sábado, 3 de janeiro de 2026

Inovação e Saúde

Pesquisa envolvendo IA, telemedicina, monitoramento remoto e processamento de dados, são eventos que testemunhamos nos desenvolvimentos da tecnologia na saúde, tratando-se no entanto, de ameaça aos dados do paciente ou privacidade, ao lado de inovações geradas por provedores de saúde e empresas de tecnologia em saúde incluindo monitoramento remoto, nanotecnologia e realidade aumentada. À medida que surgem novas tecnologias, aumenta necessidade de dados limpos de alta qualidade representando desafios à setor caracterizado por controles rígidos de proteção de dados e ataques cibernéticos e, conforme o gerente de Engajamento da Intive, empresa global de tecnologia, "a saúde está diante de fronteira de inovações que prometem proporcionar melhores resultados aos pacientes e empoderar decisões dos provedores".Identifica a Nanotecnologia que cientistas usam para melhorar sistemas de administração de medicamentos e imagens médicas, bem como, combater tumores, cujo tamanho do mercado está projetado para atingir US$ 291 bilhões até 2028, enquanto monitoramento por IoT é usado à monitoramento remoto de pacientes, ferramenta essencial à mundo que sofre com a pandemia, enquanto McKinsey prevê que a saúde humana constituirá de 10 a 14% do valor estimado IoT até 2030, ao passo que o SPHCC, Centro Clínico de Saúde Pública de Xangai, relata que usa IoT e sensores vestíveis para monitorar temperatura corporal de pacientes com Covid reduzindo risco de exposição dos cuidadores. Segue análise de dados com estimativa que o volume de dados gerados anualmente pelo setor de saúde cresça 48% ano a ano, com dados e IA impulsionando entrega e reduzindo tempos de lançamento de medicamentos e, por meio de IA na medicina de precisão emerge a Vara, empresa de tecnologia desenvolvendo algoritmos para detectar câncer de mama usando dados de 2,5 milhões de imagens de câncer de mama para treinamento, validação e testes. Através da realidade aumentada e realidade virtual surgem incursões no setor de educação, visualização cirúrgica, fisioterapia, com cirurgiões usando RA e RV para realizar procedimentos avançados além de treinarem e desenvolverem memória muscular sem risco ao paciente resultando em procedimentos mais rápidos. Por fim, seguem desafios de dados e privacidade sendo que "criar e alavancar soluções de tecnologia em saúde não é tarefa simples, especialmente em setor onde proteção de dados é prioridade e o acesso pode ser restrito" e, sem dados precisos e gerenciados adequadamente, provedores de soluções tecnológicas correm risco de produzir resultados não confiáveis ​​e criar viés e, ao capturar dados limpos, precisos, completos e formatados com precisão, é desafio às organizações.

Roche e Pfizer concedem a healthtech Cromodata, plataforma argentina que usa dados médicos e IA para criar tratamentos, especializada em infraestrutura de dados, recebeu  US$ 1,2 milhão em rodada pré-seed de investimento liderado pela PharmStars Ventures,  fundo apoiado por AstraZeneca, Lilly, Novo Nordisk, Pfizer, Roche e Sanofi, além da  Sancus Capital e Gabriela Pittis, ex-diretora da Takeda à América Latina e Caribe. A startup conecta e estrutura dados clínicos anonimizados de hospitais e centros de diagnóstico na América Latina usando tecnologia própria, cuja plataforma permite que empresas farmacêuticas, pesquisadores e empresas IA acessem dados do mundo real sobre pacientes latino-americanos visando acelerar busca por tratamentos à doenças crônicas e desenvolvimento de tecnologias à saúde. A CEO e cofundadora Keila Barral Masri informa que a "Cromodata nasceu da experiência pessoal como paciente sem diagnóstico por anos, porque os dados estavam fragmentados no sistema de saúde", segundo ela, a falta de diagnóstico a deixou com um tipo de epilepsia refratária que não é controlada com medicamentos, em consequência, necessita auxílio de animal de estimação para alertar médicos, ao mesmo tempo, afirma que o setor de saúde gera dados valiosos. Enfatiza que "se formalizássemos o mercado contribuiríamos à sistema sustentável e criaríamos incentivo para gerar melhores dados de saúde posicionando a região entre os lugares onde a ciência está sendo feita, hoje, menos de 1% dos dados de saúde usados ​​para treinar IA vêm da América Latina", concluindo que, o futuro da inovação em saúde depende da diversidade de dados. A Cromodata funciona "com 47 hospitais em 5 países e processou mais de 20 milhões de registros de pacientes anonimizados conforme normas HIPAA, GDPR e ISO 27001", siglas que correspondem normas dos EUA, UE e internacionais protegendo privacidade e segurança de informações pessoais, esclarecendo que, na "Argentina, trabalha com 3 centros de câncer estando presente, no Brasil, Uruguai, República Dominicana e México, este último, em parceria com o maior grupo privado de saúde do país gerando US$ 27 mil em receita corrente mensal. O modelo de negócios da startup monetiza dados de centros de saúde ao anonimizar e tokenizar identidades dos pacientes à protegê-los", complementa que, "enquanto clama-se pela interoperabilidade dos sistemas de saúde para que os dados possam ser usados, adaptamos a tecnologia ao caos e fazemos com que funcione em qualquer ambiente para extrair e estruturar dados", observando que, que a rodada de investimentos confirma essa hipótese, "representa mais que financiamento, um reconhecimento da necessidade de dados de saúde representativos e infraestrutura colaborativa". Planeja destinar capital à expansão da rede de hospitais e laboratórios associados, incorporando fontes como genômica e doenças raras e ao fortalecimento da infraestrutura tecnológica de conformidade regulatória.

