quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Plásticos e clima

Microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem contribuir às mudanças climáticas através da absorção de calor, interações com nuvens e aquecimento atmosférico, sendo que a poluição plástica não é mais apenas problema oceânico ou de aterro sanitário. Cientistas encontram evidências que microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem influenciar o clima, via partículas plásticas flutuando na atmosfera que absorvem luz, interagem com nuvens e contribuem ao aquecimento atmosférico, área de investigação emergente que está mudando como especialistas compreendem poluição e aquecimento global, considerando microplásticos como fragmentos plásticos menores que 5 mm enquanto nanoplásticos são partículas microscópicas medidas em nanômetros, ou, partículas que se formam quando plásticos maiores se degradam devido à luz solar, fricção ou calor. Estudo publicado na Nature Climate Change avalia como pesquisadores descobriram que partículas de plástico em suspensão no ar podem reter mais calor que se imaginava e, combinados com outros estudos sobre aerossóis e química atmosférica as descobertas sugerem que aquecimento atmosférico causado por microplásticos pode se tornar problema climático no futuro, identificando fontes de microplásticos em suspensão no ar por desgaste dos pneus dos veículos, fibras sintéticas à vestuário, emissões industriais, poeira de construção e degradação de resíduos plásticos. Ao contrário dos resíduos plásticos maiores, as partículas em suspensão no ar viajam longas distâncias através de correntes de vento, com pesquisadores detectando plásticos em suspensão na neve das montanhas, água da chuva, florestas remotas e regiões polares, sendo que nanoplásticos recebem cada vez mais atenção porque seu tamanho pequeno permite que ficam suspensos na atmosfera por períodos mais longos. Estudam científicos mostram que nanoplásticos e mudanças climáticas podem comportar de modo similar a aerossóis, influenciando a química atmosférica e transferência de calor e, conforme pesquisa publicada Science Advances, o transporte atmosférico pode desempenhar papel importante na distribuição de microplásticos pelos continentes e oceanos, com destaque de como ventos levam  partículas plásticas à ecossistemas remotos, distantes de fontes de poluição urbana. Por fim, a descoberta importante de estudos climáticos recentes leva a partículas de plástico em suspensão no ar podendo absorver e dispersar radiação solar, sendo que  alguns plásticos agem de modo similar aos aerossóis que contribuem ao clima retendo calor na atmosfera.

Outro estudo publicado na Nature Climate Change em 2026 descobriu que microplásticos coloridos absorvem luz solar com mais eficiência que plásticos transparentes e, partículas mais escuras, incluindo plásticos pretos, vermelhos, azuis e amarelos, apresentaram absorção de calor particularmente forte, através de processo conhecido como forçamento radiativo direto que ocorre quando partículas alteram equilíbrio entre luz solar incidente e energia térmica emitida, sendo conhecido que fuligem e carbono negro contribuem ao aquecimento global através desse mecanismo, sendo que plásticos em suspensão podem pertencer à mesma categoria de partículas relevantes ao clima. Fatores diversos influenciam quanto os plásticos em suspensão no ar aquecem o ambiente, daí, cor das partículas, tipo de polímero, textura, concentração na atmosférica, desgaste e envelhecimento, sendo que plásticos mais antigos absorvem mais radiação decorrente desgaste que altera propriedades superficiais, enquanto partículas mais ásperas dispersam e retêm luz solar de modo diferente dos plásticos recém-fabricados, com cientistas descobrindo que aquecimento atmosférico por microplásticos pode ser intenso em ambientes urbanos, poluídos, em que concentrações de partículas em suspensão no ar são maiores. A relação entre nanoplásticos e clima  vai além da absorção de calor, podendo influenciar múltiplos processos atmosféricos, devido o tamanho reduzido,  nanoplásticos possuem relação superfície/volume alta que permite interação mais eficiente com vapor d'água, poluentes e luz solar, daí,  desenvolvimento de pesquisas envolvendo nanoplásticos em como afetam formação de nuvens, padrões de precipitação, brilho das nuvens, circulação do ar e aquecimento atmosférico. Por fim, pesquisadores argumentam que o controle de microplásticos em suspensão no ar pode eventualmente se tornar parte de estratégias de mitigação das mudanças climáticas, com negociações internacionais de tratados globais sobre plásticos considerando cada vez mais a conexão entre plásticos e sistemas climáticos, ao passo que, pesquisa sobre o aquecimento atmosférico causado por microplásticos é recente, mas as descobertas continuam mostrar que a poluição plástica vai além dos oceanos e aterros sanitários em que microplásticos e nanoplásticos no ar surgem como contribuintes ao aquecimento atmosférico, alterações nas nuvens e processos climáticos globais e, à medida que cientistas reúnem fatos,  essas partículas podem se tornar foco tanto na ciência climática quanto em políticas ambientais.

