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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Demanda por Gás

O Relatório Global de Gás 2026, segundo o Global Gas Report, indica que atingiu recorde de 4.202 bcm em 2025, devendo cair 7 bcm em 2026, esperando-se que a demanda retorne à trajetória de crescimento subjacente assim que diminuir a interrupção do Estreito de Ormuz, interrompendo fornecimento e aumentando preços à compradores na Ásia e África. As importações líquidas de gás natural liquefeito, GNL, atingiram 580 bcm, sendo que o relatório da União Internacional do Gás, IGU, Snam e Rystad Energy, disse que o declínio de 2026 será o 1º na demanda global desde 2022, com a crise no Estreito restringindo 20% do fornecimento global de GNL ou 3% do fornecimento global total de gás natural em 2025, esperando-se que reduza o fornecimento global de gás em 4 bcm em 2026 embora aumento da produção norte americana, China e outras regiões compense parcialmente a perda. Particularmente grave aos mercados sensíveis a preços na Ásia e África emergentes, preços mais elevados do GNL levaram compradores reduzir consumo, mudar combustível e recorrer ao armazenamento, sendo que o comércio global de GNL caiu 4% em relação a 2025 entre janeiro e junho de 2026 com mais de 80% do déficit de importações concentrado na Ásia, em contraste, a demanda de gás na América do Norte deve aumentar 10 bcm, moderando declínio projetado à demanda global de 7 bcm, com o relatório estimando que demanda global deve cair em 17 bcm na Ásia Ocidental, 4 bcm na Europa, 2 bcm na Rússia e na Ásia, enquanto América do Norte e América do Sul adicionarão 10 bcm e 8 bcm, respectivamente. A Ásia adicionou 25 bcm de demanda de gás em 2025, a Europa 10 bcm, impulsionada por clima mais frio e menor geração eólica, com o setor residencial e comercial com o maior aumento absoluto acrescentando 32 bcm enquanto o setor energético continuou sendo o maior setor consumidor de gás representando 34 % da procura global, valendo considerar que a América do Norte liderou aumento da produção com preços mais altos incentivando perfuração nas bacias do Permiano, Haynesville e Apalaches e os EUA ultrapassando a Rússia como maior exportador líquido de gás natural do mundo depois que o término do acordo de trânsito de gás da Ucrânia acelerou afastamento da Europa do gasoduto russo, enquanto o GNL norte americano respondeu por metade das importações europeias de GNL. O TTF,  Dutch Title Transfer Facility, teve média de US$ 12,2/milhão de unidades térmicas britânicas, MMBtu, em 2025, enquanto preços do GNL no nordeste da Ásia tiveram média de US$ 11,9 por MMBtu e o Henry Hub média de US$ 3,6 por MMBtu, com o TTF atingindo US$ 20 por MMBtu ou 60 euros/megawatt-hora, maior média mensal desde 2022 que permaneceu abaixo dos níveis na crise energética entre Rússia e Ucrânia, com o relatório atribuindo resposta de preço contida à maior diversificação da oferta, capacidade adicional de liquefação e disponibilidade de armazenamento. Por fim, o relatório observa que cada aumento de 1°C na temperatura externa na Índia foi associado a mais de 7 GW de pico de demanda adicional em 2024, comparação com 4 GW em 2019, daí, gases com baixas emissões expandem-se mas os custos continuam sendo  barreira, com o gás convencional, tecnologias de gases com baixas emissões se expandindo em 2025 ao recorde de 19,5 milhões de toneladas/ano, Mtpa, de capacidade de captura de CO2 chegando à decisão final de investimento e 8,1 Mtpa iniciaram operações elevando capacidade operacional global à 74 Mtpa, o relatório conclui que a lacuna entre custos do projeto e clientes dispostos a pagar é a principal barreira para escalar tecnologias, além de identificar políticas de apoio à procura, acordos de aquisição a longo prazo, contratos de carbono por diferença e custos tecnológicos mais baixos como entre medida para melhorar economia. Espera que a procura de gás regresse à trajetória de crescimento e que 67 milhões de toneladas de capacidade de liquefação e 51 milhões de toneladas de capacidade de regaseificação chegaram à decisão final de investimento em 2025, seguidas por 35 milhões de toneladas e 25 milhões de toneladas, respectivamente, no 1º semestre de 2026.

