segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Máquinas que Pensam

Inseridos em conceito de entendermos sistemas IA, parte cada vez mais significativa de nossas vidas, Phillip Isola busca respostas que envolvem computação e reflexão, com o professor do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação estudando mecanismos na inteligência similares à humana a partir de perspectiva computacional. Focado na compreensão da inteligência, seu trabalho se concentra na visão computacional e aprendizado de máquina, interessado em explorar como inteligência emerge em modelos IA, como modelos aprendem representar o mundo ao redor e o que “cérebros” compartilham com os cérebros de seus criadores humanos. A compreensão científica da inteligência através dos agentes IA ajudará integrá-los de modo seguro e eficaz na sociedade maximizando potencial para beneficiar a humanidade creditando ao orientador do doutorado, professor da Cátedra John e Dorothy Wilson de Ciências da Visão, como influente na trajetória inspirado pelo foco em compreender princípios fundamentais em vez de buscar padrões de engenharia, que são testes formalizados usados ​​para medir desempenho de um sistema. No MIT a pesquisa se direcionou à ciência da computação e IA e sua tese focou no agrupamento perceptual que envolve mecanismos que pessoas e máquinas usam para organizar partes discretas de uma imagem como único objeto coerente, se máquinas puderem aprender agrupamentos perceptuais por conta própria permitiriam que sistemas IA reconhecessem sem intervenção humana, aprendizado autossupervisionado com aplicações em áreas como veículos autônomos, imagens médicas, robótica e tradução automática de idiomas. Desenvolveu estruturas de tradução de imagem à imagem, forma inicial de modelo IA generativa que transformaria esboço em imagem fotográfica, por exemplo, ou, foto em preto e branco em colorida e, baseando-se no interesse pelas ciências cognitivas e desejo de compreender o cérebro humano seu grupo estuda cálculos fundamentais envolvidos na inteligência semelhante à humana que emerge nas máquinas, focados na aprendizagem de representação, ou seja, capacidade de humanos e máquinas representarem e perceberem o mundo sensorial à sua volta. Observaram que tipos de modelos de aprendizagem automática, de modelos de aprendizagem de linguagem a modelos de visão computacional e modelos de áudio, parecem representar o mundo de modo semelhante, concebidos para realizar tarefas diferentes em semelhanças nas arquiteturas e, à medida que crescem e são treinados com mais dados, suas estruturas internas tornam-se cada vez mais parecidas. Daí, a Hipótese da Representação Platônica, nome derivado do filósofo grego Platão, ao afirmar que as representações que os modelos aprendem e convergem à representação subjacente compartilhada da realidade, a partir daí, estuda o aprendizado autossupervisionado que envolve modos pelos quais modelos IA aprendem agrupar pixels relacionados em uma imagem ou palavras em uma frase sem ter exemplos rotulados para aprender. Usar dados rotulados para treinar modelos pode limitar capacidades dos sistemas IA e, com o aprendizado autossupervisionado, o objetivo é desenvolver modelos que possam criar representação interna precisa do mundo por conta própria, quer dizer, busca encontrar algo novo e surpreendente do que construir sistemas complexos que possam superar os benchmarks mais recentes de aprendizado de máquina.

Famílias descrevem tristeza quando um ente querido com Alzheimer para de reconhecer as pessoas mais próximas e nova pesquisa oferece visão mais clara de por que essa perda acontece e aponta possível maneira de retardá-la, com o trabalho se concentrando em minúsculas redes protetoras no cérebro que ajudam estabilizar a memória e, quando essas redes começam se desfazer, memórias sociais desaparecem antes que outras habilidades se percam. Relatório sobre a vida com demência destaca que mesmo aqueles com a doença em estágio avançado têm histórias para compartilhar e, com o aumento da idade média da população norte americana, cresce o número de pessoas que vivem com doença de Alzheimer e outras demências, no entanto, a demência ainda é condição estigmatizada como aponta coletânea de ensaios publicada pelo Hastings Center for Bioethics. Clínicos, cuidadores e familiares poderiam melhorar a vida de mais de 7 milhões de pessoas nos EUA que vivem com demência se reconhecessem que esses indivíduos ainda têm suas próprias histórias para contar, mesmo quando não conseguem se expressar da mesma forma que antes do surgimento dos sintomas. Nancy Berlinger, PhD, pesquisadora sênior do Hastings Center, coeditora de "Vivendo com Demência: Aprendendo com Narrativas Culturais de Sociedades Envelhecidas", esclarece o conceito de medicina narrativa como abordagem pioneira de Rita Charon, da Universidade de Columbia, utilizada no ensino médico dos EUA, baseada no conceito que as histórias dos pacientes importam, as histórias dos cuidadores importam e o processo de resposta dos médicos a essas histórias importa, ao dizer que as histórias são marcantes na interseção entre bioética e narrativa. Associado à sociologia ou antropologia em sociedade envelhecida como os EUA, pensa ser importante que médicos, estudantes de medicina, educadores da área médica e pessoas refletissem sobre as histórias coletivas que a sociedade conta sobre condição associada ao envelhecimento populacional, condição, que provavelmente qualquer pessoa que trate adultos nos EUA encontrará em algum momento. A Dra Berlinger esclarece que se um indivíduo é diagnosticado com demência pode haver suposição que o que ele diz e suas memórias não são confiáveis, que pode ser propenso a comportamentos atípicos mesmo que esteja em estágio inicial da doença, daí, necessidade de compreender que nem toda demência é demência avançada, talvez haja substituição de palavras, talvez usem metáfora diferente mas isso não significa que seja impossível aprender com as pessoas com demência sobre suas vidas. Por fim nos esclarece que, há um ensaio escrito pela cientista social canadense, Julia Henderson, que começou como terapeuta ocupacional, falando sobre abordagens artísticas à pessoas com demência que nos fazem pensar, daí, no cerne da bioética às sociedades em envelhecimento está o que torna uma vida boa na terceira idade, neste relatório, estamos dizendo que a vida é mais que decisões médicas e muitos dos cuidados com a demência vão além de decisões médicas.

Moral da Nota: na região do cérebro denominada hipocampo, encontra-se pequena região chamada CA2 que desempenha papel fundamental na lembrança de pessoas e interações sociais, cujos neurônios dessa região são envoltos por estruturas em forma de malha, conhecidas como redes perineuronais que ajudam estabilizar e dar suporte à memória de longo prazo, especialmente memórias ligadas a pessoas conhecidas. Cientistas da Universidade da Virgínia estudaram o que acontece com essas redes em  modelos de camundongos com doença de Alzheimer e descobriram que as redes enfraquecem e se rompem à medida que a doença progride, com Harald Sontheimer, PhD, da Faculdade de Medicina e equipe determinando que a dificuldade em reconhecer familiares, amigos e cuidadores, observada na doença de Alzheimer é causada pela ruptura das “redes” protetoras que envolvem os neurônios no cérebro e a perda de redes na região coincidiu com a perda de memória social nos camundongos. Por fim, nos informa que os resultados representam mudança na compreensão que causa a perda de memória e "descobrir alteração estrutural que explique perda de memória específica na doença de Alzheimer empolga" e, conclui, "é alvo novo e já temos candidatos a medicamentos adequados em mãos."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Desafios

A última fronteira na tokenização é o petróleo lastreado em bitcoin como garantia de commodities sintéticas resistentes a restrições geopolíticas em que contratos inteligentes automatizam liquidação, sendo que a RWA, tokenização de ativos do mundo real, é considerada meio de tornar mercados tradicionais mais eficientes e inclusivos. Uma das commodities mais influentes, petróleo, permanece em parte inexplorada e, combinar contratos futuros de petróleo tokenizados com Bitcoin como garantia, marca fronteira na transformação digital em meio à crescente dívida global ultrapassando US$ 330 trilhões ao lado de inflação recorde. Contratos futuros de petróleo são mercado próspero, permitem especuladores e produtores firmarem contratos que os obrigam comprar ou vender petróleo em data futura e converter esses ativos em tokens blockchain tornaria o processo instantâneo, transparente e acessível a todos, não apenas a investidores institucionais sendo que a inclusão Bitcoin leva à passo adiante. Considerado transfronteiriço, resistente à censura e, em grande parte, fora do alcance dos órgãos reguladores que restringem transações tradicionais de petróleo, o btc é particularmente valioso quando se trata de petróleo, recurso proveniente de alguns dos países com maior bloqueio financeiro do mundo e combinar liquidez cripto com estabilidade de commodities físicas, o petróleo lastreado em BTC inauguraria ativos sintéticos resistentes à censura possibilitando finanças programáveis sem fronteiras em mundo volátil. Tokenizado, serviria como garantia em protocolos DeFi, finanças descentralizadas, permitindo que investidores gerem rendimentos ou agrupem em portfólios multiativos podendo ser usado como garantia para obter empréstimos e emitir stablecoins que geram retornos, melhorando eficiência do capital, escalado com sucesso, levaria a classe de ativos nova, ou, commodities sintéticas combinadas a escassez Bitcoin com utilidade real do petróleo oferecendo resiliência contra perturbações geopolíticas e excesso de regulamentação. A tokenização permite fracionamento, dispensando contrato de US$ 65 mil para participar, quer dizer, US$ 100 seriam suficientes, tornando o petróleo commodity negociável globalmente com investidores depositando BTC como garantia usando a mesma fórmula que permite negociação de margem on-chain com contratos inteligentes automatizando o ciclo de vida, desde o gerenciamento de garantias e chamadas de margem a liquidação em que a    integração DeFi permitiria uso de petróleo tokenizado como garantia à empréstimos ou yield farming, criando ecossistema programável operando 24 horas/dia, 7 dias por semana. A vantagem do petróleo lastreado em Bitcoin é clara, aliado à capacidade de se tornar  garantia "inteligente", integrável ao DeFi para geração de rendimento, empréstimos ou cestas de commodities, aceleraria tokenização de ativos ponderados pelo risco, RWA, e fluxos de capital mais que qualquer outra classe de ativos.

A Hippocratic AI, líder global em agentes IA generativa focados em segurança na saúde, levanta US$ 126 milhões com avaliação de US$ 3,5 bilhões elevando financiamento total à US$ 404 milhões. Liderado pela Avenir Growth, líder em apoio a empresas que definem categorias IA generativa, com participação de investidores novos e antigos, CapitalG, fundo de crescimento do Google, General Catalyst, Andreessen Horowitz, Kleiner Perkins, Premji Invest, Universal Health Services, Cincinnati Children's Hospital Medical Center, WellSpan Health, John Doerr, Rick Klausner e outros, sendo que em 15 meses desde a comercialização, estabeleceu parcerias com mais de 50 sistemas de saúde, operadoras de planos de saúde e clientes farmacêuticos em 6 países, além de desenvolver mil casos de uso clínico e 115 milhões de interações clínicas sem problemas de segurança. A adoção se acelera à medida que organizações de saúde recorrem a agentes IA generativa escaláveis ​​e seguros para viabilizar abundância na saúde, com Andrew Sugrue, cofundador da Avenir Growth, dizendo, "focados em investir em líderes de categoria" e, conclui, "após conversar com clientes antes de investir, acreditamos que a Hippocratic AI lidera a categoria de agentes de saúde e descobrimos foco incansável em segurança conquistando confiança de organizações de saúde no mundo, tornando-se escolha segura à executivos na hora de selecionar agentes IA para implantação na saúde." Segundo a sócia-gerente da Andreessen Horowitz, "a Hippocratic AI está entre empresas de saúde corporativa de crescimento mais rápido nos últimos anos", concluindo, "seu rápido crescimento é prova da demanda por soluções à crise de acesso a mão de obra e pacientes no setor e capacidades exclusivas que trouxe ao mercado para atender necessidades." O financiamento de capital de risco aumentou 38% em relação a 2023 atingindo US$ 97 bilhões no 3º trimestre, sendo que 46% foram destinados a empresas IA, sendo que os recursos desta rodada impulsionaram expansão através de fusões, desenvolvimento de produtos e crescimento internacional, com a Hippocratic AI cofundada por Munjal Shah e médicos, administradores hospitalares, profissionais de saúde e pesquisadores IA da El Camino Health, Johns Hopkins, Stanford, Microsoft, Google e NVIDIA. Desenvolveu agentes IA generativa na saúde estabelecendo parcerias com mais de 50 organizações de saúde como Cleveland Clinic, Northwestern Medicine, Ochsner Health, Moffitt Cancer Center, University Hospitals e outras.

