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sábado, 10 de outubro de 2026

Lagos

Existem mais de 100 milhões de lagos no planeta conforme estudo histórico em que  mudanças climáticas, poluição e superexploração, alteram tais corpos d'água, com Dianna Kopansky, da Unidade de Ecossistemas de Água Doce e Zonas Úmidas do Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA, dizendo que “hoje, alguns dos lagos mais conhecidos e importantes do mundo são sombra do que eram há algumas décadas”. Painel global de especialistas em clima constatou que mudanças climáticas desestabilizam o ciclo hidrológico, sistema ajustado que distribui água pelo mundo, sendo que o aumento das temperaturas intensifica evaporação e altera padrões de chuva, em alguns lugares, aumenta chances de secas que reduzem o nível dos lagos como na Cidade do Cabo, lar de 4,7 milhões de pessoas sem água. O PNUMA constatou que a bacia do Lago Turkuna, Quênia, sofrerá com o aumento das inundações nas próximas décadas, ameaçando os 15 milhões de pessoas que vivem nas margens, no entanto, em áreas montanhosas, o rápido aumento das temperaturas eleva riscos do que se conhece como inundações repentinas de lagos glaciais, potencialmente catastróficas, podendo ocorrer quando a camada de gelo que represa um lago de montanha, derrete, liberando cascatas de água encosta abaixo. Na Bolívia, o 2º maior lago, Poopó, foi reduzido a planície de sal árida pela combinação devastadora de desvios de água e mudanças climáticas e, apesar dos danos causados ​​pelas mudanças climáticas, humanos desviam suas águas mais do que podem responder em processo conhecido como superexploração, sendo o Mar de Aral, na Ásia Central, exemplo de declínio impulsionado pela irrigação, outrora o 4º maior lago do mundo que encolheu desde que os afluentes foram desviados na década de 1960. Relatório do PNUMA, 2024, e da ONU-Água, constatou que corpos d'água superficiais, incluindo lagos, diminuíram ou desapareceram em 364 bacias hidrográficas no mundo, quase 3% das bacias, estimando-se que 93,1 milhões de pessoas vivam nessas regiões.  No entanto, a subida das águas do Lago Kariba traz esperança às comunidades da Zâmbia e Zimbabuwe em que o aumento dos níveis dos reservatórios reaviva energia, meios de subsistência e vida selvagem ao longo do grande lago artificial pós uma década de chuvas irregulares e ondas de calor que devastaram os níveis do Kariba, em que novos fluxos do alto Zambeze elevam o reservatório. Construído na década de 1950 para gerar eletricidade, o Lago Kariba, na Zâmbia e Zimbábue apoia atividades como turismo, pesca e conservação, com  40 km de largura e 223 km de extensão, sendo o  maior lago criado pelo homem em volume e, na década de 2010, secas e ondas de calor fizeram com que os níveis de água se elevassem raramente e, em 2024, os níveis de água era 13 % do armazenamento utilizável à geração de eletricidade, medida usada no  Kariba porque a barragem é fonte de energia hidrelétrica ao Zimbábue e Zâmbia. Por fim, a Autoridade do Rio Zambeze, avalia que em 2026 houve aumento das águas do Lago Kariba devido fluxos da bacia hidrográfica superior do Zambeze chegando aos atuais  42,40 % do armazenamento utilizável à geração de eletricidade pela 1ª vez desde 2019.