Estudo publicado no Los Angeles Times revela que a indústria de combustíveis fósseis agrava escassez de água no Oeste americano, nos últimos anos, diversas pesquisas demonstraram que o aquecimento global intensifica a seca e escassez de água na Califórnia e oeste dos EUA, com cientistas dizendo que um grupo de poluidores  responde por parte desse ressecamento. No estudo anteriormente publicado na Communications Earth & Environment, cientistas estimam que mudanças climáticas reduziram pico anual de neve acumulada em 11 estados do oeste americano em 36% entre 2014 e 2024 diminuindo vazão de rios e córregos na primavera e verão, 13%, comparada com mundo sem aquecimento, além de descobrirem que metade dos declínios foi causada por gases que aquecem o planeta, liberados na atmosfera por 122 das maiores empresas de combustíveis fósseis e cimento do mundo. Pesquisadores denominaram o grupo de “grandes emissores de carbono”, incluindo produtoras de petróleo, gás e carvão, privadas e estatais, em países como Rússia, China e Arábia Saudita, com Emily Williams, autora principal e cientista climática da UC Merced, dizendo que, “em conjunto, constituem fonte de alterações no clima causadas pelo homem”, sendo que cientistas utilizaram modelos climáticos para examinar efeitos das emissões de CO2 das empresas desde 1950. Descobriram que aquecimento global ao ressecar o solo e fazer com que plantações absorvam mais água, aumentou demanda por água de irrigação em 4% e esse grupo de empresas responde por metade do aumento, conforme o estudo, o restante dos gases que contribuem ao aquecimento global é liberado por pequenas empresas de combustíveis fósseis, pecuária, desmatamento e aterros sanitários, desconsiderando aumento das temperaturas causado pelo uso de combustíveis fósseis, o consumo excessivo de água exerce pressão sobre rios, córregos e aquíferos do Oeste, concluiu. Vale dizer, que a agricultura consome parte da água no Oeste americano, no Vale Central da Califórnia e, a extração excessiva e crônica de água de poços, causou declínio nos níveis de água subterrânea, com cientistas estimando no estudo que pelo menos 20% da perda de água subterrânea pode ser atribuída ao aquecimento global, com o porta-voz do American Petroleum Institute, maior associação comercial de petróleo e gás dos EUA, preferindo não comentar. Baseada em princípios e métodos sólidos, segundo Rob Jackson, cientista climático da Escola de Sustentabilidade Doerr da Universidade Stanford, que não participou do estudo, disse que, “mudanças climáticas tornam problemas hídricos sistematicamente mais complexos” e, conclui, “Não podemos gerenciar recursos hídricos sem levar em consideração que a atmosfera mudou e como a cobertura de neve também se alterou.”Para concluir, nos últimos anos, pesquisas se concentraram em analisar papel das mudanças climáticas no agravamento de secas, inundações, ondas de calor e incêndios florestais, com estudos examinando papel de empresas de petróleo e gás, por exemplo, estudo de 2023 estimou que 40% da área florestal queimada por incêndios florestais no oeste dos EUA e sudoeste do Canadá nos últimos 40 anos pode ser atribuída às emissões de carbono dos maiores produtores de combustíveis fósseis e fabricantes de cimento do mundo, outro estudo de 2025 constatou que o CO2 liberado pelas empresas e seus produtos piorou ondas de calor desde 2000. Quer dizer, cientistas descobriram que o último quarto de século foi provavelmente o mais seco em 1.200 anos no oeste da América do Norte e o aquecimento global responde por 40% da gravidade da seca, estimando que mudanças climáticas estejam ligadas a metade da redução da vazão do Rio Colorado que abastece 7 estados norte americanos e México, em 2026, os maiores reservatórios atingiram  níveis recordes baixos. Enfim, em estudo mais recente, cientistas afirmam que se concentraram nas emissões desde a década de 1950 porque, nessa década, as empresas começaram ter acesso a pesquisas que indicavam que o uso de petróleo, gás e carvão levaria a mudanças climáticas perigosas.

