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quinta-feira, 16 de julho de 2026

A Grécia

Um dos pontos mais quentes do mundo em termos de crise climática é a Grécia, dito, no relatório Lancet ao alertar que mortes relacionadas ao calor podem chegar a 2 mil por verão até 2040, já que o país enfrenta aumento de temperaturas, seca e doenças, considerando que verões no sudeste europeu tornam-se mais longos e opressivos a cada ano, nas cidades, zonas costeiras, regiões rurais e florestas, com calor persistente remodelando ritmos da vida quotidiana. Modelos climáticos à região indicam tendência à temperaturas acima do normal, impulsionadas por aquecimento oceânico e mecanismos climáticos globais como o El Nino que podem amplificar a anomalia térmica mundial, daí, o aumento constante nas temperaturas anuais observado nos últimos anos, com Christos Zerefos, chefe do Centro de Pesquisa em Física Atmosférica e Climatologia da Academia de Atenas, informando que, “o Mediterrâneo é lugar onde o sol não apenas brilha, mas, molda o clima, a vida e a cultura, luz, que começou queimar de modo que não conseguimos mais controlar, desde o verão de 2023, o planeta ultrapassou limite de 1,5 ºC  acima dos níveis pré-industriais, meta do Acordo de Paris”. Enfatiza que a Grécia não é apenas espectador da mudança, mas, “um dos pontos mais expostos do planeta, um dos mais críticos onde o aquecimento atinge duramente e sempre atinge primeiro os mais vulneráveis, ou, idosos, crianças, doentes crônicos e os que não podem se dar ao luxo de refugiar em um quarto fresco”, com pesquisadores da Academia de Atenas e professores da Universidade de Economia e Negócios trabalhando no Comitê de Estudo de Impactos das Mudanças Climáticas do Banco da Grécia, ao analisar dados de mortalidade das 13 regiões do país ao longo de 23 anos, 1999-2021, descobriram que “cada aumento de 1 ºC na temperatura máxima corresponde a aumento de 2% no excesso de mortalidade por causas naturais e 1,9% por doenças cardiovasculares, quer dizer, a morte está 2 dias atrasada como se a onda de calor contabilizasse suas vítimas ao seu próprio ritmo”, disse, o também Secretário-Geral da Academia de Atenas, observando que, a região da Ática apresenta maior sensibilidade. Emitiu alerta que “se a trajetória não mudar até 2040, espera-se que cada verão custe entre 1.400 e 2 mil vidas humanas adicionais, perda estimada em 5 a 8 bilhões de euros com base no valor estatístico europeu de uma vida, quer dizer, a natureza fala em números, somos obrigados a ouvir”, valendo dizer que, são alarmantes as conclusões da 3ª edição do relatório Lancet Countdown que documenta mudanças na saúde pública, coesão social e economia, ligadas à crise climática em 55 países da região europeia. Coloca quase toda a Grécia entre as zonas europeias com maior aumento na mortalidade relacionada ao calor na maior parte do país, quando são registadas mais de 120 mortes adicionais por milhão de habitantes/ano no período 2015-2024, comparados com a década 1991-2000, sendo que, Ática é particularmente atingida, em que, na maior parte da região, o número é de 100 a 109 mortes adicionais formando arco geográfico  envolvendo parte central da prefeitura e estendendo-se das fronteiras sudoeste com Coríntia em direção ao norte, passando pelos subúrbios e continuando até a Ática Oriental e Sudeste e se enquadrando na categoria mais alta com mais de 120 mortes. O relatório mostra que na Europa, 62.775 mortes foram atribuídas ao calor em 2024 com projeções indicando aumento até 2050 com a mortalidade relacionada ao calor aumentando em quase todas regiões estudadas e evidenciando os maiores aumentos no sul e sudeste europeu, não é por acaso, que os avisos de calor quadruplicaram nos últimos anos. Por fim, documenta o agravamento na Grécia das condições de seca,  experimentando até 2,5 meses de seca extrema/ano enquanto outras partes de Creta registram períodos de até 2 meses em Heraklion e Rethymno e um mês em Chania, sendo que no geral, na década de 2015-2024, 936 das 1.435 regiões europeias sofreram secas de verão de intensidade extrema ou excepcional enquanto 983 registraram durações mais