segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Demência

Estudo determinou que o risco de desenvolver demência ao longo da vida é 2 vezes mais que estimativas anteriores, sendo a doença de Alzheimer causa comum de demência, publicado no Nature Medicine sugeriu que até 2060 o número de americanos com demência deve dobrar o risco estimado de desenvolver a doença ao longo da vida, comparado a estimativas anteriores. Projeções de demência trazem avisos, sugerem que os EUA precisam investir recursos no crescimento da força de trabalho de cuidadores visando atender necessidades futuras, paradoxalmente, esse número conta história de sucesso, quer dizer, graças a décadas de progresso social e médico, mais pessoas estão vivendo o suficiente para ter demência, no passado, teriam morrido de doenças cardiovasculares ou câncer mais precocemente, quer dizer, avanços na saúde atrasaram o início da doença à muitas pessoas. Michael Fang, epidemiologista da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health e autor do estudo, esclarece que muita coisa pode ser feita visando diminuir as chances de desenvolvimento da patologia dizendo  "se fizermos algo, há oportunidade e potencial para dobrar a curva", considerando que o  estudo não é o primeiro projetar que a demência está aumentando, no entanto, estimativas colocavam o risco vitalício em algum lugar entre 14 % e 23 %, sendo que a mais recente sugere que mais de 40 % dos americanos podem desenvolver a condição em algum momento de suas vidas, sendo que parte desse aumento pode ser explicada pelos partícipes do estudo, um quarto dos quais negros e nos EUA como um todo são 14 % negros. Kristine Yaffe, pesquisadora de demência da Universidade da Califórnia, São Francisco, diz que “há muitos artigos que mostram que pessoas não brancas têm maior risco de desenvolver demência” e, nos EUA, o maior risco às pessoas não brancas decorre do acesso mais precário a recursos que previnem a demência como educação de alta qualidade, alimentação saudável e locais seguros à atividade física, além de maiores taxas de tabagismo. Projeções de demência baseadas em dados de grupo racialmente mais diverso serão maiores que as baseadas em  grupo majoritariamente branco, como a maioria dos estudos anteriores, daí, o conjunto de participantes deste estudo não explica a totalidade ds projeções de risco atualizadas, com Josef Coresh, autor sênior do estudo e diretor fundador do Optimal Aging Institute da NYU Grossman School of Medicine, esclarecendo que 4% dos americanos de 75 anos têm alguma forma da doença e o risco aumenta nos anos seguintes, enquanto 20 % dos 85 anos têm demência e o risco continua a aumentar a cada ano. A Lancet Commission on Dementia recomenda ações específicas ao longo da vida para reduzir risco de demência sendo exercícios uma delas, além de mudanças no estilo de vida, medicamentos para tratar pressão alta e colesterol são úteis na redução do risco, ressaltando que, o estigma em torno do diagnóstico impede falar com os médicos quando percebem sinais de perda de memória considerando conscientização sobre medidas de prevenção da demência auxilia fazer boas escolhas dispensando cuidados avançados.

A Alzheimer's Association, AA, nos informa que doenças cerebrais degenerativas e demência estão aumentando nos 50 estados dos EUA e, à medida que a taxa de Alzheimer aumenta, mais estresse financeiro é colocado em programas de assistência médica, tendência que aumentará necessidade de cuidadores no país, estimando-se que 5,5 milhões de americanos estejam com a doença de Alzheimer, cujas estatísticas são divididas por idade e etnia e listadas da seguinte maneira, ou, 1 em cada 10 pessoas com 65 anos ou mais,10%, tem demência de Alzheimer, dois terços dos americanos com Alzheimer são mulheres, afro-americanos têm 2 vezes mais probabilidade de ter Alzheimer ou outra demência que brancos e hispânicos têm 1,5 mais probabilidade de apresentar Alzheimer ou outra demência que brancos. Outro número exposto pela AA, Alzheimer's Association, é que "alguém nos Estados Unidos desenvolve demência de Alzheimer a cada 66 segundos", quer dizer,  o estado com a maior taxa de Alzheimer é o Alasca enquanto casos da doença devem aumentar de 7.100 em 2017 à 11 mil em 2025,  aumento de 54,9%, decorrente ao crescimento projetado da população idosa do Alasca que aumentará à 35,6 % até 2025 estimando-se que 70.900 a 110 mil  pessoas terão 65 anos ou mais, com um pequeno detalhe que chama a atenção, o Alasca pode ter a maior taxa de Alzheimer, 54,9%, mas, tem a menor taxa de mortalidade pela doença, ou, 9,2 mortes por 100 mil pessoas, enquanto a taxa dos EUA é de 29 mortes por 100 mil, mais que o triplo da mortalidade projetada ao Alasca. O relatório da GlobalData, “Doença de Alzheimer, Previsão Epidemiológica para 2033”, revela que a China terá o maior número de casos prevalentes de Alzheimer com 10,4 milhões de casos, enquanto a Espanha o menor número, com 0,62 milhão de casos em 2033 considerando ainda que “em 2023, as mulheres foram mais afetadas que os homens, respondendo por 73% do total de casos prevalentes”, com estimativas da GlobalData que em 2023, 55% do total de casos prevalentes de Alzheimer foram leves e  16% do total de casos prevalentes foram graves. A expectativa de vida das mulheres é, em média, maior que a dos homens e, em parte, por essa razão as mulheres são mais propensas a desenvolver demência em algum momento de suas vidas, além de avanços médicos há menores taxas de tabagismo e uso excessivo de álcool, melhor qualidade do ar, tratamento aprimorado à depressão e outras mudanças na qualidade de vida que provavelmente explicam por que as pessoas que desenvolvem demência estão tendo mais tarde na vida que as pessoas que desenvolveram demência na década de 1970. A Lancet Commission on Dementia recomenda ações ao longo da vida para reduzir o risco de demência, como garantir que educação de boa qualidade esteja disponível à todos e incentivar atividades cognitivamente estimulantes na meia-idade, tornar aparelhos auditivos acessíveis às pessoas com perda auditiva e diminuir a exposição a ruídos nocivos, tratar depressão de forma eficaz, incentivar uso de capacetes e proteção à cabeça em esportes de contato e bicicletas, incentivar exercícios, reduzir tabagismo, prevenir, reduzir e tratar pressão alta, tratar colesterol alto durante e após a meia-idade, manter peso saudável e tratar obesidade o mais cedo possível, em parte para ajudar a prevenir o diabetes e reduzir o alto consumo de álcool, além de, priorizar ambientes e moradias comunitárias favoráveis ​​à idade e reduzir isolamento social facilitando participação em atividades e convivência com outras pessoas, tornar triagem e tratamento à perda de visão acessíveis à todos e reduzir exposição à poluição do ar

