NFTs, com destaque à ativos que permitem propriedade e autenticidade de obras digitais criando mercados à artistas, criadores e colecionadores. Videogames e universos virtuais são campo em expansão em que Jogos blockchain permitem controle de itens e personagens que adquirem e os troquem em suas próprias economias virtuais, recursos, que abrem horizonte no modo como experiências digitais são concebidas. Promove plataformas colaborativas e redes sociais descentralizadas onde usuários participam da governança e monetização de conteúdo, reduzindo dependência de intermediários, quer dizer, no Google Cloud Web3, usuários experimentam tokens de teste, implantam nós blockchain e exploram projetos do mundo real sem investimento inicial tornando Web3 espaço à aprender, inovar e participar de ecossistema digital em expansão.

Moral da Nota: stablecoin é ativo digital emitido por empresas como tokens na blockchain, atrelados a moeda fiduciária e lastreados por reservas monetárias ou títulos de alta liquidez, projetadas para oferecer reserva de valor estável e meio de troca, diferente de ativos digitais voláteis como criptomoedas e emitidas por instituições privadas em blockchains públicas como Ethereum, ao contrário das CBDCs, Moeda Digital de Bancos Centrais, stablecoins não são moeda corrente oficial e recebem diferentes níveis de escrutínio e supervisão regulatória, como exemplos estão o Tether, USDT, Circle, USDC, e EUR CoinVertible, EURCV. O mecanismo que garante estabilidade da stablecoin envolve colateralização, por exemplo, o USDC da Circle é lastreado 90% por títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo ou acordos de recompra, o restante é mantido em dinheiro, lastro que garante aos detentores resgatar stablecoins a qualquer momento por ativo subjacente, mantendo a estabilidade. Os benfícios são velocidade e disponibilidade com funcionamento 24 horas/dia, 7 dias/semana, liquidando pagamentos quase instantaneamente, custos mais baixos eliminando intermediários e tornando transferências mais baratas, transparência e controle permitem rastreamento em tempo real e pagamentos verificados automaticamente, combate à lavagem de dinheiro e conhecimento do cliente com processos de conformidade digital e contratos inteligentes. Além de acesso global utilizando infraestrutura "em carteira" em vez de "em conta", expandindo acesso a qualquer cliente com conexão internet e, por fim, inovação empresarial permitindo novos recursos como contratos inteligentes que permitem rebalanceamento de portfólios, liquidação instantânea e capacidade de usar ativos tokenizados como veículos de pagamento. Por fim, regulamentações que regem stablecoins evoluem à medida que governos e instituições reconhecem crescente influência nas finanças globais, visam garantir operação estável e segura do dinheiro tokenizado em aspectos como reservas, divulgações, conformidade com as normas antilavagem de dinheiro e "conheça seu cliente", além do licenciamento dos emissores. Instituições financeiras participam cada vez mais do ecossistema stablecoin, com algumas emitindo suas próprias ou experimentando depósitos tokenizados, por exemplo, a JPM Coin, do JPMorgan Chase, usa depósitos bancários tokenizados para liquidação em cadeia em tempo real entre clientes institucionais, Citibank, Goldman Sachs e UBS,  experimentam depósitos e dinheiro tokenizados através de iniciativas como a Canton Network, indicando interesse entre grandes instituições no uso de stablecoins e ativos tokenizados às diversas aplicações. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Volatilidade

Na evolução do ecossistema cripto, a volatilidade é característica inerente, balanço entre euforia e medo e, inseridos em altos e baixos, analistas e investidores sempre atentos a eventos monumentais, um "cisne negro", termo usado para descrever evento raro, imprevisível e com forte impacto. Nas finanças digitais, o que desencadearia pânico generalizado capaz de derrubar confiança e preços em mercado que demonstra resiliência seria a mudança radical e coordenada na regulamentação, atualmente, cenário regulatório é fragmentado com países adotando abordagens da proibição total à adoção entusiástica, no entanto, esforço global motivado por preocupações com estabilidade financeira, lavagem de dinheiro ou evasão fiscal, pode mudar regras da noite para o dia. Cenário possível seria potências econômicas concordarem impor restrições a utilização cripto, dificultando troca e integração em sistemas financeiros tradicionais, impor impostos, exigir divulgação de dados pessoais e bloquear transações em carteiras não verificadas corroendo a natureza pseudônima e descentralizada dos ativos, um dos pilares de apelo. A confiança no sistema financeiro sem fronteiras seria minada, desencadeando debandada de investidores que veriam risco regulatório como ameaça, outro potencial