Mostrando postagens com marcador #microplásticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #microplásticos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Frequência

Estudo observacional prospectivo encontrou microplásticos com maior frequência e níveis mais elevados, em amostras de pacientes com tumores malignos no pulmão, embora as conclusões não estabeleçam que as partículas causem câncer, cujos resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, ERS, 2026, embora reforce evidência que plásticos inalados podem atingir e permanecer nos pulmões, o delineamento não permite determinar se contribuem ao desenvolvimento do câncer ou se pulmões doentes retêm partículas de modo diverso. O estudo incluiu 100 pacientes submetidos a broncoscopia diagnóstica, metade tinha neoplasias pulmonares recém-diagnosticadas, enquanto um grupo controle foi submetido à broncoscopia por indicações respiratórias não crônicas, forneceram amostras de lavado broncoalveolar, LBA, e amostras de tecido de vias aéreas disponíveis à metade dos examinados, quer dizer, microplásticos foram detectados em 70% dos participantes e 60% das amostras coletadas. Detecção no LBA, lavado broncoalveolar, ou, tecido de vias aéreas ocorreu entre pacientes com câncer de pulmão que entre controles, 66% e 46%, respectivamente e, pacientes com neoplasias pulmonares, apresentaram 1 partícula de microplástico vista em amostras de LBA, comparada com 0 entre pacientes sem neoplasia, daí, pós ajuste à idade, sexo e exposição ao tabagismo, a carga de microplásticos permaneceu associada à malignidade pulmonar entre aqueles com amostras de LBA e tecido, com pesquisadores observando carga total de microplásticos e detecção geral maior entre os com câncer de pulmão. Por fim, pesquisadores afirmaram que a descoberta reflete dinâmica de partículas específica de cada compartimento, na qual partículas são depositadas, retidas ou eliminadas de modo diferente nos tecidos pulmonares e fluido das vias aéreas.

Vale dizer que a associação não estabelece causalidade, ao passo que os resultados não mostram se microplásticos estavam presentes antes do desenvolvimento do câncer, enquanto tumores pulmonares ou outras alterações relacionadas à doença podem afetar deposição e eliminação de partículas, tornando pacientes com neoplasias propensos a reter material inalado, no entanto, diferenças potenciais na exposição ocupacional, poluição do ar ambiente, doenças pulmonares subjacentes, procedimentos prévios e tipo ou estágio do câncer requerem estudos adicionais. Outro desafio quando se trata de pesquisa de microplásticos são equipamentos de coleta, materiais de laboratório e procedimentos analíticos que podem introduzir partículas de plástico a menos que pesquisadores apliquem controles rigorosos, ao considerar que pesquisas anteriores confirmam que microplásticos são recuperados do tecido pulmonar humano, considerando que investigadores de análise de 2022 notaram 39 microplásticos em 11 de 13 amostras de tecido coletadas em cirurgias. Vale observar que partículas foram detectadas em regiões superior, média e inferior dos pulmões com maiores níveis no tecido pulmonar inferior ao considerar que microplasticos são definidos como partículas de plástico com dimensões entre 1 nanômetro e 5 milímetros, que podem ser fabricados em tamanho ou forma reduzidos através da decomposição de itens maiores incluindo embalagens de alimentos, pneus e tecidos sintéticos, sendo a variedade de tamanhos, densidades, composições químicas e formas, dificulta amostragem e medição padronizadas. Dados de laboratório e estudos expoerimentais associaram a exposição ao estresse oxidativo, sinalização inflamatória, lesão celular e comprometimento da função mitocondrial, sendo que características das partículas e produtos químicos nas superfícies podem influenciar tais efeitos, no entanto, níveis de exposição podem exceder encontrados no dia a dia. Por fim, a revisão de pesquisas sobre microplásticos e saúde respiratória concluiu que partículas podem afetar células e tecido pulmonar, mas, consequências da exposição ambiental rotineira são incertas e classificou evidências de lesão pulmonar, inflamação crônica, estresse oxidativo e comprometimento da função pulmonar como moderadas enfatizando escassez de estudos. A conclusão que se tira é que trata-se de questão emergente de saúde ambiental relevante à pesquisa em prevenção e comunicação de riscos devendo mensurar exposições ocupacionais e ambientais, considerar características do tumor e acompanhar participantes ao longo do tempo. 

Moral da Nota: no Chipre, microplásticos foram detectados na urina de crianças do ensino fundamental, sendo que o estudo encontrou polietileno e polipropileno em amostras de urina de crianças embora pesquisadores alertem à necessidade de cautela em relação aos resultados preliminares. Pesquisadores da Universidade de Catania, Itália, Instituto do Chipre e Universidade de Tecnologia, Tepak, declararam que as descobertas sugerem que crianças podem ser expostas a partículas que permitem a entrada e circulação no organismo, sendo que foram utilizados métodos laboratoriais avançados para detectar partículas de plástico e identificar seu tipo. Constatou variação na quantidade de microplásticos detectada entre crianças, no entanto, o Instituto do Chipre afirmou que o número limitado de participantes e a natureza descritiva da análise impedem que diferenças sejam interpretadas como distinções claras entre grupos, com cientistas do Instituto dizendo que “conclusões são preliminares e devem ser interpretadas com cautela”, que necessitaria estudos mais amplos para determinar se os microplásticos estão sistematicamente presentes na urina das crianças. Vale dizer que, a pesquisa faz parte de conjunto de trabalhos internacionais que examinam exposição humana a microplásticos, foram detectados antes, no sangue, tecido placentário e leite materno em estudos realizados em outros locais, sendo que o polietileno e polipropileno, 2 tipos identificados nas amostras do Chipre, entre os plásticos mais produzidos no mundo e utilizados em embalagens e recipientes.

