quinta-feira, 14 de maio de 2026

Risco Hídrico

Especialistas indicam que o ciclo da água torna-se cada vez mais extremo com relatório da OMM indicando imprevisibilidade, alertando que flutuações entre secas severas e chuvas intensas afetam economia e sociedade. Intitulado 'O Estado dos Recursos Hídricos Mundiais', nos diz que, em 2024 um terço das bacias hidrográficas do planeta apresentavam desequilíbrio persistindo pelo 6º ano consecutivo através de secas severas na bacia amazônica e sul da África, enquanto Europa Central e África sofreram com excesso de umidade. Destaca perda de massa glacial, fenômeno observado pelo 3º ano consecutivo, com a Secretária-Geral da OMM enfatizando urgência de informações científicas confiáveis já que "não se pode gerenciar o que não se mede", daí, relatório buscar fornecer dados essenciais à tomada de decisões, afirmando que, "a água é indispensável impulsionando as economias e sustentando os ecossistemas" e, conclui,"os recursos hídricos globais estão sob crescente pressão, e os riscos relacionados à água se tornando mais frequentes e devastadores, impacto cada vez maior nas vidas e meios de subsistência". Dados da OMM e observações de satélite, ressaltam importância da colaboração e compartilhamento de informações entre os países diante crise que afeta 3,6 bilhões de pessoas, além disso, o impacto ultrapassará 5 bilhões até 2050 com o mundo longe de alcançar a meta de água potável e saneamento básico à todos. Dentre regiões mais afetadas estão Índia, Califórnia, Oriente Médio, China, Austrália e Oeste da América do Sul,incluindo segmentos da Amazônia, destacando que, estudo publicado na Nature confirma que o planeta perde água doce em ritmo mais acelerado que se pensava antes, tendência, impulsionada por mudanças climáticas, desmatamento e uso excessivo de recursos, representando ameaça direta à segurança alimentar, acesso à água potável e estabilidade dos ecossistemas. Analisou dados de satélite entre 2002 e 2022 pela missão GRACE, Gravity Recovery and Climate Experiment, da NASA e Centro Aeroespacial Alemão, identificando 1.200 pontos críticos onde reservas de água doce subterrâneas e superficiais diminuíram nas últimas 2 décadas.

Ainda neste tema, estudo da WaterAid e Tree Aid revela que 45% da população em Gana, Níger e Nigéria enfrentam alto risco hídrico, com desmatamento diretamente ligado à perda e contaminação dos sistemas de água doce corroendo sistema africano Ocidental e expondo 122 milhões de pessoas à água imprópria à consumo, 20 milhões a mais que há 5 anos. O Níger mostra a pior crise com 99,5% da água em risco de sedimentação e queda na qualidade, com cientistas instando governos integrar prioridades florestais e hídricas nos planos de clima e adaptação, decorrente a crise hídrica que alastra pela África Ocidental colocando milhões em risco, segundo o estudo da WaterAid e Tree Aid. Intitulado "Das Raízes aos Rios: Como o Desmatamento Impacta o Acesso à Água Doce", revela que 45% da população, 122 milhões em Gana, Níger e Nigéria tem acesso a água contaminada, aumento de 20 milhões em 5 anos, relaciona tendência diretamente relacionada ao desmatamento e perda da cobertura vegetal que sustenta sistemas de água doce, florestas e vegetação, segundo o relatório, desempenhando papel crucial na proteção dos recursos hídricos, estabilização do solo, filtração de poluentes e regulação das chuvas, cuja destruição interrompe os processos e ameaça a confiabilidade do abastecimento hídrico à consumo, produção de alimentos e saúde. Dados de observação da Terra por satélite coletados entre 2013 e 2025, examinou  vegetação, precipitação pluviométrica e cobertura hídrica nos 3 países escolhidos pelas condições ecológicas e climáticas na África Ocidental e, pela 1ª vez, fornece  correlação entre desmatamento e baixa disponibilidade de água doce, com o Níger e Nigéria, mostrando que cada mil hectares de floresta perdida corresponde a perda média de 9,25 hectares de água superficial e, na Nigéria, esse número é de 6,9 ​​hectares, enquanto no Níger sobe à 11,6 hectares, em Gana, a perda florestal se associa à deterioração da qualidade da água superficial e não a quantidade. O estudo  alerta que acesso reduzido à água potável e segura decorrente desmatamento contínuo é ainda mais agravado pelas mudanças climáticas com chuvas intensas, sem vegetação para filtração ou estabilização do solo, levam ao acúmulo de sedimentos e poluentes em rios, lagos e reservatórios, reduzindo disponibilidade de água potável através da baixa absorção de água subterrânea e evapotranspiração, além da piora na qualidade da água restante. O problema é mais grave no Níger onde 99,5% da água superficial disponível é considerada em risco de sedimentação e má qualidade, na Nigéria, 85,6 milhões de pessoas vivem em áreas vulneráveis ​​à perda de água decorrente desmatamento, em Gana, a contaminação contínua é a principal preocupação com a perda florestal ligada à piora da qualidade da água superficial. 

Moral da Nota: na Ásia mudanças climáticas afetam sistemas de água e energia e colocam milhões em risco, forçando países investir bilhões no reforço de serviços básicos, segundo relatórios recentes, em que desastres relacionados à água aumentam na região e os gastos para proteger as comunidades são insuficientes. Relatório divulgado do Banco Asiático de Desenvolvimento, informa que os países asiáticos necessitam US$ 4 trilhões à água e saneamento entre 2025 e 2040 ou US$ 250 bilhões/ano, colocando governos sob pressão para proteger sistemas de energia e,  até 2050, eventos climáticos extremos custarão às empresas de energia US$ 8,4 bilhões/ano em danos e perda de receita, um terço a mais que atualmente, segundo  pesquisa do Asia Investor Group on Climate Change, organização sem fins lucrativos de Hong Kong e MSCI Institute, think tank de Nova York. Os riscos se concretizaram na Ásia atingida por tempestades tardias, chuvas e enchentes severas, em Quy Nhon, Vietnã, linhas de energia romperam quando o tufão Kalmaegi castigou a cidade com fortes chuvas e ventos intensos transformando bairros em ilhas, com relatório do ADB afirmando que 2,7 bilhões de pessoas, 60% da Ásia-Pacífico, têm acesso a água à maioria das necessidades básicas, no entanto, mais de 4 bilhões permanecem expostos a água imprópria para consumo, ecossistemas degradados e riscos climáticos crescentes. Por fim, a queda na vazão dos rios nas principais bacias hidrográficas asiáticas, que fornecem água necessária à usinas a carvão e gás e alimentam hidrelétricas, são a grande ameaça, ao mesmo tempo, fortes chuvas e inundações representam riscos em regiões costeiras e vales fluviais, com o detalhe que apesar dos crescentes riscos, a maioria das concessionárias de energia não possui planos detalhados e financiados para se adaptar aos impactos climáticos, embora 9 de 11 empresas estudadas tenham avaliado como as mudanças climáticas as afetam, 7 examinaram os riscos em suas fábricas individuais e 5 calcularam e divulgaram como futuros impactos climáticos poderiam aumentar custos ou prejudicar lucros.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Ciência da Idade

Artigo refletindo sobre estratégias de descoberta e intervenção na pesquisa sobre envelhecimento, destaca limitações e sugere meios de desenvolver abordagens mais abrangentes buscando aprimorar compreensão do envelhecimento, com estudo sobre biogerontologia levantando questão sobre a "ciência da idade", conceito, que pessoas morrem de "velhice" ao argumentar que a morte ocorre em decorrência a doenças específicas e reconhecíveis, com Maryam Keshavarz e Dan Ehninger, do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, apontando que mesmo os centenários provavelmente saudáveis ​​sucumbem a patologias e não a processo difuso como o envelhecimento. Alertam que essa percepção desviou por decadas a pesquisa sobre a morte gerando suposições frágeis sobre como medir e manipular a idade, quer dizer, nessa idade, atingimos ponto crítico de fragilidade, conforme a ciência, sendo que a pesquisa foi  em análise sistemática de 2.410 autópsias em que foram examinadas causas de morte em idosos incluindo estudo de indivíduos com mais de 85 anos que morreram súbtamente fora de hospitais bem como autópsias de centenários. A análise revelou que doenças cardiovasculares são a maioria das causas mortis, ou, infarto miocárdio, 39%, insuficiência cardiopulmonar, 38%, e lesões cerebrais,17,9% e, dentre os centenários saudáveis, 68% de causas cardiovasculares, 25% de insuficiência respiratória e nenhuma de "velhice" e, conforme o estudo, o padrão de morte por doenças específicas é observado no reino animal embora cada espécie tenha sua "fragilidade" primária, em cães por exemplo, neoplasias causam quase metade das mortes na velhice, em moscas-de-frutas a degradação intestinal leva a infecções e, em nematóides, problemas na garganta ou musculares são decisivos. Em consequência, cientistas alertam que tal conceito representa desafio à nascente "ciência do envelhecimento", que, embora proponha tratamentos para retardar o processo de envelhecimento não se concentra nas causas específicas que levam à morte, em muitos casos, produtos dessa disciplina geram melhorias gerais nas funções corporais mas não prolongam a vida como prometem.

Considerando o envelhecimento frequentemente avaliado pela extensão da expectativa de vida e biomarcadores indiretos, abordagens que podem não capturar completamente a complexidade do envelhecimento biológico, propõe refinamentos às estratégias de descoberta e avaliação na pesquisa sobre o tema com base em dados de diferentes espécies, quer dizer, de humanos a invertebrados, em amostragem que a mortalidade é impulsionada por conjunto restrito de patologias que limitam a vida em vez de um declínio sistêmico uniforme. Sugere que a extensão da expectativa de vida pode ser resultante do atraso no início da doença sem retardar o envelhecimento, embora relógios de metilação do DNA e índices de fragilidade ofereçam valor à previsão cuja natureza limita a compreensão mecanística, sendo que em revisão sistemática há limitação na estrutura citada de "características do envelhecimento", por exemplo, estudos confundem alterações fisiológicas com mudanças na taxa de envelhecimento. Daí, estudos permitem diferenciar efeitos das alterações na mudança relacionada à idade em direção a compreensão mais mecanística e matizada do envelhecimento que apoie identificação de reguladores causais e desenvolvimento de intervenções que  modifiquem as trajetórias do envelhecimento. Por fim, o envelhecimento é enigma profundo e complexo da ciência, cativando pesquisadores, incluindo filosofia, ciências sociais, biologia evolutiva, genética e pesquisa médica,juntas, contribuem com perspectivas únicas abordando questões sobre mecanismos, causas e consequências do envelhecimento, ao mesmo tempo que oferecem informações sobre como mitigar seus efeitos na saúde e longevidade. Alguns conceitos de envelhecimento se concentram no acúmulo de danos biológicos que comprometem os sistemas do corpo, enquanto outros destacam declínio progressivo da função e fertilidade com o avanço da idade, ou, o comprometimento gradual dos mecanismos de reparo que perturba o equilíbrio entre dano e resiliência, visões, não mutuamente exclusivas, sendo que a maioria dos conceitos integra elementos de acúmulo de danos e declínio funcional, retratando envelhecimento como erosão gradual da capacidade do corpo de manter a homeostase ou equilíbrio com o meio externo. O aumento do risco de mortalidade com o avanço da idade frequentemente tratado como característica universal do envelhecimento em que análises demográficas comparativas mostram que esse padrão não é universal, com diversas espécies, especialmente invertebrados, répteis e plantas, exibindo mortalidade específica por idade insignificante ou mesmo decrescente, indicando que, embora a aceleração da mortalidade seja comum não é propriedade necessária do envelhecimento.

