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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Paradoxo

Por conta de dados da ONU colocando em dúvida o futuro da economia chinesa, buscam se ancorar na IA como oportunidade ao futuro, considerando que a principal questão da economia que move o planeta é matemática aplicada a futuro incerto, indicando que, cedo ou tarde, o superpovoamento chinês deve despencar. A atual crise demográfica chinesa decorre em parte como resultado de política que funcionou, isto é, o controle de natalidade que começou na década de 1970 se cristalizando na política do filho único em 1979, ao iniciar como intervenção estatal para conter o crescimento populacional insustentável terminando por moldar comportamentos por, gerações, expectativas e estruturas familiares. O hábito cultural da reprodução em massa, contido por esterilizações, multas e abortos que reduziram o número de nascimentos e inibiram a explosão populacional, ao dar início a flexibilização das regras em 2016, 2 filhos, e 2021, 3 filhos, cuja mola propulsora foi a taxa de fecundidade de 1,77 filho por mulher em 2016 caindo à 1,12 em 2021 e medidas de incentivo que mal reverteram a curva. Daí, estudos que estimam o cálculo econômico para constituir família na China avisam que criar um filho do nascimento a universidade pode custar, em média US$ 70 mil, em Xangai, por exemplo, o valor sobe à US$ 120 mil, somados às jornadas de trabalho, ao mercado imobiliário caro e expectativas profissionais explicam por que jovens e, especialmente as mulheres, optam por não ter filhos. Quer dizer, a maternidade equivale a renúncia profissional e pessoal que não se está suficientemente apto a aceitar, conforme a executiva de Hangzhou esclarecendo ao Washington Post, dizendo que, "não quer decidir sobre sacrificar a vida" sendo que o apelo por tempo e autonomia é uma das razões que os subsídios simbólicos do governo chinês, US$ 450/ano nos 3 primeiros anos, insuficientes para reverter a tendência. O resultado implica que o declínio demográfico acelerado pela queda no número de casamentos, que só em 2024, 6,1 milhões de casais registraram união comparados com 13,5 milhões em 2013, número que funciona como prelúdio de nascimentos futuros quando a taxa de nascimentos fora do casamento é marginal. A expectativa de vida aumenta e a pirâmide populacional se inverte, representando reequilíbrio nas contas públicas com projeções indicando que, nas próximas décadas, a população idosa dobrará  pressionando pensões, assistência médica e cuidados de longo prazo, financiados por base contributiva mais estreita, com demógrafos alertando que o fenômeno pode desencadear ciclo vicioso, ou, mais recursos aos idosos significando menos apoio público às famílias jovens reduzindo mais a fertilidade enquanto até 2100, segundo cálculos de organizações internacionais, haverá mais pessoas fora da vida ativa que dentro dela em cenário com implicações econômicas e políticas de alcance sistêmico. A resposta oficial no curto prazo é automação, robôs e investimento em produtividade, sendo que a substituição não funciona da mesma forma em todos os setores, com serviços, assistência médica e setores intensivos em mão de obra continuando demandar humanos e, em consequência, empresas manufatureiras já detectam pressão competitiva sobre preços e custos de mão de obra enquanto observadores apontam que a substituição industrial pode se deslocar à Índia, Sudeste Asiático, México ou Leste Europeu, com efeito multiplicador nas cadeias de suprimentos. Por fim, analistas alertam do efeito na segurança nacional chinesa considerando como economia que reduz a base de mão de obra e necessita de maiores recursos para cuidar dos idosos, verá prioridades internas e externas pressionadas, com consequências políticas imprevisíveis sendo que a crise demográfica chinesa não é apenas questão de números de nascimentos, mas, fratura estrutural que atravessa a economia, cultura e política, reverter isso, se possível, requer reforma trabalhista, política de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ambiciosa, reconsideração da imigração, investimento em tecnologia com redistribuição social e estratégia fiscal que redistribua encargos entre gerações.