Em tempo: em 2024, a distribuição do tamanho das partículas apresentou mudança em direção a microplásticos substancialmente menores, diversificou-se a composição dos polímeros passando de predominantemente polietileno em 1991 à mistura mais ampla em 2024, incluindo PET, PVC e poliestireno, com mudanças nos padrões de produção e uso. Análise Py-GC-MS confirma presença de microplásticos em subamostra e identifica resíduos superficiais contendo enxofre em 2024 partículas, levantando questões sobre a adsorção de poluentes atmosféricos concomitantes e relevância toxicológica. O exame histopatológico mostra maior inflamação e fibrose pulmonar com microplásticos, independente da época da coleta, corroborando plausibilidade biológica, outro estudoatravés da pirólise-cromatografia gasosa-espectrometria de massa, Py-GC-MS, mostrou aumento nos níveis de microplásticos nos pulmões ao longo de 33 anos, quer dizer, a produção de plástico disparou na década de 1990, quase 6 vezes mais e, hoje, produz 600 milhões de toneladas métricas/ano. Em suma, estudo comparativo de pulmões de autópsias realizadas em um mesmo hospital em épocas diferentes, ou, 1991 com 42 casos 8 apresentaram microplásticos, 19%, e em 2024 estudo de 57 casos mostrou 44 com microplásticos ou 77%.

Conclusão: a Califórnia inicia processo que pode levar à regulamentação de microplásticos, em 1º de outubro, adicionará microplásticos a lista de substâncias que, segundo evidências, podem ser prejudiciais às pessoas ou ao meio ambiente e que são candidatas a regulamentação mais rigorosa.


terça-feira, 22 de setembro de 2026

No Leite

Pesquisas na Índia reforçam evidências que apontam à contaminação por plástico proveniente das embalagens de leite, embora o leite indiano seja um dos alimentos mais confiáveis ​​no dia a dia, a pesquisa sugere que pode ser via inesperada pela qual microplásticos entram no organismo. Publicado no Journal of Food Composition and Analysis a pesquisa analisou microplásticos no leite da vaca cru embalado comercialmente e leite de vaca cru de origem local indiana, com pesquisadores encontrando 66 partículas em 9 amostras em concentrações que variavam de 3 a 30 partículas/litro, sendo que eram fibras ou fragmentos e, análises laboratoriais, evidenciam polietileno e polipropileno, 2 plásticos utilizados em embalagens como polímeros predominantes e cientistas afirmam que a interação com embalagens de alimentos era provável via de contaminação embora estivessem presentes no leite cru. Evidências publicadas no início de 2026 apontam às embalagens como causadoras do problema, considerando estudo de janeiro publicado no Food and Chemical Toxicology e conduzido por pesquisadores da Universidade Nacional de Ciências Forenses de Gujarat, analisou 6 marcas de leite embalado consumidas, bem como, leite fresco de fazenda, sendo que o leite de fazenda continha 17,8 partículas de microplástico por litro enquanto amostras de leite embalado variaram de 37,8 a 71,1 partículas por litro, quer dizer, até 4 vezes o nível encontrado no leite fresco. Segundo o estudo, o polietileno de baixa densidade comumente usado em embalagens de leite foi plástico predominante nas amostras embaladas, com cientistas dizendo que plásticos entrariam no leite em etapas incluindo sacos de ração, equipamentos de ordenha, filtros e ferramentas de processamento, com as embalagens adicionando ainda mais contaminação, preocupando pesquisadores da área da saúde ao dizerem que não é simples ingestão dessas partículas, mas, o que a exposição repetida ao longo de anos potencialmente causaria no organismo, com especialistas afirmando que pesquisas sobre consequências à saúde humana ainda estão em desenvolvimento e a detecção de microplásticos em alimentos não significa que o consumo de determinada quantidade de leite cause doenças. Estudos laboratoriais e com animais associaram exposição a microplásticos com inflamação, estresse oxidativo, lesões teciduais e disrupção de processos celulares normais, com revisão sistemática publicada no Environmental Science & Technology concluindo que microplásticos são suspeitos a prejudicar saúde digestiva, reprodutiva e respiratória direcionando à efeitos como inflamação intestinal crônica, alterações na resposta imunológica, comprometimento da qualidade do esperma e alterações nos hormônios reprodutivos. Vale a nota que microplásticos foram detectados no sangue, fígado, cólon, sêmen e leite materno humanos, sugerindo que partículas podem ultrapassar o trato digestivo, no entanto, cientistas se interessam particularmente por nanoplásticos, menores, considerando que seu tamanho diminuto facilitaria travessia de barreiras biológicas e interação com tecidos, já que, estudos investigam se exposição crônica contribui à doenças cardiovasculares e metabólicas, embora, especialistas ressaltem que a relação de causa e efeito em humanos, ou, nexo de causalidade, não foi definitivamente estabelecida. Por fim, o estudo de Gujarat, Índia, estima ingestão diária de microplásticos maior oriunda do leite embalado que do leite fresco da fazenda e observa que bebês podem estar sujeitos a exposição proporcionalmente maior.

