A escassez de água pressiona o setor agrícola da Tunísia que recorre a métodos tradicionais e novas tecnologias para lidar com a crise, das terras férteis no norte as paisagens áridas do sul, pressão crescente decorrente seca persistente e queda dos recursos hídricos, situação, que os obriga combinar práticas de conservação inovadoras e tradicionais para manter as terras aráveis e se adaptar às crises hídricas mais frequentes. A mídia tunisiana indica que produtores são forçados se adaptar aos efeitos do aquecimento global por conta das secas prolongadas, no sul de Gabès agricultores retomaram métodos tradicionais para mitigar estresse hídrico e preservar recursos, quer dizer, a crise hídrica é um dos principais desafios ao setor agrícola tunisiano. A FAO nos informa que 80% da água extraída no país é utilizada na agricultura, no entanto, recursos hídricos renováveis não ultrapassam 390 m³/capita/ano, número que reflete a gravidade do problema, ao dizer que a safra de cereais de inverno de 2026 começou em condições de seca e atraso nas chuvas em áreas importantes como Bizerte e Tabarka, antes da melhora parcial pelas chuvas de janeiro. No sul, a seca é persistente e a evaporação extrema, daí, se intencifica a pressão sobre agricultores, oásis e aquíferos subterrâneos, enquanto a necessidade de técnicas adequadas de gestão da água, conservação do solo e práticas adaptadas a climas áridos torna-se urgente, com a agência da ONU estimando que a precipitação média anual a longo prazo na Tunísia seja de 207 mms com taxas de evaporação mais elevadas no sul, coincidindo com esforços do governo reforçar segurança hídrica e modernizar sistemas de irrigação. O Banco Mundial em março aprovou financiamento de US$ 332,5 milhões à 1ª fase do programa destinado aumentar resiliência climática e melhorar serviços de água potável, bem como desenvolver infraestrutura à agricultura irrigada, projeto que inclui modernização das instalações de irrigação no norte, Jendouba, Béja, Bizerte e Siliana e, apoio a agricultores à adoção de tecnologias resilientes ao clima, além da expansão da central de dessalinização de Zarzis em Gabès, duplicando a capacidade de 50 mil à 100 mil mts³/dia.
Na Somália, a ONU alerta ao agravamento crítico da seca com milhões de pessoas em risco de fome e deslocamento devido estiagem nas 4 estações do ano, emergência de seca que se agrava rapidamente, com áreas fragilizadas pós 4 períodos consecutivos sem chuva, sendo que o Governo Federal declarou “estado de emergência” em resposta ao agravamento da situação solicitando apoio urgente, conforme o OCHA, Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários. Dentre as áreas mais afetadas está Puntland com estimativa que 1 milhão de pessoas precisam de assistência e mais de 130 mil necessitam suporte imediato, além da região enfrentar grave escassez de suprimentos em 89 centros de alimentação suplementar e 198 instalações de saúde e estabilização, em 2025, o Plano de Resposta Humanitária mal atingiu 23,7% dos recursos necessários forçando redução drástica na distribuição de ajuda. A assistência alimentar de emergência caiu de 1,1 milhão de beneficiários em agosto/2025 à 350 mil em novembro de 2025, prevendo-se que pelo menos 4,4 milhões de pessoas enfrentarão insegurança alimentar aguda até dezembro de 2026, enquanto 1,85 milhão de crianças menores de 5 anos sofrerão desnutrição aguda em 2026, com a FAO dizendo que, "a persistência da seca e altas temperaturas nas regiões central e norte, agrava escassez de água e limita recuperação das pastagens, podendo intensificar a crise humanitária nos próximos meses". O PMA, Programa Mundial de Alimentos, avalia que a crise é agravada por condições climáticas extremas e falta de recursos à sustentar ajuda humanitária com previsões climáticas sombrias indicando impacto prolongado de chuvas irregulares e secas causadas pelo La Niña e pelo dipolo negativo do Oceano Índico, condições, que dificultam recuperação agrícola no sul e aumentam risco de perda de colheitas, morte de animais e escassez de água. O OCHA, Escritório da ONU à Coordenação de Assuntos Humanitários, relata propagação da seca em regiões do norte ao centro e sul do país com deterioração extrema em Nugal, Mudug, Bari e Sanaa, áreas que enfrentam 4ª temporada consecutiva de chuvas insuficientes, alertando à falta de financiamento internacional que limita capacidade de resposta e expõe milhões ao agravamento da fome, com queda nos beneficiários de assistência alimentar à 350 mil comparada com 1,1 milhão anterior. Por fim, a Somália sofreu 5 temporadas consecutivas sem chuva entre fins de 2020 e 2022, ciclo mais longo em décadas, crise climática que deixou 5 milhões de pessoas em insegurança alimentar aguda em 2023, situação, que pode se repetir se a ajuda internacional não aumentar, segundo PMA e ONU, "país à beira da catástrofe infantil, no centro do grupo mais vulnerável devido falta de alimentos e água".
Moral da Nota: a Síria, pais que tenta se recuperar no pós guerra, assiste colapso da safra de trigo devido falta de chuva agravada pela crise alimentar forçando a dependência de importações, a maior em mais de 6 décadas, que dizimou 75% das plantações de trigo deixando mais de 16 milhões de pessoas à beira da insegurança alimentar afetando mais de 2,5 milhões de hectares. Relatório da FAO, Organização da ONU à Alimentação e a Agricultura, informa que a queda na produção afeta áreas controladas pelo governo e administradas pela autoridade curda que competem para adquirir escassas colheitas com incentivos aos agricultores. A representante adjunta da FAO na Síria, Haya Abu Asaf, relata que este ciclo agrícola foi o pior em 60 anos com 95% de danos ao trigo de sequeiro e queda de até 40% na produção irrigada, além disso, consequências agravaram economia debilitada por 14 anos de conflito, sanções e deterioração estrutural. Vale a nota que, antes da guerra de 2011, o país produzia 4,1 milhões de toneladas de trigo/ano, desde então, depende de importações russas enquanto a capacidade agrícola ficou reduzida, em 2026, o Ministério da Agricultura estimou colheita entre 300 mil e 350 mil toneladas, aquém do mínimo exigido e, segundo Hassan Othman, diretor da Companhia Pública de Cereais, a expectativa é adquirir 250 mil toneladas. Carregamentos da Rússia e Iraque, além de doação de 220 mil toneladas e navio que atracou em Latakia em dezembro 2025 e outro em Tartus em julho 2026, diante o colapso agrícola, governo e administração curda oferecem bônus para garantir compra de trigo local com o Ministério da Economia fixando preço entre US$ 290 e US$ 320/tonelada com bônus adicional de US$ 130 aprovado por decreto. A administração autônoma curda fixou o preço em US$ 420 com subsídio direto de US$ 70 para fortalecer produção no norte e nordeste do país, em 2025, o governo ofereceu US$ 350/tonelada enquanto a autoridade curda pagou US$ 310, entretanto, o ajuste coincide com seca devastadora conforme especialistas e autoridades locais. Por fim, a falta de chuva obrigou agricultores aprofundar aquíferos até 160 metros, mas a produção foi muito baixa e, segundo a FAO, "o nível do lençol freático baixou significativamente, indicador alarmante, cujos efeitos também afetaram pastagens e setor pecuário, com consequências população que enfrenta futuro marcado por pobreza rural, falta de água e dependência externa".