A IA também é tentativa de solução no Irã de solucionar ou apaziguar a grave questão da água que passa a nação persa, é o que indica pesquisa do professor John Abraham da Universidade de St. Thomas e colegas iranianos que fizeram parceria em 50 estudos ao longo de 6 anos para fornecer soluções e lidar com a crise. Coautor de estudos com o Dr. Farzin Salmasi, professor de engenharia hídrica na Universidade de Tabriz, Irã, trabalha em colaboração com Salmasi creditando a equipe de 20 pesquisadores iranianos que operam em estruturas hídricas e executam experimentos, por exemplo, a saída do túnel de transferência de água da represa Kani Sew flui ao canal aberto no noroeste do Irã buscando redirecionar água ao Lago Urmia, parte de projetos de restauração. A pesquisa publicada no Iranian Journal of Science And Technology e IWA, demonstra como IA auxilia engenheiros iranianos melhorar projetos de estruturas hídricas e protegê-las, com Abraham, especialista em clima e professor de engenharia mecânica na Escola de Engenharia, esclarecendo que a equipe examina 2 questões, ou, "como levar água aos centros agrícolas e às cidades de modo maximizar seu uso e, a outra questão, é a segurança das estruturas que a levam até lá". Questões, segundo especialistas iranianos, importantes porque "busca-se construir estruturas de modo que sejam seguras, durem indefinidamente no futuro e não sofram falhas catastróficas como em outros lugares do mundo", considerando que o Irã está em uma das regiões mais áridas do mundo e, de acordo com a equipe de pesquisa de Abraham, a precipitação média no país é de 260 mm/ano enquanto a precipitação média no mundo é de 800 mm, além disso, 90% do volume de água é usado para agricultura, portanto, é crucial o gerenciamento adequado do consumo na agricultura iraniana. O Dr Salmasi esclarece que “o trabalho de pesquisa conjunto ṕermite otimizar o vertedouro de uma barragem de armazenamento, parte importante da barragem que descarrega água acima da capacidade nas cheias dos rios” e utilizam modelos computacionais para treinar IA e analisar projetos determinando quais ajudam engenheiros iranianos aprimorar suas estruturas hidráulicas, segundo o cientista, “a IA separa as ideias iniciais e as torna melhores” auxiliando engenheiros projetar estruturas hídricas mais econômicas. Por fim, concluem que apesar da água estar se tornando mais escassa em regiões do mundo, estão esperançosos que o trabalho ajudará o Irã vencer a corrida para melhorar a gestão da água mais rápido considerando que o clima está mudando. 

Moral da Nota: artigo no NYT 'We Warned About the First China Shock. The Next One Will Be Worse', de David Autore e Gordon Hanson, pesquisadores sobre como a concorrência chinesa devastou a indústria norte americana, mostra que a 1ª vez que a China abalou a economia dos EUA foi entre 1999 e 2007 ao eliminar um quarto dos empregos na indústria. Denominado o 'Choque Chinês', foi impulsionado pela transição do gigante asiático na década de 1970, quer dizer, do planejamento maoísta à economia de mercado, movendo mão de obra e capital das fazendas rurais às fábricas urbanas capitalistas, daí, produtos baratos chineses implodiram bases econômicas onde a manufatura era negócio principal, como Martinsville, Virgínia e Carolina do Norte, capitais dos moletons e móveis. Na ressaca 20 anos após, trabalhadores não tinham se recuperado totalmente das perdas de empregos, com a maioria dos ganhos de trabalho nas indústrias consistindo por salários  baixos, no entanto, algo semelhante ocorreu em indústrias têxteis, brinquedos, artigos esportivos, eletrônicos, plásticos e autopeças, daí, a transição de Mao à manufatura foi concluída em 2015 com o choque parando de aumentar. Em 2013, 2014 e 2016 pesquisa dos autores com David Dorn, da Universidade de Zurique, detalha como a concorrência da importação chinesa devasta os EUA com declínios no emprego e ganhos, com os autores relatando que o 1º Choque da China foi único, em essência, o país descobriu como fazer o que deveria estar fazendo décadas antes considerando que força de trabalho manufatureira chinesa é estimada em mais de 100 milhões comparada aos 13 milhões dos EUA, quer dizer, os autores relatam que beira ao delírio pensar que os norte americanos podem ou deveriam querer competir em semicondutores e tênis simultaneamente, com a China. Denominam Choque 2.0 o que se aproxima rapidamente onde os chineses passam a favoritos disputando setores inovadores onde os norte americanos sempre lideraram como aviação, IA, telecomunicações, microprocessadores, robótica, energia nuclear, computação quântica, biotecnologia, farmacêutica, energia solar e baterias. A realidade nos mostra que GM, Boeing e Intel já viram dias melhores e farão falta se partirem, a China reorganizando governos e mercados na África, América Latina, Sudeste Asiático e Europa Oriental e considerando que esses setores geram empregos com altos lucros e salários, influência geopolítica de fronteira tecnológica e proeza militar de controle do campo de batalha, tudo, quem sabe, inserido em política isolacionista norte americana.   