Moral da Nota: o envelhecimento é reconhecido como mudanças fenotípicas dependentes do tempo ​​em populações ao longo de vida média, mudanças que aumentam a probabilidade de doenças e mortalidade relacionadas à idade com padrões aparecendo universalmente entre espécies e outros moldados por contextos genéticos ou biológicos específicos. Há consenso que o envelhecimento representa a alteração dos fenótipos ao longo do tempo contribuindo à morte do indivíduo e compreender essa progressão fornece base à pesquisa que visa identificar fatores subjacentes as mudanças em diverso níveis biológicos, de mecanismos moleculares a processos do organismo, conhecimentos essenciais ao desenvolvimento de intervenções que visem causas com o objetivo de reduzir o impacto das doenças relacionadas à idade e melhorar a saúde geral na 3ª idade. A mortalidade relacionada à idade é determinada por patologias que limitam a vida e não por processo de envelhecimento generalizado e sistêmico, como resultado, o prolongamento da expectativa de vida reflete início tardio de doenças específicas em vez de desaceleração do envelhecimento em si. Quando a expectativa de vida é usada como indicador dos “efeitos do envelhecimento” através de intervenções genéticas, dietéticas ou farmacológicas, os ganhos vistos podem refletir o atraso de uma ou algumas patologias em vez de desaceleração ampla do envelhecimento em si. O envelhecimento altera múltiplos sistemas simultaneamente reduzindo a resiliência fisiológica, aumentando a probabilidade que determinada patologia se torne incapacitante, no entanto, as alterações sistêmicas são permissivas e não causais, quer dizer, cada doença relacionada à idade segue trajetória mecanística discreta, por exemplo, aterosclerose através da deposição de lipídios e inflamação, câncer pela mutação somática e seleção clonal, neurodegeneração por dobramento incorreto de proteínas e ativação glial em que molda o cenário de vulnerabilidade no qual tais eventos ocorrem e a mortalidade surge de falhas mecanísticas específicas e não de processo generalizado e uniforme de declínio.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Envelhecimento Imunológico

A função do sistema imunológico diminui no envelhecimento sendo que as populações de células da imunidade tornam-se menores e não reagem a patógenos rapidamente, o que torna o indivíduo suscetível a infecções. Pesquisadores do MIT e do Broad Institute descobriram modo de programar células no fígado para melhorar a função das células imunes T, chamada imunidade celular, podendo compensar declínio relacionado à idade do timo onde normalmente ocorre a maturação das células T, ou, imunidade celular, ao utilizar mRNA, mensageiro, para fornecer fatores que promovem sobrevivência célular T, daí, rejuvenesceram o sistema imunológico de camundongos que mostraram populações de células T aumentadas e diversificadas em resposta à vacinação e a tratamentos de imunoterapia contra o câncer. Feng Zhang,professor de Neurociências no MIT diz que, “se conseguirmos restaurar algo essencial como o sistema imunológico, esperamos poder ajudar pessoas permanecerem livres de doenças por período mais longo de suas vidas”, considerando que o timo,  órgão localizado na frente o coração, desempenha papel crucial no desenvolvimento das células T imaturas que passam por processo de controle que garante repertório diversificado, além de secretar citocinas e fatores de crescimento que ajudam as células T sobreviverem. A partir do início da idade adulta começa o processo conhecido como involução tímica, que leva a queda na produção de novas células T e, por volta dos 75 anos está bastante reduzido, com estudos de rejuvenescimento imunológico que focam fatores de crescimento de células T no sangue mostrando efeitos colaterais prejudiciais, no entanto, pesquisadores exploram possibilidade de usar células-tronco transplantadas para regenerar o timo. Por fim, descobriram que o tratamento com mRNA, mensageiro, impulsiona resposta do sistema imunológico à imunoterapia contra o câncer e, ao administrarem tratamento com mRNA a camundongos de 18 meses, que foram então implantados tumores e tratados com medicamento inibidor com alvo na proteína desenvolvida para liberar o sistema imunológico e estimular células T atacarem células tumorais.

Ainda na inovação, cientistas trabalham para avaliar o problema da poluição por microplásticos e prováveis ​​impactos sanitários, com estudo que identifica riscos à saúde decorrente fragmentos plásticos que se espalham pelo ambiente, com pesquisas sugerindo que microplásticos, por si só, podem prejudicar a biologia conhecidos por absorver outros poluentes tóxicos. Descobertas de cientistas da Universidade de Exeter e do Laboratório Marinho de Plymouth, Reino Unido, sugerem que micróbios desenvolvem biofilmes ou 'plastisferas' decorrentes de microplásticos, que podem abrigar bactérias e auxiliar no seu crescimento e sobrevivência, demonstrando que, microplásticos podem potencialmente disseminar patógenos e RAM, resistência antimicrobiana. Em consequência, acarretam riscos à saúde, da entrada de bactérias causadoras de doenças na cadeia alimentar ao aumento da disseminação bacteriana resistente a medicamentos, tornando infecções mais difíceis de tratar e atos médicos  arriscados, com a cientista do Laboratório Marinho de Plymouth, Pennie Lindeque, dizendo que "a pesquisa demonstra que microplásticos podem atuar como vetores à patógenos e bactérias resistentes a antimicrobianos, aumentando sobrevivência e disseminação" e, conclui, trata-se de "interação que representa risco crescente ao ambiente e a saúde pública exigindo atenção." Constatada a proliferação bacteriana resistente a antimicrobianos nas partículas de plástico em que os biofilmes que se formaram em microplásticos tinham mais genes de bactérias resistentes a medicamentos que os formados em madeira ou vidro, daí, patógenos nocivos incluindo Flavobacteriia e Sphingobacteriia eram mais comuns em microplásticos a jusante do hospital e da estação de tratamento de águas residuais onde bactérias não eram particularmente abundantes na água. Em suma, a microbiologista Aimee Murray, da Universidade de Exeter, esclarece que "a pesquisa demonstra que os microplásticos não são apenas questão ambiental, podem ter papel na disseminação da resistência antimicrobiana" e, conclui, "é por isso que precisamos de estratégias integradas e intersetoriais que combatam poluição por microplásticos e protejam tanto o ambiente quanto a saúde humana."

Moral da Nota: explorando patógenos e resistência antimicrobiana em microplásticos, de águas residuais hospitalares a ambientes marinhos, cientistas avaliaram que partículas microplásticas são poluentes ambientais prevalentes que sustentam biofilmes microbianos conhecidos como "plastisfera" e que RAM, bactérias resistentes a antimicrobianos e patogênicas, foram detectadas nas comunidades não se sabendo se os microplásticos representam risco específico em termos de RAM ou enriquecimento de patógenos. Microplásticos são partículas de plástico com menos de 5 mm de tamanho, poluentes com até 125 trilhões de partículas estimadas acumuladas nas superfícies oceânicas globais e detectadas em solos, rios, lagos e corpo humano, com preocupação recente associada as comunidades microbianas que rapidamente formam biofilmes na superfície das partículas conhecidos como plastisfera, levando a preocupações pela descoberta nessas comunidades de bactérias resistentes a antimicrobianos, RAM. A poluição antropogênica, humana, é apontada como fator que impulsiona seleção de resistência antimicrobiana, RAM, em compartimentos ambientais, tipicamente, em áreas com maior concentração de poluentes antropogênicos como estações de tratamento de esgoto, ETEs, ou, aterros sanitários, cujos genes de RAM, ARGs, tornam-se abundantes nas comunidades ambientais, fundamentalmente, antimicrobianos, metais pesados, patógenos humanos ou animais, plásticos e microplásticos, também existentes nos ambientes cujas interações entre contaminantes concomitantes  inexplorados. Por fim, um dos principais riscos de resistência antimicrobiana, RAM, associados aos microplásticos pode ser o fornecimento de substrato à formação de biofilme e transferência horizontal de genes de resistência a antibióticos, ARGs, no entanto, microplásticos podem impor riscos como incorporação ou adsorção de compostos na matriz plástica que poderia selecionar à RAM, com evidências sugerindo que há variação entre tipos de microplásticos em termos de comunidades que podem suportar, além disso, os plásticos são amplamente reconhecidos como poluentes persistentes e prevalentes que podem ser transportados por distâncias e apresentar resistência à degradação, representando risco em termos de disseminação e persistência de patógenos resistentes a antimicrobianos do que materiais naturais que se degradam em períodos de tempo mais curtos.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Medo

Estudos demonstram que a ocitocina reduz tanto a sensação subjetiva de medo quanto a assinatura neural em contextos sociais, não, em contextos não sociais, quer dizer, cientistas desenvolveram modelo cerebral IA que rastreia o medo, de modo que se desenrola em situações do mundo real oferecendo mudança em relação às abordagens de laboratório em que estudos sobre medo se baseiam em imagens estáticas que não refletem como o cérebro o processa em contextos dinâmicos, sendo que o modelo captura com precisão respostas em experiências naturais revelando que a ocitocina reduz o medo em situações sociais. Segundo a Universidade de Hong kong, HKU, as descobertas apontam à mecanismo direcionado à ansiedade e fobia social além de condições relacionadas, oferecendo ferramenta ao desenvolvimento que reflita o processamento emocional na vida real, enquanto o mapeamento do medo no Mundo Real, utiliza modelo cerebral IA capturando respostas nas experiências naturalistas melhor que paradigmas de laboratório, ao passo que a redução do Medo Social reflete que a ocitocina reduziu o medo subjetivo e sua assinatura neural em contextos sociais, daí, a via de tratamento em que as descobertas apoiam abordagem direcionada à condições caracterizadas por medo social excessivo incluindo ansiedade e desafios relacionados ao autismo. Coloca em causa a validade de estudos laboratoriais que  podem não descrever com precisão como o cérebro processa o medo, fornecendo dados convincentes à nova abordagem de tratamento orientada à transtornos  caracterizados por medo social excessivo como autismo, ansiedade e fobia social, além de ciar ferramenta IA para preencher lacuna entre pesquisa laboratorial e experiências emocionais da vida real abrindo caminho à intervenções clínicas mais eficazes. Por fim, ao considerar o medo como instinto natural de sobrevivência, para muitos, pode tornar condição debilitante como ansiedade social, daí, desafio no tratamento de transtorno em que estudos laboratoriais sobre o medo não conseguem capturar como a emoção é vivenciada em situações do mundo real. Em suma, estudos desenvolvidos pela equipe de pesquisa de Benjamin Becker, do  HKU, Departamento de Psicologia, revelou que modelos cerebrais de medo existentes, baseados em imagens estáticas de laboratórios não rastreiam o medo de forma confiável enquanto respostas em experiências da vida real como assistir filme de terror,daí, desenvolveram modelo cerebral inspirado em IA que rastreia a experiência consciente do medo nas situações dinâmicas e naturalistas, cujos resultados mostraram que a ocitocina reduz tanto a sensação subjetiva de medo quanto a assinatura neural em contextos sociais, não, em contextos não sociais, o que sugere mecanismo direcionado ao alivio do medo social.

Estudo realizado nos EUA examina o uso generalizado IA em áreas diversas incluindo educação e, de acordo com as conclusões, a utilização IA ​​impacta a função cognitiva humana observando queda na atividade das áreas do córtex responsáveis ​​pela análise de informações. Quer dizer, alguém acostumado receber dados através de sistemas IA perde simultaneamente a capacidade de resolver problemas relacionados à análise e síntese de informações, em consequência, perde a capacidade de decidir, ao passo que o sistema IA essencialmente se torna "cérebro reserva" enquanto o "principal" se reduz ao ponto de ativar o "reserva" em determinado momento e, sem esforço, quer dizer, a IA treina o cérebro humano para trabalhar menos e seguir suas instruções com mais frequência, em consequência, o cérebro reserva torna-se principal. Daí, a crença científica que, caso a IA continue se desenvolver seguindo princípios atuais, a humanidade enfrentará "estagnação informacional" nos 5 anos a seguir, cenário, em que grande número de pessoas será forçado abandonar o pensamento crítico e perceber o mundo com base em seu próprio julgamento, tornando-se consumidores passivos de conteúdo gerado por IA com visões unificadas sobre aspectos do cotidiano incluindo, política, economia e valores, daí, IA descobre, IA decide, representando mudança de paradigma e passando de simples assistente executiva à nível qualitativo diverso. Tal cenário, trilha caminho de degradação educacional e social onde IA não apenas oferece opção, mas, decide, forçando a crença que foi o indivíduo e não a máquina quem o fez, no entanto, buscando a prática política global contemporânea, tal fato, pode se revelar cenário perfeitamente aceitável, afinal, pensador crítico não é um ativo desejável em sistemas de governo.

