quinta-feira, 14 de maio de 2026

Risco Hídrico

Especialistas indicam que o ciclo da água torna-se cada vez mais extremo com relatório da OMM indicando imprevisibilidade, alertando que flutuações entre secas severas e chuvas intensas afetam economia e sociedade. Intitulado 'O Estado dos Recursos Hídricos Mundiais', nos diz que, em 2024 um terço das bacias hidrográficas do planeta apresentavam desequilíbrio persistindo pelo 6º ano consecutivo através de secas severas na bacia amazônica e sul da África, enquanto Europa Central e África sofreram com excesso de umidade. Destaca perda de massa glacial, fenômeno observado pelo 3º ano consecutivo, com a Secretária-Geral da OMM enfatizando urgência de informações científicas confiáveis já que "não se pode gerenciar o que não se mede", daí, relatório buscar fornecer dados essenciais à tomada de decisões, afirmando que, "a água é indispensável impulsionando as economias e sustentando os ecossistemas" e, conclui,"os recursos hídricos globais estão sob crescente pressão, e os riscos relacionados à água se tornando mais frequentes e devastadores, impacto cada vez maior nas vidas e meios de subsistência". Dados da OMM e observações de satélite, ressaltam importância da colaboração e compartilhamento de informações entre os países diante crise que afeta 3,6 bilhões de pessoas, além disso, o impacto ultrapassará 5 bilhões até 2050 com o mundo longe de alcançar a meta de água potável e saneamento básico à todos. Dentre regiões mais afetadas estão Índia, Califórnia, Oriente Médio, China, Austrália e Oeste da América do Sul,incluindo segmentos da Amazônia, destacando que, estudo publicado na Nature confirma que o planeta perde água doce em ritmo mais acelerado que se pensava antes, tendência, impulsionada por mudanças climáticas, desmatamento e uso excessivo de recursos, representando ameaça direta à segurança alimentar, acesso à água potável e estabilidade dos ecossistemas. Analisou dados de satélite entre 2002 e 2022 pela missão GRACE, Gravity Recovery and Climate Experiment, da NASA e Centro Aeroespacial Alemão, identificando 1.200 pontos críticos onde reservas de água doce subterrâneas e superficiais diminuíram nas últimas 2 décadas.

Ainda neste tema, estudo da WaterAid e Tree Aid revela que 45% da população em Gana, Níger e Nigéria enfrentam alto risco hídrico, com desmatamento diretamente ligado à perda e contaminação dos sistemas de água doce corroendo sistema africano Ocidental e expondo 122 milhões de pessoas à água imprópria à consumo, 20 milhões a mais que há 5 anos. O Níger mostra a pior crise com 99,5% da água em risco de sedimentação e queda na qualidade, com cientistas instando governos integrar prioridades florestais e hídricas nos planos de clima e adaptação, decorrente a crise hídrica que alastra pela África Ocidental colocando milhões em risco, segundo o estudo da WaterAid e Tree Aid. Intitulado "Das Raízes aos Rios: Como o Desmatamento Impacta o Acesso à Água Doce", revela que 45% da população, 122 milhões em Gana, Níger e Nigéria tem acesso a água contaminada, aumento de 20 milhões em 5 anos, relaciona tendência diretamente relacionada ao desmatamento e perda da cobertura vegetal que sustenta sistemas de água doce, florestas e vegetação, segundo o relatório, desempenhando papel crucial na proteção dos recursos hídricos, estabilização do solo, filtração de poluentes e regulação das chuvas, cuja destruição interrompe os processos e ameaça a confiabilidade do abastecimento hídrico à consumo, produção de alimentos e saúde. Dados de observação da Terra por satélite coletados entre 2013 e 2025, examinou  vegetação, precipitação pluviométrica e cobertura hídrica nos 3 países escolhidos pelas condições ecológicas e climáticas na África Ocidental e, pela 1ª vez, fornece  correlação entre desmatamento e baixa disponibilidade de água doce, com o Níger e Nigéria, mostrando que cada mil hectares de floresta perdida corresponde a perda média de 9,25 hectares de água superficial e, na Nigéria, esse número é de 6,9 ​​hectares, enquanto no Níger sobe à 11,6 hectares, em Gana, a perda florestal se associa à deterioração da qualidade da água superficial e não a quantidade. O estudo  alerta que acesso reduzido à água potável e segura decorrente desmatamento contínuo é ainda mais agravado pelas mudanças climáticas com chuvas intensas, sem vegetação para filtração ou estabilização do solo, levam ao acúmulo de sedimentos e poluentes em rios, lagos e reservatórios, reduzindo disponibilidade de água potável através da baixa absorção de água subterrânea e evapotranspiração, além da piora na qualidade da água restante. O problema é mais grave no Níger onde 99,5% da água superficial disponível é considerada em risco de sedimentação e má qualidade, na Nigéria, 85,6 milhões de pessoas vivem em áreas vulneráveis ​​à perda de água decorrente desmatamento, em Gana, a contaminação contínua é a principal preocupação com a perda florestal ligada à piora da qualidade da água superficial. 

Moral da Nota: na Ásia mudanças climáticas afetam sistemas de água e energia e colocam milhões em risco, forçando países investir bilhões no reforço de serviços básicos, segundo relatórios recentes, em que desastres relacionados à água aumentam na região e os gastos para proteger as comunidades são insuficientes. Relatório divulgado do Banco Asiático de Desenvolvimento, informa que os países asiáticos necessitam US$ 4 trilhões à água e saneamento entre 2025 e 2040 ou US$ 250 bilhões/ano, colocando governos sob pressão para proteger sistemas de energia e,  até 2050, eventos climáticos extremos custarão às empresas de energia US$ 8,4 bilhões/ano em danos e perda de receita, um terço a mais que atualmente, segundo  pesquisa do Asia Investor Group on Climate Change, organização sem fins lucrativos de Hong Kong e MSCI Institute, think tank de Nova York. Os riscos se concretizaram na Ásia atingida por tempestades tardias, chuvas e enchentes severas, em Quy Nhon, Vietnã, linhas de energia romperam quando o tufão Kalmaegi castigou a cidade com fortes chuvas e ventos intensos transformando bairros em ilhas, com relatório do ADB afirmando que 2,7 bilhões de pessoas, 60% da Ásia-Pacífico, têm acesso a água à maioria das necessidades básicas, no entanto, mais de 4 bilhões permanecem expostos a água imprópria para consumo, ecossistemas degradados e riscos climáticos crescentes. Por fim, a queda na vazão dos rios nas principais bacias hidrográficas asiáticas, que fornecem água necessária à usinas a carvão e gás e alimentam hidrelétricas, são a grande ameaça, ao mesmo tempo, fortes chuvas e inundações representam riscos em regiões costeiras e vales fluviais, com o detalhe que apesar dos crescentes riscos, a maioria das concessionárias de energia não possui planos detalhados e financiados para se adaptar aos impactos climáticos, embora 9 de 11 empresas estudadas tenham avaliado como as mudanças climáticas as afetam, 7 examinaram os riscos em suas fábricas individuais e 5 calcularam e divulgaram como futuros impactos climáticos poderiam aumentar custos ou prejudicar lucros.