O editorial 'Inconvenient Truth, The World Still Runs On Oil, Verdade inconveniente o mundo ainda funciona à base de petróleo, nos relata que a conferência climática de Bonn não se entendeu em relação ao cronograma de Mitigação nem conseguiu defender a meta de 1,5°C, considerando pressão da UE por cortes e, Arábia Saudita, China, Índia e Rússia, buscando defender interesses fósseis, ou, negociações do Mecanismo de Ajuste de Carbono se enquadraram como protecionismo pelas nações em desenvolvimento. O argumento que o petróleo é combustível de transporte e matéria-prima à mais de 6 mil produtos, que eólica e solar não substituem os usos, a construção de usinas a carvão pela China e priorização nuclear de Akkuyu pela Turquia, ilustram prioridades de segurança energética em detrimento a compromissos de emissões líquidas zero, leva a concluir que a eliminação de carbono não é realista e a resiliência através de combinações energéticas diversificadas em vez da aceleração decorrente a crise, direciona a renováveis intermitentes, corresponde melhor às realidades industriais e econômicas, segundo o editorial. A Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Bonn, Alemanha, junho, prepararia terreno à COP31 na Turquia, no entanto, expôs quão longe o mundo se encontra na busca de caminho unificado direcionado à descarbonizar, com negociadores acordando o Programa de Trabalho de Mitigação, mecanismo destinado a empurrar países à cortes nas emissões, considerando ainda que, a UE pressionou por compromissos fortes enquanto outras nações insistiram que o fórum se destinava intercâmbiar informações e não definir obrigações, daí, não se alcançou nenhuma resolução, a questão foi adiada à COP31. A meta de 1,5°C desencadeou dicussão ainda mais acirrada, com UE e Suíça acusando Arábia Saudita, China, Índia e Rússia de minar a ciência climática na busca por proteção de demandas e interesses dos combustíveis fósseis, raramente confrontada de modo direto, quer dizer, se a meta de 1,5°C continua alcançável, segurança energética e adaptação realista merecem mais peso que adesão, já que partícipes da COP31 continuam alheios que economias mundiais funcionam com combustíveis à transporte. Vale dizer que petróleo bruto processado nas refinarias fornece moléculas que são base de mais de 6 mil produtos que a vida moderna utiliza, quer dizer, a partir desses derivados de petróleo, produtos que não existiam há alguns séculos, outra questão gira em torno da eletricidade que carrega um iPhone mas nem turbinas eólicas e painéis solares o fabricam, tudo que precisa de eletricidade se insere em derivados de petróleo a partir de petróleo bruto, daí, a premissa de Bonn, ou, sem petróleo bruto não haveria iPhones, máquinas de raio X ou computadores que precisassem de eletricidade, levando delegados à conversações formais sobre política climática e comércio quase inteiramente centrados no Mecanismo de Ajustamento das Fronteiras de Carbono da UE. Por fim, nações em desenvolvimento chamaram a questão de proteccionismo via poder de mercado, travestido de linguagem de responsabilidade climática, encerrando com Simon Stiell, chefe climático da ONU, lamentando um “você-primeiro” ou cada nação espera que os outros ajam antes de se comprometerem, ou, franca admissão de paralisia.
O editorial nos leva ao conceito que nações não deixam de cooperar por teimosia, dão prioridade às próprias indústrias, à segurança elétrica, da cadeia de suprimento de combustíveis a transportes, 6 mil produtos oriundos de petróleo bruto processado e aos cidadãos, porque nenhum governo faz o contrário de modo responsável. Isto, levou o editorial a Belém do Pará, Brasil, com a afirmativa que a admissão de paralisia não condiz com o histórico da COP30 em que delegados brasileiros registraram 317 pousos de jatos particulares produzindo 1.541 toneladas de CO2 pela Ferramenta de Pequenos Emissores da Eurocontrol, quer dizer, jatos particulares emitem até 14 vezes mais CO2 por passageiro que voos comerciais. Fato que leva considerar que o 'faça você primeiro' vai além de posições de negociação se estendendo ao modo como os próprios participantes viajam, com a conferência de Bonn deixando a impressão que o mundo não caminha à descarbonização como bloco único, a COP31 apenas tornará as divisões mais visíveis. Vale dizer que, outra reunião preparatória da COP31, em Paris, o delegado da ONU tinha previsto tal fato sugerindo que a guerra do Oriente Médio “acelera” a mudança do mundo à eletricidade por eólicas e solares, argumenta que os que tentam sustentar a dependência de fósseis inadvertidamente alimentavam o boom de eólica e solar, porque, segundo o delegado ambiental da ONU, são seguras, baratas e imunes à ruptura de estreitos ou conflitos globais. A declaração que nações e indústrias caracterizadas como apegadas a combustíveis fósseis não parecem nostálgicas em relação ao passado, considera que, carvão, gás e petróleo têm sido base da civilização industrial moderna desde a Revolução Industrial como fontes de energia e matéria-prima, como o aço, cimento, fertilizantes, plásticos e produtos farmacêuticos, que eólica e solar substituem parte da geração de