Microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem contribuir às mudanças climáticas através da absorção de calor, interações com nuvens e aquecimento atmosférico, sendo que a poluição plástica não é mais apenas problema oceânico ou de aterro sanitário. Cientistas encontram evidências que microplásticos e nanoplásticos transportados pelo ar podem influenciar o clima, via partículas plásticas flutuando na atmosfera que absorvem luz, interagem com nuvens e contribuem ao aquecimento atmosférico, área de investigação emergente que está mudando como especialistas compreendem poluição e aquecimento global, considerando microplásticos como fragmentos plásticos menores que 5 mm enquanto nanoplásticos são partículas microscópicas medidas em nanômetros, ou, partículas que se formam quando plásticos maiores se degradam devido à luz solar, fricção ou calor. Estudo publicado na Nature Climate Change avalia como pesquisadores descobriram que partículas de plástico em suspensão no ar podem reter mais calor que se imaginava e, combinados com outros estudos sobre aerossóis e química atmosférica as descobertas sugerem que aquecimento atmosférico causado por microplásticos pode se tornar problema climático no futuro, identificando fontes de microplásticos em suspensão no ar por desgaste dos pneus dos veículos, fibras sintéticas à vestuário, emissões industriais, poeira de construção e degradação de resíduos plásticos. Ao contrário dos resíduos plásticos maiores, as partículas em suspensão no ar viajam longas distâncias através de correntes de vento, com pesquisadores detectando plásticos em suspensão na neve das montanhas, água da chuva, florestas remotas e regiões polares, sendo que nanoplásticos recebem cada vez mais atenção porque seu tamanho pequeno permite que ficam suspensos na atmosfera por períodos mais longos. Estudam científicos mostram que nanoplásticos e mudanças climáticas podem comportar de modo similar a aerossóis, influenciando a química atmosférica e transferência de calor e, conforme pesquisa publicada Science Advances, o transporte atmosférico pode desempenhar papel importante na distribuição de microplásticos pelos continentes e oceanos, com destaque de como ventos levam partículas plásticas à ecossistemas remotos, distantes de fontes de poluição urbana. Por fim, a descoberta importante de estudos climáticos recentes leva a partículas de plástico em suspensão no ar podendo absorver e dispersar radiação solar, sendo que alguns plásticos agem de modo similar aos aerossóis que contribuem ao clima retendo calor na atmosfera.
Outro estudo publicado na Nature Climate Change em 2026 descobriu que microplásticos coloridos absorvem luz solar com mais eficiência que plásticos transparentes e, partículas mais escuras, incluindo plásticos pretos, vermelhos, azuis e amarelos, apresentaram absorção de calor particularmente forte, através de processo conhecido como forçamento radiativo direto que ocorre quando partículas alteram equilíbrio entre luz solar incidente e energia térmica emitida, sendo conhecido que fuligem e carbono negro contribuem ao aquecimento global através desse mecanismo, sendo que plásticos em suspensão podem pertencer à mesma categoria de partículas relevantes ao clima. Fatores diversos influenciam quanto os plásticos em suspensão no ar aquecem o ambiente, daí, cor das partículas, tipo de polímero, textura, concentração na atmosférica, desgaste e envelhecimento, sendo que plásticos mais antigos absorvem mais radiação decorrente desgaste que altera propriedades superficiais, enquanto partículas mais ásperas dispersam e retêm luz solar de modo diferente dos plásticos recém-fabricados, com cientistas descobrindo que aquecimento atmosférico por microplásticos pode ser intenso em ambientes urbanos, poluídos, em que concentrações de partículas em suspensão no ar são maiores. A relação entre nanoplásticos e clima vai além da absorção de calor, podendo influenciar múltiplos processos atmosféricos, devido o tamanho reduzido, nanoplásticos possuem relação superfície/volume alta que permite interação mais eficiente com vapor d'água, poluentes e luz solar, daí, desenvolvimento de pesquisas envolvendo nanoplásticos em como afetam formação de nuvens, padrões de precipitação, brilho das nuvens, circulação do ar e aquecimento atmosférico. Por fim, pesquisadores argumentam que o controle de microplásticos em suspensão no ar pode eventualmente se tornar parte de estratégias de mitigação das mudanças climáticas, com negociações internacionais de tratados globais sobre plásticos considerando cada vez mais a conexão entre plásticos e sistemas climáticos, ao passo que, pesquisa sobre o aquecimento atmosférico causado por microplásticos é recente, mas as descobertas continuam mostrar que a poluição plástica vai além dos oceanos e aterros sanitários em que microplásticos e nanoplásticos no ar surgem como contribuintes ao aquecimento atmosférico, alterações nas nuvens e processos climáticos globais e, à medida que cientistas reúnem fatos, essas partículas podem se tornar foco tanto na ciência climática quanto em políticas ambientais.
Moral da Nota: a dra Priyata Dutta, médica, esclarece que partículas microscópicas de plástico deixam de ser apenas problema ambiental e, cada vez mais, microplásticos e nanoplásticos denominados MNPs em conjunto são detectados no ambiente e em tecidos humanos, especialmente gastroenterologistas, importando porque a ingestão é uma das vias de exposição e evidências sugerem que as partículas podem influenciar a função intestinal e ter efeitos sistêmicos. Daí, conceituar microplásticos nos remete à partículas de plástico com dimensões de 1 µm a 5 mm, embora definições estendam o limite inferior à 0,1 µm, enquanto nanoplásticos são descritos como partículas com tamanho inferior a 1 µm, ou 1000 nm, com algumas definições analíticas abrangendo a faixa de 1 nm a 1000 nm, em conjunto, as partículas podem interagir com sistemas biológicos de 2 modos, ou, através de efeitos físicos e via contaminantes químicos que podem transportar, ou, liberar. A principal via de exposição humana é ingestão por meio de alimentos e bebidas contaminados, enquanto as embalagens plásticas continuam sendo fonte persistente de contaminação e a inalação contribui pela exposição dérmica em menor escala, com estudo no Reino Unido estimando que uma única instalação poderia liberar dezenas a mais de mil toneladas de microplásticos/ano, embora sistemas de filtragem possam remover partículas maiores que 5 µm enquanto partículas menores ainda podem passar pelas tecnologias atuais. Evidências recentes sugerem que podem romper barreiras do sangue que ajudam preservar o equilíbrio dos órgãos, translocar-se à locais distantes e desencadear respostas inflamatórias e imunológicas locais, embora relações causais definitivas em humanos ainda sejam limitadas, dados preliminares associaram partículas a distúrbios gastrointestinais, respiratórios e neurológicos através de vias que envolvem desregulação imunológica e inflamação sistêmica no trato gastrointestinal, as MNPs podem contribuir à disbiose, comprometimento da função de barreira sanguínea e ativação de vias inflamatórias, efeitos que podem, por sua vez, ter consequências mais amplas inclusive através do eixo intestino-cérebro. Apesar do crescente interesse, ainda persiste incerteza, com as principais lacunas de conhecimento incluindo métodos padronizados à detecção e caracterização de MNPs em tecidos biológicos, dados epidemiológicos de longo prazo que relacionam exposição aos resultados clínicos, perfis toxicocinéticos que descrevem absorção, translocação, acumulação e excreção em humanos, sendo necessário colaboração entre áreas da toxicologia, ciências ambientais, química analítica, microbiologia e medicina clínica.