sábado, 15 de agosto de 2026

Desinformação

Relatório divulgado pelo Centro de Integridade Climática, CCI, grupo de pesquisa e defesa, mostra que empresas de combustíveis fósseis sabiam na década de 1960 que rotular o gás como “limpo” era enganoso. Explica como a indústria de petróleo e gás tinha conhecimento dos danos climáticos do metano e, mesmo assim, promoveu o gás natural como solução ao clima com, documentos nunca antes publicados, mostrando que propagaram por décadas o mito do gás natural "limpo" apesar do conhecimento dos perigos do metano e do sistema de gás. Em paralelo, promoveram o debate da expansão da extração e uso de gás natural, quer dizer, "A Fraude do Gás Natural 'Limpo', ou, como Empresas de Petróleo e Gás criaram o Mito que o Gás Natural é Solução Climática" mostrando como a indústria fabricou e promoveu desinformação na década de 1970 que gás natural é "limpo" e, desde então, colonizou tomadores de decisão e público sobre riscos e segurança. O relatório diz que “a propaganda sobre gás natural limpo é essencial ao sucesso da indústria no mercado e a ideia que o gás é amigo do clima se coloca no centro da expansão da infraestrutura de gás nas últimas duas décadas” e, a investigação da cientista Rebecca John, Climate Investigations, associada a Rebecca Leber e Davis Allen, PhD, em documentos, pedidos de acesso a registros públicos, comunicações internas da indústria, relatórios confidenciais, artigos científicos e entrevistas com cientistas climáticos, consultores da indústria e ambientalistas. Vale a nota que relatórios e investigações anteriores demonstram o modo como a indústria de petróleo e gás respondeu à poluição por carbono com atraso e negação, sendo esta pesquisa a primeira a traçar resposta da indústria do gás a poluição por metano e contextualizá-la em décadas de engano, incluindo evidências que a indústria foi alertada sobre problemas de poluição por metano em 1968, antes do que relatava. Revisão do Instituto Americano de Petróleo, diz que a indústria foi informada que o metano na atmosfera se relaciona a “campos de petróleo” e “vazamentos no sistema de distribuição de gás” e como sumidouros ambientais naturais seriam “sobrecarregados por emissões excessivas”. Relatório interno da Shell em 1966 indicou que o metano foi liberado em “quantidades  grandes” nos campos de petróleo, em 1968, revisão do Instituto Americano de Petróleo declarou que o metano na atmosfera estava conectado a “campos de petróleo” e infiltração era “improvável”, assim, as empresas de fósseis patrocinaram e promoveram sua própria investigação, fundando entidades como o Gas Research Institute para criar aparência de objetividade e mudar narrativa, quer dizer, o foco era abafar pesquisas que indicavam que o gás poderia ser prejudicar ao ambiente ou saúde humana, conforme sugere o Centro de Integridade Climática. Nos anos 1970, a American Gas Association, grupo comercial que trabalhou com empresas de relações públicas para vender gás como combustível fóssil “limpo” e ecologicamente correto, lançou em 1971 Campanha de relações públicas chamada “Gás, Energia Limpa para Hoje e Amanhã", com relatório de 1972 da American Gas Association, AGA, dizendo que os “benefícios ambientais de fornecimento adequado de gás natural são excelentes”, oferece “resposta positiva” à preocupação sobre o planeta.

O relatório detalha que em 1996 a AGA realizava estudos em conjunto com a Agência de Proteção Ambiental, EPA, EUA, com comunicações internas mostrando que funcionários da EPA falaram que “simplesmente não têm experiência” à revisar de modo independente dados da indústria de gás no estudo, sendo “improvável que encontrassem problemas, mesmo que  existissem.” Publicado com a credibilidade da EPA, o estudo foi utilizado pela indústria do gás para minimizar preocupações com emissões de metano impactando no uso contínuo e crenças sobre o gás natural, quer dizer, o consumo de gás natural nos EUA aumentou desde que a indústria propagou o mito do gás natural "limpo". Em consequência, pesquisa da Data for Progress e CCI constata que 50% dos eleitores prováveis ​​agora consideram o gás natural forma de energia limpa, no entanto, quando foram informados sobre relação do gás natural com o fraturamento hidráulico e engano na identidade "limpa", o apoio geral diminui 46%, quer dizer, 3 em 4 eleitores norte americanos apoiariam ação judicial para responsabilizar empresas de petróleo e gás por enganá-los sobre malefícios do gás natural. A campanha de relações públicas foi eficaz e, na década de 2000, com o advento do fracking, a infraestrutura americana de extração de gás natural se expandiu com força, as empresas que construíam tal infra-estrutura eram, inclusive, elegíveis à subsídios aos combustíveis “verdes” e incentivos fiscais, hoje, o gás natural é classificado como “verde” em pelo menos 4 estados norte americanos, entretanto, a indústria de aparelhos a gás faz lobby contra normas de rotulagem que designem seus produtos como prejudiciais. Enfim, Richard Wiles, presidente do Centro à Integridade Climática, nos explica que  “as petrolíferas e indústria do gás sabiam há décadas que o metano era poluente climático prejudicial, criaram o mito do gás natural 'limpo' à proteger e expandir os negócios, sem considerar saúde pública ou impactos climáticos que sabiam que resultariam" e, conclui, “as autoridades que continuam justificar a dependência do gás natural alegando que é limpo ou seguro ao clima, usam roteiro e a mesma ciência manipulada que executivos do setor de gás e equipes de relações públicas criaram décadas atrás". 

Moral da Nota: o Relatório dos ODS, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, de 2026, divulgado pela ONU em julho de 2026, diz que entre 2015 e 2024, com base em 'dados relatados pelos países, que perdas econômicas diretas foram em média maiores  a US$ 110 bilhões/ano equivale a 0,28% do PIB dos países declarantes’ em conjunto, observa que, “os números provavelmente subestimam a verdadeira escala quando se  incluem efeitos em cascata e danos nos ecossistemas, aí, perdas por desastres passam dos US$ 2,3 bilhões/ano". Sem considerar população e outros fatores, financeiramente os EUA registraram as maiores perdas econômicas anuais relacionadas ao clima do mundo, inundações, ondas de calor,furacões e incêndios florestais causando bilhões de dólares em danos a cada ano, no entanto, a China acompanha de perto com repetidas inundações, tufões e ondas de calor interrompendo infraestrutura e manufatura, dito, no relatório divulgado em 2024 da Swiss Re, resseguradora suíça que cobre 90% da economia global. A Índia se posiciona entre os países que registram maiores perdas econômicas globais devido alterações climáticas, perdendo 24,7% do PIB até 2070, um dos países mais expostos economicamente a riscos climáticos, conforme diz o Banco Asiático de Desenvolvimento, 2024. O relatório das ODS 2026 mostra que PMA, países menos desenvolvidos, responderam por quase 13% das perdas relatadas globalmente no mesmo período, representaram 1,36% do PIB total, impacto desproporcional de mais de 10 vezes e, conforme o Índice de Risco Climático, CRI, 2026, a Índia experimentou 430 eventos relacionados ao clima entre 1995 e 2024, ou, inundações, ciclones, deslizamentos de terra e ondas de calor afetando 1,3 bilhão de pessoas, causando mais de 80 mil mortes e perdas econômicas superiores a US$ 170 bilhões. Vale notar que os principais países que enfrentam custos devido a inundações frequentes e condições climáticas extremas, segundo o CRI, são Dominica, Mianmar e Honduras e a Índia ocupa o 15º lugar nesta lista, com Vishwas Chitale, da equipe de resiliência climática do Conselho de Energia, Meio Ambiente e Água, CEEW, Índia, instituição política sem fins lucrativos sediada em Nova Déli, diz que, “em 2019, o país perdeu US$ 69 bilhões devido eventos relacionados ao clima, que contrasta com US$ 79,5 bilhões perdidos entre 1998 e 2017.”

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Nuvens de fogo

Ocorreram na Austrália e Califórnia, mas não é a primeira vez que foram registradas na França, mais de 300 mil pessoas na Espanha e França receberam ordens de evacuação depois que incêndios florestais devastarem as nações nos últimos dias e a Espanha declarou emergência nacional, ao passo que, autoridades de Bordeaux alertaram que o incêndio florestal pode continuar arder por vários meses. À medida que continuam as evacuações especialistas alertam que ‘as nuvens de fogo’ tornam os incêndios mais intensos, essencialmente, pirocumulonimbus, ou, nuvens de fogo, ou, tempestade de fogo gigantescas criadas por incêndio florestal, apelidadas pela NASA de ‘dragões cuspidores de fogo’, nuvens criadas pela 1ª vez quando incêndios geram calor fazendo com que o ar suba acima do incêndio, enquanto fumaça, cinzas e vapor d'água entram na atmosfera e, quando o ar se eleva, esfria e o vapor condensa em nuvens. Já foram raras, mas agora aumentaram em frequência por conta de incêndios intensos que criam nuvens de fogo podendo atingir altitudes de 10–15 kms, mais prováveis quando há condições perigosas como altas temperaturas, pouca umidade e ventos fortes, podendo tornar incêndios florestais mais imprevisíveis e perigosos gerando seus próprios raios e provocando mais fogo longe da zona de impacto inicial, além de fazer com que ventos fortes espalhem os incêndios mais rápido. A coordenadora de previsão de incêndio do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, ECMWF, Dra. Francesca Di Giuseppe, disse que pirocumulonimbus podem injetar fumaça na troposfera superior ou mesmo estratosfera inferior, em altitudes comparáveis as associadas a erupção vulcânica moderada’, por vezes, nuvens de fogo podem produzir chuva para ajudar extinguir um incêndio. No Verão Negro de 2019 e 2020 na Austrália criaram ‘tempestades de fogo’ extremas ou, seu próprio clima, relatadas na Califórnia no verão de 2021 elevando-se 1,6 kms acima do estado, tornando-se comuns graças às alterações climáticas que criam condições à ocorrência de incêndios florestais e, conforme a Royal Meteorological Society, provavelmente serão mais frequentes à medida que condições mais quentes e secas aumentam risco de incêndios florestais. No entanto, esta é a 1ª vez que nuvens de fogo são vistas na França. Rick McRae, professor adjunto do grupo de pesquisa sobre incêndios florestais da Universidade de Nova Gales do Sul, diz que, ‘é a 1ª vez que a França considera explicitamente o conceito de um piroCb’ e, conclui, ‘se tiveram ou não em alguns dias atrás não é realmente a questão,’ disse, ‘a questão é se haverá um ou vários daqui para frente. 