Moral da Nota: anúncio da municipalidade de Los Angeles nos avisa que não usa mais carvão no fornecimento de energia urbana, marco importante na transição acelerada da cidade à energia 100% limpa até 2035 e passo fundamental na liderança climática. Quer dizer, o Departamento de Água e Energia de Los Angeles, LADWP, e a Incubadora de Tecnologias Limpas, LACI, anunciam o desinvestimento em carvão no fornecimento de energia, sendo que o LADWP não recebe mais energia de carvão da usina Intermountain Power Project, IPP, em Utah, utilizando energia de unidades geradoras com capacidade à hidrogênio construídas na usina IPP, parte da modernização chamada IPP Renewed. Existe plano à transição futura ao hidrogênio verde como fonte de combustível, já que a expectativa é que o hidrogênio verde seja adicionado à matriz energética em 2026, com a prefeita de Los Angeles declarando que, “o desinvestimento em carvão em Los Angeles não se trata apenas de interromper o seu uso para abastecer a cidade, trata-se de construir economia de energia limpa que beneficie os angelinos, somos capazes de desferir esse golpe contra mudanças climáticas pois não dependemos de concessionária corporativa à nossa eletricidade, somos donos da nossa energia.” A LADWP utiliza energia de unidades com capacidade à hidrogênio construídas na usina IPP, parte de modernização conhecida como IPP Renewed, sendo que as unidades operam com gás natural capazes de funcionar com mistura de gás natural e 30% de hidrogênio verde, com plano para fazer no futuro transição à 100% de hidrogênio verde como fonte de combustível, com expectativa que o hidrogênio verde se adicione à matriz energética em 2026. Por fim, Los Angeles investiu em armazenamento em baterias e energia solar e eólica trabalhando na expansão de iniciativas locais de solar, eficiência energética e demanda para apoiar a transição com marcos históricos em energia limpa em 2025 como a conclusão do Eland Solar-plus-Storage Centre, um dos maiores projetos de energia solar e armazenamento em baterias do país que fornece energia suficiente à mais de 260 mil residências em Los Angeles ultrapassando a meta de 60% de energia limpa em 2025.

Rapidinha: estudo publicado na Nature Reviews Earth & Environment revela que o El Nino–Oscilação Sul, ENOS, está afetando o Oceano Atlântico e a pesca no Brasil ao alterar padrões de chuva, temperatura da água e fluxo de rios, mudando oferta de nutrientes e oxigênio marítimo. No Norte do Brasil, reduz chuvas e enfraquece o rio Amazonas prejudicando cadeia alimentar marinha, no Sul, aumenta chuvas, beneficiando a albacora e a pesca do camarão marrom decorrente água mais clara e maior radiação solar, daí, cientistas de instituições brasileiras, africanas e europeias pedirem estratégias locais de manejo e defenderam sistema internacional de monitoramento oceânico.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Gestão da Água

Cidade de Hanói ou Ho Chi Minh, Vietnam, fortalece a gestão dos recursos hídricos superficiais e a capacidade de controle de enchentes, maior cidade do Vietnã, enfrenta desafios decorrente mudanças climáticas, elevação do nível do mar, inundações costeiras e, respondendo de modo proativo investe em sistema sincronizado de irrigação, drenagem e controle de marés para melhor gestão, utilização e proteção dos recursos hídricos superficiais. Uma das iniciativas é o Projeto de Controle de Inundações Costeiras e Mudanças Climáticas, visa controle de inundações e aumento da resiliência climática em área de 570 km², sendo que o projeto protege 6,5 milhões de moradores ao longo da margem direita do rio Saigon e, na área urbana central, os objetivos incluem regular e reduzir níveis de água nos canais, melhorar capacidade de drenagem, armazenar água da chuva nas marés altas e aprimorar paisagem e ambiente aquático na área do projeto. O progresso mostra 90% concluído e componentes englobam Comporta Ben Nghe, 97%, Comporta Tan Thuan, 93%, Comporta Phu Xuan, 90%, Comporta Muong Chuoi, 93%,Comporta Cay Kho, 86%, Comporta Phu Dinh, 88%, Dique/Aterro,85%, Comportas Cau Kinh e Ba Buom, 92%, Sistema SCADA, 80%, Comporta de controle de marés Tân Thuận, Dân trí. Acelera conclusão das etapas do projeto fortalecendo capacidade de controlar inundações, melhorar adaptabilidade às mudanças climáticas e garantir  segurança dos moradores e infraestrutura urbana contribuindo à melhoria da água e  promoção do desenvolvimento urbano sustentável buscando melhor adaptar condições naturais da bacia hidrográfica do rio Saigon-Dong Nai. A liderança da cidade empenha apoiar empresa à implementação/construção do projeto, abordando desafios e operações para melhor atender aos moradores locais.

Teerã, capital do Irã, muda por conta de catástrofe ecológica, quer dizer, mudar a capital é parcialmente motivado por mudanças climáticas, no entanto, especialistas dizem que décadas de erros e ações humanas tem culpa e, em meio a crise ecológica crescente e grave escassez de água, não pode mais permanecer como capital, segundo, o presidente do país. Michael Rubin, analista do American Enterprise Institute, avalia que a situação resulta de “tempestade perfeita de mudanças climáticas e corrupção”, enquanto o presidente iraniano avalia que “não tem mais escolha”, em vez disso, autoridades consideram transferir a capital à costa sul do país, com especialistas afirmando que, a proposta não altera a realidade dos quase 10 milhões de habitantes de Teerã sofrendo consequências de declínio no abastecimento de água. Cientistas alertam que desde 2008 a extração descontrolada de água subterrânea para agricultura, drena os aquíferos, enquanto uso excessivo não apenas esgotou reservas subterrâneas como as destruiu à medida que o solo se comprimiu e afundou de modo irreversivel, com estudo constatando que o planalto central do Irã, onde se localiza a maior parte dos aquíferos, afunda mais de 35 cm/ano e, como resultado, perdem 1,7 bilhão de m³ de água/ano decorrente o esmagamento permanente do solo que não deixa espaço à recuperação do armazenamento subterrâneo de água. Outras grandes cidades, como Cidade do Cabo, na África do Sul, Cidade do México e Jacarta, na Indonésia, bem como partes da Califórnia, enfrentam cenários graves afundando e ficando sem água, não sendo a 1ª vez que a capital do Irã muda de lugar, já que ao longo dos séculos, se transferiu de Tabriz à Isfahan e depois a Shiraz, com algumas dessas antigas capitais ainda prosperando enquanto outras se transformaram em ruínas, no entanto, é a 1ª vez que o governo iraniano muda a capital devido a catástrofe ecológica. Por fim, Rubin afirma que “seria erro analisar apenas pela ótica climática”, pois a má gestão da água, da terra e do esgoto, além da corrupção, agravam a crise e, segundo ele, se a capital for transferida à costa de Makran, no sul, poderá custar mais de US$ 100 bilhões, pois é região conhecida por clima rigoroso e terreno acidentado, com técnicos mostrando dúvidas sobre a viabilidade como centro nacional. Por fim, Linda Shi, cientista e urbanista da Universidade Cornell, avalia que “mudanças climáticas não são a causa, mas, fator conveniente para culpar a fim de evitar a responsabilidade” por decisões políticas equivocadas pois a mudança de capital costuma ser motivada mais por questões políticas que por preocupações ambientais.

Moral da Nota: construir mundo habilitado por IA onde tecnologia é força ao bem comum e a velocidade com que IA  molda o amanhã, é incrível, no entanto, até que ponto a tecnologia impacta o futuro depende da capacidade de fazer IA ​ força ao bem comum, considerando que um dos desafios do futuro não será apenas quem tem dados, largura de banda e tecnologia, mas quem exerce o controle e colhe os benefícios da  IA, algorítmica, científica, tecnológica e infraestrutura pública digital. A Índia, líder global na democratização da tecnologia e fornecimento de acesso à tecnologia, amplia os beneficiários da infraestrutura pública digital, através do Aadhaar, UPI, ONDC, CoWIN e outros bens públicos digitais com mais de 900 milhões de usuários de internet, tornando-se uma das maiores sociedades digitalmente engajadas do mundo em que transações via UPI ultrapassam 10 bilhões/mês e crescimento superior a 10 vezes nos últimos 5 anos. Em posição de moldar o discurso global sobre IA com ênfase em  ética ao desenvolvimento, democratização e acesso e, principalmente, para que  contribua ao bem comum, não há dúvida de crise de competências enquanto o Sul Global é afetado de modo desproporcional e adverso. O desafio reside na aprendizagem, no desenvolvimento de competências e adaptabilidade em momento que empregos são reinventados mais rapidamente que a capacidade de resposta de sistemas educacionais, com o Banco Mundial estimando que mais da metade das crianças em países de baixa e média renda não conseguem ler um texto simples aos 10 anos de idade. O relatório ASER observa lacunas entre anos de escolaridade e resultados de aprendizagem, por exemplo, alunos do 5º ano têm dificuldades em realizar operações aritméticas básicas do nível do 2º ano, enquanto o relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025 do Fórum Econômico Mundial, observa que, até 2030, 39% das competências dos trabalhadores mudarão, sinaliza que instituições de ensino superior e formação profissional devem "garantir aprendizagem ao longo da vida" alinhadas as demandas de competências dos empregadores. Por fim, relatório da OXFAM à 2025, "Aproveitadores, não Criadores: a Pobreza Injusta e a Riqueza Imerecida da Herança Colonial", observa que "crises econômicas, climáticas e de conflitos significam que o número de pessoas vivendo na pobreza praticamente não mudou desde 1990,em mundo desigual com pauta de dominação colonial que beneficiou os mais ricos. 


quinta-feira, 9 de abril de 2026

Morte e Vida

Renaturalização de rios e córregos alavancam abordar desafios como a perda de espaços compartilhados ou falta de políticas, daí, em 1961, Jane Jacobs, urbanista norte americana, publicar, 'Morte e Vida de Grandes Cidades Norte Americanas', em que defende a importância do desenvolvimento de uso misto ou comercial, residencial e industrial, inserido na coexistência de populações diversas em espaços públicos e concentração de pequenos negócios em bairros. Defende a vida social urbana contra a morte decorrente o crescimento descontrolado por grandes rodovias e a segregação de usos e grupos sociais e, quando adaptação às mudanças climáticas e reflorestamento tornaram-se paradigmas da intervenção urbana, é possível traçar analogia com a vida e a morte de pequenos rios. Deixaram de ser espaços de interação social à se tornar depósitos de lixo social consequente poluição oriunda de fábricas, estacionamento de veículos,construção civil, transformação social que legitimou encaminhamento de rios e córregos nas cidades, realizado sem controvérsias já que eram outros o foco da atenção e, da perspectiva social, o encaminhamento não matou os rios, já estavam mortos. O consenso científico sobre clima questiona canalização defendendo a renaturalização de rios e córregos urbanos buscando restaurar cursos d'água com elementos naturais além de conceituar como entidades vivas, ecossistemas com direitos prejudicados pela urbanidade e sociedade embora tratando-se de minoria ativa que defende, a partir de perspectiva ecológica e científica, soluções na natureza que não se conectam com necessidades, percepções e discursos urbanos. Por conta da morte ecológica fluvial se associa a morte social acompanhada de propostas à biodiversidade para restaurar a vida ecológica de rios e ribeirinhos, além de lhes conferir significado social, pois, sem vida social, investimentos e projetos não interessam a nenhum segmento da população, maioria social, preocupada com incerteza causada pelo desemprego juvenil, insegurança no trabalho, dificuldade de acesso a habitação digna ou esvaziamento de espaços públicos,ruas, rios, prados, florestas e, em consequência, perda de conecções sociais. A morte social dos rios acarreta degradação e uma percepção de insegurança. A pesquisa social qualitativa demonstra que essa percepção não se limita à insegurança física, nem está associada apenas à criminalidade e à sujeira, mas sim, ou, também, a uma insegurança vital. A perda da vida social compartilhada é problema, se distorce o diagnóstico e a intervenção enquanto as pessoas exigem policiamento, limpeza ou segregação, quer dizer, viver separadamente, no entanto, o problema não se resolve sem fortalecer a vida nas ruas, ou, urbana, já que, o esvaziamento das margens fluviais levou à ruptura das redes de vizinhança, fim da confiança cultural na gestão de conflitos cotidianos entre membros e o desaparecimento dos "olhos na rua" de comerciantes e moradores. Por fim, a canalização acabou com a vida social dos rios, nada parece os trazer de volta e as “soluções na natureza” tornam-se técnicas de engenharia que não abordam questões sociais, daí, trabalhar ao longo das margens fluviais remediando o declínio social, apelando à sociabilidade dos espaços públicos, é fundamental,  reconhecer o papel dos pequenos negócios, associações de bairro e empreendedorismo local, enquanto a restauração ecológica pode servir como alavanca no enfrentar desafios sociais, considerando insegurança, perda de compartilhamento e vida social, declínio de pequenos negócios e empregos locais.