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Transição

Na China os caminhões a diesel estão sendo substituídos por caminhões elétricos, o que  pode alterar demanda global por GNL e diesel, com empresa britânica prevendo que caminhões elétricos representarão 46% das novas vendas em 2025 de veículos pesados. Quer dizer, pesquisa desenvolvida revela que embora caminhões elétricos tenham custo inicial mais alto, sua melhor eficiência energética e despesas mais baixas geram  economia de 10% a 26% aos proprietários ao longo da vida útil do veículo, sendo que o consumo de diesel chinês, segundo maior consumidor depois dos EUA, começa a cair. A China substitui seus caminhões a diesel por modelos elétricos mais rápido que esperado, medida, considerada adequada ao clima, à poluição do ar e que pode remodelar demanda global de combustível e o futuro do transporte pesado, ao considerar que em 2020 quase todos os caminhões novos chineses eram movidos a diesel e 5 anos depois, no 1º semestre de 2025, caminhões elétricos representavam 22% das vendas de caminhões pesados ​​novos, representando, segundo a Commercial Vehicle World, empresa de dados do setor de caminhões sediada em Pequim, aumento em relação aos 9,2% registrados no mesmo período de 2024. A BMI, empresa britânica de pesquisa, prevê que caminhões elétricos atingirão quase 46% das vendas dos novos em 2025 e 60% em 2026, enfatizando-os como força crucial das economias modernas, contribuindo às emissões globais de CO2 e, em 2019, o transporte rodoviário de cargas gerou um terço das emissões de carbono relacionadas ao transporte,  considerado o setor mais difícil de descarbonizar uma vez que os caminhões elétricos precisam de baterias pesadas e podem transportar menos carga que os movidos a diesel, combustível de alta densidade energética. Christopher Doleman, analista do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira, avisa que defensores do gás natural liquefeito o consideram opção menos poluente enquanto a tecnologia à veículos pesados ​​elétricos não se consolida, sendo o GNL gás natural resfriado até tornar-se líquido para facilitar armazenamento e transporte, considerando ainda que, demanda por combustíveis para transporte se estabiliza, dados, da Agência Internacional de Energia, enquanto o uso de diesel na China diminui rapidamente, concliuindo que, caminhões elétricos chineses já superam em vendas modelos movidos a GNL, Gás Natural Liquefeito,sendo que a demanda por combustíveis fósseis pode cair enquanto "em outros países, essa tendência pode nunca decolar".

