Mostrando postagens com marcador #inflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #inflexão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ponto de Inflexão

Relatório da ONU informa que Mudanças climáticas e poluição estão levando os oceanos a um ponto de inflexão, com recifes de coral, por exemplo, ameaçados pelo lixo plástico e aumento da temperatura da água devido o aquecimento global, no documento "crise crescente", alerta que mudanças climáticas, poluição, sobrepesca e perda de biodiversidade ameaçam ecossistemas marinhos cruciais à sobrevivência humana. O relatório compilado por 600 cientistas de 86 países é a 3ª Avaliação Mundial dos Oceanos desde 2015, já que, a última em 2021 nos alerta à elevação do nível do mar, acidificação oceânica, morte dos recifes de coral e queda nos estoques de peixes que fornecem 20% da proteína animal consumida pelos humanos. Ian Butler, um dos autores da avaliação e ecologista marinho do governo australiano, diz que “a próxima década é decisiva, sem ação global rápida e coordenada, a saúde oceânica continuará a declinar ameaçando estabilidade climática, resiliência da biodiversidade, segurança alimentar, os meios de subsistência e o bem-estar de bilhões de pessoas”. A ONU estima que até 45% da atividade econômica global ocorre nas costas do mundo e 3 bilhões de pessoas vivem a menos de 100 kms do oceano, com 1352 páginas, o relatório informa que “contaminação e poluição, lixo plástico, escoamento agrícola, esgoto e produtos químicos, são os principais fatores que contribuem ao declínio da saúde dos oceanos”, alertando que os poluentes, por sua vez, estão se acumulando em organismos marinhos e, seu efeito, amplificado na cadeia alimentar chegando aos animais e consumidos por humanos. Dados recentes disponíveis informam que 38% dos estoques pesqueiros globais em 2021 foram explorados em ritmo mais acelerado que a capacidade de reposição de suas populações, aumento em relação aos 35% registrados 2 anos antes, considera que a pressão sobre a pesca é agravada por impactos das mudanças climáticas dizimando recifes de coral, habitat de 25% da vida marinha. Avalia que um sexto da absorção de calor pelos oceanos nos últimos 70 anos ocorreu entre 2018 e 2023, ao passo que o aumento da temperatura da superfície do mar gerou furacões e ciclones tropicais destrutivos e levou espécies marinhas a migrar às águas mais frias prejudicando a pesca local, com cientistas dizendo que, o aquecimento dos oceanos responde por 30% a 50% da elevação do nível do mar, coloca em risco as comunidades costeiras e, à medida que a água aquece, seu volume aumenta e, entre 2013 e 2023, a elevação global do nível do mar foi de 4,3 mm/ano comparada com 2,1 mm/ano entre 1993 e 2002. Cientistas afirmam que a industrialização dos ecossistemas marinhos continua com operações de mineração em águas profundas,representando riscos aos ecossistemas do fundo do mar, embora a avaliação seja abrangente, reconhecem que  ainda se desconhece muito sobre o oceano observando que 27% do fundo marinho global foi mapeado. O relatório avalia que “pouco compreendemos a vulnerabilidade da biodiversidade marinha, genética das espécies e comunidades microbianas em águas profundas, às mudanças climáticas e atividades econômicas emergentes”, sendo que o relatório foi divulgado em momento que o governo norte americano se mobiliza para desmantelar a mais extensa rede mundial de sensores e plataformas de observação oceânica.

