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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Ozônio Troposférico

A população mundial exposta à poluição nociva pelo ozônio em 2026 gira em torno de 40%, em que fatores como grandes ondas de calor e incêndios florestais se tornaram  mais prevalentes levando à produção de elevados níveis de ozônio troposférico, sendo que poluição e calor extremo de origem humana levaram a níveis perigosos do poluente  quando gases específicos reagem com a luz solar em altas temperaturas e afetam tanto saúde humana como ecossistemas. Estas conclusões foram publicadas pelo CAMS, Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, esclarecendo que, em 2026, tais fenômenos foram prevalentes permitindo que compostos orgânicos originários de transporte, indústria, solventes domésticos e vegetação reagissem à luz solar em condições favoráveis levando à produção de altos níveis de ozônio próximo a superfície, daí, nos primeiros 8 meses de 2026, descobertas mostraram que 5% da população mundial foi exposta a ‘bons’ níveis de ozônio, conforme diretrizes da OMS. A Ásia é mais afetada pela poluição por ozônio seguida pela Europa e América do Norte, considerando que poluição industrial e transportes, bem como fontes naturais de emissões precursoras, contribuíram ao elevado nível de ozônio asiático ao longo do ano até nossos dias, expondo 60 % da população continental a níveis extremamente elevados de ozônio em 2026, considerando ainda que, 50% da população européia foi exposta ao ozônio ‘pobre’, ‘muito pobre’ ou ‘extremamente pobre’ em 2026 explicado por repetidas ondas de calor que contribuíram à exposição ao ozônio nos meses de verão. Na América do Norte, incêndios florestais extremos em 2026 contribuíram à produção de ozônio, com mais de dois terços da população do continente sofrendo exposição ‘fraca’, ‘muito fraca’ ou ‘extremamente fraca’ ao ozônio, considerando ainda que, emissões estimadas na América do Norte permaneceram acima da média de 2026, com atividade de incêndios no Canadá e oeste dos EUA aumentando em julho, em contraste, a Oceania é a região mais limpa em termos de poluição por ozônio junto com a América do Sul que registrou níveis relativamente baixos, sendo que 81% da população sul americana estava exposta ao ozônio ‘bom’ ou ‘razoável’ enquanto 56 % da África estava abaixo do mesmo limite. Vale a nota que a fumaça dos incêndios florestais da América do Norte em 2026 se espalhou ao Ártico, Groenlândia e partes da Europa, contribuindo à concentrações maiores de PM2,5, com o Sudeste Asiático vivenciando incêndios sazonais que espalharam neblina pela Tailândia e Laos, além da poeira do Saara chegando a Cabo Verde e Ilhas Canárias, reduzindo qualidade do ar. Por fim, o diretor-geral do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, Florian Pappenberger, nos informa que, fuligem, ozônio e poeira de incêndios florestais viajam kms afetando comunidades distantes da origem do evento extremo, lembrete oportuno que, mudanças climáticas, qualidade do ar e saúde pública são desafios interligados que exigem ação global coordenada e, complementa, ‘o Serviço de Monitorização da Atmosfera Copernicus, ECMWF, ajuda tomar decisões informadas, fornecendo dados e previsões necessários à compreensão e resposta aos riscos’.