Moral da Nota: a dra Priyata Dutta, médica, esclarece que partículas microscópicas de plástico deixam de ser apenas problema ambiental e, cada vez mais, microplásticos e nanoplásticos denominados MNPs em conjunto são detectados no ambiente e em tecidos humanos, especialmente gastroenterologistas, importando porque a ingestão é uma das  vias de exposição e evidências sugerem que as partículas podem influenciar a função intestinal e ter efeitos sistêmicos. Daí, conceituar microplásticos nos remete à partículas de plástico com dimensões de 1 µm a 5 mm, embora definições estendam o limite inferior à 0,1 µm, enquanto nanoplásticos são descritos como partículas com tamanho inferior a 1 µm, ou 1000 nm, com algumas definições analíticas abrangendo a faixa de 1 nm a 1000 nm, em conjunto, as partículas podem interagir com sistemas biológicos de 2 modos, ou, através de efeitos físicos e via contaminantes químicos que podem transportar, ou, liberar. A principal via de exposição humana é ingestão por meio de alimentos e bebidas contaminados, enquanto as embalagens plásticas continuam sendo fonte persistente de contaminação e a inalação contribui pela exposição dérmica em menor escala, com estudo no Reino Unido estimando que uma única instalação poderia liberar dezenas a mais de mil toneladas de microplásticos/ano, embora sistemas de filtragem possam remover partículas maiores que 5 µm enquanto partículas menores ainda podem passar pelas tecnologias atuais. Evidências recentes sugerem que podem romper barreiras do sangue que ajudam preservar o equilíbrio dos órgãos, translocar-se à locais distantes e desencadear respostas inflamatórias e imunológicas locais, embora relações causais definitivas em humanos ainda sejam limitadas, dados preliminares associaram partículas a distúrbios gastrointestinais, respiratórios e neurológicos através de vias que envolvem desregulação imunológica e inflamação sistêmica no trato gastrointestinal, as MNPs podem contribuir à disbiose, comprometimento da função de barreira sanguínea e ativação de vias inflamatórias, efeitos que podem, por sua vez, ter consequências mais amplas inclusive através do eixo intestino-cérebro. Apesar do crescente interesse, ainda persiste incerteza, com as principais lacunas de conhecimento incluindo métodos padronizados à detecção e caracterização de MNPs em tecidos biológicos, dados epidemiológicos de longo prazo que relacionam exposição aos resultados clínicos, perfis toxicocinéticos que descrevem absorção, translocação, acumulação e excreção em humanos, sendo necessário colaboração entre áreas da toxicologia, ciências ambientais, química analítica, microbiologia e medicina clínica.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Os EUA Renovável

Energia solar é pilar não só no mundo das renováveis, mas na matriz energética global, com interesse pela tecnologia de painéis fotovoltaicos crescendo, à medida que instalações residenciais individuais reduzem sobrecarga nas redes elétricas  gerando economia aos moradores, com os chineses avançando em excedente solar e os EUA procurando transição à indivíduos ou entidades governamentais. Nos estados o progresso para tornar energia solar parte da matriz energética tem sido mais rápido em alguns locais que outros, por conta da geografia desfavorável à solar, mas, na maioria, a combinação de políticas públicas e interesse privado pela tecnologia em desenvolvimento determina a velocidade de implementação. Dados da Associação das Indústrias de Energia Solar, SEIA, de quais estados norte americano geram maior quantidade solar total até junho de 2026 mostram quadro em que a Califórnia, ensolarada e progressista se posiciona em 1º lugar, longa história de ambientalismo e apoio exemplar à renovável, com RPS, Padrão de Portfólio de Energias Renováveis, que exige 60% de fontes renováveis ​​até 2030. O sistema de compensação de energia complementado por créditos fiscais federais à investimentos, ITC, torna energia solar atrativa tanto à empresas quanto à residências, com o estado mostrando 55.510 MW de capacidade instalada e armazenando 60 MWh de energia, suficiente à abastecer 16.271.789 residências, segundo a SEIA, Administração de Energia Elétrica da Califórnia, com o "Projeto Nexus" em 2025 utilizando painéis solares sobre canais para captar energia solar e reduzir perdas de água por evaporação, alem de abrigar a maior fazenda solar dos EUA. O Texas vem a seguir, apesar de maior produtor de petróleo dos EUA à medida que aumenta o foco em energia verde renovável com fazendas solares sendo construídas, tendo