longas comparadas à linha de base de 1981-2010. Acrescente-se consequências ao local de trabalho com horas perdidas devido ao estresse térmico reduzindo oferta de mão-de-obra em 24 horas por trabalhador e, por ano na Europa no período 2000-2023 comparados a 1965-1994, sendo vistos declínios acentuados na atividade laborativa registrados em Atenas, Ilhas Canárias e Chipre e no restante do continente o número de horas de exposição ao calor tornou insegura atividade física ligeira ou moderada. Enfim, aceleraram a propagação de doenças infecciosas transmitidas por mosquitos com a dengue aumentando 297% no período 2015-2024 comparados a 1981-2010, e 74% no Sul da Europa, além do vírus do Nilo Ocidental com 1.112 casos em 2025, acima da média da década anterior com tendência observada à chikungunya e Zika, também transmitidos por mosquitos. O relatório demonstra que os impactos se distribuem de forma desigual com famílias de baixa renda enfrentando maior risco de insegurança alimentar devido ondas de calor e seca, trabalhadores ao ar livre mais expostos ao estresse térmico,  maior exposição a incêndios florestais e menos acesso a espaços verdes, encerrando pela necessidade de transição à economia neutra em carbono, observando paradoxo em que ao mesmo tempo que o uso de renovável cresce, os subsídios aos fósseis aumentam em 2023 e 2024 respondendo à crise energética desencadeada pelas guerras, quer dizer, só em 2023, subsídios líquidos aos combustíveis fósseis ultrapassaram 10% dos gastos nacionais com saúde em 12 países europeus e ultrapassando orçamentos inteiros à saúde em 4 deles.

Estudo climático classifica os gregos entre os países mais vulneráveis ao calor da Europa, prevendo ondas de calor mais longas e frequentes à medida que o aquecimento global acelera no continente, esperando-se que o país tenha experiências cada vez mais frequentes e ondas de calor prolongadas até  fins do século e, o estudo  da Reinders Corporation classifica a Grécia em 7º lugar na Europa em termos de vulnerabilidade às ondas de calor, sublinhando impacto das alterações climáticas no sul da Europa. Estima que o país enfrentará média de 2 grandes ondas de calor/ano até 2100, cada uma levando cerca de 20 dias com temperaturas médias de 36,92°C, embora esteja no topo da lista, a pontuação geral é moderada por intensidade de temperatura menor comparada às ondas de calor projetadas à Europa Oriental e Rússia, sendo que a Reinders Corporation analisou dados de modelagem climática à todas nações europeias, avaliando frequência de ondas de calor, duração cumulativa e temperaturas médias, fatores, combinados em pontuação única de vulnerabilidade identificando 10 países europeus que serão mais duramente atingidos por calor extremo nas próximas décadas. Daí, a observação que a França lidera a lista com pontuação de vulnerabilidade mais elevada, seguida por Rússia, Romênia, Moldávia, Bulgária e Turquia, ao passo que a pontuação grega de 58,38 coloca-a à frente de países como Ucrânia, Geórgia e Itália, enquanto na Europa Oriental surgem Romênia, Moldávia e Bulgária classificadas entre as 5 primeiras, destacando que, embora a Grécia tenha uma das maiores durações de ondas de calor, projetadas temperaturas médias mais baixas a mantêm na faixa intermediária entre nações mais vulneráveis da Europa, aparecendo em 7º no ranking com, Gerrit Jan Reinders, CEO e especialista em dados climáticos da Reinders Corporation, esclarecendo que, “apesar de ter a 2ª maior duração de onda de calor a intensidade da Grécia é menor que a esperada na Europa Oriental e Rússia.” Vale a nota que sinais de alerta da aceleração das alterações climáticas são visíveis no mundo, por exemplo, atrasos sazonais incomuns e mudanças ecológicas, na última nevasca no Monte Fuji, Japão, e o aparecimento sem precedentes de mosquitos na Islândia, com o estudo concluindo que, a gravidade da onda de calor resulta do efeito combinado de frequência, duração e intensidade da temperatura, não de um único fator e, à medida que a Grécia aquece, investigadores alertam que o país deve se preparar para desafios ambientais, econômicos e de saúde pública ao longo do século XXI.

