domingo, 31 de maio de 2026

Sinal Precoce

Stephen Cabral, neurologista apresentador do The Cabral Concept, nos informa que em prol do esquecimento de fatos recentes, "considera ser o “sinal mais precoce” de demência, delimitando como “sintoma claro e revelador” de declínio cognitivo, a perda de memória associada a dificuldade em se orientar e a tendência de se perder com facilidade. Citado pelo jornal Mirror, avalia ser “o primeiro sinal de Alzheimer e demência perder-se facilmente, o sintoma mais claro que alguém pode, futuramente, desenvolver das condições cognitivas”, daí, esquecer nomes, compromissos ou onde deixou chaves é algo comum em pessoas estressadas ou com rotina sobrecarregada, no entanto, o que preocupa é o momento que a pessoa se sente desorientada, sem saber onde está ou como chegou a determinado local, “diferente de não conseguir lembrar de algo, sinal de perda de referência espacial que pode indicar alterações neurológicas precoces”, esclarece. Associa ao início da demência a perda de coordenação motora e noção espacial, como dificuldade em estacionar carro em linha reta, acrescentando, “se alguém conseguia estacionar sem dificuldade e passa a ter problemas para seguir em frente na vaga, pode ser alerta”. Por fim, o Serviço Nacional de Saúde, NHS, do Reino Unido, informa que os sintomas mais comuns de demência incluem, perda de memória, dificuldade para aprender novas informações, esquecimento frequente de objetos ou tarefas cotidianas, falhas ao reconhecer pessoas próximas, alterações de humor, apatia e perda de interesse em atividades habituais, além de, dificuldade em controlar emoções e perda de empatia com episódios de alucinação ou criação de falsas memórias e, em estágios avançados, pacientes costumam perder autonomia, enfrentando dificuldades em realizar tarefas simples como se alimentar, vestir-se ou manter higiene pessoal. A OMS avalia 47,5 milhões de pessoas com demência no mundo, número que pode chegar a 75,6 milhões em 2030 e ultrapassar 135 milhões em 2050.

Vale a nota que pacientes diagnosticados com DCL, Demência por Corpos de Lewy, considerado o 2º tipo mais comum de demência progressiva, superado apenas por  Alzheimer, nos leva buscar entender sua rotina, considerando que este tipo de demência ocorre devido ao acúmulo da proteína denominada alfa-sinucleína, corpos de Lewy, nas células cerebrais. Em decorrência ocorrem flutuações cognitivas compostas por variações na atenção e no estado de alerta, alternando entre lucidez e estado de alerta, alucinações visuais detalhadas e recorrentes como ver pessoas ou animais ausentes. Por ser o 2º tipo mais comum de demência, responde por 20-30% dos casos, estando subdiagnosticada porque seu quadro se sobrepõem ao da doença de Alzheimer, causa mais comum de declínio cognitivo, no entanto, são fatores de risco à doença, o sexo masculino, história familiar de DCL e doença de Parkinson, ao lado de protótipo em curso flutuante, com alucinações, alterações no sono e percepção visuoespacial, além de sintomas de parkinsonismo. Trata-se na verdade de termo guarda-chuva que envolve não só DCL, mas demência relacionada ao Parkinson que, por sua vez, cursa com achados no tecido cerebral de corpúsculos de Lewy no citoplasma de inclusões eosinofílicas, coradas em vermelho, formados por agregados proteicos, em locais diversos do cérebro, preferencialmente lobos frontais, temporais e na insula. A DCL se destaca por sintomas cognitivos precoces e progressão rápida, enquanto a demência relacionada ao Parkinson aparece mais de 10 anos pós diagnóstico do quadro motor com relatos de "conversas silenciosas", reclusão e necessidade de  cuidadores 24 horas, cu principal desafio é a alimentação diante a dificuldade de engolir e ingerir líquidos levando a desidratação.

Moral da Nota: a doença de Parkinson, conceituada James Parkinson há mais de 200 anos como “Paralisia agitante”, descrita em trabalho clinico por sintomas que afetavam 6 pessoas em Londres tratando-se de distúrbio progressivo do movimento cuja principal característica é dano aos neurônios produtores de dopamina no cérebro que pode causar rigidez muscular, lentidão, alterações de equilíbrio além de outros distúrbios. Vale considerar que a dopamina é neurotransmissor envolvido no sistema de recompensa cerebral desempenhando papel central na motivação, atenção, tomada de decisões, multitarefa e planejamento, movimento e regulação emocional. Pesquisadores de saúde pública relataram em 2021 quase 12 milhões de casos no mundo, projetando ultrapassar 25 milhões até 2050, doença que, não apenas impõe fardo ao indivíduo, mas à sua família, comunidade e sociedade em geral. Por fim, doença de Parkinson é mais que paralisia com tremores, como a descoberta em 1817, há muito a ser feito para identificar causas principais, entender progressão e desenvolver diagnóstico mais refinado.