Moral da Nota: delegados, COP17, UNCCD, Mongólia, concordaram desenvolver plataforma Business4Land, B4L, para conectar setor financeiro às cadeias de valor verdes, enquanto o anfitrião, Mongólia, anunciava lançamento da Iniciativa Emblemática de Pastagens, com acordos no diálogo ministerial sobre Mecanismos Financeiros Inovadores à Terras Saudáveis ​​e Resiliência à Seca, reunindo Partes da UNCCD com líderes governamentais, empresariais e sociedade civil, sendo que a plataforma B4L, recém-acordada, conectará consumo, produção e finanças através de padrões ambientais e sociais bem como produtos financeiros na preservação do capital natural. A Iniciativa de Pastagens da Mongólia prevê gestão sustentável e restauração de pastagens, criação de coalizão global sobre pastagens e pastoralismo e estabelece o Centro Eurasiático à Pastagens Resilientes ao Clima no país, no diálogo, países apresentaram abordagens ao financiamento da restauração de terras e à incorporação do uso da terra e resiliência à seca nos programas de bancos multilaterais de desenvolvimento e investidores institucionais. Vale dizer que, o Grupo Banco Mundial investiu mais de US$ 3 bilhões em 31 países para estabelecer sistemas de registro de terras e cadastros como pré-requisito à gestão eficaz de recursos, Chen Guangzhe, Vice-Presidente da Vice-Presidência ao Planeta do Grupo Banco Mundial, dizendo que, “no Grupo Banco Mundial a abordagem se concentra em prioridades fundamentais e complementares, uma delas, o fortalecimento do sistema fundiário e a outra é tratar a terra como ativo de capital produtivo”. João Paulo Capobianco, Ministro brasileiro do Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, disse a TV BRICS que o financiamento é lacuna fundamental na transformação de compromissos da UNCCD em ações concretas e concluiu, “países do BRICS têm alto nível de responsabilidade, compartilham parte da biodiversidade, paisagens, populações, produção de alimentos e recursos hídricos do mundo, portanto, temos oportunidade de liderar pelo exemplo, nosso banco de desenvolvimento que demonstra e desenvolve meios de financiamento de programas,  reduz riscos ao capital privado que investe em restauração e esforços à combater desertificação”.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Compromisso Global

A Agência Internacional de Energia, AIE, indica em último relatório que o metano excede levemente níveis registrados em 2019, ponto mais alto de concentração em efeito estufa, embora o Global Methane Tracker se concentre na indústria de combustíveis fósseis, a agricultura é maior produtora de metano que responde por 30% do aumento da temperatura global desde a Revolução Industrial, mesmo com a produção de CO2 maior, o metano é 80 vezes mais potente no aquecimento do planeta, parte do risco como gás de efeito estufa que mais cresce. Nos últimos anos tem aumentado progressivamente e, em 2024, sua concentração quase ultrapassa o recorde de 2019 referindo-se como gás produzido por combustíveis fósseis e, conforme observado pela AIE no relatório anual que se concentrou na quantidade de  metano emitida pelo petróleo, gás e carvão no mundo, daí, é verdade que o maior produtor de metano é o setor agroindustrial decorrente decomposição de esterco animal e matéria orgânica decomposta em águas paradas sem tratamento adequado, ao passo que, a 3ª fonte de metano no mundo são resíduos como o lixo. O foco da AIE no metano produzido pelo petróleo, carvão e gás, ressalta a China maior poluidor em 2024, especialmente devido ao carvão que extrai, seguida pelos EUA, Rússia, Irã e Turcomenistão e, em menor grau, Índia, Venezuela e Indonésia e, na maioria deles, fatores poluentes são petróleo e gás com fato adicional que a infraestrutura abandonada de combustíveis fósseis é a 4ª maior fonte de emissões de metano. A AIE coleta informações com 25 satélites cujos dados são, em média, 80% mais exatos em relação aos que países relatam à Convenção-Quadro da ONU sobre Mudanças Climáticas, concluindo-se que a sub-notificação se repete no mundo e o único continente onde tal lacuna não existe é a Europa, segundo a AIE,  esclarecendo que ocorre porque os europeus enviam inventários regularmente e alguns produtores relatam emissões com base em dados já medidos. O Global Methane Pledge promovido pela UE e EUA em 2021 em Glasgow, foca ações à reduzir emissões globais de metano em pelo menos 30% até 2030 comparadas aos níveis de 2020 e, desde sua criação, 159 países e o bloco europeu aderiram ao compromisso, incluindo nações produtoras de petróleo, no entanto, esforços são ainda insuficientes já que metade da indústria de combustíveis fósseis não tem compromissos em atingir emissões líquidas zero de metano e, conforme a AIE, dos maiores poluidores de metano, apenas EUA, Indonésia e Turcomenistão aderiram ao pacto, com a agência estimando que 70% das emissões de metano provenientes de combustíveis fósseis poderiam ser evitadas com a tecnologia existente e de baixo custo.