Moral da Nota: o ano de 1987 é considerado por onda de calor implacável que ceifou mais de 1.300 vidas na Grécia, daí, o país como grande parte do mundo, enfrenta consequências das alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite. A Grécia traz de volta memórias de um desastre que marcou a nação há quase 4 décadas, ou, a onda de calor mortal de julho de 1987 que por 9 dias, de 20 a 28 de julho, as temperaturas ultrapassaram 40°C transformando cidades gregas em fornos e casas em armadilhas, um período com um dos desastres naturais mais mortais da história moderna nacional, 1.300 mortes, em sua maioria idosos, pobres ou vulneráveis, que morreram silenciosamente, muitas vezes só, em apartamentos sufocantes, sem ar condicionado ou acesso a cuidados básicos de saúde, naquela época, o ar condicionado doméstico era luxo, não norma, infraestrutura pública despreparada e, a conscientização climática, nos primórdios. Relatório da TA NEA em 22 de julho de 1987 informava que o serviço meteorológico não previu nenhum alívio imediato, dizendo que, “a onda de calor contribuiu à morte de 4 pessoas, 2 em Atenas e 2 em Volos, todas sofrendo problemas cardíacos, outros, na maioria idosos, foram hospitalizados com problemas cardiorrespiratórios”. Os necrotérios atingiram capacidade máxima em poucos dias, funerárias não conseguiram acompanhar, com o relatório esclarecendo que, “um problema surgiu e espera-se que cresça nos próximos dias”, concluindo que, “necrotérios dos hospitais estão lotados e questões similares são relatadas em necrotérios por todo o país.” Avalia que “o único tema de conversa hoje em dia é o calor insuportável e implacável, as outras questões foram deixadas de lado, mais uma vez, a Grécia ganha medalha de ouro, não no atletismo, mas, na desorganização, o país revela-se  despreparado à qualquer tipo de desastre natural, em muitas áreas, nem mesmo água encanada estava disponível.” Enfim, na década de 1980, os gregos estavam começando entender o custo ambiental da rápida urbanização, da disseminação descontrolada do concreto, poluição sufocante, ausência de espaços verdes, no entanto, nos anos que se seguiram, pouca coisa mudou, os avisos não foram ouvidos, sendo que hoje, a Grécia como grande parte do mundo enfrenta alterações climáticas, ou, ondas de calor mais frequentes e intensas, épocas de incêndios florestais mais longos, padrões climáticos imprevisíveis e cidades vulneráveis no limite.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Ondas de Calor

O climatologista francês Christophe Cassou, em entrevista à AFP, esclarece que  ondas de calor que ocorrem em fins da primavera e início do verão correm risco de produzir efeitos mais extensos que as ondas clássicas de julho e agosto, chamando a atenção ao fato de temperaturas elevadas como as registradas na Europa Ocidental no fim de Maio demonstraram mais uma vez vulnerabilidade da sociedade e ecossistemas às alterações climáticas. Diretor de pesquisa do CNRS, Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, um dos autores do próximo relatório do IPCC, acredita que o impacto dos episódios iniciais pode ser maior que o de ondas de calor mais intensas produzidas no meio do verão e, segundo o climatologista, o motivo é que tais episódios ocorrem em período que a atividade econômica está em plena capacidade e a maior parte da população não está de férias. Esclarece que, "as pessoas estão trabalhando diretamente expostas às altas temperaturas", explicou, além disso, os efeitos econômicos são consideráveis, já que, temperaturas extremas reduzem produtividade, especialmente construção, agricultura, indústria e campos, realizados ao ar livre ou em espaços insuficientemente climatizados". Alerta que o final da primavera representa um dos períodos mais sensíveis do ciclo biológico das plantas e animais, nesta fase, ocorre intenso desenvolvimento da vegetação com frutas e culturas agrícolas em processo de formação, daí, temperaturas excessivas e falta de água afetam as culturas antes que atinjam a maturidade, quer dizer, "estamos em momento sensível do ciclo fenológico, com o crescimento das plantas no auge e os frutos que serão colhidos no verão