Ainda no quesito mudanças climáticas, surge a notícia que a Louisiana enfrenta surto de infecções por Vibrio vulnificus, conhecida como bactéria comedora de carne, que normalmente vive em águas costeiras quentes como as encontradas na Grand Isle, na Louisiana. O Departamento de Saúde da Louisiana forneceu notícias sobre o Vibrio vulnificus, ou seja, que houve surto de infecções por Vibrio vulnificus em 2026 e já houveram 9 casos de infecções resultando em intercorrências, hospitalizações e 5 mortes. Representa aumento significativo em relação à média de 7 casos e 1 morte na última década e, pelo aumento do número de casos em relação a década passada foi designado 'surto', sendo que o Vibrio vulnificus é conhecido como bactéria comedora de carne porque é uma das espécies de bactérias que causam fasciíte necrosante, ou, apodrece o tecido que fica abaixo da pele sendo o agente bacteriano mais comum o Streptococcus do Grupo A. Vale a nota que a palavra “fáscia” se refere a fina e extensa camada de tecido que se localiza abaixo da pele e do sufixo “ite”, que significa inflamação e o termo necrosante se refere a palavra morte, daí, o Vibrio Vulnificus pode causar fascite necrosante que se refere a infecção bacteriana grave que causa morte da fáscia e do tecido acima dela, daí o apelido “comedor de carne”.  Tal  evento pode ocorrer quando bactérias “que comem carne” penetram no  organismo através de fissura na pele como arranhão ou picada de inseto, o detalhe é que, são tóxicas, liberam toxinas que impedem o sangue fluir na área danificada levando a morte do tecido ou necrose. A toxicidade pode se espalhar à outras partes do corpo como órgãos importantes, causando danos e a interferência do sangue nos tecidos do corpo é análoga ao corte das principais vias à determinado local, em consequência, cirurgia de emergência se impõe como tratamento para impedir propagação da infecção levando eventualmente à sepse, ou, disseminação da bactéria no organismo, choque, ou, queda de pressão, falência múltipla de órgãos e morte. A fasciíte necrosante não é condição muito comum podendo aumentar a incidência quando da presença de bactérias carnívoras como o Vibrio vulnificus, aumenta em água salgada ou salobra costeira quente entre os meses de maio e outubro e como resultado, pode ser encontrada em mariscos que habitam essas águas. Por fim, sintomas da fasceíte necrosante como febre, calafrios, dores no corpo, náuseas, diarreia ou dor na área infectada, começam em 24 horas pós o Vibrio vulnificus entrar no corpo além de pele descolorida e quente, inchaço, piora da dor e bolhas com líquido sanguinolento ou amarelado. Por fim, mudanças climáticas podem estar levando a cada vez mais casos de Vibrio Vulnificus e, a Louisiana não é o único estado com casos em 2026, a Flórida já teve 2 mortes pela bactéria e o Departamento de Saúde de Maryland teve 29 casos confirmados e 114 prováveis de Vibrio vulnificus até agora e, à medida que a água esquenta, patógenos potenciais crescem e se tornam mais concentrados, podendo causar mais doenças e possivelmente a morte, quer dizer, a continuação das alterações climáticas pode levar a cada vez mais a novos casos  nos próximos anos. Um detalhe, publicação de 2024 no periódico científico PLOS Pathogens chamada Vibrio vulnificus a “organismo sensível ao clima por excelência”, descreveu que alterações climáticas estão tornando a água dos oceanos mais quente aumentando locais onde o Vibrio vulnificus pode crescer e, portanto, onde pode ocorrer infecções.

Moral da Nota: o geógrafo árabe Al-Sharif al-Idrisi na Sicília do século XII desenvolveu uma das obras científicas mais importantes da Idade Média, ou, Nuzhat al-Mushtaq fi Ikhtiraq al-Afaq, ou, o deleite de quem anseia por viajar pelos horizontes, enciclopédia geográfica reunindo mapas e descrições do mundo conhecido. Obra encomendada pelo rei normando Rogério II e desenvolvida ao longo de 15 anos, entre 1138 e 1154 e, para realizá-lo, Al-Idrisi baseou-se em suas viagens, consultou obras de geógrafos anteriores e coletou depoimentos de mercadores, marinheiros e viajantes, comparando informações e descartando relatos contraditórios. Dividiu o mundo em 7 regiões climáticas, cada uma subdividida em 10 seções, resultando em 70 mapas interconectados em que cada um acompanhava informações sobre cidades, rios montanhas, mares, rotas comerciais, condições econômicas e sociais e, cada obra incluía cálculos da circunferência da Terra estando ligada a um globo de prata com um mapa-múndi gravado. O trabalho combinou geografia física, humana e econômica, tornou-se registro da vida, arquitetura e relações comerciais e políticas do século XII, sendo que o Nuzhat al-Mushtaq teve ampla circulação sendo traduzido ao latim e demais línguas europeias utilizadas nos séculos por geógrafos e viajantes, inclusive no Renascimento. Atualmente os manuscritos estão em instituições como a Biblioteca Nacional da França, Biblioteca Bodleiana em Oxford e coleções em Istambul com historiadores como Hussein Mounis, Samuel Parsons Scott e Michele Amari destacando a importância de Al-Idrisi e considerando sua obra como uma conquista da geografia medieval e civilização árabe-islâmica. Nasceu em Celta por volta de 1100 sendo seu nome completo Abu Abdullah Muhammad ibn Muhammad al-Idrisi, viajou por Al-Andalus, Marrocos e Levante antes de estabelecer na corte de Rogério II na Sicília e, além da geografia, cultivou a botânica, medicina, astronomia e literatura e 9 séculos depois, Nuzhat al-Mushtaq continua sendo obra na história da geografia e cartografia e testemunho dos estudiosos árabes no desenvolvimento do conhecimento científico global.


quarta-feira, 12 de agosto de 2026

El Nino

Os alertas se dirigem ao ‘super El Nino’ que ocorre quando a temperatura da superfície do oceano aumentam mais de 2º C acima da média, considerado fenômeno de aquecimento natural, abreviado como ENSO, é o componente oceânico, ou, o aquecimento das temperaturas da superfície no Pacífico tropical central e oriental enquanto a Oscilação Sul, SO, é o componente atmosférico na pressão do ar entre o Pacífico tropical oriental e ocidental, ou, Taiti e Darwin, na Austrália. Em termos numéricos espera-se que custe US$ 84 bilhões por um ano de seca, tempestades e inundações na África Oriental, enquanto 5 eventos deste porte foram registrados desde 1950, sendo o mais recente em 2015 alegadamente o mais forte já registrado, afetando mais de 60 milhões pessoas mudando padrões climáticos entre secas severas, quebras de colheitas e insegurança alimentar nos trópicos, ao mesmo tempo inundações devastadoras e ondas de calor intensas. Na região do Pacífico, no sul da Ásia, estimativa de 4,1 milhões de pessoas com maior risco em um evento climático El Niño,  chuvas de monções menores levando à seca e redução da produtividade nas colheitas seguidas de condições úmidas ao pico do El Niño, levando ao aumento de surtos de cólera e malária na região. No Atlântico as secas levaram ao fracasso das colheitas, especialmente milho, causando escassez local de alimentos na África do Sul, isto, na crença que o super El Nino previsto para chegar seja o mais quente de todos os tempos, com aquecimento do oceano de 2,5ºC acima do normal, considerando que o deslocamento de água quente no leste do Pacífico afeta a evaporação e, em consequência, fornece mais vapor de água à atmosfera resultando em precipitação maior nas terras vizinhas. Países do lado ocidental da América do Sul devem ter condições mais húmidas que o normal, incluindo tempestades severas em uma fase do El Nino e o Japão, o oeste da América do Norte pode experimentar clima mais úmido e quente que o normal, quer dizer,tempestades e inundações relacionadas ao ENSO podem causar estragos em áreas onde o clima é normalmente seco. Por fim, a questão está no fato que o El Nino sempre teve impacto na agricultura, mas, em tempos recentes, a combinação com mudanças climáticas mostra-se devastadora, pois ambas aumentam as temperaturas globais, sendo que a tendência mostra que o Pacífico deverá ser o mais afetado por um Super El Nino e, na Austrália, incêndios florestais naturais e seca terão efeitos intensificados, na América do Sul como Peru e Equador provavelmente terão clima mais úmido causando inundações devastadoras.

O Met Office afirma ‘Os anos do El Nino é fator que pode aumentar o risco de invernos mais frios no Reino Unido’ ao alterar padrões globais de vento, especificamente enfraquecendo e deslocando correntes no Atlântico, sendo provável impacto imediato menos dramático embora temperaturas mais altas sejam mais prováveis no verão com períodos mais frios nos últimos meses de inverno. Devemos considerar que El Nino ou mudanças climáticas se inserem em Calor global extremo, Inundações regionais, Secas e incêndios florestais regionais, quebras de colheitas e escassez de alimentos, além do muito falado branqueamento de corais e danos à pesca, com cientistas climáticos avisando que o padrão climático extremo deverá ser afetado 'indiretamente' na Grã-Bretanha e será 'um dos fatores climáticos que influenciam clima e padrões na Europa e Reino Unido.' Consideram que "seus impactos no Reino Unido são indiretos, podendo aumentar a probabilidade de condições mais instáveis no final de 2026 incluindo oportunidade de clima mais úmido no outono e início do inverno, no entanto, quaisquer impactos potenciais serão avaliados com mais detalhes na época oportuna à medida que as previsões evoluem." Emily Black, professora de processos terrestres e clima, líder da divisão de pesquisa de Observação da Terra e Espaço, disse que "impactos do El Nino geralmente não são fortes o suficiente para exigir resposta específica, no entanto, como em qualquer inverno, é sensato permanecer preparado às tempestades, inundações e ondas de frio ocasionais". Avalia que nas "regiões tropicais, a preparação depende diretamente dos impactos regionais esperados, por exemplo, quando o El Nino se associa à seca, agricultores podem considerar o uso de variedades de culturas mais tolerantes ao clima seco ou de maturação mais rápida, podendo precisar adiar o plantio se as chuvas demorarem a se estabelecer."

Moral da Nota: a questão tem início com algo chamado ventos alísios, ou, ventos permanentes ao redor do equador que sopram de leste a oeste, assim, no Pacífico equatorial, sopram das Américas em direção à Austrália e Nova Zelândia e, à medida que o vento sopra a água à leste, esta é aquecida pelo sol e quando chega ao outro lado do Pacífico a água quente faz com que o ar quente suba levando a clima quente, úmido e instável, enquanto isso, a água mais fria das profundezas oceânicas sobem no leste à substituir a água soprada ao oeste, aí, a questão, quando padrões de precipitação e vento mudam no Pacífico equatorial ocorrem repercussões no mundo. Nos EUA poderia ocorrer grande impacto principalmente depois que o Centro de Previsão Climática que havia 82% de chance do fenômeno climático ocorrer entre maio e julho, podendo haver período sustentado em que o oceano e a temperatura da água é mais quente que a média, significando mais inundações em algumas partes do país, enquanto em outras levaria a temperaturas mais altas, secas e incêndios florestais. Daí o alerta que "no verão, haveria um padrão mais quente e seco no noroeste dos EUA, levando a grandes incêndios florestais", com o super El Nino no verão, no entanto, "seca severa pode se expandir do noroeste a parte norte das Montanhas Rochosas nos verões do El Nino que passam para um El Nino forte a muito forte no outono até o início do inverno", em consequência, tempestades na costa oeste dos EUA, enquanto no leste haveria condições secas que durariam uma semana antes de fortes chuvas e o tempo seco poderia levar a uma "seca prolongada moderada a severa". Em suma, muita chuva em pouco tempo não faria muito pelas fazendas, significando que pode não haver tantas colheitas devido às intensas oscilações climáticas impactando o solo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Rios, Mares e Clima

Mudanças climáticas, segundo a ciência, reduzem o oxigênio dos rios no mundo, ou, o aquecimento global faz com que os rios percam oxigênio ameaçando peixes e demais formas de vida aquática, com pesquisadores chineses utilizando satélites e IA buscando rastrear e analisar níveis de oxigênio em 21 mil rios desde 1985. Notaram que os níveis de oxigênio caíram em média, 2,1% desde 1985, conforme estudo publicado na Science Advances, cujo impacto é cumulativo e, caso continue ou se intensifique, rios do leste norte americano, Índia e região tropical deverão perder oxigênio suficiente até fins do século sufocando peixes e criando zonas mortas. O estudo utiliza princípios básicos de química e física dizendo que a água mais quente retém menos oxigênio e, devido mudanças climáticas causadas pelo homem, libera mais oxigênio na atmosfera e, se a taxa de perda de oxigênio continuar no atual ritmo, os rios perderão, em média, 4% de oxigênio até fins do século e, em alguns casos, perto de 5%. A desoxigenação fluvial é problemática aos peixes e humanos que dependem dos rios, conforme o autor principal do estudo, Qi Guan, cientista ambiental da Academia Chinesa de Ciências em Nanjing, temendo que níveis fluviais de oxigênio caiam a ponto de criar zonas mortas como no Golfo do México, Baía de Chesapeake e Lago Erie. Por fim, Karl Flessa, geocientista da Universidade do Arizona, que não participou do estudo, diz que a perda de oxigênio nos rios significa "futuro com mais zonas mortas malcheirosas,hipóxia, especialmente nas ondas de calor", com o estudo afirmando que  no início deste século, o Ganges na Índia perdia oxigênio 20 vezes mais rápido que a média global, prevendo que rios no leste dos EUA, Ártico, Índia e grande parte da América do Sul percam 10% do oxigênio até fins do século. Vale notar que estudo realizado em 2025 por Marc Bierkens, da Universidade de Utrecht, Holanda, alerta que rios tropicais como o Amazonas, Brasil, desde 1980, o número de dias com zonas mortas aumentou em 16 dias/década e, que, o estresse de oxigênio fluvial no mundo aumentou em 13 dias a cada década e a ocorrência de zonas mortas aumentou em 3 dias/década desde 1980. 

