A Chevron foi alertada pela ONU que no projeto Gorgon o monitoramento independente por satélite detectou vazamento de metano emergindo de um dos maiores complexos de petróleo e gás da Austrália, com nuvens persistentes acima da usina de gás natural liquefeito, GNL, Gorgon da Chevron, na Ilha Barrow, na costa de Pilbara, Austrália Ocidental, captadas por 5 passagens consecutivas do satélite Tanager-1, novembro de 2025. Em fins de Agosto, registrou taxa média de emissão de 7,8 toneladas de metano por hora, equivalente a 51 automóveis movidos a gasolina conduzidos em um ano, ou, queima de mais de 110 mil kg de carvão, calculados através da ferramenta online da Agência de Proteção Ambiental dos EUA, US EPA, sendo que detecções repetidas, a mais recente, excedendo evento de "superemissor" segundo diretrizes da EPA dos EUA que levaram o alerta da ONU à Chevron. O metano, segundo a ONU, responde por 25% do aquecimento global, trata-se de gás efeito estufa 80 vezes mais prejudicial que o CO2, sendo que a Chevron confirmou que recebeu o alerta e trabalha com o Programa Ambiental da ONU, PNUMA, buscando solução ao problema, no entanto, porta-voz do PNUMA disse que não recebeu feedback formal da Chevron ou do governo australiano e que atualizaria dados disponíveis publicamente quando fizessem, sendo que a Chevron foi notificada sobre emissões de metano em Gorgon em Julho de 2025. Em comunicado disse que o monitoramento por satélite traz "ampla gama de incertezas", considerando que, "estamos interagindo com o PNUMA e buscando mais clareza sobre dados", com a ONG Carbon Mapper operando satélite como parte do Observatório Internacional de Emissões de Metano do PNUMA da qual a Austrália está listada como importante doador. Satélites monitoram emissões no mundo com site mostrando o projeto Gorgon da Chevron como maior emissor de metano, quer dizer, a Chevron é obrigada registrar emissões através do National Greenhouse and Energy Reporting Scheme com números publicados anualmente, no entanto, consultas à Agência Nacional de Proteção Ambiental foram encaminhadas de volta aos reguladores estaduais porque o metano está fora da aprovação federal de Gorgon. O governo australiano disse que não estava claro seu papel na gestão do possível vazamento, com o "Departamento de Regulação Hídrica e Ambiental informando ciência desses relatórios e os investiga para entender quais medidas de conformidade ou regulatórias são necessárias". O diretor executivo, Matthew Roberts, avisou que "níveis de governo estavam se comunicando e verificando onde está a responsabilidade" e, conclui, "aconteça o que acontecer, essa é uma infraestrutura de uma empresa privada que lucra com nossos recursos", a liberação de metano em alto volume contribui à histórico ambiental problemático em Gorgon, sendo que a elogiada tecnologia de captura e armazenamento de carbono do projeto teve desempenho drasticamente inferior desde o início das operações em 2016. Por fim, a Chevron informou que quantidade desconhecida de gás penetrou em 2025 na superfície da Ilha Barrow, relacionada a planta de processamento de gás na Ilha e a Chevron não confirmou causa das emissões de alto volume ou se foram interrompidas, com Louis Goddard, chefe de pesquisa da empresa britânica de investigação climática Data Desk, esclarecendo que níveis de gás efeito estufa ao redor da instalação eram "incomuns" e consistentes, sugerindo problema operacional, o que aqui ocorre "é desperdício de gás que fizeram de tudo para extrair". Luis Goddard e o Data Desk identificaram emissões como originárias ou próximas às unidades de remoção de gás ácido da Gorgon, que remove impurezas do gás natural, dizendo que, "são certamente maiores que algumas que veria em poços de petróleo e gás individuais em incidentes pontuais", sendo que o presidente do programa de engenharia química da Universidade da Austrália Ocidental, Bruce Norris, diz que, medições mais próximas eram necessárias, estimando com base nas 5 observações de satélite, algumas milhares de toneladas de metano poderiam ter vazado ao longo de um ano, comparando, investigação independente revelou que um tanque de GNL na fábrica da empresa em Darwin vazou uma média de 832 toneladas/ano em mais de uma década, concluindo, "qualquer evento não é extremamente significativo, mas, no geral, é mais sobre como as diferentes empresas e o governo estão se unindo para tentar fazer as medições".
