O Projeto do Sexto Canal do Paquistão, iniciativa de agricultura corporativa em larga escala inserida no Paquistão Verde, solução à segurança alimentar e crescimento econômico. Pesquisadores avaliam que o projeto amplifica degradação ecológica, aprofunda dependência econômica e reforça subordinação geopolítica às monarquias do Golfo, elites domésticas e interesses militares. Representa, segundo especiliastas, não um caminho à resiliência, mas continuação do desenvolvimento extrativista que mina sustentabilidade e equidade nacional a longo prazo, considera que o setor agrícola paquistanês é pilar da economia, emprega 40% da força de trabalho e alimenta mais de 200 milhões de pessoas, no entanto, o sistema enfrenta pressão devido escassez de água, degradação do solo, endividamento e acesso desigual. Em resposta, o governo, sob a liderança do SIFC,Conselho Especial de Facilitação de Investimentos, lançou intervenções do programa "Paquistão Verde", incluindo criação de 6 novos canais destinados irrigar terras desérticas, em Cholistan à agricultura comercial. Defensores insistem que os canais transformarão terrenos áridos em zonas produtivas, apoiarão atividade econômica e fortalecerão segurança alimentar, como o módulo do Canal de Cholistan abrangendo 1,2 milhão de acres para cultivo em escala comercial com tecnologia moderna incluindo sistemas inteligentes de irrigação e monitoramento agrícola. No entanto, agricultores, advogados, sociedade civil e governo provincial de Sindh, alegam que ameaças ao fluxo de água a jusante, danos ecológicos e violações de acordos interprovinciais decorrem do projeto que amplifica degradação ecológica, aprofunda dependência econômica e reforça subordinação geopolítica. Considera que sob o domínio britânico os sistemas de água e a infraestrutura ferroviária foram projetados, não ao sustento dos povos indígenas, mas, para exportar alimentos à Inglaterra, dinâmica que levou à fome generalizada e desapossamento no subcontinente. Daí, hoje, o Paquistão gasta metade de orçamento federal com pagamento de empréstimos externos, condicionados por instituições que priorizam austeridade, privatização e investimento estrangeiro em detrimento da resiliência local incentivando dependência contínua de megaprojetos como o Sexto Canal. Isto é falado porque o Paquistão está entre os países com maior estresse hídrico do mundo, enfrentando derretimento glacial, monções incertas e queda na vazão dos rios e, segundo especialistas, o Sexto Canal redirecionaria água do Indo à terras desérticas diminuindo fluxo rio abaixo em direção à região do delta de Sindh, com especialistas ambientais esclarecendo que, a água doce no delta é essencial à deposição de sedimentos que mitiga intrusão marinha e preserva terras costeiras férteis. Por fim, concluem que o Paquistão gasta 50% do orçamento com o serviço da dívida, subsidiando interesses corporativos pelo canal drenando recursos financeiros que seriam destinados à educação, saúde ou infraestrutura comunitária, se comparados a China que buscou desenvolvimento através do controle interno, reforma agrária e investimento em transferência de tecnologia tirando milhões da pobreza.
Médicos e pesquisadores se concentram em soluções baratas e de baixa tecnologia para se adequar ao contexto do Paquistão em meio ao calor crescente e preencher lacunas do conhecimento, daí, conjunto de pesquisas apontam às mulheres grávidas como entre as mais fisiologicamente vulneráveis a aquecer. Considerando que temperaturas no Paquistão ultrapassam 40º C na primavera e verão e milhões vivem sem acesso a eletricidade ou cuidados de saúde, daí, o aumento dos níveis de calor é estressor adicional em país que tem uma das maiores taxas de mortalidade materna do mundo, ou, 186 por 100 mil nascidos vivos em 2019, enquanto a taxa de mortalidade neonatal foi de 38 por mil nascidos vivos em 2023 comparados a 17 e 18 por mil na Índia e Bangladesh, respectivamente, dados da OMS. Vale dizer que no Paquistão e, em países de baixa e média renda, existem poucos dados sobre como o calor prejudica mães e bebês, ao passo que o país está quase totalmente ausente da literatura sobre mortalidade neonatal e materna, por exemplo,a autoridade de gestão de desastres da província paquistanesa de Sindh tem procedimentos padrão às ondas de calor, no entanto, sem disposições dedicadas às mulheres grávidas e, em vez disso, os planos dependem de infra-estruturas que falham, ou, abrigos temporários de refrigeração em