Relatório de monitoramento nacional dos Ministérios de Israel, denota quadro marítimo ameaçado por mudanças climáticas com espécies invasora assumindo controle ao coletaram amostras como parte do programa nacional de monitoramento de 2024, ou, Pesquisa Oceanográfica e Limnológica de Israel. Mudanças climáticas globais e atividade humana, segundo cientistas israelenses, aquecem o Mar Mediterrâneo Oriental tornando-o mais salgado e mais ácido, mais rapidamente que a média global, alterando a ecologia regional, conforme o último relatório nacional anual de monitoramento realizado em nome dos ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel. O relatório avalia que a camada superior do mar aquece anualmente 0,05°C, alinhando-se as projeções do IPCC da ONU e, de 1992 a 2024, o mar subiu 15 cm a taxa de 4,7 mms/ano, aumento, mais rápido que a média global de 3,4 mms/ano, elevando risco de inundações costeiras nas tempestades. Já, a acidificação da água do mar impede espécies como amêijoas e corais de construírem esqueletos que utilizam carbonato de cálcio transformando o mar de um reservatório de carbono em fonte de carbono, alimentando a crise climática e riscos de eventos climáticos extremos, entretanto, a identidade nativa do Mediterrâneo está sendo apagada pela invasão tropical, ou, espécies exóticas do Mar Vermelho representando 68% da fauna a 40 metros de profundidade e 55% a 80 metros ou mais, com Peixes-leão venenosos e ouriços-do-mar de espinhos longos, proliferando, antes exclusivos de Eilat, enquanto algas tóxicas proliferam nas praias do norte. Por fim, pelo 2º ano consecutivo, espécies locais populares como o salmonete e o sargo-listrado estiveram ausentes das redes de monitoramento por não conseguirem sobreviver ao aquecimento das águas.

Moral da Nota: 75% dos peixes analisados ​​em 2024, ano abrangido pelo relatório israelense, excederam o padrão europeu de mercúrio para consumo, entre eles, o sargo-branco e o peixe-soldado, embora em andamento a limpeza do antigo complexo da Electrochemical Industries em Acre, enquanto a recuperação das águas subterrâneas não começou significando que a contaminação persistirá por anos, considerando ainda que, riachos costeiros contêm concentrações altas de fertilizantes e esgoto e sofrem com mortandade de peixes quando escoamento de fertilizantes desencadeia proliferação de algas microscópicas que consomem o oxigênio disponível. Na marina de Tel Aviv, porto de HaYovel, sul de Ashdod, e riacho Lachish, que deságua no mar em Ashdod, por razões que os pesquisadores não conseguem explicar, os níveis de arsênio aumentaram drasticamente além da poluição simultânea por prata no porto de Haifa e marinas da região central de Hadera e Herzliya. Para concluir, o plástico continua nas praias como principal poluente, com 9 das 10 tartarugas marinhas examinadas apresentando plástico no organismo e mais de 100 itens individuais recuperados nos seus tratos digestivos e, ao contrário do Mediterrâneo onde resíduos são compostos por 90% de sacolas e embalagens plásticas, os resíduos do fundo do mar em Eilat, Mar Vermelho, sul de Israel, consistem de equipamentos de pesca e navegação, como estruturas metálicas, cordas e pesos de concreto, com CEO do Instituto Israelense de Pesquisa Oceanográfica e Limnológica, que realizou o levantamento para os Ministérios da Energia e Proteção Ambiental de Israel, concluindo que, “em era de mudanças climáticas e pressões humanas, o investimento em monitoramento científico contínuo é necessário para manter resiliência do ambiente marinho.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Constatação

IA entra em fase "desafiadora" com período volátil de mudanças com a realidade econômica limitando ambições e mercados separando vencedores de vencidos, já que, o boom nos investimentos, aceleração da competição e retraimento estratégico eliminam riqueza e expansão do setor. O retorno do capital enfrenta pressão em apresentar desempenho com investidores cautelosos, direcionando portfólios à empresas focados na lucratividade, conforme indicam fatos recentes, considerando que a dimensão da transição se evidencia entre hiperescaladores como a Amazon, Alphabet, Microsoft e Meta investindo US$ 700 bilhões de capital em 2026. Relatórios de resultados mostram que a Meta divulgou previsão ruim de receita, dificuldades em comprovar capacidade de monetizar IA, a Microsoft reportou receita recorde em nuvem reforçando tendência do "investimento IA" com analistas estimando entre US$ 4 trilhões e US$ 8 trilhões serão investidos em infraestrutura IA nos 5 anos que virão, possivelmente o maior ciclo de investimentos da história. A ChangXin Memory Technologies, fabricante de chips, valorizou 470% em estreia na bolsa de Xangai, maior IPO do país desde 2010, sendo que 6 startups chinesas IA se preparam para lançar IPOs até 2027, com a Moonshot AI concluindo rodada de captação de recursos que avaliou a empresa em US$ 35 bilhões e, a ByteDance, explora emissão de títulos de US$ 20 bilhões. Essas iniciativas sinalizam realocação de capital chinês do setor imobiliário à manufatura avançada, infraestrutura de computação e IA, com as maiores empresas de capital aberto do mundo, plataformas IA e provedores de infraestrutura que as alimentam, representando parcelas maiores da capitalização do mercado de ações, enquanto nos EUA, empresas IA representam recorde de 45% do valor do S&P 500, tornando mercados mais dependentes de poucas empresas. O caso chinês remete a IA representando 10% da capitalização de mercado global IA, embora gerem 16% da receita do setor, segundo o Goldman Sachs, sugerindo subvalorização em relação aos concorrentes americanos, as empresas de tecnologia compõem mais de 30% do mercado de ações chinês evidenciando raízes IA ​​na economia. Por fim, consequências se espalham pelos mercados de capitais globais, remodelando concorrência e intensificando rivalidade entre EUA e China, daí, correção severa pode ser mais prejudicial que recessões pela maior exposição a ações, nos alerta o BIS, Banco de Compensações Internacionais, quer dizer, mercados de crédito se preocupam, caso do Alphabet evidenciando caixa livre negativo em 22 anos. Estimativas sugerem que a receita com IA precisa atingir US$ 2,5 trilhões/ano para recuperar o investimento inicial, mais que toda receita combinada do setor atualmente, com ameaças à segurança cibernética e taxas de falha IA ​​aumentando os riscos, associado a modelos chineses disponíveis a preços até 90% menores que as ofertas americanas comparáveis, daí, o paradoxo da fase difícil em que criadores têm mais dificuldade em manter lucros, mesmo quando a tecnologia é mais valiosa aos   que a utilizam para reinventarem indústrias.

Nesta trilha, a OMS recomenda regulamentação IA ​​na saúde antes de ocorrer danos irreversíveis, com Hans Henri P. Kluge, Diretor Regional da OMS Europa, iniciando discurso em Lisboa com um único número, 8%, proporção de países na Região Europeia da OMS que possuem estratégia IA na saúde enquanto quase dois terços utilizam IA em diagnóstico e metade incorporaram chatbots à pacientes, em que apenas 1 em 12 países possui plano para governar de modo responsável a tecnologia que já revoluciona a medicina, lacuna entre implementação e governança é, em suas palavras, desafio que define IA na saúde atualmente. O alerta foi emitido na "Conferência Global da OMS "Moldando IA na Saúde", organizada em conjunto com o governo português, reunindo ministros e representantes de 37 países das 6 regiões da organização, em avaliação  abrangente realizada sobre a prontidão IA ​​nos 53 estados-membros mostrando que 98% identificam melhoria do atendimento ao paciente como fator impulsionador da adoção e, os resultados, são tangíveis. A análise de imagens com IA em Coimbra detecta fraturas e doenças torácicas mais cedo, reduz tempos de espera em cuidados primários e serviços de urgência, no entanto, apenas 1 em 5 países treina profissionais de saúde em IA antes da graduação e pouco mais de 1 em 4 os treina enquanto atuam na área, quer dizer, menos da metade avaliou se o arcabouço legal é adequado à tecnologia e 40% não possui diretrizes éticas sobre seu uso na saúde, daí, estatística reveladora, ou, 8% possuem padrões de responsabilização que definem quem é responsável quando um sistema IA falha. Kluge propôs frentes em que a governança acompanhe implementação e cada país que implementa IA clínica necessita estratégia, padrões de responsabilização e treinamento pessoal, que a cooperação internacional substitua o progresso individual, razão que a OMS convocou os 37 países e um papel à comunidade de língua portuguesa em que Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e parceiros trabalharão em Roteiro de Cooperação Lusófona sobre IA e saúde que a organização espera apresentar na Cúpula Regional de Saúde no Brasil em 2028. Por fim, algoritmo tendencioso pode produzir diagnóstico errado sobre o paciente real e um profissional treinado para confiar em sistema que não pode questionar, fica exposto a erros fora do controle que acaba por corroer a confiança no sistema sanitário, com o representante da OMS nos lembrando que IA generativa já entrou na sala de aula e no bolso do paciente com algumas pessoas consultando um chatbot sobre  sintomas antes de falar com o médico. Vale a nota que, cada diagnóstico assistido e cada consulta com um chatbot de saúde gera informações clínicas sensíveis que circulam por infraestruturas que o paciente não controla ou desconhece, quer dizer, quem responde quando o algoritmo comete erro, indissociável de outra questão, ou, a quem pertence os dados que o alimentam, mesmo terreno que as arquiteturas Web3 de identidade e soberania de dados que visam devolver o controle da informação ao indivíduo através de credenciais verificáveis ​​e registros blockchain, com a OMS defendendo criação de mecanismos de responsabilização em que infraestrutura descentralizada oferece meio de tornar responsabilização rastreável do paciente. Em suma, o futuro IA ​​na saúde não se decide por algoritmos, mas sim, pelas estruturas  construídas, esse contexto, definir propriedade e rastreabilidade dos dados clínicos pode ser decisivo e regulamentar os modelos que os processam.

Moral da Nota: a China tem planos em redobrar objetivos em renováveis expandindo capacidade de geração solar e eólica até o fins da década buscando continuar líder em energia limpa, contudo, apesar dos planos à renováveis, planeja expandir produção de carvão. Quer dizer, o maior consumidor de energia e emissor de gases efeito estufa do mundo, se tornou o maior produtor de renovável ao estabelecer meta de atingir o pico de emissões de carbono até 2030 e alcançar neutralidade até 2060, apesar das necessidades energéticas contínua dependência do carvão, instalou 360 ​​GW de capacidade eólica e solar em 2024 representando mais de 50% das adições globais naquele ano. Elevou capacidade instalada total à 1,4 TW, um terço da capacidade mundial de 4,5 TW, além de acelerar implantação solar e eólica incentivou adoção de tecnologias limpas e modelos que apoiam crescimento de renovável, aí, armazenamento em baterias, usinas virtuais e veículos elétricos, EVs. Anunciou planos à aumentar produção solar e eólica em 53% até 2030, parte do 15º Plano Quinquenal divulgado pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e Administração Nacional de Energia, pretendendo aumentar produção total renovável à 1,8 bilhão de toneladas equivalentes de carvão, tce, até 2030, partindo de 1,18 bilhão de tce em 2025. Eólica e solar com o apoio de sistemas de armazenamento fornecerão 8% da capacidade instalada nos períodos de pico de demanda, ou, 20% do consumo de eletricidade nos picos de procura planejando adicionar mais de 300 GW de renovável despachada quando a procura aumentar. Em suma, pretendem implementar projetos-piloto de megabases de renováveis ​​que transmitam energia totalmente renovável, atualmente, eólica e solar contribuem com 20% da energia que a China fornece através da rede de transmissão de alta tensão que transporta energia das megabases no norte e noroeste às cidades e fábricas no leste, deve desenvolver 10 megabases no âmbito do plano quinquenal de 2026-2030 propondo 11 linhas de transmissão que fornecerão 129 GW de eólica e solar e 40 GW de energia a carvão. Em 2025, o país contribuiu com 78% da capacidade global de geração de energia a carvão que entrou em operação, maior consumidor e produtor de carvão do mundo, responde por 86% da capacidade global total em construção, quer dizer, o carvão e planos de expansão futura podem comprometer as metas de redução de emissões no futuro.