Ainda no campo do petróleo, microplásticos envelhecidos aceleram degradação de medicamentos no tratamento de águas residuais, segundo a Sala de Imprensa da Academia Chinesa de Ciências, informando que a carbamazepina utilizada para tratar epilepsia e dor neuropática foi detectada em águas residuais e naturais através de processos de oxidação baseados em ultravioleta, degradando produtos farmacêuticos e ativando substâncias químicas como peroximonossulfato, peróxido de hidrogênio ou água oxigenada e cloro. Águas residuais contêm microplásticos, incluindo partículas de poliamida oriundas de tecidos e, à medida que essas partículas envelhecem, as superfícies se alteram e interagem com poluentes e produtos químicos de tratamento, com estudos anteriores relatando que os microplásticos podem tanto auxiliar quanto dificultar a degradação de poluentes, dependendo dos materiais envolvidos. O que não focou claro era como a poliamida envelhecida afeta a remoção da carbamazepina por diferentes oxidantes e, se os produtos resultantes apresentam riscos adicionais, com estudo publicado na New Contaminants em setembro de 2026 por Xiaohui Wang e Tingting Zhang, da Universidade de Tecnologia Química de Pequim, dizendo que o envelhecimento da poliamida aumentou taxas de degradação da carbamazepina e alterou quantidades de produtos de transformação tóxicos formados. Na busca por testar esses efeitos, pesquisadores adicionaram carbamazepina e partículas de poliamida envelhecidas a reatores de laboratório com luz ultravioleta e um dos 3 oxidantes, peróxido de hidrogênio ou água oxigenada, peroximonossulfato e cloro, daí, compararam cada configuração com tratamento sem microplásticos e mediram a carbamazepina ao longo de 2 horas calculando as constantes de taxa de degradação, sendo que a adição de poliamida envelhecida elevou as constantes à 0,36/hora e 1,8 vezes as taxas sem partículas. Quer dizer, o peroximonossulfato proporcionou degradação mais rápida, enquanto o cloro apresentou maior aumento relativo devido microplásticos, no entanto, usando ressonância paramagnética eletrônica e substâncias químicas que interceptam espécies reativas, a equipe investigou o que impulsionou as mudanças, daí, medições indicaram que o envelhecimento produziu radicais livres na superfície da poliamida e que as partículas envelhecidas aumentaram a formação de radicais hidroxila e oxigênio. A espectrometria de massa identificou 16 produtos de transformação no tratamento com peroximonossulfato e partículas envelhecidas, 14 no tratamento com peróxido de hidrogênio, água oxigenada, e 15 no tratamento com cloro, a partir daí, propuseram vias envolvendo hidroxilação, oxidação e alterações na estrutura da carbamazepina, sendo que partículas envelhecidas aumentaram taxas de reação e a abundância de certos produtos enquanto escolha o oxidante respondeu por diferenças nas vias de reação. Por fim, avaliação computacional previu que vários produtos seriam mais tóxicos à organismos aquáticos que o fármaco original e testes com constituintes comuns da água mostraram que o nitrato promoveu degradação da carbamazepina nos 3 sistemas, enquanto o bicarbonato e o ácido húmico a inibiram, daí, efeito do cloreto dependeu do sistema de tratamento e sua concentração. Em suma, os resultados demonstram por que taxas de remoção em laboratório, por si só, podem não prever desempenho de um processo em águas residuais com composição química diferente, sendo que o estudo sugere que microplásticos envelhecidos participam do tratamento baseado em ultravioleta, influenciando tanto rapidez que a carbamazepina desaparece quanto subprodutos que se acumulam, enquanto resultados sobre toxicidade são previsões, medir subprodutos e testar água tratada auxiliaria estabelecer a relevância prática e quanto ao tratamento de águas residuais, a principal lição é avaliar o destino do fármaco com o destino dos produtos de transformação.