Moral da Nota: estudo histórico mostrou que IA pode prever melhor como médicos devem tratar pacientes pós ataque cardíaco, conduzido por equipe de pesquisadores e liderada pelo Dr. Florian Wenzl, membro honorário da Universidade de Leicester, trabalhando em colaboração com o Professor David Adlam, do Departamento de Ciências Cardiovasculares, publicado no The Lancet Digital Health. Pacientes com a forma mais comum de ataque cardíaco causada por bloqueio parcial, conhecida como síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, NSTE-ACS, se enquadram na pontuação GRACE para estimar risco de morrer ou apresentar outro evento cardiovascular, sendo usado para orientar decisões de tratamento e, há muito tempo reconhecido como incapaz de capturar toda complexidade de cada paciente. O sistema GRACE de pontuação do Registro Global de Eventos Coronários Agudos, orienta tratamento de pacientes com síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST, SCA-NSTE, conforme diretrizes atuais, no entanto, é necessária validação do modelo de mortalidade hospitalar GRACE 3.0 específico ao sexo e dos modelos correspondentes para prever mortalidade a longo prazo e efeito personalizado do tratamento invasivo precoce. O recém-criado escore GRACE 3.0 é ferramenta de avaliação de risco baseada em IA à pacientes com síndromes coronárias agudas, capaz de prever probabilidade de mortalidade hospitalar e, em 1 ano, analisando 9 variáveis disponíveis ou idade, sexo, frequência cardíaca, pressão sistólica arterial, nível de troponina, desvio-ST, nível creatinina, sintomas de insuficiência cardíaca e parada cardíaca. Para concluir, o Dr. Wenzl afirma que "O GRACE 3.0 representa a próxima evolução do escore GRACE integrando métodos IA a uma das ferramentas de risco mais utilizadas em cardiologia, treinado e validado externamente com base em dados pacientes de vários países o que lhe confere base sólida de evidências, ao contrário dos escores de risco tradicionais, o GRACE 3.0 captura relações complexas e não lineares que abordagens convencionais frequentemente ignoram." 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Extremos Climáticos

O CCC, Comitê de Mudanças Climáticas, em carta ao governo inglês alerta que, como resultado de pelo menos 2°C de aquecimento global até 2050, consultores climáticos independentes explicam que o Reino Unido "não está adaptado" ao agravamento dos eventos extremos nos níveis atuais, "muito menos" o esperado, disse, que aconselharia o Reino se preparar às mudanças climáticas além da meta de temperatura de longo prazo estabelecida no Acordo de Paris. A carta, divulgada após a OMM, Organização Meteorológica Mundial, confirmar que 2024 registrou aumento recorde de CO2 na atmosfera, gás, principal responsável pelas mudanças climáticas causadas pelo homem e liberado quando combustíveis fósseis são queimados, bem como outras atividades, a carta do CCC foi enviada pós solicitação de aconselhamento sobre cronograma à definição de cenários de adaptação, com base em "cenários climáticos mínimos". Instaram o governo inglês estabelecer estrutura de "objetivos claros de longo prazo" para evitar aumento adicional da temperatura, com metas a cada 5 anos e departamentos "claramente responsáveis" pelo cumprimento das metas, afirmando que poderá fornecer detalhes sobre possíveis "compensações" em maio de 2026 quando divulgar relatório descrevendo como o Reino Unido pode se adaptar às mudanças climáticas. O comitê divulgou relatório em abril de 2025 em que afirma que os preparativos no Reino Unido ao aumento das temperaturas estavam "lentos, estagnaram ou indo em direção equivocada", alertando que a falta de progresso deixa o país vulnerável a impactos econômicos e de saúde nas próximas décadas, de hospitais e casas de repouso a  abastecimento de alimentos e água, afirmando que os impactos das altas temperaturas já eram evidentes, por exemplo, escolas, ao citar resultados preliminares do Departamento de Educação que relata média de 1,7 dia de "superaquecimento extremo" bem como perda de tempo de aprendizagem devido ao calor.

