Estudo observacional prospectivo encontrou microplásticos com maior frequência e níveis mais elevados, em amostras de pacientes com tumores malignos no pulmão, embora as conclusões não estabeleçam que as partículas causem câncer, cujos resultados foram apresentados no Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, ERS, 2026, embora reforce evidência que plásticos inalados podem atingir e permanecer nos pulmões, o delineamento não permite determinar se contribuem ao desenvolvimento do câncer ou se pulmões doentes retêm partículas de modo diverso. O estudo incluiu 100 pacientes submetidos a broncoscopia diagnóstica, metade tinha neoplasias pulmonares recém-diagnosticadas, enquanto um grupo controle foi submetido à broncoscopia por indicações respiratórias não crônicas, forneceram amostras de lavado broncoalveolar, LBA, e amostras de tecido de vias aéreas disponíveis à metade dos examinados, quer dizer, microplásticos foram detectados em 70% dos participantes e 60% das amostras coletadas. Detecção no LBA, lavado broncoalveolar, ou, tecido de vias aéreas ocorreu entre pacientes com câncer de pulmão que entre controles, 66% e 46%, respectivamente e, pacientes com neoplasias pulmonares, apresentaram 1 partícula de microplástico vista em amostras de LBA, comparada com 0 entre pacientes sem neoplasia, daí, pós ajuste à idade, sexo e exposição ao tabagismo, a carga de microplásticos permaneceu associada à malignidade pulmonar entre aqueles com amostras de LBA e tecido, com pesquisadores observando carga total de microplásticos e detecção geral maior entre os com câncer de pulmão. Por fim, pesquisadores afirmaram que a descoberta reflete dinâmica de partículas específica de cada compartimento, na qual partículas são depositadas, retidas ou eliminadas de modo diferente nos tecidos pulmonares e fluido das vias aéreas.
Vale dizer que a associação não estabelece causalidade, ao passo que os resultados não mostram se microplásticos estavam presentes antes do desenvolvimento do câncer, enquanto tumores pulmonares ou outras alterações relacionadas à doença podem afetar deposição e eliminação de partículas, tornando pacientes com neoplasias propensos a reter material inalado, no entanto, diferenças potenciais na exposição ocupacional, poluição do ar ambiente, doenças pulmonares subjacentes, procedimentos prévios e tipo ou estágio do câncer requerem estudos adicionais. Outro desafio quando se trata de pesquisa de microplásticos são equipamentos de coleta, materiais de laboratório e procedimentos analíticos que podem introduzir partículas de plástico a menos que pesquisadores apliquem controles rigorosos, ao considerar que pesquisas anteriores confirmam que microplásticos são recuperados do tecido pulmonar humano, considerando que investigadores de análise de 2022 notaram 39 microplásticos em 11 de 13 amostras de tecido coletadas em cirurgias. Vale observar que partículas foram detectadas em regiões superior, média e inferior dos pulmões com maiores níveis no tecido pulmonar inferior ao considerar que microplasticos são definidos como partículas de plástico com dimensões entre 1 nanômetro e 5 milímetros, que podem ser fabricados em tamanho ou forma reduzidos através da decomposição de itens maiores incluindo embalagens de alimentos, pneus e tecidos sintéticos, sendo a variedade de tamanhos, densidades, composições químicas e formas, dificulta amostragem e medição padronizadas. Dados de laboratório e estudos expoerimentais associaram a exposição ao estresse oxidativo, sinalização inflamatória, lesão celular e comprometimento da função mitocondrial, sendo que características das partículas e produtos químicos nas superfícies podem influenciar tais efeitos, no entanto, níveis de exposição podem exceder encontrados no dia a dia. Por fim, a revisão de pesquisas sobre microplásticos e saúde respiratória concluiu que partículas podem afetar células e tecido pulmonar, mas, consequências da exposição ambiental rotineira são incertas e classificou evidências de lesão pulmonar, inflamação crônica, estresse oxidativo e comprometimento da função pulmonar como moderadas enfatizando escassez de estudos. A conclusão que se tira é que trata-se de questão emergente de saúde ambiental relevante à pesquisa em prevenção e comunicação de riscos devendo mensurar exposições ocupacionais e ambientais, considerar características do tumor e acompanhar participantes ao longo do tempo.
Moral da Nota: no Chipre, microplásticos foram detectados na urina de crianças do ensino fundamental, sendo que o estudo encontrou polietileno e polipropileno em amostras de urina de crianças embora pesquisadores alertem à necessidade de cautela em relação aos resultados preliminares. Pesquisadores da Universidade de Catania, Itália, Instituto do Chipre e Universidade de Tecnologia, Tepak, declararam que as descobertas sugerem que crianças podem ser expostas a partículas que permitem a entrada e circulação no organismo, sendo que foram utilizados métodos laboratoriais avançados para detectar partículas de plástico e identificar seu tipo. Constatou variação na quantidade de microplásticos detectada entre crianças, no entanto, o Instituto do Chipre afirmou que o número limitado de participantes e a natureza descritiva da análise impedem que diferenças sejam interpretadas como distinções claras entre grupos, com cientistas do Instituto dizendo que “conclusões são preliminares e devem ser interpretadas com cautela”, que necessitaria estudos mais amplos para determinar se os microplásticos estão sistematicamente presentes na urina das crianças. Vale dizer que, a pesquisa faz parte de conjunto de trabalhos internacionais que examinam exposição humana a microplásticos, foram detectados antes, no sangue, tecido placentário e leite materno em estudos realizados em outros locais, sendo que o polietileno e polipropileno, 2 tipos identificados nas amostras do Chipre, entre os plásticos mais produzidos no mundo e utilizados em embalagens e recipientes.
Em tempo: em 2024, a distribuição do tamanho das partículas apresentou mudança em direção a microplásticos substancialmente menores, diversificou-se a composição dos polímeros passando de predominantemente polietileno em 1991 à mistura mais ampla em 2024, incluindo PET, PVC e poliestireno, com mudanças nos padrões de produção e uso. Análise Py-GC-MS confirma presença de microplásticos em subamostra e identifica resíduos superficiais contendo enxofre em 2024 partículas, levantando questões sobre a adsorção de poluentes atmosféricos concomitantes e relevância toxicológica. O exame histopatológico mostra maior inflamação e fibrose pulmonar com microplásticos, independente da época da coleta, corroborando plausibilidade biológica, outro estudoatravés da pirólise-cromatografia gasosa-espectrometria de massa, Py-GC-MS, mostrou aumento nos níveis de microplásticos nos pulmões ao longo de 33 anos, quer dizer, a produção de plástico disparou na década de 1990, quase 6 vezes mais e, hoje, produz 600 milhões de toneladas métricas/ano. Em suma, estudo comparativo de pulmões de autópsias realizadas em um mesmo hospital em épocas diferentes, ou, 1991 com 42 casos 8 apresentaram microplásticos, 19%, e em 2024 estudo de 57 casos mostrou 44 com microplásticos ou 77%.
Conclusão: a Califórnia inicia processo que pode levar à regulamentação de microplásticos, em 1º de outubro, adicionará microplásticos a lista de substâncias que, segundo evidências, podem ser prejudiciais às pessoas ou ao meio ambiente e que são candidatas a regulamentação mais rigorosa.