estão na fase de formação", explicou. Espécies marinhas como mexilhões, ostras ou caracóis, são afetadas pelo rápido aquecimento do mar enquanto espécies de aves passam pelo período de reprodução e criação dos filhotes que as torna particularmente vulneráveis, chama atenção a aceleração da secagem do solo e, conforme dados fornecidos pela Meteo-France, em fins de maio de 2026 os solos na França estavam entre os 10% mais secos registrados neste período do ano, com demanda por água alta no desenvolvimento das culturas e déficits de umidade podendo afetar a produção agrícola. Por fim, o centista alerta que as sociedades europeias continuam reagir aos efeitos que já ocorreram e não antecipar fenômenos futuros, quer dizer, "estamos na lógica de gestão de crises, correndo atrás dos efeitos das mudanças climáticas e não preparando suficientemente a sociedade ao que está por vir", acredita que adaptação deve partir de cenários extremos, incluindo possibilidade de temperaturas de 50 ºC nas principais cidades europeias seguidas de medidas à reduzir vulnerabilidades. Para o climatologista o grande desafio não é apenas reduzir emissões de gases efeito estufa, mas, preparar as sociedades à que temperaturas extremas ocorram com frequência afetando simultanemente saúde da população, agricultura, economia e ecossistemas naturais.

Neste contexto, estudo alerta que ondas de calor extremas estão atingindo níveis de estresse térmico incompatíveis com a sobrevivência humana, com cientistas concluindo que as ondas de calor são mais letais que se estimava e pedem novas estratégias de adaptação urbana. O calor extremo está matando mais pessoas que as estatísticas indicam, quer dizer, um novo estudo alerta ao verdadeiro risco das ondas de calor que se tornaram ameaças climáticas mais mortais no século XXI, no entanto, a maioria dos sistemas de alerta, planos de emergência e estatísticas podem subestimar seu  impacto na saúde humana. Pesquisa liderada pela Universidade Estadual do Arizona analisou eventos de calor extremo mais severos entre 2003 e 2024 e descobriram realidade incômoda, ou, muitas das condições consideradas "suportáveis" pelos modelos tradicionais podem ser letais à milhões de pessoas, já que, durante décadas, grande parte da avaliação de riscos foi baseada na temperatura do ar, no entanto, o corpo humano não percebe apenas a temperatura mostrada no termômetro, daí, umidade, radiação solar, velocidade do vento, duração da exposição e roupas, influenciam a capacidade do corpo de dissipar calor. Daí, a premissa que, 2 lugares com a mesma temperatura podem apresentar níveis de perigo diferentes, por essa razão, utilizaram modelo fisiológico mais avançado que incorpora capacidade real do corpo humano de transpirar e se resfriar, sendo que o resultado surpreende, ou, tanto ambientes úmidos quanto extremamente secos podem atingir níveis incompatíveis com a sobrevivência, desafiando conceitos aceitos sobre limites fisiológicos dos seres humanos diante o calor extremo. Um dos aspectos mais preocupantes identificados pelos pesquisadores é o aumento das temperaturas noturnas, já que, as noites ofereciam período de recuperação pós horas mais quentes durante o dia, hoje, em muitas áreas urbanas, esse alívio térmico desaparece e as cidades acumulam calor no asfalto, nos edifícios e em outras superfícies impermeáveis em fenômeno conhecido como ilha de calor urbana, que faz com que as temperaturas noturnas não caiam e, como resultado, o corpo humano não se recupera adequadamente do estresse térmico acumulado durante o dia e, a combinação de mudanças climáticas e expansão urbana, intensifica o problema em áreas metropolitanas da Europa, América Latina, Oriente Médio e Ásia. Por fim, o estudo confirma algo que os profissionais de saúde observam há anos, ou, o calor não afeta todas as pessoas do mesmo modo, com o passar dos anos, o corpo perde parte da capacidade de regular a temperatura corporal e a produção de suor diminui, a circulação sanguínea torna-se menos eficiente e a sensação de sede pode diminuir, por essa razão, condições que a pessoa jovem suporta por algumas horas podem se tornar crítica para alguém com mais de 65 anos, piorando