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Ação Silenciosa

Pesquisadores da Universidade de Utrecht, Holanda, e da Universidade de Groningen detectaram altos níveis de metalsiloxanos, poluente de silício, no ar de cidades, áreas rurais e florestas, no entanto, pouco estudado. Publicado na Atmospheric Chemistry and Physics, revela que concentrações dos compostos foram encontradas em áreas urbanas e em menores áreas florestais, por exemplo, em São Paulo, Brasil, os níveis de metilsiloxano chegaram a 98 nanogramas/metro cúbico, ao passo que em florestas de Rugsteliskis, cidade lituana, o valor caiu para 0,9, no entanto, alertam à inalação de mais metilsiloxanos diariamente que PFAS, perfluoroalquiladas, ou microplásticos, considerando que esses compostos representam entre 2%/4,3% da massa de aerossóis orgânicos presentes no ar, quer dizer, podemos estar inalando diariamente um contaminante de silicone pouco estudado em quantidades maiores que inalamos PFAS ou microplásticos. Cientistas avisam que metade dos metilsiloxanos de alto peso molecular são oriundos de emissões veiculares, particularmente aditivos em óleos de motor, pois, como resistem a altas temperaturas, não se decompõem na combustão e são liberados nos gases de escapamento, ao contrário de outros hidrocarbonetos, são compostos estáveis ​​e podem percorrer longas distâncias na atmosfera.

Os efeitos na saúde a longo prazo são desconhecidos, urgindo, segundo os cientistas, necessidade de avaliação, no entanto, foi observado que esses poluentes podem alterar a formação de nuvens e outros processos climáticos, modificando a tensão superficial e nucleação do gelo. Vale observar que grande parte da poluição circula na atmosfera urbana, regiões rurais e florestas e, em sua maioria, oriundas de emissões veiculares, provavelmente relacionadas a aditivos de óleo de motor que sobrevivem à combustão e escapam ao ar, considerando que seres humanos podem inalar mais desses compostos diariamente que outros poluentes como PFAS ou microplásticos. Compostos químicos conhecidos como metilsiloxanos são usados ​​em cosméticos, produtos industriais, transportes e itens domésticos, encontrados em ampla variedade de ambientes, de grandes cidades a vilarejos rurais e florestas. Importante observar que poluentes como PFAS e microplásticos são conhecidos pela presença no ambiente, enquanto os metilsiloxanos são classe de compostos de silicone hidrorrepelentes usados ​​como lubrificantes, com menor visibilidade cienfíca, já que durante anos, cientistas acreditaram que os metilsiloxanos detectados na atmosfera provinham da evaporação de produtos de higiene pessoal e materiais industriais e, recentemente, descobriram que navios e veículos motorizados liberam forma de metilsiloxanos composta por moléculas maiores que não evaporam facilmente. A pesquisa observou que esses metilsiloxanos maiores não se limitam a locais com tráfego intenso, sugerindo ampla distribuição na atmosfera, com Rupert Holzinger, professor associado da Universidade de Utrecht, co-orientador do estudo, esclarecendo que "os resultados sugerem que concentrações de metilsiloxano na atmosfera são maiores que o esperado", quer dizer, metilsiloxanos de grande porte representam entre 2/4,3% da massa total de aerossóis orgânicos na atmosfera, tornando-os alguns dos compostos sintéticos mais abundantes detectados em partículas em suspensão e, comparados as concentrações atmosféricas de PFAS, são tipicamente mais de mil vezes menores. Quando adicionados aos lubrificantes, têm como objetivo auxiliar na lubrificação e não na combustão, no entanto, no funcionamento do motor as peças móveis como os pistões, requerem lubrificação constante tornando inevitável a entrada de pequenas quantidades de óleo do motor na câmara de combustão, daí, por conta dos metilsiloxanos serem altamente resistentes ao calor e não se decomporem completamente na combustão, sobrevivem as altas temperaturas dos motores e são liberados na atmosfera através dos gases de escape.

Moral da Nota: maiores concentrações foram medidas em regiões urbanas cujas  amostras coletadas na região metropolitana de São Paulo, no Brasil, atingiram 98 nanogramas/metro cúbico, em oposição a 0,9 nanogramas/metro cúbico em Rugsteliskis Lituânia, no entanto, amostras de ar em Cabauw, vila rural holandesa, concentrações chegaram a 2 nanogramas/metro cúbico fornecendo aos pesquisadores dados de climas diversos, hemisférios e regiões econômicas, incluindo economias desenvolvidas e emergentes. Pesquisadores afirmam que pessoas provavelmente os inalam continuamente por conta da presença dos metilsiloxanos em quase toda a atmosfera, desconhecendo-se efeitos dessa exposição na saúde a longo prazo, com o Dr Holzinger esclarecendo que  "embora a dose diária de inalação de metilsiloxanos possa exceder a de outros compostos sintéticos como PFAS, micro e nanoplásticos, há necessidade urgente de avaliação desses impactos na saúde." Por fim, alertam que esses produtos químicos podem influenciar o clima e processos atmosféricos alterando propriedades dos aerossóis que desempenham papel importante na formação de nuvens e comportamento do clima, por exemplo, esses compostos podem alterar a tensão superficial dos aerossóis afetando formação de nuvens, além de interferir na nucleação do gelo, importante nos processos de formação de nuvens atmosféricas. A conclusão que os metilsiloxanos se espalham pela atmosfera de modo semelhante aos hidrocarbonetos de cadeia longa  encontrados em óleos de motor, remete a padrões de dispersão correspondentes sugerindo que provêm da mesma fonte, curiosamente, hidrocarbonetos de cadeia longa diminuíram significativamente à medida que atravessavam a atmosfera e se diluíam, no entanto, os metilsiloxanos, permaneceram mais estáveis enquanto grandes quantidades continuaram persistir na atmosfera mesmo após o transporte a longas distâncias, daí, a estabilidade significa que os compostos provavelmente podem percorrer grandes distâncias pelo ar.

domingo, 2 de agosto de 2026

Recorde Mundial

Mais da metade da eletricidade da Califórnia em maio, segundo o Los Angeles Times, foi a partir da energia solar, recorde mundial, em marco que acreditam ser novidade global, conforme análise de dados federais, com o analista da Grid Status, grupo que monitora oferta e demanda de eletricidade nos EUA e mercados de energia, Abby Lestina, dizendo que “a Califórnia teve grande crescimento solar nos últimos 5 anos”, concluindo, “faz sentido que alcancem esse objetivo.” Pela primeira vez que se sabe, um sistema de energia em larga escala ultrapassa 50% de energia solar em 1 mês inteiro, valendo dizer que é o 2º recorde de poder estabelecido pelo estado recentemente, quer dizer, nos primeiros 5 meses de 2026, produziu mais eletricidade a partir da energia solar que o gás natural, segundo a Administração de Informação Energética dos EUA, e que, a queima de gás natural tem sido a principal fonte de eletricidade no estado há muito tempo podendo ser o 1º ano que solar supera o gás na matriz energética da Califórnia, com o detalhe que, superou o recorde em maio, mês  não muito quente nem muito frio, significando que há menos demanda permitindo que a energia solar atenda a parcela maior da necessidade energética. O crescimento do armazenamento de novas baterias no estado permite economizar solar quando está superabundante e usá-la quando o sol se põe, conforme Nicolas Fulghum, da Ember, dizendo que, “o armazenamento de baterias transformou o sistema de energia da Califórnia”, escreveu, “as baterias transferem grandes quantidades de energia solar do meio-dia ao pico da noite, permitindo nível de penetração solar no sistema.” A energia fornecida pelo armazenamento de baterias na Califórnia cresceu de 500 megawatts à 16 mil desde 2020, ao passo que a quantidade de solar produzida mais do que duplicou à medida que o estado construiu parques solares nos desertos e em outros locais incentivando proprietários instalar nos telhados e, como resultado, em 2026, tinha 23.400 megawatts de capacidade solar em larga escala ficando atrás do Texas, segundo a EIA, quer dizer, quando se adiciona telhados e outros painéis de pequena escala a Califórnia tinha mais que qualquer outro estado, ou, 43.500 MW. Jayme Ackemann, porta-voz da operadora de rede da Califórnia, esclarece que, “como aumentou a participação de energia solar/renovável na rede a cada ano, ao mesmo tempo que aumentamos o armazenamento de baterias, continuaremos ver recordes a cada primavera à medida que o fornecimento aumenta”. Vale salientar que a Califórnia não está nem perto do desenvolvimento renovável da China, considerando que os chineses construíram 7 vezes mais energia solar em 2025 que o total instalado pelo estado,no entanto, a diferença é que emissões de eletricidade da Califórnia estão diminuindo e, as da China, ainda não, já que o estado prosseguiu com a transição apesar dos esforços do governo federal em desacelerá-la. Sediada no Reino Unido e promotora de  energias renováveis, a Ember obteve dados dos relatórios mensais de energia da EIA, Administração de Informação Energética dos EUA, com o rastreador de eletricidade incluindo apenas energia produzida no estado, não inclui, por exemplo, importações  do Arizona e que a geração de energia solar abrange usinas solares de grande escala e sistemas fotovoltaicos em telhados. Por fim, o projeto eólico SunZia, Novo México, começou enviar em abril eletricidade à Califórnia, reduzindo necessidade de queimar gás natural para gerar eletricidade à noite, enquanto importações aumentaram a participação de solar na matriz, sendo que no verão há mais consumo de gás natural, comum, quando temperaturas atingem o pico. Em suma, a Califórnia produz eletricidade mais limpa e a quantidade produzida pelo gás natural que gera poluição e aquece o clima, diminuiu nos últimos anos e, segundo a legislação assinada em 2018, toda eletricidade da Califórnia deverá provir de fontes limpas até 2045.

No Peru, o Tribunal Constitucional ordenou suspensão de 5 pesticidas usados em alimentos, pós detectar falhas de controle e altos níveis de contaminação química, em decisão favorável à saúde pública e segurança alimentar nacional a 2ª Câmara do Tribunal Constitucional ordenou ao Serviço Nacional de Saúde Agrária, Senasa, suspensão temporária da venda, distribuição e utilização de produtos fitossanitários contendo clorpirifós, metomil, glifosato, imidaclopride e clotianidina, destinados à produção de alimentos à consumo doméstico. No Processo nº 03269-2023-PA/TC, o mais alto intérprete da Constituição declarou procedente a ação de amparo impetrada pela AACU, Associação de Consumidores e Usuários de Apurímac, e outras organizações da sociedade civil, reconhece que a supervisão e monitoramento insuficientes pelo Estado sobre uso dos agrotóxicos violam direitos fundamentais à saúde, vida, integridade, ao gozo de ambiente equilibrado e proteção do consumidor. Declarou existência de "estado de coisas inconstitucional", concluindo que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é insuficiente, detalha descobertas baseadas no monitoramento oficial do Senasa e em relatos de cidadãos mostrando tendência crescente na contaminação química de vegetais, de 10,38% de amostras não conformes em 2017 à 38,83% em 2024. Alimentos como páprica, pimentão, pimenta amarela, tomate e aipo, tinham níveis de contaminação que excedem os LMRs, Limites Máximos de Resíduos, chegando em alguns casos a mais de 90% das amostras impróprias ao consumo humano, já, o monitoramento por cidadãos revelou que metade dos alimentos testados em mercados e supermercados não estava em conformidade com padrões de segurança alimentar e que a presença de substâncias químicas proibidas como o carbofurano e o metamidofós foi detectada em plantações destinadas ao consumo em massa. O Tribunal Constitucional conclui que a resposta do Estado aos riscos à saúde gerados por esses pesticidas é estruturalmente insuficiente, em voto divergente, o juiz Gustavo Gutiérrez Ticse destacou "duplo padrão inaceitável" no país, enquanto produtos agrícolas destinados à exportação cumprem rigorosos padrões internacionais de segurança, alimentos cultivados à consumo pelos peruanos apresentam altos níveis de toxicidade. Por fim, o Tribunal fundamentou a decisão no princípio da precaução, argumentando que o Estado tem dever especial de proteger a saúde pública e o ambiente, nesse sentido, determinou que é irrazoável transferir ao cidadão o ônus de demonstrar por meio de estudos dispendiosos riscos à saúde cuja fiscalização é de responsabilidade exclusiva das autoridades, enfatiza que o risco relatado não é mera conjectura, mas, probabilidade plausível apoiada por evidências científicas a respeito do perigo das 5 substâncias ativas suspensas que possuem efeitos neurotóxicos, potenciais impactos no desenvolvimento e alto risco à biodiversidade como toxicidade às abelhas. Em consequência, emitiu decretos obrigatórios de reavaliação técnica, o Senasa, com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Irrigação, Midagri, e o Ministério da Saúde, Minsa, dispõe de 90 dias úteis para realizar reavaliação técnica, científica e abrangente sobre permanência, restrição ou cancelamento definitivo de autorizações dessas substâncias, além de Plano interinstitucional, em que o Senasa, Midagri, Minsa, a Presidência do Conselho de Ministros, PCM, e governos locais devem implementar plano para garantir segurança alimentar no prazo de 180 dias úteis, a Rastreabilidade e laboratórios, deve incluir reforço da supervisão, acesso especializado, mecanismos de rastreabilidade na detecção de infratores e protocolos à recolha de alimentos contaminados e apoio aos agricultores para desenvolver programas de assistência técnica à promoção de práticas de manejo de pragas menos arriscadas incentivando pesquisa de alternativas ecológicas. A suspensão do uso dos pesticidas permanece em vigor até que o Estado conclua a reavaliação determinada e implemente mecanismos de controle eficaz que garanta que os alimentos nas mesas peruanas não representem mais um perigo à vida.