instalados 53.568 MW e capacidade de armazenamento de 29.163 MWh, metade da capacidade da Califórnia, considerando que a maior parte da geração solar no Texas se destina a usinas de grande porte e, não residências, com menos de 2% do potencial solar em telhados do estado explorado até o momento, apesar disso, ocupa o 3º lugar em geração solar residencial, já que, em fins de 2025, a produção solar ultrapassou o carvão no Texas não havendo dúvidas que o estado tem futuro promissor em renováveis. A Flórida está em 3º na corrida pela energia solar apesar de conhecida como "Estado do Sol", se coloca atrás da Califórnia e Texas em termos de capacidade instalada, com 21.968 MW, ao passo que armazenamento é pouco explorado com 1.476 MW disponíveis ao excedente de energia, quer dizer, a energia solar é impulsionada mais por infraestrutura de grande escala que residenciais. Os moradores da Flórida estão investindo em energia solar em telhados com 4% das residências utilizando o sistema em 2025 e especialistas prevendo crescimento nos próximos anos, sendo que uma das aplicações mais interessantes solar na Flórida é a produção de hidrogênio, elemento químico abundante e vetor energético com fazendas solares híbridas exclusivas que utilizam parte da energia solar para separar água em oxigênio e hidrogênio, que pode ser usado posteriormente evitando custos e problemas ambientais do armazenamento em baterias químicas e resultando na mesma água que foi separada inicialmente.

Nesta trilha seguem o Arizona predominantemente árido e semiárido abrigando 4  desertos, em 2025 contava com 11.751 MW de capacidade solar instalada e capacidade de armazenamento de 20.245 MWh, considerando que fazendas solares em deserto podem alterar o ecossistema, ao captar energia solar o solo retém mais umidade e se torna mais fértil com o estado almejando neutralidade de carbono até 2050 inova instalando painéis solares sobre plantações prática conhecida como agrivoltaica gerando energia limpa enquanto protege plantações e agricultores da luz solar. Segue Carolina do Norte com 10.093 MW de capacidade solar instalada e armazenamento de menos de mil MWh significando que parte da energia solar não pode ser armazenada, com o estado liderando desenvolvimento solar em escala de utilidade pública e, à medida que cresce, espera-se que a sua posição no ranking em termos de capacidade solar e de armazenamento, suba. Vale a nota que o Exército norte americano em Fort Bragg, possui o maior conjunto de painéis solares flutuantes do Sudeste, produzindo 1,1 MW de energia com sistema de armazenamento de 2 MWh, em 2024 e, a EPA, Agência de Proteção Ambiental dos EUA, concedeu US$ 156 milhões a EnergizeNC, coalizão para dar acesso à energia solar ao maior número possível de moradores, expandindo solar em telhados, edifícios multifamiliares e comunidades, em comunidades de baixa renda, sendo que a legislação da Carolina do Norte é favorável à solar comunitária, que significa projetos que aumentarão de modo constante tanto na capacidade de geração solar quanto acesso equitativo. Illinois possui capacidade solar instalada de 8.290 MW com falta de capacidade de armazenamento, dependente de carvão e nuclear à suprir demanda de base, Nevada tem 8.244 MW de capacidade solar instalada e 6.331 MWh de armazenamento, além de obter 33,5% de energia da energia solar fica atrás apenas da Califórnia significando que um terço das luzes de Las Vegas são alimentadas por energia solar, valendo considerar que o Padrão de Portfólio de Renováveis ​​de Nevada foi estabelecido em 1997 e estipula que o estado deve obter 50% da energia de fontes renováveis ​​até 2030, com o Freedom Park recebendo sistema de estacionamento solar com 1.500 painéis e 480 kW em 2024. Nova Iorque porduz 8.226 MW com capacidade de armazenamento de 1.096 MWh, ou, 7,7% da matriz energética total do estado, sendo que o programa NY-Sun oferece acesso à energia solar em residências e comunidades conscientizando cidadãos sobre incentivos e isenções fiscais disponíveis para quem optar pela solar no estado, está investindo US$ 200 milhões para adicionar um gigawatt de geração de energia ao estado como um todo oriunda de sistemas solares em telhados e comunitários, com o prefeito da cidade de Nova York se comprometendo adicionar mil MW até 2030. A Virgínia possui 7.841 MW de capacidade instalada e 162 MWh de armazenamento, com o detalhe que, a Lei da Economia Limpa da Virgínia, VCEA, e o crescimento em capacidade solar tem sido constante com 10% da energia do estado oriunda da energia solar.