por problemas cardiovasculares, renais, diabetes ou medicamentos que alteram a regulação térmica. Cidades como Barcelona, ​​Paris, Singapura e Medellín desenvolvem estratégias para reduzir a exposição dos habitantes ao calor extremo, sendo que o planejamento urbano sustentável e a expansão das renováveis ​​estão surgindo como ferramentas para romper essa dinâmica, focadas no perigo das ondas de calor, vulnerabilidade dos idosos, noites tropicais mais frequentes, ilhas de calor urbanas, subnotificação das mortes relacionadas ao calor, avanço das mudanças climáticas e necessidade de sombreamento urbano e adaptação climática como prioridades urgentes.

Moral da Nota: o calor combinado a poluição do ar é emergência de saúde que requer novas abordagens médica, com estações de calor se prolongando e intensificando, em Lahore, Paquistão, por exemplo, 46°C em junho fica ainda mais quente pela umidade urbana, com Muskan Fatima, do corpo docente da Faculdade de Medicina e Odontologia Rahbar, Paquistão, dizendo que pacientes podem chegar sentindo-se fracos, letárgicos e doloridos, pele úmida ou febre e que “pacientes com exaustão pelo calor são comuns aqui”. São mencionadas deficiências de vitaminas e “quando investigado o histórico mostra longas horas de trabalho em cozinhas sob o sol ou em fábricas próximas de fontes de calor” e, além do calor e umidade, Lahore sofre com altos níveis de poluição do tráfego, indústrias e queimadas agrícolas, com migrantes de áreas rurais do Paquistão especialmente sensíveis à poeira urbana e, conclui, desenvolvem bronquite, asma ou falta de ar, mais frequente devido as condições preexistentes. Embora o ar-condicionado seja essencial há muito tempo às unidades de saúde onde  trabalhou, outras regiões são mais novas nos desafios de manter condições de trabalho seguras, com OMS e OMM destacando em relatório a proteção de trabalhadores contra estresse térmico, com Médicos no mundo descobrindo necessidade de estarem preparados às consequências do calor e poluição à saúde, agora, observadas fora dos países tradicionalmente mais quentes. Annette Peters, do Instituto de Epidemiologia do Centro Alemão de Pesquisa em Saúde Ambiental, diz que, os poluentes como o CO2 e metano retêm calor próximo da superfície da Terra, embora o dióxido de enxofre, SO2, tenha efeito de resfriamento, o carbono negro, fuligem, aquece o planeta ao absorver a radiação solar e, no calor extremo, produzem Ozônio troposférico, por exemplo, a poluição por Ozônio se associa a ataques de asma mais frequentes e mortes por causas respiratórias. Lorna Powell, médica de pronto-socorro em Londres, esclarece que, crianças respiram mais rápido em climas quentes para tentar se manterem frescas, se a asma desencadear em ambiente poluído terão mais dificuldade, ao passo que poluição do ar se associa a frequências cardíacas e pressão arterial mais altas, torna mais vulneráveis ao calor pessoas expostas, considerando que, temperaturas corporais mais altas agravam danos causados ​​por poluentes e, em climas quentes, a pele fica mais permeável permitindo absorção mais fácil, daí, alergenos são mais abundantes e intensos quando o calor e poluição do ar coexistem. Para concluir, a ventilação inadequada limita a capacidade das famílias movimentar o ar frio para dentro ou o ar poluído para fora, seja ar poluído de ambientes internos ou externos, as instalações médicas também são afetadas, na Noruega, onda de calor longa que, segundo médicos, é pelo menos 10 vezes mais provável hoje devido às mudanças climáticas, em julho de 2025, levou ao aumento de internações hospitalares e à dificuldade de manter prédios refrigerados, cancelando cirurgias por 2 semanas de onda de calor, nas salas de parto, parturientes foram encaminhadas para outros hospitais. Associado a poluição do ar, o estresse por calor afeta cognição e, na onda de calor norueguesa, os "enfermeiros estavam preocupados por terem que trabalhar em condições muito quentes e serem responsáveis ​​pela saúde e vida das pessoas, com Amalie Skalevag, cientista climática do Instituto Meteorológico Norueguês, concluindo que, "é desafiador tomar decisões críticas nessas condições de trabalho".