Moral da Nota: a Câmara fintech argentina alerta que a estrutura tributária nacional dificulta desenvolvimento do setor, em relatório, mostra que empresas fintech na Argentina pagam alíquota média de 6,4% sobre o Imposto de Renda Bruto, IRB, quase o dobro de outros setores, apresentou resultados no relatório intitulado “Mapa da Pressão Tributária sobre a Digitalização da Economia”, levantamento que analisa impacto do Imposto de Renda Bruto, IRB, sobre empresas do setor de tecnologia financeira e disparidades tributárias entre províncias argentinas. O documento explica como a estrutura tributária impõe ônus às empresas fintech, afetando competitividade, capacidade de expansão e contribuição ao desenvolvimento econômico nacional e, segundo o relatório, uma empresa fintech média na Argentina paga alíquota de 6,4% sobre receita, enquanto setores tradicionais como Comércio ou Serviços pagam entre 3% e 5%, nível de carga tributária que faz do ecossistema fintech um dos mais tributados do país, o que, segundo a Câmara, “aumenta o custo dos serviços financeiros, eleva o custo do crédito e desestimula formalização da atividade econômica”. O estudo, baseado em análise de leis tributárias nas 24 jurisdições do país, revela disparidade territorial, enquanto a alíquota do imposto de renda bruta na Terra do Fogo é de 3,5%, em províncias como La Pampa e Santa Fé chega a 9%, a mais alta já registrada, sendo que a atual estrutura tributária limita o desenvolvimento da economia digital e afeta empresas e usuários. Por fim, o documento destaca que algumas províncias como Córdoba, Jujuy e Santa Fé, aplicam regimes tributários especiais que aumentam a carga tributária sobre empresas fintech, em Córdoba, por exemplo, operações de crédito e pagamentos processados via plataformas digitais estão sujeitos a taxas que podem chegar a 9% pós adição de contribuições adicionais. O relatório propõe reduzir pressão tributária setorial, harmonizar regulamentações entre províncias e simplificar o marco regulatório. 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

On Chain

O governo norte americano coloca suas estatísticas na blockchain avançando com a "economia onchain" publicando indicadores macroeconômicos diretamente em blockchains públicas, o fato ocorre pós o secretário de Comércio, Howard Lutnick, anunciar o projeto, com iniciativa desenvolvida em colaboração com Chainlink e Pyth Network. Através da parceria, o Departamento de Comércio publicou 6 métricas do Bureau of Economic Analysis sobre blockchain, incluindo PIB real, índice de preços, PCE, e vendas finais reais à compradores privados nacionais, abrindo caminho à aplicações em finanças descentralizadas, plataformas de previsão e ativos tokenizados, com isto, os indicadores serão atualizados em ciclos mensais ou trimestrais e, na fase inicial, disponíveis em 10 redes, ou, Arbitrum, Avalanche, Base, Botanix, Ethereum, Linea, Mantle, Optimism, Sonic e ZKsync e, conforme a Chainlink, mais blockchains serão adicionadas de acordo com a demanda. O Departamento de Comércio explica em comunicado que a distribuição se estenderá a Bitcoin, BTC, Ethereum, ETH, Solana, SOL, Tron, Stellar, Avalanche, AVAX, Arbitrum, ARB, Polygon, MATIC, Optimism, OP, sendo a entrega das informações coordenada com oráculos do esquema cuja metodologia consiste em registrar hash criptográfico de cada conjunto de dados em diferentes cadeias, garantindo integridade, sendo que o objetivo é adicionar canal complementar para disseminar informações econômicas sem substituir os mecanismos atuais. O Departamento de Comércio confirmou que Coinbase, COIN, Gemini e Kraken colaboraram no processo de publicação e, conforme a Bloomberg, as plataformas foram usadas à adquirir criptomoedas necessárias com as quais as taxas de transação foram cobertas, com o secretário de Comércio esclarecendo que "o Departamento de Comércio e o presidente, publicarão dados estatísticos econômicos na blockchain", acrescentando que, "a verdade econômica dos EUA imutável e globalmente acessível como nunca antes, consolidando papel como capital mundial blockchain."  

Neste conceito disruptivo surge a nota que o Google lança o Google Cloud Web3, IA que explora Bitcoin, Criptomoedas e Web3, focado no ensino e tecnologias relacionadas a criptomoedas e ecossistema Web3, dentre elas, modelo IA Web3 AI projetado para explicar conceitos técnicos e apoiar pesquisas neste campo embora em versão beta, a IA é capaz de responder perguntas sobre múltiplos aspectos do setor, mesmo que a empresa alerte que suas respostas podem não ser totalmente precisas podendo apresentar erros. Além da ferramenta IA, a plataforma permite interação direta com redes de criptomoedas, por exemplo, usuários podem receber tokens de teste que não têm valor monetário usados ​​em ambientes simulados conhecidos como testnets, ou, implementar nós Bitcoin e outras blockchains incluindo opção de executar um nó Bitcoin sincronizado com a Ordinal Wallet. Na seção "Descobrir" pode-se explorar projetos criados pela comunidade e os compartilhar com outros usuários, considerando que a Web3 representa evolução da internet em direção a ambiente descentralizado onde usuários têm controle sobre dados, ativos digitais e como interagem com as plataformas, ao passo que na web tradicional, empresas concentram informações e controle com Web3 se baseando em tecnologias como blockchain e contratos inteligentes que permitem transações seguras, verificáveis ​​sem intermediários. Impacta ativos digitais e finanças descentralizadas, DeFi, ou, plataformas blockchain que permitem usuários emprestarem, tomar emprestado e investirem em cripto sem necessidade de bancos tradicionais, além de Arte digital e colecionáveis ​​virtuais, como NFTs, com destaque à ativos que permitem propriedade e autenticidade de obras digitais criando mercados à artistas, criadores e colecionadores. Videogames e universos virtuais são campo em expansão em que Jogos blockchain permitem controle de itens e personagens que adquirem e os troquem em suas próprias economias virtuais, recursos, que abrem horizonte no modo como experiências digitais são concebidas. Promove plataformas colaborativas e redes sociais descentralizadas onde usuários participam da governança e monetização de conteúdo, reduzindo dependência de intermediários, quer dizer, no Google Cloud Web3, usuários experimentam tokens de teste, implantam nós blockchain e exploram projetos do mundo real sem investimento inicial tornando Web3 espaço à aprender, inovar e participar de ecossistema digital em expansão.

Moral da Nota: stablecoin é ativo digital emitido por empresas como tokens na blockchain, atrelados a moeda fiduciária e lastreados por reservas monetárias ou títulos de alta liquidez, projetadas para oferecer reserva de valor estável e meio de troca, diferente de ativos digitais voláteis como criptomoedas e emitidas por instituições privadas em blockchains públicas como Ethereum, ao contrário das CBDCs, Moeda Digital de Bancos Centrais, stablecoins não são moeda corrente oficial e recebem diferentes níveis de escrutínio e supervisão regulatória, como exemplos estão o Tether, USDT, Circle, USDC, e EUR CoinVertible, EURCV. O mecanismo que garante estabilidade da stablecoin envolve colateralização, por exemplo, o USDC da Circle é lastreado 90% por títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo ou acordos de recompra, o restante é mantido em dinheiro, lastro que garante aos detentores resgatar stablecoins a qualquer momento por ativo subjacente, mantendo a estabilidade. Os benfícios são velocidade e disponibilidade com funcionamento 24 horas/dia, 7 dias/semana, liquidando pagamentos quase instantaneamente, custos mais baixos eliminando intermediários e tornando transferências mais baratas, transparência e controle permitem rastreamento em tempo real e pagamentos verificados automaticamente, combate à lavagem de dinheiro e conhecimento do cliente com processos de conformidade digital e contratos inteligentes. Além de acesso global utilizando infraestrutura "em carteira" em vez de "em conta", expandindo acesso a qualquer cliente com conexão internet e, por fim, inovação empresarial permitindo novos recursos como contratos inteligentes que permitem rebalanceamento de portfólios, liquidação instantânea e capacidade de usar ativos tokenizados como veículos de pagamento. Por fim, regulamentações que regem stablecoins evoluem à medida que governos e instituições reconhecem crescente influência nas finanças globais, visam garantir operação estável e segura do dinheiro tokenizado em aspectos como reservas, divulgações, conformidade com as normas antilavagem de dinheiro e "conheça seu cliente", além do licenciamento dos emissores. Instituições financeiras participam cada vez mais do ecossistema stablecoin, com algumas emitindo suas próprias ou experimentando depósitos tokenizados, por exemplo, a JPM Coin, do JPMorgan Chase, usa depósitos bancários tokenizados para liquidação em cadeia em tempo real entre clientes institucionais, Citibank, Goldman Sachs e UBS,  experimentam depósitos e dinheiro tokenizados através de iniciativas como a Canton Network, indicando interesse entre grandes instituições no uso de stablecoins e ativos tokenizados às diversas aplicações. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Volatilidade

Na evolução do ecossistema cripto, a volatilidade é característica inerente, balanço entre euforia e medo e, inseridos em altos e baixos, analistas e investidores sempre atentos a eventos monumentais, um "cisne negro", termo usado para descrever evento raro, imprevisível e com forte impacto. Nas finanças digitais, o que desencadearia pânico generalizado capaz de derrubar confiança e preços em mercado que demonstra resiliência seria a mudança radical e coordenada na regulamentação, atualmente, cenário regulatório é fragmentado com países adotando abordagens da proibição total à adoção entusiástica, no entanto, esforço global motivado por preocupações com estabilidade financeira, lavagem de dinheiro ou evasão fiscal, pode mudar regras da noite para o dia. Cenário possível seria potências econômicas concordarem impor restrições a utilização cripto, dificultando troca e integração em sistemas financeiros tradicionais, impor impostos, exigir divulgação de dados pessoais e bloquear transações em carteiras não verificadas corroendo a natureza pseudônima e descentralizada dos ativos, um dos pilares de apelo. A confiança no sistema financeiro sem fronteiras seria minada, desencadeando debandada de investidores que veriam risco regulatório como ameaça, outro potencial cisne negro pode não vir da esfera política mas da tecnológica em que segurança de redes blockchain é atrativo cripto, no entanto, falha crítica no código blockchain como Bitcoin ou Ethereum pode ter consequências catastróficas. A probabilidade de ataque bem-sucedido ou erro de programação dessa magnitude é considerada remota, não pode ser completamente descartada e ataque hipotético à rede, como "ataque de 50%" contra o Bitcoin, criaria caos sem precedentes, sendo que esse tipo de ataque no qual um único ator controla a maior parte da mineração permite manipular o livro-razão de transações, gastar moeda 2 vezes e, destruir confiança na imutabilidade blockchain. Um "cisne negro" na economia global teria efeito cascata sobre ativos digitais e a desaceleração econômica massiva, recessão severa ou crise da dívida de uma nação levaria investidores buscarem ativos de refúgio seguros e desfazer-se de ativos de risco, como de criptomoedas. A ascensão IA, por exemplo, impulsiona crescimento de empresas de tecnologia e injeta liquidez no mercado, caso essa euforia se transforme em bolha especulativa e entre em colapso, o efeito dominó será devastador ao mercado cripto com investidores que buscam liquidez para cobrir perdas nos portfólios tradicionais serem forçados vender suas cripto exercendo pressão descendente sobre preços. A narrativa cripto, especialmente Bitcoin, se baseia na crença em futuro descentralizado e na escassez digital, no entanto, se a percepção desses ativos mudar abruptamente seu valor pode desaparecer. Por fim, o verdadeiro cisne negro ao sistema financeiro tradicional pode ser o fracasso em controlar e suprimir criptomoedas, sua natureza descentralizada, capacidade de realizar transações diretamente, sem intermediários, pode tornar tentativa de proibição, fútil, nesse sentido, a capacidade do Bitcoin resistir a ataques, regulamentações e crises econômicas podem ser a verdadeira surpresa, daí, a volatilidade, muitas vezes percebida como fraqueza, pode, ser efeito colateral de sistema em desenvolvimento testando força e independência e a verdadeira surpresa pode ser que o mercado cripto não entre em colapso, prospere diante um mundo financeiro em crise.

