sábado, 20 de junho de 2026

Tendências

Relatório mostra que o seguro deixou de ser requisito transacional para se tornar facilitador estratégico da bancabilidade, confiança do credor e mobilização de capital diante riscos, com a corretora Willis publicando Revisão do Mercado de Energia Renovável e descobrindo que o setor de energia renovável entra em fase de crescimento acelerado moldado pela inovação tecnológica, intensificando competição global e pressão geopolítica sobre segurança energética. Avalia que oportunidades se expandem com as complexidades por trás de projetos bem-sucedidos e, ao mercado de seguros, promove ambiente de subscrição exigente em contexto de forte desempenho em que seguradoras diversificam carteira alargando livro de energias renováveis. O hidrogênio verde, energia geotérmica de última geração e energia solar espacial, ou tecnologias inovadoras, estão mudando a narrativa sobre o possível cujo sucesso nas áreas renováveis depende cada vez mais da execução, ou, gerenciar complexidade, antecipação de riscos sistêmicos e alinhamento de estratégias de engenharia, finanças e seguros. Nos alerta que, a capacidade e forte concorrência impulsionam  abrandamento sustentado ao mercado das energias renováveis, sendo os riscos com bom desempenho e ricos em dados os que mais se beneficiam e, à 2026, tendências de preços indicam reduções entre 20-30% à riscos Nível 1, ou, contas de renda de prêmio grandes, limpas e bem projetadas e reduções de 10-15% para Nível 2, ou, renda de prêmio limpa, menor, e, para programas afetados por perdas a renovação depende do montante da perda. A urgência e valor estratégico da segurança energética via fontes de combustível diversificadas e renováveis tornam-se mais importantes às empresas e seus perfis de risco, no entanto, volatilidade geopolítica e eletrificação comprimem os cronogramas  na implantação de renováveis, valorizando escala, velocidade e certeza da entrega, em forças que aumentam dependência de fornecedores chineses que dominam a fabricação de equipamentos originais, particularmente tecnologias solares e baterias. A integração precoce da engenharia de risco, alocação clara de passivos e dados de desempenho confiáveis serão essenciais para desbloquear investimento e dimensionar a implantação, considerando que o risco passa de falhas isoladas de componentes à riscos de dependência sistêmica, com clara necessidade das empresas mapearem e gerirem prazos de recuperação, planeamento de contingência, bem como alinhamento entre aquisições, contratos e estruturas de seguros. Por fim, a Ásia define ritmo da transição energética global, respondendo por 74,2% das adições de capacidade renovável em 2025 e aumentando capacidade renovável instalada em 513,3 GW à 2.891 GW, ou, 56,1% da capacidade renovável global, no entanto, a rápida expansão asiática em energia solar, eólica, hidrelétrica, sistemas de armazenamento de energia em bateria, BESS, instalações híbridas e energia solar flutuante, aumenta a complexidade dos riscos, quer dizer, os projetos que alcançarão resultados mais fortes em 2026 serão os que puderem demonstrar dados transparentes, design técnico robusto, premissas de atraso confiáveis e alinhamento entre aquisições, contratos e transferência de riscos.

A reunião em Bonn preparativa à cúpula de novembro em Antalya, COP31, lança metas traçando caminho para reduzir emissões oriundas de energia, edifícios e resíduos,  evitando combustíveis fósseis e disputas financeiras que afundaram as últimas COPs, com isto, emergem clarezas sobre o que a presidência espera que a próxima cúpula climática da ONU realize, daí, eletrificação, redução de resíduos e eficiência energética em edifícios e construções. As metas visam que a eletricidade atenda 35% da demanda final de energia até 2035, aumento relativo 20% atuais, chamada de “35 por 35”, sseguida da redução pela metade do crescimento do lixo global até a mesma data, enquanto busca reduzir a intensidade energética dos edifícios em pelo menos um quarto, juntos, traça rumo em torno de setores entre as maiores fontes de emissões globais de gases efeito estufa, ou, construção civil que representa 37% do total global. Além dos objetivos principais, a Agenda de Ação da presidência da COP31, lança mais temas abrangendo segurança alimentar, oceanos, industrialização verde, juventude e educação e, de particular interesse à comunidade da saúde, os sistemas de saúde resilientes. As metas principais e o restante da Agenda de Ação, são definidas pela presidência e são objetivos políticos, não são resultados garantidos cujos países devem optar por adotá-las por iniciativa própria em Antalya e nas negociações formais para que as metas se tornem realidade. A cúpula de 2025 na Amazônia, COP30, cenário que deveria colocar o papel crucial das florestas tropicais no equilíbrio do clima global no centro das negociações, o Brasil apoiou com mais de 90 países, plano para deter e reverter o desmatamento, porém, nunca chegou à versão final com mais de 100 nações recusando-se a apoiá-lo. Em momento que o planeta se aproxima do limite de 1,5°C e que as negociações climáticas da ONU visam defender, vem à tona discussão de novas metas para Antalya com pesquisas científicas mostrando que o planeta caminha ultrapassar o 1,5ªC de Paris por volta de 2030. A meta de eletrificação foi concebida para manter o mundo em trajetória de 1,5°C, com base na modelagem da IRENA, Agência Internacional de Energia Renovável,no entanto, com os combustíveis fósseis respondendo ​​por 70% das emissões globais ausentes da agenda, a estratégia da presidência parece mais de controle de danos que correção de rumo.

Moral da Nota: o relatório anual Indicadores de Mudanças Climáticas diz que o aquecimento global causado pela ação humana atingiu 1,37°C em 2025 e emissões  alcançaram recorde de 56,8 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2024, enquanto análise separada divulgada em Bonn pela Climate Analytics, concluiu que o uso de combustíveis fósseis precisa ser reduzido pela metade até 2035 para que o limite de 1,5°C permaneça alcançável, observando que o crescimento das emissões de CO2 começou a desacelerar, mas, as emissões ainda estão aumentando. O ponto crucial das COP desde Paris, o dinheiro, não é abordado na agenda da presidência da COP31, sendo que estrutura conceitual divulgada em Bonn apresentou um “Acelerador de Implementação Global” e uma “Ponte de Implementação Climática” para acelerar a implementação de soluções climáticas, de coordenação, nenhuma delas é fundo, com a presidência especificando que nenhum dinheiro novo está sendo alocado. A meta de eletrificação conclui que a eletricidade deve aumentar 23% do consumo final de energia atualmente para 35% até 2035 e para mais de 50% até 2050, para se manter trajetória compatível com o limite de 1,5°C, considerando o fato que, por ser a mais barata e produzida localmente, protege famílias, bancos centrais e economias da volatilidade de mercados globais e choques geopolíticos. Precisamos saber que o mundo gera 2,1 bilhões de toneladas de resíduos sólidos/ano, número, que o PNUMA projeta subirá à 3,8 bilhões de toneladas até 2050, em cenário de manutenção do status quo, sendo que o acúmulo em aterros representa problema climático crescente e o lixo orgânico em decomposição, fonte humana de metano, um dos principais aceleradores do aquecimento global. Não custa relembrar que, o metano responde por quase 30% do aumento das temperaturas globais desde a Revolução Industrial, o desperdício alimentar responde por 10% das emissões globais, grande parte na forma de metano, gás 80 vezes mais potente que o CO2 em curto prazo, no entanto, o metano se decompõe na atmosfera em 12 anos, enquanto o CO2 leva séculos, reduzi-lo é considerado "freio de emergência" vital no aquecimento a curto prazo.