Moral da Nota: a enciclopédia Al-Hawi fi al-Tibb promoveu a medicina baseada na observação, Al-Hawi de Al-Razi, tradução latina, O Livro Completo da Medicina, do médico Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi, latinizado como Razes, está entre as grandes obras científicas da civilização islâmica, reune o conhecimento médico da  época enriquecendo com observações clínicas, experiências terapêuticas e análises críticas. Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi nasceu por volta do ano 865 na cidade de Rayy e mudou-se para Bagdá onde dirigiu um dos principais hospitais da era abássida,tinha como atividade científica medicina, filosofia, química e farmácia, é autor de mais de 200 obras, incluindo Al-Hawi, Al-Mansuri fi al-Tibb, Varíola e Sarampo e Para aqueles que não têm médico, faleceu em 925 deixando legado que influenciou o desenvolvimento da medicina. Sua tradução ao latim e subsequente disseminação na Europa contribuíram por séculos à formação médica e desenvolvimento de prática baseada na observação, experimentação e análise crítica, permanecendo testemunho do florescimento do pensamento científico na civilização árabe-islâmica e uma das obras fundamentais na história da medicina experimental. Uma das referências médicas no Oriente e Ocidente auxiliando consolidar Al-Razi como um dos mais influentes na história da medicina, em “Obras Mestras” dedica a análise de trabalho cuja metodologia baseada na observação, comparação e experimentação, marca etapa decisiva no desenvolvimento do pensamento médico, sendo Al-Hawi considerada a obra mais extensa e célebre de Al-Razi, enquanto trabalhava em hospitais em Rayy e Bagdá onde reuniu conhecimento das tradições médicas grega, indiana e árabe, acrescentando  observações clínicas e experiência no diagnóstico e tratamento de doenças. Observam os historiadores da medicina que a obra não atingiu sua forma final durante a vida de Al-Razi, pois faleceu antes de revisá-la e organizá-la completamente e, seus alunos, posteriormente compilaram e organizaram suas anotações transformando-as em uma das maiores enciclopédias médicas da história, sendo que a singularidade de Al-Hawi reside no fato de ter ido além da mera transmissão de conhecimento e adotado abordagem na observação direta e experimentação, não se limitou reproduzir opiniões dos médicos que o precederam, as examinou, comparou-as com suas experiências e documentou a evolução diária de casos clínicos, registrando resultados favoráveis ​​ou negativos dos tratamentos aplicados. A obra contém observações sobre doenças do sistema respiratório, digestivo e nervoso, descrições de feridas, fraturas e abscessos, aborda medicamentos, suas propriedades e métodos de administração, utiliza metodologia semelhante à que hoje conhecemos como documentação clínica, dentre as contribuições científicas mais notáveis ​​de Al-Razi, destaca-se a diferenciação entre varíola e sarampo, avanço que mudou a compreensão das doenças epidêmicas do qual médicos europeus se beneficiaram posteriormente. Por fim, a obra foi impressa pela 1ª vez em Brescia, Itália, em 1486, tornando-se um dos primeiros livros de medicina publicados na Europa pós disseminação da imprensa no século XVI e  reimpressa diversas vezes em Veneza, com universidades europeias utilizando-a como referência ao ensino da medicina até o século XVII, além de fazer parte do currículo da Faculdade de Medicina da Universidade de Paris por anos, refletindo influência no desenvolvimento da medicina europeia. Reem Al-Kamali, escritora, descreveu Al-Hawi, em artigo publicado Al-Bayan como projeto científico que ocupou grande parte da vida da autora, sendo que o registro de observações clínicas e análises fez da obra testemunho do desenvolvimento da medicina experimental na civilização árabe-islâmica e referência por séculos. Nenhum manuscrito original completo escrito por Al-Razi foi preservado, embora cópias de Al-Hawi ultrapassem 10 mil páginas, sendo que o exemplar mais antigo conhecido data de 1094, guardado na Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA, além de exemplares na Biblioteca Bodleiana da Universidade de Oxford e outras instituições internacionais.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Subsídios

A maioria dos países não cumpriu a meta de 2025 em identificar subsídios que seriam “prejudiciais” à biodiversidade, quer dizer, 84% perderam o prazo dos subsídios ‘prejudiciais à natureza’ e, 32 países, gastam US$ 270 bilhões/ano em subsídios e incentivos prejudiciais a biodiversidade. Em 2022, quase todos os países concordaram com “objetivos” e “metas” em deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030, uma delas, que identificassem até 2025 os subsídios que prejudicam a biodiversidade, antes de eliminar ou reformar pelo menos US$ 500 bilhões desses incentivos até 2030. Podem ser encontrados em setores incluindo combustíveis fósseis, agricultura, silvicultura, mineração e pesca e 21 países parecem ter atingido a meta de 2025, segundo o Carbon Brief, com base na análise de 134 relatórios nacionais submetidos à CDB, Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica, até 1º de julho de 2026, enquanto  5 dos 17 países megadiversos estavam entre os que cumpriram o prazo. Análise mostra o número de países que atingiram a meta de 2025 para identificar uso de subsídios prejudiciais à natureza, entretanto, métricas para determinar quais “atingiram” a meta não são explicitamente definidas considerando qualquer país que afirmasse ter concluído o processo de identificação dos subsídios e, em quase todos os casos, incluíram valor total ao valor dos subsídios. Conclui que 21 países identificaram subsídios prejudiciais, equivalendo a 16% dos que apresentaram relatórios nacionais até agora, outros 11 países, mais a UE, forneceram números para alguns dos subsídios como apenas os de um setor específico e, dos 134 relatórios nacionais submetidos à CDB, 66 se referem ao início do processo, enquanto 68 restantes não, os últimos 62  signatários da CDB não apresentaram relatório nacional. Eva Zabey, da Business for Nature, nos informa que os que identificaram alguns ou todos os subsídios, 32 países, gastam quase US$ 270 bilhões/ano em incentivos prejudiciais à natureza, baseado em contagem de valores ano disponível mais recentemente listados nos relatórios nacionais dos países, em dólares americanos, utilizando taxas de conversão no fim de um determinado ano e ajustadas pela inflação, daí, os US$ 270 bilhões relatados nas submissões nacionais até o momento são “a ponta do iceberg” e que o valor global pode chegar a US$ 1,8 trilhão, estimativa de 2022 do B Team, ONG sem fins lucrativos. Avalia que os números identificados são “aviso” que o “mundo não está se movendo rápido o suficiente” para lidar com subsídios prejudiciais, acrescentando que, “a notícia positiva é que alguns países mostraram que isso pode ser feito e deve encorajar outros a seguir o exemplo e que a reforma dos subsídios deve ser tratada como econômica, não como lista de verificação ambiental."

O objetivo de identificar subsídios decorre da meta 18 do GBF, Quadro Global de Biodiversidade, de Kunming-Montreal, ou, o acordo global que contém objetivos e metas à natureza exigindo dos países até 2025 identificarem subsídios e incentivos  prejudiciais à biodiversidade, afirma que, as nações devem “eliminar  gradualmente ou reformar” estes subsídios de forma “proporcional” reduzindo-os em pelo menos US$ 500 bilhões/ano até 2030, afirma ainda que, os países devem focar incentivos “mais prejudiciais” e, ao mesmo tempo, aumentar incentivos positivos à natureza. A questão se traduz que os relatórios nacionais dos países’ não “fornecem base suficiente para determinar” se o marco 2025 foi atingido, mas, evidências disponíveis “sugerem” que não, considerando não haver conceito universalmente aceito de “subsídio prejudicial à biodiversidade”, ou, como difere de um subsídio prejudicial ao meio ambiente, daí, subsídios ambientais “prejudiciais” impactam no ambiente humano’, ao passo que, os prejudiciais à biodiversidade afetam diretamente espécies e ecossistemas. Documento de  de 2022 sobre identificação de subsídios prejudiciais à biodiversidade publicado pela OCDE, Organização à Cooperação e Desenvolvimento Econômico, descreve  biodiversidade como subconjunto do ambiente, com clima e ar fora do âmbito da “biodiversidade”, no entanto, o relatório observa que mudanças climáticas são dos 5  impulsionadores da perda de biodiversidade e, acrescenta que, “como tal, subsídios que conduzem a maiores emissões de gases efeito estufa, por exemplo, terão impacto indireto na biodiversidade.” Jessica Dempsey, da Universidade Colúmbia Britânica, avalia que “com certeza” consideraria subsídios aos combustíveis fósseis como prejudiciais à biodiversidade, não apenas como fator determinante das mudanças climáticas, mas, porque sua extração pode causar danos à biodiversidade, acrescenta, “provavelmente é verdade que os subsídios prejudiciais não estão necessariamente relacionados a biodiversidade, algum cuidado nisso é importante, mas, subsídios aos setores conhecidos como motores da perda de biodiversidade parecem óbvios.” Por fim,  subsídios que prejudicam a biodiversidade podem ser diretos ou indiretos, com os diretos referindo-se a despesas governamentais destinadas a projetos que prejudicam a natureza como construção de usina elétrica a gás, enquanto os subsídios indiretos, incluiriam isenções fiscais que incentivam determinado comportamento, como taxas de imposto mais baixas sobre combustíveis à máquinas agrícolas. Concluindo, subsídios na agricultura, pesca e energia são considerados mais “prejudiciais”, mas, os danos também podem ser causados pelo apoio à silvicultura, infra-estrutura, transporte, construção, água, daí, estimativa do total global de subsídios que prejudicam a biodiversidade focar entre US$ 1,7-3,2 trilhões/ano e a estimativa de subsídios prejudiciais ao ambiente estimar valor em US$ 2,6 trilhões.