áreas propensas ao calor, Alertas por SMS e redes sociais à transmissão de avisos e precauções sobre ondas de calor onde mulheres muitas vezes não têm acesso a celular. No entanto, isto não é específico do Paquistão, considerando estudo publicado em 2025, investigadores avisaram que um terço dos planos de ação estatal ao calor na Índia não têm quaisquer recomendações às mulheres grávidas ou lactantes, já que, estudo sobre Atribuição Meteorológica Mundial avalia que uma onda de calor em 2022 no Paquistão e Índia tornou-se 30 vezes mais provável devido às mudanças climáticas, e tais eventos serão mais frequentes com o passar do tempo. O professor associado de pesquisa em pediatria na Universidade Aga Khan, co-autor em 2026 de estudo que descobriu entre 9-13% dos casos de baixo peso ao nascer no Paquistão eram atribuíveis à exposição ao calor e trabalha em estudo inédito que avalia impactos do calor extremo na saúde materna, fetal e neonatal em Karachi e província mais ampla de Sindh. Inscreveu 1.200 mulheres no estudo e pretende inscrever 6 mil até fins 2026, para cada mulher, medem biomarcadores historicamente associados ao estresse térmico na gravidez que auxiliarão compreender o panorama geral. Gregory Wellenius, diretor do Centro de Clima e Saúde da Universidade de Boston, diz que, mulheres grávidas em países de baixa renda enfrentam riscos de saúde maiores devido ao calor que aquelas em lugares mais ricos e tendem ter maior exposição, com menos acesso a cuidados de saúde e meios de reduzir temperaturas, com revisão publicada em novembro de 2025 reveando que mães em países de baixa renda enfrentam risco maior de parto prematuro devido ao calor.
Moral da Nota: armas anti-smog para combater poluição do ar na capital cultural do Paquistão, cidade oriental de Lahore, pela 1ª vez no inverno em tentativa de combater poluição do ar, em que dispositivos montados em caminhões pulverizam névoas finas de água para ajudar assentar poeira e partículas transportadas. Sajid Bashir, porta-voz da Agência de Proteção Ambiental do Punjab, disse que 15 armas anti-smog foram implantadas em várias partes da cidade, no entanto, atribuiu ao agravamento da poluição às emissões de veículos, fumaça industrial, poeira da construção e queima de resíduos agrícolas pelos agricultores. Ao alertar que os ventos oriundos do outro lado da fronteira, Índia, podem piorar mais as condições, concluiu, "esperamos que o uso de armas anti-smog ajude reduzir a poluição do ar", já que, a cada inverno, espessa camada de smog se instala sobre Lahore forçando fechamento de escolas e mantendo milhões em ambientes fechados e, em 2025, autoridades experimentaram chuvas artificiais para dispersar a névoa, mas o esforço teve pouco impacto. Por fim, antes conhecida como a "Cidade dos Jardins" pelas paisagens exuberantes da era Mughal, Lahore perdeu grande parte de sua vegetação devido à rápida urbanização e ao crescimento populacional e, agora, luta a cada inverno sob um céu cinza tóxico. Para concluir, estudo publicado no 'Meio Ambiente Internacional', analisou 36,6 milhões de nascimentos ocorridos no verão em 250 vilas e cidades em 13 países, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Equador, Estônia, Israel, Itália, Japão, Paraguai, Espanha, Suíça e EUA entre 1979 e 2019. Concluiu que o risco de parto prematuro aumenta linearmente à medida que as temperaturas aumentam, quer dizer, em dias de calor moderado, este risco aumenta 2,8%, em dias de calor extremo o aumento chega a 3,8%, estimando que 1,41% dos nascimentos prematuros no verão são atribuíveis ao calor, em termos absolutos equivale a 855 nascimentos prematuros adicionais por milhão de nascimentos. Por exemplo, excede a contribuição do tabagismo materno em países de baixa e média renda estando no mesmo nível da malária, sendo que o Paraguai tem a taxa mais alta com 1.347 nascimentos prematuros por milhão, enquanto a Suíça a mais baixa com 628 e Espanha na faixa média-alta com 1.080 por milhão. Por fim, o estudo sugere que o calor pode não afetar todas as mulheres igualmente, ou, jovens mães solteiras com níveis de escolaridade mais baixos que se encontram em situação socioeconómica vulnerável podem correr maior risco de parto prematuro induzido pelo calor e, nas próximas décadas, as ondas de calor se tornarão mais frequentes, mais intensas e durarão mais, sendo que o calor extremo não é apenas mais uma questão de conforto, é questão de saúde pública, equidade social e justiça climática.