A Bacia Amazônica compreende área do Rio Amazonas e 200 afluentes, um dos maiores e mais biodiversos ecossistemas do mundo, com papel chave na regulação hidrológica regional e em níveis de CO2 atmosférico, que contribui à estabilidade climática global, abrange 9 países da América do Sul, ou, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela, isto, precisa ficar bem claro, contém a maior floresta tropical e bacia hidrográfica da Terra, cobre 6,3 milhões de km², área maior que toda a UE. Armazena 20% da água doce global e quando armazenada nos rios e folhas das árvores de florestas, evapora, a umidade retida pela copa das árvores cria um fenômeno conhecido como "rio voador", que além de sustentar a própria Amazônia, alimenta ecossistemas andinos e, devido a esse sistema, que evoluiu ao longo de milhões de anos, a Bacia Amazônica desempenha papel crucial na regulação de ciclos hidrológicos regionais. A floresta amazônica atua como sumidouro de carbono, armazena entre 229 e 280 petagramas de carbono, Pg C, na biomassa viva e matéria orgânica do solo, um terço do carbono armazenado na vegetação terrestre global, desse modo, a maior floresta tropical do mundo estabiliza níveis de CO2 na atmosfera e contribui à mitigação das emissões de carbono e à estabilidade climática global. Um dos lugares com maior biodiversidade do planeta, abriga 10% das espécies de plantas e animais do mundo, suas florestas e rios sustentam a vida de 50 milhões de pessoas, mais 1,5 milhão de povos indígenas fornecendo alimento, água, remédios e terra. O impacto das alterações climáticas na Amazônia deve custar à região entre US$ 404 bilhões e US$ 941 bilhões até 2050 a 2070, entre 14% e 33% do PIB regional combinado ao longo de 4 anos, considerando que mudanças climáticas afetam o clima da Amazônia, alteram os padrões de chuva, prolongam estações secas, intensificam secas e aumentam incidência e risco de incêndios florestais que ameaçam acesso à energia, meios de subsistência, cadeias de abastecimento, segurança alimentar, saúde e estabilidade de 50 milhões de pessoas e desproporcionalmente afetam indígenas e comunidades rurais, quer dizer, em conjunto com atividade humana, mudanças climáticas deverão alterar irreversivelmente a Bacia Amazônica, levando a ponto de inflexão que a transformará em ecossistema mais seco e degradado com consequências socioeconômicas às pessoas que vivem na região. Devemos ressaltar que mais de 18% da floresta amazônica já foi convertida para uso humano e outros 17% são considerados degradados, em muitos casos, perdas que afetam povos indígenas e comprometem direitos territoriais e capacidade de preservação da floresta, atividades, que podem alterar irreversivelmente a ecologia amazônica, levando-a a ponto de inflexão a ecossistema mais seco e degradado, interrompendo biodiversidade do bioma. Vale observar que estimativas sugerem que o ponto de inflexão amazônico pode ser atingido se as temperaturas médias globais subirem acima de 3,5°C e desmatamento ultrapassar 40%, enquanto cientistas alertam que poderia acontecer com apenas 2°C de aquecimento global e taxas de desmatamento entre 20% e 25%. Estudos analisaram e modelaram efeitos a longo prazo das mudanças climáticas na Amazônia e, mostram que, se nada for feito, as temperaturas médias na região devem aumentar em até 6,5 °C até 2100, mesmo com as atuais NDCs, planos nacionais, implementadas, decorrente trajetória perigosa em atingir aumento da temperatura média global de 2,3 °C a 2,5 °C, que poderia ser catastrófico ao ecossistema amazônico e ao mundo.
Estudo do PNUD que, ainda será publicado, avalia que caso nada seja feito, a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos como produção de alimentos, extração de matérias-primas, borracha e madeira e regulação climática, ligada à produção agrícola e geração de energia hidrelétrica, além de perda de carbono armazenado, processo quando a cobertura florestal é perdida via desmatamento, incêndios florestais ou uso da terra,representariam o 2º maior custo, calculado em referência ao custo social do carbono, CSC , seguido por custos associados à produtividade na agricultura, impactos negativos na saúde pública e danos à infraestrutura. Em relação a subsistência, impactos seriam sentidos na agricultura e pesca, onde secas e inundações reduziriam produtividade agrícola e pecuária aumentando mortalidade de peixes, ameaçando segurança alimentar, além do que, impactos no fluxo fluvial afetariam transporte, acesso a suprimentos, isolando comunidades, riscos, que exacerbam vulnerabilidades regionais existentes e contribuem ao aumento da pobreza e instabilidade, particularmente entre indígenas e comunidades rurais. Vale observar que as comunidades enfrentariam custos não econômicos, como perda de conhecimentos tradicionais, culturas e vidas, que não podem ser quantificados adequadamente em termos monetários, apesar da importância, embora estimativas, o PNUD alerta que se alinham a projeções semelhantes e enviam sinal claro que a ação climática é necessária para evitar que se atinjam pontos de inflexão ambiental irreversíveis na Bacia Amazônica, enfatizando que mudança climática é ameaça real e concreta ao desenvolvimento regional e investir em resiliência é escolha sensata. Importante observar que a Amazônia não é questão só brasileira, a Amazônia é nossa, quer