Entre nós, o Ministério da Saúde anuncia investimento R$ 9,8 bilhões para adaptar o SUS aos impactos da crise climática, com o conjunto de medidas parte do AdaptaSUS, plano apresentado na COP30, buscando preparar infraestrutura da rede pública aos impactos climáticos. O 14º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, Abrascão,  reforçou que a crise climática é desafio à saúde pública, citou que, globalmente, 1 em cada 12 hospitais necessita interromper atendimento decorrente o clima severo, além de apresentar o Guia Nacional de Unidades de Saúde Resilientes, documento que orienta construção ou adaptação de UBSs, UPAs e hospitais para resistirem enchentes, tempestades, ondas de calor e demais eventos extremos. O guia integrar o PAC Saúde  estabelece normas à estruturas reforçadas, sistemas autônomos de água e energia, inteligência predial e padrões de segurança, além do ministério criar grupo técnico para detalhar diretrizes de resiliência reunindo especialistas do próprio Ministério da Saúde, Fiocruz, Anvisa, Opas e Conselhos de Saúde. Por sua vez, chega a nota que o Novo Banco do BRICS aprovou financiamento de US$ 370 milhões, R$ 1,7 bilhão, à construção do ITMI-Brasil, Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, São Paulo,  hospital inteligente com IA, ambulâncias conectadas em 5G e telessaúde, projeto apresentado em julho de 2025 articulado na visita à China com 120 mil m² fazendo parte do complexo do Hospital das Clínicas da USP e início das obras previsto para 2026 e funcionamento para 2027, conterá UTIs, enfermarias, emergências, centros cirúrgicos e consultórios e focado na redução do tempo de atendimento de 17h para até 2h em investimento de R$ 110 milhões do governo federal e R$ 55 milhões do governo paulista.

Moral da Nota: a Dinamarca corta emissões de nitrogênio da pecuária e agricultura buscando recuperar ecossistemas marinhos, isto é, reduzir em 9.600 toneladas anuais emissões de nitrogênio oriundas da agricultura, buscando recuperar ecossistemas costeiros glaciais marinhos. As emissões se originam na pecuária intensiva com gado liberando nitrogênio através de excrementos que se transformam em nitratos e amônia, no entanto, a medida prevê quotas à agricultores a partir de 2027 ajustadas conforme  capacidade dos ambientes aquáticos, além de esforços de conversão de terras em áreas naturais. O acordo visa reduzir emissões agrícolas de nitrogênio buscando recuperar ecossistemas marinhos de fiordes, braços de mar em vales glaciais inundados, típicos da Escandinávia, com águas profundas e paredões, valendo a nota que, a Dinamarca se destacou em criar taxa de carbono sobre pecuária pretendendo cortar 9.600 toneladas de emissões anuais através de sistema de quotas. Quer dizer, gado libera nitrogênio pelas fezes e urina que se transformam em amônia e nitratos e, em excesso como fertilizantes ou acumulados em solos e pastagens são levados pela chuva à rios e mares, originando a eutrofização, excesso de nutrientes provocando desoxigenação da água e morte da fauna e flora marinhas. A superfície dinamarquesa, 61%, conforme o Instituto Estatístico Nacional, coloca o país ao lado de Bangladesh como território com maior uso agrícola com a Agência de Meio Ambiente estimando que 7.500 km², 17% da área nacional, sofrem com desoxigenação das águas, daí, necessidade de reduzir 14.800 toneladas anuais de nitrogênio para restaurar a qualidade da água.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Resíduos Plásticos

Embora úteis à sociedade moderna, a produção e geração de resíduos plásticos  aumentam com impactos ambientais cada vez piores, apesar de respostas políticas internacionais, nacionais e locais, bem como compromissos da indústria urgindo tornar o ciclo de vida do plástico mais circular por conta de expansão das políticas nacionais e cooperação internacional para mitigar impactos ambientais ao longo da cadeia de valor. Relatório quantifica produção, uso, descarte e impactos ambientais no ciclo de vida dos plásticos identificando oportunidades à reduzir externalidades negativas, além de investigar uso e descarte plástico afetados pela pandemia em  setores e regiões. O Panorama identifica 4 alavancas para reverter emissões de plásticos, ou, apoio aos mercados de plásticos reciclados, políticas à impulsionar inovação tecnológica em plásticos, medidas políticas nacionais à cooperação internacional. Em resumo, O Panorama Global dos Plásticos: Impulsionadores Econômicos, Impactos Ambientais e Opções Políticas, quantifica o ciclo de vida dos plásticos em nível global, inclui produção, consumo, resíduos, reciclagem, descarte, vazamentos e emissões de gases efeito estufa. Apresenta conclusões resumindo desafios buscando tornar mais circular o ciclo de vida dos plásticos considerando que a produção anual dobrou saltando de 234 milhões de toneladas, Mt, em 2000 à 460 Mt em 2019 e, em consequência, o lixo plástico passou de 156 Mt em 2000 à 353 Mt em 2019 e, considerando perdas na reciclagem, 9% do lixo foi reciclado enquanto 19% incinerado, 50% foi à aterros sanitários e 22% restantes foram descartados em lixões a céu aberto, queimados em fossas abertas ou vazaram ao ambiente. Por sua vez, a pandemia aumentou o lixo plástico descartável embora o uso no geral tenha diminuído, considerando que os lockdowns e a queda na atividade econômica em 2020 reduziram utilização em 2,2% em relação a 2019, no entanto, o aumento no uso de equipamentos de proteção individual e plásticos descartáveis ​​exacerbou descarte inadequado e, com a recuperação da economia, prevê-se que utilização de plásticos aumente levando a crescimento renovado do lixo plástico e pressões ambientais associadas. Enfim, o descarte inadequado de resíduos plásticos é a principal fonte de vazamento de macroplásticos e, somente em 2019, 22 milhões de toneladas de materiais plásticos vazaram ao ambiente, sendo que os macroplásticos representam 88% do vazamento de plástico devido coleta e descarte inadequados, enquanto microplásticos, polímeros com diâmetro inferior a 5 mm, representam os 12% restantes provenientes de fontes diversas como abrasão de pneus, desgaste de freios ou lavagem de tecidos. Daí, a presença documentada dessas partículas em ambientes de água doce e terrestres, bem como em fluxos de alimentos e bebidas, sugere que os microplásticos contribuem à exposição de ecossistemas e seres humanos ao plástico liberado e riscos associados.

Significativas quantidades de plástico se acumularam em ambientes aquáticos, com 109 milhões de toneladas em rios e 30 milhões de toneladas no oceano e, só em 2019, 6,1 milhões de toneladas de resíduos plásticos vazaram à rios, lagos e oceanos enquanto  o acúmulo de plásticos nos rios implica que o vazamento ao oceano continua por décadas, mesmo que o descarte inadequado de resíduos plásticos seja reduzido. A limpeza desses plásticos torna-se mais difícil e cara à medida que se fragmentam em partículas menores, enquanto a pegada de carbono do ciclo de vida dos plásticos mostra-se significativa considerando que os plásticos têm pegada considerável, contribuindo com 3,4% das emissões globais de gases efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida, já que, em 2019, geraram 1,8 bilhão de toneladas de emissões de gases efeito estufa, 90% provenientes da produção e conversão a partir de combustíveis fósseis. Embora a produção global de plásticos secundários oriundas da reciclagem tenha quadruplicado nas últimas 2 décadas, ainda representam apenas 6% da matéria-prima total sendo que plásticos secundários são considerados substitutos dos plásticos primários, em vez de recurso valioso por si só, o mercado de plásticos secundários permanece pequeno e vulnerável, com países fortalecendo seus mercados incentivando oferta de plásticos secundários, por exemplo, através de programas de responsabilidade estendida do produtor estimulando demanda via metas de conteúdo reciclado. A dissociação dos preços do PET,tereftalato de polietileno primário e secundário na Europa e o aumento da inovação em tecnologias de reciclagem são sinais positivos que a combinação de políticas funciona e impulsiona inovação à ciclo de vida circular dos plásticos trazendo benefícios ambientais e reduzindo quantidade de plásticos primários, além de, prolongar vida útil e facilitar reciclagem. O relatório avalia que a inovação na prevenção e reciclagem de resíduos representa 1,2% da inovação relacionada a plásticos, necessitando políticas ambiciosas incluindo combinação de investimentos em inovação e intervenções destinadas a aumentar demanda por soluções circulares, restringindo, ao mesmo tempo, consumo de plásticos em geral.

Moral da Nota: inventário dos principais instrumentos regulatórios e econômicos em 50 países da OCDE, emergentes e em desenvolvimento, elaborado para fins deste relatório, sugere que o cenário das políticas à plásticos é fragmentado e pode ser fortalecido, enquanto 13 países do inventário possuem instrumentos de política nacional que oferecem incentivos financeiros diretos à separação de resíduos plásticos na fonte. Globalmente, mais de 120 países têm proibições e impostos sobre itens plásticos de uso único mas a maioria se limita a sacolas plásticas ou itens de pequeno volume e somente 25 dos países do inventário implementaram instrumentos conhecidos que incentivam reciclagem, como impostos nacionais sobre aterros sanitários e incineração, o que significa que esses instrumentos são mais eficazes na redução do descarte inadequado de lixo que na contenção do consumo geral de plásticos. Por fim, roteiro político é proposto para que países reduzam o descarte inadequado de macroplásticos envolvendo fases progressivas mais ambiciosas, como fechar vias de descarte inadequado ao construir infraestrutura de gestão de resíduos sanitários, organizar coleta de lixo e reduzir descarte inadequado de plásticos ampliando políticas de combate ao descarte inadequado com proibições ou taxas à itens descartados de forma inadequada e aprimorando implementação da legislação. Além de incentivos à reciclagem aprimorando triagem através de medidas que incluem sistemas de Responsabilidade Estendida do Produtor, REP, impostos sobre aterros sanitários e incineração bem como sistemas de depósito-reembolso e pagamento por descarte, restringirá demanda e otimizará design para tornar cadeias de valor do plástico mais circulares e plásticos reciclados mais competitivos em preço. Impostos sobre plásticos e metas de conteúdo reciclado criam incentivos financeiros à reduzir uso e promover circularidade, impactando mais tipos de produtos e mais países além de fortalecer cooperação internacional para tornar cadeias de valor do plástico mais circulares alcançando vazamento líquido zero. O descarte inadequado de resíduos, problema em países em desenvolvimento, necessitam investimentos em infraestrutura básica de gestão de resíduos e, para financiar custos estimados de 25 bilhões de euros/ano nos países de baixo e médio rendimento necessitará mobilizar fontes de financiamento disponíveis incluindo ajuda ao desenvolvimento que cobre 2% das necessidades de financiamento, com relatório alertando que a utilização eficiente desses investimentos exige quadros jurídicos eficazes para garantir cumprimento das obrigações de alienação.

domingo, 29 de março de 2026

Perda de Memória

Novos critérios à síndrome de perda de memória em adultos mais velhos que afeta o sistema límbico do cérebro, podendo ser confundida com a doença de Alzheimer, ou,  Síndrome Neurodegenerativa Amnésica predominantemente limbica, ou, LANS, que progride mais lentamente, tem prognóstico melhor e está mais definida aos médicos que trabalham para encontrar respostas em pacientes com perda de memória. Pesquisadores da Clinica Mayo notaram critérios clínicos publicados no Brain Communications, cujas características da síndrome só podiam ser confirmadas examinando o tecido cerebral pós morte, sendo que os critérios propostos fornecem estrutura à neurologistas e especialistas classificarem a condição em pacientes que vivem com sintomas, oferecendo diagnóstico preciso e tratamentos potenciais considerando fatores como idade, gravidade do comprometimento da memória, exames cerebrais e biomarcadores que indicam depósitos de proteínas específicas no cérebro. Os critérios desenvolvidos e validados usam dados de mais de 200 participantes em bancos de dados do Centro de Pesquisa da Doença de Alzheimer da Clínica Mayo, do Estudo do Envelhecimento da Clínica Mayo e da Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer e, entender a condição, leva a gerenciamento dos sintomas e terapias mais personalizadas à pacientes que sofrem desse tipo de declínio cognitivo, diferente da doença de Alzheimer, conforme o autor sênior do estudo. Os critérios clínicos estabelecidos pelos profissionais que poderão em breve diagnosticar a LANS em pacientes que vivem com perda de memória e possam entender opções de tratamento, a possível progressão da doença, abrindo portas à pesquisas que esclareçam melhor as características da doença.

