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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Perdas Climáticas

Na Itália, riscos climáticos ameaçam consumir 6% do PIB, com a Deloitte nos avisando que "a capacidade de antecipar é agora, elemento da competitividade empresarial", quer dizer, prevê-se redução do PIB italiano entre 1,6% e 6% até 2050, danos diretos à infraestrutura de até 5 bilhões de euros/ano e custos incluindo efeitos indiretos podendo chegar a 18 bilhões de euros. Representa risco econômico e financeiro ao país que tende aumentar com a elevação das temperaturas, sendo que as estimativas são vistas no relatório "Risco Climático na Itália, de Cenários a Propostas de Intervenção", publicado pela Deloitte com Universidade de Milão, Universidade Ca' Foscari, Instituto Universitário Europeu e Ipsos-Doxa. Parecem conservadoras visto que estudos sugerem que ondas de calor no atual verão custaram à economia italiana 22 bilhões de euros, com o gerente geral da Deloitte Climate & Sustainability e o líder de ativação de mercado de transformação de tecnologia empresarial da GenAI, apresentando novos resultados, quer dizer, no verão, França, Alemanha, Itália, Espanha e sul da Inglaterra viram temperaturas entre 5 ºC e 12 °C acima da média sazonal, conforme análise da World Weather Attribution citada pelos especialistas. A OMM, Organização Meteorológica Mundial, informa que os últimos 11 anos foram os mais quentes registrados, 2024 e 2025, a temperatura média global deve se aproximar de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, enquanto a Europa aqueceu 2 vezes mais rápido que a média global e, a Itália, por conta de localização Mediterrânea, está entre os que experimentam aceleração mais forte da temperatura com projeções modelares da Deloitte convergindo a aumento de mais de 2°C em 10 anos comparados a era pré-industrial.

Em consequência, ondas de calor tornar-se-ão 4 a 5 vezes mais frequentes até 2030, comparadas aos níveis históricos aumentando à 30/58 dias/ano até 2050, no sul, períodos de seca teriam, em média, 2 meses consecutivos, afetando produção agrícola, custos do abastecimento de água industrial e estabilidade da irrigação, o detalhe, a seca será acompanhada por intensificação de eventos extremos criando duplo risco hidrológico. Daí, modelos econômicos estimam contração do PIB entre 1,6% e 6% até 2050, inserida em cenário climático comparado com situação sem danos, quer dizer, nos próximos 20 anos o impacto poderá reduzir o crescimento anual do PIB em 15% e, na ausência de danos climáticos, a probabilidade da dívida italiana ultrapassar 200% do PIB estaria entre 21% e 24% em cenários que incorporam danos, probabilidade que sobe à 39%/44%. As perdas seriam mais fortes na infraestrutura cujos danos diretos anuais aumentariam dos atuais 400 milhões de euros à 2 bilhões de euros em 2030 e 5 bilhões de euros em 2050, caso fossem considerados efeitos indiretos, o custo atingiria 11,5 a 18 bilhões de euros/ano até meados do século, sendo que a exposição afeta edifícios, infraestrutura energética,transportes e telecomunicações, pela crescente demanda por eletricidade ao se tornar mais vulnerável a temperaturas extremas. Por fim, na França, a EDF desligou reatores nucleares para evitar que a água de resfriamento, já aquecida pelas ondas de calor, danificasse o ecossistema fluvial pós utilização para resfriar reatores e devolvida aos rios, na Itália, especificamente na produção hidrelétrica, foram gerados 3.827 GWhou ou 23,7% a menos que no mesmo mês de 2025, quer dizer, menor disponibilidade de energia hidrelétrica levaria o mercado a depender de gás e carvão fósseis, expostos à instabilidade geopolítica. Enfim, em cenário de aumento de 4°C na média, deve se contrair a 8,9%, prejuízos estimados em 52 bilhões de euros e, com aumento de 2°C, as perdas seriam estimadas em 17 bilhões de euros, a conclusão disso é que, 34% das pequenas e médias empresas atribuem papel significativo ou central ao risco climático em sistemas de gestão, 14% adotam medidas de continuidade e resiliência e 10% implementam medidas de adaptação à infraestrutura e ativos físicos, enquanto 18% utilizam ferramentas digitais para gerenciar riscos climáticos, sendo que os investimentos estão focados no curto prazo, ou, 83% não ultrapassam o horizonte de 5 anos e 77% esperam gastar menos de 100 mil euros em 3 anos. O detalhe, cobertura de seguros predomina em vez de estratégias de integrar risco climático ao modelo de negócio, grandes empresas demonstram maior maturidade ao incorporar resiliência nos processos de decisão, IA pode contribuir, apesar de impactos ambientais, do consumo de energia e água, e, segundo a Deloitte, a aplicação na gestão de danos diretos à infraestrutura geraria economia global entre US$ 70 e US$ 110 bilhões/ano até 2050.

Moral da Nota: ministros do Meio Ambiente e Clima do BRICS apoiaram à presidência da Etiópia na 32a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP32, em Declaração Conjunta adotada na 12a Reunião de Ministros do Meio Ambiente’ do BRICS, em Nova Déli, 18 de agosto, sob a presidência indiana em 2026. A delegação etíope destaca Iniciativa Legado Verde nacional e esforços à promoção de proteção ambiental, resiliência climática e desenvolvimento sustentável, com a Embaixada etíope em Nova Déli, Índia, dizendo que o apoio reforçou papel do país na definição da agenda climática global, ao apresentar progressos no desenvolvimento florestal, restauração de terras e gestão sustentável enquanto se prepara para assumir a presidência da COP32. O BRICS acrescenta peso diplomático à liderança etíope no processo climático global, colocando iniciativas ambientais na estrutura de cooperação internacional, sendo que a reunião de ministros do meio ambiente, clima e representantes seniores dos estados membros do BRICS buscou promover cooperação em desafios ambientais compartilhados. Destaque à áreas incluindo, reflorestamento, gestão de incêndios florestais, estilos de vida sustentável e resiliência a desastres, economia circular e adaptação climática, adoção da Declaração Conjunta e lançamento de compêndios de conhecimento no âmbito do Grupo de Trabalho Ambiental do BRICS. Vale a nota que a preparação e resposta a incêndios florestais, bem como abordagens centradas em pessoas e comunidades à adaptação climática se baseiam no conhecimento tradicional destacando esforços em aprofundar cooperação ambiental e climática através do compartilhamento de conhecimento, inovação e capacitação. Por fim, o apoio do BRICS surge em momento estratégico, enquanto se prepara para assumir o comando da COP32 e colocar prioridades climáticas, necessidades de resiliência e aspirações de desenvolvimento da África em destaque na agenda global.