Cientistas da Universidade de Tabriz, Irã, examinaram amostras de leite compradas em supermercados de Teerã encontrando partículas de microplástico em todas elas, em concentrações que variaram de 5 a 36 partículas/litro, com média de 18,4 partículas por litro. Publicada na Current Research in Food Science, intitulado 'Contaminação por microplásticos em leite comercial, quantificação e identificação de polímeros utilizando MEV-EDS e espectroscopia micro-Raman', o estudo liderado por Nazanin Jabbarzadeh e cols, adiciona o leite, alimento consumido diariamente por bilhões de pessoas, à crescente lista de produtos que carregam partículas microscópicas de plástico apontando à parte específica da cadeia de suprimentos de laticínios, ou, a embalagem. Processaram amostras por lote, expuseram filtros ao ar do laboratório em cada sessão de filtração, pré-filtraram reagentes através de membranas de 0,45 micrômetros e usaram jalecos de algodão e luvas de nitrilo em cabine de fluxo laminar minimizando contaminação por partículas suspensas no ar. As amostras em branco apresentaram uma média de 1,2 partículas por filtro e as amostras em branco para contaminação por partículas em suspensão no ar, 0,6, resultando em limite de detecção de 3,6 partículas por filtro, abaixo da menor concentração de amostra registrada. Cada amostra de um litro de leite digerida com peróxido de hidrogênio a 30% a 60º C por 24 horas foi filtrada a vácuo com filtros de fibra de vidro de 1,2 micrômetros, com pesquisadores adicionando quantidades conhecidas de partículas de microplástico padrão à água ultrapura e processando-as exatamente como as amostras, obtendo como taxas de recuperação que variaram de 82% ao tereftalato de polietileno a 96% ao polietileno, com média geral de 89%, corrigindo concentrações com fatores de recuperação específicos à cada polímero, ressaltando que, como as adições foram feitas em água em vez de leite, os valores de recuperação não representam validação completa do método à matriz láctea em si. Microscópica estereoscópica em ampliações de 40 e 100 vezes registrou 551 partículas nas amostras e o material coletado foi dominado por fragmentos que representaram 58% do total seguidos por fibras com 35% e esferas com 7%, fibras em maioria azuis ou transparentes, enquanto fragmentos tinham  paleta ampla, incluindo preto e vermelho. A composição química, 150 partículas, 5 por amostra, foram submetidas à microscopia eletrônica de varredura acoplada à espectroscopia de raios X por dispersão de energia, MEV-EDS, revelando texturas superficiais e perfis elementares, partícula de polietersulfona, por exemplo, apresentou pico característico de enxofre no espectro EDS, enquanto partículas de polietileno eram dominadas por carbono, além disso, analisadas por espectroscopia micro-Raman usando laser de 785 nanômetros com espectros comparados a bibliotecas de referência e padrões personalizados de 7 polímeros comuns. Dito isto, o polietileno emergiu como polímero mais abundante, 32% das partículas identificadas, seguido pelo polipropileno com 24%, PET com 15%, poliamida com 12% e polietersulfona com 9% e, 8% restantes não identificados ou de outra natureza, aqui, o detalhe, o polietileno e o polipropileno são polímeros mais comuns em garrafas plásticas de leite e materiais em contato com alimentos, enquanto poliamida e PET são característicos dos laminados da Tetra Pak, um alerta dos autores, identificação do polímero por si não determina origem de cada partícula. Por fim, o ponto central da pesquisa do ponto de vista estatístico é a comparação das embalagens em que o leite de garrafas plásticas continha, em média, 24,6 partículas/litro, o dobro das 12,2 partículas/litro encontradas em embalagens da Tetra Pak, cartonadas, quer dizer, diferença significativa e, em modelo de regressão linear múltipla, o tipo de embalagem foi o único preditor de contaminação, quase metade da variância nas concentrações enquanto o teor de gordura e a marca não apresentaram efeitos significativos, daí, o estudo estabelece associação com a embalagem e não comprova que garrafas sejam a fonte direta das partículas. Enfim, partículas menores de microplásticos são consideradas mais capazes de atravessar barreiras biológicas e serem absorvidas pelas células e 72% das partículas medidas tinham menos de 100 micrômetros e 41% menos de 50 e apesar dos autores enfatizarem que o estudo mede características de partículas e não absorção, distribuição nos tecidos ou quaisquer efeitos toxicológicos, ressaltam que nenhuma conclusão sobre riscos à saúde pode ser extraída apenas com base nesses dados e que o consumo de leite não deve ser considerado risco comprovado à saúde com base nessas evidências. Concluindo, a maioria dos dados sobre microplásticos em alimentos provém da Europa, Américas e Leste Asiático, enquanto regiões como o Irã foram pouco abordadas, apesar de relatos anteriores de microplásticos em leite, leite em pó e fórmulas infantis, quer dizer, a presença de microplásticos em leite comercial foi documentada e embalagens plásticas apresentam associação forte sendo que o significado científico à saúde humana é questão aberta e urgente. 