sábado, 6 de setembro de 2025

Declínio das Bananas

Bananas são a fruta mais consumida e a 4ª cultura alimentar mais importante do mundo depois do trigo, arroz e milho, com mais de 400 milhões de pessoas dependendo da cultura entre 15/27 %  da ingestão calórica diária, no entanto, essa fonte alimentar está sob risco, com relatório da Christian Aid, organização humanitária do Reino Unido, alertando que a cultura da banana enfrenta ameaças devido mudanças climáticas colocando em risco meios de subsistência locais e segurança alimentar. Regiões produtoras como a Guatemala mostram visíveis impactos das mudanças climáticas com produtores testemunhando como  padrões climáticos erráticos e o aumento das temperaturas devastam suas outrora resilientes plantações de banana, no passado, previa-se que a morte da cultura por alterações do clima aconteceria no futuro, mas, acontece antes, levando a incerteza se vai piorar e levar à perda de plantações inteiras, valendo considerar que a questão não é só da Guatemala mas dos países exportadores incluindo Colômbia, Costa Rica, Brasil e Índia prevendo-se  declínios na produtividade até 2050 com redução potencial de 60% nas terras adequadas ao cultivo de frutas até 2080.  Grande parte das bananas cultivadas para exportação pertence a variedade, Cavendish, embora de alto rendimento, é geneticamente uniforme e vulnerável a doenças e extremos climáticos com o Paquistão, embora não seja grande exportador global, é produtor regional, em Sindh e Baluchistão, além de regiões costeiras e, ao sul de Sindh, Thatta, Badin, Tando Allahyar, Matyari, Shaheed Benazirabad, Muhammad Khan e Khairpur, são áreas tradicionais de cultivo de banana, no entanto, o setor bananeiro paquistanês, especialmente Lasbela Baluchistão, está sob ameaça devido ao aumento das temperaturas, chuvas irregulares, escassez de água, inundações e degradação do solo. Caso as tendências climáticas continuem a produção de banana do Paquistão deverá sofrer declínio ameaçando segurança alimentar,  meios de subsistência dos agricultores e mercados regionais de frutas, já que, nos últimos anos, eventos climáticos extremos, ondas de calor, chuvas fora de época e períodos de seca prolongados, danificaram plantações afetando produtividade com aumento dos ataques de pragas e fungos. Daí, agricultores paquistaneses relatarem custos mais altos de insumos, especialmente água, fertilizantes e controle de doenças, colocando pressão sobre pequenos produtores, já vulneráveis, enquanto globalmente e localmente as doenças fúngicas tornam-se preocupação, uma dessas doenças, a Black Leaf Streak conhecida como Sigatoka Negra reduz a capacidade fotossintética das bananeiras em  80% afetando a produtividade, prosperando em condições úmidas que se tornam mais comuns devido  padrões climáticos induzidos pelo clima. A doença do Panamá na variante Tropical Race 4, transmitida pelo solo, devasta, porque, uma vez que infecta um campo, o cultivo de banana torna-se quase impossível, sendo que a  variedade Cavendish, predominante em fazendas paquistanesas pelo apelo comercial, é  suscetível a essa doença, caso persistam tendências atuais, a produção de banana do Paquistão deverá declinar ameaçando segurança alimentar,  meios de subsistência dos agricultores e mercados regionais de frutas. 

