quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Califórnia

Estudo revelou que após os incêndios de Eaton e Palisades no sul da Califórnia permanceu no ar níveis elevados de cromo hexavalente, metal tóxico que provavelmente viajou mais longe que o esperado, detectado por pesquisadores da UCLA e UC Davis e, segundo artigo publicado na Nature Communications Earth & Environment o cromo estava em partículas ultrafinas, mais de mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo humano, significando que pode deslocar mais facilmente aos pulmões, corrente sanguínea ou atravessar membranas celulares. A modelagem computacional sugere que partículas de cromo hexavalente viajaram de 6 a 9 milhas a favor do vento das comunidades devastadas pelo fogo, expondo 3,4 milhões de pessoas, de Santa Monica a Pasadena, ao composto tóxico por vários meses aumentando preocupações sobre resíduos tóxicos deixados por incêndios florestais mais destrutivos da história recente do sul da Califórnia. O cromo hexavalente, conhecido como cromo-6, é 500 vezes mais cancerígeno que a fumaça dos motores a diesel e, sua inalação, mesmo em quantidades mínimas por longos períodos pode aumentar o risco de câncer e em altas concentrações se dissiparam após 8 meses e não representam mais ameaça, no entanto, pesquisadores dizem que necessita investigação mais detalhada à identificar fonte da contaminação e proteger o público no futuro. Pesquisadores da UC Davis utilizando artefato elétrico equipado com material especializado à amostragem do ar, buscando examinar tamanho e composição das partículas em suspensão nas áreas afetadas pelos incêndios de Eaton e Palisades detectaram 16 metais presentes no ar, incluindo chumbo, zinco, níquel e arsênio, no entanto, surpreende as partículas de cromo hexavalente em concentração média de 13,7 nanogramas/m³, ou, 137 vezes maior que o nível de exposição a longo prazo às comunidades residenciais, no entanto, abaixo do limite federal de 8 horas à trabalhadores. Vale a nota que forma benigna de cromo trivalente é vista naturalmente nos solos, com estudos mostrando que pode ser convertida em cromo hexavalente, tóxico, por altas temperaturas, não sendo conhecido se as comunidades mais afetadas pelos incêndios apresentem alta concentração de cromo no solo, daí, sugestão que os 2 milhões de litros de retardante de fogo lançados sobre os incêndios de Eaton e Palisades podem ser uma das fontes. Por fim, cientistas afirmam que o cromo tóxico provavelmente veio de itens domésticos incinerados nos incêndios com tintas, eletrônicos e peças de automóveis, sendo que empreiteiras federais e privadas quando removeram os destroços dos locais das casas destruídas podem ter espalhados.

Sem passar em branco, algumas notas, as principais montadoras dos EUA pressionam a EPA, Agência de Proteção Ambiental para adiar por 2 anos normas mais rigorosas de emissão de poluentes veiculares sob o argumento que a queda nas vendas de VE torna o cronograma atual inviável, no entanto, ambientalistas argumentam que a medida leva ao aumento da poluição atmosférica e piora na saúde pública. Questionam alegações da indústria que incineradores de lixo eliminam virtualmente os PFAS, substâncias químicas tóxicas eternos, argumentando que estudos que sustentam tais alegações se baseiam em testes incompletos e suposições sem fundamento, afirmam que instalações ainda podem liberar PFAS e outros poluentes nocivos nas comunidades próximas, enquanto a indústria de resíduos mantém que as emissões permanecem em níveis seguros. Laura Millan, repórter de clima da Bloomberg, diz que a guerra no Oriente Médio deixou os céus de Irã repletos de gases tóxicos e ataques israelenses à infraestrutura petrolífera iraniana desencadearam incêndios que duraram dias, liberando nuvem de dióxido de enxofre, SO2, nocivo, sobre área do tamanho da Itália. Ian James, repórter de assuntos hídricos do LA Times, avisa que engenheiros experimentam na Costa de Malibu, Califórnia, método de dessalinização em alto-mar, em que uma startup espera converter água oceânica em água potável a custo menor que as usinas de dessalinização costeiras. Hayley Smith, do LA Times, informa que órgãos reguladores da qualidade do ar da Califórnia aprovaram mudanças no programa estadual de emissões controladas e investimentos, tornando os limites de emissão mais rigorosos, ao mesmo tempo cria incentivos e licenças gratuitas visando impedir que refinarias e fábricas deixem o estado, no entanto, ambientalistas alertam que as mudanças podem enfraquecer a redução da poluição e cortar US$ 2 bilhões/ano do financiamento no transporte público, moradia popular, água potável e outros programas climáticos.