Moral da Nota: o Los Angeles Times informou que cientistas de empresas químicas rastrearam riscos dos microplásticos conforme memorandos das empresas, afirmando que apenas começamos compreender o mal que minúsculos fragmentos de plástico que ingerimos, respiramos e bebemos causam ao organismo humano, com documentos de empresa química descobertos décadas atrás mostrando que cientistas vinculados ao setor tinham conhecimento e preocupação com o modo como microplásticos migram para além do intestino de animais experimentais e humanos, depositando-se em órgãos vitais. A questão nos leva a 1974 no Congresso Científico em Nova York com a apresentação de artigo científico de um gastroenterologista alemão demonstrando que, partículas ingeridas como microplásticos podiam infiltrar-se no organismo humano, fato ignorado por cientistas relacionados ao governo dos EUA, tornando-se ponto de discussão entre especialistas ligados a empresa em questão, com um executivo da corporação descrevendo a recepção da pesquisa como "história de terror". Daí, emerge o termo "microplásticos" ainda não cunhado à época, mas o cientista berlinense Gerhard Volkheimer demonstrou que minúsculos fragmentos de PVC quando ingeridos, podiam atravessar a parede intestinal de animais e viajar no sangue e linfa até o cérebro, fígado e outras partes do organismo, com Matthew Campen, professor de pesquisa farmacêutica na Universidade Novo México e pesquisador de microplásticos na saúde humana, dizendo que, o mesmo processo se aplica a qualquer partícula diminuta e impermeável, incluindo, polietileno, polipropileno e PET, sendo plásticos que dominam o mercado e microplásticos encontrados no corpo humano, em consequência, memorandos internos entre cientistas e executivos da empresa acessados pelo The Times, mostram que, por pelo menos 50 anos, a indústria de plásticos conhece e se preocupa com a potencial contaminação por microplásticos no organismo humano. Tracey Woodruff, professora de epidemiologia e saúde populacional da Universidade Stanford, analisando os documentos, disse que, indicam que cientistas e executivos de grandes empresas químicas sabiam do problema e, silenciaram, mesmo sabendo do acúmulo de microplásticos nos tecidos humanos comparando a situação a outras indústrias poluentes que conheciam como a de gases efeito estufa, amianto e tabaco, mas, não tomaram medidas para torná-los mais seguros. Por fim, o porta-voz da associação comercial da indústria química norte americana, Craig Davis, diretor sênior de química de plásticos do American Chemistry Council, contesta a caracterização, dizendo que, “o debate científico sobre que evidências mostram, não é silêncio, é assim que a ciência sólida e políticas eficazes avançam” e, conclui, “nossa indústria está comprometida com o avanço da ciência dos microplásticos, apoia pesquisas independentes e políticas que contribuam para isso”, afirma ainda que, o grupo comercial que pertence apoiou projeto de lei no Congresso que "aprimoraria métodos científicos e possibilitaria ciência 'padrão ouro'" sobre microplásticos, destaca financiamento da Iniciativa de Pesquisa e Inovação em Microplásticos, fundada em 2022 pelo Conselho Internacional de Associações Químicas. Darei pausa ao tema com posterior retorno, concluindo com o seguinte, em 1974, Irving Selikoff, toxicologista e médico da Escola de Medicina Mount Sinai, convocou reunião de toxicologistas, representantes sindicais, autoridades de saúde e executivos da indústria, organizada pela Academia de Ciências de Nova York, focada em tratar questão urgente no local de trabalho, quer dizer, 3 meses antes, um médico da BF Goodrich Co., fabricante de plásticos de PVC, identificou grupo de trabalhadores na fábrica no Kentucky que desenvolveu forma mortal de câncer de fígado, angiossarcoma, outros casos surgiram na Virgínia Ocidental, Pensilvânia e Nova York, com Agências federais e indústrias de plásticos e petroquímica se mobilizando para responder à situação, aqui, um detalhe, o Dr Irving Selikoff foi quem havia exposto os perigos do amianto uma década antes. Continuarei.