Considera-se que o mecanismo de escassez do bitcoin “tokeniza o tempo” em oposição à “entropia econômica” clássica, quer dizer, tempo e energia atuam como barreiras ao bitcoin tornando valor contra diluição do poder de compra das políticas monetárias de bancos centrais, conceito desenvolvido por João Zechin, convergindo o bitcoin a Einstein na “constante econômica universal” invertendo o vetor do tempo, gerando valor, quer dizer, moedas fiduciárias se diluem em valor pela emissão dos bancos centrais, enquanto o bitcoin se opõe à “entropia econômica”, ou, o grau de desordem, aleatoriedade ou imprevisibilidade do sistema como pilar da proposta de valor de longo prazo, quer dizer, propõe que, o bitcoin usa o tempo para subverter a lógica da moeda fiduciária agindo como “constante econômica universal”. Considerando a inovação tecnológica onde tudo é mais acessível e abundante, o único ativo digital cuja escassez programada tem poder de usar o tempo a favor, segundo o autor do relatório, "Bitcoin, A Tokenização do Tempo, Invertendo a Ampulheta em Futuro Relativístico", na premissa que o declínio de padrões monetários na história é ligado à escassez e abundância em conexão entre dinheiro e tecnologia. Assim ocorreu no passado com o sal, cacau e conchas usados ​​como troca e unidade na Roma Antiga, civilizações pré-colombianas e tribos africanas, daí, avanços tecnológicos aumentam a oferta e facilitam acumulação resultando que as moedas perdem valor, colapsando o sistema e levando a substituição por novo padrão. O autor argumenta que testemunhamos esse ciclo com moedas fiduciárias enquanto a diferença com o bitcoin introduz novo padrão que subverte a lógica transformando o tempo em constante, ao presumir que Satoshi Nakamoto inventou novo padrão monetário, assim como o ouro e outras formas de dinheiro, bitcoin só tem valor porque as pessoas lhe atribuem valor. O estudo afirma que Satoshi isolou o tempo como constante codificando oferta de Bitcoin em 21 milhões de unidades e reduzindo a emissão pela metade em ciclos de 4 anos com o halving, daí, o tempo, que para outras moedas é vetor de desvalorização, torna-se amplificador da escassez do bitcoin, levando o autor concluir que, Satoshi conseguiu reverter a flecha do tempo, quer dizer, "a escassez do Bitcoin inverte o fluxo normal, o valor se acumula ao longo do tempo". Para concluir, ao contrário do ouro cuja oferta aumenta com a descoberta de depósitos e técnicas de mineração avançadas, a oferta do bitcoin não se acelera, o ajuste de dificuldades, idealizado, garante que, independente do poder computacional investido na mineração novos bitcoins sejam produzidos apenas a cada 10 minutos.

Moral da Nota: stablecoins combinam flexibilidade das inovações blockchain com estabilidade do dinheiro tradicional, inovação que se destaca pelo potencial de trazer estabilidade e confiabilidade ao mercado de moedas historicamente volátil em blockchain, como o nome sugere, é um tipo de moeda digital projetada para manter valor estável atrelada a moeda fiduciária tradicional como o dólar americano. O uso de stablecoins aumentou nos últimos 18 meses, a capitalização de mercado mais que dobrou de US$ 120 bilhões à US$ 250 bilhões e as previsões esperam que chegue a US$ 2 trilhões até 2028, com players como o JPMorgan Chase experimentando depósitos tokenizados e o PayPal lançando sua própria stablecoin. Indivíduos e organizações que buscam capitalizar benefícios das transações blockchain incluindo transações rápidas e seguras e acesso a mercados globais, ativos digitais voláteis como o Bitcoin são desafio, ou, as flutuações de preço os tornam impraticáveis ​​à transações cotidianas e comerciais previsíveis. As stablecoins abordam tal limitação mantendo valores estáveis, preservando vantagens tecnológicas das moedas em blockchain e, à medida que seu uso cresce e amadurece, entender stablecoin torna-se cada vez mais importante no cenário financeiro. Por fim, com vistas ao futuro, instituições financeiras devem refletir sobre o papel que desejam desempenhar no ecossistema digital e, em seguida, adquirir talentos, desenvolver capacidades tecnológicas, interagir com órgãos reguladores buscando seram informadas sobre a evolução dos requisitos, por fim, estabelecer modelo de mercado para identificar oportunidades e testar demandas por aplicações em stablecoins. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Robótica

O presidente da Associação Chilena de Robótica no Simpósio Internacional "Criando o Futuro", Rússia, realizado em outubro de 2025, disse que a "tecnologia deve ser extensão da vontade pessoal, nunca um substituto à ela", com o especialista em IA, bioengenharia e segurança cibernética, revelando como vê cenário ao desenvolvimento de tecnologias. Enfatiza que "o limite não está na tecnologia", mas, na intenção com que as utilizam esclarecendo que "é simples, a tecnologia deve ser extensão da vontade, nunca substituto", segundo o inventor e coinventor de 14 soluções tecnológicas incluindo tradutor automático para surdocegos chamado Oki Doky. Fala que soberania tecnológica é "ter liberdade de construir o próprio futuro", nesse contexto, abordou a questão particularmente nas áreas de robótica e IA atraindo cada vez mais atenção, especialmente América Latina, observando que, nessa área, soberania é "ter liberdade de construir o futuro com as ferramentas do presente, sem necessitar de permissão", acrescentando que, "é nisso que trabalhamos todos os dias", concluindo,"soberania tecnológica não é construir o seu smartphone, do parafuso ao chip, é impossível e ultrapassado, a verdadeira soberania é ter capacidade e conhecimento para usar a tecnologia existente e construir suas soluções aos seus problemas." Explicou que no Laboratório de Robótica, não criam o equivalente às ferramentas mais avançadas, mas as utilizam para criar algo único, conctinua, "somos arquitetos da solução final, isso é soberania", explicando que no Chile, um dos motores IA latino americano, o uso de interfaces cérebro-computador e neurodireitos foram regulamentados, a ponto de serem incluídos na carta fundamental, pioneiro nessa área". Por fim, indica que é possível superar obstáculos com "projetos que demonstrem que a colaboração funciona", especialmente os que "beneficiam a humanidade, sem preconceitos", concluindo que, "devemos começar construir as pontes, mesmo que pequenas, para gerar confiança e mostrar que, compartilhando conhecimentos básicos, todos chegamos mais longe e mais rápido". O simpósio "Criando o Futuro" de 2025 incluiu cientistas, arquitetos, designers, escritores, diplomatas e representantes das indústrias criativas da Rússia, China, EUA, Itália, África, América Latina, Oriente Médio e Sudeste Asiático, com conferências multidisciplinares, debates, master classes e laboratórios de projetos, os partícipes discutiram desafios demográficos, urbanização, biotecnologia, IA, tecnologias espaciais e cooperação humanitária da Rússia com a África e países do Sul Global

A demanda global por robôs em fábricas deve dobrar em 10 anos, com o relatório World Robotics 2025 da Federação Internacional de Robótica lançado Frankfurt, setembro de 2025, esclarecendo que novas estatísticas do World Robotics 2025 sobre robôs industriais mostram 542 mil robôs instalados em 2024 mais que o dobro do número de 10 anos atrás. A Ásia respondeu por 74% das novas implantações em 2024, comparados com 16% na Europa e 9% nas Américas, sendo que as instalações anuais ultrapassaram 500 mil unidades pelo 4º ano consecutivo, com o presidente da Federação Internacional de Robótica dizendo que, "estatísticas do World Robotics mostram que 2024 teve a 2ª maior contagem anual de instalações de robôs industriais da história, apenas 2% menor que o recorde histórico de 2 anos atrás", concluindo que, “a transição de indústrias à era digital e automatizada foi marcada por aumento na demanda, com o número total de robôs industriais em uso operacional no mundo foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em comparação a 2023”. A China é o maior mercado do mundo em 2024, representando 54% das implantações globais, sendo que os números mais recentes mostram que 295 mil robôs industriais foram instalados, o maior total anual já registrado e, pela 1ª vez, fabricantes chineses venderam mais que os fornecedores estrangeiros em seu país de origem, sendo que a   participação no mercado doméstico subiu à 57% em 2024, ante 28% na última década com estoque de robôs operacionais chineses ultrapassando a marca de 2 milhões em 2024, o maior que qualquer país. A robótica chinesa abre mercados, não há indicação que a demanda por robôs na China diminui, com muito potencial para crescimento médio de 10% a cada ano até 2028, enquanto o Japão manteve posição como o 2º maior mercado para robôs industriais, com 44.500 unidades instaladas em 2024, ligeira queda de 4%, sendo que o  estoque operacional do país aumentou 3%, com 450.500 unidades em uso. A demanda por robôs cresce em taxas mais baixas de um dígito em 2025, devendo acelerar à taxa média de um dígito, em média, nos próximos anos, sendo que o mercado na Coreia do Sul instalou 30.600 unidades em 2024, queda de 3%, enquanto instalações anuais vinham apresentando tendência lateral de 31 mil unidades desde 2019, sendo o país o 4º maior mercado de robôs do mundo em termos de instalações anuais em 2024, depois dos EUA, Japão e China. Chama atenção, a Índia, crescendo com recorde de 9.100 unidades instaladas em 2024, aumento de 7%, enquanto a indústria automotiva foi a que mais contribuiu com mercado de 45% e, em termos de instalações anuais, ocupa o 6º lugar no mundo, atrás da Alemanha. Instalações de robôs industriais na Europa caíram 8%, para 85 mil unidades em 2024, 2º maior número registrado na história com 67 mil na UE com a Alemanha como o maior mercado e o 5º no mundo mostrando queda de 5%, com a Itália como 2º maior mercado na Europa caindo 16%, Espanha em 3º com forte demanda automotiva e França em 4º com queda de 24% já, no Reino Unido, os robôs industriais caíram 35% em 2024 ocupando 19º no mundo. Por fim, instalações de robôs nas Américas ultrapassam 50 mil unidades pelo 4º ano, em 2024, houve queda de 10% em relação a 2023, com os EUA como maior mercado regional respondendo ​​por 68% das instalações nas Américas em 2024, detalhe, importam a maioria dos robôs do Japão e Europa, com poucos fornecedores nacionais, o México atingiu 5.600 unidades em 2024, queda de 4%, com industria automotiva repondendo por 63% e o Canadá mostrou queda de instalações de robôs de 12% com participação da industria automobilística de 47%.

Moral da Nota: OCDE e FMI esperam crescimento global de 2,9% a 3,0% em 2025 e 2,9% e 3,1% em 2026, no  entanto, tensões geopolíticas, conflitos na Europa Oriental, Oriente Médio e interrupções comerciais, exercem impacto negativo na economia global, por vezes envolvendo a indústria robótica, sem indícios que a tendência geral de crescimento a longo prazo chegue ao fim em breve. Globalmente, espera-se que as instalações de robôs cresçam 6%, para 575 mil unidades em 2025 e, até 2028, a marca de 700 mil unidades será ultrapassada, sendo que os chineses instalam mais robôs industriais que o resto do mundo combinado, com a Federação Internacional de Robótica informando que o número total daas máquinas em uso operacional globalmente "foi de 4.664.000 unidades em 2024, aumento de 9% em relação a 2023". O novo relatório da IFR apresenta amostragem clara da supremacia chinesa no mercado de robôs industriais, sendo que em 2024, adicionou 295 mil unidades ao arsenal, que já ultrapassa 2 milhões, atingindo 54% das aquisições de equipamentos no planeta. Em relação aos concorrentes, considerando o Japão e EUA, que ficaram em 2º e 3º lugares, respectivamente, juntos não ultrapassaram 80 mil unidades, com os números mostrando declínio no setor em grande parte do mundo comparado ao relatório anterior, no entanto, a China permanece na liderança sem sinais que a demanda vá desacelerar. Espera-se que globalmente as instalações de robôs cresçam 6% atingindo 575 mil unidades em 2025 e, estima-se que, até 2028, ultrapasse 700 mil.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Névoa e Salinidade