Estudo da Universidade de Toronto publicado on-line no Archives of Gerontology and Geriatrics Plus, mostra que americanos mais velhos veem aumento notável na vida sem deficiência entre 2008 a 2017, com melhora considerável encontrada na prevalência de adultos com 65 anos ou mais sem deficiências, incluindo deficiências de memória, audição, visão e funcionalidade ou limitações nas atividades da vida diária. No total, 61% dos americanos mais velhos relataram estar livres de deficiência em 2008 com a prevalência aumentando para 65% em 2017, embora possa parecer pequeno aumento, se a prevalência de indivíduos sem deficiências tivesse permanecido nos níveis de 2008, mais 2,07 milhões de americanos mais velhos teriam pelo menos uma deficiência grave em 2017. O estudo analisou dados de 10 ondas consecutivas da Pesquisa de Comunidade Americana transversal nacionalmente representativa, 2008-2017, aproximadamente meio milhão de entrevistados com 65 anos ou mais fornecendo informações a cada ano, resultando em amostra final de 5,4 milhões de americanos mais velhos, solicitando aos entrevistados relatar se tinham "dificuldades sérias" com 5 tipos comuns de deficiências, com os indivíduos definidos como livres de deficiência se relatassem que não tinham problemas sérios de memória, problemas de audição, problemas de visão, limitações nas atividades da vida diária, como tomar banho ou se vestir, ou, limitações funcionais, como andar ou subir escadas. Em 2008, mulheres tinham menos probabilidade de estar livres de incapacidade que os homens, 59,4% versus 62,7%, respectivamente, com as mulheres apresentando taxa mais acentuada de melhora ao longo da década que os homens, em 2017, a disparidade de gênero foi eliminada, com a prevalência de pessoas sem deficiência quase a mesma para mulheres e homens, 64,7% versus 65,0%, respectivamente. Embora observada melhora na prevalência de adultos mais velhos vivendo sem deficiências entre 2008 e 2017, os autores discutem a possibilidade que a taxa de melhora possa diminuir nas próximas décadas com a maior parte da melhora vista entre aqueles com 75 anos ou mais, quer dizer, houve pouca melhora ao longo do estudo da década com idades entre 65-74, representativo da geração baby boom, embora o estudo não revele por que houve menos melhora entre os Baby Boomers os autores sugerem que pode estar relacionado a maiores taxas de obesidade em comparação com as gerações mais velhas.

Moral da Nota: estudo estimou que o número de adultos diagnosticados com demência a cada ano nos EUA deve dobrar nos próximos 40 anos, de 514 mil em 2020 à 1 milhão em 2060, com pesquisadores estimando que após os 55 anos o risco de demência ao longo da vida é de 42% que pode chegar a 60% à demografias específicas. O relatório mostra que adultos negros têm risco aumentado de demência, 44%, comparados com indivíduos brancos, 41%, além disso, mulheres tinham risco maior de desenvolver demência que os homens, 48% em comparação com 35%, adultos com contagens específicas do alelo APOE ε4 particularmente vulneráveis ​​à demência e os que tinham 2 cópias tinham risco vitalício de 59% enquanto aqueles sem nenhuma tinham risco de 39%. Essas estimativas vêm de estudo de coorte prospectivo, populacional, publicado na Nature Medicine que incluiu mais de 3 décadas de registros de saúde de 15 mil pacientes aplicados às projeções do Censo dos EUA e, à luz das descobertas, investigadores salientam  importância de “políticas que melhorem prevenção e envelhecimento saudável” para reduzir “o fardo substancial e crescente da demência”.

terça-feira, 24 de março de 2026

Preservação Ambiental

Blockchain e preservação ambiental impulsionam iniciativas sustentáveis ​​através da tecnologia, de livros transparentes à negociação de créditos de carbono, transforma o modo como protegemos o planeta, com poluição, mudanças climáticas, desmatamento e perda de biodiversidade como desafios mais prementes que enfrentamos. Blockchain é tecnologia que permite criação de redes descentralizadas, transparentes e seguras, onde as transações e trocas de valores podem ser registrados e verificados, com potencial de transformar setores e atividades relacionadas ao ambiente, desde monitoramento e rastreabilidade de cadeias de suprimentos a criação de instrumentos financeiros inovadores, negociação peer-to-peer de títulos tokenizados, habilitação de sistemas descentralizados de energia e gerenciamento de recursos comuns, bem como rastreabilidade da pegada de carbono de indivíduos e empresas.

Uma das aplicações blockchain ao ambiente é o monitoramento e rastreabilidade da cadeia de suprimentos que permite criação de registros digitais imutáveis ​​e verificáveis ​​dos produtos e matérias-primas que circulam, da origem ao destino final, facilitando controle e auditoria das condições ambientais e sociais que as mercadorias são produzidas e transportadas, bem como cumprimento de padrões de sustentabilidade, qualidade, segurança, além disso, melhora eficiência reduzindo desperdícios na cadeia de suprimento. O IBM Food Trust é rede blockchain que conecta participantes da cadeia alimentar, agricultores e varejistas, melhorarando segurança e qualidade dos alimentos, reduzindo fraudes e desperdícios e, possibilitando em tempo real, compartilhamento de dados e informações sobre origem, estado e movimentação de alimentos. Plastic Bank é iniciativa que usa blockchain à incentivar coleta e reciclagem de plásticos em áreas vulneráveis ​​via colecionadores remunerados com tokens digitais em troca do plástico que coletam, trocados por bens ou serviços, cujo plástico recolhido, é transformado em material reciclado e vendido às empresas. Aplicação relevante blockchain ao ambiente é a criação de instrumentos financeiros que facilitam acesso ao capital e investimento em projetos verdes, permitindo emissão e gestão de ativos digitais que representam valores ou direitos sobre bens ou serviços ambientais, como créditos ou títulos de carbono, certificados verdes ou direitos sobre a água. O fato de ativos digitais serem negociados em plataformas descentralizadas, sem intermediários ou atritos, reduz custos, aumenta liquidez e transparência do mercado, além disso, permite criação de contratos inteligentes que automatizam o cumprimento das condições e pagamentos associados aos instrumentos financeiros. Neste conceito insere a Poseidon, plataforma que usa blockchain à conectar consumidores em projetos de conservação florestal, permitindo que consumidores compensem pegada de carbono das compras adquirindo créditos de carbono usados ​​para financiar projetos de proteção e restauração florestal em diferentes partes do mundo. A ClimateTrade é plataforma que utiliza blockchain para facilitar compra e venda de créditos de carbono entre empresas e organizações, permitindo que empresas compensem emissões de gases efeito estufa investindo em projetos de mitigação das mudanças climáticas, sendo que a plataforma garante rastreabilidade, segurança e transparência das transações. Outra aplicação relacionada é a negociação ponto a ponto de valores mobiliários tokenizados, ou, ativos digitais que representam direitos ou participações em bens ou serviços reais, sendo que blockchain permite criação e transferência de tokens sem intermediários ou barreiras geográficas, abrindo possibilidades de troca de valor entre pessoas e organizações. Em consequência, impacta de modo positivo no ambiente, permite acesso a recursos compartilhados, fomenta economia circular, democratiza propriedade e financia projetos sustentáveis, além disso, facilita medição e relatório do impacto ambiental e social desses tokens. Dentre os projetos que usam blockchain para negociação ponto a ponto de títulos tokenizados emerge a WePower, plataforma que utiliza blockchain para conectar produtores e consumidores de energia renovável permitindo que produtores emitam tokens representando unidades de energia produzida ou futura e vendam diretamente aos consumidores ou investidores com os tokens podendo ser usados ​​para consumir energia ou acessar o mercado atacadista de eletricidade. A Everledger é plataforma que usa blockchain para rastrear o ciclo de vida de produtos de luxo, como diamantes, vinhos ou arte, permitindo criação de registo digital único e inalterável à cada produto incluindo informação sobre característica, origem, história e propriedade, melhorando confiança, segurança e transparência no mercado. A BanQu é plataforma que usa blockchain para criar identidades econômicas digitais à pessoas e organizações sem acesso ao sistema financeiro tradicional, permitindo que usuários registrem e verifiquem transações e interações com outras partes como fornecedores, clientes ou parceiros, facilitando acesso a serviços financeiros, oportunidades de negócios e programas sociais.

Moral da Nota: o desenvolvimento de soluções de comercialização de energia renovável ganha força no setor, com alguns exemplos como a Power Ledger, plataforma que usa blockchain para permitir negociação peer-to-peer de energia renovável entre usuários, compra e venda do excedente ou déficit de energia à outros usuários próximos ou distantes, dependendo das preferências e necessidades, oferece soluções ao financiamento de projetos de energia renovável, gestão de ativos energéticos e verificação de emissões evitadas. A LO3 Energy, empresa que usa blockchain à criar redes locais conectando produtores e consumidores de energia renovável, com Brooklyn Microgrid como projeto mais conhecido, rede comunitária que permite vizinhos trocarem energia solar entre si, além de fornecer desenvolvimento de redes inteligentes e serviços de consultoria aos clientes. A Grid Singularity é empresa blockchain de plataforma aberta e descentralizada no mercado global de energia visando facilitar acesso e participação de atores do setor de energia, de geradores e distribuidores a consumidores e prestadores de serviços permitindo troca de dados, gerenciamento de demanda e otimização de recursos energéticos. A gestão de recursos comuns, ou, bens e serviços compartilhados por comunidade que possuem valor social ou ambiental, podem ser naturais como a água, ar ou biodiversidade, ou, artificiais, como o conhecimento, cultura ou o espaço público e, a blockchain, auxilia melhorar a gestão desses recursos comuns, permitindo criação e manutenção de sistemas colaborativos que regulam uso e conservação, facilitam identificação, registro e monitoramento desses recursos, bem como definição e cumprimento de regras e incentivos ao uso sustentável. Um exemplo de iniciativa blockchain é a organização autônoma descentralizada, DAO, que  gerencia sistema integrado de contabilidade e compensação ambiental, o DAO IPCI, que facilita cooperação entre diferentes atores à mitigação e adaptação de alterações climáticas, permitindo registro, verificação e comercialização de diferentes tipos de ativos ambientais como créditos ou obrigações de carbono, certificados verdes ou direitos de água. A habilitação de sistemas descentralizados de energia, onde usuários geram, armazenam, consomem e compartilham energia renovável sem intermediários, através da blockchain, permite criação de redes inteligentes que gerenciam fluxo e distribuição de energia entre usuários, conforme oferta e demanda, com benefícios ambientais, sociais e econômicos ao reduzir emissões de gases efeito estufa, aumentando resiliência e segurança energética, reduzindo custos e perdas de transporte e distribuição, além de capacitar comunidades facilitando integração e interoperabilidade de fontes e dispositivos de energia.

sexta-feira, 20 de março de 2026

Luxo e Desmatamento

Na Argentina o mercado de luxo europeu financia desmatamento do "ouro vermelho", sendo que, a indústria têxtil de luxo européia utiliza taninos da árvore quebracho para curtir couro impulsionando desmatamento no Gran Chaco argentino, pulmão verde da América do Sul e, entre 2010 e 2023, 183 mil hectares foram perdidos/ano parte da extração ilegal. Unitan e Indunor são empresas que processam taninos que chegam às marcas internacionais como Timberland, H&M e Dr. Martens, enquanto trabalhadores locais recebem salários irrisórios e pobreza atingindo 80% na região, apesar de leis de proteção florestal, licenças especiais e falta de fiscalização que permitem extração ilegal de madeira, deixando florestas nativas destruídas e causando danos ambientais. A extração responde por parte do desmatamento argentino em que caminhões com toras de quebracho prontas às serrarias no Chaco argentino, sendo que o "ouro vermelho", ou, taninos nas toras de quebracho, que alimenta indústria têxtil de luxo na Europa causando desmatamento e devastação da área do Chaco argentino. Reportagem investigativa publicada na Revista Anfibia esclarece que o extrato vegetal é usado para curtir couro conferindo firmeza, corpo e aroma, através de processo artesanal antes de vender à fabricantes de artigos de couro ou marcas de moda de luxo, sendo que da floresta do Chaco passa pelo porto de Buenos Aires e os taninos são exportados à 50 países, deixando rastro de desmatamento, trabalhadores mal remunerados e atividades ilegais que autoridades não combatem. O Chaco argentino faz parte do Chaco americano, pulmão da América do Sul depois da Amazônia, com mais de 1 milhão km² entre Argentina, Paraguai, Bolívia e Brasil, abrigando florestas secas do planeta e uma das mais ameaçadas, estimando-se nas 2 últimas décadas, mais de 13 milhões de hectares desmatados, equivalente à soma da Espanha e França, habitat de crescimento do quebracho-colorado, espécie nativa que leva de 20 a 50 anos para atingir maturidade e, além da madeira, produz tanino, muito procurado. Por fim, marcas como Timberland, CAT, Dr. Martens, Wolverine e H&M clientes da Golden Chang Shoes, empresa sediada em Bangladesh que, em 2024, comprou produtos com tanino de quebracho da empresa americana Tannin Corporation que o adquiriu da Unitan, para concluir, processo judicial conhecido como "A Máfia do Desmatamento" movido pela Associação Argentina de Advogados Ambientalistas, revelou que das 200 mil toneladas de madeira de quebracho consumidas anualmente por curtumes 80 mil toneladas provêm de áreas desmatadas ilegalmente.