Moral da Nota: órgãos reguladores de pesticidas da Califórnia dizem estarem comprometidos com novas regras visando proteção das comunidades em relação ao aumento da aplicação de um fumigante perigoso, mas, permitem que produtores usem um produto químico mortal proibido em 40 países. A questão é que em janeiro de 2024, órgãos reguladores da Califórnia aprovaram norma que, segundo eles, protegeria as comunidades de um dos pesticidas mais populares e perigosos do estado, pois sabiam que o 1,3-dicloropropano, ou 1,3-D, causa tumores em múltiplos órgãos de animais de laboratório, levando o estado a classificá-lo como cancerígeno em 1989, no entanto, órgãos reguladores permitiram que os produtores rurais fumigassem os campos com grandes volumes de 1,3-D para matar qualquer organismo vivo no solo antes do plantio de morangos, amêndoas, uvas e outras culturas. Um ano após reguladores implementarem regra que, segundo eles, reduziria o risco de câncer ao diminuir a quantidade de 1,3-D no ar, as aplicações do composto aumentaram, conforme os registros estaduais, enquanto os produtores aplicaram um milhão de libras a mais de 1,3-D em 2024 que em 2023, antes dos reguladores promulgarem a regra do "espectador residencial", ou, em 2024 depois de a terem implementado. Vale dizer que, o DPR, Departamento de Regulamentação de Pesticidas, promulgou novas regras em 2024 para restringir o uso de 1,3-D, buscando proteger moradores na área afetada, com Anne Katten, diretora de projetos de pesticidas,saúde e segurança no trabalho da, California Rural Legal Assistance Foundation, ao analisar as emissões em um monitor constatou aumento de 30% nos níveis médios de 1,3-D no ar durante os 3 primeiros trimestres de 2025 comparados ao mesmo período de 2024. Políticas de saúde pública norte americanas partem do pressuposto que não existe nível seguro de exposição a agente cancerígeno, leva em consideração disparidades na exposição e variabilidade entre diferentes populações e que fumigantes como o 1,3-D podem causar sintomas graves a curto prazo, incluindo dificuldade respiratória, dores no peito, irritação ocular e tontura. Cientistas chineses relataram em 2023 a 1ª morte por inalação de 1,3-D, substância que comumente causa náuseas, tonturas e dores de cabeça em trabalhadores agrícolas expostos da Califórnia, ou, um trabalhador de estufa chinês de 50 anos morto por insuficiência renal e edema cerebral uma semana pós breve exposição ao 1,3-D em ambiente de trabalho mal ventilado. Por fim, conforme a Pesticide Action Network International, o 1,3- está proibido em 40 países, o detalhe é que, o objetivo das regulamentações nos EUA não era reduzir o uso de 1,3-D, mas reduzir as emissões, conforme Caroline Cox, cientista de pesticidas aposentada e ex-diretora de pesquisa do Centro à Saúde Ambiental, uma organização sem fins lucrativos. Em suma, a DPR possui 2 níveis de segurança distintos ao mesmo produto químico, ou, norma para residentes próximos, de 2024, e outra para trabalhadores próximos, em vigor no no início de 2026, não considerando o fato que as comunidades de trabalhadores rurais onde vivem e trabalham próximos aos campos tratados enfrentam riscos de exposição  maiores, da infância à velhice.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Degelo

Pesquisas em dados que remontam à década de 1970 documentaram perdas de gelo polar na Groenlândia e Antártida, lar das 2 grandes camadas de gelo da Terra que contribuíram entre 1979 e 2023 ao aumento do nível global do mar, dados de 27 missões de satélite mostram perda de 11,3 bilhões de toneladas de gelo acrescentando 3,14 cm à subida do nível do mar. A pesquisa usou o mais longo registro de dados de satélite de mudanças nas camadas de gelo já coletado, para fornecer relato completo da perda de gelo na Groenlândia e Antártida e conduzida pela equipe do Exercício de Intercomparação do Balanço de Massa das Camadas de Gelo, grupo internacional de cientistas polares e, segundo eles, oferecem evidências dos efeitos das alterações climáticas globais causadas pelo homem. A cientista Inês Otosaka, Universidade de Northumbria, Inglaterra, autora do estudo publicado na Scientific Data, disse que, "para colocar número tão grande em contexto, 11,3 trilhões de toneladas de gelo, suficiente para preencher um cubo de 23 km de altura", conclui que, "quando as camadas de gelo derretem, contribuem à subida do nível do mar e, a cada cm adicional de elevação do nível do mar, 2 a 3 milhões de pessoas correm risco de inundações costeiras anuais e, as camadas de gelo, são um dos principais impulsionadores da subida do nível do mar representando 25% da elevação marítima". Explica que da perda de gelo documentada no estudo, 60%, veio da Groenlândia e, 40%, da Antártida, embora a Groenlândia tenha um oitavo do tamanho da Antártida, diz ainda que, "estendemos o registro de dados de satélite no tempo até a década de 1970, confirmando que perdas de gelo começaram na década de 1990 e aumentaram desde então, a avaliação mostra que o ritmo de perda de gelo aumentou por 1 fator de 4 entre as décadas de 1980 e 2010". Documentou ainda desaceleração na perda de gelo entre 2020 e 2023, embora cientistas  tenham dito que parece representar variação de curto prazo e não inversão da tendência de longo prazo, dizendo que a queda de neve alta na Antártida Oriental forneceu gelo para compensar perdas de geleiras em outras partes, enquanto verões  amenos na Groenlândia reduziram o derretimento da superfície, quer dizer, 84% do gelo perdido veio de geleiras que fluem mais rapidamente ao oceano que derretimento do gelo na superfície, mostrando que a tendência de longo prazo é impulsionada pela resposta das camadas de gelo ao aquecimento do oceano. Por fim, nos dizem que o aumento do nível do mar às perdas de gelo na Groenlândia e Antártida pode não parecer enorme, mas, coloca outras 6 a 9 milhões de pessoas em risco de inundações e erosão costeira no mundo e, conclui, "implica no planejamento costeiro, mostra que precisamos desenvolver planos para proteger comunidades costeiras no mundo do derretimento das camadas de gelo".