Relatório McKinsey & Company, entre 2021 e 2023, avalia que as exportações chinesas de caminhões pesados, incluindo elétricos, ao Oriente Médio e Norte da África cresceram  73%/ano, enquanto remessas à América Latina aumentaram 46%, a participação dos veículos elétricos deve crescer embora a infraestrutura de recarga seja limitada representando desafio. A chinesa Sany Heavy Industry anunciou que começa exportar caminhões elétricos à Europa em 2026, já exportou alguns aos EUA, Tailândia, Índia e Emirados Árabes Unidos entre outros, em junho de 2025, a chinesa de veículos elétricos BYD iniciou construção de fábrica de caminhões e ônibus elétricos na Hungria, focada na meta europeia de reduzir emissões de carbono de novos caminhões em 90% até 2040 comparados com níveis de 2019. Vale a nota que estudo da McKinsey previsto para 2024, indica que preços dos caminhões com emissão zero na Europa precisam ser reduzidos pela metade para tornarem alternativas acessíveis ao diesel, com a Volvo informando que, acolhe com satisfação "a concorrência em termos justos". Existe um detalhe forte em relação ao fóssil, o lobby a favor da poluição, aquecimento global, eventos extremos, etc, daí, vendas iniciais motrizes chinesas serem empurradas por generosos incentivos governamentais, como programa de 2024 à proprietários de caminhões trocarem seus veículos antigos em que proprietários podem receber até US$ 19 mil para substituir caminhões antigos por modelos elétricos. Outra questão são investimentos em infraestrutura de recarga também impulsionados pela demanda por caminhões elétricos, com os principais centros logísticos incluindo os do Delta do Yangtzé, adicionando estações de carregamento ao longo das rotas de transporte de carga, com Pequim e Xangai construindo centros de carregamento à veículos pesados ​​ao longo de rodovias capazes de carregarem caminhões em minutos. Por fim, a CATL, maior fabricante mundial de baterias à veículos elétricos, lançou sistema de troca de baterias à caminhões pesados ​​que economiza tempo afirmando que planeja uma rede nacional de estações de troca cobrindo 150 mil km dos 184 mil km de rodovias da China.

Moral da Nota: previsão da Shell ao mercado GNL em 2025 projeta que a demanda pela China, maior importador mundial de GNL, continua crescer, em parte, devido caminhões movidos a GNL e, sugere que o transporte GNL por caminhão deverá se expandir à outros mercados como Índia, com a empresa de pesquisa Rhodium Group sediada em Nova York, estimando que caminhões elétricos chineses estão reduzindo demanda de petróleo a mais de 1 milhão de barris/dia. A China planeja novos padrões de emissão à veículos que limitarão múltiplos poluentes e estabelecerão metas médias de gases efeito estufa à toda frota de um fabricante, o que tornará "quase impossível" à empresas que dependem de veículos movidos a combustíveis fósseis cumprirem as normas. Estudo do ICCT de 2020 avalia que caminhões movidos a GNL reduzem emissões em 2% a 9% ao longo de 100 anos, podendo ser mais poluentes a curto prazo devido vazamentos de metano, potente gás que contribui ao aquecimento global e pode reter mais de 80 vezes o calor na atmosfera em curto prazo que o CO2. Um detalhe, segundo Bill Russo, fundador e CEO da consultoria Automobility Limited, sediada em Xangai, avalia que montadoras chinesas conseguiram manter custos baixos e acelerar fabricação de caminhões, garantindo que diferentes peças funcionem juntas, com produção interna da maioria dos componentes, de baterias e motores a componentes eletrônicos. 

terça-feira, 25 de outubro de 2022

O desafio chinês

Populações de animais selvagens no mundo diminuíram mais de dois terços desde 1970, à medida que avança o desmatamento e a poluição oceânica, com Andrew Terry, diretor de conservação e política da Sociedade Zoológica de Londres, ZSL, avisando que esta "queda nos diz que a natureza se desfaz e o mundo natural se esvazia". Relatório do WWF, World Wildlife Fund, com dados de 2018 da ZSL sobre o status de 32 mil populações de animais selvagens que cobrem mais de 5 mil espécies, descobriu que o tamanho da população diminuiu 69% com desmatamento, exploração humana, poluição e mudanças climáticas como maiores responsáveis ​​pela perda. Populações de vida selvagem na América Latina e Caribe foram mais atingidas, queda de 94% em cinco décadas, como população de botos cor-de-rosa na Amazônia brasileira caindo 65% entre 1994 e 2016. As descobertas foram semelhantes às da última avaliação do WWF em 2020, com o tamanho da população de animais selvagens continuando diminuir a taxa de 2,5% ao ano. O relatório ofereceu vislumbres de esperança, enquanto a população de gorilas do  Parque Nacional Kahuzi-Biega, na República Democrática do Congo, caiu 80% entre 1994 e 2019 decorrente caça de carne de animais selvagens, enquanto a população de gorilas da montanha perto do Parque Nacional de Virunga aumentou de 400 indivíduos em 2010 para mais de 600 em 2018.