Lá como cá, a Eritréia desenvolve sistema solar híbrido que garante fornecimento de oxigênio hospitalar através da empresa Aptech Africa e, em comunicado, avisa que desenvolveu sistema fotovoltaico híbrido para alimentar unidade de produção de oxigênio do Hospital de Mendefera, Eritreia. O projeto inclui painéis solares à nível do solo, inversores híbridos e capacidade total de 251,97 kWp, complementada por 460,8 kWh de armazenamento em baterias e integração a rede elétrica nacional e, conforme a Aptech Africa, o sistema garante funcionamento contínuo e estável da produção de oxigênio, essencial à cuidados urgentes, procedimentos cirúrgicos, apoio materno e tratamento de doenças respiratórias. A empresa nos esclarece que “o sistema híbrido assegura que a geração de oxigênio permaneça estável e operacional, sem interrupçōes”, sendo que o projeto é apontado como passo para reforçar resiliência energética das infraestruturas de saúde no país. Autoridades da ONU informam que a Somália enfrenta emergência devido seca que se agrava, com áreas ressecadas pós 4 temporadas de chuvas fracassadas deixando milhões em risco de fome e deslocamento e, em 10 de novembro, o Governo Federal Somali declarou estado de emergência devido a seca e apelou por assistência internacional, à medida que condições se deterioram nas regiões norte, central e sul, conforme o OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Ajuda Humanitária. Em Dhaxan, chuvas da estação de abril a junho trouxeram esperança passageira no início de 2025, sendo que os moradores dependem de água transportada por caminhões depois que o poço artesiano local foi contaminado, em consequência, 150 famílias se mudaram em  23 de novembro, o Plano de Resposta Humanitária Somali à 2025 estava financiado em 23,7%, forçando reduções na assistência em que o número de pessoas recebendo ajuda alimentar emergencial caiu de 1,1 milhão em agosto à 350 mil. A seca se alastra em cenário desolador prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar aguda fins de 2025, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos devem sofrer desnutrição aguda até meados de 2026, sendo que as previsões meteorológicas indicam pouco alívio, com a FAO, Organização da ONU à Alimentação e Agricultura, alertando que condições secas e quentes devem persistir em parte do país particularmente regiões central e norte.

Moral da Nota: a CEPAL relata que a América Latina atingiu menor nível histórico de pobreza com 162 milhões de pessoas, 25,5%, vivendo abaixo da linha da pobreza, graças a avanços no México e Brasil em que pobreza multidimensional que mede privação em moradia, saúde, educação e serviços, diminuiu de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024. A desigualdade permanece alta com os 10% mais ricos concentrando 34,2% da renda, os 10% mais pobres recebendo 1,7%, com a CEPAL alertando que a disparidade limita mobilidade social e desenvolvimento recomendando políticas educacionais, trabalhistas e de inclusão social visando redução. Revelou que a região apresenta menores níveis de pobreza contrastando com altos e persistentes níveis de desigualdade que impedem desenvolvimento social e econômico dos países, daí, conclui o relatório anual "Panorama Social da América Latina e Caribe", apresentado pela organização, que se concentrou em alternativas à escapar da "armadilha" da alta desigualdade, baixa mobilidade social e fraca coesão social, fatores reforçados pela falta de políticas redistributivas. Buscando escapar dessa armadilha, recomenda "reduzir desigualdade educacional, criar empregos de qualidade, promover igualdade de gênero e sociedade do cuidado, combater discriminação contra pessoas com deficiência, povos indígenas e migrantes e fortalecendo instituições sociais e seu financiamento". O relatório examina múltiplas dimensões em que desigualdade se manifesta na região, incluindo renda e, segundo os dados, em fins de 2024, 162 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza representando redução de 2,2% comparados com 2023 e de 7% desde 2020, 1º ano da pandemia que impactou negativamente indicadores sociais e econômicos tratando-se da menor taxa de pobreza na região desde o início dos estudos. Por fim, o relatório é positivo em relação à pobreza multidimensional que mede privações em áreas como habitação, serviços, educação e saúde, tendo caído de 34,4% em 2014 à 20,9% em 2024, no entanto, a pobreza extrema que afeta 62 milhões de pessoas, 9,8% da população, representou queda de 0,8% em relação a 2023 permanece 2,1% acima da mínima histórica registrada em 2014 e, contrastando com avanços na redução da pobreza, a América Latina continua sendo a região mais desigual do mundo com os 10% mais ricos da população recebendo 34,2% da renda total enquanto os 10% mais pobres recebem 1,7%. 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Arsênico

Risco de morte por cancer,doenças cardiovasculares e doenças crônicas diminuem 50% com redução da concentração de arsênico na água, segundo estudo realizado em Bangladesh ao longo de 20 anos, sendo a contaminação da água com arsênico natural estudada através de registros de saúde de 10.977 homens e mulheres monitorados entre 2002 e 2022 à comparar exposição. A pesquisa foi realizada pela Universidade de Nova York, Columbia e Chicago informando que registrou 1.401 mortes por doenças crônicas, 730 por cardiopatias e 256 por câncer, ao acompanhar 10.977 pessoas entre 2002 e 2022 via exames de urina, cujos partícipes foram submetidos em 6 ocasiões aos exames permitindo cientistas acompanharem mudanças na exposição ao arsênico ao longo do tempo. Fen Wu, da Universidade de Nova York, informa que a redução nos níveis de arsênico está relacionada a maior redução no risco de mortalidade enquanto os que continuaram beber água com níveis elevados não mostraram redução de risco, tais padrões persistiram pós ajuste à diferenças de idade, tabagismo e nível socioeconômico, sendo que a pesquisa fornece "evidência mais forte até o momento que a redução do arsênico na água potável pode diminuir taxas de mortalidade por doenças crônicas". Trata-se do 1º estudo oferecer evidências diretas, examinando níveis de arsênico e mortalidade de cada participante ao longo de 2 décadas em região com exposição moderada ao arsênico, ou, menos de 200 microgramas/litro, com cientistas  monitorando mais de 10 mil poços dentro e ao redor do distrito de Araihazar, Bangladesh, onde iniciaram medidas para mitigar efeitos do arsênio em 2000. Pesquisas anteriores em Taiwan e Chile com altos níveis de arsênio, acima de 600 microgramas/litro, associaram redução nas taxas de mortalidade por doenças cardíacas e câncer à queda dos níveis de arsênico na água potável e, Bangladesh, como um todo, enfrenta um dos desafios mais graves do mundo em relação à contaminação por arsênio, com população de 175 milhões de pessoas em que mais de 50 milhões são expostas a níveis acima do padrão da OMS de 10 microgramas por litro.

A Europa passa por transformação no setor ferroviário marcada pela modernização da infraestrutura de sinalização e harmonização dos sistemas de gestão de tráfego, evolução que não constitui apenas mudança tecnológica mas movimento estratégico em direção a rede ferroviária no continente unificada e interoperável. A UE e a ERA, Agência da UE as ferrovias e os Estados-Membros são obrigados alinhar o sistema ferroviário nacional a norma comum no Sistema Europeu de Gestão do Tráfego Ferroviário, ERTMS, enquadramento que representa passo à frente na eliminação das barreiras técnicas e operacionais que, historicamente, fragmentaram o panorama ferroviário europeu. Cada país desenvolveu e implementou seu sistema de Proteção Automática de ferrovias, ATP, conhecidos como sistemas de Classe B concebido para responder exigências operacionais, técnicas e de segurança locais, sendo que estes sistemas criaram grupos de regras de sinalização e protocolos de comunicação que tornaram operações ferroviárias transfronteiriças difíceis, ineficientes e, por vezes, impossíveis, sem adaptações dispendiosas, sendo que a falta de interoperabilidade dificultou desenvolvimento de corredores ferroviários internacionais e limitou competitividade do setor em relação aos demais transportes. No contexto do Pacto Ecológico Europeu e impulso em prol de transporte sustentável, a ferrovia voltou emergir como pilar central da estratégia europeia de descarbonização e mobilidade, daí, o transporte ferroviário oferece vantagens ambientais e sociais claras,  consomindo menos energia, reduzindo emissões de gases estufa proporcionando mobilidade segura e fiável à passageiros e mercadorias. A promessa de Europa verde e interconectada não pode ser concretizada sem comunicação facilitada entre fronteiras, sendo que a aposta no ERTMS torna-se mais prioritária com o Sistema Europeu de Gerenciamento de Tráfego Ferroviário, ERTMS, se compondo como Sistema Europeu de Controle de Trem, ETCS, e Sistema Global de Comunicações Móveis Ferroviário, GSM-R. O ETCS normaliza o modo como trens e equipamentos se comunicam garantindo que diferentes países possam operar com segurança linha equipada com ETCS, enquanto o GSM-R, fornece plataforma unificada de comunicações entre trens e centros de controle e sua atualização está em andamento ao FRMCS, Future Railway Mobile Communication System, ambos substituindo diversidade de sistemas nacionais por norma única e interoperável que assegura segurança e eficiência, com o detalhe que, a implementação dessa padronização na Europa é processo de longo prazo. Por fim, a implementação dos sistemas STM representam marco na jornada da Europa rumo à interoperabilidade ferroviária, embora o objetivo continue ser implementação completa do sistema mais moderno, o ERTMS, enquanto o STM fornece flexibilidade e  continuidade operacional necessárias para atingir o foco sem comprometer segurança ou eficiência, na busca por incorporar espírito de integração europeia à ferrovia, conectando nações, promovendo sustentabilidade e abrindo caminho à sistema ferroviário interoperável.