Moral da Nota: especialistas da Universidade de Minnesota, produziram pesquisa que detalha como poluição por microplásticos impacta saúde humana, animal e ambiental e devido aos diversos tipos de plásticos produzidos no mundo, são encontrados universalmente nos oceanos, solo, água doce e ar, paisagens e ecossistemas, difíceis de se decompor fazendo com que acumulem nos oceanos, solo, ar e cadeia alimentar. A pesquisa foi no Lago Superior um dos primeiros corpos de água doce do mundo a ser estudado quanto à presença de microplásticos, desde então, poluentes particulados foram encontrados em outros lagos de Minnesota, bem como, rios, sedimentos e peixes  descobertos na remota Reserva Natural Boundary Waters Canoe Area Wilderness. Sua presença na água, solo e ar permite absorção pelos menores membros da cadeia alimentar, cadeia da qual humanos fazem parte e dependem, essas partículas podem capturar e concentrar poluentes químicos, metais pesados ​​e microrganismos nocivos do  ambiente, contêm aditivos químicos que migra das partículas aos organismos, embora, ainda não saibamos a dose letal dos microplásticos, há evidências que sua presença representa impacto negativo na saúde e resiliência ecológica. Podem atravessar barreiras biológicas, serem absorvidos pelas plantas e, quando consumidos por animais e humanos, são absorvidos pela corrente sanguínea e se acumularem nos órgãos do corpo, como resultado, contribuir à efeitos adversos à saúde como distúrbios digestivos, risco de problemas cardiovasculares, distúrbios hormonais e reprodutivos e riscos ao desenvolvimento em humanos, em animais, reduz capacidade digestiva, inflamação dos tecidos, disrupção hormonal e fertilidade associadas ao acúmulo de microplásticos e nanoplásticos. Por fim, a pesquisa da Universidade de Minnesota analisou amostras ambientais coletadas no estado, água bruta, água da torneira e esgoto coletadas em fontes de Minnesota, ar ambiente, chuva e neve coletadas no telhado do campus em Minneapolis, produtos de consumo e liberação de microplásticos de filtros de água, escovas de dente, gelo de plástico e garrafas de água, cervejas regionais e sais de mesa importados e comprados no estado, concluindo que, poluição plástica é questão tanto local quanto global.


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Regulamentação

Independente do resultado da Conferência sobre plásticos ainda inconclusa, a Prefeitura de São Paulo não regulamentou projeto de lei referente a uso de plásticos descartáveis, considerando que há 6 anos, a lei que proíbe plásticos de utilização  única aguardando regras de fiscalização para ser implementada na cidade, quer dizer, passaram 6 anos da aprovação da Lei Municipal nº 17.261/2020, daí, a ONG Oceana, o IDEC, Instituto de Defesa de Consumidores e o IDC, Instituto de Direito Coletivo, impetraram no TJSP, Tribunal de Justiça do Estado, Mandado de Injunção contra a Prefeitura da cidade de São Paulo exigindo publicação do decreto viabilizando a aplicação da norma. Sancionada em 2020, a lei proíbe fornecimento de plásticos descartáveis de uso único, ou, copos, talheres, pratos, mexedores de bebida e varas para balões, em, hotéis, bares, restaurantes e eventos na capital paulista, no entanto, há necessidade de regulamentação, na prática, torna a lei ineficaz pela falta de regras complementares que dispõem sobre fiscalização e medidas de sanção. O Mandado de Injunção sustenta que a Prefeitura da cidade de São Paulo foi omissa ao não publicar a regulamentação da lei, em 2023, criou um GT, Grupo de Trabalho, para   elaborar o decreto com critérios de aplicação e mecanismos de fiscalização, quer dizer, o GT ocorreu pós pressão de organizações socioambientais que, em 2022, escreveram ao prefeito da cidade de São Paulo cobrando providências à aplicação da Lei 17.261/2020. A cidade de São Paulo gera 18 mil toneladas de resíduos/dia e 15% desse volume é composto por plásticos, ou, 2,7 mil toneladas de lixo plástico/dia, quase 1 milhão de toneladas/ano, sendo que a ação se fundamenta sob o argumento que, ao deixar de regulamentar a Lei nº 17.261/2020, a Prefeitura da cidade de São Paulo compromete efetividade e viola direitos relacionados à proteção ambiental, saúde e consumidor. A não definição de critérios técnicos e mecanismos visando colocar a lei em prática, expõe a população urbana a impactos ambientais, sanitários, econômicos e potencial greenwashing, daí, transformar a norma em proteção, critérios claros, fiscalização e responsabilização no descumprimento e, regulamentada, a lei reduzirá poluição por plástico gerada na cidade de São Paulo evitando descarte anual provável de 7 bilhões de itens descartáveis, copos, talheres, pratos, mexedores de bebida, varas à balões, etc.