O combustível fóssil responde atualmente por um terço das emissões de metano proveniente da atividade humana e, a  produção recorde de petróleo, gás e carvão, combinada a esforços limitados de mitigação, mantem emissões anuais acima de 120 milhões de toneladas, Mt, além de Poços e minas abandonados incluídos pela primeira vez no Rastreador Global de Metano de 2025 contribuíram com 8 Mt às emissões em 2024, considerando que a produção e o consumo de bioenergia resultam em mais 20 Mt de metano, grande parte da combustão incompleta de biomassa tradicional usada para cozinhar e aquecer em economias em desenvolvimento, pedindo urgente modernização. Agricultura e os resíduos são fontes de emissões de metano, no entanto, o fornecimento de combustíveis fósseis oferece maior potencial à reduções imediatas nas emissões de metano, soluções que reduzem emissões nos combustíveis fósseis à quase zero  e poderiam ser implementadas a baixo custo, ou, negativo, em que 5% da produção global de petróleo e gás atende a padrão de emissões próximo de zero, 3 milhões de barris/dia de petróleo e 130 bilhões de mts³ de gás natural, levando atores estabelecerem metas de redução das emissões de metano até 2030, no entanto, até o momento, poucos países ou empresas formularam planos reais de implementação aos compromissos e menos ainda demonstraram reduções de emissões verificáveis, relativas ao carvão a vapor e linhito, carvão de coque, instalações abandonadas. A sub-notificação leva a distorção, ou, emissões medidas tendem ser maiores que relatadas e, à medida que dados medidos são disponibilizados mostram que a estimativa do total de emissões de metano relacionadas à energia global é 80% maior que o total relatado pelos países à UNFCCC, Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, lacuna mais estreita na Europa onde países enviam regularmente inventários e produtores relatam emissões com base em dados medidos, já que, dados aprimorados levarão a alocação de recursos mais eficiente e confiança nos esforços de redução de emissões. Além dos 25 satélites em órbita que fornecem informações sobre emissões de metano, novos satélites focados em metano entraram em operação em 2024, incluindo o MethaneSAT e o Tanager-1, que possuem limiares de detecção sensíveis e fornecem dados de alta resolução, com dados do MethaneSAT mostrando que fontes dispersas que emitem menos de 500 kg de metano/hora respondem ​​por parcela significativa liberadoa nas principais bacias produtoras de petróleo e gás, somados às evidências dos EUA indicando importância em abordar super-emissores quanto fontes menores, considerando que, análise do Carbon Mapper em mais de 2 mil plumas de metano ao redor do mundo indica que um quarto das fontes de emissões detectadas em instalações de petróleo e gás eram recorrentes, ou seja, vazamento detectado em várias ocasiões no mesmo local, já, dados do Sentinel 5P, que opera há vários anos, sugerem que as emissões de eventos de super-emissão em instalações de petróleo e gás atingiram recorde em 2024 apesar da redução na cobertura, ou seja, o número de dias que as observações foram possíveis. 