Moral da Nota: em Tiaret, cidade da Argélia central com menos de 200 mil habitantes, a 250 km sudoeste de Argel, manifestantes atearam fogo em pneus e montaram barricadas improvisadas bloqueando estradas para protestar contra o racionamento de água, após meses de escassez deixarem torneiras secas e forçarem moradores fazer fila à conseguir água para suas casas. Em Reunião do conselho de ministros o presidente solicitou ao gabinete implementação de “medidas de emergência” em Tiaret, com ministros enviados para “pedir desculpas à população” e prometer que acesso à água potável seria restabelecido, no entanto, distúrbios ocorrem em momento que o presidente deve concorrer a 2º mandato de nação rica em petróleo, maior da África em área. O norte da África se posiciona como uma das regiões mais afetadas pelas mudanças climáticas, com seca que dura vários anos drenando reservatórios cruciais e, com a redução de chuva, que os reabastecia, sendo que a região, localizada em planalto desértico semiárido está cada vez mais afetada pelo calor extremo, recebendo água de 3 reservatórios represados ​​que diminuem à medida que as temperaturas aumentam e a precipitação torna-se escassa. Os reservatórios tornaram-se menos funcionais devido a "falta de volume" estando reduzidos a 20% da capacidade, enquanto aquíferos subterrâneos não conseguem recarregar devido a falta de chuvas, sendo que a solução a longo prazo seria canalizar água de grandes barragens ao norte e ao sul de Tiaret e recorrer a fontes alternativas de abastecimento incluindo usinas de dessalinização nas quais o país investiu forte, sendo que as autoridades tentam importar água de fontes próximas. A empresa pública responsável pela infraestrutura hídrica da região espera concluir a construção de ductos para levar água subterrânea à Tiaret, proveniente de poços a 32 km de distância, com o detalhe que, a crise da água na Argélia é observada pelas redes sociais recebendo pouca cobertura da imprensa argelina, já que, os jornais e emissoras de televisão dependem da receita publicitária do Estado.  

sábado, 7 de março de 2026

Abaporu

Referindo-se à obra modernista de Tarsila do Amaral, reinterpretado como o “devorador de dados”, a Unicamp inaugura supercomputador IA para pesquisas de petróleo no pré-sal financiado pela Shell, reunindo 28 placas gráficas NVIDIA H200 e L40s, as mais rápidas do mercado para aplicações IA, investimento inicial em torno de US$ 1 milhão, usado para acelerar pesquisas voltadas ao pré-sal brasileiro. O anúncio da Universidade do cluster do laboratório IA do Instituto de Computação,IC, da inauguração do supercomputador à projetos de pesquisa combina IA e engenharia de petróleo otimizando decisões em campos do pré-sal adquirido com recursos da Shell advindos da cláusula de PD&I da ANP, no Centro de Estudos de Energia e Petróleo. Instalado no data center do Instituto de Computação atenderá projetos desenvolvidos em parceria com a Shell, podendo também ser utilizado em pesquisas do Recod.ai e Instituto de Computação quando disponível, com o coordenador do Recod.ai e líder do projeto, professor Anderson Rocha avaliando que “o Abaporu deve ser hoje o maior cluster IA da Unicamp e um dos mais robustos dedicados à pesquisa universitária no país”. O diretor-geral de Tecnologia da Shell, Olivier Wambersie, avalia como objetivos da área P&D da Shell acelerar utilização de tecnologia de ponta em projetos que ampliam capacidade de impulsionar digitalização, aplicar IA a desafios da indústria de energia integrando ciência, dados e inovação com impacto nos negócios. O Recod.ai e a Shell Brasil mantêm colaboração voltada ao uso IA e aprendizado de máquina em desafios da indústria de energia e, na fase atual, avança em pesquisa que se estenderá até 2028 dedicado ao desenvolvimento de modelos de linguagem generativa aplicados à simulação e gerenciamento de reservatórios de petróleo. Os modelos, segundo a universidade, permitem engenheiros e geocientistas interagirem com simulação via linguagem natural transformando comandos técnicos em instruções conversacionais buscando  criar interface em que operador conversa com o reservatório e, simuladores de petróleo e, segundo o coordenador, “à realizar simulação de produção necessita dominar parâmetros e escrever scripts extensos”, com IA generativa, a interação torna-se mais intuitiva e rápida trata-se de conceito de inteligência aumentada que diminui fricção entre operador  e problema que se quer solucionar. Na prática, significa que o profissional solicitará algo como “simule os próximos 12 anos de produção do campo X considerando os poços Y e Z e variação de injeção de água” e o sistema traduzirá esse pedido aos formatos técnicos necessários acionando simuladores clássicos de reservatórios, em caso de falta de dados, a IA questionará o usuário “qual regime deve ser adotado?” por exemplo, tornando o processo interativo, dinâmico e guiado por diálogo. Por fim, a Unicamp destaca que, além da interface conversacional, algoritmos têm potencial para integrar e analisar dados sísmicos, geológicos e de produção em larga escala, identificando padrões complexos e anomalias que escapam à observação humana, cujo objetivo é apoiar tomada de decisão em tempo quase real, na otimização de estratégias de injeção e extração e previsão de desempenho de poços, aplicação direta ao contexto dos campos do pré-sal brasileiro.

A Teoria do Caos, ciência descoberta pelo meteorologista norte-americano Edward Lorenz em 1961, quando trabalhava em modelo matemático que pudesse fazer previsão do tempo e, durante os cálculos, notou que arredondar casas decimais, aparentemente insignificantes, ao longo do tempo, ocasionariam alterações gigantes no cálculo final. Em consequência, traduzindo à vida real, acontecimentos inexplicáveis no cotidiano e a inspiração à criação do Mundo Invertido de coisas estranhas podem ser influenciados pela teoria do caos, aplicado à vida real como decisão sutil, ou, pensamento recorrente, ou, detalhe ignorado, poderia desencadear transformações na vida, negócios e modo como percebemos a realidade. Em torno destas ideias teóricas giram a Teoria do Caos, conhecida quando Lorenz em uma apresentação resumiu seus impactos com a frase que “com a teoria do caos, um bater de asas no Brasil poderia ocasionar um tornado no Texas”, daí, o caos tornou-se fonte à roteiristas incitarem questões ou o que seria desencadeado por atitude isolada. Na tese do chamado Mundo Invertido, ou, realidade paralela, sombria e caótica urbana,   aberta de modo acidental, pairam atitudes que desencadeiam situações caóticas impactando o mundo real, como no 'Efeito Borboleta' protagonizado por Ashton Kutcher, o estudante universitário que enfrenta dores de cabeça que provocam desmaios e, inconsciente, pode viajar no tempo à momentos de dificuldades na infância, seus e dos amigos e, ao retornar à realidade, mudanças que fez no passado começam alterar o presente criando pesadelo de realidades alternativas. Daí, considerado sucesso de ficção-científica, a Teoria do Caos aparece na criação da realidade paralela ao explorar padrões que regem o aparente caos, como a questão em que abre possibilidade à tramas na vida real que podem significar oportunidades, tese, que abre perspectivas à interpretar fenômenos naturais como furacões, ecossistemas, padrões climáticos e prever decisões em grupo, flutuações econômicas ou surgimento de ideias em empresas, quer dizer, o que eram situações isoladas fora de controle e geravam instabilidade, com o estudo do tema vira previsibilidade e possibilidade de antecipar passos na vida pessoal e profissional, concluindo, o caos ao invés da busca pelo controle nos leva à consciência que a instabilidade é espaço à criação e inovação.

Moral da Nota: são comuns entre médicos e, aumentaram nos 2 primeiros anos da pandemia, consultas sobre saúde mental e uso de substâncias, SMSU, conforme carta de pesquisa publicada online nos Anais de Medicina Interna, com Maya A. Gibb, MPH, do Instituto de Pesquisa do Hospital de Ottawa, Ontário, Canadá, e colegas, examinando padrões temporais de consultas médicas relacionadas a saúde mental e uso de substâncias, SMUS, entre 29.662 médicos, calculou proporção anual padronizada por idade e sexo de médicos com uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS entre 1º de julho de 2003 e 30 de junho de 2022. observam que 11% dos médicos tiveram uma ou mais consultas ambulatoriais relacionadas a SMUS, proporção padronizada de médicos com consultas relacionadas a SMUS/ano estável no período pré-pandemia, 12,5% em 2003-2004 à 12,1% em 2018-2019, na pandemia houve aumento na proporção padronizada de médicos que receberam atendimento em saúde mental e uso de substâncias, MHSU, com aumentos observados nos 2 primeiros anos comparados com o 3º ano. Em suma, o atendimento em saúde mental e uso de substâncias variava por especialidade antes da pandemia, com 28,0%, 14,2% e 9,7% dos psiquiatras, médicos de família e médicos das outras especialidades, respectivamente, recebendo atendimento em saúde mental e uso de substâncias entre 2018 e 2019, sendo que o atendimento em saúde mental aumentou entre médicos das especialidades na pandemia, exceto à psiquiatria, que permaneceu estável, com autores escrevendo que, "preocupações atuais com crise na saúde mental de médicos podem não refletir nova crise, destacando padrão longa data de problemas de saúde mental entre médicos exacerbado na pandemia".

Detalhe: o Departamento de Saúde do Estado de Washington detectou o vírus da influenza aviária identificando exposição às aves domésticas, ao seu entorno ou às aves silvestres como fonte mais provável de infecção, com o Laboratório de Virologia Clínica da UW Medicine identificando o vírus como H5N5 e confirmado pelos CDC, Centros de Controle e Prevenção de Doenças. O paciente, idoso com problemas de saúde preexistentes, estava internado no Condado de King desde o início de novembro, pós desenvolver febre alta, confusão e dificuldades respiratórias e, mantenedor nos fundos da residência, de aves domésticas mistas expostas a aves silvestres, tratando-se da 1ª infecção humana registrada no mundo com essa variante e a 2ª morte por gripe aviária nos EUA desde o início do atual surto. O CDC informa que o risco ao público em geral permanece baixo e  nenhuma outra pessoa envolvida testou positivo à gripe aviária, com "autoridades de saúde monitorando pessoas em contato com o paciente em busca de sintomas garantindo que não houve transmissão pessoa à pessoa", acrescentando que não há evidências de transmissão do vírus entre humanos.


sábado, 28 de fevereiro de 2026

Emergência em Saúde

O conceito de poluição do ar como emergência de saúde pública busca envolver países mais ou menos afetados pela questão, como a Índia, que se mobiliza para lidar com crises de saúde, de ondas de calor resultando em alertas do governo e centros de resfriamento urbano de emergência a doenças como dengue transmitidas por vetores, desencadeando campanhas públicas, vigilância em campo e maior preparação hospitalar. No seminário no AIIMS sobre o combate à poluição do ar, o chefe de pneumologia e distúrbios do sono do AIIMS afirma que “não se trata apenas de problemas respiratórios, outros órgãos são afetados e estamos vendo mais casos com risco de vida, consultas ambulatoriais e internações de emergência e pacientes necessitando de suporte ventilatório que deveria ser tratado como emergência de saúde pública”, valendo observar que o impacto da poluição na saúde pública, na sociedade e economia, não é tratada como emergência médica e a resposta permanece limitada a soluções paliativas e reativas. Relatório do Estudo da Carga Global de Doenças e relatórios da OMS, Organização Mundial da Saúde, mostram que a Índia tem maior incidência no mundo de problemas de saúde relacionados à poluição e, milhões morrem prematuramente a cada ano devido poluição do ar, por doenças do sistema respiratório e cardiovascular, como asma, DPOC, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ataques cardíacos e derrames, enquanto  jovens, respirar ar poluído prejudica desenvolvimento pulmonar, afetando capacidade cognitiva, desencadeia diabetes e aumenta ao longo da vida risco de problemas de saúde física e mental. Mulheres grávidas correm risco de aborto espontâneo, parto prematuro e baixo peso ao nascer quando expostas a altos níveis de poluição, problemas de saúde com implicações duradouras pois levam a ciclo de pobreza e questões sociais com aumento dos custos médicos e perda de renda dos familiares. Relatório publicado na The Lancet constata que a poluição do ar oriunda apenas das emissões de combustíveis fósseis causou 1,72 milhão de mortes na Índia em 2022 e, apesar das evidências, o país continua lidar com poluição do ar de modo reativo, problema por problema, em vez de ações proativas e sustentadas. A poluição do ar ainda é tratada como problema ambiental ou de planejamento urbano e não como emergência de saúde pública normalizando crise recorrente, já que, a cada inverno respondem à poluição com soluções paliativas como canhões de fumaça, recomendações à ficar em casa e distribuição de máscaras, medidas que pouco fazem além de oferecer alívio momentâneo, enquanto o aumento de casos de doenças respiratórias é descartado como "sazonal" em vez de claro alerta à crise de saúde pública cada vez mais grave.