Considerando efeitos do clima, especialistas alertam que Basra, no Iraque, corre risco de tornar-se inabitável decorrente agravamento da crise climática, com Chebayesh, cidade próxima, foi reduzida de pântanos a riachos rasos cercados por terra seca, mesmo Basra, rica em petróleo,  é cidade portuária fundamental no sul do país, estrategicamente posicionada na cabeceira da hidrovia Shatt al-Arab,  localização única estabelecida historicamente como centro vital ao comércio, intercâmbio cultural e atividade militar, conectando rotas terrestres e marítimas pela região, no entanto, mudanças climáticas ameaçam a vida urbana com especialistas alertando que condições climáticas  podem tornar a cidade inabitável nas próximas décadas. Na Era de ouro islâmica, Basra floresceu como centro acadêmico de poetas e comerciantes contribuindo aos avanços na ciência e literatura além de servir como elo ao longo da antiga Rota da Seda, enquanto nos tempos contemporâneos a economia de Basra é moldada pelas reservas de petróleo tornando-a economicamente das mais importantes do Iraque, enfrentando agora, grave crise ambiental marcada por calor extremo, salinidade da água perigosamente alta e colapso agrícola generalizado.  A localização geográfica de Basra no sudeste do Iraque, confluência dos rios Tigre e Eufrates que convergem para formar a hidrovia Shatt al-Arab, define seu destino hidrológico, e, como província oriental do Iraque é dependente e  suscetível a mudanças no fluxo e qualidade da água a montante, incluindo reduções nas chuvas induzidas pelo clima e aumento da evaporação, além dos impactos diretos de projetos de represas e desvios realizados por estados ribeirinhos como Turquia, Síria e Irã. O efeito cumulativo das ações a montante agravado pela redução do aporte de água doce, amplifica a questão da intrusão de água salgada do Golfo Pérsico tornando a crise hídrica de Basra consequência das políticas hídricas transfronteiriças e competição por recursos, além do clima subtropical caracterizado por condições quentes e secas, quer dizer, verões muito longos, sufocantes, secos e tipicamente claros estendendo-se por mais de 4 meses, aproximadamente de maio a setembro, período em que as temperaturas médias diárias excedem 40,5 º C, podendo chegar a 49,4º C em julho. Atualmente Basra enfrenta ondas de calor com temperaturas de 53 º C, particularmente próximo de campos de petróleo que agem como "centros de calor" localizados acelerando efeitos das mudanças climáticas, neste contexto, enfrenta crise hídrica profunda e crescente com redução dos fluxos dos rios Tigre e Eufrates e declínio dos níveis das águas subterrâneas com precipitação média anual devendo diminuir 9% até 2050, agravando mais déficit hídrico, além dos níveis de salinidade em Shatt al-Arab com concentrações excedendo 30 mil sólidos dissolvidos totais, SDT,  aproximadamente metade da salinidade da água do mar.  Por fim, a cidade enfrenta mais de 100 dias de poeira/ano, aumento atribuído à desertificação, perda de áreas verdes  e  mudanças nos padrões sazonais de vento, em 2022, enfrentou 200 dias de poeira mais que o dobro da média anual observada nas décadas de 1980 e 1990, indicando tendência de aumento com Modelos climáticos do IPCC projetando que a temperatura da superfície terrestre do Iraque aumentará 2,8 º C em cenário de baixas emissões e 5,6 º C em cenário de altas emissões até o fins do século, comparado a níveis pré-industriais.

