sábado, 29 de novembro de 2025

Alzheimer

Observadores atribuíram o maior número de casos de doença de Alzheimer entre mulheres ao simples fato que vivem em média mais que os homens,recentemente, porém,reconheceram que a explicação à diferença de gênero na prevalência de Alzheimer, causa da maioria dos casos de demência é mais sutil e complexa envolvendo fatores socioculturais e biológicos. A pesquisa se concentrou na exposição das mulheres aos hormônios sexuais, genes no cromossomo X, prevalência e efeito de fatores de risco como perda auditiva, variante da apolipoproteína,APOE4, e reserva cognitiva diminuída relacionada a níveis educacionais mais baixos. Nos EUA 2 em cada 3 pessoas que vivem com doença de Alzheimer são mulheres, segundo Rachel Buckley, neuropsicóloga de Harvard,"as mulheres tendem viver com demência por mais tempo que os homens", avaliação confirmada pelo estudo publicado no JAMA Neurology que utilizou dados de inscrição no Medicare à 5,7 milhões de pacientes com 65 anos ou mais, diagnosticados com demência por qualquer causa entre 2014 e 2021, com até 8 anos de acompanhamento, 3,3 milhões eram mulheres, enquanto 2,4 milhões, homens, com o detalhe, um ano pós diagnóstico, 27% dos homens morreram comparados com 22% das mulheres. Ao considerar idade, comorbidades, acesso a cuidados de saúde e outros fatores, a taxa de mortalidade por todas as causas 1 ano pós diagnóstico foi 24% maior para homens que à mulheres, sendo os homens mais propensos que as mulheres receberem cuidados paliativos, serviços de neuroimagem e hospitalização por diagnóstico de doença neurodegenerativa ou distúrbio comportamental. Megan Fitzhugh, neurocientista, professora assistente adjunta da Universidade da Califórnia, em San Diego, avalia que "ficaria surpresa se os homens, em média, tivessem casos mais graves de demência, pois creio que são as mulheres que recebem o diagnóstico mais tarde na progressão da doença", ressaltando que os dados brutos do Medicare usados ​​no estudo não incluíam informações sobre quais medicamentos os pacientes poderiam estar tomando para diabetes ou pressão alta, ou, se tinham histórico de lesão cerebral traumática, fator de risco conhecido à demência, mais comum em homens.

Artigo de revisão na Alzheimer & Dementia observa que pesquisadores notaram que características da doença de Alzheimer no cérebro, placas de β amiloide e aglomerados da proteína tau chamados emaranhados neurofibrilares, não parecem ou agem da mesma forma em mulheres e homens, especialmente emaranhados, a cognição das mulheres declina mais rapidamente que a dos homens. Em 2023, artigo no JAMA Neurology pedia que ensaios clínicos sobre a doença de Alzheimer abordassem diferenças entre sexos, observando que se os benefícios potenciais de terapia antiamiloide forem específicos à homens, "amplia mais a lacuna existente em condições de saúde entre mulheres e homens", com outra questão evidenciando que se a queda no estrogênio endógeno na menopausa é culpada pela maior prevalência de Alzheimer em mulheres que em homens, tem sido debatida há muito tempo, com Jennifer Rabin, PhD, professora associada de neurologia na Universidade de Toronto, esclarecendo que “na menopausa, o estradiol, a principal forma de estrogênio, sofre declínio acentuado”, concluindo que, “é importante ao cérebro. Coautora de artigo recente na Neurology sobre associação entre idade da menopausa e terapia hormonal à base de estradiol com desempenho cognitivo em mulheres cognitivamente normais, esclareceu que ele protege o cérebro, inibe inflamação, permite crescimento de novos neurônios e, sua queda acentuada na menopausa deixa o cérebro potencialmente mais vulnerável. ”Por fim, há mais de 20 anos, pesquisadores do WHIMS, Women's Health Initiative Memory Study, relataram no JAMA que estrogênio exógeno mais progestogênio ou estrogênio isolado em mulheres com 65 anos ou mais aumentaram risco de provável de demência comparado com placebo, embora a diferença seja estatisticamente significativa apenas no ensaio de tratamento hormonal combinado. A relação entre fatores de risco e cognição diferiu entre os sexos, homens que fumavam tinham pior cognição que homens que não fumavam, entre as mulheres, o tabagismo não foi associado a pior cognição, no entanto, diabetes, perda auditiva, deficiência visual, sono insatisfatório e hipertensão foram associados a pior cognição entre mulheres, mas não entre homens. Concluindo, cientistas estão começando desvendar por que Alzheimer e demência em geral afetam mulheres modo diferente dos homens, temendo que o cancelamento de verbas federais à estudos relacionados a sexo e gênero impeça o progresso, ao passo que, examinar diferenças entre sexos é vital na maioria dos estudos relacionados à demência e, em particular, doença de Alzheimer.