cisne negro pode não vir da esfera política mas da tecnológica em que segurança de redes blockchain é atrativo cripto, no entanto, falha crítica no código blockchain como Bitcoin ou Ethereum pode ter consequências catastróficas. A probabilidade de ataque bem-sucedido ou erro de programação dessa magnitude é considerada remota, não pode ser completamente descartada e ataque hipotético à rede, como "ataque de 50%" contra o Bitcoin, criaria caos sem precedentes, sendo que esse tipo de ataque no qual um único ator controla a maior parte da mineração permite manipular o livro-razão de transações, gastar moeda 2 vezes e, destruir confiança na imutabilidade blockchain. Um "cisne negro" na economia global teria efeito cascata sobre ativos digitais e a desaceleração econômica massiva, recessão severa ou crise da dívida de uma nação levaria investidores buscarem ativos de refúgio seguros e desfazer-se de ativos de risco, como de criptomoedas. A ascensão IA, por exemplo, impulsiona crescimento de empresas de tecnologia e injeta liquidez no mercado, caso essa euforia se transforme em bolha especulativa e entre em colapso, o efeito dominó será devastador ao mercado cripto com investidores que buscam liquidez para cobrir perdas nos portfólios tradicionais serem forçados vender suas cripto exercendo pressão descendente sobre preços. A narrativa cripto, especialmente Bitcoin, se baseia na crença em futuro descentralizado e na escassez digital, no entanto, se a percepção desses ativos mudar abruptamente seu valor pode desaparecer. Por fim, o verdadeiro cisne negro ao sistema financeiro tradicional pode ser o fracasso em controlar e suprimir criptomoedas, sua natureza descentralizada, capacidade de realizar transações diretamente, sem intermediários, pode tornar tentativa de proibição, fútil, nesse sentido, a capacidade do Bitcoin resistir a ataques, regulamentações e crises econômicas podem ser a verdadeira surpresa, daí, a volatilidade, muitas vezes percebida como fraqueza, pode, ser efeito colateral de sistema em desenvolvimento testando força e independência e a verdadeira surpresa pode ser que o mercado cripto não entre em colapso, prospere diante um mundo financeiro em crise.

Considera-se que o mecanismo de escassez do bitcoin “tokeniza o tempo” em oposição à “entropia econômica” clássica, quer dizer, tempo e energia atuam como barreiras ao bitcoin tornando valor contra diluição do poder de compra das políticas monetárias de bancos centrais, conceito desenvolvido por João Zechin, convergindo o bitcoin a Einstein na “constante econômica universal” invertendo o vetor do tempo, gerando valor, quer dizer, moedas fiduciárias se diluem em valor pela emissão dos bancos centrais, enquanto o bitcoin se opõe à “entropia econômica”, ou, o grau de desordem, aleatoriedade ou imprevisibilidade do sistema como pilar da proposta de valor de longo prazo, quer dizer, propõe que, o bitcoin usa o tempo para subverter a lógica da moeda fiduciária agindo como “constante econômica universal”. Considerando a inovação tecnológica onde tudo é mais acessível e abundante, o único ativo digital cuja escassez programada tem poder de usar o tempo a favor, segundo o autor do relatório, "Bitcoin, A Tokenização do Tempo, Invertendo a Ampulheta em Futuro Relativístico", na premissa que o declínio de padrões monetários na história é ligado à escassez e abundância em conexão entre dinheiro e tecnologia. Assim ocorreu no passado com o sal, cacau e conchas usados ​​como troca e unidade na Roma Antiga, civilizações pré-colombianas e tribos africanas, daí, avanços tecnológicos aumentam a oferta e facilitam acumulação resultando que as moedas perdem valor, colapsando o sistema e levando a substituição por novo padrão. O autor argumenta que testemunhamos esse ciclo com moedas fiduciárias enquanto a diferença com o bitcoin introduz novo padrão que subverte a lógica transformando o tempo em constante, ao presumir que Satoshi Nakamoto inventou novo padrão monetário, assim como o ouro e outras formas de dinheiro, bitcoin só tem valor porque as pessoas lhe atribuem valor. O estudo afirma que Satoshi isolou o tempo como constante codificando oferta de Bitcoin em 21 milhões de unidades e reduzindo a emissão pela metade em ciclos de 4 anos com o halving, daí, o tempo, que para outras moedas é vetor de desvalorização, torna-se amplificador da escassez do bitcoin, levando o autor concluir que, Satoshi conseguiu reverter a flecha do tempo, quer dizer, "a escassez do Bitcoin inverte o fluxo normal, o valor se acumula ao longo do tempo". Para concluir, ao contrário do ouro cuja oferta aumenta com a descoberta de depósitos e técnicas de mineração avançadas, a oferta do bitcoin não se acelera, o ajuste de dificuldades, idealizado, garante que, independente do poder computacional investido na mineração novos bitcoins sejam produzidos apenas a cada 10 minutos.