A UE trava batalha contra poluição por microplásticos culminando na adoção pela Comissão Europeia do Regulamento 2023/2055 de 25 de setembro de 2023, que proíbe  inclusão de microplásticos em produtos desde cosméticos a grama sintética, ou, a  grama artificial utilizada em desporto, apresentando problemas uma vez que os dados da Agência Europeia dos Produtos Químicos, ECHA, identifica como uma das principais fontes de microplásticos, por isso, o Regulamento estabelece data de validade aos campos desportivos de grama artificial que contenham microplásticos. Relatório do Tribunal de Contas Europeu examina problemas relacionados à reciclagem de plásticos nos Estados-Membros e, conforme o relatório, “metas de reciclagem só podem ser atingidas se houver infraestrutura em funcionamento e uso e mercado aos produtos reciclados, no entanto, instalações de reciclagem são escassas em alguns Estados-Membros, em outros, algumas das instalações, particularmente especializadas em plástico, correm o risco de fechar devido ao aumento de custos, falta de demanda na UE pelos produtos e importações de plástico reciclado e virgem mais barato fora da UE". O relatório destaca o desafio à indústria de reciclagem de plásticos, ou, a falta de demanda por materiais secundários, ou, os que são produzidos a partir de plásticos reciclados, enquanto campos de grama artificial com microplásticos como a borracha SBR, são difíceis de reciclar e reutilizar, quer dizer, a popularidade dos campos decorre do fato do enchimento, borracha, originar de pneus reciclados, que, por si só, representa destino às toneladas descartadas/ano. Por fim, alternativas de mercado interessam, particularmente as que surgiram pós publicação do Regulamento da Comissão Europeia de 2023 e, uma delas é o projeto LIFE T4C, consórcio de empresas espanholas e alemãs buscando arejar situação no mercado de reciclagem de plásticos, propondo substituir borracha SBR por material mais sustentável como o Ecolastene que contribui à solução do problema, trata-se de material de enchimento revolucionário subproduto de plásticos reciclados, um dos parceiros do projeto, a empresa Green World Compounding, de Murcia, responde pela produção, utilizando plásticos agrícolas como matéria-prima na fabricação de subprodutos, incluindo o Ecolastene. Enfim, trata-se de material sustentável e reciclável e, ao fim da vida útil, é removido do campo e processado à reutilização de outras formas, enquanto a adoção generalizada do enchimento e utilização na construção e substituição dos milhares de campos de grama artificial com enchimento de borracha SRB que existem na Espanha por exemplo, contribuírem à revitalização da indústria de reciclagem, saída sustentável à estes materiais. 

Moral da Nota: o Paradoxo da Taxonomia Verde nos aponta à ‘energia nuclear e gás fóssil' como inaceitáveis, embora a pobreza energética seja vista no contexto da falta de acesso ao aquecimento no inverno do hemisfério norte, é alvo de críticas, pois mudanças climáticas deixam comunidades expostas as temperaturas e, à medida que quebram recordes de temperatura aumentando mortes relativas a calor, o arrefecimento e alívio de condições meteorológicas extremas ganha lugar na agenda pública. Sinan Erensu, do Centro de Justiça Espacial, Remzi Çelik, da Iniciativa da Ilha de Calor Urbana, e Arif Kunar, da Associação de Combate à Pobreza Energética, Enyokder,  contabilizam a conta do verão com base em pesquisa, considerando que a Comissão Europeia define pobreza energética como situação em que famílias não satisfazem necessidades energéticas básicas. O relatório de 2026 da Câmara de Engenheiros Mecânicos da União das Câmaras de Engenheiros e Arquitetos Turcos, UCTEA, avalia que, na Turquia, energia não é uma questão de pobreza energética que deve ser fornecida aos cidadãos como serviço público, mas questão de pobreza geral e a decisão de recomendação da Comissão Europeia inclui o acesso ao aquecimento, resfriamento, iluminação e energia adequados para alimentar aparelhos como serviços essenciais que sustentam padrão de vida e saúde. Sinan Erensu, do Centro de Justiça Espacial, nos informa que até há uma década, se discutia pobreza energética em termos de acesso a recursos energéticos, observa que, com os preços da energia significativamente mais altos nos últimos 15 anos sobre grande parte dos orçamentos familiares, o conceito começa ser discutido na Europa e EUA. Descreve o âmbito atual da pobreza energética como acesso às tecnologias energéticas e garantia que não sobrecarreguem orçamentos familiares e, com a vulnerabilidade trazida pelas mudanças climáticas, passa-se por obter energia o máximo possível a partir de renováveis e de modo saudável. O Relatório de Perspectivas Energéticas da Turquia 2026 da Câmara de Engenheiros Mecânicos do TMMOB interpreta pobreza energética na Turquia em foco de dados da OCDE, dizendo que, "inflação energética na Turquia é de 26%, enquanto a média da OCDE é negativa, diferença impressionante, nos países que ocupam o 2º lugar na lista, a inflação energética ronda os 7 %, em outras palavras, a Turquia resiste a aumento 3 a 4 vezes superior ao do país mais próximo situando-se na direção oposta a OCDE, quer dizer, paradoxo, porque nas mesmas condições globais, embora os preços da energia caiam em alguns países e aumentam em outros, sobem acentuadamente na Turquia, situação que demonstra claramente que a origem do problema é interna e não externa."