Moral da Nota: a ONG Clean Air Task Force relatou altos níveis de emissões escapando dos campos de petróleo na Romênia e, quase 3 anos depois de mais de 100 países se comprometerem controlar suas emissões de metano, vazamentos continuam proliferar, valendo lembrar que na COP26 de 2021, 160 países aderiram ao Compromisso Global sobre Metano se comprometendo limitar emissões em 30% até 2030, comparados aos níveis de 2020. A Clean Air Task Force uma das organizações nos alerta sobre o metano emitido deliberadamente por instalações de combustíveis fósseis, caso da Romênia, no entanto, novas regulamentações da UE em vigor a partir de maio de 2025, dificultará tais vazamentos evitando que fiquem impunes, considerando obrigatoriedade das empresas em monitorar e limitar suas emissões ou enfrentar penalidades, valendo dizer que, iniciativas da indústria na Romênia são limitadas pois o país abriga infraestrutura antiga e propensa a vazamentos.

sábado, 21 de agosto de 2021

Paradoxo do gás

A Rússia expande a produção de gás Ártico focada no mercado asiático, com isto, resiste à metas climáticas mais restritas. A busca por neutralidade de carbono, no caso russo, fica adiada ao final do século pela demanda asiática apoiando grande expansão da indústria de gás no Ártico. Em setembro de 2019 o presidente Putin endossou o acordo climático de Paris, em que países se comprometem limitar o aquecimento global “abaixo de 2ºC” se esforçando para 1,5ºC até o fim do século. A partir daí, Moscou continua apoiando a expansão de combustíveis fósseis a custo de US$ 8,4 bilhões, sustentando a indústria petroleira e de gás na pandemia. O presidente russo assinou ainda outra ordem executiva reduzindo emissões em 30% até 2030 à níveis de 1990, permitindo que as emissões aumentem  supondo que despencaram após o colapso da URSS permanecendo metade do nível de 1990.

O Climate Action Tracker classifica como “criticamente insuficiente” a meta de cumprimento do acordo de Paris, consistente com trilha rumo a 4ºC de aquecimento até o final do século. China, Japão e Coréia do Sul, segundo o analista de política climática e energética em Climate Analytics, ingressaram no clube das nações buscando reduzir emissões à zero líquido até meados do século, ao passo que a Rússia pode ser uma das últimas economias desenvolvidas a descarbonizar. A estratégia climática de longo prazo publicada em 2020 mostra que o governo russo considera reduzir emissões em 48% à níveis de 1990 até 2050 em “cenário intensivo”, permitindo que aumentem por 9 anos antes de reduzi-las acima dos níveis de 2017, longe da meta de zero líquido para 2050 acordada na ONU. A neutralidade de carbono na Rússia seria alcançada “na segunda metade do século 21, perto do fim”, caindo 36% em relação a 1990, equivalente a 26% acima dos níveis de 2017, cortes alcançados através da eficiência energética e redução do desmatamento.

Moral da Nota: a UE, maior mercado de exportação de gás russo, considera imposto de fronteira de carbono sobre importações, desconsiderando gás como investimento “sustentável” ou de “transição”. A grande reserva de gás russo está acima do círculo ártico, região que aquece duas vezes mais rápido que o resto do planeta, com temperaturas de 38°C no verão. Aumentar a produção de GNL no Ártico em dez vezes entre 2018 e 2035 é estratégia russa para o Ártico 2035, com a península de Yamal na Sibéria foco de desenvolvimento de GNL. É fato que o derretimento do gelo Ártico facilita navegabilidade e exportação de GNL à Ásia na rota Norte e em 2035, a Rússia aumentará o volume do transporte marítimo de carga no Ártico em quatro vezes. Em entrevista ao Guardian o ministro russo da energia disse que o país planeja se tornar líder global na produção de “hidrogênio limpo de queima”, sendo que hoje a maior parte do hidrogênio é produzida a partir de combustíveis fósseis em processo que emite CO2 e a Rússia trabalha em tecnologia para capturar o CO2 além de produzir hidrogênio por hidrólise usando energia renovável.

Em tempo: o grande paradoxo da questão é que a medida que o Ártico se aquece com consequente perda da camada de gelo nas terras eternamente geladas, há liberação progressiva de toneladas de metano, com modelos matemáticos apontando à prováveis explosões danificando a infraestrutura russa.