Assinado em 2015, o Acordo de Paris viu 200 países se comprometerem tentar evitar que as temperaturas globais subissem mais de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais e a se manterem "abaixo" de 2 °C, com o CCC destacando em carta, que um nível de aquecimento global de 2°C teria impacto significativo no clima do Reino Unido com eventos extremos se tornando mais frequentes e generalizados. Segundo o CCC, o Reino Unido poderia esperar ondas de calor, secas e inundações mais intensas e que a temporada de incêndios florestais se estenderia ao outono, com a Baronesa Brown, presidente do Comitê de adaptação do CCC, afirmando à BBC que, "a população do Reino Unido já sofre os impactos das mudanças climáticas e devemos a elas nos preparar e auxiliá-las se preparar e a adaptação não está acompanhada do aumento no risco climático, concluindo que, "impactos  estão piorando e o governo precisa mais ambição". Criticou Kemi Badenoch, líder conservador, que prometeu descartar a legislação britânica sobre mudanças climáticas e substituí-la por estratégia à energia "barata e confiável", com a Baronesa classificando a promessa como "decepcionante" dizendo esperar que o líder conservador "reflita sobre o fato que a lei abrange adaptação e mitigação". O Reino Unido vivencia mudanças nos padrões decorrente mudanças climáticas com 4 ondas de calor confirmadas em 2025 e, que o Met Office, considerou o verão mais quente já registrado com cientistas descobrindo que verão tão quente ou mais que 2025 é 70 vezes mais provável que teria sido em clima "natural", sem emissões de gases efeito estufa induzidas pelo homem. Para concluir, O IPCC já tinha afirmado antes que níveis de CO2 estão em seu patamar mais alto em pelo menos 2 milhões de anos, com base em registros de longo prazo como sedimentos marinhos e núcleos de gelo, corroborado pela afrimação da OMM que, o aumento de CO2 na atmosfera entre 2023 e 2024 é o maior desde que medições modernas começaram na década de 1950, com o Met Office afirmando que o clima extremo é o novo normal do Reino Unido.

Moral da Nota: o presidente do Comitê Internacional do Prêmio Global de Energia, Rae Kwon Chung, disse que a Europa afirma redução de emissões, mas 'vaza' pegada de CO2 à Ásia, quer dizer, declarações de países europeus que reduziram emissão de carbono não são precisas, visto que transferiram parte da indústria à países como China e Coréia do Sul. A UE em 2024 importou 519 bilhões de euros da China e que os 3 maiores importadores foram Países Baixos, Alemanha e Itália, ao mesmo tempo, esclarece que, "a Europa diz que reduziu muito, na verdade não é redução, é substituição, vazamento à China, Coréia e reimportação, não podemos encarar isso como redução, apenas substituição, sem mudar nenhum estilo de vida". A ONU tenta "mobilizar compromisso político", mas não consegue, segundo Chung, ao "acreditar que é momento que não podemos simplesmente confiar em  abordagem de cima para baixo, com o governo tentando impor Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDC, de cima para baixo, já que aprendemos nas últimas 3 décadas que não funciona, precisamos de abordagem de baixo para cima, nunca considerando que engajamos consumidores e não criamos mudança sistemática no modo de engajá-los na partilha da responsabilidade, concluindo que, consumidores são deixados de lado como espectadores e excluídos, enquanto o consumidor for deixado de lado como espectador e excluído, nunca seremos capazes de resolver o problema". Declaração conjunta da China e UE reafirma importância que aborda problemas das mudanças climáticas concordando demonstrar liderança na transição ao desenvolvimento sustentável, reconhecendo que, o fortalecimento da cooperação em relação às mudanças climáticas "impacta o bem-estar dos povos de ambos os lados, de grande e especial importância à manutenção do multilateralismo e avanço da governança climática global".