A Questão dos plásticos tem sido dífícil e não é a 1ª vez que a Lei Municipal 17.261/2020 é objeto de ação judicial, em 2020, após promulgação, o Sindiplast, Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo, entrou com ação contra a Prefeitura da cidade de São Paulo, ADIN, Ação Direta de Inconstitucionalidade, pedindo suspensão dos efeitos da lei, sob alegação da falta de competência municipal legislar sobre matéria ambiental de interesse nacional e, não local, apontando ausência de estudos sobre impacto ambiental. Julgada improcedente pelo TJSP foi declarada constitucionalidade da Lei 17.261/2020, reconhecendo como instrumento de proteção ambiental e saúde pública, sendo que a Prefeitura da cidade de São Paulo, nessa ação, defendeu a lei como constitucional garantindo proteção de direitos fundamentais ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, previsto no art. 225 da Constituição Federal e, à saúde, estabelecido no art. 196 CF. Por fim, a ONU esclarece que poluição por plástico é a 2ª maior ameaça ambiental ao planeta atrás da emergência climática, 15 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos anualmente equivalente a 2 caminhões de lixo/minuto, nós brasileiros despejamos 1,3 milhão de toneladas de lixo plástico no oceano/ano, 8º maior poluidor plástico do mundo, maior produtor de plástico da América Latina, fabricamos 6,67 milhões de toneladas de plástico/ano. Metade da produção plástica, 44%, corresponde a plásticos de uso único, cerca de 500 bilhões de itens descartáveis/ano, ou, mais de 15 mil produtos/segundo e, por não possuírem viabilidade econômica para reutilização ou reciclagem, se transforma em poluição, enquanto custos de gestão recaem sobre municípios e cooperativas de catadores. Enfim, microplásticos foram encontrados na água potável, alimentos e órgãos humanos, como cérebro, pulmões e coração, com estudos científicos apontando evidências de impactos toxicológicos, inflamatórios e endócrinos associados à exposição contínua de partículas e compostos químicos que carregam.

Moral da Nota: uma xícara, saquinhos de chá, liberam partículas de microplásticos, embalagens de alimentos contendo microplásticos que infiltram no organismo humano aumentando preocupações sanitárias considerando que oferecem versatilidade, durabilidade e custo-benefício incomparáveis. Embalagens ou aplicações médicas, os plásticos revolucionam indústrias, aprimoram conservação de alimentos, segurança no transporte e saúde pública, no entanto, vantagens, acompanham desvantagens em que, micro e nanoplásticos, MNPLs, liberados no uso e degradação do plástico representam riscos ambientais e a saúde, alarmando cientistas e formuladores de políticas. Embalagens de alimentos, talvez o principal contribuinte à contaminação por MNPLs, introduzem partículas no organismo humano via ingestão, daí, itens como garrafas, sachês e filmes, feitos de polímeros como polipropileno, PP, tereftalato de polietileno, PET, e náilon, liberam MNPLs sob estresse ambiental, como calor e umidade. Partículas microscópicas detectadas em água engarrafada, chá em saquinhos plásticos e alimentos cozidos em panelas antiaderentes, ressaltam necessidade de avaliar o potencial impacto à saúde humana. Pesquisa, publicada na Chemosphere, mostra presença de MNPLs em tecidos e fluidos corporais, incluindo sangue, pulmões, urina e fezes e, estudo, mostra que MNPLs foram encontrados em amostras de fezes de indivíduos saudáveis sendo o polipropileno e o PET tipos mais comuns, investigação detectou níveis mais elevados de MNPLs em indivíduos com doença inflamatória intestinal, DII, sugerindo ligação entre exposição MNPLs e saúde gastrointestinal, descobertas que, destacam necessidade de mais pesquisas para desvendar efeitos a longo prazo da ingestão de MNPLs. Avanços analíticos, como microscopia eletrônica de varredura e transmissão, permitem caracterizar MNPLs, microplásticos de nanopartículas, em nível sem precedentes, ao corarem MNPLs tingiram células intestinais humanas em laboratório obtendo resultados preocupantes, sendo que as células intestinais produtoras de muco demonstraram alta absorção de MNPLs com partículas penetrando no núcleo que abriga o material genético, sugerindo que, o muco intestinal desempenha papel significativo na absorção de MNPLs e ressalta necessidade de estudos de longo prazo para avaliar consequências dessas interações à saúde. Alba Garcia, cientista envolvida em estudos com MNPLs, nos esclarece que, “caracterizar esses poluentes de modo inovador com conjunto de técnicas de ponta, é  ferramenta importante para avançar pesquisa sobre possíveis impactos na saúde humana”, destacando necessidade de avaliar exposição crônica a MNPLs e papel do muco intestinal na absorção.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Degeneração