Moral da Nota: estudo mostra que mudanças climáticas nos EUA podem reduzir o fluxo de água das nascentes do oeste, com bacias hidrográficas agrupadas em 4 grupos representando regimes hidroclimáticos distintos mostrando vazão observada, 1950–2024, e períodos climáticos históricos, 1980–2013, projetados, 2014–2099, sob cenários SSP2-4.5 e SSP5-8.5, sendo que riachos de montanha que alimentam rios no oeste americano podem enfrentar futuro mais seco. Liderado pela Universidade de Nevada descobriu que o fluxo de água subterrânea, conhecido como fluxo de base, diminuiu nas bacias hidrográficas das cabeceiras do oeste norte americano desde 1950, podendo diminuir 45% a 65% até fins do século, caso tendências climáticas atuais persistam, publicado na Earth's Future, analisou 75 anos de dados de vazão fluvial em 115 bacias hidrográficas de cabeceira em 11 estados do oeste americano utilizando modelos de aprendizado de máquina, ML, para projetar condições futuras sob múltiplos cenários climáticos. Descobriram que o aumento das temperaturas, redução da cobertura de neve e condições mais secas estão mudando quando e como a água se move pelas bacias hidrográficas das montanhas, com Caelum Mroczek, cientista da Escola de Ciências da Terra, SES, autor da pesquisa, esclarece que "nascentes são origem de grande parte do abastecimento de água a jusante e partes menos monitoradas da bacia hidrográfica" e, conclui, "os sistemas apresentam declínios na vazão de base e espera-se continuidade com o aquecimento do clima", afirmou que, riachos de cabeceira são 88% da rede fluvial oeste dos EUA e fornecem grande parte da água superficial e, como dependem de águas subterrâneas, alterações na recarga dos aquíferos podem ter consequências à disponibilidade hídrica a jusante. A pesquisa agrupou bacias hidrográficas em 4 categorias variando de montanhosas de alta altitude, dominadas pela neve, sistemas de baixa altitude, impulsionados pela chuva, comuns no sul do Arizona e em outras regiões áridas, daí, o pico da vazão de base está ocorrendo mais cedo no ano que costumava acontecer, sendo historicamente, que o derretimento da neve recarregava gradualmente lençóis freáticos e mantinha os rios abastecidos até fins da primavera e verão, como as temperaturas estão subindo, a neve começou derreter mais cedo e mais precipitação ocorre na forma de chuva do que de neve resultando em maior volume de água chegando mais cedo no ano, seguido por  menor contribuição dos lençóis freáticos nos meses do final do verão quando as comunidades e ecossistemas geralmente mais precisam. Por fim, cientistas observaram que a umidade antecedente, ou, quão úmida a paisagem esteve nos meses anteriores foi fator preditivo mais forte ao fluxo de base futuro e a cobertura de neve com temperatura desempenharam papéis importantes em bacias de montanha onde a neve sazonal atua como reservatório natural. Quer dizer, em um cenário climático de altas emissões "que realmente apostamos nos combustíveis fósseis", esclarece o cientista, sistemas de cabeceira mais vulneráveis ​​da região poderiam sofrer perdas relativas equivalentes a milhões de acres-pés de água, mudanças que podem ter consequências além de riachos remotos nas montanhas, sendo que a redução da contribuição das águas subterrâneas pode aumentar vulnerabilidade à seca e a incêndios florestais.