Estudo publicado na The Lancet Planetary Health indica 3,8 milhões de mortes na Índia entre 2009 e 2019 provocadas pela poluição do ar e, a capital indiana, Nova Delhi, aparesenta períodos de densa névoa tóxica com níveis de poluição do ar 16 vezes acima do máximo recomendado pela OMS, com área metropolitana de mais de 30 milhões de habitantes aparecendo na lista de capitais mais poluídas do mundo, em particular, no inverno. Quer dizer, ar mais frio retém poluentes próximo ao solo criando mistura de emissões oriundas de queimadas, fábricas e tráfego urbano, ao passo que a poluição aumentou devido fogos de artifício nas comemorações do festival Diwali, com a Suprema Corte flexibilizando proibição e permitir “fogos verdes”, menos poluentes, no festival hindu. Níveis de PM2.5, ou, micropartículas capazes de entrar na corrente sanguínea, atingiram 248 microgramas/m³ em áreas da cidade, segundo a IQAir, organização de monitoramento, com a Comissão Governamental de Gestão da Qualidade do Ar afirmando que as condições devem piorar enquanto autoridades municipais anunciam que testarão a “semeadura de nuvens” com aviões que injetam sal ou produtos químicos nas nuvens visando induzir chuva e limpar o ar. No Iraque, a crescente salinidade da água devasta fazendas e gado com deslocamentos nas províncias do sul de agricultores assistindo morte das aves quando os níveis de salinidade atingem recordes, tornando a água já escassa imprópria ao consumo humano,  matando o gado. País fortemente afetado pelas mudanças climáticas, o Iraque é devastado há anos pela seca e escassez de chuvas com declínio de fluxos de água doce aumentando níveis de sal e poluição, particularmente no sul, onde os rios Tigre e Eufrates convergem antes de desaguar no Golfo e, no mês de setembro de 2025, os níveis de salinidade na província central de Basra dispararam à 29 mil partes por milhão, comparados aos 2.600 ppm em 2024, conforme relatório do Ministério da Água, isto, se considerarmos que a água doce deve conter menos de 1 mil ppm de sais dissolvidos, enquanto os níveis de salinidade da água do oceano são de 35 mil ppm, dados, do Serviço Geológico dos EUA. Os rios Tigre e Eufrates convergem na hidrovia Shatt al-Arab, Basra, com alertas que os níveis de água despencaram permitindo avanço da água do mar do Golfo, com Hasan al-Khateeb, especialista da Universidade de Kufa, Iraque, informando que, "carregada de poluentes acumulados ao longo do curso", além de registrar níveis mais baixos em décadas ao lado das reservas de lagos artificiais. A ONU, avalia que um quarto das mulheres em Basra e províncias vizinhas trabalha na agricultura e a Organização Internacional às Migrações da ONU que documenta deslocamento induzido pelo clima no Iraque, alerta que o aumento da salinidade da água destrói palmeirais, árvores cítricas e outras plantações, informando que 170 mil pessoas haviam sido deslocadas no centro e sul do Iraque devido fatores relacionados ao clima. Por fim, o Tigre e Eufrates nascem na Turquia e as autoridades iraquianas culpam barragens do outro lado da fronteira por reduzirem fluxos hídricos, considerando que o Iraque é um país com sistemas de gestão  ineficiente de água pós décadas de guerra e negligência, recebendo menos de 35% da cota  alocada dos dois rios, conforme autoridades, em julho de 2025, o governo anunciou projeto de dessalinização em Basra com capacidade de 1 milhão de metros cúbicos/dia.

Entre nós, o Sistema Cantareira reduziu captação de 31 m³/s à 27 m³/s, impactando abastecimento na região metropolitana, com reservatórios em queda em Guarapiranga para 52,6% e Alto Tietê para 28,9%, refletindo baixa pluviometria e volume dos mananciais da RMSP caindo de 36,7% à 36,5% em setembro de 2025, menor nível desde 2015. Trata-se do nível mais baixo dos últimos 10 anos operando com 24,2% do volume útil com o Cantareira como maior produtor de água de São Paulo, utilizando 33 m3/s à abastecer, 46% da população recebendo 23% da média histórica das afluências em 2014, que levou ao uso do "volume morto". A medição é realizada pela Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e divulgada no site da companhia e, segundo dados, o sistema opera com 24,2% do volume útil quantidade de água que pode ser transferida ao abastecimento da Região Metropolitana, com o índice acendendo alerta. O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana, utilizando 33 m3/s de água para abastecer 46% da população, formado por 5 reservatórios, Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro,conectados por túneis subterrâneos e canais. Em 2014 e 2015 as vazões de afluentes ao sistema foram menores que a média histórica registradas desde 1930, abaixo do pior ano da série, até então, 1953, em 2014, em média, o Sistema Cantareira recebeu 23% da média histórica das afluências e, em 2015, 50%, e, com o agravamento da estiagem em 2014 e 2015 foi autorizado uso da reserva técnica do Sistema Cantareira conhecido como “volume morto”, somando 480 bilhões de litros de água abaixo das estruturas de operação dos reservatórios e acessíveis por bombeamento. O Sistema Cantareira é de responsabilidade da ANA, Agência Nacional de Águas e, do DAEE, Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, apesar de localizar integralmente em território paulista recebe água de bacia hidrográfica de gestão federal, sendo que uma das razões do esgotamento do Sistema Cantareira é o desmatamento, com a região possuindo 93.932 hectares de remanescentes de vegetação nativa, 35,5% do território, dados do governo estadual. A água é o centro da crise, árvores são “amortecedores climáticos” do ambiente urbano, a arborização urbana reduz temperatura, absorve energia solar, faz fotossíntese, purificando o ar, retendo material particulado nas folhas e absorção de gases, diminui o impacto das chuvas sobre o solo reduzindo velocidade hídrica. O governo paulista anuncia plano de contingenciamento prevendo restrição de até 16 horas na pressão de água na região metropolitana, além do rodízio no abastecimento e uso do volume morto dos mananciais, em casos extremos, sendo que as restrições acontecerão pós 7 dias seguidos  dos índices na mesma faixa, com relaxamento pós 14 dias consecutivos de retorno ao cenário mais brando.

Moral da Nota: relatório da OMM avisa que a camada de ozônio deverá retornar aos níveis da década de 1980 até meados do século, com o buraco na Antártida em 2024 sendo menor que nos últimos anos, com o Boletim de Ozônio da OMM 2024 dizendo que a menor destruição da camada de ozônio se deve em parte a fatores atmosféricos naturais, enfatizando que a melhora a longo prazo reflete sucesso da ação global. Lançado no Dia Mundial do Ozônio, marca o 40º aniversário da Convenção de Viena que lançou bases à cooperação na proteção da camada de ozônio, com o secretário Geral da ONU, dizendo que, "há 40 anos, nações se uniram para dar o passo na proteção da camada de ozônio guiadas pela ciência e unidas na ação", concluindo que, "a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal tornaram marco de sucesso multilateral, hoje, a camada se recupera, conquista que nos lembra quando nações atendem alertas da ciência, o progresso é possível". O boletin da OMM, diz que Protocolo de Montreal eliminou 99% das substâncias controladas que destroem a camada de ozônio, utilizadas em refrigeração, ar condicionado, espuma para combate a incêndios e spray para cabelo, como resultado, projeta-se que a camada de ozônio se recupere a níveis de 1980 até meados do século, reduzindo riscos de câncer de pele, catarata e danos ao ecossistema. A OMM afirma que a cobertura total de ozônio estratosférico foi maior que em anos anteriores e o buraco na camada da Antártida em 2024 atingiu pico com déficit máximo de massa de ozônio de 46,1 milhões de toneladas em setembro de 2025, menor que os observados entre 2020 e 2023.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Desafio cognitivo

Pesquisa publicada na Alzheimer's & Dementia envolve grupo de idosos que desafiam o declínio cognitivo ao manterem mentes afiadas mesmo após os 80 anos, no conceito que o declínio cognitivo é inevitável à medida que envelhecemos e estudo de 25 anos, ​​revelando o que há de especial na neurologia subjacente. Sandra Weintraub, neuropsicóloga clínica da Universidade Northwestern, esclarece que "é realmente o que encontramos em seus cérebros que tem sido impressionante para nós", descobriram que os cérebros de superidosos são resistentes ao acúmulo de aglomerados e emaranhados de proteínas relacionados ao Alzheimer, tais indivíduos têm concentração maior de um tipo específico de neurônio na região crítica do cérebro e exibem menos atividade inflamatória na substância branca comparada com a população em geral e em envelhecimento. As descobertas necessitam serem validadas em outras populações,ao passo que a identificação de perfil neurobiológico distinto em idosos "abre portas à intervenções visando preservar saúde cerebral até as últimas décadas da vida", esclarecendo que, superidosos têm memórias além dos 80 anos que rivalizam com indivíduos na faixa dos 50 anos. O estudo os define, quando testados, como capazes de se lembrar de pelo menos 9 palavras de uma lista de 15, típico de pessoas pelo menos 2 a 3 décadas mais jovens, sendo que alguns estudos descobriram que menos de 5% da população podem atingir a classificação de superidoso, daí, alta extroversão é característica que os superidosos têm em comum e, estranhamente, não estão levando estilos de vida mais saudáveis, alguns fumam e bebem regularmente, fator que sugere componente significativo que a resistência à idade dessas pessoas é biológico. A Dra Weintraub monitorou 290 pessoas com 80 anos ou mais desde 2000 para comparar os que se tornariam superidosos com aqueles que envelhecem normalmente e, graças às doações de 79 cérebros de superidosos, pesquisadores identificaram diferenças biológicas importantes, informando que, "percebemos que existem 2 mecanismos que levam alguém a se tornar superidoso", continua, "um, é a resistência, não produzem placas e emaranhados associados à doença de Alzheimer e, o segundo, resiliência, produzem placas e emaranhados, mas não afetam seus cérebros." Sob a visão anatômica, os pesquisadores sugerem que, as células que transmitem informações ao hipocampo, conhecidas como neurônios entorrinais, eram maiores em superidosos, contribuindo à resistência ou resiliência, além disso, pessoas idosas apresentavam afinamento na camada externa do cérebro, enquanto, superidosos não, quer dizer, área do cérebro que rege os pensamentos conscientes, memória e linguagem, os superidosos tinham mais neurônios de von Economo e um giro cingulado anterior mais espesso, onde esses neurônios são encontrados, em comparação com pessoas mais jovens, quer dizer, essa parte do cérebro está envolvida na regulação da atenção, emoção e tomada de decisão. Tamar Gefen, neuropsicóloga clínica da Universidade Northwestern, avalia que "muitas das descobertas decorrem do exame de amostras cerebrais de superidosos acompanhados por décadas", sendo que a equipe observou genes destacados por pesquisas anteriores que podem ser investigados para obter mais informações e, compreender os que afetam a cognição à medida que envelhecemos, pode permitir criar fármacos que promovam configurações cerebrais de superidosos e resistência à doença de Alzheimer.

Pesquisa em IA segue métodos distintos, até certo ponto, concorrentes, ou, abordagem simbólica, ou, "de cima para baixo" e, abordagem conexionista, ou, "de baixo para cima", sendo que a abordagem de cima para baixo replica a inteligência analisando cognição independente da estrutura biológica do cérebro em termos do processamento de símbolos,  daí, o rótulo simbólico, enquanto a abordagem de baixo para cima, envolve criação de redes neurais artificiais que imitam estrutura do cérebro, daí, o rótulo conexionista. Consideremos construir um sistema equipado com scanner óptico que reconhece letras do alfabeto, uma abordagem de baixo para cima envolve treinamento de rede neural artificial apresentando letras uma por uma, melhorando gradualmente o desempenho via "ajuste" da rede, em contraste, abordagem de cima para baixo envolve escrever programa de computador que compara cada letra com descrições geométricas, quer dizer, atividades neurais são a base da abordagem de baixo para cima enquanto descrições simbólicas são a base da abordagem de cima para baixo. Edward Thorndike, psicólogo da Universidade de Columbia, Nova York, em The Fundamentals of Learning, 1932, sugere que o aprendizado humano consiste em propriedade desconhecida de conexões entre neurônios no cérebro, enquanto Donald Hebb, psicólogo da Universidade McGill, Montreal, em The Organization of Behavior, 1949, sugeriu que a aprendizagem envolve o fortalecimento de padrões de atividade neural, aumentando probabilidade de disparo de neurônios induzidos entre conexões associadas. Allen Newell, pesquisador da RAND Corporation, Santa Monica, Califórnia, e, Herbert Simon, psicólogo e cientista da computação da Universidade Carnegie Mellon, Pittsburgh, em 1957, resumiram abordagem de cima para baixo no que chamaram de hipótese do sistema de símbolos físicos que afirma ser processamento de estruturas de símbolos suficiente, em princípio, para produzir IA em computador digital, a inteligência humana resulta do mesmo tipo de manipulação simbólica. Abordagens de cima para baixo e de baixo para cima foram adotadas simultaneamente, nas décadas de 1950 e 1960, ambas, alcançaram resultados notáveis, limitados e, na década de 1970, IA de baixo para cima foi negligenciada e, na década de 1980, voltou se destacar, atualmente, ambas são adotadas e reconhecidas por enfrentarem dificuldades cujas técnicas simbólicas funcionam em áreas simplificadas, mas, falham quando confrontadas com o mundo real e, enquanto isso, pesquisadores de baixo para cima não conseguiram replicar sistemas nervosos nem mesmo dos seres vivos mais simples. Seguindo os métodos descritos, pesquisa IA busca objetivos em inteligência geral artificial, AGI, IA aplicada ou simulação cognitiva, sendo que na AGI, chamada de IA forte, busca construir máquinas que pensam cuja ambição final é produzir máquina cuja capacidade intelectual seja indistinguível de um ser humano, até o momento, o progresso é desigual e, apesar dos avanços em modelos de linguagem ampla, é discutível se a AGI pode emergir de modelos mais poderosos ou se será necessária abordagem diferente. Já,IA Aplicada, conhecida como processamento avançado de informações, produz sistemas "inteligentes" comercialmente viáveis, por exemplo, sistemas de diagnóstico médico "especializados" e sistemas de negociação de ações, tem obtido sucesso considerável e, na simulação cognitiva, computadores são usados ​​para testar teorias sobre funcionamento da mente humana, por exemplo, teorias sobre como pessoas reconhecem rostos ou recordam memórias e a simulação cognitiva é ferramenta na neurociência e na psicologia cognitiva. Para concluir, o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov jogando contra o Deep Blue, computador de xadrez construído pela IBM, em 1996,  venceu a 1ª partida por 4 a 2, em 1997, perdeu para o Deep Blue por 3 ½ a 2 ½, no entanto, a conquista do Deep Blue ao derrotar o campeão mundial Kasparov foi superada pelo AlphaGo, da DeepMind, que dominou o go, jogo mais complexo que o xadrez, sendo que as redes neurais do AlphaGo aprenderam jogar go com humanos e contra si mesmas, derrotou o melhor jogador de go Lee Sedol por 4 a 1 em 2016, sendo que o AlphaGo foi, por sua vez, superado pelo AlphaGo Zero, que, partindo apenas das regras do go, derrotou o AlphaGo por 100 a 0, daí, uma rede neural mais geral, o Alpha Zero, conseguiu usar as mesmas técnicas para dominar rapidamente o xadrez e o shogi.