IA refina previsões, mas, continua consumindo muita água e energia com cientistas concordando com a necessidade de uso responsável alertando à importância de  instituições públicas manterem controle sobre modelos, considerando o verão europeu marcado por manifestações climáticas a IA pode nos ajudar combater desastres, com o climatologista, Freddy Bouchet, responsável pela área IA no Instituto Pierre-Simon-Laplace, IPSL, se apressando em moderar expectativas na vanguarda da transição ecológica, ao dizer que, “do ponto de vista de combate às emissões de gases efeito estufa, IA é detalhe menor”, ​​afirma, e defende, “conhecemos soluções e não é IA que vai nos incentivar consumir menos combustíveis fósseis, implementar transportes de baixo carbono ou reformar edifícios”, acrescenta. Embora não devamos esperar que a tecnologia substitua política ou seres humanos, o cientista enxerga como ferramenta "para melhor compreensão de fenômenos climáticos", com Pierre Gentine, Universidade Columbia, EUA, reconhecido por trabalho em IA e modelagem climática, dizendo que, "normalmente, dizemos com maior precisão se estamos caminhando ao aquecimento de 2°C ou 1,5 °C , dependendo dos cenários de emissão de gases efeito estufa". Por fim, Freddy Bouchet, que publicou artigo na Physical Review Letters, mostra que combinar IA com modelos meteorológicos tradicionais permite melhor previsão de ondas de calor ou mega incêndios, como do verão findo europeu, dizendo que, "IA trará benefícios para entender, prever e nos adaptar".

Moral da Nota: Henry M. Paulson Jr, do Instituto Paulson, disse que “o mundo natural que vivemos é fascinante, não acredito que alguém de nós queira um planeta que seja um deserto solitário”, já, Tom Lovejoy, o “Padrinho da Biodiversidade”, disse que a 5 anos, alertou que caminhávamos sonâmbulos à crise ao subestimarmos a natureza e, nesse processo, minamos a estabilidade ecológica e ameaçamos segurança, saúde e economia, agora, a crise se agrava e, apesar da conscientização da ameaça existencial nos encontramos meio despertos e perigosamente perto de um precipício. O relatório "Financiando a Natureza", em 2020, mostra que a biodiversidade continua desaparecer a ritmo alarmante e análise da PwC revela que mais da metade do PIB global depende moderadamente ou fortemente da natureza, no mundo, 48% das espécies estão em declínio e, em grande parte, devido à perda de habitat, populações de vertebrados diminuíram em 73% desde 1970 e, se continuarmos nessa trajetória, corremos risco de perder metade das espécies ainda no século XXI. A Amazônia nos aproxima do ponto de inflexão em que mudanças hidrológicas pelo desmatamento podem secar milhões de hectares de floresta tropical e, alterar o clima amazônico, resulta em custos econômicos exorbitantes, na América do Norte, o continente mais rico do mundo, perdemos mais da metade das pastagens, ecossistema mais ameaçado. A degradação da natureza representa ameaça à economia, setores da agricultura, o turismo e a saúde em que perda de polinizadores como abelhas, borboletas e outros insetos causam quebras de safra em mais de US$ 215 bilhões, quando manguezais são destruídos comunidades perdem proteção natural tornando tempestades e inundações mais danosas e custosas, com especialistas nos avisando que, sem manguezais, 39% a mais de pessoas sofreriam com inundações anualmente afetando 18 milhões a mais no mundo. Os custos reais da perda de biodiversidade são difíceis de quantificar, os riscos sistêmicos vão além do que é mensurável com estudos sobre impacto de mudanças climáticas mostrando que sabemos significativamente menos sobre a ciência da perda de biodiversidade e seus impactos. A energia solar, com drástica redução de custos é divisor de águas, no entanto, parques solares causam danos ecológicos quando mal localizados, destóem milhões de hectares de pradarias e florestas nativas, nos EUA, incentivo à energia solar na Virgínia levará ao desmatamento de 30 mil acres/ano. Por fim, antes da COP17 sobre Biodiversidade na Armênia, o Instituto Paulson lançará  atualização do relatório 'Financiando a Natureza', essencial, que a rápida extinção de espécies e a destruição do capital natural sejam reconhecidas como uma das crises globais mais urgentes e plenamente integradas às políticas e planejamento climático.