Moral da Nota: stablecoins combinam flexibilidade das inovações blockchain com estabilidade do dinheiro tradicional, inovação que se destaca pelo potencial de trazer estabilidade e confiabilidade ao mercado de moedas historicamente volátil em blockchain, como o nome sugere, é um tipo de moeda digital projetada para manter valor estável atrelada a moeda fiduciária tradicional como o dólar americano. O uso de stablecoins aumentou nos últimos 18 meses, a capitalização de mercado mais que dobrou de US$ 120 bilhões à US$ 250 bilhões e as previsões esperam que chegue a US$ 2 trilhões até 2028, com players como o JPMorgan Chase experimentando depósitos tokenizados e o PayPal lançando sua própria stablecoin. Indivíduos e organizações que buscam capitalizar benefícios das transações blockchain incluindo transações rápidas e seguras e acesso a mercados globais, ativos digitais voláteis como o Bitcoin são desafio, ou, as flutuações de preço os tornam impraticáveis ​​à transações cotidianas e comerciais previsíveis. As stablecoins abordam tal limitação mantendo valores estáveis, preservando vantagens tecnológicas das moedas em blockchain e, à medida que seu uso cresce e amadurece, entender stablecoin torna-se cada vez mais importante no cenário financeiro. Por fim, com vistas ao futuro, instituições financeiras devem refletir sobre o papel que desejam desempenhar no ecossistema digital e, em seguida, adquirir talentos, desenvolver capacidades tecnológicas, interagir com órgãos reguladores buscando seram informadas sobre a evolução dos requisitos, por fim, estabelecer modelo de mercado para identificar oportunidades e testar demandas por aplicações em stablecoins. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Robótica

O presidente da Associação Chilena de Robótica no Simpósio Internacional "Criando o Futuro", Rússia, realizado em outubro de 2025, disse que a "tecnologia deve ser extensão da vontade pessoal, nunca um substituto à ela", com o especialista em IA, bioengenharia e segurança cibernética, revelando como vê cenário ao desenvolvimento de tecnologias. Enfatiza que "o limite não está na tecnologia", mas, na intenção com que as utilizam esclarecendo que "é simples, a tecnologia deve ser extensão da vontade, nunca substituto", segundo o inventor e coinventor de 14 soluções tecnológicas incluindo tradutor automático para surdocegos chamado Oki Doky. Fala que soberania tecnológica é "ter liberdade de construir o próprio futuro", nesse contexto, abordou a questão particularmente nas áreas de robótica e IA atraindo cada vez mais atenção, especialmente América Latina, observando que, nessa área, soberania é "ter liberdade de construir o futuro com as ferramentas do presente, sem necessitar de permissão", acrescentando que, "é nisso que trabalhamos todos os dias", concluindo,"soberania tecnológica não é construir o seu smartphone, do parafuso ao chip, é impossível e ultrapassado, a verdadeira soberania é ter capacidade e conhecimento para usar a tecnologia existente e construir suas soluções aos seus problemas." Explicou que no Laboratório de Robótica, não criam o equivalente às ferramentas mais avançadas, mas as utilizam para criar algo único, conctinua, "somos arquitetos da solução final, isso é soberania", explicando que no Chile, um dos motores IA latino americano, o uso de interfaces cérebro-computador e neurodireitos foram regulamentados, a ponto de serem incluídos na carta fundamental, pioneiro nessa área". Por fim, indica que é possível superar obstáculos com "projetos que demonstrem que a colaboração funciona", especialmente os que "beneficiam a humanidade, sem preconceitos", concluindo que, "devemos começar construir as pontes, mesmo que pequenas, para gerar confiança e mostrar que, compartilhando conhecimentos básicos, todos chegamos mais longe e mais rápido". O simpósio "Criando o Futuro" de 2025 incluiu cientistas, arquitetos, designers, escritores, diplomatas e representantes das indústrias criativas da Rússia, China, EUA, Itália, África, América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático, com conferências multidisciplinares, debates, master classes e laboratórios de projetos, os partícipes discutiram desafios demográficos, urbanização, biotecnologia, IA, tecnologias espaciais e cooperação humanitária da Rússia com a África e países do Sul Global