sábado, 17 de janeiro de 2026

Névoa e Salinidade

Estudo publicado na The Lancet Planetary Health indica 3,8 milhões de mortes na Índia entre 2009 e 2019 provocadas pela poluição do ar e, a capital indiana, Nova Delhi, aparesenta períodos de densa névoa tóxica com níveis de poluição do ar 16 vezes acima do máximo recomendado pela OMS, com área metropolitana de mais de 30 milhões de habitantes aparecendo na lista de capitais mais poluídas do mundo, em particular, no inverno. Quer dizer, ar mais frio retém poluentes próximo ao solo criando mistura de emissões oriundas de queimadas, fábricas e tráfego urbano, ao passo que a poluição aumentou devido fogos de artifício nas comemorações do festival Diwali, com a Suprema Corte flexibilizando proibição e permitir “fogos verdes”, menos poluentes, no festival hindu. Níveis de PM2.5, ou, micropartículas capazes de entrar na corrente sanguínea, atingiram 248 microgramas/m³ em áreas da cidade, segundo a IQAir, organização de monitoramento, com a Comissão Governamental de Gestão da Qualidade do Ar afirmando que as condições devem piorar enquanto autoridades municipais anunciam que testarão a “semeadura de nuvens” com aviões que injetam sal ou produtos químicos nas nuvens visando induzir chuva e limpar o ar. No Iraque, a crescente salinidade da água devasta fazendas e gado com deslocamentos nas províncias do sul de agricultores assistindo morte das aves quando os níveis de salinidade atingem recordes, tornando a água já escassa imprópria ao consumo humano,  matando o gado. País fortemente afetado pelas mudanças climáticas, o Iraque é devastado há anos pela seca e escassez de chuvas com declínio de fluxos de água doce aumentando níveis de sal e poluição, particularmente no sul, onde os rios Tigre e Eufrates convergem antes de desaguar no Golfo e, no mês de setembro de 2025, os níveis de salinidade na província central de Basra dispararam à 29 mil partes por milhão, comparados aos 2.600 ppm em 2024, conforme relatório do Ministério da Água, isto, se considerarmos que a água doce deve conter menos de 1 mil ppm de sais dissolvidos, enquanto os níveis de salinidade da água do oceano são de 35 mil ppm, dados, do Serviço Geológico dos EUA. Os rios Tigre e Eufrates convergem na hidrovia Shatt al-Arab, Basra, com alertas que os níveis de água despencaram permitindo avanço da água do mar do Golfo, com Hasan al-Khateeb, especialista da Universidade de Kufa, Iraque, informando que, "carregada de poluentes acumulados ao longo do curso", além de registrar níveis mais baixos em décadas ao lado das reservas de lagos artificiais. A ONU, avalia que um quarto das mulheres em Basra e províncias vizinhas trabalha na agricultura e a Organização Internacional às Migrações da ONU que documenta deslocamento induzido pelo clima no Iraque, alerta que o aumento da salinidade da água destrói palmeirais, árvores cítricas e outras plantações, informando que 170 mil pessoas haviam sido deslocadas no centro e sul do Iraque devido fatores relacionados ao clima. Por fim, o Tigre e Eufrates nascem na Turquia e as autoridades iraquianas culpam barragens do outro lado da fronteira por reduzirem fluxos hídricos, considerando que o Iraque é um país com sistemas de gestão  ineficiente de água pós décadas de guerra e negligência, recebendo menos de 35% da cota  alocada dos dois rios, conforme autoridades, em julho de 2025, o governo anunciou projeto de dessalinização em Basra com capacidade de 1 milhão de metros cúbicos/dia.