No mundo mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com demência, com cientistas  prevendo aumento de casos agravados pela exposição a microplásticos, muito maior do que se acredita, em que pequenas partículas de plástico, que não conseguimos ver, mas, que inalamos, bebemos e comemos diariamente, podem estar silenciosamente prejudicando o cérebro. Estudo alerta que microplásticos podem alimentar doenças  degenerativas como Alzheimer e Parkinson, adicionando camada alarmante a crise global sanitária já crescente e, caso os microplásticos estejam agravando ou acelerando essas doenças, podem reformular o modo como pensamos sobre riscos ambientais cotidianos. Kamal Dua,professor associado de ciências da Universidade de Tecnologia de Sydney, disse que a exposição é maior que a maioria imagina, avalia que, adultos podem estar ingerindo 250 gramas de microplásticos/ano, suficiente para cobrir um prato inteiro, acrescentando que, “ingerimos microplásticos de  fontes diversas como frutos do mar,  contaminados, sal, alimentos processados, saquinhos de chá, tábuas de corte de plástico, bebidas em garrafas plásticas, alimentos cultivados em solo contaminado, fibras plásticas de carpetes, poeira, roupas sintéticas” e etc. Listou plásticos comuns como polietileno, polipropileno, poliestireno e tereftalato de polietileno ou PET, que contribuem ao problema, dizendo que, “a maioria desses microplásticos é eliminada do nosso corpo, no entanto, estudos mostram que se acumulam nos órgãos, incluindo o cérebro” e a revisão sistemática, publicada na revista Molecular and Cellular Biochemistry, identificou 5 modos pelas quais microplásticos podem danificar o cérebro, ou, ativando células imunológicas, causando estresse oxidativo, enfraquecendo barreira hematoencefálica, atingindo mitocôndrias e danificando neurônios. Por fim, o artigo explorou como microplásticos podem agravar o Alzheimer e contribuir ao Parkinson, com os autores observando necessidade de mais pesquisas para identificar ligação direta, enquanto cientistas da UTS e Universidade de Auburn prosseguem estudos em laboratório sobre como células cerebrais respondem à exposição a microplásticos, no entanto, esperam que as descobertas orientem políticas ambientais mais rigorosas para conter a produção plástica e proteger saúde pública a longo prazo.

Publicação no JAMA On line nos informa que a produção e o uso de plásticos atingiu 435 milhões de toneladas em 2020, aumento em relação aos 234 milhões de toneladas em 2000 e esperando-se que aumentem mais em 70% até 2040, considerando plásticos como materiais sintéticos compostos por polímeros como poliéster, polietileno, copolímeros de polipropileno e poliuretano que variam em composição química e contêm aditivos. Mais de 13 mil substâncias químicas são associadas aos plásticos, 10 grupos são identificados como de preocupação devido toxicidade e potencial de migração ou liberação a partir dos plásticos, incluindo aí, retardantes de chama específicos, estabilizadores, substâncias per e polifluoroalquiladas, PFAS, ftalatos, bisfenóis, alquilfenóis e etoxilatos de alquilfenol, biocidas, metais, metaloides e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Por definição  microplásticos são plásticos com menos de 5 mm que penetram no corpo por inalação ou ingestão após o lixo plástico no ambiente se degradar em fragmentos menores, sendo que partículas inaladas com diâmetro de 2,5 μm ou menor podem entrar nos alvéolos pulmonares e corrente sanguínea acumulando-se nos tecidos. Em consequência, alimentos, bebidas e fontes de água potável contêm microplásticos que podem penetrar no organismo pós ingestão, sendo estudo realizado no México em 2020 avaliou a contaminação por microplásticos em 57 bebidas como refrigerantes, cervejas, chá gelado e bebidas energéticas e, das bebidas avaliadas, 48 ​​amostras apresentaram microplásticos detectáveis, 36 amostras continham menos de 5 partículas de microplástico/L, 9 amostras tinham de 5 a 10 partículas de microplástico/L e 3 amostras continham de 11 a 30 partículas de microplástico/L, com maior abundância de microplásticos, 5,29 partículas/L registrada em amostra de cerveja. Revisão de 2024 de 38 estudos que investigaram 2379 produtos cosméticos e de higiene pessoal relata 16,4% contendo microplásticos, peças de roupa, cosméticos e outros produtos de uso pessoal contêm microplásticos e o uso desses produtos pode levar a exposição por ingestão acidental ou inalação de aerossóis, o esfoliante facial foi o produto mais testado, 46,8% do total de produtos testados e 26,5% dos esfoliantes faciais testados continham microplásticos.

Moral da Nota: os microplásticos atuam como sorventes que absorvem poluentes na superfície por meios hidrofóbicos ou eletrostáticos e interações de preenchimento de poros, enquanto a exposição de organoides hepáticos a microplásticos de poliestireno induziu hepatotoxicidade sugerindo estresse oxidativo e aumento da inflamação. Métodos de detecção como microscopia, espectroscopia, análise do espectro de luz que uma substância emite ou absorve e análise térmica são usados, sendo que a maioria dos estudos se concentra na detecção de poliestireno, no entanto, limitações metodológicas incluem dificuldade de isolamento de amostras ambientais ou biológicas complexas e identificação de cada tipo de microplástico. Estudos relatam a presença de microplásticos em tecidos e órgãos humanos incluindo pulmões, cérebro, sangue, fígado, rins, coração e sistema circulatório, baço, cólon, testículos, fluido folicular ovariano, placenta, leite materno e mecônio, primeiras fezes de bebês, sendo que os níveis de microplásticos foram estatisticamente mais elevados em 24 indivíduos em 2024 comparados com 28 indivíduos em 2016 em tecido cerebral humano post-mortem e tecido hepático. O uso de espectroscopia mostra aumento na frequência e concentração de microplásticos em placenta humana no Havaí de 2006 a 2021, com base na análise de 10 amostras placentárias em cada período sendo microplásticos detectados em 60% em 2006, 90% em 2013 e 100% em 2021. Por fim, estudos mostram associação entre microplásticos e efeitos adversos à saúde, embora  não comprove causalidade, por exemplo, estudo com 257 pacientes com doença da artéria carótida, microplásticos e polietileno foram encontrados na placa da carótida excisada de 58,4% dos pacientes com quantidades ​​de cloreto de polivinila. Estudo post-mortem relatou que tecido cerebral obtido de 12 pacientes  com demência mostraram níveis mais elevados de microplásticos que aqueles obtidos em 52 indivíduos sem demência, no entanto, pesquisas sobre potenciais mecanismos de disfunção orgânica e doenças associadas aos microplásticos estão em andamento.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Produção de Polímeros

