terça-feira, 11 de novembro de 2025

Em discussão

O Relatório sobre Desigualdade Climática 2025, divulgado pelo Laboratório Mundial da Desigualdade e o PNUMA, Programa da ONU ao Meio Ambiente, coescrito pelo economista Lucas Chancel, estabelece conexão entre riqueza e emissões, ao dizer que, “os mais ricos não apenas consomem mais, como possuem e financiam os ativos responsáveis ​​pela maior parte das emissões”, constata que a crise climática é desproporcionalmente alimentada pelos mais ricos. Quer dizer, o 1% mais rico da população mundial responde por 41% das emissões ligadas à propriedade de capital privado, ou, quase 680 vezes mais por pessoa que a metade mais pobre da humanidade, em contrapartida, os que menos contribuem ao problema, os mais pobres, sofrem os piores impactos das mudanças climáticas. O relatório estima que até 2025 os 50% mais pobres da população mundial sofrerão as consequências, em que 74% das perdas de renda são atribuídas a danos climáticos enquanto os 10% mais ricos podem perder apenas 3%, alerta que, a transição verde em curso pode ampliar a desigualdade global, a menos que o financiamento climático se torne mais justo. Caso indivíduos e corporações ricas continuem dominar investimentos de baixo carbono, sua participação na riqueza global deverá subir de 38% hoje à 46% até 2050, no entanto, sob sistema mais justo com impostos sobre ativos de emissão de carbono e investimentos públicos mais robustos a concentração de riqueza poderia cair à 26%. Destaca que países em desenvolvimento continuam pagar taxas mais altas de juros em empréstimos verdes, apesar de contribuírem menos ao aquecimento global, apela à reforma do sistema de crédito global e expansão de empréstimos à “capacitar o Sul Global investir em seus próprios termos”, urge países interromper novos investimentos em combustíveis fósseis, impor impostos sobre riqueza gerada por carbono e aumentar investimento em transições limpas. Análise mostra que emissões globais de gases efeito estufa são 34% maiores hoje que eram quando a 1ª COP foi realizada em 1995, embora menor que o aumento de 64% nos anos anteriores, mas, ainda tendência alarmante, ameaçando estabilidade do planeta, já que continuamos usar combustíveis fósseis, petróleo, carvão e gás para suprir demandas de energia e projetos de desenvolvimento, em atenção, setores com uso intensivo de energia de tecnologias como IA pioram a situação. Vale a nota que sem as cúpulas da COP que incentivam ações globais o planeta teria aquecido 5°C, com negociações climáticas globais anuais as projeções giram em torno de 3°C, progresso, mas ainda aquém do limite de 1,5°C desde a era pré-industrial, ou, o limite estabelecido pelo Acordo de Paris que os cientistas dizem que o planeta não deve ultrapassar para evitar consequências destrutivas, no entanto, a Terra ultrapassou o limite de 1,5°C com 2023 e 2024 registrando recordes, por enquanto, os níveis médios das últimas 3 décadas permanecem abaixo desse limite. Por fim, em 2024 o mundo investiu US$ 2,2 trilhões em energia limpa, ultrapassando, pela 1ª vez, US$ 1 trilhão em investimentos em combustíveis fósseis, mesmo assim, substituir a energia poluente permanece.

Sessões Científicas da Associação Americana do Coração, Nova Orleans, Louisiana, apontam que aqueles que tomam melatonina por mais de 1 ano apresentam maior risco de problemas cardíacos, conforme estudo ainda não revisado por pares, em análise de dados de 130 mil adultos com insônia de diversos países descobrindo que os que tomavam o suplemento comum apresentavam risco 89% maior de insuficiência cardíaca em 5 anos e 2 vezes probabilidade de morrer por qualquer causa, comparados aos que não tomavam. Ekenedilichukwu Nnadi, pesquisador médico da SUNY Downstate/Kings County Primary Care, Nova York, coautor do estudo, avalia que, "suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se acredita" e, conclui, "se o estudo for confirmado, poderá influenciar como médicos aconselham pacientes sobre uso de medicamentos para dormir". Em realidade, overdoses de melatonina disparam entre crianças nos EUA considerando que os suplementos contêm até 300% mais que o indicado, no entanto, resultados da pesquisa devem ser interpretados com cautela, pois os participantes não foram questionados sobre o uso de melatonina, apenas seus registros de prescrição foram usados ​​para determinar quem estava tomando qual medicamento, significando que, o grupo controle, aqueles que não tomaram melatonina, poderia ter incluído, por exemplo, pessoas que tomaram sem receita médica, daí, as descobertas são preliminares e não alteram recomendações de saúde atuais. No entanto, as descobertas não implicam necessariamente que a melatonina, 4º produto natural mais consumido por adultos nos EUA, tenha consequências perigosas, já que, resultados sugerem que são necessárias mais pesquisas sobre uso prolongado de melatonina para garantir sua segurança. Nos EUA e em muitos outros países, melatonina é vendida sem receita médica, significando que os pacientes podem tomá-los sem supervisão médica quanto dosagem ou duração do tratamento, pois o suplemento de melatonina replica hormônio produzido naturalmente pelo cérebro para ajudar manter o relógio biológico e tomar esse substituto no final do dia pode ajudar adormecer e dormir a noite toda. Em conclusão, grande coorte multinacional do mundo real, rigorosamente pareada em mais de 40 variáveis ​​basais, a suplementação de melatonina a longo prazo para insônia foi associada a risco 89% maior de insuficiência cardíaca incidente, aumento de 3 vezes nas hospitalizações relacionadas à insuficiência cardíaca e duplicação da mortalidade por todas as causas ao longo de 5 anos, achados que, desafiam a percepção da melatonina como terapia crônica benigna e ressaltam necessidade de ensaios clínicos randomizados para esclarecer perfil de segurança cardiovascular.

Moral da Nota: Akron, Ohio, população de 200 mil habitantes, há um século, uma das cidades mais prósperas dos EUA, mundialmente famosa pela indústria da borracha, diminuiu em um terço sua população nas últimas 5 décadas, tornou-se capital da metanfetamina, à medida que as drogas ceifam cada vez mais vidas e o número de viciados aumenta. Antes atraía milhares de trabalhadores, agora, luta contra a epidemia de metanfetamina e opioides com número de dependentes em crescimento, considerando que a crise dos opioides nos EUA levou a aumento significativo nos últimos anos de mortes por overdose nas ruas, já que o país possui grande variedade de drogas opioides tanto legais quanto ilegais. Tugg Massa, ex-viciado que administra um centro de reabilitação privado, diz que o único modo de acabar com a epidemia é através da educação e prevenção impedindo que crianças usem drogas, diz que, viu pessoas passarem por diferentes programas de tratamento repetidamente, nunca se recuperarem e acabarem morrendo e, conclui, "não há como parar essa epidemia agora". O Journal of the American Medical Association, informa que, a epidemia de drogas nos EUA deixou recorde de mais de 70 mil mortes por overdose em 2019, o vício em drogas e, consequentemente, mortes por overdose, são a principal causa do declínio constante da população de Ohio, entre 2010 e 2017, a taxa de mortalidade entre pessoas de 25 a 64 anos aumentou em mais de 20%, além disso, o tráfico de drogas tornou-se fonte de renda fácil e acessível e aqueles que desejam romper o ciclo do vício encontram dificuldades porque os traficantes estão por toda parte.