A demanda global por robôs em fábricas deve dobrar em 10 anos, com o relatório World Robotics 2025 da Federação Internacional de Robótica lançado Frankfurt, setembro de 2025, esclarecendo que novas estatísticas do World Robotics 2025 sobre robôs industriais mostram 542 mil robôs instalados em 2024 mais que o dobro do número de 10 anos atrás. A Ásia respondeu por 74% das novas implantações em 2024, comparados com 16% na Europa e 9% nas Américas, sendo que as instalações anuais ultrapassaram 500 mil unidades pelo 4º ano consecutivo, com o presidente da Federação Internacional de Robótica dizendo que, "estatísticas do World Robotics mostram que 2024 teve a 2ª maior contagem anual de instalações de robôs industriais da história, apenas 2% menor que o recorde histórico de 2 anos atrás", concluindo que, “a transição de indústrias à era digital e automatizada foi marcada por aumento na demanda, com o número total de robôs industriais em uso operacional no mundo foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em comparação a 2023”. A China é o maior mercado do mundo em 2024, representando 54% das implantações globais, sendo que os números mais recentes mostram que 295 mil robôs industriais foram instalados, o maior total anual já registrado e, pela 1ª vez, fabricantes chineses venderam mais que os fornecedores estrangeiros em seu país de origem, sendo que a   participação no mercado doméstico subiu à 57% em 2024, ante 28% na última década com estoque de robôs operacionais chineses ultrapassando a marca de 2 milhões em 2024, o maior que qualquer país. A robótica chinesa abre mercados, não há indicação que a demanda por robôs na China diminui, com muito potencial para crescimento médio de 10% a cada ano até 2028, enquanto o Japão manteve posição como o 2º maior mercado para robôs industriais, com 44.500 unidades instaladas em 2024, ligeira queda de 4%, sendo que o  estoque operacional do país aumentou 3%, com 450.500 unidades em uso. A demanda por robôs cresce em taxas mais baixas de um dígito em 2025, devendo acelerar à taxa média de um dígito, em média, nos próximos anos, sendo que o mercado na Coreia do Sul instalou 30.600 unidades em 2024, queda de 3%, enquanto instalações anuais vinham apresentando tendência lateral de 31 mil unidades desde 2019, sendo o país o 4º maior mercado de robôs do mundo em termos de instalações anuais em 2024, depois dos EUA, Japão e China. Chama atenção, a Índia, crescendo com recorde de 9.100 unidades instaladas em 2024, aumento de 7%, enquanto a indústria automotiva foi a que mais contribuiu com mercado de 45% e, em termos de instalações anuais, ocupa o 6º lugar no mundo, atrás da Alemanha. Instalações de robôs industriais na Europa caíram 8%, para 85 mil unidades em 2024, 2º maior número registrado na história com 67 mil na UE com a Alemanha como o maior mercado e o 5º no mundo mostrando queda de 5%, com a Itália como 2º maior mercado na Europa caindo 16%, Espanha em 3º com forte demanda automotiva e França em 4º com queda de 24% já, no Reino Unido, os robôs industriais caíram 35% em 2024 ocupando 19º no mundo. Por fim, instalações de robôs nas Américas ultrapassam 50 mil unidades pelo 4º ano, em 2024, houve queda de 10% em relação a 2023, com os EUA como maior mercado regional respondendo ​​por 68% das instalações nas Américas em 2024, detalhe, importam a maioria dos robôs do Japão e Europa, com poucos fornecedores nacionais, o México atingiu 5.600 unidades em 2024, queda de 4%, com industria automotiva repondendo por 63% e o Canadá mostrou queda de instalações de robôs de 12% com participação da industria automobilística de 47%.