A primatologista Jane Goodall alertou que o  clima muda tão rapidamente que a humanidade fica sem chances de corrigi-lo e disse que o tempo está diminuindo para deter os piores efeitos do aquecimento global causado pelo homem. Goodall conhecida por estudo de seis décadas sobre chimpanzés na Tanzânia, encontrou comportamento "semelhante ao humano" entre os animais, incluindo propensão a fazer guerra, bem como capacidade de exibir emoções. Aos 88 anos foi imortalizada como figura de Lego e boneca Barbie,disse que seu despertar ambiental ocorreu na década de 1980 enquanto trabalhava na Mongólia onde percebeu que as encostas das colinas haviam sido despidas da cobertura de árvores. Goodall recebeu o Prêmio Templeton de US$ 1,3 milhão, prêmio anual ao indivíduo cujo trabalho aproveita ciência para explorar questões que a humanidade enfrenta. O dinheiro foi para o Jane Goodall Institute, organização global de conservação da vida selvagem e do ambiente que administra programas para jovens em 66 países.

Moral da Nota: relatório do Banco Mundial sobre desafios climáticos e de desenvolvimento da China, informa que o país precisa de até US$ 17 trilhões em investimentos adicionais para infraestrutura verde e tecnologia nos setores de energia e transporte para atingir emissões líquidas zero até 2060. Parte de uma nova série de Relatórios sobre Clima e Desenvolvimento por País, avisa que a China, segunda maior economia do mundo, precisaria de investimento privado para cobrir o imenso preço e liberar as inovações necessárias. O relatório avalia que a mudança climática representa ameaça ao país especialmente cidades costeiras economicamente críticas, podendo reduzir a produção de 0,5% a 2,3% já em 2030. O relatório avalia o consenso que é impossível atingir metas climáticas globais sem a transição da China à economia de baixo carbono,  observando que o país emite 27% do CO2 global e um terço dos gases efeito estufa do mundo. A China, segundo o relatório, poderia alavancar vantagens existentes, incluindo retornos mais altos na produção de tecnologias de baixo carbono, alta taxa de poupança doméstica e a posição de liderança em finanças verdes. O relatório conclui que é crucial a participação do setor privado para garantir o caminho chinês à neutralidade de carbono ressaltando necessidade de ambiente regulatório mais previsível e melhor acesso a mercados e finanças.


domingo, 10 de janeiro de 2021

Negócio da China

O Alibaba, empresa mais valiosa da China, adquiriu o Walmart China por US$ 3,6 bilhões detendo 72% do negócio do Sun Art Retail, grupo que opera mais de 480 grandes supermercados no país. O motivo alegado decorre do acontecido em outros países por causa da pandemia e os supermercados chineses em crescimento de pedidos online em 2019 tentam capitalizar a mudança no comportamento do consumidor. O Sun Art Retail teve receitas de US$ 14,2 bilhões em 2019 e no primeiro semestre de 2020 cresceu 5% comparado com o mesmo período de 2019, sendo que o domínio do Alibaba acontece pela compra da maioria de uma holding da francesa Auchan Retail International SA. No entanto, relatório da Euromonitor International avisa que a Sun Art não é nome familiar na China, operando grandes lojas de variedades com 14,1% de participação nas vendas de hipermercados, aí, o Walmart detém 10,3% do market share da categoria.