Moral da Nota: o benzeno, 200 anos pós ser descoberto, continua sendo molécula de importância e complexidade, cuja ascensão na indústria petroquímica em meados do século XX liberou seu potencial como um bloco de construção à vasta gama de materiais, quer dizer, 2 séculos pós descoberta, a molécula revolucionária continua moldar o mundo, do gás que iluminou Londres no século XIX, aos materiais que proporcionou no século XXI, é narrativa de engenhosidade, poder industrial e consciência da responsabilidade que vem com inovação química. Em 1825, o inglês Michael Faraday, renomado pelo trabalho em eletricidade e magnetismo, isolou uma substância do resíduo oleoso do gás de iluminação usado para iluminar ruas de Londres, descobrindo que continha 2 partes de carbono para 1 de hidrogênio, chamando de "bicarbureto de hidrogênio" observando propriedades incomuns, notavelmente, altamente insaturado, significando que tinha baixa proporção de hidrogênio à carbono, que indica alta reatividade, ainda assim, a substância era estável e resistia  às reações de adição características de outros hidrocarbonetos insaturados, queimava com chama fuliginosa, sinal de seu alto teor de carbono.

 Rodapé: produtores de Tomé-Açu, nordeste do Pará, apostam em agroflorestas combinando espécies como o açaí, dendê, cacau e cupuaçu, entrelaçando diferentes culturas em um mesmo terreno, sendo que o modelo integra a floresta amazônica com produção agrícola, nas normas ambientais vigentes no Brasil, buscando reduzir impactos e garantindo renda à agricultores da região. A CAMTA, Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, reúne 170 associados, referência em práticas sustentáveis na Amazônia e, parte da produção, é exportada aos mercados da Europa, Ásia e América do Sul.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Robótica e Saúde

Implicações da utilização da robótica na saúde, particularmente doenças crônicas, permanecem inexploradas, com estudo vinculando dados de adoção de robôs pela indústria chinesa nos registros de saúde individuais da Pesquisa de Saúde e Nutrição da China, CHNS, empregando estratégia de variáveis ​​instrumentais tipo Bartik em nível de cidade, cujas estimativas revelam aumento de um robô para cada mil trabalhadores em uma cidade reduzindo probabilidade local de indivíduos apresentarem doenças crônicas em 8,67%. Impulsionam benefícios à saúde incluindo melhores condições de trabalho, melhor bem-estar físico e mental e escolhas de estilo de vida mais saudáveis, em que análise de custo-benefício sugere que os benefícios à saúde são substanciais, superando custos de aquisição, destacando ainda externalidade positiva negligenciada da automação na saúde pública em economias em desenvolvimento. Ainda inserido no ecosistema IA, ferramenta IA da OpenAI produz vídeos realistas com alegações falsas em 80% das vezes conforme relatório da organização de combate à desinformação, NewsGuard, sendo que a OpenAI, detentora do ChatGPT, lançou o Sora 2, aplicação para dispositivos iOS gerando um milhão de downloads em 5 dias e, para gerar vídeo IA com o Sora, utilizadores inserem descrição de texto do conteúdo desejado e o sistema produz vídeo de 10 segundos. O documento mostra que, neste sentido, “a capacidade da ferramenta produzir vídeos convincentes, incluindo aparentes reportagens, gerou preocupações sobre a disseminação de deepfakes, risco reconhecido pela empresa em documento que acompanha o lançamento da aplicação, concluindo que, “recursos do Sora 2 exigem consideração de riscos potenciais incluindo uso não consensual de semelhanças ou gerações enganadoras”. Análise da NewsGuard mostra que em 80% dos testes a aplicação produziu vídeos falsos ou enganadores relacionados com notícias importantes, como o ato eleitoral na Moldovia ou questões sobre política de imigração norte americana sendo que 55% das alegações falsas testadas foram produzidas na primeira tentativa. Por fim, esclarece que, “a maioria dos vídeos assumiu forma de noticiário, com aparente apresentador noticiar falsidades”, demonstrando “facilidade com que malfeitores podem usar a tecnologia para espalhar informações falsas em escala”, concluindo que, vídeos desinformativos parecem violar políticas de uso da OpenAI, que “proíbem enganar através da falsificação de identidade, burlas ou fraudes”.

Em clima de disrupção, pesquisa brasileira informa que foram encontrados microplásticos em estômago de bugios-vermelhos, Alouatta juara, que vivem em áreas protegidas da Amazônia brasileira, além da preocupação da presença de animais em áreas protegidas, representando a 1ª vez que um animal arborícola, que vivem em árvores, ingeriu tais partículas. Publicado na Springer Nature, o estudo analisa 47 indivíduos provenientes das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no Amazonas, com 2 deles com resultados positivos à filamentos verdes de microplástico com menos de 5 mms de comprimento no estômago. "Mesmo assim, já é muita coisa. Preferiria não ter encontrado nada”, disse a autora do artigo e cientista, Anamélia de Souza Jesus, pesquisadora do Instituto Mamirauá, Tefé, Amazonas, explicando que, “encontrar microplásticos em áreas preservados, soa alarme, Mostra que a poluição plástica chega a locais que pareciam protegidos.” A presença de microplásticos em bugios, comprova que microplásticos estão presentes em áreas protegidas há pelo menos 10 anos revelando que a água que esses animais tomam estava contaminada por descarte de lixo como redes de pesca presas em galhos, quer dizer, consumidores de água engarrafada podem ingerir até 198% mais microplásticos que aquele que bebe água filtrada. Pesquisa anterior havia comprovado presença de microplásticos em peixes, tartarugas, aves e peixes-bois, assim como sedimentos e água de rios, no entanto, é a primeira vez que um animal que vive em copas de árvores registra presença das partículas. 

Moral da Nota: cientistas observaram evidências que esclerose múltipla danifica silenciosamente o cérebro anos antes do diagnóstico, ao estudar proteínas em amostras de sangue, identificaram sinais imunológicos precoces e marcadores de danos nos nervos que apontam à indicadores precoces cruciais, abrindo portas à exames de sangue diagnósticos e estratégias preventivas. Quando pacientes procuram ajuda à esclerose múltipla, EM, já há lesões no cérebro silenciosas há anos e, até recentemente, cientistas não estavam certos quais células eram afetadas ou quando o dano realmente teve início, sendo que pesquisadores da Universidade da Califórnia, forneceram cronograma detalhado, analisando proteínas que circulam no sangue, cujas descobertas mostram que o sistema imunológico começa atacar a bainha protetora do cérebro, cobertura gordurosa que isola fibras nervosas. A descoberta abre caminho ao diagnóstico precoce e, no futuro, tornará prevenção possível, com a pesquisa demostrando que Esclerose Múltipla tem como alvo inicial a bainha de mielina, um ano depois, evidências de danos às fibras nervosas começam a aparecer, com Ahmed Abdelhak, MD, professor de Neurologia na UCSF e coautor do artigo, publicado na Nature Medicine, dizendo que, "o trabalho abre oportunidades ao diagnóstico, monitoramento e tratamento da EM", concluindo que, "pode ser divisor de águas na forma como entendemos e tratamos a doença." A pesquisa analisa mais de 5 mil proteínas em amostras de sangue de 134 indivíduos que desenvolveram EM, amostras que vieram do Repositório de Soro do Departamento de Defesa dos EUA, que armazena sangue de candidatos militares e, como o repositório armazena amostras por décadas, puderam examinar o sangue coletado anos antes do diagnóstico dos indivíduos.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

A Atenção

Na era digital cada segundo que olhamos o celular é oportunidade de negócio envolvendo   plataformas tecnológicas, em consequência, surge o conceito cunhado por Herbert Simon de "economia da atenção", Nobel, na década de 1970, desenvolvido em mundo com excesso de informação, daí, a atenção humana é escassa, redes sociais, mecanismos de busca e mídias digitais que se especializam em capturar e reter atenção do que vendem os anunciantes. Baseado em princípio unidirecional, ou, plataformas lucram com atenção, ao passo que usuários não veem o lucro dessa receita em assimetria questionada e propostas que buscam compartilhar receita publicitária com aqueles que a consomem, quer dizer, o modelo muda regras do jogo, na economia da atenção 2.0, usuários consomem anúncios e são compensados por emprestar sua atenção. A versão 2.0 utilizada para descrever a mudança da atenção passiva à atenção ativa e recompensada em cenário que o usuário decide quais anúncios ver, em troca, recebe recompensa na forma de criptomoeda ou pontos resgatáveis, sendo exemplo desse modelo o navegador Brave ao criar ecossistema que gira em torno do BAT, Token de Atenção Básica, cujos usuários optam por visualizar anúncios e receber porcentagem da receita gerada, já que o navegador bloqueia rastreadores por padrão e anúncios intrusivos, dando alternativa a anúncios respeitando a experiência do usuário e recompensando engajamento. Tal sistema enfrenta desafios através da adoção limitada onde nem todos estão dispostos a mudar de navegador ou aprender sobre cripto, Regulamentações cujas leis de publicidade e criptomoedas variam entre países, modelo cuja viabilidade do sistema encontra-se em avaliação inserido na ética do incentivo que surge, a saber se é certo pagar pela atenção ou se distorce a intenção do conteúdo. Por fim, busca gerar ecossistema que ganha com usuários se sentindo valorizados, criadores recebendo suporte real e anunciantes melhorando eficiência em espaço de extensão além dos navegadores alcançando aplicativos móveis, plataformas de streaming e redes sociais e, em vez de pagar com dados, estaríamos à beira de um site onde o tempo vale.

Neste ecossistema em desenvolvimento, conceito matemático considerado "Pedra de Roseta"  traduz movimentos atômicos e moleculares em previsões de efeitos em larga escala como desdobramento de proteínas, formação de cristais e derretimento do gelo, sem necessidade de simulações ou experimentos facilitando desenvolvimento de fámacos, semicondutores e etc. Prashant Purohit e Celia Reina desenvolveram uma "Pedra de Roseta" matemática que traduz movimentos moleculares em previsões de efeitos em larga escala, publicado no Journal of the Mechanics and Physics of Solids, utilizaram estrutura, termodinâmica estocástica com variáveis ​​internas, STIV, para resolver questão de 40 anos em modelagem de campo de fase, ferramenta utilizada para estudar fronteira de deslocamento entre 2 estados da matéria como fronteira entre água e gelo ou onde se unem partes desdobradas e dobradas de uma proteína. Em artigo relacionado generalizam a estrutura conferindo-lhe maior poder matemático, com a Dra Reina nos explicando que, "como a Pedra de Roseta desvendou textos antigos, a estrutura STIV traduz movimentos microscópicos em comportamentos de larga escala em sistemas fora do equilíbrio" e, conclui, "a STIV potencialmente projeta novos materiais", continua, "da mesma forma que a Pedra de Roseta permitiu que estudiosos compusessem em hieróglifos, esta estrutura poderia nos permitir começar com a propriedade que desejamos e trabalhar de trás para frente, até, movimentos moleculares que a criam." Já o Dr Prashant Purohit avalia que "a modelagem de campo de fase prevê o que acontece na fronteira entre fases da matéria, concluindo que, "a STIV fornece o maquinário matemático para descrever como a fronteira evolui a partir dos primeiros princípios sem necessidade de ajustar dados de experimentos." O físico francês Paul Langevin foi pioneiro na matemática descrever a atividade de átomos e moléculas presentes em ambientes flutuantes e, segundo Travis Leadbetter, um dos autores do artigo e recém-doutorado em Matemática Aplicada e Ciências Computacionais, AMCS, avalia que "o STIV captura evolução média dos sistemas introduzindo variáveis ​​'internas', quantidades extras que capturam características de não equilíbrio do sistema", daí, escolher variáveis ​​certas é importante, assim como a Pedra de Roseta, cujo alinhamento de hieróglifos com textos gregos e demóticos possibilitou a tradução, o STIV depende da seleção das variáveis ​​que melhor predizem o comportamento do sistema em larga escala, quer dizer, conclui Leadbetter, "é preciso ter noção do contexto, uma vez escolhidas as variáveis, o STIV fornece sua evolução, sem necessidade de ajustar a matemática para se adequar aos dados experimentais a cada vez." Por fim, durante séculos, cientistas se esforçaram para descrever matematicamente o mundo da modo mais geral possível, quanto melhor a matemática puder descrever um sistema, mais fácil será analisá-lo e, em última análise, controlá-lo, no entanto, para sistemas complexos fora do equilíbrio atingir esse nível de rigor costuma ser lento e custoso, além das aplicações exploradas pelos autores, cientistas norte americanos e italianos usaram o STIV para obter informações sobre como células biológicas se movem cuja descoberta foi publicada no servidor de pré-impressão arXiv.