Moral da Nota: um dado curioso, descoberta na University of Gothenburg que recém-nascidos apresentam níveis elevados de um biomarcador para Alzheimer, quer dizer, recém-nascidos e pacientes com doença de Alzheimer compartilham característica biológica inesperada, ou, níveis elevados de um biomarcador conhecido para Alzheimer, visto, no estudo liderado da Universidade de Gotemburgo e publicado na Brain Communications. O primeiro autor Fernando Gonzalez-Ortiz e o autor sênior Professor Kaj Blennow relataram recentemente que tanto recém-nascidos quanto pacientes com Alzheimer apresentam níveis sanguíneos elevados da proteína chamada tau fosforilada, especificamente a forma chamada p-tau217, mostra-se elevada em recém-nascidos e pacientes com Alzheimer, utilizada como teste diagnóstico à doença de Alzheimer, onde se propõe que um aumento nos níveis sanguíneos de p-tau217 seja causado por outro processo, quer dizer, a agregação da proteína b-amiloide em placas amiloides, daí, recém-nascidos não apresentam esse tipo de alteração patológica, portanto, em recém-nascidos, o aumento da p-tau217 plasmática parece refletir mecanismo diferente e saudável. Estudo que envolveu pesquisadores na Suécia, Espanha e Austrália analisou amostras de sangue de mais de 400 indivíduos, incluindo recém-nascidos saudáveis, bebês prematuros, adultos jovens, adultos idosos e pessoas diagnosticadas com doença de Alzheimer e descobriram que recém-nascidos tinham os níveis mais altos de p-tau217, até mais altos que aqueles encontrados em doentes com Alzheimer, níveis eram particularmente elevados em bebês prematuros e começaram diminuir ao longo dos primeiros meses de vida eventualmente se estabilizando em padrões adultos. Enquanto na doença de Alzheimer a p-tau217 se associa à agregação de tau em aglomerados prejudiciais chamados emaranhados, que se acredita causarem quebra das células cerebrais e subsequente declínio cognitivo, em contraste, em recém-nascidos esse aumento na tau parece contribuir ao desenvolvimento saudável do cérebro ajudando neurônios crescer e formar conexões com outros neurônios, moldando a estrutura do cérebro jovem. O estudo revelou ainda que em bebês saudáveis ​​e prematuros os níveis de p-tau217 estavam ligados à precocidade do nascimento, quanto mais precoce o nascimento maiores os níveis dessa proteína sugerindo papel no suporte ao rápido crescimento cerebral em condições desafiadoras de desenvolvimento.

Saidera: a ONU em alerta sobre influências do crime organizado no aumento do uso de drogas no mundo através do Relatório Mundial sobre Drogas 2025, diz que 1 em cada 12 adictos no mundo obteve tratamento, mais de 500 mil pessoas morreram e 28 milhões de anos saudáveis de vida foram perdidos devido deficiências ou mortes prematuras registradas e, em 2021, 316 milhões de pessoas usaram alguma droga, à exceção de álcool e tabaco, 6% da população entre 15 e 64 anos em comparação com 5,2% registrados em 2013, enquanto cannabis permanece como a mais consumida com 244 milhões de usuários, seguida por opioides com 61 milhões, anfetaminas com 30,7 milhões, cocaína com 25 milhões e ecstasy com 21 milhões. O relatório alerta que o alto custo dos transtornos por uso de drogas em indivíduos, comunidades e sistemas de saúde, a rejeição ao multilateralismo e a realocação de recursos podem intensificar o problema e o custo de não enfrentar os transtornos por uso de drogas é alto, políticas e disponibilidade de serviços de saúde e sociais baseados em evidências “podem ajudar mitigar o impacto do uso na saúde das pessoas e comunidades”. Conclui que o uso, cultivo, tráfico de drogas e respostas políticas promulgadas para abordar as economias ilícitas de substâncias estão impactando no ambiente da Europa, com consequências potenciais do cultivo ou produção de drogas incluindo desmatamento e demais mudanças no uso da terra além de poluição do ar, do solo e da água, o que pode ser significativo em nível local.