Moral da Nota: OCDE e FMI esperam crescimento global de 2,9% a 3,0% em 2025 e 2,9% e 3,1% em 2026, no  entanto, tensões geopolíticas, conflitos na Europa Oriental, Oriente Médio e interrupções comerciais, exercem impacto negativo na economia global, por vezes envolvendo a indústria robótica, sem indícios que a tendência geral de crescimento a longo prazo chegue ao fim em breve. Globalmente, espera-se que as instalações de robôs cresçam 6%, para 575 mil unidades em 2025 e, até 2028, a marca de 700 mil unidades será ultrapassada, sendo que os chineses instalam mais robôs industriais que o resto do mundo combinado, com a Federação Internacional de Robótica informando que o número total daas máquinas em uso operacional globalmente "foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em relação a 2023". O novo relatório da IFR apresenta amostragem clara da supremacia chinesa no mercado de robôs industriais, sendo que em 2024, adicionou 295 mil unidades ao arsenal, que já ultrapassa 2 milhões, atingindo 54% das aquisições de equipamentos no planeta. Em relação aos concorrentes, considerando o Japão e EUA, que ficaram em 2º e 3º lugares, respectivamente, juntos não ultrapassaram 80 mil unidades, com os números mostrando declínio no setor em grande parte do mundo comparado ao relatório anterior, no entanto, a China permanece na liderança sem sinais que a demanda vá desacelerar. Espera-se que globalmente as instalações de robôs cresçam 6% atingindo 575 mil unidades em 2025 e, estima-se que, até 2028, ultrapasse 700 mil.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Névoa e Salinidade

Estudo publicado na The Lancet Planetary Health indica 3,8 milhões de mortes na Índia entre 2009 e 2019 provocadas pela poluição do ar e, a capital indiana, Nova Delhi, aparesenta períodos de densa névoa tóxica com níveis de poluição do ar 16 vezes acima do máximo recomendado pela OMS, com área metropolitana de mais de 30 milhões de habitantes aparecendo na lista de capitais mais poluídas do mundo, em particular, no inverno. Quer dizer, ar mais frio retém poluentes próximo ao solo criando mistura de emissões oriundas de queimadas, fábricas e tráfego urbano, ao passo que a poluição aumentou devido fogos de artifício nas comemorações do festival Diwali, com a Suprema Corte flexibilizando proibição e permitir “fogos verdes”, menos poluentes, no festival hindu. Níveis de PM2.5, ou, micropartículas capazes de entrar na corrente sanguínea, atingiram 248 microgramas/m³ em áreas da cidade, segundo a IQAir, organização de monitoramento, com a Comissão Governamental de Gestão da Qualidade do Ar afirmando que as condições devem piorar enquanto autoridades municipais anunciam que testarão a “semeadura de nuvens” com aviões que injetam sal ou produtos químicos nas nuvens visando induzir chuva e limpar o ar. No Iraque, a crescente salinidade da água devasta fazendas e gado com deslocamentos nas províncias do sul de agricultores assistindo morte das aves quando os níveis de salinidade atingem recordes, tornando a água já escassa imprópria ao consumo humano,  matando o gado. País fortemente afetado pelas mudanças climáticas, o Iraque é devastado há anos pela seca e escassez de chuvas com declínio de fluxos de água doce aumentando níveis de sal e poluição, particularmente no sul, onde os rios Tigre e Eufrates convergem antes de desaguar no Golfo e, no mês de setembro de 2025, os níveis de salinidade na província central de Basra dispararam à 29 mil partes por milhão, comparados aos 2.600 ppm em 2024, conforme relatório do Ministério da Água, isto, se considerarmos que a água doce deve conter menos de 1 mil ppm de sais dissolvidos, enquanto os níveis de salinidade da água do oceano são de 35 mil ppm, dados, do Serviço Geológico dos EUA. Os rios Tigre e Eufrates convergem na hidrovia Shatt al-Arab, Basra, com alertas que os níveis de água despencaram permitindo avanço da água do mar do Golfo, com Hasan al-Khateeb, especialista da Universidade de Kufa, Iraque, informando que, "carregada de poluentes acumulados ao longo do curso", além de registrar níveis mais baixos em décadas ao lado das reservas de lagos artificiais. A ONU, avalia que um quarto das mulheres em Basra e províncias vizinhas trabalha na agricultura e a Organização Internacional às Migrações da ONU que documenta deslocamento induzido pelo clima no Iraque, alerta que o aumento da salinidade da água destrói palmeirais, árvores cítricas e outras plantações, informando que 170 mil pessoas haviam sido deslocadas no centro e sul do Iraque devido fatores relacionados ao clima. Por fim, o Tigre e Eufrates nascem na Turquia e as autoridades iraquianas culpam barragens do outro lado da fronteira por reduzirem fluxos hídricos, considerando que o Iraque é um país com sistemas de gestão  ineficiente de água pós décadas de guerra e negligência, recebendo menos de 35% da cota  alocada dos dois rios, conforme autoridades, em julho de 2025, o governo anunciou projeto de dessalinização em Basra com capacidade de 1 milhão de metros cúbicos/dia.