Moral da Nota: a equipe do Centro de Sensoriamento Remoto da Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG, Brasil, reconstruiu a distribuição da vegetação tropical nos últimos 3,3 milhões de anos e projetou como poderá sofrer mudanças devido ao clima até 2050, estudo que foi publicado no Journal of Biogeography. Combinou dados de satélite, registros paleoclimáticos e algoritmos de aprendizado de máquina para mapear como, florestas, savanas e desertos se redistribuíram nos trópicos ao longo de 11 períodos de tempo, ou, do fim do Plioceno ao presente, mostrou que as mudanças climáticas atuais podem dentro de décadas impactar a vegetação tropical semelhantes aos 3 milhões de anos de história do planeta. Quer dizer, a cerca de 3,2 milhões de anos atrás, quando a Terra era quase 4º C mais quente que hoje, florestas tropicais atingiram sua menor extensão no período analisado, Floresta Amazônica, por exemplo, cobria menos da metade da área que conhecemos, a Mata Atlântica foi reduzida a menos de 5% da extensão potencial, enqaunto savanas dominavam paisagens hoje cobertas por florestas. Na África, continente tropical que mais mudou ao longo do período de estudo, as florestas foram escassas e as savanas dominaram quase inteiramente, o Saara, hoje, maior deserto quente do mundo, nem sempre foi assim, no Plioceno, abrigou mosaicos de arbustos e vegetação esparsa e, conforme ciclos glaciais dos últimos 2 milhões de anos, as florestas flutuaram, avançaram durante os períodos mais quentes e recuaram nos mais frios. O estudo relata que nos 21 mil anos atrás, auge da última era glacial, a Amazônia perdeu quase um terço da área, mantendo um núcleo contínuo e nunca se fragmentou completamente, enquanto a Mata Atlântica, dividiu-se em 2 blocos separados por centenas de kms de vegetação aberta. Algo diferente aconteceu no Sudeste Asiático, segundo a pesquisa da UFMG, em que quase um terço do Arquipélago Malaio manteve florestas intactas por mais de 3 milhões de anos tornando a região área tropical mais estável do planeta, ou, 22% dos trópicos permaneceram estáveis no período analisado, áreas que funcionaram como refúgios acumulando biodiversidade ao longo de milhões de anos.  As transformações foram lentas ocorrendo ao longo de centenas de milhares de anos, tempo suficiente às espécies migrarem, se adaptarem, ou, em alguns casos, evoluírem, enquanto a megafauna sul-americana como preguiças gigantes, tatus do tamanho de carros e mastodontes não sobreviveu as mudanças juntamente com outros fatores como a chegada dos humanos. Por fim, as projeções para 2050 no cenário de maiores emissões, indicam que as temperaturas nos trópicos podem aumentar entre 2ºC e 4ºC, na Amazônia o aumento pode chegar a 4º enquanto a combinação de calor e seca pode transformar florestas densas em vegetação aberta, podendo fazer com que a Amazônia perca mais de um terço de suas florestas, já o Arquipélago Malaio, Indonésia, Malásia, Filipinas, Brunei, Timor Leste e Papua Nova Guiné, que permaneceu estável por 3,3 milhões de anos pode ter as florestas reduzidas em mais de 40%, sendo que a magnitude destas mudanças é comparável à que ocorreu ao longo de milhões de anos. Para concluir, o ar se move suavemente ao longo de minutos, sentimos uma brisa, quando a mesma massa de ar percorre a mesma distância em uma fração de segundo, temos um tornado, quer dizer, a mudança comprimida ao longo do tempo torna-se destrutiva e o que está acontecendo com o clima dos trópicos é parecido com isso, ou,transformações que levaram milhões de anos podem agora ocorrer em décadas, quer dizer, a estabilidade que protegia pode tornar-se vulnerabilidade.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Ação Local

Estudo demonstra 1ª análise comparativa da contaminação por microplásticos na fauna endêmica de cloaca nos oceanos Pacífico sudoeste e Índico, detectou a maioria das espécies, média de 3,42 ± 3,23 partículas/indivíduo e o poliestireno fragmentado foi o polímero dominante, 56,10%, seguido pela acrilonitrila, 19,51% e polietileno, 17,07%. Os caracóis exibiram maior acúmulo de micrplásticos em órgãos internos devido ao comportamentos de pastoreio, enquanto mexilhões mostraram distribuição mais uniforme entre os tecidos, ao passo que, a abundância de microplaśticos em espécies do Oceano Índico foi 1,9 vezes maior do que em espécies do Oceano Pacífico, apesar dos últimos serem 4 vezes maiores refletindo pressões antropogênicas. Anualmente são produzidos mais de 460 milhões de toneladas de plástico com 19 milhões de toneladas descartados no ambiente, número, que deve triplicar até 2060 enquanto poluição plástica representa perda de US$ 4,5 trilhões de oportunidade em  impulsionar valor material e ineficiências ao longo do ciclo de vida do material. Países diversificados já demonstram como é possível alcançar progresso em direção a economia circular relacionada aos plásticos descartados, contribuindo às emissões de gases efeito estufa prejudicando biodiversidade e afetando meios de subsistência e saúde pública. Caso persistam tendências atuais o uso global de plástico triplicará  enquanto transição à economia circular relativa aos plásticos torna-se imperativo econômico, ambiental e estratégico, considerando encontro na Semana de Ação Climática de Londres, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas na Turquia e a próxima fase das negociações do Tratado Global sobre Plásticos, há reconhecimento  que a construção de economia circular aos plásticos exige transformação. A poluição plástica é falha sistêmica impulsionada por ineficiências no ciclo de vida do material, produção, design ao uso e reciclagem, ao passo que tratar o plástico apenas como resíduo ignora dimensão econômica mais ampla, ou, a perda de valor material, aumento dos custos do sistema e crescente pressão sobre recursos naturais, juntos, são oportunidade econômica perdida de US$ 4,5 trilhões. A poluição plástica é desafio e a ambição internacional desempenhou papel em colocar o tema na agenda global, sendo que o próximo desafio é traduzir tal ambição em ações coordenadas, investimentos e mudanças sistêmicas, ou, olhar além da gestão do fim da vida útil e repensar modelos de consumo modernos, design de produtos, quadros políticos e sistemas de retenção de valor que ajudem criar economia autossustentável circular. O Tratado Global sobre Plásticos, não concluído, desperta continuidade daquilo que funciona na prática, com países demonstrando ser possível alcançar progressos hoje, mesmo com negociações em andamento, experiências que oferecem lições à próxima fase do tratado e mostram como esforços nacionais contribuem à ação global. Em vários países e cadeias de valor, governos, empresas e comunidades fortalecem sistemas de coleta, aprimoram infraestrutura de reciclagem e redesenham à circularidade, na África, por exemplo, a ausência de normas harmonizadas aos plásticos reciclados de grau alimentício retardam investimento e inovação, daí, colaboração entre a ARSO, Organização Africana de Normalização, a ACEA, Aliança Africana à Economia Circular, União Africana, PNUMA, Programa da ONU ao Meio Ambiente e a Circularium Africa Advisory levou à criação da rPET, Norma Africana à Polietileno Tereftalato Reciclado para Contato com Alimentos estabelecendo requisitos comuns de teste e segurança, desbloqueando investimentos, apoiando comércio regional e acelerando circularidade. Por fim, nas Filipinas, que gera 163 milhões de sachês plásticos flexíveis por dia e perde anualmente US$ 890 milhões em materiais recicláveis, grupo de trabalho sobre reciclagem de plásticos reunindo governo, empresas, sociedade civil e parceiros de desenvolvimento, apoia tecnologias de reciclagem, fortalece sistemas de coleta e promove abordagem da cadeia de valor incluindo reciclagem de materiais à consumo humano. Em suma, em toda a rede da Parceria Global de Ação contra o Plástico do Fórum Econômico Mundial, 25 países desenvolvem Roteiros Nacionais de Ação contra o Plástico adaptados aos contextos nacionais buscando aprimorar sistemas de gestão de resíduos e design de produtos, fortalecer mercados de materiais reciclados, atrair investimentos, criar empregos e reduzir poluição.

A demanda global por eletricidade crescerá mais que em 2025, mesmo com sistemas de energia enfrentando turbulências no mercado e volatilidade de preços devido a guerra e, apesar do aumento do uso do carvão à geração elétrica, no lugar do gás que teve oferta estrangulada e preço elevado pelo conflito, as renováveis estão a caminho de se tornarem a maior fonte de produção de eletricidade do mundo. A AIE publicou o relatório Electricity 2026 dizendo que indústria, EVs, ar condicionado e data centers continuam impulsionar aumentos no consumo global de eletricidade indicando que a demanda global crescerá 3,6% em 2026 e 3,8% em 2027 aumento em relação ao crescimento de 3% em 2025, que o consumo global de energia elétrica atingirá 30,7 mil terawatts-hora, TWh, em 2027, comparados com 28,6 mil TWh em 2025. As interrupções no fluxo de gás liquefeito, GNL, pelo Estreito de Ormuz levaram os preços do combustível fóssil na Ásia e Europa a níveis mais altos desde a crise energética de 2022-23 com a guerra na Ucrânia, o que provocou adoção de medidas emergenciais para restringir o consumo de energia em algumas regiões. Em sua maioria, segundo a AIE, os sistemas de energia resistem a impactos da crise, no entanto, picos nos preços do gás levaram sua substituição pelo carvão em países asiáticos e europeus, com isso, a geração a carvão aumentará 1,4% em 2026 pós  estabilidade em 2025, por sua vez, o aumento da geração de energia a partir de renováveis contribuiu à diversificação do fornecimento em muitos países reforçando  segurança energética auxiliando amortecer impactos de preços do petróleo e gás, assim, renováveis caminham a se tornarem maior fonte de geração de eletricidade em 2026, ultrapassando carvão pós atingirem quase paridade em 2025 e, que,renovável, crescerá mais de 8% em 2026 e aumentará participação na geração global de 33% em 2025 à 37% em 2027. Energia solar lidera crescimento da oferta devendo crescer nos próximos 2 anos, ultrapassando eólica em 2026 e tornando-se a 2ª maior fonte de geração de renovável do mundo depois da hidrelétrica, segundo a AIE, a produção global solar fotovoltaica aumentará de 600 TWh em 2026 igualando crescimento anual recorde em 2025, expandindo em 2027. Vale dizer que, dados da Administração de Informação Energética dos EUA, EIA, analisados ​​pela SUN DAY, revelam crescimento de 10% na geração de energia elétrica por renováveis ​​nos primeiros 5 meses de 2026, além de, energia solar, eólica e armazenamento em baterias adicionarem 83,0 gigawatts, GW, de capacidade de geração nos EUA até 31 de maio de 2027, enquanto a capacidade total de geração de energia a partir de fósseis e nuclear cairá em 4,7 GW, sendo que o crescimento foi impulsionado pela energia solar em escala de utilidade pública, 12,8%, hidrelétrica, aumento de 10,8% e eólica, 4,8%. A combinação das renováveis incluindo biomassa e geotérmica, representou 30,3% da geração total de eletricidade nos EUA nos primeiros meses de 2026, aumento em relação aos 28,2% de 2025 considerando que ao longo de 2025, a capacidade renovável aumentou em quase 45 mil MW, entre 1º de junho de 2025 e 31 de maio de 2026, a capacidade instalada solar em escala de utilidade pública aumentou em 27.995,1 MW, a de energia solar e eólica em pequena escala cresceu 6.664,3 MW e 10.252,6 MW, respectivamente e a capacidade das fontes renováveis ​​em hidrelétrica, biomassa e geotérmica expandiu à 44.711,8 MW. Para concluir, a capacidade de armazenamento de energia em baterias em escala de serviços públicos aumentou em 16.551,8 MW e comparados a capacidade de geração a carvão caiu 2.235,6 MW, enquanto a capacidade nuclear diminuiu 27,6 MW, no entanto, a capacidade de geração a gás natural aumentou 6.289,0 MW. A energia solar de pequena escala cresceu 6.664,3 MW em 2025, elevando à 62.088,6 MW, sendo que a  EIA não fornece previsão aos próximos 12 meses do crescimento da capacidade solar de pequena escala, mas, a SUN DAY assume que será igual à de 2025 ou, seja, adicional de 6 mil MW ou mais, prevendo que em 2027 a capacidade instalada renovável chegará a 542.096,3 MW, colocando a participação solar total em 20,3% da capacidade total norte americana. OBS: SUN DAY Campaign é organização sem fins lucrativos de pesquisa e educação, fundada em 1992, apoia transição à tecnologias sustentável como alternativa viável à energia nuclear e a combustíveis fósseis como solução às mudanças climáticas.