Em 2019, a UNEA , órgão da ONU, adotou resolução, iniciada pela Índia, sobre poluição causada por plásticos de uso único,SUP, em 2021, novamente os indianos impuseram proibição aos SUP, a partir de 1º de julho de 2022, e, em fevereiro de 2022, notificou Regras de Responsabilidade Estendida do Produtor, impondo aos produtores, importadores e proprietários de marcas de produtos que contêm plástico a obrigação de coletar e reciclar resíduos plásticos resultantes, em 2021, Ruanda e Peru, posteriormente Japão, iniciaram projetos-piloto de resoluções solicitando proibição da produção de plásticos. Em março de 2022, em Nairobi, foi decidida a criação do INC, Conselho  de Infraestrutura nos princípios da Conferência do Rio  demonstrando papel desempenhado pela Índia, insistindo nas Responsabilidades Comuns, Diferenciadas e Capacidades Respectivas, CBDR-RC, pedra angular da resolução.

De lá pra cá, muita água passou e a presença de microplásticos, MPs, em suspensão no ar em diferentes ambientes internos, suscita preocupações sobre o grau que inalamos as partículas e o potencial impacto na saúde humana, cujos estudos mais antigos  focaram na faixa de tamanho de 20–200 µm com menor probabilidade de penetrar nos pulmões. Pesquisas de microplásticos suspensos no ar na faixa inalável de 1–10 µm, MP1–10 µm, em residências e cabines de automóveis, com espectroscopia Raman, demonstra que a concentração mediana foi de 528 MPs/m3 no ambiente residencial e  2.238 MPs/m3 no automóvel, ambiente de cabine, com predominância do polietileno,PE, como polímero predominante no ambiente residencial e, a poliamida, PA, no ambiente da cabine do automóvel, daí, fragmentos foram o meio à 97% das micropartículas analisadas, e 94% tinham tamanho inferior a 10 µm, MP1–10 µm, e, seguindo a lei de distribuição de tamanho exponencial, foram combinadas observações de MP1–10 µm com dados publicados sobre MPs em ambientes internos, demonstrando que as estimativas de exposição a MP1–10 µm são 100 vezes maiores que estimativas extrapoladas de tamanhos maiores de MP sugerindo impactos mais significativos na saúde. O estudo, liderado pela pesquisadora Nadiia Yakovenko e equipe da Universidade de Toulouse, conclui que o ar nas casas continha 528 partículas de microplástico por metro cúbico enquanto o ar nos carros tinha 2.238 partículas por metro cúbico, significando que, a cada respiração que damos em ambientes fechados inalamos plástico e 94% são partículas de 10 micrômetros de tamanho que podem penetrar profundamente nos pulmões ou entrar na corrente sanguínea. A combinação dos resultados levam à que um adulto médio pode inalar 3.200 partículas de microplástico/dia, tamanho médio, 10 a 300 micrômetros, e 68 mil partículas de plástico pequenas, 1 a 10 micrômetros, e, diariamente, 100 vezes mais do que os cientistas acreditavam que estávamos inalando, sendo que este novo estudo destaca que as menores partículas de plástico provavelmente representam problema maior.

Moral da Nota: as partículas não são apenas poeira inofensiva, carregam substâncias químicas tóxicas usadas na fabricação do plástico como corantes, conservantes ou plastificantes e, uma vez no corpo, causam inflamação, danificam pulmões, afetam o sistema imunológico, prejudicam digestão e a microbiota intestinal, além de poderem contribuir à doenças crônicas como doenças cardíacas, distúrbios hormonais ou mesmo câncer. Indivíduos com problemas respiratórios podem estar em maior risco, já que seus corpos são mais sensíveis a partículas nocivas no ar, daí, a sugestão de tirar o pó e aspirar regularmente para reduzir o acúmulo de microplásticos em ambientes internos, evitar materiais sintéticos como estofados, carpetes e roupas à base de plástico, limitar uso de embalagens plásticas e optar por materiais naturais ou reutilizáveis, além de manter o veículo ventilado evitando aromatizadores ou sprays de plástico. Em conclusão, o estudo demonstra que a poluição plástica não está apenas nos oceanos ou alimentos e, sim, no próprio ar que respiramos e estamos inalando mais plástico que imaginávamos.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Microplásticos