Moral da Nota: estudo sobre 500 mil registros médicos publicado em 2023 sugere que infecções virais graves, como encefalite e pneumonia, aumentam risco de doenças neurodegenerativas, Parkinson e Alzheimer, sendo encontradas 22 conexões entre infecções virais e condições neurodegenerativas em 450 mil pessoas. Pacientes que tiveram encefalite viral mostraram 31 vezes mais chance de desenvolver Alzheimer, quer dizer, para cada 406 casos de encefalite viral, 24 desenvolveram Alzheimer, ou, 6%, enquanto os que foram hospitalizados com pneumonia pós gripe pareciam ser mais suscetíveis à doença de Alzheimer, demência, doença de Parkinson e esclerose lateral amiotrófica, ELA. Infecções intestinais e meningite e o vírus varicela-zóster, que causa herpes zoster,  foram implicados no desenvolvimento de várias doenças neurodegenerativas impactando o cérebro por até 15 anos em alguns casos, não havendo casos que a exposição a vírus foi protetora, 80% dos vírus implicados em doenças cerebrais, considerados "neurotróficos", significando que poderiam atravessar a barreira hematoencefálica. Em 2022, estudo publicado na Neuron com mais de 10 milhões de pessoas relacionou o vírus Epstein-Barr a risco 32 vezes maior de esclerose múltipla, com Michael Nalls, neurogeneticista do Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA, esclarecendo que "depois de ler o estudo, notamos que, durante anos, cientistas buscaram, um por um, ligações entre distúrbio neurodegenerativo individual e vírus específico", em consequência, em 45 ligações entre exposição viral e doenças neurodegenerativas, o número foi reduzido à 22 ligações em análise subsequente de 100 mil registros médicos do UK Biobank. Por fim, demência é termo geral ao declínio da função cerebral causado por danos progressivos, perda de conexões e eventual morte de células nervosas, neurônios, no cérebro, condição complexa e multifacetada que abrange alterações cognitivas, comportamentais e de personalidade, em vez de uma única doença além de perda de memória, confusão, dificuldade com tarefas familiares, esquecimento de nomes, até mesmo de entes queridos, estão entre os sinais comuns de demência. A OMS informa que é a 7ª causa de morte e um dos principais contribuintes à incapacidade e dependência entre idosos, com doença de Alzheimer representando de 60% a 70% dos casos de demência cujo sintoma inicial mais comum é a dificuldade em lembrar-se eventos recentes, à medida que avança, os sintomas podem incluir problemas de linguagem, desorientação, alterações de humor, perda de motivação, auto negligência e comportamento, além de afastamento da família e sociedade. A demência vascular é causada pela redução do fluxo sanguíneo no cérebro devido a pequenos derrames ou alterações nos vasos sanguíneos, a demência frontotemporal é grupo de doenças que afetam lobos frontal e temporal, levando a alterações na personalidade, comportamento, irritabilidade ou agressividade e, linguagem. A demência chamada incorretamente de "senilidade" ou "demência senil", reflete a crença antes disseminada, incorreta, que o declínio mental grave é parte normal do envelhecimento.