segunda-feira, 8 de junho de 2026

Fórum Desperdício

O Fórum Desperdício Zero em Istambul contou com delegados examinando estruturas de economia circular e estratégias na redução do desperdício alimentar, vinculando políticas municipais de desperdício zero à conferência da ONU em Antalya na cadeia de suprimentos, avançando em discussões sob o lema "Caminho à Antalya, Lixo Zero como Ação Climática". A primeira-dama Emine Erdogan abriu o fórum na qualidade de presidente do Conselho Consultivo de Alto Nível da ONU sobre Resíduos Zero e presidente honorária da Fundação Resíduos Zero, falando que redução de resíduos é pilar do desenvolvimento sustentável, com Anaclaudia Rossbach, Diretora Executiva da ONU-Habitat, observando que a governança urbana desempenha papel fundamental na consecução de metas ambientais, também participaram a princesa jordaniana Dana Firas, a primeira-dama do Zimbábue Auxillia Mnangagwa, a primeira-dama do Burundi Angeline Ndayishimiye e o vice-presidente do Conselho Consultivo de Desperdício Zero da ONU, José Manuel Moller. Ruslan Edelgeriev, enviado climático e assessor da presidência russa, juntou-se a ex-chefes de estado, a ex-presidente mauriciana Ameenah Gurib-Fakim, o ex-presidente sérvio Boris Tadic, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e o ex-presidente esloveno Borut Pahor. O encontro focou   políticas de desperdício zero como parte dos esforços de mitigação climática antes da COP31, ao concentrar na gestão de resíduos orgânicos e contribuição às emissões de metano ao lado de estratégias de prevenção a perda de alimentos na fonte e redução de excedente nas redes de distribuição, além de Painéis que abordaram transições industriais à modelos de produção circular, desenvolvimento da bioeconomia e influência do comportamento do consumidor em narrativas da mídia nos padrões de geração de resíduos. O fórum mostrou a Semana do Lixo Zero de Istambul, campanha municipal unindo instituições públicas, administrações locais, empresas e organizações da sociedade civil em torno de modelos de consumo sustentável, iniciativa que incorpora princípios de desperdício zero no planejamento urbano e em práticas domésticas na metrópole. Por fim, em paralelo às sessões diplomáticas, o Festival Lixo Zero realizou exposições e workshops destinados ampliar consciência ambiental entre residentes, sendo que a programação complementou sessões técnicas do fórum enquanto os partícipes preparavam recomendações à cúpula climática da ONU que a Turquia sedia em Antalya em novembro.

Neste quesito, a OMS alerta que alimentos contaminados matam 1,5 milhão/ano, com a África e Sudeste Asiático concentrando juntos quase 75% daas doenças e 60% das mortes, daí, comida insegura à consumo adoece 866 milhões de pessoas/ano e 1,5 milhão morrem a cada ano por alimentos contaminados, sendo que crianças abaixo de 5 anos têm 3 vezes mais risco de adoecer considerando ainda que ameaças químicas provocam 73% dos óbitos. O relatório “Do fardo às soluções, comida segura em todos os lugares”, avalia que crianças são as maiores vítimas desta crise silenciosa com impacto do custo humano e econômico na insegurança alimentar que atinge desde mortalidade a grupos fragilizados e perdas financeiras, considerando que crianças com menos de 5 anos são afetadas de modo desproporcional e, além de sofrerem doenças diarreicas agudas, nesta faixa etária por vezes fatais, enfrentam sequelas graves  devido contaminantes químicos. A exposição ao chumbo e ao metilmercúrio presentes na cadeia alimentar “danificam o cérebro em desenvolvimento, provocando lesões neurológicos e de aprendizagem irreversíveis”, embora agentes biológicos como bactérias e vírus causem a grande maioria das infeções são os elementos químicos que mais matam respondendo por 73% das mortes causadas por contaminação alimentar. O arsênico inorgânico provoca 42% dos óbitos por químicos pois se associa à longo prazo ao desenvolvimento de cancer e doenças cardíacas ao passo que o chumbo provoca 31% das mortes por químicos ao ser introduzido na cadeia alimentar por fontes naturais ou poluição industrial, elevando de modo drástico risco cardiovascular em adultos, uma vez que integrados na cadeia alimentar estes metais pesados são quase impossíveis de remover enquanto a solução passam por governos atuando em controles industriais e regulamentação ambiental. Yuki Minato, autora principal do estudo publicado no boletim The Lancet Global Health, esclarece que existem 2 fatores que agravam este cenário, ou, mudança do clima que aumenta riscos de contaminação biológica nas colheitas e a proliferação de toxinas, recomendando que os países quebrem as barreiras entre setores da saúde, agricultura e ambiente. Esclarece que a resistência antimicrobiana torna infeção alimentar comum “muito mais difícil ou impossível de tratar com medicamentos atuais”, concluindo que, não se pode enfrentar estas ameaças sozinho necessitando abordagem de saúde única integrando saúde humana, animal, vegetal e ambiental. Por fim, a OMS prevê a criação de plataforma digital interativa em que governos tenham dados específicos de vários países, permitindo mapear riscos locais, priorizar investimentos em saneamento, pasteurização e vigilância sanitária “transformando estatísticas trágicas em políticas públicas”.

Moral da Nota: o TFFF, Fundo Florestas Tropicais Para Sempre, oriundo da COP30, ganha contribuição e conta em Luxemburgo com US$ R$ 293 milhões a ser desembolsado até 2030, já, Luxemburgo contribuirá anualmente com a devolução do imposto cobrado sobre rendimentos do fundo que serão reinvestidos. Trata-se de mecanismo de financiamento para manter a floresta de pé, planejado para atrair investimentos e oferecer remuneração de mercado cuja proposta é ser um fundo ambicioso em recursos, necessário à que funcione e se diferencie de modelos existentes considerando que 2026 será o ano da consolidação institucional do instrumento e consolidação como praça de emissão de fundos verdes. Reuniu até o momento US$ 6,8 bilhões e, para operar são necessários US$ 10 bilhões, que se espera aconteça até 31 de dezembro de 2026 considerando que 6 países anunciaram recursos soberanos ao fundo, ou, Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Portugal e Luxemburgo se somando à lista e, cabendo a Brasil e Noruega, co-chair do fundo, conseguirem US$ 3 bilhões restantes.  Caso a previsão de desembolsos pelos governos se confirme a 1ª emissão de títulos ao setor privado para alavancar os valores investidos pelos governos deve acontecer em 2027, jcom os países iniciando operações de monitoramento da cobertura florestal entre 2027 e 2028, daí, detentores de florestas, inclusive o Brasil, começariam  receber pagamentos entre 2028 e 2029. Vale a nota para que o mecanismo saia do papel se faz necessário a conta em Luxemburgo com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, dizendo que, “o TFFF demonstra que o multilateralismo pode oferecer soluções ambiciosas e inovadoras aos desafios globais, no momento que a cooperação internacional está sob pressão o fundo reúne países do Norte e do Sul bem como atores públicos e privados em torno de objetivo comum, ou, tornar as florestas tropicais em pé economicamente valiosas" e, concluiu, "o que começou como uma proposta brasileira está agora se tornando iniciativa global que estabelecerá presença importante em Luxemburgo através da sede de seu braço financeiro, o Fundo de Investimento em Florestas Tropicais”. O TFFF é iniciativa incluída no "roadmap" ao desmatamento zero em discussão nas reuniões preparatórias à próxima COP31, Conferência sobre Mudanças Climáticas, em Bonn, Alemanha, última série de reuniões técnicas antes da COP31 em novembro.