Moral da Nota: um dos produtos da moda é a assadeira de silicone, tema de estudo canadense publicado no Journal of Hazardous Materials que aponta à riscos do utensílio, especialmente à saúde de crianças, com o estudo testando peças de silicone, populares pela flexibilidade, resistência ao calor, reaproveitamento e antiaderência, buscando avaliar se os siloxanos presentes no silicone migrariam à comida e seriam emitidos ao ar no cozimento, sendo siloxanos componentes essenciais do material que produzem efeitos nocivos quando inalados ou ingeridos, atingindo fígado e pulmões. A pesquisa identifica a natureza lipofílica dos componentes, ou, seja, afinidade dos siloxanos às gorduras sendo dissolvidos e misturados em substâncias oleosas considerando a concentração de gorduras em alimentos assados e o uso de óleos para untar formas, a pesquisa confirma que os siloxanos migram das assadeiras de silicone e contaminam alimentos no cozimento. Em consequência, a exposição ao componente é mais grave conforme a idade e diante peso corporal mais baixo, que aumenta proporcionalmente o nível de inalação, sendo que a pesquisa identifica que crianças de 1 ano são mais vulneráveis entre todas as faixas etárias estudadas. Por fim, a pesquisa alerta que os níveis de contaminação por siloxano são maiores em utensílios novos, constatado pela redução dos níveis da substância conforme o silicone é desgastado pelo uso e a toxicidade dos siloxanos, não foi, em si, abordada no estudo, levando ao apelo por mais investigações de consequências à saúde.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Modelos de Linguagem

Cientistas da UCLA, San Diego, criaram método em modelos de linguagem de grande porte, LLMs, similar aos que alimentam chatbots e ferramentas de sequenciamento de proteínas, aprendam novas tarefas usando menos dados e poder computacional, sendo que LLMs são constituidos por bilhões de parâmetros que determinam como processam informações, ao passo que métodos tradicionais de ajuste fino trabalham esses parâmetros encarecendo e propenso a overfitting, isto é, quando um modelo memoriza padrões em vez de realmente entendê-los, causando desempenho ruim nos novos exemplos. O método desenvolvido na Universidade da Califórnia adota abordagem mais inteligente em vez de retreinar modelo inteiro do zero atualizando apenas as partes mais importantes e, como resultado, reduz custos, é mais flexível, sendo melhor em generalizar o que aprende comparado aos métodos de ajuste fino em que pesquisadores podem ajustar modelos de linguagem de proteínas usados ​​para estudar e prever propriedades mesmo quando há poucos dados de treinamento disponíveis, por exemplo, ao prever se certos peptídeos conseguem atravessar a barreira hematoencefálica obteve maior precisão que osmétodos convencionais utilizando 326 vezes menos parâmetros e, ao prever a termoestabilidade das proteínas, igualou o desempenho do ajuste fino completo utilizando 408 vezes menos parâmetros. Pengtao Xie, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação da Escola de Engenharia Jacobs da UC San Diego, disse que o "trabalho representa passo em direção à democratização da IA" esclarecendo que, "com o método, mesmo pequenos laboratórios e startups sem grandes orçamentos ou recursos de nível de supercomputador podem desenvolver suas pesquisas".

Relatório da MarketsandMarkets informa a criação da Mentis Care, joint venture ao desenvolvimento e comercialização IA formado pela associação entre Eurofarma e SK Biopharmaceuticals, com vistas no desenvolvimento à detecção e previsão de crises epilépticas e criação de ecossistema de saúde digital, em mercado que deve movimentar US$ 550 bilhões até 2028 e sediada no MaRS Discovery District, Toronto, Canadá, um dos polos de inovação em biotecnologia e tecnologia médica do mundo. Fato relevante é o plano Health China 2030, política de Estado que busca revoluciona saúde pública chinesa e busca beneficiar países parceiros, que “começou em 2010 e visa transformar até 2030 a estrutura de saúde chinesa, dos equipamentos aos modelos assistenciais, focado em eficiência, segurança e tecnologia”, com digitalização e IA nos hospitais já realidade e servindo de modelo ao Brasil. O DR. Pedro Batista, cirurgião e fundador da Horuss AI, esclarece que a China está além da antiga imagem de “fábrica do mundo”, segundo ele, o setor de saúde chinês opera em níveis que impressiona executivos experientes, destacando o interesse chinês em parcerias com o Brasil, no contexto de tensões comerciais com os EUA, considerando que “somos o 3º parceiro comercial da China com janela de oportunidade para que o Brasil se torne o 2º maior parceiro comercial chinês, atrás da Rússia, em setores como saúde e tecnologia médica”. Avalia que em viajem ao continente asiático ficou bem inpressionado com a saúde chinesa pois o "paciente chega, escaneia um código no celular e inicia o atendimento de modo automático, sem burocracia, com segurança e agilidade, melhorando experiência do paciente e otimizando trabalho dos médicos, sendo que a proposta não é apenas importar tecnologia chinesa mas produzir no Brasil com apoio e investimento chinês”. Segundo ele, acordos bilaterais começam mostrar resultados, “em maio de 2025, houve acordo na indústria farmacêutica que permite empresas brasileiras acessarem insumos farmacêuticos ativos, IFAs, em maior escala e desenvolverem novas formulações com tecnologia chinesa, com isso, podemos produzir medicamentos de ponta no Brasil sem depender de patentes internacionais e nos tornar elo entre China e mercado ocidental”. Inserido em IA vale nota robótica que os cirurgiões Dr. Sulaiman Almazeedi, Dr. Marcelo Loureiro, Dr. Mohannad Alhaddad, Dr. Ahmed Karim, Dr. Hmoud Alrashidi e Dr. Leandro Totti Cavazzola, realizaram telecirurgias robóticas alcançando Recorde Mundial  Guinness por registrar a maior distância entre médico e paciente. Em 23 de setembro de 2025, médicos e pacientes no Hospital Jaber Al-Ahmad, Kuwait, e no Hospital da Cruz Vermelha, em Curitiba, cobrindo distância de 12.034,92 kms, realizaram "2 procedimentos, no 1º, equipe cirúrgica no Kuwait operou paciente no Brasil, no 2º, os papéis foram invertidos com cirurgiões no Brasil operando paciente no Kuwait", cirurgias foram para hérnias inguinais com o Guinness World Records informando que "ambas cirurgias foram concluídas com sucesso e segurança, reforçando viabilidade da colaboração global em cuidados cirúrgicos e estabelecendo padrão no campo da cirurgia robótica remota". O detalhe é que a "latência média foi de 199 milissegundos, largura de banda média de 80 Mbps, megabits por segundo, e perda de pacotes, dados que não chegam ao destino, de apenas 0,19%", com um dos médicos afirmando que "durante a cirurgia, conseguiu manter esse atraso abaixo de 0,194, portanto,  muito seguro ao paciente".

Moral da Nota: relatório informa que os oceanos da Nova Zelândia aquecem 34% mais rápido que a média global alimentando ondas de calor marinhas, elevando nível do mar e ameaçando comunidades costeiras, com cientistas alertando que a tendência acelerada pode ter consequências devastadoras às costas e ecossistemas da nação insular. Intitulado Nosso Ambiente Marinho, informa que os oceanos da Nova Zelândia além de se tornarem mais ácidos e contribuírem ao aumento do nível do mar, ameaçam os ribeirinhos, esclarecendo que, “mudanças climáticas provocam mudanças significativas nos oceanos”, concluindo que, “temperaturas oceânicas aumentam e as ondas de calor marinhas tornam-se mais frequentes, intensas e duradouras com a elevação do nível do mar se acelerando em vários locais”. O relatório informa que o nível do mar está subindo 2 vezes mais rápido que antes na Nova Zelândia, particularmente nas cidades mais importantes, Wellington e Aukland, correndo risco décadas antes do previsto com dados coletados pelo governo no litoral revelando que algumas áreas afundam de 3 a 4 mm/ano, ameaça há muito esperada. As descobertas, parte do projeto NZ SeaRise, financiado pelo governo, trabalho integrado de cientistas locais e internacionais ao longo de 5 anos e, com os dados em mãos, as autoridades têm menos tempo que o esperado para introduzir adaptação climática incluindo realocação de comunidades litorâneas. Tim Naish, professor da Universidade Victoria, Wellington, nos informa que, o nível global do mar deve subir 50 cm até 2100 e, em partes da Nova Zelândia, o aumento pode chegar perto de 1 metro, porque, ao mesmo tempo, a terra está afundando, com Wellington, capital, podendo ter aumento de 30 cm no nível do mar até 2040, não esperado antes de 2060, com implicações de desastre ambiental como danos causados ​​por inundações que ocorrem uma vez por século todos os anos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Paradoxo

Por conta de dados da ONU colocando em dúvida o futuro da economia chinesa, buscam se ancorar na IA como oportunidade ao futuro, considerando que a principal questão da economia que move o planeta é matemática aplicada a futuro incerto, indicando que, cedo ou tarde, o superpovoamento chinês deve despencar. A atual crise demográfica chinesa decorre em parte como resultado de política que funcionou, isto é, o controle de natalidade que começou na década de 1970 se cristalizando na política do filho único em 1979, ao iniciar como intervenção estatal para conter o crescimento populacional insustentável terminando por moldar comportamentos por, gerações, expectativas e estruturas familiares. O hábito cultural da reprodução em massa, contido por esterilizações, multas e abortos que reduziram o número de nascimentos e inibiram a explosão populacional, ao dar início a flexibilização das regras em 2016, 2 filhos, e 2021, 3 filhos, cuja mola propulsora foi a taxa de fecundidade de 1,77 filho por mulher em 2016 caindo à 1,12 em 2021 e medidas de incentivo que mal reverteram a curva. Daí, estudos que estimam o cálculo econômico para constituir família na China avisam que criar um filho do nascimento a universidade pode custar, em média US$ 70 mil, em Xangai, por exemplo, o valor sobe à US$ 120 mil, somados às jornadas de trabalho, ao mercado imobiliário caro e expectativas profissionais explicam por que jovens e, especialmente as mulheres, optam por não ter filhos. Quer dizer, a maternidade equivale a renúncia profissional e pessoal que não se está suficientemente apto a aceitar, conforme a executiva de Hangzhou esclarecendo ao Washington Post, dizendo que, "não quer decidir sobre sacrificar a vida" sendo que o apelo por tempo e autonomia é uma das razões que os subsídios simbólicos do governo chinês, US$ 450/ano nos 3 primeiros anos, insuficientes para reverter a tendência. O resultado implica que o declínio demográfico acelerado pela queda no número de casamentos, que só em 2024, 6,1 milhões de casais registraram união comparados com 13,5 milhões em 2013, número que funciona como prelúdio de nascimentos futuros quando a taxa de nascimentos fora do casamento é marginal. A expectativa de vida aumenta e a pirâmide populacional se inverte, representando reequilíbrio nas contas públicas com projeções indicando que, nas próximas décadas, a população idosa dobrará  pressionando pensões, assistência médica e cuidados de longo prazo, financiados por base contributiva mais estreita, com demógrafos alertando que o fenômeno pode desencadear ciclo vicioso, ou, mais recursos aos idosos significando menos apoio público às famílias jovens reduzindo mais a fertilidade enquanto até 2100, segundo cálculos de organizações internacionais, haverá mais pessoas fora da vida ativa que dentro dela em cenário com implicações econômicas e políticas de alcance sistêmico. A resposta oficial no curto prazo é automação, robôs e investimento em produtividade, sendo que a substituição não funciona da mesma forma em todos os setores, com serviços, assistência médica e setores intensivos em mão de obra continuando demandar humanos e, em consequência, empresas manufatureiras já detectam pressão competitiva sobre preços e custos de mão de obra enquanto observadores apontam que a substituição industrial pode se deslocar à Índia, Sudeste Asiático, México ou Leste Europeu, com efeito multiplicador nas cadeias de suprimentos. Por fim, analistas alertam do efeito na segurança nacional chinesa considerando como economia que reduz a base de mão de obra e necessita de maiores recursos para cuidar dos idosos, verá prioridades internas e externas pressionadas, com consequências políticas imprevisíveis sendo que a crise demográfica chinesa não é apenas questão de números de nascimentos, mas, fratura estrutural que atravessa a economia, cultura e política, reverter isso, se possível, requer reforma trabalhista, política de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ambiciosa, reconsideração da imigração, investimento em tecnologia com redistribuição social e estratégia fiscal que redistribua encargos entre gerações.