Entre nós, o Sistema Cantareira reduziu captação de 31 m³/s à 27 m³/s, impactando abastecimento na região metropolitana, com reservatórios em queda em Guarapiranga para 52,6% e Alto Tietê para 28,9%, refletindo baixa pluviometria e volume dos mananciais da RMSP caindo de 36,7% à 36,5% em setembro de 2025, menor nível desde 2015. Trata-se do nível mais baixo dos últimos 10 anos operando com 24,2% do volume útil com o Cantareira como maior produtor de água de São Paulo, utilizando 33 m3/s à abastecer, 46% da população recebendo 23% da média histórica das afluências em 2014, que levou ao uso do "volume morto". A medição é realizada pela Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e divulgada no site da companhia e, segundo dados, o sistema opera com 24,2% do volume útil quantidade de água que pode ser transferida ao abastecimento da Região Metropolitana, com o índice acendendo alerta. O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana, utilizando 33 m3/s de água para abastecer 46% da população, formado por 5 reservatórios, Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro,conectados por túneis subterrâneos e canais. Em 2014 e 2015 as vazões de afluentes ao sistema foram menores que a média histórica registradas desde 1930, abaixo do pior ano da série, até então, 1953, em 2014, em média, o Sistema Cantareira recebeu 23% da média histórica das afluências e, em 2015, 50%, e, com o agravamento da estiagem em 2014 e 2015 foi autorizado uso da reserva técnica do Sistema Cantareira conhecido como “volume morto”, somando 480 bilhões de litros de água abaixo das estruturas de operação dos reservatórios e acessíveis por bombeamento. O Sistema Cantareira é de responsabilidade da ANA, Agência Nacional de Águas e, do DAEE, Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, apesar de localizar integralmente em território paulista recebe água de bacia hidrográfica de gestão federal, sendo que uma das razões do esgotamento do Sistema Cantareira é o desmatamento, com a região possuindo 93.932 hectares de remanescentes de vegetação nativa, 35,5% do território, dados do governo estadual. A água é o centro da crise, árvores são “amortecedores climáticos” do ambiente urbano, a arborização urbana reduz temperatura, absorve energia solar, faz fotossíntese, purificando o ar, retendo material particulado nas folhas e absorção de gases, diminui o impacto das chuvas sobre o solo reduzindo velocidade hídrica. O governo paulista anuncia plano de contingenciamento prevendo restrição de até 16 horas na pressão de água na região metropolitana, além do rodízio no abastecimento e uso do volume morto dos mananciais, em casos extremos, sendo que as restrições acontecerão pós 7 dias seguidos  dos índices na mesma faixa, com relaxamento pós 14 dias consecutivos de retorno ao cenário mais brando.

Moral da Nota: relatório da OMM avisa que a camada de ozônio deverá retornar aos níveis da década de 1980 até meados do século, com o buraco na Antártida em 2024 sendo menor que nos últimos anos, com o Boletim de Ozônio da OMM 2024 dizendo que a menor destruição da camada de ozônio se deve em parte a fatores atmosféricos naturais, enfatizando que a melhora a longo prazo reflete sucesso da ação global. Lançado no Dia Mundial do Ozônio, marca o 40º aniversário da Convenção de Viena que lançou bases à cooperação na proteção da camada de ozônio, com o secretário Geral da ONU, dizendo que, "há 40 anos, nações se uniram para dar o passo na proteção da camada de ozônio guiadas pela ciência e unidas na ação", concluindo que, "a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal tornaram marco de sucesso multilateral, hoje, a camada se recupera, conquista que nos lembra quando nações atendem alertas da ciência, o progresso é possível". O boletin da OMM, diz que Protocolo de Montreal eliminou 99% das substâncias controladas que destroem a camada de ozônio, utilizadas em refrigeração, ar condicionado, espuma para combate a incêndios e spray para cabelo, como resultado, projeta-se que a camada de ozônio se recupere a níveis de 1980 até meados do século, reduzindo riscos de câncer de pele, catarata e danos ao ecossistema. A OMM afirma que a cobertura total de ozônio estratosférico foi maior que em anos anteriores e o buraco na camada da Antártida em 2024 atingiu pico com déficit máximo de massa de ozônio de 46,1 milhões de toneladas em setembro de 2025, menor que os observados entre 2020 e 2023.