Em fins de 2019 a constatada queda no consumo do setor supermercadista  atingiu forte o Walmart, que no início de 2020 anunciou a necessidade de encontrar parceiro financeiro, fato ocorrido em várias subsidiárias da empresa no mundo. Após sete meses da declaração de pandemia ressurge o interesse na busca por aliado e segundo a empresa, apenas necessidade de braço financeiro para potenciar a operação local. A rede varejista já fechou acordo com o Alibabá na China e alianças na Inglaterra e Brasil, no entanto, o Walmart apresentou na Argentina linha de financiamento para PMEs de origem nacional e marca própria, chegando a 144 prestadores com taxas diferenciadas e redução de prazos de pagamento, comprometendo US$ 6 milhões para apoiar pequenos e médios fornecedores no país. O Walmart Argentina iniciou operações em 1995 sendo atualmente o nono maior empregador privado do país, com mais de 10 mil funcionários diretos em 92 lojas distribuídas em 21 províncias.

Moral da Nota: o Alibaba tem negócio de varejo online em crescimento construindo sua presença em supermercados físicos na China, utilizando-os para expandir capacidades de comércio eletrônico. Assumir o controle da Sun Art "ajudaria o Alibaba expandir sua estratégia integrando estratégia online e offline". O Diretor Executivo da Grande China Kantar Worldpanel explica que "uma rede maior de supermercados físicos aumentará o espaço de estoque do Alibaba à mantimentos e capacidade de entrega".


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

China de Contrastes

A sociedade chinesa vê a implementação de moeda digital, IA e tecnologia blockchain, tecnologias com alto consumo de energia elétrica, atualmente produzida em sua maior parte pelo carvão e combustíveis fósseis impactando negativamente no meio ambiente. A direção em relação a energia verde exige remoção de barreiras tecnológicas, de infra-estrutura, regulatórias e de política tributária. A China nos últimos trinta anos, seguiu o caminho do crescimento econômico e tecnológico sem paralelos na história da humanidade. O governo desempenha um papel ativo na formação da economia digital global, servindo como patrocinador e construindo infraestrutura à digitalização, como investidor, consumidor e desenvolvedor ecológico.

A energia eólica e solar representaram 5,2% e 2,5% da geração nacional de energia da China em 2018 e a Administração Nacional de Energia anunciou retirada de subsídios a projetos de energia renovável em terra, que devem competir diretamente em leilão com outras formas de geração de energia. O investimento em energia renovável na China caiu 39% no primeiro semestre de 2019 comparado ao ano anterior e, a partir de 1º de janeiro de 2020, o preço da eletricidade passou por mudança que afeta a competitividade do preço da energia renovável em favor de carvão. Construir projetos de energia renovável no espaço transmitindo energia do sol de volta à Terra, remodela o modo como as redes recebem eletricidade e possui vida na China. Os projetos de SPS representam um salto monumental no combate a fontes de energia de carvão na China que piora poluição do ar e aquecimento global. O Pesquisador da Academia de Tecnologia Espacial da China descreveu o SPS como "fonte inesgotável de energia limpa aos seres humanos". Os planos da usina de energia solar da China inclui lançamento entre 2021 e 2025 de pequenas usinas de energia solar na estratosfera para gerar eletricidade, seguidas por uma usina de energia solar espacial gerando um megawatt de eletricidade em 2030, bem como usina de energia solar em escala comercial no espaço até 2050. Uma estação receptora construída em Xi'an, hub espacial da região, desenvolverá o primeiro parque de energia SPS do mundo.

Moral da Nota: o sócio e cientista da VeChain, empresa blockchain, explica que “a redução tradicional de carbono é impulsionada por ordens administrativas. Para combater isso, lançamos um Ecossistema de Carbono Digital, DCE, orientado ao mercado, o primeiro programa do mundo em blockchain que incentiva pessoas a proteger o meio ambiente.” O tempo dirá se a abordagem orientada ao mercado em blockchain da VeChain, contribui à proteção ambiental revertendo os efeitos das mudanças climáticas. Há um sentimento de fracasso do livre mercado considerar custos e danos ambientais, tratado por ações coletivas contra governos e empresas em mudanças climáticas em 28 países, incluindo a China, onde reivindicações de interesse público por tais danos tiveram algum sucesso.