O calor na Europa corrói salários, ou, 3% do rendimento médio anual foi dilapidado por alterações climáticas, com 5,6 milhões de europeus empurrados à pobreza, um número que assusta, sendo que alguns consideram apenas questão de temperatura, no entanto, repercute na classe trabalhadora como questão de saúde e finanças, quer dizer, menos renda, preços altos e maior vulnerabilidade. Jessie Ruth Schleypen, economista climática da Climate Analytics, esclareceu à Bloomberg que a “onda de calor na Europa ameaça a saúde das pessoas, seus meios de subsistência e sua capacidade de trabalhar”, parecendo emergência atual, na verdade, tendência que vem ocorrendo há anos. Estudo publicado no 'Internacional Global Environmental Change', mostra que entre 2004 e 2022, secas e ondas de calor corroeram 3% da renda média anual das famílias europeias e levaram outros 5,6 milhões de cidadãos à pobreza e, olhando ao futuro, caso o limite de 1,5 °C do Acordo de Paris não seja atingido, a renda familiar deverá despencar em mais de 21 % até fins do século. O maior grupo de risco se estabelece entre os 20% mais pobres da população, com trabalhadores da construção civil e logística, rurais e manuais que sofrem o impacto do clima, quer dizer, os que trabalham em escritórios com ar condicionado estão sob proteção, até certo ponto e, os que trabalham ao ar livre não, com Madrid por exemplo, segundo o estudo, registrou declínio do rendimento de 10% nos últimos anos devido ao efeito do calor na produtividade. França e Espanha, pagam preço alto pelas temperaturas recordes, escassez de água e aumento nos custos de produção, sendo que a situação francesa é mais crítica se consideramos que os 72 departamentos estão em alerta vermelho e milhares de animais nas fazendas, particularmente aves, morreram devido condições extremas, no entanto, Espanha e Reino Unido, reduziram a produtividade na pecuária, na produção de frutas e produtos hortícolas pressionam o abastecimento, sendo que dentre as mais atingidas está o milho que sofre com redução de água e incerteza sobre rendimentos. Nos mercados, segundo a Euronext, as consequências são visíveis com os futuros do milho subindo 9% alimentando questões de instabilidade nos preços agrícolas globais, com especuladores agindo de modo semelhante ao lobby fóssil nas Cops, enquanto isso, a demanda por eletricidade urbana dispara, o dia 23 de junho de 2026 mostrou que os preços da energia na Europa atingiram recordes, considerando o funcionamento de ar condicionado em todos os lugares pressionando rede elétrica pelo fornecimento insuficiente. A Bélgica viu preços atingiram 1.038 euros por megawatt-hora, daí, alimentos e energia mais caros significam inflação alta, colocando mais pressão nas famílias de baixos rendimentos que atribuem a maior parte do orçamento aos alimentos e serviços públicos, sem condições de reduzir outras despesas já que o impacto desproporcional é imediato, com economistas dizendo que mudanças climáticas adicionarão entre 0,3 % e 1,2% ao ano à inflação global a partir de 2035. A Allianz, desenvolve cenário de estresse entre 2026 e 2030 aos italianos que correm risco de perda acumulada no PIB de 150 bilhões de euros afetando investimento que cairia 12,8% devido redução das margens de lucro corporativas, abrindo porta a estagflação, ou, aumento dos preços, queda da produtividade e aumento do desemprego com déficit fiscal em 1,9 % do PIB. Maximilian Kotz, pesquisador do Centro de Supercomputação de Barcelona, diz que, "vivemos uma situação em que um novo choque ocorre a cada ano”, choques, que não afetam apenas produtos específicos, impactam cadeias inteiras de suprimentos, da energia ao transporte, seguros, água e alimento. Por fim, surge um paradoxo, quer dizer, o calor extremo reduz rendimentos dos trabalhadores, aumenta o custo de vida e torna mais vulneráveis os com menos recursos, no entanto, segmento do setor financeiro transforma o mesmo fenômeno em oportunidade de lucro, já que o mercado desenvolve instrumentos financeiros para especular sobre a frequência e intensidade dos fenômenos ligados ao El Niño e anomalias climáticas assumindo significado comparável ao das crises geopolíticas. Valendo a nota que, Les Finemore, diretor de investimentos da Moreton Capital Partners, anunciou fundo dedicado à negociação sobre riscos climáticos, quer dizer, “estamos focados na guerra no Irã, o próximo evento será El Niño”. Em suma, imposto social, ou, quem têm menos contas de públicas altas, alimentos e financiamentos caros, perda de dias de trabalho e riscos na saúde, as temperaturas sobem e o custo do calor é distribuído de modo desigual.