A IA também é tentativa de solução no Irã de solucionar ou apaziguar a grave questão da água que passa a nação persa, é o que indica pesquisa do professor John Abraham da Universidade de St. Thomas e colegas iranianos que fizeram parceria em 50 estudos ao longo de 6 anos para fornecer soluções e lidar com a crise. Coautor de estudos com o Dr. Farzin Salmasi, professor de engenharia hídrica na Universidade de Tabriz, Irã, trabalha em colaboração com Salmasi creditando a equipe de 20 pesquisadores iranianos que operam em estruturas hídricas e executam experimentos, por exemplo, a saída do túnel de transferência de água da represa Kani Sew flui ao canal aberto no noroeste do Irã buscando redirecionar água ao Lago Urmia, parte de projetos de restauração. A pesquisa publicada no Iranian Journal of Science And Technology e IWA, demonstra como IA auxilia engenheiros iranianos melhorar projetos de estruturas hídricas e protegê-las, com Abraham, especialista em clima e professor de engenharia mecânica na Escola de Engenharia, esclarecendo que a equipe examina 2 questões, ou, "como levar água aos centros agrícolas e às cidades de modo maximizar seu uso e, a outra questão, é a segurança das estruturas que a levam até lá". Questões, segundo especialistas iranianos, importantes porque "busca-se construir estruturas de modo que sejam seguras, durem indefinidamente no futuro e não sofram falhas catastróficas como em outros lugares do mundo", considerando que o Irã está em uma das regiões mais áridas do mundo e, de acordo com a equipe de pesquisa de Abraham, a precipitação média no país é de 260 mm/ano enquanto a precipitação média no mundo é de 800 mm, além disso, 90% do volume de água é usado para agricultura, portanto, é crucial o gerenciamento adequado do consumo na agricultura iraniana. O Dr Salmasi esclarece que “o trabalho de pesquisa conjunto ṕermite otimizar o vertedouro de uma barragem de armazenamento, parte importante da barragem que descarrega água acima da capacidade nas cheias dos rios” e utilizam modelos computacionais para treinar IA e analisar projetos determinando quais ajudam engenheiros iranianos aprimorar suas estruturas hidráulicas, segundo o cientista, “a IA separa as ideias iniciais e as torna melhores” auxiliando engenheiros projetar estruturas hídricas mais econômicas. Por fim, concluem que apesar da água estar se tornando mais escassa em regiões do mundo, estão esperançosos que o trabalho ajudará o Irã vencer a corrida para melhorar a gestão da água mais rápido considerando que o clima está mudando. 

Moral da Nota: artigo no NYT 'We Warned About the First China Shock. The Next One Will Be Worse', de David Autore e Gordon Hanson, pesquisadores sobre como a concorrência chinesa devastou a indústria norte americana, mostra que a 1ª vez que a China abalou a economia dos EUA foi entre 1999 e 2007 ao eliminar um quarto dos empregos na indústria. Denominado o 'Choque Chinês', foi impulsionado pela transição do gigante asiático na década de 1970, quer dizer, do planejamento maoísta à economia de mercado, movendo mão de obra e capital das fazendas rurais às fábricas urbanas capitalistas, daí, produtos baratos chineses implodiram bases econômicas onde a manufatura era negócio principal, como Martinsville, Virgínia e Carolina do Norte, capitais dos moletons e móveis. Na ressaca 20 anos após, trabalhadores não tinham se recuperado totalmente das perdas de empregos, com a maioria dos ganhos de trabalho nas indústrias consistindo por salários  baixos, no entanto, algo semelhante ocorreu em indústrias têxteis, brinquedos, artigos esportivos, eletrônicos, plásticos e autopeças, daí, a transição de Mao à manufatura foi concluída em 2015 com o choque parando de aumentar. Em 2013, 2014 e 2016 pesquisa dos autores com David Dorn, da Universidade de Zurique, detalha como a concorrência da importação chinesa devasta os EUA com declínios no emprego e ganhos, com os autores relatando que o 1º Choque da China foi único, em essência, o país descobriu como fazer o que deveria estar fazendo décadas antes considerando que força de trabalho manufatureira chinesa é estimada em mais de 100 milhões comparada aos 13 milhões dos EUA, quer dizer, os autores relatam que beira ao delírio pensar que os norte americanos podem ou deveriam querer competir em semicondutores e tênis simultaneamente, com a China. Denominam Choque 2.0 o que se aproxima rapidamente onde os chineses passam a favoritos disputando setores inovadores onde os norte americanos sempre lideraram como aviação, IA, telecomunicações, microprocessadores, robótica, energia nuclear, computação quântica, biotecnologia, farmacêutica, energia solar e baterias. A realidade nos mostra que GM, Boeing e Intel já viram dias melhores e farão falta se partirem, a China reorganizando governos e mercados na África, América Latina, Sudeste Asiático e Europa Oriental e considerando que esses setores geram empregos com altos lucros e salários, influência geopolítica de fronteira tecnológica e proeza militar de controle do campo de batalha, tudo, quem sabe, inserido em política isolacionista norte americana.   

sábado, 3 de janeiro de 2026

Inovação e Saúde

Pesquisa envolvendo IA, telemedicina, monitoramento remoto e processamento de dados, são eventos que testemunhamos nos desenvolvimentos da tecnologia na saúde, tratando-se no entanto, de ameaça aos dados do paciente ou privacidade, ao lado de inovações geradas por provedores de saúde e empresas de tecnologia em saúde incluindo monitoramento remoto, nanotecnologia e realidade aumentada. À medida que surgem novas tecnologias, aumenta necessidade de dados limpos de alta qualidade representando desafios à setor caracterizado por controles rígidos de proteção de dados e ataques cibernéticos e, conforme o gerente de Engajamento da Intive, empresa global de tecnologia, "a saúde está diante de fronteira de inovações que prometem proporcionar melhores resultados aos pacientes e empoderar decisões dos provedores".Identifica a Nanotecnologia que cientistas usam para melhorar sistemas de administração de medicamentos e imagens médicas, bem como, combater tumores, cujo tamanho do mercado está projetado para atingir US$ 291 bilhões até 2028, enquanto monitoramento por IoT é usado à monitoramento remoto de pacientes, ferramenta essencial à mundo que sofre com a pandemia, enquanto McKinsey prevê que a saúde humana constituirá de 10 a 14% do valor estimado IoT até 2030, ao passo que o SPHCC, Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai, relata que usa IoT e sensores vestíveis para monitorar temperatura corporal de pacientes com Covid reduzindo risco de exposição dos cuidadores. Segue análise de dados com estimativa que o volume de dados gerados anualmente pelo setor de saúde cresça 48% ano a ano, com dados e IA impulsionando entrega e reduzindo tempos de lançamento de medicamentos e, por meio de IA na medicina de precisão emerge a Vara, empresa de tecnologia desenvolvendo algoritmos para detectar câncer de mama usando dados de 2,5 milhões de imagens de câncer de mama para treinamento, validação e testes. Através da realidade aumentada e realidade virtual surgem incursões no setor de educação, visualização cirúrgica, fisioterapia, com cirurgiões usando RA e RV para realizar procedimentos avançados além de treinarem e desenvolverem memória muscular sem risco ao paciente resultando em procedimentos mais rápidos. Por fim, seguem desafios de dados e privacidade sendo que "criar e alavancar soluções de tecnologia em saúde não é tarefa simples, especialmente em setor onde proteção de dados é prioridade e o acesso pode ser restrito" e, sem dados precisos e gerenciados adequadamente, provedores de soluções tecnológicas correm risco de produzir resultados não confiáveis ​​e criar viés e, ao capturar dados limpos, precisos, completos e formatados com precisão, é desafio às organizações.

Roche e Pfizer concedem a healthtech Cromodata, plataforma argentina que usa dados médicos e IA para criar tratamentos, especializada em infraestrutura de dados, recebeu  US$ 1,2 milhão em rodada pré-seed de investimento liderado pela PharmStars Ventures,  fundo apoiado por AstraZeneca, Lilly, Novo Nordisk, Pfizer, Roche e Sanofi, além da  Sancus Capital e Gabriela Pittis, ex-diretora da Takeda à América Latina e Caribe. A startup conecta e estrutura dados clínicos anonimizados de hospitais e centros de diagnóstico na América Latina usando tecnologia própria, cuja plataforma permite que empresas farmacêuticas, pesquisadores e empresas IA acessem dados do mundo real sobre pacientes latino-americanos visando acelerar busca por tratamentos à doenças crônicas e desenvolvimento de tecnologias à saúde. A CEO e cofundadora Keila Barral Masri informa que a "Cromodata nasceu da experiência pessoal como paciente sem diagnóstico por anos, porque os dados estavam fragmentados no sistema de saúde", segundo ela, a falta de diagnóstico a deixou com um tipo de epilepsia refratária que não é controlada com medicamentos, em consequência, necessita auxílio de animal de estimação para alertar médicos, ao mesmo tempo, afirma que o setor de saúde gera dados valiosos. Enfatiza que "se formalizássemos o mercado contribuiríamos à sistema sustentável e criaríamos incentivo para gerar melhores dados de saúde posicionando a região entre os lugares onde a ciência está sendo feita, hoje, menos de 1% dos dados de saúde usados ​​para treinar IA vêm da América Latina", concluindo que, o futuro da inovação em saúde depende da diversidade de dados. A Cromodata funciona "com 47 hospitais em 5 países e processou mais de 20 milhões de registros de pacientes anonimizados conforme normas HIPAA, GDPR e ISO 27001", siglas que correspondem normas dos EUA, UE e internacionais protegendo privacidade e segurança de informações pessoais, esclarecendo que, na "Argentina, trabalha com 3 centros de câncer estando presente, no Brasil, Uruguai, República Dominicana e México, este último, em parceria com o maior grupo privado de saúde do país gerando US$ 27 mil em receita corrente mensal. O modelo de negócios da startup monetiza dados de centros de saúde ao anonimizar e tokenizar identidades dos pacientes à protegê-los", complementa que, "enquanto clama-se pela interoperabilidade dos sistemas de saúde para que os dados possam ser usados, adaptamos a tecnologia ao caos e fazemos com que funcione em qualquer ambiente para extrair e estruturar dados", observando que, que a rodada de investimentos confirma essa hipótese, "representa mais que financiamento, um reconhecimento da necessidade de dados de saúde representativos e infraestrutura colaborativa". Planeja destinar capital à expansão da rede de hospitais e laboratórios associados, incorporando fontes como genômica e doenças raras e ao fortalecimento da infraestrutura tecnológica de conformidade regulatória.