dizer, nossa e demais países sul americanos, como o Himalaia, daí, países da região demonstram progressos em políticas climáticas, com planos robustos como as NDCs, Contribuições Nacionalmente Determinadas, as NBSAPs, Estratégias e Planos de Ação Nacionais à Biodiversidade e os NAPs, Planos Nacionais de Adaptação, no entanto, traduzir políticas em ações, em nível subnacional e garantir que o financiamento chegue onde é mais necessário, o PNUD diz tratar-se de desafio que pede instituições fortes e coordenadas, além de recursos e capacidades adequados. O PNUD identifica prioridades que permitirão governos e formuladores de políticas nos países da Bacia Amazônica fortalecerem capacidades institucionais, mobilizar recursos e acelerar ação climática e, de modo resumido, estão, dados e monitoramento, planejamento financeiro e fiscal, resiliência local e setorial, capacidade institucional e transição econômica. Por fim, em 8 de 9 países da Bacia Amazônica, o PNUD realizou avaliações para identificar lacunas e destacar ações potenciais setoriais, institucionais e financeiras que permitam cada país dar passos rumo à resiliência e desenvolvimento sustentável. No Brasil a iniciativa Floresta+ Amazônia financiada pelo Fundo Global ao Clima, GCF, apoia financeiramente comunidades rurais que protegem a floresta, mais de 8 mil agricultores na Amazônia brasileira receberam pagamentos diretos por serviços ambientais, no Equador, a PROAmazonía promove produção sustentável e manejo florestal, fortalecendo conservação na região amazônica, parte da iniciativa do PNUD com a Lavazza, comunidades na Amazônia equatoriana que produziram o 1º café do mundo certificado como livre de desmatamento. A Colômbia, o PNUD concedeu subsídios diretos a indígenas, afrodescendentes e camponesas para promover soluções na natureza, conhecimentos ancestrais e uso sustentável da terra, fomentando ações lideradas pela comunidade e países como Brasil e Peru, o PNUD apoia esforços de participação em mercados internacionais voluntários de carbono garantindo integridade e salvaguardas ambientais e sociais.
Moral da Nota: o governo britânico comunicou o Parlamento inglês aporte de US$ 540 milhões ao TFF, Fundo Florestas Tropicais para Sempre, mecanismo de financiamento à manter floresta de pé liderado pelo Brasil e lançado na COP30, Belém. A ferramenta passa a ter US$ 7,3 bilhões, abaixo da meta de US$ 10 bilhões necessária ao início das operações, sendo que a previsão, é que esse valor seja alcançado até dezembro de 2026, neste caso, o fundo começaria captar recursos no início de 2027 significando que os países iniciariam operações de monitoramento da cobertura florestal entre 2027 e 2028 e receberiam pagamentos entre 2028 e 2029. Vale dizer, que contribuição britânica será na forma de empréstimo, semelhante a brasileira, podendo ser maior com eventual desembolso adicional nos meses vindouros, quem não contribuiu como esperado na COP30, mas, participou da constituição do fundo desde o início deve fazer anúncio oficial na Climate Week em Nova York, em setembro. Devemos considerar no entanto, que o aporte inglês tem condição, segundo comunicado ao Parlamento, ou, a participação britânica nos mecanismos de supervisão do fundo, que "permitirá ao Reino Unido atuar em conjunto com outros países para promover prioridades e interesses enquanto supervisiona o investimento, auxiliando garantir resultados sólidos aos contribuintes e investidores britânicos, incluindo a City de Londres”, conforme a nota do governo inglês. Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, após o anúncio disse que “ao incluir povos indígenas e comunidades locais como parte central da solução, o TFFF potencializa transformar a conservação em agenda de desenvolvimento”, concluindo que, “é significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo, compromisso que reforça mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais, valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva”. O TFFF é modelo de financiamento climático em que países que preservam florestas tropicais são recompensados financeiramente por fundo de investimento global que remunera investidores a taxas de mercado, o conceito busca garantir desenvolvimento sustentável de comunidades locais e viabilidade econômica à países com florestas, entre eles o Brasil, gerem retorno de investimento com a preservação e, expectativas mais otimistas mostram que pode render somente ao Brasil, entre US$ 1 bilhão e US$ 1,3 bilhão/ano, se condições forem respeitadas como índices de desmatamento baixos. Para concluir, o atrativo do fundo nos moldes de desenvolvimento é o fato que será investimento seguro, garantido de Estado, com remuneração de mercado padrão AAA, além de expectativa de aportes na Semana do Clima de Nova York e COP31, em Antalya, Turquia, novembro, vale dizer que, 7 países fizeram contribuições pontuais ao TFFF, ou, Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Portugal e Luxemburgo, sendo que Canadá e China são aguardados. Concluindo, o TFFF captará recursos no mercado a juros reduzidos como ativo de baixo risco, recursos, reinvestidos em projetos com maior taxa de retorno gerando lucro, ou, spread, enquanto a diferença é repassada aos países com florestas tropicais, proporcionalmente à área preservada e o dinheiro emprestado devolvido a investidores com lucro.