Outra questão é a crise fluvial que se desenvolve no oeste americano levando Brad Udall, cientista pesquisador de água e clima da Universidade do Colorado, nos informar que "o derretimento da neve em março não se compara ao de 2002", "é pior, perdemos 60% da camada de neve 4 semanas antes do normal", significando que, as comunidades são forçadas reduzir o consumo de água e as espécies de peixes podem ser levadas à beira da extinção". Agricultores do oeste do Colorado que cultivam pêssegos, uvas para vinho, cerejas e feno de alfafa utilizam a maior parte da água do rio no Vale do Grand e, há décadas, tentam manter o trecho úmido para evitar regulamentações caras sobre espécies ameaçadas de extinção, cientes que o destino está ligado à saúde dos peixes nativos que nadam nas águas turvas e, quando a água é escassa, as relações entre usuários no vale árido são postas à prova. Em abril, que antes via no fim do mês a neve começar a derreter e os niveis subir, presenciou cena perturbadora e inédita, o Rio Colorado que abastece 40 milhões de pessoas, além de 2 milhões de hectares de terras agrícolas e vida selvagem do sudoeste americano, tinha níveis tão baixos que proliferavam algas necessitando aciomanento de alarmes de baixo nível d'água nas estações de tratamento. À medida que as temperaturas aumentam no sudoeste dos EUA, o Colorado enfrenta dificuldades há mais de 2 décadas, com a queda da camada de neve e o uso constante ampliaram a diferença existente entre oferta e demanda de água, com 2026 colocando o rio em território desconhecido, já que a neve que acumula nas montanhas rochosas e derrete para formar o Colorado e afluentes, totalizou metade do normal no último inverno e as vazões subsequentes estão entre as mais baixas registradas e, pior, a escassa camada de neve derreteu rapido e meses antes do previsto na onda de calor em março que elevou temperaturas à mais de 27°C no oeste do Colorado. Em consequência agricultores ligaram sistemas de irrigação semanas antes do previsto, com reservatórios das altas montanhas não conseguindo encher, sendo que os 2 maiores do país, Mead e Powell, se aproximam de nívei inimagináveis há 1 geração, quer dizer, não há água para atender necessidades dos 7 estados americanos e 2 mexicanos que dependem do rio. Um detalhe, o trecho do Rio Colorado no Vale do Grand é microcosmo de questões que persistem dominando debates sobre água no oeste americano, conhecido como o Trecho de 15 Milhas é um local onde convergem o uso agrícola, a demanda municipal e as necessidades de recreação e preservação da vida selvagem. Lá o rio serpenteia penhascos de arenito e encostas onduladas com pomares de pêssegos, em Palisade, Colorado, grande parte da água deixa o leito do rio e entra em complexa rede de canais que abastece vinhedos e campos de feno pelo Vale do Grand 15 milhas rio abaixo, terminando onde o Rio Gunnison se junta ao Colorado na cidade de Grand Junction transformando cânions de rocha vermelha na fronteira entre Utah e Colorado. Na continuação da fluidez embora com vazão reduzida pela demanda ao cultivo de plantações e manter gramados dos subúrbios verdes, em tempos secos quase toda a água disponível pode ser desviada rio acima ao extenso sistema de drenagem, este ano a vazão do trecho caiu para cerca de 55 pés cúbicos/segundo, quer dizer, menos água do que pequenos riachos de montanha transportam em verão típico. Enfim, o termo aridificação é comum entre especialistas em recursos hídricos do Ocidente, refere algo mais permanente que a seca, tendência de longo prazo de ressecamento impulsionada pelo aumento das temperaturas que altera a quantidade de água que chega aos rios, 2026 oferece uma prévia desse futuro, por enquanto, as mudanças estão concentradas em locais como o trecho de 15 milhas ou 24 kms, onde demandas concorrentes colidem em um leito de rio cada vez menor.
Moral da Nota: estudo relaciona contaminante de pneus a 92 genes associados ao Alzheimer e a possíveis danos cerebrais, quando cientistas identificaram 23 genes-chave que podem ligar poluição dos pneus ao desenvolvimento da doença de Alzheimer.São 92 alvos moleculares compartilhados com processos associados à doença de Alzheimer, 23 genes-chave concentrados em regiões cerebrais vulneráveis, sendo que a toxicidade foi demonstrada em salmões coho expostos ao escoamento urbano e com a presença do contaminante em amostras de água, solo, poeira de estrada e amostras humanas, em que evidências obtidas através de modelos computacionais denota relação causal que ainda precisa ser demonstrada, no entanto, abre nova frente de pesquisa sobre poluição do trânsito, saúde cerebral e envelhecimento. Quando um veículo se move, freia ou faz uma curva, seus pneus perdem pequenas quantidades de material, parte, acaba depositado no asfalto enquanto outra fração permanece temporariamente suspensa no ar, ou, é levada pela chuva à esgotos, rios e áreas costeiras e, dentre os compostos que acompanham as partículas está a 6PPD-quinona, conhecida como 6PPD-Q, substância que, em poucos anos, passou de desconhecida fora dos laboratórios se tornando um dos contaminantes emergentes que mais atraem atenção. Daí, pesquisas em dados genéticos humanos e modelos computacionais levantam a possibilidade que a exposição a esse composto interfere nos mecanismos moleculares relativos à inflamação cerebral, estresse oxidativo e funcionamento das conexões neuronais, no entanto, é importante considerar que o estudo não comprova que morar perto de estradas ou inalar partículas do tráfego, cause Alzheimer, tampouco permite calcular risco individual associado a determinada exposição. A questão crucial é que cientistas identificaram vias biológicas específicas que podem ser estudadas diretamente em células, animais e tecidos humanos, quer dizer, de protetor de pneus a poluente ambiental, sendo que a origem do problema reside no 6PPD, aditivo utilizado pela indústria de pneus para evitar degradação prematura da borracha devido ação do Ozônio, O3, e outros agentes oxidantes.