O Relatório Global de Gás 2026, segundo o Global Gas Report, indica que atingiu recorde de 4.202 bcm em 2025, devendo cair 7 bcm em 2026, esperando-se que a demanda retorne à trajetória de crescimento subjacente assim que diminuir a interrupção do Estreito de Ormuz, interrompendo fornecimento e aumentando preços à compradores na Ásia e África. As importações líquidas de gás natural liquefeito, GNL, atingiram 580 bcm, sendo que o relatório da União Internacional do Gás, IGU, Snam e Rystad Energy, disse que o declínio de 2026 será o 1º na demanda global desde 2022, com a crise no Estreito restringindo 20% do fornecimento global de GNL ou 3% do fornecimento global total de gás natural em 2025, esperando-se que reduza o fornecimento global de gás em 4 bcm em 2026 embora aumento da produção norte americana, China e outras regiões compense parcialmente a perda. Particularmente grave aos mercados sensíveis a preços na Ásia e África emergentes, preços mais elevados do GNL levaram compradores reduzir consumo, mudar combustível e recorrer ao armazenamento, sendo que o comércio global de GNL caiu 4% em relação a 2025 entre janeiro e junho de 2026 com mais de 80% do déficit de importações concentrado na Ásia, em contraste, a demanda de gás na América do Norte deve aumentar 10 bcm, moderando declínio projetado à demanda global de 7 bcm, com o relatório estimando que demanda global deve cair em 17 bcm na Ásia Ocidental, 4 bcm na Europa, 2 bcm na Rússia e na Ásia, enquanto América do Norte e América do Sul adicionarão 10 bcm e 8 bcm, respectivamente. A Ásia adicionou 25 bcm de demanda de gás em 2025, a Europa 10 bcm, impulsionada por clima mais frio e menor geração eólica, com o setor residencial e comercial com o maior aumento absoluto acrescentando 32 bcm enquanto o setor energético continuou sendo o maior setor consumidor de gás representando 34 % da procura global, valendo considerar que a América do Norte liderou aumento da produção com preços mais altos incentivando perfuração nas bacias do Permiano, Haynesville e Apalaches e os EUA ultrapassando a Rússia como maior exportador líquido de gás natural do mundo depois que o término do acordo de trânsito de gás da Ucrânia acelerou afastamento da Europa do gasoduto russo, enquanto o GNL norte americano respondeu por metade das importações europeias de GNL. O TTF, Dutch Title Transfer Facility, teve média de US$ 12,2/milhão de unidades térmicas britânicas, MMBtu, em 2025, enquanto preços do GNL no nordeste da Ásia tiveram média de US$ 11,9 por MMBtu e o Henry Hub média de US$ 3,6 por MMBtu, com o TTF atingindo US$ 20 por MMBtu ou 60 euros/megawatt-hora, maior média mensal desde 2022 que permaneceu abaixo dos níveis na crise energética entre Rússia e Ucrânia, com o relatório atribuindo resposta de preço contida à maior diversificação da oferta, capacidade adicional de liquefação e disponibilidade de armazenamento. Por fim, o relatório observa que cada aumento de 1°C na temperatura externa na Índia foi associado a mais de 7 GW de pico de demanda adicional em 2024, comparação com 4 GW em 2019, daí, gases com baixas emissões expandem-se mas os custos continuam sendo barreira, com o gás convencional, tecnologias de gases com baixas emissões se expandindo em 2025 ao recorde de 19,5 milhões de toneladas/ano, Mtpa, de capacidade de captura de CO2 chegando à decisão final de investimento e 8,1 Mtpa iniciaram operações elevando capacidade operacional global à 74 Mtpa, o relatório conclui que a lacuna entre custos do projeto e clientes dispostos a pagar é a principal barreira para escalar tecnologias, além de identificar políticas de apoio à procura, acordos de aquisição a longo prazo, contratos de carbono por diferença e custos tecnológicos mais baixos como entre medida para melhorar economia. Espera que a procura de gás regresse à trajetória de crescimento e que 67 milhões de toneladas de capacidade de liquefação e 51 milhões de toneladas de capacidade de regaseificação chegaram à decisão final de investimento em 2025, seguidas por 35 milhões de toneladas e 25 milhões de toneladas, respectivamente, no 1º semestre de 2026.