Moral da Nota:  relatório "State of the UK Climate" do Met Office indica que o clima escaldante que o Reino Unido experimenta pode tornar-se "o novo normal" despertando preocupações sobre mudanças climáticas e, conforme o  Met Office, mudanças nos padrões climáticos do Reino Unido significam experienciar clima "notavelmente diferente" com mais dias  quentes, menos noites frias, com meteorologistas afirmando que ondas de calor e períodos de inundação ou seca tornar-se-ão mais frequentes e intensos enquanto o cientista climático do Met Office e principal autor do relatório afirma que  "cada ano que passa é mais um passo na trajetória de aquecimento do clima, com observações mostrando que o clima no Reino Unido agora é diferente do que era há algumas décadas" concluindo que, "recordes são quebrados com  frequência, pois os extremos de temperatura e precipitação são os mais afetados pelas mudanças climáticas." A frequência crescente de ondas de calor e inundações aumenta temores sobre saúde, infraestrutura e como a sociedade funciona em dias mais quentes que aumentaram em frequência e gravidade, enquanto períodos de chuva se intensificam segundo dados de estações meteorológicas, além de ondas de calor e inundações que levam a mortes e danos são "preocupação" à saúde, infraestrutura e funcionamento da sociedade. Os registros meteorológicos comparados com décadas atrás, como resultado da poluição de carbono emitida pela queima de combustíveis fósseis, mostram que o número de dias com temperaturas 5 °C acima da média entre 1961 e 1990 dobrou nos últimos 10 anos, à  8 °C acima da média triplicou e, à 10 °C acima da média, quadruplicou, com o Reino Unido se tornando 8% mais ensolarado na última década além de chuvas mais intensas, considerando que o número de meses que os condados receberam pelo menos o dobro da precipitação média aumentou 50% nos últimos 20 anos. Grande parte da chuva adicional está caindo entre outubro a março enquanto o  período em 2023-24 foi o mais chuvoso de todos os tempos em registros que remontam desde 1767, resultando inundações em Derbyshire, Nottinghamshire, West Midlands e outros locais, com o nível do mar ao redor do Reino Unido subindo mais rápido que a média global, segundo o relatório, piorando impacto das inundações costeiras. A pesquisa de 2024 publicada no International Journal of Climatology, descobriu que os últimos 3 anos estavam entre os 5 anos mais quentes registrados no Reino Unido, a primavera mais quente já registrada foi vista em 2024, embora já  superada em 2025, quer dizer,  as temperaturas recentes excederam em muito qualquer uma em pelo menos 300 anos, o nível do mar ao redor do Reino Unido subiu 19 cm no último século à medida que geleiras e camadas de gelo derretem enquanto oceanos absorvem calor e se expandem, daí, evento em que  os ventos de tempestade podem empurrar ondas do mar às costas, mais perigosos quando coincidem com marés mais altas. Por fim resta dizer que, a Profa. Liz Bentley, da Royal Meteorological Society, disse que o relatório mostrou necessidade urgente de tornar o Reino Unido resiliente a eventos climáticos extremos, "este relatório não é apenas um registro de mudanças, mas um chamado à ação."

Rodapé: a primeira onda de calor que a Europa experimentou em 2025 atingiu o pico entre 17 e 22 de junho e afetando Europa Ocidental e Meridional, com a Europa Ocidental registrando junho mais quente em continente que aquece mais rápido no mundo, detalhe,  as ondas de calor na Europa chegaram mais cedo em 2025 com picos de temperatura afetando milhões de pessoas e um 3º afetando partes do continente.  Do final de junho a meados de julho, temperaturas chegaram a 46 º C com locais na Europa Ocidental experimentando calor recorde além de incêndios florestais na Grécia e, na França, medidas de emergência fecharam escolas fechando a Torre Eiffel, na Itália, proibições de trabalho ao ar livre afetaram trabalhadores enquanto o Ministério do Meio Ambiente da Espanha diz que altas temperaturas causaram 1.180 mortes nos últimos 2 meses, aumento acentuado em relação ao mesmo período de 2024. Estudo do Imperial College London e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, mostra 2.300 mortes relacionadas ao calor registradas em 12 cidades europeias de 23 de junho a 2 de julho, 1.500 dessas mortes ligadas às mudanças climáticas, com o  Dr. Ben Clarke, pesquisador do Imperial College London, dizendo que "mudanças climáticas tornaram o clima mais quente que seria, que, por sua vez, o torna mais perigoso".