A absorção humana de MPs, partículas microplásticas, causa preocupações na saúde com pressão crescente para avaliar riscos associados, embora MPs possam ser ingeridos ou inalados o canal de entrada direto e disponível é a corrente sanguínea, cuja infusão intravenosa procede de frascos plásticos de polipropileno, PP, e filtragem aplicada para limitar contaminação por partículas. Estudo examina o conteúdo de filtrados MPs usando combinação de espectroscopia Raman de superfície aprimorada e microscopia eletrônica de varredura, descobriu que o número de partículas de PP é significativo, 7500 partículas/L, com tamanhos variando de 1 a 62 μm, com media de 8,5 μm, ao passo que 90% das partículas variaram entre 1 e 20 μm em tamanho, com 60% na faixa de 1 a 10 μm. Destaca órgãos à deposição potencial e possíveis efeitos clínicos cujos dados quantitativos são importantes para avaliar riscos de toxicidade associados aos MPs e equilibrar riscos versus benefícios do uso de injeções intravenosas.

O uso plástico quadruplicou nos últimos 30 anos com produção de 380 milhões de toneladas métricas/ano e microplásticos são fragmentos de plástico com 5 mm ou menos de diâmetro e criados à produtos desse tamanho ou resultado da degradação no ambiente encontrados em todos os lugares, da profundidades do oceano a montanhas, ar e água. Metais pesados ​​e contaminantes podem aderir ao microplástico que  bioacumulam nos tecidos animais que os ingerem enquanto água engarrafada, frutos do mar, poeira, frutas e vegetais contém microplásticos e os humanos ingerem 50 mil/120 mil fragmentos plásticos anualmente sendo encontrados no sangue humano, pulmões, rins e placenta onde podem causar efeitos adversos à saúde. Desde a década de 1950 mais de 8,3 bilhões de toneladas de plástico foram produzidas, no total, 9% foram reciclados e o restante incinerado ou jogado em aterros sanitários e, em muitos casos, no ambiente natural, especialmente cursos d'água e oceanos, com os oceanos a caminho de conter mais plástico que peixes em 2050. Nenhum organismo quebra ligações químicas no plástico e quando o lixo plástico acaba no ambiente, não se degrada como papel, matéria orgânica, tecido ou alumínio, que podem se decompor eventualmente e, na presença de sol, calor, água e forças mecânicas de ondas, ventos e marés, os plásticos se quebram em pedaços cada vez menores ou microplásticos sendo encontrados em quase todos os lugares, feitos de polietileno, material da maioria dos sacos e garrafas de plástico, poliestireno, nylon ou PVC. Microplásticos primários já tinham menos de 5 mm de tamanho antes de entrarem em ambientes naturais, pelotas de resina criadas para serem derretidas e fabricar produtos plásticos maiores, microesferas ou fibras têxteis de tecidos sintéticos que apareceram pela primeira vez em produtos de cuidados pessoais há 50 anos e, de acordo com o United National Environment Programme, microfibras parecem com fios de cabelo encontradas em tecidos como roupas, toalhas e pontas de cigarro e, na lavanderia, se desprendem dos tecidos até 700 mil por carga e contaminam águas residuais. Microplásticos Secundários vêm de plásticos maiores, garrafas plásticas de água, canudos plásticos, sacolas plásticas, saquinhos de chá, redes de pesca, pneus de carro, etc. que se degradam respondendo ​​por dois terços dos microplásticos e criados à medida que grandes produtos plásticos se degradam em ambientes naturais como o oceano ao longo do tempo, ou, causados ​​pelo escoamento sobre a terra que carrega fragmentos de aterros sanitários, tintas de estrada, pneus, etc, no entanto, microplásticos podem se quebrar em partículas ainda menores, chamadas nanoplásticos cujo tamanho varia de 1 nanômetro, bilionésimo de metro, a 1 micrômetro, milionésimo de metro, cujos efeitos estão sendo pesquisados. 

Moral da Nota: estudo publicado em Environment & Health informa que bolsas de infusão médica podem liberar microplásticos na corrente sanguínea e uma bolsa de infusão médica de 250 mililitros pode liberar no sangue  7.500 partículas de microplásticos com tamanho de 1 a 62 micrômetros de comprimento. Pesquisas anteriores a década de 1970 descobriram que essas bolsas de infusão podem conter partículas sólidas que levou pesquisadores  investigar se  poderiam ser microplásticos, considerando que são feitas de polipropileno, PP, polietileno, PE, cloreto de polivinila, PVC, elastômeros termoplásticos, TPE, ou etileno vinil acetato, EVA, sendo que o  PP é um dos materiais mais comuns porque veda bem, suporta impactos e resiste corrosão química e ao transparente. Os pesquisadores testaram marcas de bolsas de infusão comerciais feitas de PP contendo soluções salinas intravenosas e, após coletar o líquido, filtrou e condensou as amostras para contar e analisar partículas plásticas detectadas em um microscópio, estimando quantidade de microplásticos à cada bolsa de infusão médica inteira e, com base na análise, a equipe determinou que uma bolsa poderia liberar 7.500 partículas de microplásticos na corrente sanguínea em uma infusão.