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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

NDC

Relatório do UN-Habitat mostrou número recorde de países que integram cidades, habitação e serviços urbanos nos planos nacionais de ação climática no âmbito do Acordo de Paris, intitulado, "Conteúdo Urbano nas NDCs 3.0: Cidades no Centro", constata que 80% das NDCs, Contribuições Nacionalmente Determinadas,apresentadas pelos países contêm medidas climáticas urbanas bem desenvolvidas, comparadas aos 49% registrados no ciclo anterior. Divulgada na 13ª sessão do Fórum Urbano Mundial, no Azerbaijão, examina 142 planos climáticos nacionais submetidos à COP, Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima até 15 de abril de 2026 e, segundo o relatório, governos cada vez mais reconhecem que, embora compromissos climáticos sejam em nível nacional, sua implementação ocorre nas cidades. O relatório mostra que 87% dos países incluem medidas de adaptação urbana nos planos climáticos, aumento, em relação aos 54% registrados em relatórios anteriores, que visam setores como infraestrutura, gestão de recursos hídricos, biodiversidade e proteção de ecossistemas. Acrescenta que países identificaram explicitamente riscos climáticos urbanos mostrando maior probabilidade de apresentar estratégias concretas de adaptação, sendo que, medidas de mitigação urbana apresentam crescimento, aparecendo em 83% dos planos climáticos submetidos, comparados aos 55% nos planos anteriores e focados em energia renovável,sistemas de transporte, eletrificação de veículos e gestão de resíduos. Observa que países de renda média vivenciando rápida urbanização lideram esforços de mitigação urbana enquanto países mais ricos integraram cidades de modo menos proeminente, apesar das fortes metas de redução de emissões em que habitação e assentamentos informais emergiram como prioridades climáticas, quase metade dos planos climáticos abordam questões como habitação resiliente, melhoria de favelas, segurança da posse da terra e comunidades urbanas seguras. O relatório afirma crescente atenção à habitação, refletindo reconhecimento global maior que mudanças climáticas e desafios habitacionais que se interligam, principalmente em regiões de rápida urbanização, vulneráveis ​​a desastres climáticos.

Ana cláudia Rossbach, Diretora Executiva do UN-Habitat, disse que cidades são fundamentais à ação climática global, ou, "as conclusões do relatório demonstram reconhecimento que compromissos climáticos devem ser cumpridos onde se vive, através de melhores moradias, infraestrutura robusta e comunidades mais resilientes". Vale a nota que o relatório identifica progressos na implementação climática com 4 em cada 5 países incluindo pelo menos uma estratégia para apoiar a ação climática urbana, no entanto, alerta que financiamento climático às cidades é insuficiente, já que, 19% dos planos apresentados tinham mecanismos específicos de financiamento urbano. O relatório analisa a questão regional mostrando progresso desigual no mundo, na Ásia, por exemplo, 77% dos planos climáticos submetidos tinham medidas urbanas bem desenvolvidas e com maior cobertura populacional urbana global, na Europa, observa que a proposta climática coletiva da UE reflete foco em cidades e governança multinível, sendo que o presidente designado da COP31 e Ministro do Meio Ambiente, Urbanização e Mudanças Climáticas da Turquia, Murat Kurum, afirma que cidades são cruciais à ação climática e resiliência, mencionando esforços de reconstrução urbana nacional pós terremoto e observando que meio milhão de casas foram construídas com padrões de eficiência energética e sustentabilidade ambiental e, conclui, “na COP31, queremos compartilhar a experiência com o mundo e ampliar soluções nas cidades à torná-las resilientes e sustentáveis”. Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, alertou que os novos planos climáticos colocam cidades no centro da implementação, ao dizer que, “é hora de passar das palavras no papel aos projetos concretos no mundo, sem ações locais, as metas climáticas globais serão impossíveis de alcançar”, já, o prefeito de Chefchaouen, Marrocos, e embaixador regional da GCoM à África, Mohamed Sefiani, destaca necessidade de apoio robusto aos governos locais, enfatizando que, "esses mecanismos urbanos são o que transformam a ambição climática em moradias mais seguras, infraestrutura mais forte, melhor transporte e serviços básicos mais confiáveis." O relatório conclui que mais de 50 países não haviam apresentado planos climáticos atualizados, descrevendo como oportunidade à fortalecer compromissos climáticos urbanos antes da COP31 programada para ser em Antalya, Turquia.

Moral da Nota: cientistas afirmam que dois terços da floresta amazônica podem se degradar, ou, ecossistemas semelhantes a savanas, com aquecimento global de 1,5 a 1,9°C, caso o desmatamento aumente à 22 a 28% do ecosistema amazônico, constatado por pesquisa do PIK, Instituto Potsdam à Pesquisa do Impacto Climático, que, sem desmatamento adicional, as mudanças em larga escala ocorreriam em níveis de aquecimento mais elevados, ou, em torno de 3,7ºC a 4°C. Nico Wunderling, cientista do PIK e principal autor do estudo, avalia que, “o desmatamento torna a Amazônia menos resiliente que o previsto, ressecando a atmosfera e enfraquecendo capacidade da floresta de gerar chuvas”, concluindo que, “mesmo aquecimento adicional moderado desencadearia impactos em cascata em grandes áreas da floresta”, considerando que, 17 % a 18% da floresta amazônica está perdida, colocando o ecossistema próximo da faixa crítica identificada no estudo. Fornece quantificação detalhada, até o momento, de, como o aquecimento global e o desmatamento impactam simultaneamente a estabilidade Amazônica, combinando projeções climáticas, modelagem hidrológica e abordagem de rede ao transporte de umidade atmosférica, com Arie Staal, professor assistente da Universidade de Utrecht, Holanda, coautor do estudo, dizendo que, “o desmatamento interrompe o transporte de umidade em uma área da Amazônia, daí,regiões inteiras a centenas ou até milhares de kms de distância podem perder resiliência devido efeitos em cascata da seca”, concluindo que, “o aquecimento global e o desmatamento afetam ciclos de precipitação no sistema amazônico”. Avalia que, uma das razões à degradação florestal é a capacidade de gerar parte de sua própria chuva, ou, até metade da precipitação provém da água reciclada pelas próprias árvores, enquanto na Amazônia as árvores liberam vapor de água na atmosfera que posteriormente retorna sob forma de chuva na bacia e, quando a floresta tropical é perdida, a reciclagem de umidade enfraquece, o estresse hídrico aumenta e outras regiões florestais tornam-se mais vulneráveis ​​à degradação. Cientistas enfatizam que interromper desmatamento e restaurar a cobertura florestal fortaleceria resiliência amazônica ao aquecimento inevitável, com Johan Rockstrom, diretor do PIK e coautor do estudo, avaliando que, “a floresta desempenhou papel vital na estabilização do sistema terrestre como sumidouro de carbono, reguladora da reciclagem da umidade e lar da mais rica biodiversidade terrestre do planeta, conclui que, o desmatamento contínuo mina a estabilidade, leva a floresta cada vez mais perto de um ponto de inflexão o que não seria apenas devastador à região, mas poderia ter consequências de longo alcance no planeta” e, termina, “essas mudanças não são inevitáveis e interromper o desmatamento com restauração ecológica de florestas degradadas e cortes rápidos nas emissões, pode reduzir os riscos”.