Anjal Prakash, Professor Associado Clínico no Instituto Bharti de Políticas Públicas da Indian School of Business contribuindo aos relatórios do IPCC, avalia que 2025 foi o ano mais quente em 125 anos com alertas de onda de calor emitidos em partes do território indiano, sendo que na última década, governos de cidades e estados implementaram Planos de Ação contra o calor à lidar com a ameaça, com o 1º em 2013, com o relatório publicado pela Sustainable Futures Collaborative, SFC, organização de pesquisa focada em mudanças climáticas, energia e meio ambiente, constatando que cidades indianas mais vulneráveis ​​ao calor extremo não estão preparadas ao agravamento das ondas de calor, dependendo de medidas emergenciais em vez de planejamento de resiliência a longo prazo. Avaliou 9 cidades indianas com alto risco de vítimas ao calor no futuro, ou, Bengaluru, Nova Delhi, Faridabad, Gwalior, Kota, Ludhiana, Meerut, Mumbai e Surat, que representam 11% da população urbana, entrevistando 88 autoridades municipais, distritais e estaduais responsáveis ​​pela implementação de medidas de combate ao calor, com o conceito que os efeitos da poluição na saúde são naturalizados como inevitáveis ​​ou algo que só pode ser combatido de forma limitada. Além disso, debates sobre controle de emissões são restritos ao âmbito político com líderes empresariais e industriais priorizando desenvolvimento econômico e membros da comunidade aceitando a má qualidade do ar como parte do cotidiano, enquanto meios de comunicação noticiam incidentes de poluição e raramente apresentam como emergências que exige resposta imediata com escala e alcance que o desastre justifica. Tais ressalvas se originam em variedade de causas incluindo o fato de muitos poluentes serem invisíveis e imperceptíveis, cujos efeitos nocivos da exposição prolongada à poluição crônica serem insidiosos e prioridades conflitantes prevalecendo sobre a saúde ambiental e pública, daí, ser aceitável politicamente urbanizar e aceitar poluição do ar como subproduto que mudar mentalidades e práticas estabelecidas de desenvolvimento industrial e de infraestrutura. Daí, informar o sistema de saúde, alertar populações vulneráveis ​​e emitir diretrizes à implementação de medidas de controle da poluição, estabelece linha de responsabilidade do governo central às autoridades urbanas locais, como o caso de Pequim conhecida por ter um dos piores índices do mundo de poluição urbana conseguir melhorar a qualidade do ar em uma década, por meio da combinação de vontade política, fiscalização rigorosa e investimentos em infraestrutura mais limpa, como o caso de Paris em que  a poluição foi declarada crise de saúde resultando em proibições de veículos, redução do tráfego e promoção do transporte público e ciclismo, exemplos que mostram que cidades densamente povoadas  podem reverter crises de qualidade do ar quando a poluição é tratada como prioridade de saúde pública em vez de custo inevitável do desenvolvimento. Por fim, o relatório avalia que soluções rápidas de curto prazo como o acesso à água potável e expansão da capacidade hospitalar, apresentaram melhorias em que estratégias de longo prazo como melhorias na infraestrutura e reformas no planejamento urbano, continuam insuficientes, além de Planos de Ação contra o calor carecendo de robustez e financiamento com lacunas institucionais na implementação, alerta que o foco continua sendo gerenciamento de doenças relacionadas ao calor em vez de prevenção com acesso limitado a dados sobre o verdadeiro impacto do calor extremo nas cidades que dificulta o planejamento eficaz e, conclui que, embora o número de ações de curto, longo prazo incidentais e longo prazo intencionais tomadas varie entre diferentes cidades, há um padrão claro, ou, a maioria das cidades prioriza medidas de curto prazo.

Moral da Nota: estudo avalia que em Nova Jersey se acelera a elevação do nível do mar aumentando risco de inundações costeiras, prevendo aumento dos níveis da água e temperatura evitando recomendações políticas. O Centro de Recursos de Mudanças Climáticas de Nova Jersey na Universidade Rutgers disse que provavelmente verá elevação do nível do mar entre 2,2 e 3,8 pés até 2100 se prevalecer o nível atual de emissões globais de carbono, enquanto os mares podem subir até 4,5 pés se o derretimento da camada de gelo acelerar. O Painel Consultivo Científico e Técnico do centro, cientistas da Rutgers e de outras instituições que publicam relatórios desde 2016 afirmam que mudanças climáticas causadas pelo homem estão acelerando elevação do nível do mar em Nova Jersey e que os riscos de inundação “aumentam rapidamente” ao longo da costa do estado, comunidades próximas a rios de maré, pântanos e áreas úmidas. Encomendado pelo Departamento de Proteção Ambiental contou com participação de 144 cientistas, busca identificar, avaliar e resumir evidências sobre elevação do nível do mar e mudanças nas tempestades costeiras. Nova Jersey devastada quando o furacão Sandy atingiu o litoral em 2012 destruindo prédios, inundando cidades e forçando pessoas deixarem suas casas por anos com a tempestade tornando-se marco à vulnerabilidade na elevação do nível do mar, com o governador reconhecendo a ameaça embora tenha cedido à pressão de construtoras  para revogar regulamentações criadas à dificultar construção em áreas vulneráveis. O relatório inclui previsões sobre extensão da elevação do nível do mar em Atlantic City mas as previsões dependem do aumento das emissões globais, sendo que o último relatório do Painel Consultivo Científico e Técnico, de 2019, previu que emissões intermediárias  levariam a elevação do nível do mar de 60 cm até 2100,ou, 6 cm a menos que o novo relatório, além de atualizações incluindo novos cenários de emissões, previsões detalhadas de taxas de elevação do nível do mar, frequência de inundações em várias localidades e resumo dos impactos da elevação do nível do mar e tempestades costeiras. Avalia que até 2050 a cidade provavelmente terá entre 29 e 148 dias com inundações por ano, número que pode chegar a 178 se o derretimento das calotas polares se acelerar e, até o final do século, é “extremamente provável” que o número de dias com inundações costeiras ultrapasse 131/ano. Por fim, o relatório soa alarme de "inundações compostas" em que a elevação do nível do mar se combina com tempestades, chuvas intensas e rios transbordando, agravando inundações e, com a elevação do nível do mar, o aumento da frequência de inundações costeiras e a erosão se intensificam cujos esforços em combatê-la, que até agora obtiveram sucesso em alguns locais, podem ser sobrecarregados, alertam que os pântanos que protegem o litoral e a vida selvagem, podem ter chegado a ponto em que não conseguem mais acumular sedimentos para se protegerem da elevação do nível do mar.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

IA e Saúde

IA na saúde em clínicas norte americanas mostram ferramentas à transcrição de conversas, sugerindo diagnósticos ou fornecendo códigos de faturamento, sistemas integrados em tempo real nas consultas funcionando como assistentes digitais que capturam narrativa do paciente transformando em resumo clínico organizado e preciso. Tais modelos não detectam inflexão na voz quando o paciente demonstra medo, nem pausa antes de mencionar lembrança dolorosa ou olhar que evita contato por constrangimento quando médicos dependem da tecnologia para "ouvir" por eles, o risco de desconexão emocional é real, quer dizer, o não dito, gestos e o implícito ficam fora do registro, implicando perda de informações clínicas e humanas. A medicina adotou por décadas a chamada "medicina em evidências", movimento que, embora buscasse eliminar práticas obsoletas e promover estudos rigorosos, restringiu o atendimento em que, números, algoritmos e protocolos foram priorizados em detrimento da escuta ativa, intuição e empatia. IA ​​amplifica essa tendência, quer dizer, se antes, médicos baseavam em escalas e pontuações, agora a máquina oferece solução estatisticamente mais provável em segundos, no entanto, o problema é que transforma o paciente em coleção de dados e não em história única, levando ao risco não apenas no que  IA deixa de ver mas no que torna invisível ou dimensões afetivas, sociais e contextuais do sofrimento. Ao recorrerem a chatbots para descrever sintomas antes da consulta, em vez de descreverem espontaneamente como se sentem, pacientes são treinados pela IA para usar linguagem clínica correta refinando narrativa como se estivessem se preparando para entrevista ou exame, que pode facilitar diagnósticos, mas acaba por introduzir modo de autoedição emocional, ou, medo, dúvida e circunstâncias de vida que influenciam a doença são apagados em favor da narrativa médica objetiva, livre de interferências subjetivas, quer dizer, o que IA lhes retorna como "correto" pode levar a diagnósticos mais rápidos, porém, mais impessoais. Por fim, estudos revelam perda de habilidades clínicas em profissionais que delegam tarefas à IA e, ao sugerirem diagnósticos, o questionamento estanca, a reflexão enfraquece, o raciocínio criativo falha e o que antes era trabalho analítico se transforma em validação passiva e, em mercado que busca produtividade, tais ferramentas são integradas não como apoio mas como substitutos e, em vez de liberar o médico para olhar o paciente nos olhos a tecnologia reforça o modelo de atendimento rápido onde cada minuto ganho se traduz em mais uma consulta faturada. O detalhe nesta questão é que muitos dos conjuntos de dados usados ​​para treinar esses modelos contêm desigualdades históricas, ou, menor representatividade feminina, de pessoas negras ou com deficiência, significando que, mesmo que um sistema pareça "objetivo" reproduz exclusões e erros do passado e, o que está em questão é o modelo da relação profissional e paciente enquanto a medicina entendida como prática de acompanhamento, exige escuta, tempo, presença e reconhecimento do outro como ser único e quando o foco se desloca aos dados essa dimensão humana enfraquece. Daí, em sistema público focado no bem-estar, IA poderia ser usada para detectar desigualdades, apoiar profissionais sobrecarregados ou identificar pacientes que necessitam de assistência social urgente em ambiente político e econômico de diversidade humana em detrimento da padronização que priorize crescimento  coletivo em vez de ganho privado.

A agência de Notícias Fas Company, nos informa que decorrente manifestações da Geração Z mundo afora questionando estabilidade no mercado, migra à setores menos suscetíveis à automação em contexto receoso relativo aos impactos IA no mercado de trabalho, quer dizer, a geração Z ou os nascidos entre 1995 e 2010, mostra resposta de adaptabilidade menos visível e mais ativa. Dados da agência nos informam que 70% dos membros da geração questionaram segurança de seus empregos diante tecnologias IA e, uma das razões à essa mudança, é a perda de confiança no ensino superior, apontando que 65% da geração atual não vê ensino superior como garantia de emprego e, buscando estabilidade, muitos optam por áreas de construção, saúde, educação ou profissões consideradas mais estáveis. A pesquisa aponta que 57% dos jovens têm atividades secundárias que envolvem trabalhos manuais, citadas atividades de venda e restauração de móveis como exemplo enquanto  levantamento da IBM, apontou que avanços IA progrediram em ritmo lento até a explosão do ChatGPT, serviço criado pela OpenAI, rapidamente seguido por outras empresas lançando Gemini, DeepSeek, Grok e afins. Tal progresso gerou interesse entre empresários que reportaram utilizar ferramentas IA de forma ativa,88%, segundo levantamento da McKinsey & Company, ao passo que analistas do mercado de trabalho manifestam preocupação sobre  risco que a adoção dessas ferramentas comprometa oportunidades de emprego às gerações entrantes, questão levantada por pesquisa do departamento de economia de Harvard alertando que estão em evidência contratações de qualificação média. Até o momento, não há tendência de demissões e, a demanda por trabalho humano, segue presente nas atividades especializadas e de baixa qualificação, impulsionadas, pela expertise técnica e menor custo, no entanto, empresas buscam especialistas em integração IA que trabalham para automatizar operações diárias através dessa tecnologia fechando janelas aos que prestam serviços mais repetitivos e burocráticos. Estudo do MIT revelou que 95% das organizações que investiram em tecnologias IA não receberam retorno financeiro, enquanto a plataforma de análise Visier identifica que empregadores que demitiram trabalhadores diante promessa IA estão recontratando, apontando à tendência de "demissão bumerangue", embora o aumento de recontratações não estejam totalmente claros com sugestões que os empresários podem ter demitido de forma precipitada sem avaliar se havia funções que poderiam ser substituídas. Por fim, a preocupação com bolha IA que provocou quedas nos mercados acionários com analistas bancários prevendo correções diante supervalorização de empresas, como aponta o investidor James Anderson no Financial Times ao dizer que, "aumentos repentinos que as pessoas estavam dispostas atribuir à OpenAI, Anthropic e etc foram desconcertantes", concluindo, "a magnitude desse salto e a velocidade com que aconteceu me incomodaram."

Moral da Nota: estudo brasileiro publicado na Nature Neuroscience, analisou interação entre proteínas ligadas à Alzheimer, tau e beta-amiloide e células cerebrais revelando que que inflamação cerebral é chave na progressão da doença, em pesquisa liderada pelo neurocientista Eduardo Zimmer, UFRGS, sugerindo que o cérebro necessita estar inflamado para que a doença de Alzheimer se estabeleça e avance. Esclarece que essas proteínas formam "grumos insolúveis como pequenas pedras" capazes de ativar astrócitos e microglia, células que coordenam resposta imune do cérebro e, quando entram em modo reativo criam ambiente inflamatório que contribui à progressão da doença. O pesquisador avalia que já havia evidências desse processo em animais e em análises pós-morte, mas é a primeira vez que a comunicação entre essas células é observada em pacientes vivos, possível, graças a exames de imagem de última geração e biomarcadores sensíveis.