Cortes nas emissões de metano são necessários à manter o aquecimento global "abaixo" de 2°C, considerando que o metano é gás efeito estufa e 2º maior contribuinte ao aquecimento global, depois do CO2, valendo considerar que retém calor na atmosfera de modo mais eficiente que o CO2, no entanto, tem vida útil significativamente mais curta desaparecendo pós algumas décadas. Reduzir emissões de metano, gás produzido na agricultura, combustíveis fósseis e gestão de resíduos é opção para limitar aquecimento a curto prazo, sendo que estratégias e modelos climáticos se concentram no CO2 ou combinam gases efeito estufa em única métrica conhecida como "equivalente de CO2", abordagem que torna a redução das emissões de metano dependente de escolhas de modelagem e suposições sobre “equivalência” entre metano e CO2, ocultando oportunidades e desafios ao elevado potencial de aquecimento e à curta vida útil do metano. Estudo publicado na Communications Earth Environment oferece perspectiva que "desacopla" a redução de CO2 e metano e toma limites do aquecimento global como ponto de partida na determinação do nível necessário de cortes de metano, mesmo sob metas de emissões líquidas zero ambiciosas, a ausência de redução de metano leva a pico de aquecimento que excede 1,85°C acima de níveis pré-industriais. Destaca que, para limitar o pico de aquecimento a menos de 2°C, as metas de emissões líquidas zero de CO2 devem ser complementadas por cortes nas emissões de metano, além de considerar metano e CO2 com diferentes tempos de vida atmosférica e propriedades de aquecimento, qualquer conversão só é válida em horizonte temporal e linha de base escolhidos. Premissas utilizadas nos cálculos como mitigação do metano vistas como prioridade ou algo desnecessário, existindo métricas que os cientistas utilizam para converter gases efeito estufa, sejam metano, hidrofluorocarbonos ou óxido nitroso, NO, em emissões equivalentes de CO2, daí, o “GWP20” mede a quantidade de calor que um gás efeito estufa retém na atmosfera ao longo de período de 20 anos em relação ao CO2. Enfatiza necessidade de mitigação do metano, criticada por desconsiderar danos futuros, analisando horizonte temporal de 100 anos, dando mais peso ao aquecimento a longo prazo usado em “modelos de avaliação integrada”, IAMs, utilizados por cientistas em relatórios de emissões à ONU e Protocolo de Gases Efeito Estufa, GEE, usado por empresas. Por fim, o conceito de “Potencial de Aquecimento Global” considera taxa de emissões, sobre aquecimento ao longo de horizonte temporal fixo e, segundo conceito de “Potencial de Aquecimento Global”, reduções limitadas de metano levam as emissões equivalentes de CO2 a zero, significando emissões de metano restantes podem ser consideradas como causando “aquecimento adicional”, interpretação controversa, pois, pressupõe continuidade dos níveis históricos de aquecimento. Os Modelos Integrados de Avaliação, IAMs, são ferramentas utilizadas para gerar cenários futuros de emissões, como combinam emissões de CO2 e metano, sendo que o impacto da redução das emissões de metano isoladamente é difícil avaliar nos cenários de emissões existentes. O relatório de 2021 do IPCC sobre ciência climática e estudo da Nature de 2023 estima que até 2025, o orçamento de carbono restante para limitar o aquecimento a 2°C seria de 1.000 a 1.150 bilhões de toneladas de CO2, GtCO2, na premissa de reduções de metano de 27 a 35% até 2050 em relação à linha de base de 2020, estudo de 2024 da Communications Earth & Environment chega a conclusões semelhantes. Caso as emissões de metano não forem reduzidas no futuro, descobertas sugerem que o orçamento de carbono restante ao aquecimento global de 1,7°C, já foi, na prática, esgotado, mostrando como o pico do aquecimento depende da redução tanto de CO2 quanto de metano e como metas específicas ao metano ajudam refinar metas de emissões líquidas zero existentes.