Moral da Nota: estudo histórico mostrou que IA pode prever melhor como médicos devem tratar pacientes pós ataque cardíaco, conduzido por equipe de pesquisadores e liderada pelo Dr. Florian Wenzl, membro honorário da Universidade de Leicester, trabalhando em colaboração com o Professor David Adlam, do Departamento de Ciências Cardiovasculares, publicado no The Lancet Digital Health. Pacientes com a forma mais comum de ataque cardíaco causada por bloqueio parcial, conhecida como síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, NSTE-ACS, se enquadram na pontuação GRACE para estimar risco de morrer ou apresentar outro evento cardiovascular, sendo usado para orientar decisões de tratamento e, há muito tempo reconhecido como incapaz de capturar toda complexidade de cada paciente. O sistema GRACE de pontuação do Registro Global de Eventos Coronários Agudos, orienta tratamento de pacientes com síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, SCA-NSTE, conforme diretrizes atuais, no entanto, é necessária validação do modelo de mortalidade hospitalar GRACE 3.0 específico ao sexo e dos modelos correspondentes para prever mortalidade a longo prazo e efeito personalizado do tratamento invasivo precoce. O recém-criado escore GRACE 3.0 é ferramenta de avaliação de risco baseada em IA à pacientes com síndromes coronárias agudas, capaz de prever probabilidade de mortalidade hospitalar e, em 1 ano, analisando 9 variáveis disponíveis ou idade, sexo, frequência cardíaca, pressão sistólica arterial, nível de troponina, desvio-ST, nível creatinina, sintomas de insuficiência cardíaca e parada cardíaca. Para concluir, o Dr. Wenzl afirma que "O GRACE 3.0 representa a próxima evolução do escore GRACE integrando métodos IA a uma das ferramentas de risco mais utilizadas em cardiologia, treinado e validado externamente com base em dados pacientes de vários países o que lhe confere base sólida de evidências, ao contrário dos escores de risco tradicionais, o GRACE 3.0 captura relações complexas e não lineares que abordagens convencionais frequentemente ignoram." 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Extremos Climáticos

O CCC, Comitê de Mudanças Climáticas, em carta ao governo inglês alerta que, como resultado de pelo menos 2°C de aquecimento global até 2050, consultores climáticos independentes explicam que o Reino Unido "não está adaptado" ao agravamento dos eventos extremos nos níveis atuais, "muito menos" o esperado, disse, que aconselharia o Reino se preparar às mudanças climáticas além da meta de temperatura de longo prazo estabelecida no Acordo de Paris. A carta, divulgada após a OMM, Organização Meteorológica Mundial, confirmar que 2024 registrou aumento recorde de CO2 na atmosfera, gás, principal responsável pelas mudanças climáticas causadas pelo homem e liberado quando combustíveis fósseis são queimados, bem como outras atividades, a carta do CCC foi enviada pós solicitação de aconselhamento sobre cronograma à definição de cenários de adaptação, com base em "cenários climáticos mínimos". Instaram o governo inglês estabelecer estrutura de "objetivos claros de longo prazo" para evitar aumento adicional da temperatura, com metas a cada 5 anos e departamentos "claramente responsáveis" pelo cumprimento das metas, afirmando que poderá fornecer detalhes sobre possíveis "compensações" em maio de 2026 quando divulgar relatório descrevendo como o Reino Unido pode se adaptar às mudanças climáticas. O comitê divulgou relatório em abril de 2025 em que afirma que os preparativos no Reino Unido ao aumento das temperaturas estavam "lentos, estagnaram ou indo em direção equivocada", alertando que a falta de progresso deixa o país vulnerável a impactos econômicos e de saúde nas próximas décadas, de hospitais e casas de repouso a  abastecimento de alimentos e água, afirmando que os impactos das altas temperaturas já eram evidentes, por exemplo, escolas, ao citar resultados preliminares do Departamento de Educação que relata média de 1,7 dia de "superaquecimento extremo" bem como perda de tempo de aprendizagem devido ao calor.

Assinado em 2015, o Acordo de Paris viu 200 países se comprometerem tentar evitar que as temperaturas globais subissem mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e a se manterem "abaixo" de 2 °C, com o CCC destacando em carta, que um nível de aquecimento global de 2°C teria impacto significativo no clima do Reino Unido com eventos extremos se tornando mais frequentes e generalizados. Segundo o CCC, o Reino Unido poderia esperar ondas de calor, secas e inundações mais intensas e que a temporada de incêndios florestais se estenderia ao outono, com a Baronesa Brown, presidente do Comitê de adaptação do CCC, afirmando à BBC que, "a população do Reino Unido já sofre os impactos das mudanças climáticas e devemos a elas nos preparar e auxiliá-las se preparar e a adaptação não está acompanhada do aumento no risco climático, concluindo que, "impactos  estão piorando e o governo precisa mais ambição". Criticou Kemi Badenoch, líder conservador, que prometeu descartar a legislação britânica sobre mudanças climáticas e substituí-la por estratégia à energia "barata e confiável", com a Baronesa classificando a promessa como "decepcionante" dizendo esperar que o líder conservador "reflita sobre o fato que a lei abrange adaptação e mitigação". O Reino Unido vivencia mudanças nos padrões decorrente mudanças climáticas com 4 ondas de calor confirmadas em 2025 e, que o Met Office, considerou o verão mais quente já registrado com cientistas descobrindo que verão tão quente ou mais que 2025 é 70 vezes mais provável que teria sido em clima "natural", sem emissões de gases efeito estufa induzidas pelo homem. Para concluir, O IPCC já tinha afirmado antes que níveis de CO2 estão em seu patamar mais alto em pelo menos 2 milhões de anos, com base em registros de longo prazo como sedimentos marinhos e núcleos de gelo, corroborado pela afrimação da OMM que, o aumento de CO2 na atmosfera entre 2023 e 2024 é o maior desde que medições modernas começaram na década de 1950, com o Met Office afirmando que o clima extremo é o novo normal do Reino Unido.

Moral da Nota: o presidente do Comitê Internacional do Prêmio Global de Energia, Rae Kwon Chung, disse que a Europa afirma redução de emissões, mas 'vaza' pegada de CO2 à Ásia, quer dizer, declarações de países europeus que reduziram emissão de carbono não são precisas, visto que transferiram parte da indústria à países como China e Coréia do Sul. A UE em 2024 importou 519 bilhões de euros da China e que os 3 maiores importadores foram Países Baixos, Alemanha e Itália, ao mesmo tempo, esclarece que, "a Europa diz que reduziu muito, na verdade não é redução, é substituição, vazamento à China, Coréia e reimportação, não podemos encarar isso como redução, apenas substituição, sem mudar nenhum estilo de vida". A ONU tenta "mobilizar compromisso político", mas não consegue, segundo Chung, ao "acreditar que é momento que não podemos simplesmente confiar em  abordagem de cima para baixo, com o governo tentando impor Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDC, de cima para baixo, já que aprendemos nas últimas 3 décadas que não funciona, precisamos de abordagem de baixo para cima, nunca considerando que engajamos consumidores e não criamos mudança sistemática no modo de engajá-los na partilha da responsabilidade, concluindo que, consumidores são deixados de lado como espectadores e excluídos, enquanto o consumidor for deixado de lado como espectador e excluído, nunca seremos capazes de resolver o problema". Declaração conjunta da China e UE reafirma importância que aborda problemas das mudanças climáticas concordando demonstrar liderança na transição ao desenvolvimento sustentável, reconhecendo que, o fortalecimento da cooperação em relação às mudanças climáticas "impacta o bem-estar dos povos de ambos os lados, de grande e especial importância à manutenção do multilateralismo e avanço da governança climática global".

domingo, 28 de dezembro de 2025

Contaminação

Quase uma década pós incêndio florestal, persiste contaminação da água com resultados mostrando que contaminantes como, carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos, degradam a qualidade da água por até 8 anos pós incêndio com estudo revelando que o legado dos incêndios florestais se estende além da devastação imediata em que contaminantes de florestas e bacias hidrográficas continuam poluir rios e córregos. Publicada na Nature Communications Earth & Environment, a pesquisa é a 1ª avaliação em larga escala da qualidade da água pós-incêndio florestal ao analisar mais de 100 mil amostras de água de mais de 500 bacias hidrográficas, liderado por cientistas do CIRES, Instituto Cooperativo de Pesquisa em Ciências Ambientais, da Universidade do Colorado, em Boulder, baseado em incêndios florestais nos EUA, encontrando índices elevados nos rios pós incêndios de, carbono orgânico, fósforo, nitrogênio e sedimentos. Contaminantes que podem degradar qualidade da água representando desafios às estações de tratamento ameaçando abastecimento de água potável à milhões em comunidades a jusante, com pesquisadores conhecendo há muito que cinzas de incêndio e destruição do solo contribuem à degradação da qualidade da água, com Carli Brucker, autora principal do estudo, dizendo que, "tentando observar tendências ​​na qualidade da água pós-incêndio florestal no oeste dos EUA para informar estratégias de gestão da água na mitigação de  incêndios florestais. Os resultados mostram que embora picos de contaminantes ocorram nos primeiros 1 a 5 anos pós incêndio, níveis elevados de nitrogênio e sedimentos persistem por até 8 anos, com o estudo constatando que o impacto dos incêndios florestais na qualidade da água é variável, dependendo de fatores como proximidade do incêndio aos rios, tipo de solo e vegetação, além de padrões climáticos locais e, em alguns casos, níveis de sedimentos nos córregos 2 mil vezes maiores que antes do incêndio, sobrecarregando infraestrutura de tratamento de água. Vale lembrar que, incêndios florestais aumentam em tamanho e frequência devido à seca e mudanças climáticas, com as descobertas ressaltando necessidade de planejamento de longo prazo e resiliência na gestão da água e, à medida que o oeste americano enfrenta riscos crescentes de incêndios florestais pesquisadores esperam que seus dados auxiliem comunidades se prepararem aos impactos ambientais prolongados que surgem pós incêndios.

Outro estudo sobre partículas PM2,5 é alerta sobre como mudanças climáticas afetam o  ambiente e arredores, colocando milhões de vidas em risco, usando dados com descobertas relevantes onde altas temperaturas aumentam frequência de secas e incêndios florestais, eventualmente piorando qualidade do ar, algo que já se encontra em más condições. Pesquisadores que lideraram o estudo intitulado Secas e poluição do ar por PM2,5 na Califórnia: o papel dos incêndios florestais, observaram que, nas secas e incêndios florestais severos, ambos, se tornaram mais prováveis com enormes volumes de PM2,5  liberados no ar causando danos despercebidos. O poluente microscópico entra nos pulmões e corrente sanguínea de pessoas ao redor do planeta, causando danos fatais sob efeito combinado de seca e incêndios, os níveis de PM2,5 aumentam significativamente acima dos níveis normais criando ciclo perverso entre estresse climático e poluição, com incêndios florestais na Índia, por exemplo, se intensificando com mais de mil incidentes, forçando equipes de desastres agirem para conter chamas ao redor e florestas próximas. A crise de poluição do ar continua na Índia entre as piores do mundo contribuindo à 2 milhões de mortes prematuras anualmente, impulsionada pela alta exposição a PM2,5 nas principais cidades, em 2024, Nova Delhi e estados do norte lideraram tabelas globais de poluição com níveis médios de PM2,5 dez vezes mais altos que limites de segurança da OMS, com descobertas sugerindo que, à medida que a Índia se aquece e enfrenta secas os incêndios florestais adicionam camada à já mortal carga de poluição. Mudança climática causa estações secas mais longas e ondas de calor mais extremas, de monções fracassadas a calor recorde, 2024 foi marcado na  Índia por extremos climáticos sem precedentes, com especialistas alertando que secas e incêndios florestais alimentam ciclo vicioso com condições mais secas provocando incêndios que emitem gases efeito estufa alimentando o aquecimento global. Por fim, cientistas esclarecem que a estratégia indiana de ar limpo  deve evoluir à inclusão do gerenciamento de florestas e terras com controle da poluição industrial e transporte, possíveis etapas que incluem integração da previsão de secas e incêndios florestais como inerentes do planejamento de boa qualidade do ar.

Moral da Nota: embora relatadas, relações individuais entre secas, incêndios florestais, poluição do ar e ambiente por PM2.5, o papel dos incêndios florestais nas secas à PM2.5 permanece incerto, com estudo investigando associação entre secas definidas pela, SPEI, Precipitação Padronizada Índice de Evapotranspiração, e concentrações de PM2,5 na Califórnia,de 2006 a 2020. Modelo linear generalizado misto mostrou que as concentrações de PM2,5 aumentaram em 1,47 μg/m3, em média, à medida que condições de seca se intensificam em 1 unidade de SPEI, valores de SPEI mais baixos indicam condições mais secas e maior severidade, na análise estratificada, os aumentos de PM2,5 relacionados à seca foram maiores nos dias de incêndio florestal comparados aos dias sem incêndio florestal por unidade de redução no SPEI, daí, a probabilidade de dias impactados por incêndios florestais aumenta em 89,9% por unidade de redução no SPEI, crecendo com a severidade das secas. Incêndios florestais foram fator crucial aos aumentos de PM2,5 relacionados à seca, conforme comprovado pelo declínio na associação por unidade de redução no SPEI de 3,29 μg/m3 à -0,10 μg/m3 pós ajuste à PM2,5, induzida por incêndios florestais nos dias de incêndios florestais, ao passo que, aumentos de PM2,5 devido secas e incêndios florestais representam desafios à gestão da qualidade do ar pois a probabilidade de dias de excedência de PM2,5 foi elevada por incêndios florestais nas secas.