terça-feira, 23 de junho de 2026

Endemia

Definir doença biologicamente em detrimento ao conceito sindrômico, conjunto de sinais e sintomas, é padrão em áreas como oncologia e torna-se conceito unificador comum à doenças neurodegenerativas, não apenas Alzheimer, definida como processo biológico que começa com o aparecimento da alteração neuropatológica da Doença de Alzheimer, DA, ADNPC, enquanto o paciente está assintomático. Demência é termo geral ao declínio na capacidade mental suficientemente grave para interferir na vida diária, enquanto doença de Alzheimer é específica e causa mais comum de demência, daí, compreender sobre termos e diferença importa e capacita indivíduos que vivem com Alzheimer ou qualquer outra demência, famílias e cuidadores, com o conhecimento necessário, sendo que demência descreve grupo de sintomas associados ao declínio da memória, raciocínio ou habilidades de pensamento, com diferentes tipos e condições que a causam, como a demência mista, ou, condição na qual ocorrem alterações cerebrais de mais de um tipo de demência simultaneamente ao passo que a doença de Alzheimer é a causa mais comum respondendo por 60-80% dos casos. A demência não é parte normal do envelhecimento, causada por danos nas células cerebrais que afetam a capacidade de comunicação na expressão do pensamento, comportamento e sentimentos, daí, doença de Alzheimer é doença cerebral degenerativa causada por alterações cerebrais complexas pós danos celulares levando a sintomas que pioram gradualmente com o tempo, sendo que o sintoma inicial mais comum da doença de Alzheimer é a dificuldade de lembrar novas informações porque afeta primeiro a parte do cérebro associada à aprendizagem. À medida que avançam, os sintomas tornam-se mais graves e incluem desorientação, confusão e alterações de comportamento e, eventualmente, falar, engolir e andar tornam-se difíceis, embora o maior fator de risco conhecido à doença de Alzheimer seja o aumento da idade, portanto, a doença não é parte normal do envelhecimento embora a maioria das pessoas com Alzheimer tenham 65 anos ou mais e aproximadamente 200 mil americanos com menos de 65 anos vivem com doença de Alzheimer de início mais jovem. Biomarcadores Core 1 de mudança precoce, tomografia por emissão de pósitrons amilóide, PET, biomarcadores de líquido cefalorraquidiano aprovados e biomarcadores plasmáticos precisos especialmente tau 217 fosforilado, são mapeados na via beta amiloide ou na tauopatia da Doença de Alzheimer, DA, no entanto, refletem presença de ADNPC de forma mais geral em que biomarcador Core 1 é suficiente para estabelecer diagnóstico de DA e informar decisão clínica ao longo da evolução e biomarcadores Core 2 podem fornecer informações prognósticas e, quando anormais, aumentam a confiança que a DA está contribuindo aos sintomas.

A prevalência de demência específica por idade diminuiu em dois terços nos EUA entre 1984 a 2024, declínios inesperados e, em grande parte ignorados, ocorreram à taxa relativa de 2,5% a 3,0% ao ano durante 40 anos em 3 pesquisas nacionalmente representativas projetadas para estimar tais declínios, sem desaceleração no final do período de 40 anos e os estudos citados acima foram acompanhados por declínios correspondentes nas taxas de incidência de demência não apenas nos EUA, mas na Suécia, Holanda, Reino Unido e França. O Estudo dos EUA com 3.010 participantes descobriu que taxas de incidência de demência diminuíram em populações sucessivas, com 77% mais baixas aos nascidos entre 1932 e 1941 comparados aos nascidas entre 1902 e 1911, sendo que a Meta-análise de 49.202 indivíduos em estudos populacionais nos EUA e Europa descobriu que as taxas de incidência de demência diminuíram em 13% por década civil entre 1988 a 2015, daí, revisão sistemática de 14 estudos que examinaram mudanças nas taxas de incidência de demência ao longo do tempo descobriu que a maioria, não todos, estudos dos EUA e Europa relataram declínios. Algumas populações que apresentaram taxas de prevalência estáveis ​​ou crescentes, como Japão ou em indivíduos afro-americanos nos EUA, sugere necessidade de examinar amostras mais racialmente diversas, cujas taxas foram estimadas para 1984 e 2004 usando a Pesquisa Nacional de Cuidados de Longo Prazo, extrapoladas para 2024 a taxa média relativa de declínio de 2,7% ao ano ficando no meio do caminho entre taxas relativas de declínio de 2,5% e 3,0% ao ano estimadas entre 2000 e 2012 usando o Estudo de Saúde e Aposentadoria e 2011 a 2021 usando o Estudo Nacional de Tendências de Saúde e Envelhecimento. O declínio cumulativo foi de 67% nos 40 anos em prevalência padronizada por idade em 65 anos ou mais, assumindo que efeitos da COVID-19 na demência foram resolvidos até 2024, embora efeitos de longo prazo possam permanecer, mostrando taxas de prevalência de demência em declínio nos EUA por idade e ano inserida na porcentagem da população norte americana com demência por idade em 1984 vs 2004 com base em dados da Pesquisa Nacional de Cuidados de Longo Prazo, daí, aumentos de idade para 1984, 2004 e 2024 refletem efeitos conjuntos da idade e ano civil, não os aumentos realmente experimentados por qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos nascidos em determinado período civil.

Moral da Nota: a Comissão Lancet identifica 14 fatores de risco potenciais, 11 no início da vida, 0-17 anos, até a meia-idade, 18-64 anos, incluindo educação, perda auditiva, nível de colesterol de lipoproteína de baixa densidade, depressão, traumatismo craniano, inatividade física, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade, consumo de álcool e 3 no final da vida, 65 anos ou mais, incluindo isolamento social, poluição do ar e perda de visão. Dado o momento relativo à idade de 65 anos, fatores de risco iniciais e de meia-idade, por exemplo, deficiências nutricionais e traumas no início da vida na Depressão e Guerras Mundiais I e II, aumento dos níveis de educação, declínio do tabagismo, introdução de estatinas, uso de antidepressivos e melhor controle da hipertensão, podem responder ​​pela maioria das diferenças sendo que fatores adicionais podem incluir aumento do uso de vacinas à adultos, por exemplo, pneumonia ou herpes zoster, outros fatores, no entanto, aumentaram risco de demência ao longo do tempo, por exemplo, obesidade, diabetes e ooforectomia que pode ter atenuado declínios passados ​​e contribuir ao aumento das taxas de incidência no futuro. Limitações dos estudos incluem vieses de amostragem de pesquisa, averiguação imprecisa de demência e seus subtipos, mudanças nos critérios diagnósticos ao longo do tempo e incapacidade de determinar causalidade e, apesar dessas limitações, a similaridade das descobertas entre os estudos dos EUA e  Europa sugere que o declínio de 40 anos nas taxas de prevalência de demência específicas por idade nos EUA foi real e que foi principalmente fenômeno geracional.