O governo norte americano afrouxa restrições ambientais aos poços de petróleo e gás que produzem muito pouca energia, mas, libertam grandes quantidades de metano, gás efeito estufa altamente potente, quer dizer, a EPA, Agência de Proteção Ambiental dos EUA propõe enfraquecer requisitos às inspeções de vazamentos e atualizações de equipamentos em mais de 700 mil poços de baixa produção “stripper”, conforme projeto de regressão enviado e revisado pela Casa Branca, poços que, tendem ser antigos, mal conservados e propensos a fugas, produzindo 6% do petróleo e gás natural dos EUA, mas respondendo por metade da poluição por metano do setor conforme mostram estudos. A EPA reconhece números no projeto, mas afirma que o custo do cumprimento das regulamentações existentes forçaria encerramento dos poços de menor produção e isso era “irracional” embora eliminasse apenas 0,4% dos EUA da produção de petróleo e gás, conforme estimativa da indústria, considera que a proposta enfraqueceria controles de metano na indústria petrolífera em geral economizando US$ 42 bilhões às empresas até 2050, sendo que, memorando anexo diz que reversão “liberará” a energia americana. Ambientalistas disseram que a desregulamentação dos poços de extração fará pouco para aumentar a produção de energia e, ao mesmo tempo, significativamente aumenta a poluição climática, com Darin Schroeder, da Força-Tarefa Ar Limpo, grupo de defesa do clima, esclarece que, “não se trata de domínio energético” e, conclui, “trata-se de encher os bolsos dos operadores de petróleo e gás e sobrecarregar a sociedade com custos.” Campanha da indústria petrolífera que antes era discreta e ganhou influência, diz que mudanças propostas são ápice, no rascunho, a EPA disse que desregulamentando poços stripper, definidos como produtores de 15 barris/dia, responde a petições da Independent Petroleum Association of America e da National Stripper Well Association, entre, outros grupos. Por fim, as regras agora revogadas são componente da agenda climática do governo anterior que teria reduzido a poluição por metano da indústria petrolífera em 80%, segundo a EPA na época, dado que o metano se decompõe de modo rápido em alguns anos, a redução destas emissões é um dos modos conhecidos de reduzir o aquecimento global sendo que o gás, segundo o PNUMA, responde por um terço do aumento das temperaturas desde a Revolução Industrial e, como principal componente do gás natural, as regras teriam evitado que energia útil fosse perdida à atmosfera na forma de vazamentos e outras liberações, no total, a EPA do governo anterior avaliou os benefícios das regras’, clima, saúde e energia, em mais de US$ 7 bilhões/ano, mesmo contabilizando aumento de custos conformidade, enquanto a EPA do governo atual não incluiu cálculos dos impactos ambientais e de saúde na nova proposta e, se entrar em vigor, grande parte do benefício público evaporará enquanto produtores de petróleo e gás verão lucros maiores.
Moral da Nota: a Justiça do Trabalho, 7ª Vara do Trabalho de Brasília, por conta de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho, MPT, determinou suspensão por 90 dias de registros e autorizações de agrotóxicos à base de glifosato e derivados, sendo a medida preventiva considerando possíveis riscos à saúde dos trabalhadores e ao ambiente, dentre impactos apontados pelo MPT estão contaminação da água, lençóis freáticos e solo, além de efeitos na saúde humana. Trata-se de ingrediente ativo mais comercializado no Brasil, respondendo, ao lado dos derivados, por 32% do mercado nacional de agrotóxicos que movimentou R$ 98,7 bilhões no biênio 2024/2025, conforme dados citados na decisão, sendo que a Justiça determina o IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente, que apresente avaliações ambientais e mapas de risco relativos ao glifosato, deverá informar sobre reavaliação ambiental do pesticida e elaborar relatório sobre impactos de eventual retirada do mercado, incluindo, recolhimento, armazenamento e descarte. A ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, deve analisar irregularidades nas bulas de produtos à base de glifosato, caso ocorram, e, informar em até 20 dias, providências, valendo a nota que, a suspensão não afeta produtos que possuem registro e autorização e o pedido do MPT para cancelar registros existentes e proibir no país sua utilização ainda será analisado no decorrer da ação.