Entre nós, o Sistema Cantareira reduziu captação de 31 m³/s à 27 m³/s, impactando abastecimento na região metropolitana, com reservatórios em queda em Guarapiranga para 52,6% e Alto Tietê para 28,9%, refletindo baixa pluviometria e volume dos mananciais da RMSP caindo de 36,7% à 36,5% em setembro de 2025, menor nível desde 2015. Trata-se do nível mais baixo dos últimos 10 anos operando com 24,2% do volume útil com o Cantareira como maior produtor de água de São Paulo, utilizando 33 m3/s à abastecer, 46% da população recebendo 23% da média histórica das afluências em 2014, que levou ao uso do "volume morto". A medição é realizada pela Sabesp, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo e divulgada no site da companhia e, segundo dados, o sistema opera com 24,2% do volume útil quantidade de água que pode ser transferida ao abastecimento da Região Metropolitana, com o índice acendendo alerta. O Sistema Cantareira é o maior produtor de água da Região Metropolitana, utilizando 33 m3/s de água para abastecer 46% da população, formado por 5 reservatórios, Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro,conectados por túneis subterrâneos e canais. Em 2014 e 2015 as vazões de afluentes ao sistema foram menores que a média histórica registradas desde 1930, abaixo do pior ano da série, até então, 1953, em 2014, em média, o Sistema Cantareira recebeu 23% da média histórica das afluências e, em 2015, 50%, e, com o agravamento da estiagem em 2014 e 2015 foi autorizado uso da reserva técnica do Sistema Cantareira conhecido como “volume morto”, somando 480 bilhões de litros de água abaixo das estruturas de operação dos reservatórios e acessíveis por bombeamento. O Sistema Cantareira é de responsabilidade da ANA, Agência Nacional de Águas e, do DAEE, Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo, apesar de localizar integralmente em território paulista recebe água de bacia hidrográfica de gestão federal, sendo que uma das razões do esgotamento do Sistema Cantareira é o desmatamento, com a região possuindo 93.932 hectares de remanescentes de vegetação nativa, 35,5% do território, dados do governo estadual. A água é o centro da crise, árvores são “amortecedores climáticos” do ambiente urbano, a arborização urbana reduz temperatura, absorve energia solar, faz fotossíntese, purificando o ar, retendo material particulado nas folhas e absorção de gases, diminui o impacto das chuvas sobre o solo reduzindo velocidade hídrica. O governo paulista anuncia plano de contingenciamento prevendo restrição de até 16 horas na pressão de água na região metropolitana, além do rodízio no abastecimento e uso do volume morto dos mananciais, em casos extremos, sendo que as restrições acontecerão pós 7 dias seguidos  dos índices na mesma faixa, com relaxamento pós 14 dias consecutivos de retorno ao cenário mais brando.

Moral da Nota: relatório da OMM avisa que a camada de ozônio deverá retornar aos níveis da década de 1980 até meados do século, com o buraco na Antártida em 2024 sendo menor que nos últimos anos, com o Boletim de Ozônio da OMM 2024 dizendo que a menor destruição da camada de ozônio se deve em parte a fatores atmosféricos naturais, enfatizando que a melhora a longo prazo reflete sucesso da ação global. Lançado no Dia Mundial do Ozônio, marca o 40º aniversário da Convenção de Viena que lançou bases à cooperação na proteção da camada de ozônio, com o secretário Geral da ONU, dizendo que, "há 40 anos, nações se uniram para dar o passo na proteção da camada de ozônio guiadas pela ciência e unidas na ação", concluindo que, "a Convenção de Viena e o Protocolo de Montreal tornaram marco de sucesso multilateral, hoje, a camada se recupera, conquista que nos lembra quando nações atendem alertas da ciência, o progresso é possível". O boletin da OMM, diz que Protocolo de Montreal eliminou 99% das substâncias controladas que destroem a camada de ozônio, utilizadas em refrigeração, ar condicionado, espuma para combate a incêndios e spray para cabelo, como resultado, projeta-se que a camada de ozônio se recupere a níveis de 1980 até meados do século, reduzindo riscos de câncer de pele, catarata e danos ao ecossistema. A OMM afirma que a cobertura total de ozônio estratosférico foi maior que em anos anteriores e o buraco na camada da Antártida em 2024 atingiu pico com déficit máximo de massa de ozônio de 46,1 milhões de toneladas em setembro de 2025, menor que os observados entre 2020 e 2023.