Estudo publicado no Los Angeles Times revela que a indústria de combustíveis fósseis agrava escassez de água no Oeste americano, nos últimos anos, diversas pesquisas demonstraram que o aquecimento global intensifica a seca e escassez de água na Califórnia e oeste dos EUA, com cientistas dizendo que um grupo de poluidores responde por parte desse ressecamento. No estudo anteriormente publicado na Communications Earth & Environment, cientistas estimam que mudanças climáticas reduziram pico anual de neve acumulada em 11 estados do oeste americano em 36% entre 2014 e 2024 diminuindo vazão de rios e córregos na primavera e verão, 13%, comparada com mundo sem aquecimento, além de descobrirem que metade dos declínios foi causada por gases que aquecem o planeta, liberados na atmosfera por 122 das maiores empresas de combustíveis fósseis e cimento do mundo. Pesquisadores denominaram o grupo de “grandes emissores de carbono”, incluindo produtoras de petróleo, gás e carvão, privadas e estatais, em países como Rússia, China e Arábia Saudita, com Emily Williams, autora principal e cientista climática da UC Merced, dizendo que, “em conjunto, constituem fonte de alterações no clima causadas pelo homem”, sendo que cientistas utilizaram modelos climáticos para examinar efeitos das emissões de CO2 das empresas desde 1950. Descobriram que aquecimento global ao ressecar o solo e fazer com que plantações absorvam mais água, aumentou demanda por água de irrigação em 4% e esse grupo de empresas responde por metade do aumento, conforme o estudo, o restante dos gases que contribuem ao aquecimento global é liberado por pequenas empresas de combustíveis fósseis, pecuária, desmatamento e aterros sanitários, desconsiderando aumento das temperaturas causado pelo uso de combustíveis fósseis, o consumo excessivo de água exerce pressão sobre rios, córregos e aquíferos do Oeste, concluiu. Vale dizer, que a agricultura consome parte da água no Oeste americano, no Vale Central da Califórnia e, a extração excessiva e crônica de água de poços, causou declínio nos níveis de água subterrânea, com cientistas estimando no estudo que pelo menos 20% da perda de água subterrânea pode ser atribuída ao aquecimento global, com o porta-voz do American Petroleum Institute, maior associação comercial de petróleo e gás dos EUA, preferindo não comentar. Baseada em princípios e métodos sólidos, segundo Rob Jackson, cientista climático da Escola de Sustentabilidade Doerr da Universidade Stanford, que não participou do estudo, disse que, “mudanças climáticas tornam problemas hídricos sistematicamente mais complexos” e, conclui, “Não podemos gerenciar recursos hídricos sem levar em consideração que a atmosfera mudou e como a cobertura de neve também se alterou.”Para concluir, nos últimos anos, pesquisas se concentraram em analisar papel das mudanças climáticas no agravamento de secas, inundações, ondas de calor e incêndios florestais, com estudos examinando papel de empresas de petróleo e gás, por exemplo, estudo de 2023 estimou que 40% da área florestal queimada por incêndios florestais no oeste dos EUA e sudoeste do Canadá nos últimos 40 anos pode ser atribuída às emissões de carbono dos maiores produtores de combustíveis fósseis e fabricantes de cimento do mundo, outro estudo de 2025 constatou que o CO2 liberado pelas empresas e seus produtos piorou ondas de calor desde 2000. Quer dizer, cientistas descobriram que o último quarto de século foi provavelmente o mais seco em 1.200 anos no oeste da América do Norte e o aquecimento global responde por 40% da gravidade da seca, estimando que mudanças climáticas estejam ligadas a metade da redução da vazão do Rio Colorado que abastece 7 estados norte americanos e México, em 2026, os maiores reservatórios atingiram níveis recordes baixos. Enfim, em estudo mais recente, cientistas afirmam que se concentraram nas emissões desde a década de 1950 porque, nessa década, as empresas começaram ter acesso a pesquisas que indicavam que o uso de petróleo, gás e carvão levaria a mudanças climáticas perigosas.
Moral da Nota: delegados, COP17, UNCCD, Mongólia, concordaram desenvolver plataforma Business4Land, B4L, para conectar setor financeiro às cadeias de valor verdes, enquanto o anfitrião, Mongólia, anunciava lançamento da Iniciativa Emblemática de Pastagens, com acordos no diálogo ministerial sobre Mecanismos Financeiros Inovadores à Terras Saudáveis e Resiliência à Seca, reunindo Partes da UNCCD com líderes governamentais, empresariais e sociedade civil, sendo que a plataforma B4L, recém-acordada, conectará consumo, produção e finanças através de padrões ambientais e sociais bem como produtos financeiros na preservação do capital natural. A Iniciativa de Pastagens da Mongólia prevê gestão sustentável e restauração de pastagens, criação de coalizão global sobre pastagens e pastoralismo e estabelece o Centro Eurasiático à Pastagens Resilientes ao Clima no país, no diálogo, países apresentaram abordagens ao financiamento da restauração de terras e à incorporação do uso da terra e resiliência à seca nos programas de bancos multilaterais de desenvolvimento e investidores institucionais. Vale dizer que, o Grupo Banco Mundial investiu mais de US$ 3 bilhões em 31 países para estabelecer sistemas de registro de terras e cadastros como pré-requisito à gestão eficaz de recursos, Chen Guangzhe, Vice-Presidente da Vice-Presidência ao Planeta do Grupo Banco Mundial, dizendo que, “no Grupo Banco Mundial a abordagem se concentra em prioridades fundamentais e complementares, uma delas, o fortalecimento do sistema fundiário e a outra é tratar a terra como ativo de capital produtivo”. João Paulo Capobianco, Ministro brasileiro do Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, disse a TV BRICS que o financiamento é lacuna fundamental na transformação de compromissos da UNCCD em ações concretas e concluiu, “países do BRICS têm alto nível de responsabilidade, compartilham parte da biodiversidade, paisagens, populações, produção de alimentos e recursos hídricos do mundo, portanto, temos oportunidade de liderar pelo exemplo, nosso banco de desenvolvimento que demonstra e desenvolve meios de financiamento de programas, reduz riscos ao capital privado que investe em restauração e esforços à combater desertificação”.