Moral da Nota: a 11ª edição do Global Payments Report mapeou pagamentos em 42 países, colocando o Pix na liderança da transformação digital no Brasil, considerando que dinheiro em espécie representa 12% das transações nacional enquanto 96% dos brasileiros estão bancarizados com, o Pix, o motivo. Descrito pelo relatório como motor da transformação digital e responsável pela bancarização levando ao acesso a serviços financeiros 96,4% da população, dados do Banco Central, além de dominar o e-commerce e pontos de venda, o cartão de crédito mantém força e o dinheiro em espécie não saiu de cena. Considerando que o sisteme em 2025 respondeu por 38% do e-commerce e 34% do volume de transações nos pontos de venda, coloca o Brasil entre mercados mais avançados em pagamentos instantâneos, conta a conta, A2A, além do fato que o cartão em 2025 representou 40% de participação no e-commerce beneficiado pela cultura de parcelamento que amplia poder de compra, diferencial que sistemas de pagamento instantâneo não replicam de forma generalizada. O relatório mostra América Latina heterogênea com maior uso de dinheiro em espécie em pontos de venda em 2025, forte no México, 40%, Colômbia, 32%, e, Peru, 30%, o, Brasil, 12%, Chile, 16% e Argentina, 17%, mais próximos da média global. Por fim, vale dizer que o QR Code está em ascensão no Peru via Yape, Colômbia via Nequi e Argentina via Mercado Pago que compartilham a característica, ou, aplicativos com base de usuários consolidada que usam QR como interface principal de pagamento. Quanto ao PIX, se expande na Argentina, o, Transferências 3.0 representa 15% do e-commerce e 10% do volume nos pontos de venda, a Colômbia lançou em 2025 o sistema de pagamentos instantâneos, o Bre-B, mesmo caminho. Para concluir, nota sobre a Nigéria entre os maiores índices de uso de transferências conta a conta do mundo e projeção que lidere até 2030 com 50% do valor transacionado online e 36% do valor nos pontos de venda e, no Reino Unido, as carteiras digitais são 40% do valor transacionado e desbloqueam 453 bilhões de libras em gastos adicionais até 2030, adoção da Geração Z a aposentados.

domingo, 26 de julho de 2026

O Aço

A China desenvolve hidrogênio buscando dar passos em direção a aço mais limpo através do plano quinquenal e projeto-piloto sinalizando que o país leva a sério o hidrogênio verde com a siderurgia entre os setores beneficiados, em que painel de aço enaltece produção em hidrogênio na fábrica do Hebei Iron & Steel Group em Zhangjiakou, província de Hebei, cuja instalação é pioneira buscando produzir aço à base de hidrogênio. Descrito pelo governo chinês como de “grande importância” à transição nacional, o hidrogênio está na pauta de adoção em setores intensivos em carbono enfrentado obstáculos de custo e logística, no entanto, impulso político  encoraja o hidrogênio “verde” produzido através de renováveis cujo objetivo é desenvolver a indústria chinesa de hidrogênio e impulsionar seu uso inclusive na  siderurgia nacional. Programa piloto lançado por 3 Ministérios governamentais recompensará 5 agrupamentos urbanos por perseguirem e alcançarem metas em matéria de hidrogênio, estando no foco incentivo à projetos “que promovam transição industrial siderúrgica” e utilizem fontes de baixo carbono, ou, hidrogênio verde, visto como insumo crítico à redução das emissões da produção de aço como combustível de baixo carbono ao processamento de minério de ferro que convencionalmente ocorre em altos-fornos movidos a carvão, ou, utilizando gás natural, no entanto, número limitado de instalações limpas produz aço em escala comercial na China e a nível mundial. Anunciado na sequência do 15º Plano Quinquenal, o plano econômico chinês à 2026/2030 enfatiza ambições de prosseguir o hidrogênio como nova fonte de energia e “indústria do futuro" e, à medida, que impulso ao hidrogênio é lançado e autoridades descrevem como potencial “ponto de inflexão” no setor, considerando que, desde o lançamento em 2022 do 1º plano de longo prazo ao hidrogênio da China, 2021-2035, o gás tornou-se parte estratégica da agenda de descarbonização industrial chinesa.

A nova política de hidrogênio lançada foi descrita como “versão 2.0 expandida” de programa anterior de agrupamento de cidades lançado em 2021 e centrado na utilização em veículos com células de combustível, no entanto, agrupamentos piloto de cidades ao abrigo da política de 2021 receberam US$ 719 milhões em prêmios do governo ao longo de 3 anos, lembrando que a China apoia financeiramente o desenvolvimento de veículos movidos a células de combustível como parte do impulso em direção aos veículos elétricos. A nova política focada nas células de combustível e buscando expandir utilização industrial do hidrogênio inclui siderurgia e metalurgia, amoníaco e metanol verdes, transporte marítimo e aviação, daí, veículos movidos a células de combustível são foco de políticas anteriores visando mudança mais ampla da China à veículos elétricos. A chefe chinesa no think tank Transition Asia, disse que último programa é “iniciativa boa” ao aço, complementa que,“ao contrário dos transportes que utilizam baterias e outras abordagens, o aço e produtos químicos têm opções limitadas de descarbonização”, acrescentando que, são setores “que necessitam  hidrogênio verde”. Comparados aos US$ 5 bilhões de subsídios entre 2016 e 2020 na indústria de veículos elétricos chinesa, a ambição ao hidrogênio é menor, ou,US$ 1,17 bilhão e, no total de US$ 232 milhões por cluster urbano, serão emitidos nos próximos 4 anos à projetos de hidrogênio, com o analista chinês especializado em aço no Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo esclarecendo que subsídios menores refletem a “natureza mais complexa do hidrogênio”, uma vez que gama mais ampla de aplicações que veículos elétricos, ao passo que, “abordagem de ‘tamanho único’” ou “apostar tudo como acontece com energia solar ou veículos elétricos” é impraticável.

Moral da Nota: analistas asiáticos preveem que o maior desafio à sua implantação é que o hidrogênio “ainda é caro”, sendo que a política busca reduzir o preço de utilização final dos níveis atuais de ~USD 5 à USD$ 0,28 até 2030, com algumas “regiões vantajosas” ou aquelas com elevado potencial renovável tentando reduzir o preço à  0,4 US$/kg, sendo que o custo da produção de hidrogênio verde na China é atualmente de 0,32-0,14 US$/kg, sendo os preços ao utilizador final mais elevados devido fatores como custos de transporte. Daí, US$ 0,28, é suficiente à metalurgia a base de hidrogênio que precisa de custo de 0,68/0,45 US$/kg, por fim, vale dizer que, “ainda é política orientada por pilotos e não um plano de implementação comercial no mercado” e a ênfase do programa é na regulamentação como “mais adequada às condições nacionais chinesas” que abordagens que outros mercados possam adotar, com o Banco Europeu do Hidrogênio, por exemplo, apoiando projetos de hidrogênio de base renovável através de leilões competitivos, enquanto os EUA oferecem impostos.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Justiça Climática

No Reino Unido, montadoras venceram a 1ª rodada de ações judiciais sobre emissões de diesel, considerando que os requerentes alegaram uso de "dispositivos de fraude" nos testes em que 1,6 milhão de pessoas processaram as montadoras sobre alegações que seus veículos a diesel estavam equipados com "dispositivos de manipulação" ilegais que levavam a emissões mais altas. No resumo da sentença, a juíza Sara Cockerill afirmou "rejeitar a maioria das apresentadas contra os fabricantes cujos veículos foram examinados no julgamento", afirmando que um dispositivo de manipulação de emissões, conforme normas de emissões, abrange apenas "dispositivos que operam com o propósito intencional e/ou, não permitido, de fazer com que o sistema de controle de emissões funcione diferente quando detecta o ciclo de teste". A questão no Tribunal Superior de Londres girou em torno de 20 veículos de amostra da Mercedes-Benz, com a Juiza constatando contra montadoras inclusive sobre dispositivo de temperatura do líquido de arrefecimento usado em carros da Mercedes, removido em atualização de dezembro de 2015 e, que, segundo ela, não reduzia a eficácia do sistema de controle de emissões, além de emitir parecer desfavorável em relação ao modo de combustão utilizado em alguns veículos Peugeot-Citroen. A Mercedes saudou a decisão dizendo que o tribunal se pronunciou "em grande parte a favor" da empresa, disse, discordar da decisão desfavorável e que avalia opções, incluindo possível apelação, enquanto a Stellantis afirmou que uma das acusações contra ela foi confirmada e considera a possibilidade de solicitar autorização para recorrer dizendo em comunicado que, "mantém a posição que seus veículos cumprem normas de emissões  aplicáveis." Advogados dos demandantes disseram que consideram possível apelação, que, segundo eles, "adotou interpretação da lei significativamente mais restritiva que a aplicada em outras partes da Europa", sendo que a juíza afirmou que era "quase certeza que seriam feitas tentativas determinadas de recurso" e, dada a dimensão do litígio, parece provável que a permissão para recorrer seja concedida, considerando ainda que o julgamento iniciado em outubro foi a audiência mais importante até o momento em 13 grupos de ações judiciais movidas por 1,6 milhão de requerentes. A decisão diz respeito a casos-teste contra 5 fabricantes e, se aplicará a 800 mil reclamações similares envolvendo outras montadoras e novo julgamento está previsto para começar em outubro de 2026 para determinar consequências de eventuais violações das normas de emissões e se algum dos demandantes tem direito a indenização. Para concluir, o escândalo "Dieselgate" que custou bilhões de euros à Volkswagen, veio à tona em 2015 e resultou em anos de litígios, sendo que fabricantes concorrentes afirmaram que os processos contra eles são fundamentalmente diferentes.

O "plano climático chinês impulsiona renováveis em fábricas e data centers sendo o país asiático maior fonte de gases efeito estufa que aquece o clima, planeja integrar a frota de energia renovável em fábricas, centros de dados e transportes em plano que apresenta detalhes sobre estratégia de redução de emissões até 2030. Com data de validade de 5 anos, publicado pós orientação geral ser confirmada na reunião política anual chinesa em março, sinaliza que o país se afasta de era de apenas construção de capacidade de energia limpa e se concentra mais em garantir que seja usada através de armazenamento, transmissão, eletrificação, hidrogênio verde, parques industriais e data centers de baixo carbono. Referem-se à abordagem chinesa de estabelecer metas frouxas e planejar crescimento de tecnologias limpas para impulsionar declínio nas emissões, sendo provável que decepcione defensores de ação climática mais rápida, já que, metas climáticas são as mesmas publicadas pela China no plano quinquenal mais amplo de março, quer dizer, promoverá fontes renováveis, como solar e eólica, impulsionando electrificação da exploração convencional de petróleo e gás, conforme plano de trabalho separado ao setor energético, o plano, abrange período de 2026 a 2028, promove inclusão da energia nuclear em programas de comércio de energia verde e certificação de eletricidade verde da China, elementos-chave da estratégia de descarbonização nacional. Emissões de CO2 que constituem a maior parte da pegada climática chinesa, diminuíram em 2025 impulsionadas por avanços nas implantações de renováveis e EVs incluindo caminhões de longa distância, com o presidente chinês se comprometendo alcançar neutralidade de carbono até 2060 e fazer com que emissões atinjam pico antes de 2030 permitindo retomada do aumento de emissões de carbono nos próximos anos. Vale a nota que o país enfrenta desaceleração econômica e preocupações com segurança energética decorrentes conflitos bélicos, complicadores da agenda climática no curto prazo, sendo que o plano quinquenal ao setor energético enfatiza papel do carvão como base de sustentação do sistema energético nacional e não restringe a indústria de transformação de carvão em produtos químicos, setor que cresce rapidamente, propondo modernização de instalações para reduzir pegada de carbono, queda no consumo de carvão por unidade de produção e substituição gradual de matérias-primas e insumos energéticos de origem fóssil por renovável e hidrogênio verde. Por fim, os próximos 5 anos serão cruciais para determinar se a China cumprirá o prazo de emissões de carbono e estará no caminho para atingir zero líquido até 2060, considerando que a agressividade com que começa reduzir a pegada climática são essenciais às perspectivas mundiais de limitar impactos do aquecimento global, já que o país respondeu por 29% da poluição por gases efeito estufa em 2024, comparada com os 11% dos norte americanos, ou, 2ª nação classificada e, desde então, os EUA revogaram políticas climáticas e viu emissões aumentarem em 2025.  