O aquecimento climático afeta ecossistemas lacustres que alteram a temperatura da água e estratificação sazonal, com consequências à qualidade e funcionamento do ecossistema, considerando que o oxigênio em águas profundas é essencial à vida aquática e ciclagem de nutrientes podendo diminuir à medida que o aquecimento intensifica estratificação e reduz a mistura vertical enquanto atividade biológica consume oxigênio. O estudo aplica modelo de depleção de oxigênio, impulsionado pela dinâmica térmica de 3 modelos lacustres e 5 modelos climáticos projetando mudanças no oxigênio em águas profundas em 73 lagos distribuídos globalmente, de 2015 a 2099 e, sob cenário de mudanças climáticas extremas, a depleção de oxigênio será mais frequente e prolongada particularmente em lagos ricos em nutrientes onde muitos  experimentarão condições prolongadas de ausência de oxigênio. Vale a nota que lagos menos ricos em nutrientes apresentam reduções de oxigênio menores, porém, crescentes sugerindo que a redução de nutrientes pode ajudar manter as condições de oxigênio, embora o aquecimento contínuo aumente o estresse ecológico. Foram utilizados dados de 5 modelos climáticos gerais, MCGs, à simular regimes térmicos futuros e padrões de estratificação em lagos integrando modelo de depleção de Oxigênio em lagos e incorporando duração da estratificação e processos metabólicos impulsionados pela temperatura através de estrutura generalizada e validada, sendo essa estrutura de modelagem validada que permite projeções da dinâmica do Oxigênio em cada lago até fins do século XXI. Por exemplo, pesquisa da Agência Ambiental do Reino Unido mostra que existem meios de proteção do Lago Windermere à medida que o clima muda, analisando nutrientes como fósforo e nitrogênio que entram a partir de águas residuais e da terra e, em pequenas quantidades, é parte natural da vida do lago e, em concentrações altas, causam problemas. Usando modelagem computacional à entender como mudanças climáticas alteram quantidade e momento que os nutrientes chegam a Windermere e Esthwaite Water, pequeno lago que deságua no Windermere, nas próximas décadas e que diferentes tipos de ação podem ser feitos. A Agência avalia melhorias no modo como águas residuais são tratadas e o impacto positivo que gestores de terras e agricultores tem na redução do escoamento de nutrientes, na erosão dos solos e armazenamento seguro de estrume. 

Moral da Nota: a poluição, segundo especialistas, é ameaça crescente aos lagos e comunidades ao redor, sendo que o esgoto não tratado e escoamento agrícola, são particularmente problemáticos às pessoas e animais que vivem nos lagos, já que, além de introduzir patógenos e pesticidas, costumam conter fósforo e nitrogênio em níveis altos que podem matar peixes, alimentar proliferação de algas tóxicas e esgotar o oxigênio criando as chamadas zonas mortas, hostis à vida aquática. Por exemplo, no Lago Vitória, maior da África, um aumento repentino de bactérias deixou as águas verdes, ao mesmo tempo, aumento da evaporação, superexploração, aumento das chuvas e aquecimento das temperaturas, pioram a qualidade da água. O PNUMA monitora qualidade da água de 4 mil lagos no mundo, em que mais de um quarto está se tornando mais turvo, ou seja, água opaca e quase 15% apresentando aumento na matéria orgânica, sinais de poluição oriunda de cidades, fazendas e fábricas. Por fim, os lagos fornecem 90% da água doce superficial do planeta e com os rios que os alimentam, sustentam o modo de vida de milhões de pessoas, com especialistas sugerindo que promover a gestão integrada de recursos hídricos é processo de planejamento que equilibra o uso da água em diversos setores como indústria e agricultura, de modo melhorar a qualidade de vida sem comprometer a saúde dos ecossistemas a longo prazo. Pedem adoção de abordagem de gestão hídrica e controle da poluição em nível de bacia hidrográfica, envolvendo grupos locais e indígenas, setor privado, agricultores e  partes interessadas no enfrentamento dos desafios que enfrentam e investir no seu monitoramento e implementação de dados coletados, para que problemas como poluição possam ser detectados antes de atingirem níveis críticos. Vale lembrar que proteção dos lagos do mundo é parte da Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, acordo internacional para salvaguardar o mundo natural, exigindo que países conservem e restaurem 30% das águas interiores, incluindo lagos, até 2030, sendo que o Programa da ONU ao Meio Ambiente, PNUMA,ajuda países proteger, gerenciar e restaurar corpos de água doce, incluindo lagos.