Cientistas dizem que a COP31 deve focar ecossistemas marinhos enquanto a Turquia se prepara à sediar a cúpula climática, alertam que oceanos e mares enfrentam pressões crescentes devido aquecimento, poluição e perda de biodiversidade, sublinhando à importância da COP31. O diretor do Instituto de Ciências Marinhas e Gestão da Universidade de Istambul, disse que os oceanos absorveram efeitos das mudanças climáticas induzidas pelo homem durante décadas, se aproximam de seus limites funcionais sob múltiplos estresses ambientais, avalia que, “absorvem um terço das emissões globais de carbono e mais de 90% do excesso de calor gerado pela atividade humana”, conclui que, “enfrentam stress térmico, acidificação, esgotamento de oxigênio, poluição plástica, perda de habitat e declínio da biodiversidade.” Segundo o pesquisador, política climática e governança oceânica não devem ser tratadas como questões separadas apelando a apoio financeiro forte aos esforços de conservação via mecanismos como o Fundo Verde do Clima, alertando que, impactos das alterações climáticas tornam-se cada vez mais visíveis nas águas turcas citando os riscos de mucilagem no Mar de Mármara, esgotamento de oxigênio no Mar Negro e ondas de calor marinhas e espécies invasoras no Mediterrâneo. Já, o diretor do Instituto de Ciências Marinhas da Universidade Técnica do Oriente Médio, disse que a COP31 deve ser vista não como cúpula climática, mas como fórum para abordar questões oceânicas, avaliando que, “os impactos mais visíveis das mudanças climáticas estão surgindo nos mares”, observando que, o aquecimento das águas, acidificação, perda de oxigênio e degradação dos ecossistemas aceleram, enquanto poluição plástica, pesca excessiva e destruição do habitat continuam afetar os ambientes marinhos, concluindo que, “hoje, precisamos falar não apenas em proteger os mares, mas sobre redesenhar o modo como os usamos”. Bayram Ozturk, presidente da TUDAF, Fundação de Investigação Marinha, disse que mudanças provocadas pelo clima estão se tornando cada vez mais evidentes no Mediterrâneo e Mar Negro, dizendo que, “o Mediterrâneo está mais tropical e o Mar Negro mais mediterrâneo”, observando que, o número de espécies que migram do Mar Vermelho ao Mediterrâneo via Canal de Suez aumentou ao longo do século passado com mais de mil espécies até 2021 e 700 no ecossistema mediterrânico. A COP é a 31 Conferência da ONU sobre Alterações Climáticas, principal conferência global realizada anualmente, onde líderes, cientistas e decisores políticos de 200 nações se reúnem para negociar e estabelecer compromissos em matéria de crise climática, este ano, será realizada no Antalya Expo Center de 9 a 20 de novembro.

Moral da Nota: a delegação da Turquia na abertura da conferência climática de Bonn antes da COP31, pediu que os países se juntem a iniciativa voluntária que visa fazer com que a eletricidade responda por 35% da demanda global de energia até 2035. A meta é acelerar a mudança de combustíveis fósseis à fontes de energia mais limpas e  proteger economias de choques nos preços da energia, sendo que a proposta não requer aprovação formal dos quase 200 países envolvidos no processo climático da ONU porque faz parte da agenda de ação “não vinculativa” da cúpula, paralela às negociações oficiais. Negociadores climáticos em Bonn elaboram acordos e estabelecem bases às decisões finais a serem tomadas pelos líderes políticos na cúpula, com a Turquia dizendo que aumentar a parcela global da demanda de energia pela eletricidade atende de 20% à 35% até 2035 acelera o afastamento dos combustíveis fósseis e aproxima  energia renovável. O presidente da COP31, Murat Kurum, em comunicado disse que “ao electrificar a vida quotidiana, de transportes a edifícios e à indústria, protegemos famílias e empresas dos mercados energéticos voláteis”, já que a eletrificação substitui tecnologias que queimam combustíveis fósseis diretamente como sistemas de aquecimento a gás e veículos a diesel por alternativas elétricas. Analistas dizem que a eletrificação só reduzirá emissões que causam o aquecimento do planeta se a eletricidade adicional vier de fontes renováveis, em vez de carvão, petróleo ou gás, com, Alden Meyer, observador veterano da COP, dizendo que “é necessário expandir a electrificação e, ao mesmo tempo, extrair combustíveis fósseis do sistema elétrico.” Por fim, o think tank de energia Ember, avalia que em 2025, as renováveis atingiram 34% da geração global de eletricidade, ultrapassando 33% do carvão pela 1ª vez em 100 anos, com os australianos que orientam negociações formais no âmbito de acordo de co-organização da COP31 com a Turquia, disse que a eletrificação reduziria as emissões e reforçaria a segurança energética, com Chris Bowen, Ministro do Clima e Energia da Austrália e Chefe de negociações da COP31, dizendo que, “os vejo como lados diferentes da mesma moeda, a eletrificação reduz a necessidade de combustíveis fósseis”.