eletricidade e parte do combustível à transporte, até aqui, não existe tecnologia que substitua hidrocarbonetos como matéria-prima química. A eletricidade eólica e solar não é condição necessária à fabricação de bens da civilização, moléculas de hidrocarbonetos, sim, segundo o editorial, por serem base dos combustíveis à transporte e 6 mil produtos da vida moderna a partir de derivados de petróleo, ou, produtos que não existiam há alguns séculos. A interrupção do fornecimento de petróleo e gás pela guerra leva a eletricidade estável, confiável e acessível à transporte em aposta acelerada em eletricidade intermitente, segundo o editorial, que considera o delegado da ONU omisso ao fato que a métrica padrão à “energia eólica e solar baratas” reflete o ativo de geração em si, exclui capacidade de backup, armazenamento, custos de balanceamento e transmissão que a energia intermitente requer em escala de rede já que países em desenvolvimento onde a rede absorve energia intermitente muitas vezes não existe e o custo de construção recai sobre os menos capazes de absorvê-la. Por fim, o editorial considera que eliminando a retórica da cúpula surge a realidade mais restrita com compromissos de emissões líquidas zero por data, na prática, sustentados por subconjunto da UE, considerando que a maioria dos principais emissores do mundo segue a política de eletricidade em interesse nacional, competitividade industrial e segurança energética em primeiro lugar, com a China, maior emissor anual do mundo de GEE, colocando a produção em 11,7 bilhões de toneladas, 31% das emissões globais de fóssil, comprometendo-se atingir o pico das emissões até 2030 e Neutralidade de Carbono até 2060, em 2023–2024, aprovou construções de energia a carvão mais rápido em quase uma década, ou, 94,5 GW, maior nível de projetos de carvão novos ou retomados desde 2015, fato central da aritmética climática global. Enfim, o editorial conclui que a retórica de emissões líquidas zero vem dos menos expostos ao custo econômico, que resiliência através da diversidade e combinações energéticas adequadas aos recursos e necessidades de cada nação, não acelera em direção a monocultura de eletricidade intermitente, que não pode, por si só, alimentar a civilização ou fornecer produtos dos quais a vida moderna utiliza.
Moral da Nota: cientistas concordam que o aquecimento global aumenta o risco de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e inundações, que os compromissos globais de reduzir emissões que causam aquecimento global estão aquém das metas climáticas de Paris e colocam o mundo em caminho ao aquecimento de 2,6 °C neste século. O relatório anual do PNUMA sobre Lacunas de Emissões revela abismo entre retórica e ação quando se trata de combater aquecimento global e, o desafio que líderes políticos enfrentam na COP31, mesmo que países cumpram seus compromissos climáticos, as temperaturas poderão subir 2,6ºC acima dos níveis pré-industriais até 2100, que ultrapassaria o objetivo de Paris, ou, manter aquecimento abaixo dos 2ºC e lutar por 1,5ºC mais seguros. O relatório informa que foi "perdida" a oportunidade de manter 1,5ºC devido décadas de ação climática insuficiente, com o chefe da ONU declarando que "o mundo não pode mais evitar ultrapassar o limite de 1,5ºC e as consequências são devastadoras", conclui, "inundações mortais, ondas de calor brutais, incêndios florestais violentos, vidas perdidas, economias paralisadas, desigualdades cada vez maiores e os menos responsáveis sofrendo primeiro e pior." As emissões globais de gases efeito estufa em 2025 estiveram no mesmo nível dos níveis recordes em 2024, com a diferença entre os 2 anos demasiado pequena para ser considerada, conforme o relatório, as emissões de carbono oriundas da queima de carvão, petróleo e gás, principal fator das mudanças climáticas, aumentaram em 2025 comparadas a 2024, com o secretário geral da ONU dizendo que, cortes profundos e imediatos eram necessários para proteger a humanidade dos impactos cada vez piores, mas, em vez disso, "as emissões permanecem em níveis recordes e os planos climáticos nacionais e políticas atuais são perigosamente insuficientes". Por fim, cada fração adicional de grau acima de 1,5 °C aumenta eventos climáticos e probabilidade de mudanças irreversíveis no planeta, de morte dos recifes de corais ao derretimento do permafrost o mundo já aqueceu 1,4ºC em relação aos tempos pré-industriais e espera-se que ultrapasse os 1,5ºC em questão de anos. Enfim, o G20 responde por 3 quartos das emissões globais, com o secretário da ONU nos dizendo que "todos os países, especialmente grandes emissores, devem fazer mais" para parar de aquecer o planeta, sendo que os 6 maiores emissores do mundo, dados preliminares à 2025, mostram aumentos de emissões nos EUA, Indonésia e China e queda na Índia, Rússia e UE. Considerando a magnitude, o aumento de 133 megatons de CO2 equivalente nos EUA "excedeu em muito" o de qualquer outro país, pela maior demanda por eletricidade e recuperação da geração de energia a carvão, sendo o 2º maior aumento registrado na Turquia que acolhe a COP31, os norte americanos são o 2º maior poluidor do mundo, atrás da China.