Moral da Nota: especialistas indicam que a solução relativa a mobilidade não está apenas na expansão da infraestrutura rodoviária ou construção de mais rodovias urbanas, sendo que Costa Rica, Peru, Colômbia, Argentina, México e Brasil são países que lideram a lista latino americana onde pessoas perdem mais tempo no trânsito  conforme o relatório do Índice de Trânsito por país da base de dados colaborativa Numbeo referente a 2026. O mapa mostra Costa Rica como país onde se perde mais tempo com índice de 300,95 pontos e 59,99 minutos desperdiçados, resultados, que colocam o país centro-americano em 2º lugar no ranking global, atrás da Nigéria que registra 320,27 pontos e 63,75 minutos perdidos, ao passo que o Peru aparece em 2º lugar na lista com maior tráfego registrando 225,65 pontos negativos e 49,98 minutos perdidos e a Colômbia  em 3º lugar com 195,95 pontos e 46,34 minutos, seguida por argentinos com 177,78 pontos e 43,93 minutos. O México está na 5ª posição no índice de tráfego negativo, com 174,55 pontos, seguido por Brasil, com 169,78, no entanto, em termos de minutos perdidos, o Brasil ocupa a 5ª posição na América Latina com 40,30 minutos, seguido por México com 39,20 minutos, mais abaixo o Panamá com 156,35 pontos, o Equador com 156,07, o Uruguai com 149,09, a Venezuela com 140,12 e o Chile com 128,36, enquanto no índice de tempo, a lista continua com Uruguai, 39,18 minutos, Equador, 37,48, Chile, 35,67, Panamá, 35,24 e Venezuela, 32,44. Vale dizer, que o Índice de Tráfego é métrica multidimensional, popularizada por plataformas como o Numbeo que avalia qualidade do transporte combinando tempo total de viagem, insatisfação e estresse que aumentam exponencialmente pós 25 minutos de viagem enquanto emissões de carbono com perdas de produtividade e dinheiro na economia. Por fim, especialistas avaliando impacto do congestionamento de trânsito na qualidade de vida, competitividade e custos empresariais na América Latina, dizem que, a situação é pior nos "mais atrasados" por conta de "décadas de atrasos em infraestrutura, planejamento urbano, transporte público e arcabouço institucional".

sábado, 18 de julho de 2026

Performance

O Índice de Desempenho Ambiental, EPI, 2026, Environmental Performance Index, é avaliação bienal produzida pelo Centro de Direito e Política Ambiental de Yale e Centro de Informações Integradas do Sistema Terrestre, CIESIN, da Escola Climática de Columbia, mostra que mais da metade dos indicadores EPI usam ferramentas habilitadas por IA incluindo análise de dados de satélite para rastrear condições ambientais difíceis de medir. A nova avaliação conclui que poucos países estão no caminho correto para atingir a meta global de emissões líquidas zero de gases efeito estufa até 2050, o progresso desacelerou em desafios de controle da poluição e gestão de recursos naturais, além do fato que países europeus continuam liderando o desempenho ambiental global, com Estônia em 1º lugar, 2026, os EUA ocupam o 27o lugar geral com bom desempenho em saúde ambiental, atrasados em biodiversidade e métricas climáticas, sendo que o índice 2026 avaliou 177 países com 47 indicadores em 12 categorias de questões que abrangem saúde ambiental, vitalidade do ecossistema e mudanças climáticas. O relatório mostrou como avanços na IA dá aos pesquisadores imagem mais clara das mudanças ambientais no mundo sendo as pontuações em 2026 são correlacionadas com a riqueza nacional, dentro de qualquer nível de renda, com alguns países superando seus pares enquanto outros mostram desempenho inferior. O quadro de 2026 organiza 47 indicadores em 12 categorias de questões em 3 objetivos políticos, dependentes de ferramentas habilitadas por IA, incluindo técnicas que analisam dados de satélite para fornecer novas informações sobre ecossistemas e  condições ambientais que antes eram difíceis de medir, com peso de cada objetivo  mostrado como porcentagem e, apesar do forte desempenho global, os europeus com melhor classificação enfrentam desafios significativos de sustentabilidade agrícola ponto fraco à muitos deles pesando na classificação. Vale dizer que, entre os conjuntos de dados habilitados à IA incorporados ao EPI 2026 está um novo indicador global que monitora a conservação de pastagens, tarefa que cientistas consideravam quase impossível nessa escala e, desenvolvido pelo consórcio de pesquisa Global Pasture Watch, o conjunto de dados mostra que metade das pastagens do mundo estão degradadas enquanto as restantes estão ameaçadas pela invasão humana e mudanças climáticas. O diretor do CIESIN, Alex de Sherbinin, coautor do índice, avalia que “os EUA corre o risco de ficar ainda mais para trás nos próximos anos, à medida que retrocede nos compromissos ambientais”, insiste que, “o forte desempenho europeu é parcialmente atribuível a regulamentações ambientais fortes e compromisso com descarbonização”, com Zach Wendling, principal autor de 2026, dizendo que, “se os países pretendem manter trajetória em direção às emissões líquidas zero até 2050, precisarão alcançar continuamente grandes reduções de emissões que exigem políticas adicionais no futuro”. Dan Esty, professor Hillhouse de Direito e Política Ambiental e diretor do Centro de Direito e Política Ambiental de Yale, avalia que, “IA e outras tecnologias dão compreensão cada vez mais precisa do estado do progresso ambiental mundial, mas o quadro que pintam deve nos fazer refletir” e, conclui, “mesmo países com melhor desempenho não estão conseguindo enfrentar totalmente alguns dos desafios de sustentabilidade mais críticos do planeta”. O relatório aponta Botswana e Costa Rica como exemplos de países que combinaram crescimento econômico com resultados de sustentabilidade, sugerindo que o desenvolvimento não exige custo ambiental, o Japão é o único país não europeu entre os 20 primeiros ocupando o 139º lugar em sustentabilidade agrícola, a Estônia ocupa o 1º lugar em 2026 impulsionada em parte pela redução nas emissões de gases efeito estufa oriundas da geração de energia na última década, quer dizer, eletricidade renovável aumentou reduzindo a produção de combustíveis fósseis, ao mesmo tempo que se classificou entre os melhores desempenhos do mundo em biodiversidade e proteção de ecossistemas. Os dados apontam à países europeus que ocupam todas as 20 primeiras posições no ranking 2026, refletindo forte desempenho em saúde ambiental e mitigação das mudanças climáticas, depois da Estônia, os 5 primeiros são, Luxemburgo, Reino Unido, Finlândia e Holanda com os norte americanos ocupando o 27º lugar geral, pelo bom desempenho em medidas de saúde ambiental com pontuações mais baixas na proteção da biodiversidade e métricas das alterações climáticas, embora as emissões de gases efeito estufa caíram 9,6% entre 2014 e 2024, com o relatório projetando que as emissões permanecerão acima do nível necessário para atingir o zero líquido até 2050. Por fim, no outro extremo do ranking, Laos e Índia estão entre os com pior desempenho e a pontuação baixa indiana reflete poluição atmosférica grave, dependência contínua de energia a carvão e proteção limitada à biodiversidade, enquanto os chineses ocupam o 129º lugar geral, refletindo fraco desempenho nas métricas de alterações climáticas, apesar de melhorias na poluição do ar, no saneamento da água e gestão de resíduos sólidos, embora tenha investido em energia limpa, veículos elétricos e tecnologias avançadas de baterias, a dependência contínua de energia a carvão é obstáculo para atingir emissões líquidas zero.

O Centro-Oeste e Nordeste dos EUA apontam à fumaça perigosa de "temporada de incêndios florestais expondo milhões de pessoas", avaliação do Los Angeles Times, esperando-se que a fumaça de grandes incêndios florestais no Canadá e Minnesota envolvem grandes áreas do Centro-Oeste e Nordeste dos EUA. No Canadá mais de 100 incêndios florestais ocorrem atualmente e os ventos levam fumaça à sudeste, quer dizer, avisos sobre ar perigoso e insalubre se estenderam de Minnesota passando por Toronto e chegando a Nova York, considerando temperaturas de verão excepcionalmente altas e esperadas. Tyler Hasenstein, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional em Chanhassen, Minnesota, disse que, “as 2 coisas coincidindo não são boas do ponto de vista de saúde”, considerando que, no extremo nordeste de Minnesota, guardas florestais alertam que o Boundary Waters Canoe Area Wilderness estava fechado porque 17 incêndios causados por raios queimavam ao redor do vasto deserto acessível principalmente por canoa, estimando que entre 6 mil e 10 mil pessoas ainda estavam na área selvagem de 1,1 milhão de acres, quase do tamanho de Delaware. Dan Westervelt, professor da Escola de Clima da Universidade de Columbia, disse que as condições severas de seca combinadas com calor no Canadá e EUA criaram “a tempestade perfeita às condições realmente secas, fornecendo combustível aos incêndios florestais”, sendo que pesquisas mostram que o aumento das temperaturas causado pela queima de carvão, petróleo e gás tornam incêndios mais frequentes e intensos, considerando que o alto nível de partículas finas no ar oriundas da fumaça dos incêndios florestais, podem prejudicar saúde de grupos sensíveis como crianças e pessoas com problemas cardíacos ou pulmonares, podendo causar falta de ar, tosse, tontura ou fadiga, agravar doenças cardíacas e pulmonares e demais problemas crônicos de saúde. Por fim, trata-se de temporada de incêndios particularmente movimentada e mortal nos EUA, com 4 dúzias de grandes incêndios ocorrendo em 15 estados e, segundo o National Interagency Fire Center, de Minnesota e Carolina do Norte ao Colorado, Utah, Idaho, Oregon e Califórnia, considerando que a seca prolongada e níveis recordes de neve acumulada criaram condições propícias ao rápido crescimento de incêndios, com 16.800 pessoas designadas à combatê-los que já  queimaram mais de 5.678 milhas quadradas, área maior que dos parques nacionais de Yellowstone e Grand Canyon juntos. Concluindo, em Minnesota, autoridades alertaram que grandes incêndios podem durar meses já que a máxima esperada era de 38º C, com Patty Thielen, diretora do Departamento de Recursos Naturais do estado, dizendo que, “pode ser que tenhamos incêndios significativos durante todo o verão até termos neve e, neve, seria coisa boa”.

Moral da Nota: o Condado de Maricopa, Arizona, um dos mais quentes e populosos do país,  viu sua 1ª queda nas fatalidades em 2024 e novamente em 2025, pós quase uma década de crescentes mortes relacionadas ao calor e, em 2026, será um teste crucial porque é o último ano de milhões de dólares em fundos federais destinados à expansão de programas de alívio do calor. Nicholas Staab, diretor médico do Condado de Maricopa, disse que a “duração e gravidade do calor extremo são previsíveis”,  concluindo, “é algo que podemos planejar e é isso que realmente incentivamos na comunidade”, com as autoridades buscando garantir fundos alternativos para manter proteções contra o calor, já que mudanças climáticas complicam a tarefa de manter o público seguro, com dados preliminares registrando 18 mortes relacionadas ao calor em 2026 e mais 215 sob investigação, números que superam as mortes relacionadas ao calor de 2025 nessa época. A cúpula de calor trouxe vários dias de clima quente na Costa Leste seguida por temperaturas mais frias, o mesmo não acontecendo com Maricopa, onde a estação de calor vai oficialmente de maio a setembro e, ao longo dos anos, implementou programas que abordam o calor extremo de diferentes ângulos, de evitar doenças causadas pelo calor a salvar pessoas prestes a morrer e, à medida que autoridades reforçavam defesas, o problema piorava, em 2023, temperaturas recordes e recorde de 645 mortes relacionadas ao calor, a resposta focou na recolha de dados sobre mortes diretas por calor, casos de insolação e mortes indiretas, como alguém que morreu de ataque cardíaco pós exposição ao calor. Por fim, vale concluir que as populações negra e indígena norte americana são desproporcionalmente afetadas pelas altas temperaturas e, em meio à crise, centros de resfriamento surgiram como divisor de águas, em parte porque têm co-localizado serviços sociais nos locais de alívio de calor, quer dizer, centros precisam permanecer abertos além do horário comercial e as autoridades trabalharem para oferecer mais locais e mantê-los abertos por mais tempo.